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De futebol. A Rádio Observador acompanha o fecho de mercado com os comentários do Gabriel Alves e dos adeptos Luís Pinto Coelho, adepto do Futebol Clube do Porto, o João Pinto, que é adepto do Benfica, e também o João Castro, que é adepto do Sporting. A moderação deste especial mercado de transferências é feita pelo jornalista Miguel Viterbo Dias. Bem-vindos ao Ciência Pop.

Uma concentração tremenda de energia.

Onde alargamos horizontes científicos com o professor de Física e divulgador de ciência Carlos Filhais.

A ciência tem de responder às perguntas que pode responder. Que não se espere que a ciência elimine tudo.

As descobertas científicas. Com o professor Carlos Filhais e João Miguel Santos. As ideias, os protagonistas e os limites da ciência.

Nós só conhecemos um universo.

Ciência Pop.

A palavra explosão pode não dar bem a ideia.

Aos domingos de manhã, depois do jornal das 9:00, na Rádio Observador e sempre em podcast. São agora seis horas e 18 minutos, vamos ao direto ao assunto. Arranca hoje a Festa do Avante, que além de música e outras iniciativas, marca a estreia de Paulo Raimundo na qualidade de secretário-geral do Partido Comunista Português. É uma festa que coincide com uma crise inflacionista e numa altura em que as sondagens são pouco favoráveis. Quem vai direto ao assunto é o ex-deputado do PCP, António Filipe. A entrevista conduzida pelo Bruno Vera-Amaral e pela Vanessa Cruz.

António Filipe, bem-vindo. Já vamos querer saber alguns detalhes sobre a edição deste ano do Avante. A festa está a começar, mas deixe-me começar por esta deixa do João Miguel Santos. Paulo Raimundo estreia-se hoje a discursar na pele de secretário-geral do PCP, no momento em que o partido está no modo baixo. Sei que é política do partido não se expressar publicamente sobre sondagens, mas elas acabam por colocar o PCP numa posição pior do que nas legislativas do ano passado. É o maior desafio de Paulo Raimundo recuperar o eleitorado e dar novo fôlego ao partido? E já agora, como?

Não é. Nós, de facto, não concorremos contra sondagens. Aliás, a última vez que houve eleições legislativas em Portugal, as sondagens apontavam para um empate técnico que afinal revelou falhar por quase 20 pontos percentuais. E portanto não é isso que nos incomoda. Apesar de que, obviamente, o resultado das últimas legislativas não foi um resultado favorável. Mas como nós temos dito muitas vezes, as derrotas não nos desanimam, como as vitórias também não nos embriagam. E portanto, há um partido que está aqui, vivo na sociedade portuguesa, que continua no seu posto a lutar pelos direitos dos portugueses, particularmente dos trabalhadores das camadas sociais mais desfavorecidas, e essa luta é para continuar. Este partido é um partido necessário à democracia e ao povo português e, nesse sentido, sejam quais forem os resultados eleitorais, é um partido que continua a lutar pelos seus ideais e a marcar uma forte presença na vida política e social portuguesa, como aliás esta Festa do Avante, a sua 47ª realização, aqui está para o demonstrar. Um partido que está vivo e que se recomenda.

António Filipe, mas como é que se recupera um eleitorado mantendo o mesmo discurso de sempre e quando o PCP perdeu um dos seus trunfos com a saída de Jerónimo de Sousa?

Manter o discurso de sempre é uma ideia feita. Evidentemente, não há discursos iguais. Evidentemente que um partido como o PCP está para além daquilo que seja o estilo próprio de cada secretário-geral. Aliás, como se percebe, o secretário-geral Jerónimo de Sousa teve uma forma diferente de intervir do que o secretário-geral anterior, Carlos Carvalhas, que pode ter tido também uma excelente prestação como secretário-geral. Agora, um secretário-geral novo terá a sua forma de intervir, o seu estilo de intervir e o fato de um partido defender ideais dos quais não desiste, não transige em manter a sua coerência, não significa que tenha um discurso que seja sempre igual. Não é. Não há discursos iguais.

E Paulo Raimundo tem estado à altura dessa tarefa difícil de substituir Jerónimo de Sousa?

Naturalmente que está no início. As pessoas são diferentes, têm formas diferentes, estilos diferentes de atuar dentro do mesmo quadro partidário e, portanto, não fazemos comparações. Dizer se este é maior, ou se este é melhor ou pior. Naturalmente que as pessoas são diferentes e a vida é assim mesmo. E portanto, a evolução de um organismo vivo, como é um partido político, passa pela renovação dos seus dirigentes. Naturalmente que esta é a primeira festa.

E a posição, António Filipe, em relação à guerra na Ucrânia, também devia evoluir? Não é a pedra no sapato do partido?

Não é nenhuma pedra no sapato e os portugueses vão compreendê-la. Naturalmente que a história nos dará razão e portanto, não há outro caminho. A Ucrânia vai ter que chegar à paz, inevitavelmente. Não há guerras eternas. E quando isso acontecer, as pessoas vão perceber que o PCP tinha razão e que desde o primeiro tempo, o que era necessário era primeiro ter evitado esta guerra, o que não se fez, e em segundo lugar, o mais rapidamente possível, trabalhar para uma solução de paz e para um cessar-fogo, que se tivesse já ocorrido, teria certamente poupado muitas vidas humanas que já se perderam.

E essa solução de paz deveria...

Naturalmente que a posição do PCP, em termos mediáticos, é uma posição contra a corrente, em termos mundiais não é. Basta ver que no plano mundial é a posição da NATO e da União Europeia que está mais isolada em termos mundiais Isso vai ser compreensível. Infelizmente, quanto mais tarde-

Mas deveria haver a cedência territorial nessa fórmula de paz, António Filipe?

Não somos nós que vamos negociar a paz. Quem vai negociar a paz são os russos e os ucranianos. Isso é incontornável. E aquilo que cada país deveria fazer era ajudar nos esforços de mediação para se encontrar uma solução que fosse ajustável a ambas as partes. Essa é a única alternativa e acabará por se impor. Quanto mais tarde, pior. E, portanto, evidentemente que ainda estaremos numa fase em que continua a haver uma grande pressão mediática num determinado sentido e num sentido de instigação da guerra, infelizmente, mas a história vai nos dar razão. O problema é que quanto mais tarde se der, pior. E pior aqui, é sobretudo pior para o povo ucraniano.

Mas a responsabilidade maior não será de quem desencadeou a guerra e invadiu outro país?

Provavelmente, a responsabilidade maior foi de quem provocou um golpe de estado em 2014, que deu início à guerra, porque a guerra não começou em 2022. Aliás, não somos só nós que o dizemos. Ouça o senhor Scholtenberger, que ele próprio reconhece isso, que desde 2014 que a guerra começou e que não se fez nada para acabar com ela. Pelo contrário, o que se fez foi sabotar os Acordos de Minsk, que permitiriam ter evitado a guerra e, ao invés disso, o que se fez foi empurrar a Ucrânia para uma solução que conduzia, inevitavelmente, por esse caminho, ao desencadear da guerra, como acabou por acontecer. A guerra devia ter sido evitada. Uma vez começada, devia ser feito tudo para acabar com ela. Isso não tem sido feito. Infelizmente, os ucranianos só sofrem com isso. Quanto mais tarde se acabar a guerra-

Mas o direito internacional não deveria ser respeitado pela Rússia, António Filipe?

Como? Não percebi, desculpe.

O direito internacional não deveria ser respeitado pela Rússia e também para encontrar essa fórmula de paz?

Deve ser respeitado por toda a gente, evidentemente. O direito internacional não pode ser visto de uma forma unilateral, ou seja, alguns que violam, outros que são anjos com asinhas e que não. Não é assim, a vida infelizmente não é assim e a situação que se criou ali naquela zona do globo, foi uma situação que criou todas as condições objetivas para que estas hostilidades tivessem lugar. Desde logo, quando há um golpe de estado, em 2014, em que dirigentes ocidentais passeavam alegremente a vitorear os golpistas, e que deu início a esta situação, com o início da guerra nas regiões do Donbass, com a ocupação da Crimeia, que foi em 2014, não foi em 2022. E a partir daí, como a própria senhora Angela Merkel reconheceu recentemente, o que se fez foi boicotar os acordos de Minsk, que concederam autonomia às regiões do Donbass, às populações que não são do Donbass, e o que se fez foi sabotar os acordos de Minsk para armar a Ucrânia, preparando-a para a guerra que se sabia que ia ocorrer. E, portanto, obviamente que a ideia de que a guerra começou em fevereiro de 2022 é uma falácia, mas que, como eu digo, aquilo essencial é que vai ter que se chegar um dia, vai ter que se chegar à paz, quanto mais tarde, pior. E pior para quem? Pior para os ucranianos, que são evidentemente aqueles que estão a sofrer mais com esta guerra, que não só não devia ter começado, como já deviam ter sido feitos todos os esforços para acabar com ela. Agora, estamos numa posição contra a corrente? Estamos, mas a nossa convicção é que a história nos vai dar razão e os portugueses hão de reconhecê-lo.

Já frisou isso várias vezes aqui. Eu pedia-lhe agora, António Filipe, respostas breves, porque temos pouco tempo. O PCP vai avançar com uma iniciativa legislativa para limitar a subida das rendas já este mês, tendo em conta os cálculos que nos fazem prever aumentos de até quase 7% no próximo ano. Que contributos mais o partido pode dar para ajudar a resolver esta crise?

Como compreenderá, eu não vou substituir aquilo que o secretário-geral vai anunciar. Vamos começar a Festa do Avante!. Haverá, naturalmente, um discurso do secretário-geral no próximo domingo e portanto será o momento oportuno para que possam ser anunciadas iniciativas com que o PCP vá avançar e eu não creio que seria adequado eu estar agora, para além daquilo que já foi anunciado e que acabou de referir, relativamente aos aumentos das rendas, estar a avançar com outras iniciativas que não me compete a mim naturalmente estar a anunciar.

Vamos aguardar por esse discurso de Paulo Raimundo. Estava prometido falarmos da Festa do Avante!, três dias de festa, música, política, outras iniciativas.

Depois meteu-se na Ucrânia, está a ver?

É. Venderam-se mais EPs este ano, António Filipe? Mais entradas?

Não sei.

Mas está por aí, nota mais gente?

Ao longo da festa, certamente que sim. Por quê? Porque esta é uma festa que podemos dizer que há um retorno à situação que havia antes da pandemia. Portanto, quando da pandemia, a festa realizou-se, ela nunca parou, mas realizou-se com medidas de segurança muito rigorosas e com limitações de espaço, o que levou a que houvesse menos pessoas e, naturalmente, as pessoas naquela situação de pandemia, muitas pessoas que não vieram, eventualmente vêm. De então para cá, obviamente que à medida que as condições de normalidade se foram repondo, a afluência aumentou e, portanto, estamos em crer, aliás, as indicações que existem relativamente à venda de entradas permanentes para a festa, designadamente através das agências que procedem a essa venda, foi muito positivo e, portanto, é de esperar que haja uma muito boa afluência na festa deste ano, mas ainda estamos a começar e as bilheteiras vão continuar abertas até domingo, naturalmente.

António Filipe, queria lançar-lhe um desafio, que convencesse alguém que nunca foi ao Avante e que não é comunista, a dar um salto até à Quinta da Atalaia.

Eu acho que para quem nunca veio à Festa do Avante é uma surpresa muito agradável. E conheço muitas pessoas que já passaram por isso, inclusive de outros partidos. Eu não vou dizer, porque evidentemente não tenho autorização para o fazer, mas pessoas de vários partidos, quer do PS, quer do próprio PSD, são pessoas que algumas delas até assiduamente visitam a Festa do Avante, e para quem vem pela primeira vez é uma surpresa muito agradável poder encontrar uma festa que reúne o melhor que se faz no nosso país, em termos gastronômicos, em termos culturais, que pode ver exposições, pode ver cinema, pode ver teatro, pode ver um conjunto diversificado de espetáculos musicais, pode participar em debates, pode provar a gastronomia praticamente de todo o país e até do estrangeiro, porque há muitas delegações internacionais que trazem a sua própria gastronomia. E, portanto, é uma surpresa muito agradável. Quem nunca veio e vem pela primeira vez, não se arrepende e a tendência será voltar.

E pode dançar também a mítica carvalhesa. Boa festa, António Filipe. Obrigada por ter vindo ao Direto ao Assunto. António Filipe, ex-deputado do Partido Comunista. Obrigada. Estamos de volta para ir direto ao assunto na próxima segunda-feira. Rádio Observador. Cartaxo, Alen