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O apito está dado hoje mais cedo do que o habitual. Começa agora uma edição especial do "E o Campeão É". A análise é do Pedro Henriques, do Gabriel Alves, que se juntam a mim e ao Bruno Vieira Amaral. Bom dia, bem-vindos.

Bom dia.

Bom dia.

Portugal conseguiu ontem a sua segunda vitória na Liga das Nações, a primeira em 2019, foi frente aos Países Baixos. Este domingo venceu a seleção espanhola. Pedro, disseste que ia ser um jogo de qualidade. Confirmou-se? Gostaste do que viste?

Sim, acabou por ser um jogo de qualidade na perspectiva que as duas equipes procuraram ganhar o jogo a dado momento. Depois, quando ficou 2 a 2 e com as substituições, percebeu-se que houve ali um momento de mais cautela, embora até mesmo nos últimos minutos, antes de irmos para o prolongamento, tanto Portugal como a Espanha fizeram abordagens à área que podiam ter resultado em gol. E depois no prolongamento houve também uma primeira parte portuguesa e uma segunda parte espanhola, ou seja, ambas as equipes a tentarem ganhar.

Foi equilibrado, então.

Sim, acaba por ser equilibrado e foi um jogo bastante bom sob o ponto de vista emocional. Depois com a ida para os pontapés de penalty, Portugal foi mais competente, mas acaba por ser um jogo com a tal qualidade que esta Liga das Nações acaba por ter. E reparem, se é a terceira competição em termos de hierarquia, em termos de seleções, é a competição mais difícil, porque no Campeonato Europeu e no Campeonato do Mundo tens sempre dois, três jogos até chegares aos oitavos de final ou menos de oitavos de final, em que a coisa é relativamente acessível e fácil. Aqui não, estás no grupo A em que os jogos são sempre muito mais equilibrados, jogas sempre com as melhores equipes e depois viu-se o que aconteceu nos quartos de final. É só ver os resultados dos quartos de final de todas as seleções, com jogos equilibrados, imprevisíveis, a acabarem nos pontapés de penalty. E depois os meios-finais também foram jogos mais equilibrados, embora a Espanha tenha começado a ganhar 5-1 à França. Acaba por ser uma competição muito interessante e como disse, não sei se o Rui Vitória tinha dado momento nas entrevistas, prefere no final da época, quando está a treinar na época, ter este tipo de jogos do que estar a fazer jogos amigáveis, porque realmente esta competição foi muito bem desenhada pelo senhor Thiago Craveiro, foi um português que esteve na origem disso e acaba por ser uma competição muito interessante e a dar-nos jogos com grande espetáculo.

Gabriel, o que contribuiu para esta vitória, na tua opinião? A motivação dos jogadores, as escolhas do selecionador, o apoio de quem esteve nas bancadas, o conjunto?

Olha, o apoio foi fantástico e acho que é uma grande vitória para as comunidades. Uma vitória fantástica, já mesmo a anterior frente à Alemanha, em Munique, uma maravilha para os portugueses que trabalham lá fora. De resto, eu acho que aqui houve um fator acima de tudo de equipa e uma liderança muito forte do Cristiano Ronaldo. Depois, dentro daquilo que é o jogo, houve um jogador de facto fantástico, que desequilibrou, que foi o Nuno Mendes. O Nuno Mendes fez aquilo que se pode dizer uma exibição soberba. Primeiro, meteu no bolso o bambino dourado, o menino que lá mina a mão, meteu no bolso e disse-lhe assim: "Olha, para a próxima jogas, hoje não."

Para a próxima o vídeo és tu.

Sim, mas olha, hoje não, hoje eu trato de ti. Depois fez aquilo que se pode dizer o desequilíbrio, porque obviamente está nos momentos-chave da partida, num com um gol e noutro numa entrada que acaba por sair dos seus pés o lançamento, portanto, o serviço para o gol do Cristiano Ronaldo. Depois quero aqui, já falando do Cristiano Ronaldo, da liderança do próprio CR7 em campo. Foi, para mim, importante, como noutras alturas, talvez não tão notada, sublinhada, mas a verdade é que CR7 é um líder de grupo e esse líder de grupo é muito importante existir nos coletivos, portanto, seja em que modalidade for, é fundamental. E CR7 é. E repare-se quando os futebolistas portugueses são chamados a terreiro e a perguntarem por ele, todos, naturalmente, nutrem na sua voz, no seu discurso, o respeito por Cristiano. É, de facto, algo de muito importante para a seleção portuguesa. Diogo Costa, muito bem naquilo que se esperava, defende aquilo, depois na chamada negra, digamos, do jogo, nas grandes penalidades. Defende e quanto ao Diogo Costa, para nós é aquele jogador que está no último passo. Morata também está no último passo, portanto, altamente criticado na imprensa espanhola, o erro, porque não devia ter feito assim, assado, cozido. Olha, para nós tudo costa feita. Depois a visão é consoante, naturalmente, os diversos interesses. Agora, também é preciso dizer que na primeira parte, o Nico Williams e este lançamento de João Neves a lateral-direito, uma reincidência de Roberto Martínez, o Nico Williams, até pode-se dizer que se divertiu um pouco. Mas a verdade é que Rúben Neves, ao intervalo, ao entrar, equilibrou o meio-campo de Portugal. A saída de João Neves e a entrada de um lateral com a rotina, sem medo, trouxeram à equipe portuguesa outro tipo de equilíbrio. Quero só ainda frisar de Roberto Martínez, ele se lançou, a equipa que lançou, a equipa bateu-se. Depois as retificações que teve a fazer, fez na hora certa, portanto, impecavelmente. Os jogadores corresponderam todos e, portanto, o treinador também, na sua estratégia, é um grande.

Nota positiva.

É um grande, mas um grande vencedor desta partida, por tudo e mais alguma coisa.

Bruno, Portugal.

Só uma nota ainda.

Sim, Gabriel.

Aquela entrada do Rafa Leão foi na hora H.

Bruno, Portugal esteve em desvantagem por duas vezes, conseguiu dar a volta. É uma equipa motivada e focada que queremos para o ano mundial?

Sim, é uma equipa que precisa, sobretudo contra um adversário como a Espanha, deste toca-rebate para enfrentar uma seleção que, quanto a mim, coletivamente, é superior. Qual é a vantagem de Portugal? Eu creio que temos individualmente melhores jogadores, apesar de toda a qualidade que Espanha tem. Mas mesmo assim acho que Portugal é superior em termos de qualidade individual dos jogadores e por isso precisa, para contrariar a superioridade coletiva de um adversário, neste caso de Espanha, desse foco, dessa determinação. Não é fácil, até depois do que vimos a Espanha fazer.

Mas a pressão também é outra, numa Liga das Nações e num mundial.

Claro, é verdade, é diferente. E nós temos visto que Portugal tem se portado bastante bem na Liga das Nações, onde a pressão não é a mesma e depois nos mundiais, em particular nos mundiais, mas também nos últimos europeus, parece que na hora H, na hora decisiva, não consegue dar esse passo. Mas às vezes também são diferenças mínimas. Portugal no ano passado foi eliminado contra uma grande seleção nos penaltis. Deixe-me só dizer que eu não compreendo esta perseguição aos jogadores que falham penaltis, neste caso agora foi em Espanha. No ano passado foi com Portugal.

A pressão é enorme, deve ser uma coisa assim.

Quer dizer, estar a criticar um jogador porque falhou um penalti, como se fosse ele o responsável pela derrota, é perfeitamente idiota. Morata pode não ser o melhor avançado do mundo, mas certamente Espanha ontem não perdeu aquele jogo por causa dele. Há outras razões e naquele momento da decisão pode cair, de facto, para um dos lados. Portugal foi mais competente, dizia o Pedro, e muito bem, também é uma questão de competência, mas pôr o peso todo de uma derrota no jogador que falha o penalti, para mim não faz qualquer sentido. Mas Portugal teve essa qualidade. Eu estava a dizer que ver-se em desvantagem contra uma seleção como a espanhola, que há poucos dias marcou cinco gols à seleção francesa, revela uma grande capacidade também mental, de resistência e um fator decisivo que foi aparecer um jogador, comprovando aquilo que eu estava a dizer, é preciso que apareçam os jogadores individualmente, que foi Nuno Mendes. Nuno Mendes acabou por equilibrar o que estava desequilibrado pela superioridade coletiva de Espanha e teve um papel fundamental a marcar, a inventar um gol e depois a assistir. Eu acho que foi aquele jogador que, perante uma superioridade coletiva da Espanha, que não foi esmagadora, conseguiu equilibrar as contas para Portugal.

E também por isso foi considerado o melhor jogador desta final.

E acho que muito justamente.

Muito justamente. Pedro, ainda antes do jogo começar, disseste que Diogo Costa ia ser decisivo. Acertaste, defendeu o penalti.

Ontem no "Campeão", a dada momento, a pergunta era: se tivéssemos que escolher um jogador, quem ia ser decisivo? Eu fui o último a falar, falaram em vários jogadores de campo e eu disse: "Não, olha, vão ser os guarda-redes e o Diogo Costa vai ser decisivo". Cheirava-me muito a empate e a uma situação dentro deste enredo que pudesse ser para penaltis. E depois dentro dos penaltis, quando havia ali alguma descrença ainda, eu que nem costumo intervir, que estava no direto a fazer a arbitragem, disse: "Atenção, Portugal vai ganhar cinco a quatro e o Diogo Costa vai defender o último penalti." Não foi o último, foi o penúltimo e portanto acabei por acertar um bocadinho nesta brincadeira que eu gosto de fazer, de tentar adivinhar. Mas obviamente que foi decisivo, fomos para penaltis, mas como disse o Bruno e muito bem, e como já disse o Gabriel Alves, o gol que marca, estar no segundo gol, embora para a estatística não conte como assistências, Nuno Mendes faz 81% de passes precisos, 38 em 47, ganha sete duelos no solo, ganha dois duelos aéreos e depois tem também um penalti converte, faz quatro dribles bem-sucedidos. Enfim, há aqui uma estatística muito interessante que mostra claramente a importância do Nuno Mendes. E se virmos aquele gráfico de calor, que é as zonas por onde os jogadores se movimentam, é fantástico ver todo aquele corredor esquerdo e até curiosamente mais no próprio meio-campo, em zonas defensivas e até mais numa zona central. É muito interessante ver o que ele percorreu, o que ele fez e realmente a importância que teve no jogo. E, obviamente, ao marcar um gol, ao converter o penalti e estar no segundo gol do Cristiano Ronaldo, acaba por ainda ter mais impacto naquilo que é a perceção. E para mim está muito bem servido o prémio de melhor jogador em campo.

Gabriel, aos 40 anos, mais um título para Ronaldo. É também por isso que ele não se despe dos relvados? Além de não deixar de ser o nome que os outros jogadores respeitam e temem, não é?

Sim, eu acho que ele vai parar quando sentir que tem que parar. Ele tem essa consciência. Aliás, ouvindo e escutando as declarações do Ronaldo, as entrevistas, os momentos em que ele aparece para falar, vai-se sentindo isso. E eu penso que isto para ele foi um título extraordinariamente importante. Provavelmente 2026, se ele se sentir ainda com aptidão, e é ele que vai ter que se dizer se sim ou não, ele vai estar presente no mundial. E a partir daí Ele despede-se. Aliás, eu penso que vai ser finalmente o fim de um ciclo, que é a saída dele e do Messi, porque o Messi também só está à espera do Mundial 2026.

Estão à espera um do outro.

Despedem-se. É verdade, todos nós beneficiamos durante estes anos todos desta luta entre os dois, luta entre aspas, de protagonismo. E beneficiamos, porque a verdade é esta: se Ronaldo cresceu, a Messi deve. Se Messi cresceu, a Ronaldo deve. Esta luta entre os dois, e principalmente porque foi Real Madrid e Barcelona, pelo contexto dos dois clubes, um Catalunha, outro Castela, portanto a dimensão, obviamente que foi muito bom para nós, que nos deliciamos a ver grandes jogos, grandes partidas, grandes jogadores, e para eles, que naturalmente cresceram no universo do futebol. E alimentaram aquilo que eu chamo sempre com muita força, a utopia do futebol.

Bruno, na tua opinião, quem foi o mais decisivo para esta vitória? Nuno Mendes, como falavas há pouco, marcou o primeiro gol, deu a marcar, não falhou nos penaltis, o guarda-redes Diogo Costa ou até CR7 pela maturidade, pela presença e pela segurança que dá?

Todos tiveram o seu papel. Já disse que Nuno Mendes foi o jogador mais decisivo, aquele que equilibrou o jogo para o nosso lado numa altura em que a Espanha estava por cima. Portanto, acho que Nuno Mendes, de todos, foi aquele que esteve melhor. Obviamente, quando tens uma decisão nos penaltis e o guarda-redes defende, é inevitável referi-lo. Também a competência dos jogadores que marcaram os penaltis. Portugal não falhou nenhum penalti.

É verdade.

Muito bem marcados, todos.

Muito bem marcados. O do Gonçalo Ramos, o primeiro, foi ao meio.

Foi ao homem.

Foi e pronto, entrou e quando entra é bem marcado. Mas acho que os outros penaltis eram praticamente indefensáveis. Portanto, há mérito também dos jogadores que marcaram. Curiosamente, eu estava a ler os comentários no The Guardian e o jornalista que estava a fazer esse acompanhamento ao minuto apostou naqueles marcadores, Portugal, à exceção do Nuno Mendes. Ele dizia que em vez do Nuno Mendes ia ser o Rafael Leão. Os outros quatro, que são todos especialistas em penaltis, conseguiram marcar, também foram decisivos dessa maneira.

Marcaram também com muita segurança.

Claro, como é habitual, o Vitinha, que também já tinha falhado há uns tempos pelo Paris Saint-Germain, naquele estilo habitual, ontem deu com mais força e ainda bem que o fez. Bateu bem, como dizia. E o Cristiano Ronaldo, um jogador que atualmente já não tem aquele raio de ação que tinha.

Claro.

Há uns anos era um autêntico Super Yoichi, que era capaz de receber a bola em profundidade de um lado ou do outro, fazer aquelas movimentações da esquerda pro meio para marcar gols extraordinários, já não tem a mesma área de ação.

Mas é a presença também.

Limita-se a jogar numa cabine telefônica. Eu acho que essa é uma leitura que qualquer treinador terá de fazer. Se a equipa ganha mais ou menos, o que ganha e o que é que perde com o Cristiano Ronaldo em campo.

Está ou não está.

Neste momento, Cristiano Ronaldo funciona numa cabine telefônica. Só que nessa cabine telefônica, como vimos nos dois últimos jogos contra grandes seleções, a Alemanha e a Espanha, continua a ser decisivo. Portanto, enquanto assim for, e até pelo estatuto, nós já sabemos que Ronaldo vai sair quando quiser sair, mas em campo continua a ser decisivo, apesar de não ter a mesma contribuição, a mesma capacidade, tem 40 anos, e isso é normal. Mas todos eles, à sua maneira, foram importantes. Estes três em particular foram mesmo decisivos.

Na imprensa espanhola vinha ontem uma nota à noite interessante, a propósito da dieta de Cristiano Ronaldo e da sua capacidade física e atlética. Escreviam: "A dieta de Cristiano Ronaldo são os gols."

Exato. E ele não passa sem eles. Pedro, depois desta vitória, o futuro de Roberto Martínez parece deixar de estar em aberto. Aliás, como disse ontem Pedro Proença no final da partida.

Sim, o Pedro Proença ainda não se tinha propriamente atravessado no sentido de dizer: "Ok, parem lá com essas polêmicas que estão aí em torno do selecionador". Ou seja, aquilo que ele disse ontem, podia eventualmente ou não já ter dito antes, porque se calhar tinha evitado este ruído. Mas o Pedro Proença também defendeu, e é uma pessoa extremamente inteligente, quando disse que essas questões eram questões levantadas exteriormente e que nunca tinha passado pela cabeça dele e deles que tivessem essas coisas, realmente outra coisa que não seja o treinador ou, neste caso, o selecionador cumprir o seu contrato até o fim. A minha perceção, também já tínhamos aqui falado algumas vezes sobre isso, a não ser que tivesse acontecido aqui uma catástrofe nesta meia final e que isso daria algum elã para o despedimento, mas o despedimento custaria também muito dinheiro, não só para despedir, como depois também para ir buscar alguém que até podia estar com ou não trabalho. Portanto, havia aqui muitas questões e acho que de certa maneira esta vitória e a maneira como ela aconteceu até vem ajudar a fazer aquilo que também acho que é a minha perceção. Este não é o selecionador do Pedro Proença, obviamente, e o contrato é para ser cumprido até o fim. Vai ser cumprido, porque vamos ser apurados para o Mundial, obviamente. Estamos quase a ver se vai ser tão fácil o apuramento. E vamos estar no Mundial, independentemente do que possa acontecer, o Roberto Martínez vai cumprir o seu contrato e virá depois um outro selecionador, que será o selecionador Pedro Proença, e que eu continuo a dizer, até por diversas razões, não é apenas paixão, que será sempre o José Mourinho, porque esse é a grande paixão e o grande selecionador, mas depois o contexto à altura pode ser outro.

Exatamente.

Será sempre o José Mourinho.

E essa altura também é de esperar pela saída do Cristiano Ronaldo, não é? Porque Mourinho e Ronaldo na seleção não há compatibilidade.

Certo.

E a questão outra, em relação ao Pedro Proença. Falou tarde e más horas, porque este assunto do Roberto Martínez anda há mês e meio a ser falado em tudo que é imprensa, em tudo que é comunicação.

E Pedro Proença ainda não tinha dito nada.

E a verdade é que Pedro Proença, que fala muito, aparece muito, surge muito Pois é. Ontem, depois da vitória é que apareceu a falar.

E quem é o vosso campeão desta noite em que Portugal conquistou mais uma Liga das Nações? E podemos dizer isso, mais uma Liga das Nações, porque é a segunda, Gabriel.

Olha, é a seleção nacional. No seu conjunto, é a seleção nacional e vou já aqui também lançar. E é o produto ainda da gerência de Fernando Gomes, porque obviamente ele saiu há meia dúzia de meses, nem tanto, há dois, três meses. Meia dúzia são seis, ele foi há dois ou três. E é de todo o trabalho que foi efetuado. Aliás, na sequência do que já vinha sendo feito, porque Fernando Gomes, quando assumiu a presidência da federação, teve o bom senso de não vir dizer à praça, como é o cunho português, que Gilberto Madaíl tinha feito mal. Não, antes pelo contrário. Acabou por agarrar no bom que Gilberto Madaíl fez, desenvolveu e depois pôs o seu cunho, pôs aquilo que era a sua ideia, desenvolveu essa ideia e concretizou. Espera-se o mesmo do senhor Pedro Proença.

Então e que nota dás à seleção nacional, Gabriel?

Olha, dou 20.

20? Só podia, não é? Bruno, a tua nota, o teu campeão e a tua nota.

O meu campeão vai ser Nuno Mendes e Roberto Martínez, claro, o selecionador ganhou. Há aqui uma coisa que eu não consigo compreender. A semana passada, toda a gente dizia que Pedro Proença tinha o seu treinador, que não era Roberto Martínez, e defendia já a saída. E agora Portugal ganhou porque Diogo Costa defendeu o pênalti e os outros jogadores marcaram e de repente Roberto Martínez é para continuar. Ou Pedro Proença tinha um treinador e isso não depende de resultados, ou então é o que está lá e é para cumprir o contrato. Se Roberto Martínez for campeão do mundo, continua? Isto eu não consigo perceber.

Claro que continua.

Pois, isso é que eu não consigo perceber. Se as coisas dependem apenas de resultados, eu acho que se Pedro Proença, o Roberto Martínez não é o treinador dele, não pode depender se o pênalti entra ou não entra. Mas claro, Roberto Martínez ficou numa posição privilegiada para não ser despedido já. Obviamente, um treinador ganha, exatamente. Conseguiu aqui mais margem de manobra, tem mérito, também teve erros. Eu continuo a não perceber aquela opção de 11 inicial, acho que ninguém percebe. E acho que a seleção portuguesa, se compararmos com a Espanha, eu acho que ainda não consegue jogar coletivamente ao nível dos jogadores que tem individualmente.

E que notas dás, Bruno?

Vou dar um 20 à seleção portuguesa, a Nuno Mendes, e vou dar um 18 a Roberto Martínez.

Um 18. Pedro, e tu?

Olha, eu vou dar 20 realmente à seleção portuguesa pelo título que conquistou, entendendo ser o terceiro título mais importante a nível das seleções. Vou dar também 20, podia dar a muita gente que faz parte, que é o coletivo e faz parte da estrutura, dentro e fora do terreno de jogo, mas dou também na pessoa do Cristiano Ronaldo, e vou lhe chamar não CR7, mas CR1000, porque quando se pergunta quando é que ele vai parar, obviamente que ele vai parar quando deixar, até porque ele falou, pode vir a haver uma lesão, etc. Mas ele vai parar no CR1000 e é bom que as pessoas tenham essa noção. É esse o grande foco e o grande objetivo, mesmo que ele não diga. E aqui um bocadinho decepcionante em relação, neste caso aqui ao Gabriel Alves, com quem normalmente concordo em 98%. Obviamente que o Pedro Proença, depois do Fernando Gomes ter feito o que fez na UEFA, ter ido lá especificamente, pedir às pessoas e dizer para não fartar o Pedro Proença, nunca o Pedro Proença iria reconhecer esse eventual trabalho. Mas o Pedro Proença tem uma grande áurea. E portanto, eu para mim, claro que é o produto que vem de trás, mas é muito Pedro Proença, porque o Pedro Proença é competente, está num patamar acima de todos os outros, por isso é que ele chegou onde chegou, e por isso ele tem dedo nos sub-17, tem dedo neste título também, porque é ele o presidente da atualidade e vai continuar assim. E se calhar, agora com o sub-21 ainda vamos ter mais surpresas. Portanto, Pedro Proença também merece, no meu ponto de vista, este 20, porque é a pessoa certa no lugar certo.

Pedro Henriques, Gabriel Alves, muito obrigada por terem estado conosco mais cedo do que o habitual. Um bom dia para vocês.

Obrigado.

Muito obrigada. E o Campeão em Regresso, como sempre, logo a seguir, às 12h30.