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Muito bom dia, está com o Observador. Se só agora ligou o seu rádio, seja bem-vindo. Muito obrigada por estar nas manhãs 360. É hora de direto à campanha. Estamos a três dias do fim do roteiro dos partidos, Carla, e ontem à noite houve vários apelos ao voto.

Com Tancos a sair da agenda, pelo menos para já, e com o furacão Lorenzo a afastar António Costa dos holofotes, ontem à noite houve vários comícios e fica o registo de vários apelos ao voto. Começamos a olhar para o Bloco de Esquerda, que esteve em Braga e com Catarina Martins a pedir que ninguém falte à chamada. A líder bloquista fez um apelo ao voto dos indecisos. Este tem sido, de resto, o foco do discurso do Bloco, que esta semana tem repetido os pedidos para que os portugueses votem. Na CDU, a noite também foi de pedidos. Jerónimo de Sousa apela ao voto na foice e no martelo, com o girassol ao lado. O secretário-geral do PCP e do partido, juntamente com o Partido Ecologista Os Verdes, constam no boletim de voto nas eleições. Num comício noturno em Rio de Mouro, Jerónimo de Sousa quis ainda criticar a nova legislação laboral, com acusações a PS, PSD e CDS, por aproveitarem o fim da legislatura para responder às exigências do grande patronato e possibilitar novas possibilidades para generalizar a precariedade.

E este sentido de apelo está também no discurso à direita.

Parece ser o lema que fica do dia de ontem. Em Ponte de Lima, a presidente do CDS fez um apelo ao voto no partido como uma voz alternativa às do PS e do PSD e às da esquerda radical, que Cristas diz ser uma ameaça.

Àqueles que nos dizem que votam em nós e que nos dão sorte, e a sorte está nas vossas mãos, eu peço: não basta votarem em nós. Tragam mais um ou dois. Nós precisamos de todos os votos. E todos os votos para duas coisas: para garantir que aqui, no Alto Minho, como noutros distritos, nós estamos a votar para termos uma voz única de defesa destes territórios, para termos uma voz que não é igual às que já existiram, às que podem existir. E é uma voz certamente muito diferente da voz das esquerdas, que são uma ameaça.

A líder centrista apelou aos presentes para trabalharem até sexta-feira para trazer mais um ou dois votos para o partido.

E para lá dos pedidos, no caso do PAN, ficam críticas ao governo.

Em Leiria, numa manifestação contra um furo de gás natural, André Silva acusou António Costa de não discutir temas polêmicos em tempo de eleições.

Não quer debater este problema polêmico em altura de eleições, antes das eleições, o que do nosso ponto de vista, a interpretação que nós fazemos relativamente ao Partido Socialista e aos outros partidos, é que vão querer, evidentemente, fazer esta exploração de recursos, que do nosso ponto de vista, estão completamente obsoletos e o movimento mundial, europeu e nacional tem que ser outro, o de abolir este tipo de exploração e de rapidamente fazermos uma transição energética na próxima década para tentarmos não depender dos hidrocarbonetos ou depender o mínimo possível deles.

O líder do PAN em Leiria a deixar críticas ao candidato António Costa. São destaques da noite de ontem, mas falta olhar para os dois partidos que lideram as sondagens. Está na hora, Maria João, de nos fazermos à estrada.

E vamos ao encontro dos repórteres que acompanham as comitivas do PS e do PSD. E começamos pela Rita Tavares. Rita, bom dia. Devido à passagem do furacão Lorenzo pelos Açores, António Costa, na versão primeiro-ministro, está a esta hora em Carnaxide, na sede da Proteção Civil. Quer isto dizer que vais ter folga, Rita?

Era bom. Mas para nós nunca é assim. Exato. Prova disso é que já estou aqui a falar convosco a esta hora. E a outra questão é que há mais especiais e textos para preparar para os próximos dias, para estes dias finais do Observador, que é preciso escrever. Mas é verdade que António Costa hoje só entra na campanha dele mesmo às 21h, num comício em Viseu, e isto na agenda que está prevista, porque isto pode sempre mudar a qualquer altura e tem sido assim algumas vezes durante esta campanha do PS.

Tem sido soprattutto nesta última semana, não é, Rita? Tem mudado muito.

Na semana passada, sim, houve alguns episódios, mas ontem foi o dia mais gritante, porque António Costa, no dia anterior, em Almada, tinha já falado na questão do furacão nos Açores, dizendo que esse era o único tema fora da campanha que o interessava e que era o único tema fora da campanha de que ele falava ali, chutando para canto os outros temas fora da campanha, como ele lhe chama, que é o caso Tancos.

O furacão de Tancos.

O furacão Tancos, exato. Ontem, acabou mesmo por isso ser colocado em cima da mesa de forma muito clara, desviando o candidato, que ontem disse que era candidato nos tempos livres, porque o que ele é é primeiro-ministro, a poder ter que interromper a campanha, que foi o que acabou por acontecer, por causa do furacão nos Açores, e então libertou a agenda deste dia para poder estar a acompanhar como vai. Aliás, hoje já é sabido que ele vai estar de manhã na Proteção Civil, em Carnaxide

Para acompanhar os desenvolvimentos do furacão Lorenzo. Mas António Costa, digamos que também é uma situação que acaba por dar algum jeito para ele pôr em cima da mesa e vestir de forma clara o fato de primeiro-ministro e dizer: "Eu é que sou o primeiro-ministro". Aqui numa altura em que as sondagens também não estão propriamente a mostrar e a dar boas notícias ao Partido Socialista com esta aproximação do PSD. Portanto, a TV, a única ação de campanha do dia de hoje de António Costa, candidato, será com um comício à noite em Viseu. A Rita Tavares vai continuar a trabalhar. Já António Costa, no papel de primeiro-ministro, faz uma pausa na campanha. Ora, do lado do PSD, Rita Dinis, estás a acompanhar um líder empolgado com os lusitanos e com os cavaquistas?

Sim, bom dia. É mais ou menos isso. Rui Rio parece que está a adivinhar e nos dias em que precisamente as sondagens começaram a dar o PSD a crescer e o PS a descer ligeiramente, ou seja, a margem a estreitar, foram precisamente os dias em que Rui Rio tinha preparado dois grandes momentos políticos à noite, que são coisas raras nesta campanha. Portanto, esta campanha não tem tido comícios, que são os momentos onde o líder, o candidato, faz discursos políticos. Mas aqui houve. Nestes dois dias houve. Ontem foi em Viseu e anteontem já tinha sido na Quinta da Malafaia, no Alto Minho. E portanto, foi nesses dois momentos que Rui Rio mostrou que a confiança do PSD está, de facto, nos píncaros e que se na Malafaia Rui Rio tinha dito que queria ser o Famalicão no próximo domingo, o líder, neste momento, da primeira liga de futebol, ontem em Viseu, para uma plateia de mais de 2200 pessoas, segundo a organização, disse que queria ser o Viriato, o novo chefe dos lusitanos. Pediu, naquele antigo bastião cavaquista, o chamado cavaquistão, pediu para se renascer esse mesmo cavaquistão, para poder influenciar as eleições no domingo e fazer com que Rui Rio se tornasse, de facto, o novo Viriato, o novo chefe dos lusitanos.

Rita, as sondagens que têm mostrado um PSD em alta estão a ser encaradas como? Com muito entusiasmo ou com alguma reserva por parte do PSD?

Isso é curioso, porque a verdade é que o PSD desvaloriza sempre as sondagens, não é? Rui Rio diz sempre que são todas manipuladas e que o que interessa é fazer o que tem feito até ao dia seis. Desvaloriza. Mas isto é o que diz publicamente. A verdade é que o que vemos aqui é as pessoas à volta dele, o núcleo duro, sempre agarrado ao telefone e sempre até volta e meia a comentar com os jornalistas como é que estão as sondagens, quando são boas. Até porque nesta reta final as sondagens são, de facto, mais fidedignas e mostram como é que tem evoluído. Isso dá para fazer alguma leitura que eles próprios consideram mais razoável.

Rita, disseste-me que nos dois últimos dias, ou melhor, nas duas últimas noites, Rui Rio voltou aos comícios. Vai ser assim também hoje?

Hoje, por acaso não, vai ser uma pausa. Estamos em Aveiro e Rui Rio vai voltar às talks, as tertúlias que tem feito, que fazia na primeira semana de campanha. Vai ser uma grande tertúlia, segundo dizem, mas ainda assim, não é um comício. Os comícios voltam na quinta e na sexta, no Porto e em Lisboa.

Rita Dinis, com a campanha do PSD, hoje por Aveiro, a ganhar ânimo depois da mais recente sondagem e da casa cheia no cavaquistão. António Costa faz uma pausa na campanha, enquanto que Rui Rio passa o dia em Aveiro. Carla, onde vão estar os outros partidos? Assunção Cristas começa o dia na feira, a Feira dos Carvalhos, em Vila Nova de Gaia. Depois passa o Douro para uma arruada no Porto, entre Braga e Coimbra. Assim vai ser o dia de Catarina Martins, que arranca também com uma feira em Vila Nova de Famalicão e que depois segue para uma visita ao Hospital dos Covões. Já o secretário-geral do PCP investe no distrito de Setúbal, com encontro com trabalhadores, com horários por turnos em Almada e depois almoça com funcionários da Câmara do Seixal. Finalmente, André Silva do PAN viaja de comboio entre Cascais e Lisboa, depois visita uma fábrica em Sintra. E com a campanha na estrada, importa ainda destacar que os partidos regressam hoje ao Parlamento por causa de um dos temas que têm agitado a campanha. Falamos da conferência de líderes parlamentares, que hoje reúne-se exclusivamente para analisar o requerimento do PSD para que haja um debate sobre Tancos, um debate na Comissão Permanente da Assembleia da República. O PS, já se sabe, está contra o que considera ser uma instrumentalização do Parlamento em período eleitoral. Do outro lado, a apoiar o PSD, está o CDS, com o Bloco e PCP a não se oporem. O grupo parlamentar do PSD requereu ao presidente da Assembleia da República uma reunião com caráter de urgência da conferência de líderes, invocando uma suspeita de conivência do primeiro-ministro. E agora o fact-check com Catarina Martins a acusar o Estado de colocar 25 mil milhões de euros na banca, mas os números do Banco de Portugal são outros. A editora de sociedade do Observador, Sara Antunes de Oliveira, fez a prova dos nove.

Hoje pegamos na máquina de calcular, em balanços e balancetes para fazer as contas a quanto dinheiro pôs o Estado na banca desde 2007. Catarina Martins diz que foram 25 mil milhões de euros, mas isso depende das linhas que entram no Excel. O número que a líder do Bloco de Esquerda estará a referir será um arredondamento correto dos 24,65 mil milhões de euros que, segundo o Banco de Portugal, foram de fato injetados na banca portuguesa de várias formas. Mas este de várias formas faz toda a diferença. É justo dizer que os 25 mil milhões foram colocados nos bancos, como disse Catarina Martins, dando a entender que foi dinheiro entregue a fundo perdido? Nem por isso. Dois exemplos: em primeiro lugar, trata-se de um valor bruto que ignora, por exemplo, os fundos recebidos por BCP e BPI em 2012, que foram devolvidos e com juros pesados. Os CoCos, assim se chamam estes financiamentos, concedidos ao BCP, por exemplo, no valor de três mil milhões de euros, renderam em troca mil milhões de euros em juros. Além disso, aqueles 25 mil milhões de euros também contam com o dinheiro injetado na Caixa Geral de Depósitos. E é preciso não ignorar que este é, no fundo, o custo de ter um banco público que precisou de várias recapitalizações e que deverá agora ir pagando dividendos ao Estado. Assim sendo, o número é correto, mas esticado por deixar de fora, por exemplo, o dinheiro que já foi devolvido ou os juros que parte dele rendeu. E agora, Paulo Ferreira, não foi para isto que se fez o 25 de Abril.

Não, não foi certamente para que as Forças Armadas se comportem como estamos a descobrir no caso de Tancos. Deixaram roubar as armas, combinaram com os ladrões a suposta recuperação, fizeram na altura um simulacro de apuramento interno de responsabilidades que resultou em nada. E agora, que a Justiça tomou, e bem, conta do caso, vão fazer um inquérito interno. Agora não precisamos, obrigado. Não foi para esta decadência ética das Forças Armadas que os militares fizeram o 25 de Abril.

Mas Paulo, foi para isto que se fez o 25 de Abril.

As sondagens indicam que dois pequenos partidos podem estrear-se no Parlamento: o LIVRE e a Iniciativa Liberal. Há quatro anos foi o PAN, elegeram um deputado pela primeira vez, e há 20 anos o sucesso foi o Bloco de Esquerda, que hoje é um partido consolidado e já do chamado arco da governação. E antes disso ainda tivemos cometas como o PRD, que apareceu com força e desapareceu ainda com mais estrondo. Temos, portanto, um sistema partidário que, apesar de tudo, vai dando sinais de renovação e alargando o leque de opções dos eleitores. E foi para isto que se fez o 25 de Abril.

E agora, o Baú. Há muitos partidos a concorrer nestas legislativas, mas muito poucos conseguem eleger deputados. Hoje, o Baú encontra um dos poucos partidos que elegeu sem coligações e deixou o Parlamento sem descendentes. Um trabalho de Nuno Viegas, com sonorização de Beatriz Marcelo Garcia.

Desde o 25 de Abril, 16 partidos conseguiram ter representação parlamentar. Seis continuam a ter lugar na Assembleia.

PS! PS! PSD! PSD! CDS! CDS! É esquerda, é Bloco, é Bloco de Esquerda. Viva a CDU! CDU! Viva o País! Viva o País!

Nove só entraram coligados, continuam ativos, mas sem eleger, mudaram de nome ou fundiram-se para criar novas formações políticas. Resta uma exceção.

Vocês têm que ir para Portugal inteiro dizer: algo de novo nasceu em Portugal. É isso que é preciso levar daqui, com mais ou menos estatuto. É preciso é levar esta fé, esta crença, esta convicção dentro de nós que Portugal pode ser diferente através do Partido Solidariedade Nacional.

O Partido da Solidariedade Nacional.

Nós somos um partido novo em Portugal. Não apresentamos números, não andamos a dizer às pessoas que há 10 milhões de bifes para 10 milhões de portugueses, que é estatísticas, e depois esquecemos de dizer que há uns que comem três e outros que não têm um.

Fundado em 1990.

Nós somos o Partido da Solidariedade Nacional e a solidariedade manifesta-se principalmente no respeito pelos mais pobres, no respeito pelos necessitados, no respeito por aqueles para quem normalmente ninguém olha.

O PSN é o partido que nasceu, elegeu e desapareceu por completo, sem herdeiros no sistema político português.

O Partido Solidariedade Nacional é a pós-modernidade. Vem após isto e o que vem dizer? Vem dizer que também a solidariedade deve existir na política, mais, também a política deve corporizar a solidariedade.

Ainda hoje, o fundador, presidente e o único deputado do PSN, Manuel Sérgio, lembra a felicidade de chegar à Assembleia da República em 1991.

Entrei, senti alegria por isso, mas rapidamente cheguei à conclusão que não tinha força para impor ideias. Hoje, as pessoas já apoiam mais, mas naquela altura eu reparei que pesava pouco. Um deputado só não tem força para dar sequência às coisas em que pensa Aos anseios até do partido.

O PSN entrou na política com medidas para defender as pensões e os trabalhadores aposentados.

O corpo envelhece, mas o coração não envelhece. Até à hora da morte, nós necessitamos de carinho, de ternura, de amor e não há neste país.

Era conhecido como o partido dos reformados.

Tenha pena de nós, pobrezinhos dos velhinhos. Tenha pena de nós.

É por isso que a gente existe.

Eu estou sempre errada, meu senhor. Está tão disposto a ouvir o senhor.

Manuel Sérgio admite que foi isso mesmo que lhe garantiu mais de 90 mil votos nas legislativas.

Por que eu consegui ser eleito? Precisamente ninguém tinha falado ou poucas pessoas, o problema dos idosos. Eu também já sou um indivíduo velhote. Ou naquela altura não seria tanto, mas hoje vou a caminhar para os 87 anos.

Em 1994, Manuel Sérgio deixa o PSN.

O senhor presidente do partido perde, neste momento, uma grande oportunidade de se retirar, mantendo a sua posição dentro do partido e todo o seu prestígio.

No ano seguinte, com Carlos Bastos, o Partido da Solidariedade Nacional não elege um único deputado, tem 12 mil votos, é dissolvido em 2006. Fica como o partido esquecido da política portuguesa.

Nós temos de ter um partido novo, um partido de hoje e um partido mesmo contemporâneo do futuro. Caso contrário, morrer, desistir.

"Frágil", do icónico álbum "Só", de Jorge Palma, em 1991, é a nota final na história do Partido da Solidariedade Nacional e no baú de hoje. "Põe-me o braço no ombro, eu preciso de alguém. Dou-me com toda a gente, não me dou a ninguém. Frágil, sinto-me frágil. Faz-me um sinal qualquer, se me vires falar demais. Eu às vezes embarco em conversas banais. Frágil, sinto-me frágil. Frágil, esta noite estou tão frágil. Frágil, já nem consigo ser ágil. Está a saber-me mal este uísque de malte. Adorava estar in, mas estou me a sentir alte. Frágil, sinto-me frágil." E é com este "Frágil", de 1991, na voz de Jorge Palma, que o "Direto à Campanha" chega ao fim. Amanhã há nova edição. Encontre o mercado aqui na sua Rádio Observador, às 08h30.