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Maria, achas que uma boa farda ainda conquista o coração e confiança das pessoas?

Tu lembras-te do "Apanha-me se puderes", com o Leonardo DiCaprio? Eu diria que o trapaceiro não se deu mal, pelo menos até ser apanhado.

Mas era o DiCaprio.

É verdade.

Trapaceiro ou não, o que é facto é que os uniformes estão na moda. Os verdadeiros e as roupas que são vagamente inspiradas neste universo.

"Do Avesso", um podcast sobre moda, com Margarida Brito Pais e Maria Ramos Silva. Bom, vagamente ou não, ou mesmo muito inspiradas, porque na passarela e nas lojas voltámos a ver os casacos com alamares. Aqueles modelos ao estilo sardo. O que eu pensei logo foi: "Mas onde é que nós já vimos isto?" Pois bem, foi em 2005, há 20 anos. Lá está, uma geração depois, eles voltam a estar na moda. Normalmente, é assim que funciona. Quem não se lembra da Kate Moss com um destes exemplares? Fosse em Glastonbury ou nas loucas noites de Londres, lá andava ela.

É verdade, tornou-se uma imagem de marca.

Muito icônica da supermodelo.

Da Kate Moss. Mas temos de começar aqui pelo início.

Estamos aquelas partidas. Muito antes de Kate Moss.

Muito antes de Kate Moss, Napoleão já fazia das suas a influenciar a moda.

Em muitos planos, também na moda.

É que não foram só os alamares, os detalhes entrançados, os botões dourados, as golas levantadas, que é uma coisa que vem dos uniformes militares.

Que ele também nos deixou.

Que ele nos deixou. A moda da era napoleônica foi uma verdadeira revolução. Abriu fronteiras pelas suas conquistas e, como é lógico, quando se abrem fronteiras, as influências passam.

Circulam.

Exatamente. De uns países para os outros. Imagina tu que o mantão de Manilha, que é aquele mantão tipicamente espanhol, tornou-se popular em toda a Europa por esta altura.

Mas graças a um francês.

Graças a um francês.

Ora bem, tiveste também uma mudança muito ligada às limitações comerciais da indústria têxtil. Isto é muito curioso, porque numa altura em que nós falamos tanto de tarifas. Mas nesta época, o que havia era o bloqueio naval britânico, que restringiu a importação de tecidos finos da França e incentivou o uso de outros materiais como o algodão e a lã. Ora, esta mudança não só afetou os estilos das roupas que as pessoas usavam, mas também tornou a moda mais acessível para as classes médias. Importante.

Claro, porque eram tecidos muito mais acessíveis, muito mais baratos do que aqueles que eram.

É a primeira fast fashion. Isto foi quase aqui uns pioneiros da fast fashion.

Sim, no fim foi uma imposição comercial, lá está. A semelhança das taxas comerciais, como falavas. Mas esta mudança aconteceu não só a nível têxtil, também a nível de adornos. O que também tornou a moda um pouquinho mais simples, em oposição aos exageros da Maria Antonieta.

É verdade.

A verdade é que nesta época a silhueta feminina conhece a sua primeira grande mudança brusca. Passamos daquelas cinturas marcadas, as ancas enormes e aquelas cabeleiras. Havia quem pusesse barcos de madeira.

Imagina.

E pássaros nos cabelos para enfeitarem estes chapéus.

É que devia ser bastante pesadinho.

Portanto, passamos desse exagero para uma coisa muito mais fluida e para o corte império, que é basicamente aquele corte debaixo do peito.

E lá está o nome. O império não vem por acaso.

Debaixo do peito, nos vestidos de senhoras, e que depois com saias muito fluidas, cá sem armações nem corpetes, uma coisa muito ao estilo dos antigos impérios grego e romano. Também era uma grande inspiração pra Napoleão, pelos vistos, em todas as frentes. E claro, isto foi dar uma enorme liberdade de movimento às senhoras.

Eu pensei logo nisso, é que parecendo que não, dá muito jeito em tempos de guerras e revoluções, a pessoa poder correr. É fundamental.

Olha, eu tenho pra mim que algumas senhoras sobreviveram mais aos tempos porque estavam com o vestido certo e não estavam espartilhadas.

É verdade.

Mas depois também tem histórias muito engraçadas que vêm mesmo do campo de batalha, como aquela vez em que George Spencer, segundo Conde Spencer, lembrado pelas importantes reformas navais, teve um acidente a cavalo. E com um casaco com abas, teve um acidente. Eu imagino que as abas do casaco.

Não era muito prático.

Passem ou enleado na sela ou qualquer coisa e o senhor tenha caído. E a partir daí disse: "Olhe, pra mim não há cá casacos mais com abas, vou cortar isso". Acabou-se e passou a usar um casaco sem abas, que era uma coisa muito estranha pra altura, mas que virou moda, sobretudo entre as senhoras, que adoraram e conseguiram adaptar logo aos casacos império. Portanto, era um casaco que ficava mesmo também cortado ali debaixo do peito e que tinha umas mangas adornadas e que basicamente conseguia oferecer uma camada extra de calor sem pesar em cima daquela fluidez das saias.

Não voltando aos tempos de Maria Antonieta, claro. Olha, isso é muito parecido com aquilo que ficou conhecido como o palace jacket.

É o mesmo gênero.

É do mesmo gênero. Influenciou também a moda de 2005 e depois esta agora que falamos, mais atual. Também crio a imagem destes casacos e desta forma de fechar às majoretes. E ao universo do circo, dá ali uns toques.

E dos soldadinhos de chumbo.

E dos soldadinhos, quebra-nozes, evidente. Eu acho que nós também podíamos falar um pouco do contexto equestre, mas isso depois também é todo um outro programa, lá chegaremos. A maioria do que temos que falar é da cultura pop e do rock. Porque estes casacos chegaram até nomes como o Jimi Hendrix, há uma imagem icônica de Jimi Hendrix com destes casacos. O próprio Michael Jackson também, tinha um encarnado muito festoso. E os Beatles, no final dos anos 60, quem não se lembra de Sgt. Peppers e daquela imagem colorida, com estes casacos muito ao sardo.

E esta não é a única peça de roupa que tivemos ao campo de batalha. Esta é se calhar a mais fantasy, a mais divertida, mas há coisas mais do dia a dia.

Muito práticas.

Muito práticas. Olha, o trench coat, por exemplo, ou a gabardina, como diríamos mais comumente em Portugal, foi criada para o exército britânico durante a Primeira Guerra Mundial. O próprio bomber jacket, aquele clássico em que o buzal. Ou em Portugal também usamos muito a versão em camurça, e os próprios óculos de aviador. Tudo isto foi retirado à Força Aérea, tanto o casaco como os óculos. E até a T-shirt, que é a peça de moda mais básica.

Toda a gente tem uma T-shirt.

Não foi inventada, mas começou a ser popularizada por causa da Marinha. Basicamente, era uma peça de roupa interior que até era aconselhada pelos médicos para prevenir constipações e resfriados.

Os médicos e as nossas avós.

Justo. Alguma coisa tinham de razão.

Exato, isto fazia sentido.

E é durante a Segunda Guerra Mundial que essa peça de roupa passa a fazer parte do uniforme dos marinheiros. E depois com a popularização das imagens de guerra e pós-guerra dos soldados a vestir com aquela T-shirt, a coisa tornou-se basicamente símbolo de uma masculinidade heroica.

Heroica, sim. Outras peças. Eu estou a pensar, por exemplo, nas calças cargo, que ainda hoje são tão populares com os vários bolsos laterais, que dão sempre imenso jeito. Ou os próprios chinos. As pessoas esquecem-se que eles começaram por ser usados pelas tropas em países tropicais, porque de facto era um material mais leve e nós hoje, os senhores, sobretudo, mas não só, continuam a usar tanto no verão. Ainda o peacoat, que foi primeiro usado pelos marinheiros britânicos e que depois se tornou um casaco usado por civis, amplamente. Aliás, nos anos 60 do século XX, o Yves Saint Laurent desenhou um conjunto famoso de peacoats que inspiraram precisamente outros designers, como Dries Van Noten, Balmain ou mesmo a Givenchy, aquilo fez imensa escola.

É verdade, estes são estilos que continuam a ser reinventados até hoje.

Sim, até hoje.

E depois também temos cores de origem militar, como obviamente o verde-tropa, como o próprio nome indica.

Sim.

Que vem da Primeira Guerra Mundial, quando os exércitos deixaram de usar uniformes coloridos e começam a adotar cores que possam ser mais camufladas com a natureza, também devido à natureza estratégica da guerra.

Olha, sabes qual é a minha preferida? É o navy blue, o azul-marinho. É uma expressão, na verdade, de 1748, quando se tornou a cor oficial dos uniformes oficiais da Marinha Real Britânica, na altura a substituir o branco. E sabes porque é que isto aconteceu?

Por causa das nódoas.

Sim, é verdade. Isto faz pensar um bocadinho nas crianças. Que o branco também não é uma cor que dê muito jeito.

Dá para pores a lixívia.

É verdade, também. Mas pronto, aqui foi amplamente adotado, na verdade, depois por outras marinhas em todo o mundo, porque era um tom muito durável. Isto foi feito a partir de um dos corantes mais confiáveis e permanentes disponíveis na época. E não é por acaso que ainda hoje o tom azul, o navy blue, impera nos fatos, quando pensamos, sobretudo, em trabalho. Masculinos e não só. É uma cor fundamental e de grande confiança e garantia no guarda-roupa de trabalho.

De facto, este fascínio pelo militar e pelos uniformes tem esse lado prático.

Às vezes nem é consciente, mas está lá. De facto, entranhado no nosso dia a dia.

Este lado prático, como essa coisa de ser o corante que dura mais tempo.

Exatamente.

No fundo, por quê? Porque a roupa militar é feita exatamente pra durar, ser cómoda, ser funcional, o que faz com que sejam peças que se adaptam de forma bastante eficiente à nossa vida e tarefas do dia a dia. Por outro lado, tem sempre também detalhes muito marcantes e originais. É assim, se nós pensarmos bem, os uniformes, na essência, têm todos os mesmos requisitos práticos. Porque os marinheiros, os nossos ou os marinheiros de outro país qualquer, fazem exatamente a mesma coisa.

Mas depois não podem ser iguais.

Mas não podem ser iguais. Por isso surgem subtilezas de detalhes que os tornam distintivos uns dos outros. Mais um exemplo, a roupa da Polícia Portuguesa tem as mesmas exigências práticas que, lá está, de outros países, mas depois é preciso que se distinga não só de outros países, mas também a que corporação.

O ramo.

O ramo da polícia de que estamos a falar.

Sim, por exemplo, a história do uniforme na PSP é muito curioso, porque é provável que seja dos que têm maior influência na evolução dos próprios trajes. O primeiro regulamento é do final do século XIX, de 1876, e estabeleceu, na altura, a cor de pinhão. Era um cor de pinhão com botões duplos e inspiravam-se naquele modelo de capacete da Polícia Londrina.

Um clássico, também.

Um clássico também. Muito curioso. Depois, em 1936, já estamos aqui em pleno Estado Novo, as regras são outras e passam a vestir em tom azul-ferreto e cinzento. Depois, na década de 1980, já em democracia, foi aí que voltaram ao azul como cor predominante. E sabes que ainda há aqui um detalhe mais engraçado, que é: na primeira segunda-feira após o 5 de outubro, é ali o dia que todas as forças de segurança nacionais passam a usar o uniforme tempo frio.

Só aí é que arrumou a roupinha de verão.

É verdade.

Estão superadaptados aqui às mudanças climáticas.

É verdade. Nós também podemos começar a seguir o exemplo. Quando pensamos o que é que fazemos à roupa e quando é que mudamos, aí está.

Também existe este lado estético e de identidade cultural, não só aqui nos uniformes militares, mas, por exemplo, também nos uniformes das companhias aéreas, que são um ótimo exemplo.

Lá está o DiCaprio, voltamos ao DiCaprio.

Exatamente. Em Portugal, a própria TAP teve uniformes marcantes. E ali, a certa altura, as cores da bandeira voltam a ser elementos fundamentais na farda da companhia, farda essa que atualmente é da autoria de Alves Gonçalves e foi criada em 2007. Portanto, já temos aqui alguns aninhos com a mesma farda.

Sim.

E depois tens também, tem aparecido ultimamente na televisão esta semana.

É verdade.

Temos o Manel João Vieira que usa chapéu de piloto.

Pronto, também ele a dar aqui um toque nos uniformes. Muito curioso. Está toda a gente a voltar-se para os uniformes. É verdade. Além desse lado do design, existe um fator psicológico, que pode justificar o nosso coletivo fascínio por fardas, que, de resto, pode ser ou não capitalizado no xadrez político, veremos. Os uniformes criam uma ideia de unidade e identidade. São também um símbolo de honra e orgulho, isto historicamente falando, e ainda de confiança e profissionalismo.

É superimportante esse lado psicológico.

É muito importante. Ora, olhando para o contexto atual, um pouco por todo o mundo, mas sobretudo na Europa, nós vemos como todos estes conceitos têm estado tão presentes. E vindo a ser objeto de discussão. Também há quem se interrogue: serão os uniformes e a sua presença um sinal de ameaça?

É uma boa pergunta.

Que nós não vamos responder, certamente.

Que nós não vamos responder.

Mas fica no ar.

Mas fica no ar, mas refletimos um pouco. Por cá, por exemplo, as fardas saíram do baú durante a pandemia, com o famoso camuflado, no Henrique Coveia e Melo. E é curioso, porque terminada a missão logística.

Acabaram as vacinas.

O vice-almirante, que agora é candidato à presidência da República, continua a ir buscar algumas referências à farda, sobretudo na Marinha. Tu já reparaste bem que não usa, ou quase nunca usa, o tradicional blazer que é adotado pela maioria dos políticos.

É verdade. Muitas vezes suges com o blazer acertuado, que é uma peça que tem precisamente a origem nas fardas da Marinha e que mais tarde acabou por ser adaptado para a vida civil e que é usado por tanta gente. Aliás, se nós virmos bem, até quando está com outro modelo de casaco, ou seja, de peça exterior, são muitas vezes modelos que apontam para esse universo. Do tom ou à própria estrutura também novamente acertuados. Nós vamos ver que efeito poderá ter nesta república, sendo que nas monarquias é uma coisa que está muito presente. E normalmente corre muito bem.

É esse efeito psicológico de sentido de Estado que falávamos, é mesmo muito visível nas casas reais. Tu tens um grande exemplo aqui mesmo ao lado, com a Princesa Leonor de Espanha, que desde que começou o seu treino militar é apresentada muitas vezes de farda, sobretudo quando tentam fazer um perfil dela ou mostrar o seu lado de futura rainha. Até, por exemplo, lembra-me que a revista "Hola!" fez um grande perfil sobre a princesa e a capa foi com a princesa farda.

É roupa, sim, uniforme.

E não de vestido de princesa e de tiara, como tantas vezes são as princesas apresentadas. Até há quem diga que ela fica mais bonita fardada.

Eles dizem isso, há muito esse registo de polaridade.

Exatamente. Não sei, também tem a ver com esse lado psicológico e de mulher forte. O que é certo é que o sucesso foi tanto e é tanto entre os espanhóis, que já fizeram uma marca espanhola de bonecas, fez uma boneca da Princesa Leonor, uma boneca para crianças, só que não a vestiu de princesa, vestiu-a de camuflada.

Uau!

De uniforme, o que é muito curioso, tendo em conta que é para o universo infantil e que as meninas adoram sempre princesas.

Queriam sempre as princesas, mas é uma escolha interessante. Vamos ver se alguém se lembra de fazer uma boneca almirante, quem sabe. Marida, é impossível nós falarmos de uniformes sem enquadrar também o seu lado mais sombrio. Eu lembro-me, por exemplo, de um uniforme, já que falavas de príncipes europeus, nós temos sempre aquele caso do Príncipe Harry, quando ficou em muito maus lençóis com aquela brilhante ideia de se mascarar de nazi.

Uma mancha que ainda o persegue até hoje.

Ainda hoje o persegue, sim. De volta e meia essas imagens voltam à baila. De facto, o neto de Isabel II, num país aliado, enfim, lembrar-se disto não lembra o careca. Aliás, a marca alemã Hugo Boss carrega até hoje na sua história o facto de ter sido o alfaiate de Hitler e do Terceiro Reich.

Como uma moeda, tem sempre dois lados.

Dois lados, é verdade.

A nível nacional, por exemplo, também temos esse lado mais sombrio, se pensarmos, por exemplo, nos uniformes da Mocidade Portuguesa, que representam também o Estado Novo e os princípios do Estado Novo e obviamente também carregam memórias mais pesadas para muitos portugueses. Esta farda também tinha uma grande inspiração militar, apesar de estarmos aqui a falar de fardas para crianças, mas também tinha uma inspiração colonial.

É verdade.

Também mostra muito esse lado do Estado Novo, das colónias, que era importante. Com calções e saias beges, ao estilo safári, camisas verdes e biviques castanhos.

Aliás, na história do século XX, e mais além também, mas sobretudo do século XX, nós teríamos muitas referências mundo fora. Podíamos falar de Mussolini, de Stalin, do próprio Gaddafi. Até da túnica Mao, por exemplo, que foi popularizada por Mao Tsé-Tung, que se tornou um símbolo do comunismo chinês e que é uma variante, um uniforme complementar quando falamos destas referências todas, ou mesmo os uniformes do líder da Coreia do Norte. Sendo que em 2019, o Kim Jong-un até surpreendeu e foi notícia precisamente porque preferiu usar outra coisa, uma gabardina em pele, portanto, apareceu ali de uma forma altamente revolucionária, para não dizer bizarra. E foi notícia por causa disso, porque lá deixou pendurados os seus uniformes também com essa inspiração muito militarista.

Ainda por cima uma peça que de militar tem pouco, uma gabardina em pele.

Sim, é gabardina em pele. É mais outro registo.

Mas também há uns registos, outros meio improváveis neste universo. Olha, o uniforme dos regimes cubano-venezuelanos. Quem não se lembra de Hugo Chávez, Nicolás Maduro, Fidel Castro.

Os fatos craianos.

Mas nos tons nacionais. Revela alguma coisa de militar.

É verdade. Mas, Marida, com mais fechos e menos botões, isso faz-me lembrar, eu penso logo em athleisure ou roupa de treino. Se calhar nós havemos de falar sobre isso lá para a frente, seguramente. Ou outras sugestões mais discretas, talvez sem bandeiras, sem estampados, o que é que dizes?

Sim, isso dá todo um outro episódio e infelizmente é hora de zarparmos, por isso até para a semana.

Até para a semana.