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Liga dos Campeões: o Sporting consegue segurar um empate em Itália frente à Juventus e o Benfica procura os primeiros pontos num duelo que tem hoje, às 8:00 p.m., no Estádio da Luz, frente ao Leverkusen. Pelo meio, aumenta a novela em torno do caso Fábio Veríssimo, com um processo disciplinar aplicado ao Futebol Clube do Porto, com a APAF a pedir uma punição exemplar e com o Futebol Clube do Porto a responder e dizer que já tinha recebido ameaças por parte de Fábio Veríssimo num jogo anterior. São os destaques desta edição de "O Campeão É". Eu sou o Miguel Cordeiro e vou estar à conversa com o Gabriel Alves, o Pedro Henriques e também com o Luís Pinto Coelho. Nós já vamos a esta jornada europeia. Apenas detalhar estas novas situações no caso Fábio Veríssimo. Pedro Henriques, temos um processo disciplinar, temos esse pedido de punição exemplar por parte da APAF e uma resposta do Futebol Clube do Porto em comunicado. O que tens a dizer dos mais recentes desenvolvimentos em torno deste caso?
Começando pelo comunicado, acho que é um comunicado cheio de tudo e de nada, porque praticamente aquilo que é a essência deste caso é perceber se realmente colocaram ou não imagens em loop com os tais erros e ao intervalo. E porque é que o fizeram e quem é que o fez. Fez a instituição, partindo do princípio que é verdade e que apareceu. E aí espero que o Fábio Veríssimo, como já tinha dito aqui, não tenha ficado só por relatar no relatório, mas tenha chamado os delegados da liga, para pelo menos pelos seus próprios olhos verem o que estava a acontecer na televisão. Eu teria ido mais longe, mas isso eram outros tempos, era o delegado do Futebol Clube do Porto, o delegado do Braga. Primeiro chamar os delegados da liga e depois os do Porto e do Braga, para toda a gente ver o que estava ali a acontecer. E aí então a coisa era maior e dizer: "Se isto não desaparecer daqui, não dou a segunda parte". Retirando e depois constar os factos no relatório. Vamos àquilo que importa agora, que é o que vem a seguir. Estar agora a falar que ele já ameaçou. Então, mas se já ameaçou, como estava a dizer, provocou, ameaçou, então, mas só agora é que estão a dizer? Então na altura deviam ter feito qualquer coisa em termos processuais. É uma mão cheia de nada, porque estar a atacar depois os outros clubes. E é verdade, que não puseram imagens em loop, mas fazem comunicados antes, fazem depois. Ou seja, a maneira de operarem pode ser diferente, mas todos eles fazem aquilo que é a tentativa de pressão, eu vou usar só a palavra pressão, tentativa de pressão em relação àquilo que possa ser a arbitragem no sentido de tirarem dividendos, ou seja, não serem prejudicados, porque dizem todos, mas na prática, na realidade, o que todos querem é, se estás a fazer essa pressão, é para que a decisão seja sempre a teu favor. E portanto, é mais do mesmo.
Mas Pedro, quando a APAF pede uma punição exemplar, tu achas que de facto isso pode vir a acontecer?
Vamos lá ver. Há uma coisa que eu não tenho conhecimento, por isso eu tenho que ter muito cuidado a falar disto, neste sentido, que é: o que o Fábio Veríssimo escreveu no relatório? Descreveu só a situação? Utilizou alguma palavra como pressão? É porque se utilizares a palavra pressão ou utilizares a palavra coação, é a diferença entre uma multa financeira, etc., ou perda de pontos e eventualmente até de tirar a visão. Isto na teoria, na teoria da lei, neste caso da regulamentação dos artigos. Porque pressão é diferente de coação, mexe com coisas diferentes. E aqui a questão que se coloca é o que é que está escrito especificamente e como é que o legislador, as pessoas que neste momento têm essa matéria, essa responsabilidade de averiguar estes fatos, e por isso vão ter que ouvir o Fábio Veríssimo, alguém do Futebol Clube do Porto, os delegados da liga, todas as pessoas que estiveram envolvidas neste processo, provavelmente até o Braga, de forma indireta, porque acabou por estar no próprio jogo. Forças policiais, eventualmente, porque há sempre dois policiais que acompanham a equipa de arbitragem, estão sempre à porta do árbitro. Acabou aquela coisa de ir bater à porta do árbitro. Isso acabou. Há uma reunião técnica com toda a gente e portanto mais ninguém vai à cabine, a não ser que o árbitro solicite. Mesmo assim, sempre com dois policiais a acompanhar. Polícia ou GNR, conforme o local do país em que estivermos. Isto para dizer que o meu receio no meio disto tudo é que o essencial, que vai ser a reunião dos presidentes, que se não estou em erro é em dezembro, é que vá haver outra vez mais guerra, mais cisão e aquilo que é discutir o futebol na sua essência, nomeadamente esta questão que é pressão, coação, chame-lhe o nome que quiser, acabar definitivamente com isto, pelo menos de forma oficial. Ou seja, os próprios clubes que sistematicamente, já não é as redes sociais, porque eles podem continuar a fazer isso nas redes sociais, encapotados através de anônimos ou de pessoas a quem patrocinam, ou de pessoas a quem acabam por dar luz verde. "Olha, está aqui um comentador que agora mandou aqui uns bitaites. É para a toca lá a mandar e-mails e mensagens para a Rádio Observador ou para o Record ou para a Bola, para rasgar lá o indivíduo, que é para ver se a gente cria aqui pressão na entidade patronal para que eles se acalmem". E temos visto isso frequentemente. Não, aqui a questão que se coloca é: quando a APAF pede um castigo exemplar, também é muito vago. A regulamentação existe, a legislação existe, nem se trata de não haver legislação ou regulamentação, ela existe. E temos visto isto com o quinto amarelo. O que sistematicamente acontece? Os clubes arranjam sempre, dentro dos 100% de alcatrão que vem ser a estrada, os tais 30, 40% de buracos que compõem a estrada, eles conseguem, através dos seus advogados, etc, arranjar sempre forma de adiar, de ultrapassar, e depois o próprio sistema que está instituído faz com que muitas vezes há mato no ante. Era 5 mil, passou para 2 mil, era 20 dias, passou para 15 dias. E este é que é o problema, porque esta legislação também é feita e aprovada pelos clubes, os clubes não se querem punir eles próprios. E portanto, o receio que todos nós temos, uma vez mais, e não se trata especificamente do caso do Porto, porque o Benfica e o Sporting têm exatamente os mesmos milhares de vídeos, não desta forma tão requintada através do cinema, mas de outras formas, com comunicados, com aparecimento dos próprios presidentes a falar em determinados momentos. Em vez de se resolver esta questão que é: isto não pode acontecer Para todos. A questão é que eu acho que isso vai continuar a acontecer e as punições que possam advir para este caso ou para outros casos, demoram N tempo e depois vêm no verão, quando a malta já está de férias, quando os jogadores muitas vezes até já nem sequer estão no clube. E esta é que é a problemática aqui. E eu quero ver o que é que vai acontecer na reunião de presidentes, porque temos aqui uma pescadinha de rabo na boca no sentido de todos têm telhados de vidro e a malta não consegue compreender isso. Vamos ver. Eu estou com muito receio que seja mais uma situação que acabe por não dar em quase nada. E esse é que é o problema, não é para o Porto ou para o Benfica ou para o Sporting, é para o futebol português e é isso que se precisa de resolver. É o futebol português, não é o Benfica, o Porto e o Sporting.
Vamos ouvir aqui o Luís Pinto Coelho, o nosso adepto do Futebol Clube do Porto, comentador aqui na Rádio Observador. Luís, o que te parece este caso? O que tens a dizer sobre esta situação?
Antes de mais, boa tarde.
Boa tarde.
Obviamente eu não o teria feito. Acho que é um erro do Porto. Eu não vou para certas palavras de coação, acho que não. Acho que foi uma provocação, até de um certo modo infantil, porque nem fez muito sentido a provocação em si. Mas eu acho que o Pedro Henriques referiu e bem, acho que isto tem muito a ver com a nossa cultura do nosso futebol. Depois os outros clubes respondem e também têm telhados de vidro, há cromos para trocar de parte a parte e não saímos disto. Acho que é lamentável, porque não acrescenta nada. Mas o problema é que a maioria dos adeptos revê-se nisso. Eu não me revejo. Se calhar preocupa-me mais a questão do treinador que foi escolhido, os jogadores, da forma como se treina, das infraestruturas, do crescimento dos clubes, do futebol em si. Mas a maioria dos adeptos revêem-se um bocadinho nesta guerrilha constante entre clubes, de comunicados, de toda esta situação. Agora, obviamente que é uma situação que era evitável. Acho que também o árbitro pode ter só reportado a situação e foi para a segunda parte e apitou normalmente. Aquilo não teve impacto nenhum. Também não se sabe o que é que ele escreveu no relatório, se só participou ou se então usou essas palavras de coação, de pressão, porque ele próprio já referiu no início da época, quando o Benfica fez um comunicado antes de um jogo, que aquilo para ele não o pressionava minimamente. Por isso, também não acredito que ficasse pressionado por ver duas imagens na televisão.
Certo.
Mas acho que era perfeitamente evitável e acho que não acrescenta nada para o futebol português.
Vamos aos jogos jogados. O Sporting ontem jogou frente à Juventus, em Itália. Gabriel Alves, fica uma boa imagem do Sporting, mas fica também uma bela noite de Rui Silva. Faz parte, o guarda-redes faz parte da equipa, uma bela exibição do guarda-redes do Sporting e um ponto importante em Itália.
Boa tarde. Sim, é um ponto importante. Vamos falar de futebol, vamos falar destas questões dos árbitros, em que os clubes é que fazem as leis e depois misturam-se. Os adeptos adoram essas pipocas. Essas têm caramelo. Não sei porquê, não os ajuda nada. Qualquer dia não têm futebol, mas isso é uma questão deles. O Sporting fez uma partida interessante. Na minha opinião, poderia ter feito mais. Rui Silva redimiu-se de Nápoles, pode-se dizer assim. E estamos a falar de Champions, porque ele é um excelente guarda-redes e obviamente que em Nápoles não foi feliz. E ontem, naturalmente, se o Sporting não tem mais golos na rede, a ele o deve. Faz uma grande, mas mesmo enorme exibição. Mas se o Sporting poderia ter feito mais, também a Juve poderia ter ganho por valores, se calhar algo maiores. Quanto ao Sporting, a mim fica-me a ideia que Rui Borges substituiu tarde demais. Na entrada para a segunda parte deveria ter estabilizado a equipa no seu flanco direito, que foi um maná para a equipa italiana. Portanto, foi um bom jogo, interessante, os jogos têm virtudes, têm defeitos, é um jogo com interesse para quem não estava ligado, quer à Juve, quer ao Sporting.
Bem, perdemos aqui, pelo menos momentaneamente, a ligação com o Gabriel Alves. Já vamos tentar retomar essa ligação para continuarmos a ouvir o Gabriel Alves. Vamos seguir com a nossa restante equipa. Pedro Henriques, hoje há jogo do Benfica frente ao Leverkusen. Queres arriscar o 11 que vai ser apresentado por José Mourinho para este encontro?
Num jogo em que o Benfica tem mesmo que ganhar pontos, até porque o José Mourinho diz que pode ser possível ainda com 11 pontos, com 10, etc. E convém começar a fazê-los, porque está com três jogos, três derrotas e é complicado. E uma derrota de hoje abre um grau de dificuldade maior na possibilidade do Benfica depois poder estar, quanto mais não seja, no playoff. Acho que o Benfica não vai inventar muito, depois há aqui algumas dúvidas, às vezes, em relação a lesões, pequenos toques, mas eu acho que, além do Trubin, que o Dédych e o Dalot vão ser os alas. Aqui está uma das situações que tem a ver com o Dédych, saber se a sua condição física. Os António Silva e Otamendi centrais. E depois acho que não vai fugir muito daquilo que é o normal, que será o Ricardo Rios com o Varane cheia, Pavlídis na ponta de lança e aquele trio por trás, o Lukébakio, o Sudakov e o Aursnes. Portanto, eu diria que será por aqui, podendo haver aqui tal questão de lesão ou de toque e essa é a que nos pode escapar. Mas pronto, há de ser um Benfica muito nisto, com este tique-taque do relógio que o Benfica hoje, pelo menos tem que pontuar e ganhar era fundamental num jogo que também não há de ser fácil, porque na Liga dos Campeões, neste momento, percebemos isso, até porque os grupos do Sporting e do Benfica são extremamente difíceis e os mais fáceis também são difíceis e, portanto, tem que ser um Benfica muito assertivo para conseguir finalmente fazer pontos na Liga dos Campeões.
Muito bem, vamos partir para as nossas notas de campeão. Luís Pinto Coelho, começa desse lado.
Vou dar aqui um 17 ao Sporting. Acho que faz um jogo competente num campo difícil. É um empate que pode ser extremamente importante. O Sporting tem cumprido bem, ganhou os dois jogos em casa, já foi buscar pontos fora, está bem encaminhado e o Rui Borges, não sendo uma exibição perfeita nem magnífica, é uma exibição competente num campo muito difícil, por isso um 17 para o Sporting.
Gabriel Alves, para finalizar, eu ia dar há pouco e também a nota de campeão.
O Luís deu agora esta: chega a uma exibição competente, mas poderia obviamente, naturalmente, ter feito. Fica a ideia que podia ter feito mais se tivesse ao intervalo, obviamente estabilizado a equipa, que levou muito tempo, só aos 62 minutos o fez. Mas é um bom resultado e uma grande noite para o Rui Silva e obviamente é um guarda-redes internacional, precisamos de bons guarda-redes. Quanto à nota, falando da Champions, há aqui resultados interessantíssimos. O Bayern está de facto uma máquina a jogar, o PSG, que é campeão europeu, teve que se defrontar em Paris e teve, naturalmente, a luta bávara, que naturalmente acontece. O Liverpool parece que está a regressar. Eu estou sorridente com a imprensa madrilena. O Real Madrid era o melhor e agora só tem problemas. Mas para mim, a grande nota é para o Mike van der Ven. A defesa central dos Países Baixos do Tottenham, joga no Tottenham, ora bem, correu quase 90 metros em cima do seu 1,93 metro para fazer um golaço. Vale a pena ir ver, para ele, 19.
Um golaço. Pedro Henriques, para terminar.
A minha nota é também para o Sporting, nota 17. Podemos personalizar no Rui Silva. Também não percebo bem a UEFA, mas a UEFA deu o man of the match para o Pedro Gonçalves e até o Pedro Gonçalves percebeu que ele nunca podia ser o man of the match e ofereceu o prémio, e bem, ao Rui Silva, porque claramente muito deste empate tem a ver com aquilo que o Rui Silva acabou por fazer no jogo em momentos cruciais. É um empate, é o dinheiro que vem do empate e é sobretudo os sete pontos que nesta fase são extremamente relevantes e importantes, atendendo ao grupo. Ainda agora estávamos a falar do Bayern de Munique, mais um dos que vai cruzar, e Paris Saint-Germain. E o que disse o Spalletti, das muitas coisas que elogios que fez ao Rui Borges e ao próprio Sporting, disse a dado momento que é difícil, isto Spalletti fala do Sporting, é difícil tirar-lhes o controle do jogo. Até ele tem essa perceção que o Sporting realmente é uma equipa, vamos dizer, bastante arrumada e bastante competente e por isso nota 17. Foi muito importante para o Sporting, para Portugal, este empate, embora ainda não tenham conseguido ganhar em Itália, penso que é o quinto empate que conseguem fazer, o João Castro é que tem esses números todos, mas acho que é um resultado muito importante para o Sporting e também para o coeficiente para Portugal.
Está feita esta edição de "O Campeão É". Estamos de regresso com desporto ao final da tarde para esse Benfica-Leverkusen.