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Vamos ao relatório de jogo com o Gabriel Alves. Em destaque neste relatório de jogo temos o confronto a contar para a 11ª jornada da Liga Portugal, pois frente a frente Estrela da Amadora e Benfica, na Reboleira. Um jogo que na primeira parte, Gabriel, terá sido algo trapalhão, não muito bonito, com as equipas a estudarem-se de alguma forma, com muito pouca intensidade. Não foi um jogo bonito aquele que vimos na primeira parte.
Não, esteve muito longe de ser um jogo interessante. Mas olhando para a vitória do Benfica, eu chamo-lhe uma bênção. Mas também acrescento uma atitude consentânea com um candidato ao título, um candidato a querer ser campeão. E depois vou focar aqui dois futebolistas. Vou focar naquilo que podemos dizer na hora H, Schaldrup, na profundidade, velocidade e na qualidade de passe, no último passe, e o ponta de lança. Noventa minutos sem ser visto, surgiu no momento que era necessário, Pavlídis. Ponta de lança. Mordeu. Isto é importante.
Apesar de não ter mordido ao longo do jogo. Aliás, puxando um bocadinho a fita atrás, a história do jogo mostra-nos um Benfica que esteve por duas vezes à frente do marcador, deixou-se sempre apanhar e só no final é que deu a estocada final.
Mas naquilo que é o global, dominou, mas controlou. O Estrela da Amadora foi controlando. Foi controlando e foi marcando também gols. A exibição do Benfica esteve longe de ser aquilo que se pode dizer arrebatadora. O meio-campo, casa das máquinas, é sempre fundamental, onde tudo é coordenado. O Benfica mostrou falta de precisão de passe, falta de definição, falhou naquilo que é a transição defensiva. Pouco esclarecimento na organização de jogo, do pautar de jogo, no fluir de jogo. Dominou, mas como eu disse há pouco e repito, o Estrela controlou.
Sentiu-se muito a falta de Fredrik Aursnes.
Sente-se a falta de Fredrik Aursnes, mas também se sente a falta de Barreiro. Também se faz, porque Barreiro é um jogador muito importante naquilo que é a movimentação, são os movimentos de meio-campo da casa das máquinas.
E o próprio Palhinha hoje também não esteve muito em jogo.
Não, mas Palhinha é mais um jogador de corte. Não é um jogador de organização.
Mas por vezes ajuda na organização do meio-campo.
Sim, pelo menos esclarece algumas situações. Mas Sudakov esteve fora. Echeverri é um jogador de muita raça latina. Eu compreendo que Marco Silva goste dele, porque dá nervo, dá eletricidade. Só que eu já conheço o Echeverri de jogar em Espanha e ele aqui faz precisamente aquilo que fazia em Espanha e onde nunca conseguiu a titularidade. Mas eu também compreendo que ele já cresceu alguma coisa mais. Também compreendo que tem um treinador, que é Marco Silva, que o está a trabalhar e naturalmente querendo, e o jogador tem que querer e obviamente quer, também faz o seu crescimento dentro daquilo que escolheu como profissão. Agora, a verdade é que o Benfica, dentro daquilo que foi o seu jogo menos esclarecido na primeira parte, teve um jogador que vem sendo ele sempre que faz a diferença. E uma vez mais apareceu Prestianni.
A carimbar mais uma vez a exibição com um gol.
Um gol que é uma obra de arte.
Fora da área.
É uma obra de arte. Ponto.
Como eu dizia durante a emissão, Gianluca marcou mais um dos seus Prestianni. Aquele tipo de gol merecia ser batizado como Prestianni.
A verdade é que Prestianni marcando este gol atenuou tudo o resto, porque o Benfica está na frente. Só que na segunda parte o Estrela da Amadora quando veio para campo, aquilo fez-lhe bem, o intervalo. Quando vem para campo, vinha já com a noção do quais eram as fragilidades do Benfica, naquilo que era o seu meio-campo, a sua sala das máquinas.
E como disse o próprio treinador do Estrela da Amadora, Pepa disse que a equipa veio para o segundo tempo a desfrutar do jogo e isso também ajudou.
Exatamente. E o próprio Marco Silva sentiu que o Estrela da Amadora partiu o jogo e o Benfica permitiu que o jogo fosse partido. E é evidente, depois acaba por sofrer o gol. O Estrela da Amadora aproveitou.
Com uma grande falha defensiva do Benfica.
Claro.
Com falhas de demarcação e posicionamento.
É evidente que o Benfica acaba por chegar depois outra vez à vantagem com um autogol. Dentro daquilo que é o jogo ali, o jogo acolá. E depois, quando há um momento, a verdade é esta: Samuel Soares, num momento crucial da partida, em que o Benfica está em vantagem, não esteve à altura do lugar. Ao passe que Pavlídis, em momento crucial da partida, esteve à altura do posto 9. Mordeu e o Benfica ganhou. Aqui está uma boa diferença entre duas situações que aconteceram neste jogo em alta competição. Uma palavra para o Estrela da Amadora, que eu acho que deve ter, porque é uma equipa que está numa situação 12º lugar. Hoje sofreu a quinta derrota, sofreu três gols, tem agora 22 gols sofridos, mas marcou dois, marcou portanto tem 17, vinha de quatro derrotas, fica com cinco derrotas. Mas este Estrela da Amadora tem capacidade para poder fazer e ter um rendimento diverso e obviamente aguentar-se naquilo que no fundo é o seu principal objetivo na liga principal. Daí ter sido comprado por um grupo de Um grupo de investidores.
Ex-jogadores.
Ex-jogadores que certamente irão pôr o seu dedo naquilo que é a estrutura do clube, aquilo que não pretendem do clube, mas sim aquilo que querem do clube. E, portanto, tenho que lhe dar os parabéns pela forma competitiva, pelo caráter, pela inteligência que face ao jogo do adversário, que implementaram naquilo que depois foi o seu jogo e que fizeram aquela segunda parte, que foi uma segunda parte extremamente interessante, pondo a nu as fragilidades do candidato ao título, o Sport Lisboa e Benfica. E mostrou que está aquém do além a que pode vir a chegar. Portanto, espero que continue a trabalhar, que tenha capacidade para isso, que não perca o andamento, porque é importante que venham pessoas que sabem disto para Portugal, que é o caso dos investidores do Estrela da Amadora, que se vêem ali certamente um núcleo que poderá vir a ser trabalhado e tratado para que nós tenhamos uma boa estrutura desportiva ao nível do nosso futebol e, se calhar, não só, com outro tipo também de atividades. Mas falamos aqui de futebol e só do futebol, que seja capaz de crescer e ter outro tipo de posição naquilo que é a tabela. E termino aqui, uma bênção, mas a verdade é que quando tens diferenças também nos jogadores, e há dois jogadores que na hora certa trabalham e atenção, não posso esquecer, Marco Silva, que fez as substituições necessárias e possíveis e os jogadores responderam. Schjelderup, muito bem.
E Gabriel, o que fez o Benfica vencer este jogo? A força da técnica ou a técnica da força?
Eu diria a intensidade, a atitude, o caráter e o querer. E depois a arte. Primeiro, Prestianni, do nada, marca um gol em arte. E depois, no momento mais difícil, Schjelderup que entrou também na asa esquerda, com profundidade, com velocidade, naquilo que ele é excelente, naquilo que ele é um jogador importante no último passe, fez o último passe para que o ponta de lança, que estava desaparecido, aparecesse e mordesse.
Portanto, esse foi o melhor ponto deste jogo, essa arte, essa capacidade de aparecer nos momentos decisivos?
Exatamente. E isso é muito importante, aparecer nos momentos decisivos e saber, nesses momentos decisivos, tirar partido deles.
E o que foi o pior deste Estrela da Amadora 2, Benfica 3?
Neste Estrela da Amadora, para o Estrela da Amadora um autogolo acontece, naturalmente. Para o Benfica, aquele frango do Samuel Soares, para falarmos em linguagem perfeitamente condizente com o futebol. E a verdade é esta: um guarda-redes é extremamente importante naquilo que é, em momentos cruciais de jogo, um guarda-redes é extremamente importante para segurar o mais possível o resultado. Se sofrer um gol, não tem problema, dar um frango é um problema.
Portanto, pode dizer-se que Samuel Soares hoje vai para casa em modo Amália: "Cheio de penas me deito." Será assim?
Sim, para minha parte, e os benfiquistas ainda as viram esvoaçar, mas depois conseguiram com um bocadinho de ventania, ou melhor, muita ventania de Pavlidis, acabar com ela.
Será que o Benfica precisa de encontrar outra opção para além de Samuel Soares e Trubin?
Eu penso que será um alvo a atingir dentro de, pelo menos, não é a curto, é a médio prazo. Porque, de facto, um bom guarda-redes hoje é fundamental. Então numa equipa candidata a título, é fundamental e o cuidado que há nesse sentido é extremamente visível nas grandes equipas, nos grandes clubes, portanto, a procura de jogadores de grande calibre, porque não é um guarda-redes fazer 20 defesas. Aquilo que se costuma dizer, o engate, engatou, fez. Não. É uma equipa que tem tendência ofensiva e o adversário só lá vai uma vez e é uma zona de um remate iminente de gol e o guarda-redes resolve sozinho.
Responde na altura certa.
E isso é que é naturalmente necessário. As grandes equipas, e nós olhando por aí. No Real Madrid, quem está? Um tal de Courtois. No Manchester City, quem está? Está um Donnarumma. Quem está hoje no PSG? Um Navas que é um excelente, um enorme guarda-redes. Quem está no Atlético de Madrid? É o Oblak. Onde é que o Barcelona foi buscar logo um guarda-redes que se destacou num clube debaixo da tabela espanhola, Juan García? Está lá.
E em Portugal ainda temos a sorte de ter o Diogo Costa.
Que é, de facto, ao nível mais alto. O que não quer dizer que um grande guarda-redes não cometa. Que não leve frangos, também não vá com as penas para casa. Atenção. Falhar, falhamos todos. Há quem diga que não falha. Bom, mas isso eu não sei. Há quem diga.
Somos humanos.
Somos humanos.
Fica por aqui o relatório de jogo com Gabriel Alves. Resultado final: Estrela da Amadora 2, Sport Lisboa e Benfica 3. Jogo realizado esta noite no Estádio José Gomes, na Amadora. Gabriel, mais uma vez, muito obrigado e até à próxima.
Boa noite a todos os observadores. E olhem, votem numa boa semana.