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Segunda página do Diário do Mundial na Rádio Observador. Neste espaço vamos acompanhar diariamente o Campeonato do Mundo de Futebol com a ajuda do enviado especial do Observador. O Miguel Cordeiro está em Palm Beach, na Flórida. Bem-vindo, Miguel, agora já com a companhia da Seleção Nacional.
Olá, sim, é isso mesmo. Portugal já chegou aos Estados Unidos da América. Foi um voo longo, com os jogadores a aterrarem ainda com a luz do dia, depois de terem saído de Lisboa por volta das 15h e de terem feito uma viagem que durou mais de oito horas. Para ser preciso, eu fui confirmar, foram 8h37min. O avião percorreu 6622 km. Aterrou às 18h50, hora de Miami. Enquanto esteve no ar, de acordo com o Flight Radar, o site em que é possível acompanhar os voos em tempo real, a viagem da Seleção Nacional foi o mais vigiado em todo o mundo. Desde a descolagem até aterrar, mais de 300 mil pessoas rastrearam este voo. E é assim o voo que teve mais pessoas a acompanhar entre todas as seleções do Mundial. Agora, para os jogadores há que lidar com o jet lag. Este é o primeiro obstáculo e Roberto Martínez falou sobre isto à chegada, apontou precisamente para a necessidade de aclimatização dos jogadores. Disse que o importante é ajustar ao fuso horário e depois disse também que é bom ter um bocadinho de tranquilidade e já estar com o horário de Miami e que agora o importante é os jogadores ambientarem-se também ao clima e ao fuso horário.
Miguel, tu não estiveste no aeroporto nessa chegada, mas estiveste no hotel e foi aí que encontraste vários adeptos a apoiar a Seleção Nacional.
Ainda faltava mais de hora e meia para a Seleção Nacional, e é importante dizer isto, ainda faltava bastante tempo para a Seleção Nacional chegar ao hotel e já estavam adeptos à espera da seleção. Falámos com alguns, vários portugueses, claro, emigrantes nos Estados Unidos, principalmente. Encontrámos também americanos curiosos, essencialmente famílias, porque as crianças queriam ver os jogadores. E depois falei com muitos adeptos latinos e, principalmente, para nossa surpresa, adeptos colombianos. Isto é curioso, porque é certo que em Miami, nesta região, existe uma grande comunidade de imigrantes da Colômbia. Já seria de esperar que apoiassem a seleção do seu próprio país, que vai participar neste mundial, vai até ter um jogo em Miami, mas não é bem assim. À porta do hotel da seleção portuguesa, eu diria que 20% das pessoas eram da Colômbia. E praticamente todos disseram que preferem apoiar Portugal, principalmente por causa de Cristiano Ronaldo. Ora, Portugal joga com a Colômbia no terceiro jogo da fase de grupos e quando estes adeptos foram confrontados com isso, quase todos os colombianos com quem falei disseram que apoiam Portugal, principalmente por causa de Cristiano Ronaldo. Portanto, podemos dizer que a seleção portuguesa é aqui em Palm Beach, em Miami, um autêntico fenómeno. Tenho também de dizer que junto ao hotel pude testemunhar um forte controle policial, algumas ruas cortadas, vários carros da polícia, várias viaturas da polícia e também uma vasta equipa de segurança.
Miguel, os jogadores também não falaram nesse momento, mas Pedro Proença respondeu a algumas perguntas dos jornalistas.
Foi isso. Apenas Pedro Proença falou, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol disse que o discurso tem de ser de ambição e até já falou em inglês, explicou que agora tem de ser step by step. Pedro Proença disse também que Portugal tem de assumir a responsabilidade e tem de ter a ambição de chegar longe. Este sábado, Portugal vai realizar o primeiro treino já em solo norte-americano. Vai ser ao fim do dia, já perto das 19h, com o calor a diminuir. Vai ser um treino aberto à comunidade local e também um treino aberto à imprensa. E é aí que também vai falar o primeiro jogador português já em solo norte-americano.
Quanto aos jogos, segundo dia, abertura da competição no Canadá e nos Estados Unidos. O Canadá empatou a um golo com a Bósnia. Os Estados Unidos entraram bem e venceram por 4-1 frente ao Paraguai. Miguel, tu viste o jogo com alguns americanos.
Sim, curioso. Eu vi esse jogo para perceber se existe interesse dos norte-americanos. Eu já ontem tinha falado disto. Estamos a tentar perceber se de facto os norte-americanos gostam ou não de futebol, ou melhor, gostam ou não de soccer. Eu testemunhei neste primeiro jogo dos Estados Unidos da América, algum interesse dos adeptos, mas não tanto como acontece com outros desportos, claro. Eu estive num sports bar, um bar com imensos ecrãs. Fui para um local em que sabia que o jogo iria ser transmitido, um estabelecimento com cerca de 100 lugares sentados, foi o que me disseram, pelo menos a gerente deste restaurante disse-me isso. E eu diria que estava a um terço, talvez até um pouco mais. Eu falei com alguns adeptos, encontrei até um adepto que sabia falar português, era descendente de português e estava a vibrar com a seleção dos Estados Unidos da América. Mas entre os adeptos com quem falei, sim, mostraram confiança na equipa. Mostraram também, essencialmente, muitas dúvidas de que seja possível seguir em frente, ou seja, depois da fase de grupos, conseguir fazer uma boa prestação nesta prova. Mas, na verdade, eu diria que não existe um entusiasmo geral dos adeptos norte-americanos com o Mundial de Futebol ou com a seleção norte-americana. Há entusiasmo, sim, de muitos outros adeptos. Há entusiasmo de alguns norte-americanos com algumas das seleções que estão presentes neste mundial, mas já estive noutros locais em que se acompanha desporto e há muito mais entusiasmo com basquetebol, com hóquei no gelo, onde estão a decorrer por estes dias as finais, também futebol americano e beisebol, naturalmente, do que há com o futebol. Não é o desporto rei neste país e, portanto, há entusiasmo sobre o mundial quanto à seleção norte-americana. Estes adeptos não vibram como, por exemplo, vibram adeptos de muitos outros países.
Obrigado, Miguel Cordeiro. Está feito mais um Diário do Mundial. Já sabe que pode acompanhar todo o Campeonato do Mundo na Rádio Observador e sempre em observador.pt. Amanhã há novo episódio do Diário do Mundial.