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Quinto dia oficial de campanha, mas os candidatos às autarquias e os líderes partidários andam na estrada há mais tempo. Vanessa Cruz, vamos a balanços desta primeira semana no Direto à Campanha.

Vamos, sim, a sul e a norte. Uma semana em que os líderes partidários ajudaram os candidatos às principais Câmaras a conquistar votos. Começamos este Direto à Campanha com Luís Montenegro, líder do PSD e primeiro-ministro. Esteve fora parte da semana numa cimeira em Copenhaga, com o fato de primeiro-ministro vestido. Ontem à noite deixou a gravata, foi até Gondomar e hoje começa o dia bem na ponta do país, lá em cima. Miguel Santos Carapatoso, estás em Chaves. O dia começou por volta das 10h com uma ação de rua e com Luís Montenegro a reagir à tensão provocada pelos caças norte-americanos que sobrevoaram a base das Lajes e também com recados sobre o orçamento do Estado, não foi?

É verdade, Vanessa. Sendo que a nota dominante, pelo menos do que me pareceu a intervenção de Luís Montenegro, foi precisamente a questão do orçamento do Estado, dizendo que não vê razões para que os partidos da oposição venham a chumbar o documento. Parece-me que Luís Montenegro está a tentar trazer o tema do orçamento para a campanha. Será um tema necessariamente importante, obrigará José Luís Carneiro e André Ventura a reagirem. Sabemos por experiências passadas que os eleitores tendem a penalizar aqueles partidos que contribuem para a instabilidade e, portanto, será de esperar que o governo e Luís Montenegro, em particular, dramatizem e tragam o orçamento do Estado para a campanha, para tentar condicionar, naturalmente, o Partido Socialista e o Chega. Luís Montenegro falou também sobre a proximidade ou a relação de trabalho que é possível estabelecer com autarcas da mesma cor partidária, o que acaba por ser uma governamentalização desta campanha. Acontece sempre em qualquer campanha autárquica António Costa fazer isso. Parece-me que Luís Montenegro está também apostado em trazer esta onda do governo para as eleições autárquicas e favorecer assim os candidatos que são do PSD. Vendo os livros, qualquer primeiro-ministro o faz, Luís Montenegro não foge à regra. Depois de Chaves, Luís Montenegro irá ainda ao Porto para um almoço com Pedro Duarte.

Pedro Duarte que, de resto, até, Miguel, admitia ontem que tem falta de notoriedade na Invicta, portanto, ter este apoio de Luís Montenegro, um apoio de peso, pode ajudar aqui a campanha.

Precisamente, pelo menos assim espera Pedro Duarte e Luís Montenegro, naturalmente. A campanha de Pedro Duarte tem tido algumas dificuldades. É verdade que há uma sondagem recente que o coloca à frente de Manuel Pizarro, mas a corrida está muito dividida. Foi uma grande aposta do PSD. O PSD não governa aquela Câmara desde que Rui Rio deixou funções e, portanto, é um grande objetivo do PSD. Luís Montenegro colocou muitas fichas nesta corrida autárquica e vai agora, na viragem para a segunda semana, participar num almoço com Pedro Duarte para tentar dar um empurrão ao candidato social-democrata. Vamos ver o que dirá Luís Montenegro, mas seguramente, um mau resultado no Porto contaminará sempre a noite eleitoral social-democrata.

E é uma agenda cheia hoje de Luís Montenegro, que tem estado aqui a dar uma ajuda aos candidatos às Câmaras Municipais. Deixamos-te, Miguel Santos Carapatoso, podes continuar viagem, o coordenador de política do Observador. Aliás, o coordenador político é o Miguel Vitor Dias, já lá vamos ao Miguel. Tu és, sim, o editor adjunto de política do Observador. Agora vamos para sul, para o Algarve, ao encontro da Inês André Figueiredo, jornalista também da seção de política. Inês, estás com André Ventura aí pelo Algarve, região que foi uma região estrela para o Chega nas legislativas. É uma aposta forte do partido.

Sim, André Ventura demorou a juntar-se à campanha eleitoral, mas vai aproveitar este fim de semana mais importante do período oficial de campanha para colocar todas as fichas nos locais onde o Chega tem reais possibilidades de vencer Câmaras Municipais. Como dizias, está pelo sul do país. Já esteve em Portimão, Faro, Albufeira. Na manhã deste sábado, arranca em Olhão, onde o Chega teve 37,45% dos votos. É de recordar que da última vez que o país foi a votos, nas eleições legislativas de maio, o mapa de Portugal ficou praticamente todo pintado com as cores do Chega no Alentejo e no Algarve. Por isso, André Ventura está, podemos dizer, a jogar em casa, consciente de que se há sítio em que os resultados das legislativas podem espelhar-se nestas autárquicas, é aqui no sul do país. Nas poucas aparições que já teve, percebeu-se que André Ventura considera que estas eleições são um marco na vida do Chega. Para além de estar a apelar fortemente ao voto, como é natural, a sublinhar constantemente que não basta as pessoas irem às urnas em eleições nacionais, tem procurado mostrar que o partido precisa de governar, de mostrar que é responsável. Chegou a dizer que o partido não pode achar que é André Ventura ou não é, e que o partido tem que ter autarcas, tem que ter responsáveis para serem até criticados e escrutinados. Tudo isto palavras do líder do Chega. Portanto, está claramente a passar a imagem, até para dentro do partido, e isto é muito importante de sublinhar, que este é quase um tudo ou nada para o Chega, o que cola muito bem, aliás, com o fato de ter obrigado todos os deputados a irem a votos nestas eleições autárquicas. Recordemo-nos que André Ventura é o único dos 60 deputados do Chega que não é candidato. Em comparação com outras campanhas, até agora não tem havido comícios e assim vai continuar, pelo menos pela agenda já disponibilizada pelo Chega. E André Ventura tem apostado essencialmente nas arruadas, onde pode desfilar nas ruas ao lado dos candidatos autárquicos, dando-lhes essa força acrescida, o que muitas vezes lhe vale imagens bastante positivas, até para as televisões, tendo em conta que André Ventura há muito que tem uma presença muito forte na rua, com receções muito calorosas. Depois desta arruada, o líder do Chega continua o dia com outro momento de rua, em Beja, e para domingo tem previsto estar em Elvas, em Monforte e terminar em Sesimbra, já no distrito de Setúbal, como sabemos, também é uma das apostas do Chega para estas autárquicas. No início da semana, é esperado no norte do país.

Fica aqui também esse resumo da agenda do líder do Chega para os próximos dias com a Inês André Figueiredo. Contamos ainda com o coordenador de política do Observador, Miguel Vitor Dias. Miguel, hoje estás em Lisboa, dia que parece um derby com o recandidato Carlos Moedas em Alvalade, a principal adversária Alexandra Leitão em Benfica. Como é que foi a semana destes candidatos?

Carlos Moedas está a intensificar ligeiramente as ações de campanha. Ele tem feito muita campanha sem agenda pública, mobilizando apenas as estruturas de base, sem comunicar à imprensa que está em sítio A ou B, mas tem intensificado essas iniciativas com agenda pública. Hoje em Alvalade, joga em casa, é uma freguesia que é liderada pelo PSD, esteve ao lado do presidente da junta e recandidato, mas também com muitos ministros que participaram nesta descida da Avenida da Igreja. Também a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, já esteve em várias iniciativas de campanha de Carlos Moedas. Carlos Moedas tem vincado sempre essa aposta na descida de impostos naquilo que o orçamento municipal permite, mas também o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, esteve ao lado do presidente da Câmara e foi também o motivo ideal para Carlos Moedas falar da questão da imigração, para dizer que foi dos primeiros a defender uma imigração regulada e uma imigração que respeite os valores europeus. Este é um tema que a norte, no Porto, e o Miguel já falou disso, Pedro Duarte tem carregado também muito a questão da imigração, da segurança. Aqui em Lisboa nem tanto, mas Carlos Moedas a aproveitar hoje também para dar esse toque nesse assunto que aparece sempre no topo das preocupações nos estudos de opinião. E, portanto, aproveitou aqui Carlos Moedas a presença de vários ministros para também fazer essa ponte nacional com a campanha autárquica em Lisboa. São poucas iniciativas. Por exemplo, Alexandra Leitão tem três iniciativas públicas hoje. Carlos Moedas teve apenas esta arruada em Alvalade. Ainda assim, continuará o dia também com outras ações um pouco pela cidade, mas lá está, sem que disso tenha dado conta à comunicação social.

Miguel, eu gostava ainda que falasses aqui sobre o Porto, tendo em conta que a corrida está muito taco a taco a norte. Há pouco o Miguel Santos Carrapatoso já falava sobre este apoio que Luís Montenegro vai dando, mas que análise é que fazes também a esta primeira semana de campanha no Porto?

No Porto as sondagens são praticamente iguais a Lisboa, em sentido inverso, ou seja, Carlos Moedas vai aparecendo à frente, exceto numa, e no Porto Pedro Duarte também só aparece à frente numa delas, mas sempre dentro da margem de erro técnico. E por isso são sondagens que têm servido tanto a uma como a outra campanha, no sentido de mobilizar as bases para a última semana, a semana decisiva, e isso é lido também dessa forma por parte das estruturas. Ou seja, o facto de aparecer em primeiro ou em segundo não é particularmente relevante, porque é interpretado como uma forma também de mobilizar as estruturas para a necessidade de saírem à rua e para a necessidade de polarizarem o discurso, ou seja, de transformarem isto numa contenda entre Manuel Pizarro e Pedro Duarte, no caso do Porto, entre Alexandra Leitão e Carlos Moedas, no caso de Lisboa. Por isso estas sondagens, que dão alguma proximidade entre candidatos, têm servido e têm tido leituras positivas também por todas as candidaturas, porque têm servido para mobilizar os apoiantes e as estruturas locais que, numa eleição local, diferente de legislativas, por exemplo, numa eleição local, a campanha porta a porta ainda conta muito. As juntas de freguesia, os eleitos em cada freguesia fazem a diferença, são pessoas conhecidas nos seus bairros e portanto, isso serve também para espicaçar esses militantes, essas bases, para saírem à rua e para a necessidade de mobilizarem todos os outros a votar, porque a história de Fernando Medina está na cabeça de Carlos Moedas e isso serve não só para Lisboa, mas também para todos os outros conselhos, que é, apesar de algum favoritismo, é preciso mobilizar as pessoas para ir votar, senão há mesmo o risco de uma derrota de última hora.

Queria só que terminássemos aqui com José Luís Carneiro, o líder do PS, que esteve nas ilhas nos últimos dias, está de regresso agora ao continente. Que balanço é que também fazes desta primeira semana de campanha com José Luís Carneiro a apoiar os candidatos às autarquias, sendo que para o PS este é um teste difícil, mais difícil talvez, porque quase 50 presidentes de câmara não se podem recandidatar.

Sim, e José Luís Carneiro é dos líderes com mais quilómetros acumulados, vai a muitos conselhos durante esta campanha. Ele e o PS apostam muito nestas eleições autárquicas como o primeiro passo para recuperar a base eleitoral do Partido Socialista e por isso é dos líderes que mais quilómetros vai fazer, mais até se calhar do que André Ventura, que é sempre tido como o candidato de todos os conselhos por parte do Chega. Mas José Luís Carneiro vai também fazer muitos quilómetros, porque esta é uma eleição muito importante para o Partido Socialista. Aposta também muito em municípios que estão divididos, em que a vitória pode cair quer para o PS, quer para o PSD e nalguns também o favoritismo para o Chega. E José Luís Carneiro faz questão também de marcar presença nesses locais para que possa tentar jogar a favor do desempate e que a vitória caia para o PS. Portanto, tem sido já uma campanha intensa, antes até do período oficial de campanha, e vai ser ainda esta última semana mais intensa, porque José Luís Carneiro faz questão de percorrer muitos municípios, um terço deles, um terço dos sítios onde José Luís Carneiro vai passar são, aliás, conselhos onde o Chega venceu nas legislativas e é preciso dar um sinal de que nas autárquicas não há transferência direta de votos.

Tudo por tudo, a campanha está praticamente a entrar na segunda semana. Obrigada, Miguel Vitor Dias. Contámos neste Direto à Campanha com o coordenador de política do Observador, também com o editor adjunto de política, Miguel Santos Carrapatoso, e com a jornalista que tem estado a acompanhar, sobretudo o Chega, Inês André Figueiredo.