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Começa agora na antena da Rádio Observador mais uma edição de "E o Campeão É". Os nossos campeões dão notas de 0 a 20 aos protagonistas da atualidade desportiva. Eu sou o Miguel Gato, hoje estou na companhia do Pedro Henriques, do João Pinto e também do Luís Pinto Coelho. Bem-vindos. Hoje falamos sobre o que diz a imprensa desportiva acerca do possível mercado de inverno dos três grandes. O Sporting admite vender Gonçalo Inácio em janeiro e o AC Milan de Rúben Amorim é um dos interessados. Há também uma pergunta no ar, no futebol clube do Porto: será que Francisco Moura ficou em cheque para Farioli depois da derrota em Sevilha frente ao Bétis? E no Benfica, Trubin é para ficar ou para ir embora em janeiro? A Sada Encarnada quer também renovar com o Gyökeres Prestianni e começamos precisamente por aí. João Pinto, bom dia. Ao que tudo indica, Prestianni vai renovar até 2031 com o Benfica, vai receber um prêmio salarial, vai aumentar o salário. Pergunto se é um prêmio mais do que merecido numa altura em que o jogador está em grande forma.

Bom dia. É um prêmio merecido, o jogador está em grande forma, mas não acho que seja assim que se devem honrar contratos. O Benfica e, na minha opinião, os outros clubes, têm que ter noção de que quando aumentam o contrato a um jogador, porque ele teve cinco, seis meses, neste caso na ISPA, foi agosto, setembro e ainda estamos a meio de outubro, de alto rendimento, isso implica que esse é o standard a partir do qual todos os agentes se vão medir. Seja um miúdo dos juniores, seja um sénior. Portanto, eu acho que os contratos são para honrar quando os jogadores estão bem, quando os jogadores não estão bem. E este tipo de práticas é sempre muito casuística e muito ao sabor daquilo que o jogador decidiu investir em si próprio em dois ou três meses. Percebo esta renovação, gosto muito do Prestianni, acho que ele está a jogar um montão, como diriam os espanhóis, mas preocupa-me sempre esta reação, este agir pensando no mês passado e há dois meses, e o pouco planeamento.

Também pode ser a prever já o mercado de janeiro, não é?

Sim, mas era aquilo que dizias no lançamento. Cria-se aqui a expectativa de que o Benfica pode vir a vender o Trubin. Havia essa questão do Schjelderup. Neste momento, o Benfica tem cinco extremos. Se tem uma posição onde pode vender um jogador, é extremo. Tem o Schjelderup, que neste momento está desvalorizado, tem o Prestianni muito valorizado, e depois tem um Lukebakio, que tem estado bem na seleção, menos bem no Benfica, um Kaminski que acabou de chegar e um Rafa que já não vai ser vendido pra lado nenhum. É ele que fica. Se há excedentes num certo setor do terreno, vamos renovar com o titular. Há aqui uma série de opções estratégicas que eu não digo que não estejam a ser tomadas, eu não tenho consciência delas, mas estas renovações assim nunca me parecem muito pensadas.

João, aproveito também para te perguntar já sobre o dossiê Trubin. O jornal Record adianta hoje que o Benfica admite vender o guarda-redes ucraniano em janeiro, muito por causa do alto salário que aufera. Seria a tua opção neste momento, tendo em conta as mais recentes declarações de Marco Silva, que parece que Trubin está a ganhar mais a confiança do treinador, ou não?

É isso, é um bocado contraciclo. Obviamente que o jornal deu a notícia, não é necessariamente uma obrigação que o Benfica passa a ter, mas parece-me que o Trubin ainda vai acabar por ganhar o lugar. Tenho essa ideia, é um jogador com muita qualidade. Agora, essa questão do ordenado pesa muito o Benfica, não se pode dar ao luxo de ter um internacional ucraniano com um ordenado gigantesco no banco, não pode ser. É uma questão de gestão. E se houver uma proposta, acho que o Benfica está muito bem servido, quer com o Samu, quer com o Diogo, que são dois guarda-redes com muito futuro. Portanto, em relação a isso, estou tranquilo. Acho que a baliza do Benfica está bem.

Luís Pinto Coelho, bom dia também. Qual a tua opinião sobre estes dois dossiês? E se calhar pegava aqui também naquilo que disse o João Pinto sobre Trubin. O Benfica está bem servido na baliza sem o internacional ucraniano, ou seja, contando que poderá sair em janeiro?

Olá, bom dia. Sim, eu acho que está bem servido. Obviamente que também não acho que nenhum dos três guarda-redes do Benfica seja fora de série. Acho que são bons guarda-redes, mas percebo que o Benfica olhe para Trubin e perceba que ter um guarda-redes que pode ser suplente com uma massa salarial daquelas não faz sentido. Obviamente que depois é o mercado que vai ditar isso. Se aparecem interessados, em que moldes é que aparecem os interessados, se é por empréstimo, se é por compra, é sempre o mercado que vai ditar um bocadinho isso. E se ele for suplente, também não vai estar em alta no mercado. Agora percebo que o Benfica se possa querer posicionar e já preparando isso, falando com os empresários pra tentarem procurar uma solução, porque ter um dos jogadores mais bem pagos de um plantel como suplente é difícil de gerir, ainda para mais numa posição como guarda-redes.

E sobre Prestianni, uma renovação merecida nesta altura?

Eu vou um bocadinho na linha do que o João Pinto disse. Obviamente, o que ele está a jogar até devia ser caso de estudo e de conversar com treinadores e tentar perceber como é que um jogador em dois meses consegue elevar tanto o seu nível. Isso era interessante perceber, até por questões de comportamento do próprio jogador, o que o fez melhorar tanto, porque a qualidade ele sempre teve, mas acho que se perdia em muitas coisas e agora está mais focado e mais confiante. Obviamente, o Benfica aqui tenta dar um miminho ao jogador e até, se calhar, um bocadinho pela questão do que ele passou. Acho que, se calhar, também por isso, esteve na porta de saída. Agora, é obviamente perigoso, como o João Pinto disse, porque de hoje amanhã há outro jogador que em dois, três meses tem um grande rendimento e liga ao seu empresário e diz: "Olha, faz pressão que eu também agora quero renovar o contrato e quero subir o meu salário". É sempre uma gestão difícil, obviamente. Também não tenho aqui uma fórmula mágica, mas percebo que é um bocadinho um risco e às vezes uma certa precipitação dos clubes a irem logo atrás das renovações e subirem salários e depois querer subir as cláusulas de rescisão um bocadinho também para se defenderem. Mas é sempre um bocadinho perigoso e as massas salariais têm vindo sempre a aumentar, obviamente.

Pedro Henriques, bom dia. O Prestiani, aqui o Benfica está a preparar o mercado de inverno e pergunto também se Samuel Soares é suficiente para um clube que quer ser campeão.

Esta conversa, e esta conversa estamos a ter porque realmente já mais pessoas estão a ter, mas faz-me lembrar um bocadinho o Natal. Ou seja, basicamente estamos em outubro, ainda está calor, acabei de vir de uma prova, estou todo suadinho e já há decorações de Natal nas montras, já há filmes de Natal no AXN. Ou seja, estamos longe, mas se calhar por haver aqui um hiato entre jogos europeus e não haver campeonato, a malta agora dedica-se a falar exatamente de algo que é lógico que os clubes têm os dossiês, mal seria. Já estão com essas antevisões e previsões daquilo que possa ser.

Fazem esse planeamento também, não é?

Exatamente, daquilo que possa vir a ser, quer em relação às saídas, quer em relação às entradas, tem que ter pessoas a trabalhar exatamente nesse aspeto, por questões financeiras, mas também por questões desportivas. Agora, eu quero recordar que a matemática das transferências tem mais ou menos esta proporção: 90% é especulação, 9% é muito dos agentes, como dizia aqui o Luís, e no fundo a criar alguma pressão, seja para renovar contratos, para aumentar ou para projetar o nome, e só 1% é que depois acaba por assinar o tal contrato, ou seja, a saída, depois a entrada, e é um bocadinho isso. Lógico, depois no meio disto tudo, há um conjunto de comentadores, sobretudo a nível das televisões, que chutam 40 nomes e quando acertam num, fazem como eu faço quando acerto no 11. Digo logo: "Estão a ver? Acertei", e passa aquela imagem que acerto nos 11 todos, mas na realidade não acerto. Aqui é um bocadinho também essa a ideia. Agora, obviamente que há aqui um dossiê de baliza e que tem a ver com o facto, repare que o Turbina, de repente, saiu quando foi às seleções, tivemos três semanas paradas e o Turbina foi titular. E portanto, o Turbina não é propriamente um guarda-redes que, na sua seleção, é o segundo a ser guarda-redes. Para já, é o primeiro. E um guarda-redes nestas condições, independentemente das opções internas do clube, e nem sequer vou discutir isso. Toda a gente sabe que o Samuel talvez tire vantagem naquilo que é o jogo com os pés, por exemplo, e esse é um aspeto muito importante para o Marco Silva. Mas o Turbina é normal, que para já qualquer jogador não se sente satisfeito quando é suplente, de uma maneira geral. E depois, sendo o guarda-redes da sua seleção, sabe que não jogando com regularidade no clube, isso pode de alguma maneira abrir portas a que outros apareçam no seu lugar ou que passem à frente. E nessa perspectiva, eu compreendo o papel do Samuel Soares. Quanto ao Prestiani, é assim, todos os clubes portugueses, e o Benfica viveu um caso com o Enzo. Esse até foi muito mais poucochinho em tempo, que foi lá ao mundial, aquilo correu-lhe muito bem, quando foi aquele mundial do Catar 22, acho que não estou a dizer nenhum erro em termos de datas, e depois praticamente foi vendido. Ou seja, jogadores como o Prestiani, e o Benfica, e o Sporting, e o Porto, muitas vezes têm esses jogadores que dão muito nas vistas. O Sporting tem lá o Maxi, etc. São jogadores que a partir do momento que realmente dão muito nas vistas e sobretudo no plano internacional, começam a ser apetecíveis para aqueles clubes que têm poderes de compra que os portugueses não têm. E os clubes portugueses sabem que para além da Liga dos Campeões, outra fonte de rendimento, talvez das mais importantes, é pelo menos vender um ou dois jogadores de topo. E portanto, há esta coisa que é: vamos lá ver se conseguimos desportivamente tirar partido, ganhando títulos, e depois tentar vender. E portanto, eu não faço muita especulação em relação a isso, porque é como digo, em cada 10 notícias que vêm a falar, seja de quem for, nove às vezes ou não são reais ou são alguém que perguntou quais são as condições e depois dificilmente se concretizam. E os clubes portugueses também têm esta questão, e termino com isto, que é muitas vezes falam com os jogadores para: "Mercado de inverno ficas cá, porque realmente para nós é importante e para a gente facilita-te na cláusula de rescisão naquilo que é o mercado de verão". E o Sporting tem feito muito isto, nem sempre corre bem, como foi aquilo do Gyökeres, etc. Porque é a forma que tentas tirar partido desportivamente e ao mesmo tempo dizer: "Daqui a quatro meses estás a sair e vais por um valor maior e a gente facilita-te o processo". E os clubes portugueses têm que ter essa inteligência para tirar desportivamente rendimento de jogadores. Neste caso, estamos a falar do Prestiani, como é o caso do Prestiani.

Relativamente ao Floco do Porto, não há tantos rumores de mercado, pelo menos na imprensa desportiva deste domingo. Há apenas uma questão, se Francisco Moura ficou de facto em cheque depois da derrota com o Betis de Sevilha para a Liga dos Campeões, uma exibição que foi algo criticada. Luís Pinto Coelho, achas que Francesco Farioli está a pensar duas vezes em quem colocar lateral-esquerdo? Zaidu também já está pronto para ir a jogo. Há ainda Martim Fernandes, que é uma opção um pouco mais de adaptação. Ou o Floco do Porto precisa de ir ao mercado?

Não, ao mercado não precisa, até porque tem o Sousa, que eu acho que vai começar a aparecer e a ter minutos. Eu acho que o Farioli não vai deixar cair nenhum jogador. Muitas vezes o que se faz é proteger um bocadinho o jogador, porque foi muito atacado, porque já não é a primeira vez que comete alguns erros infantis. O Francisco Moura estava na porta de saída, estava a ser negociado, mas depois houve a lesão de Zaidu também, o Sousa tinha acabado de chegar e também é muito jovem. E o Porto entre o que tinha em mãos para vender o Francisco Moura e ficar um bocadinho descalço, preferiu manter o Francisco Moura. Eu acho que vai ser um jogador que vai sair do Porto ou em janeiro ou no próximo mercado de verão. Eu também não entro sempre nesta teoria das redes sociais, que é massacrar um jogador. Ganham todos, perdem todos, porque depois há erros individuais, obviamente que há, mas todos os cometem. E ele tem tido alguma infelicidade, porque quando erra dá sempre o gol ou um pênalti, ou algo do gênero. Mas eu acho que, por exemplo, a primeira época de Francisco Moura no Porto foi uma época interessante. Agora não tem corrido tão bem. E eu acho que ele é um jogador que tem as características para jogar numa linha de três centrais e ele fazer o corredor todo, fazer de ala. Jogando como numa defesa quatro ele tem mais dificuldades, porque ele é extremo de raiz, ele não é defesa de raiz. Alguns movimentos defensivos, percebe-se que ele tem dificuldades. Não deixa de ser um jogador que tem alguma qualidade e acredito que vai seguir, por exemplo, o caminho do João Mário ou algo do gênero e vai para o futebol italiano.

João Pinto, a mesma opinião do que aquela que acabou de expressar o Luís Pinto Coelho. Realmente, Francisco Moura é um jogador dispensável para Farioli para sair em janeiro ou no mercado de verão?

Eu acho piada, porque nos últimos dias do mercado de verão houve uma corrida aos laterais esquerdos. O Sporting foi buscar o Zé, o Benfica o El Kaouani, o Porto o Otávio, andava tudo a levantar as pedras todas à procura de laterais esquerdos, mas depois por alguma razão jogam os mesmos. Por alguma razão, esses que foram encontrados à última hora ainda não tiveram grande destaque. E no Porto não é diferente, há a lesão do Zaidu, o Moura é o único lateral esquerdo que tem entrado com qualidade, até porque depois quando é substituído e vai o Quivicor para a esquerda, o ano passado não correu bem. Outras adaptações também não foram brilhantes e, portanto, o Francisco Moura faz lembrar aquela frase do "Inglourious Basterds", que ele é o terceiro melhor a falar italiano. É um bocado isso. Dos laterais esquerdos disponíveis, o Moura é o melhor e o Porto tem mais é que contar com ele. Quando o Otávio estiver disponível e estiver bom fisicamente, vai a jogo. Só não foi ainda porque não está.

O Sousa.

Sousa, isso. A ideia que tenho é que os adeptos do Porto vão ter que morder a língua mais um bocadinho, vão ter que aguentar, porque o rapaz depois de vez em quando também faz uma assistência ou duas e lá vem o sorriso outra vez.

Por uma questão de tempo, passo agora para o tema Sporting. Gonçalo Inácio estará na mira do AC Milan de Ruben Amorim. Pedro, rapidamente, se quiseres comentar a questão do Francisco Moura, mas introduzo-te já a pergunta se o Sporting pode abdicar do capitão de equipe em janeiro, se seria um bom ato de gestão de Frederico Varandas e também de Rui Borges.

Em termos desportivos, saídas em janeiro, dos jogadores que muitas vezes são titulares e Gonçalo Inácio não é um bom ato de gestão, na minha perspectiva desportiva. Agora financeira, depende dos valores. E essa é sempre a questão. O Sporting, vamos ver o que é que acontece com o tal central que veio do Famalicão, que essa é a grande incógnita, se vamos ter alguma vez os jogadores a jogar. O Sporting precisa de um centralão à moda antiga, que possa potenciar tanto Coré como Gonçalo Inácio. Eles juntos parece que não estão sempre tão acertados, ou seja, o Diomande David, como foi o Coates, alguém que ajuda mais para destruir do que propriamente para sair a jogar e a construir, menos romântico e mais defensivo. Agora vamos ver também o que é que vai acontecer. Vamos ver se o Sporting continuar com o Balo lesionado. Obviamente, perder o Gonçalo Inácio é um mau ato de gestão. Também não sei se vai sair assim. O Sporting depois também se pode reforçar nessa altura. Relativamente ao Francisco Moura, só para terminar também dizer que tem tido algum azar. Obviamente, não sei se é uma questão de competência ou incompetência, porque normalmente em jogos em que depois não corre bem o resultado final, ele acaba por estar também diretamente ligado, como disse o Luís, o pênalti, o gol, etc. E isso depois potencia muito, sobretudo as redes sociais, muito ruído em torno dele. Não deve ser fácil a gestão que ele tem feito, mas compete à própria estrutura, ao próprio Francisco e às pessoas que o rodeiam, ajudá-lo exatamente nesse sentido. Sinto que tem um bocadinho os dias, entre aspas, contados nesse aspecto, porque se calhar às vezes mudar de ares pode vir a ser bom para sacudir a mala a pata das costas que vai tendo em jogos do Futebol Clube do Porto.

Luís Pinto Coelho, Ruben Amorim conhece o jogador, Gonçalo Inácio é um central com o perfil ideal para jogar numa defesa a três, como aquela que Ruben Amorim tanto gosta. Acaba por ser um alvo fácil para o técnico português ir tentar identificar o perfil do jogador e tendo em conta que já o conhece, faz sentido este interesse?

Sim, conhece-o muito bem, encaixa bem naquela ideia do Rúben Amorim. E depois há outra questão que é daquele núcleo duro, ainda é dos últimos que vai resistindo e eu acho que também há a vontade do jogador, se calhar, de sair e ter um contrato diferente, obviamente. Saiu o Trincão, saiu o Pote, saiu o Hjulmand, foram saindo o Morita e estes vários jogadores. E se calhar o Inácio também quer sair, ter um contrato diferente, até na fase da carreira que está. Agora é um ato de gestão que vai ter muito a ver com o resultado desportivo até lá. Se o Sporting estiver muito bem desportivamente, se calhar aguentam o jogador e depois prometem lhe vender no verão, até um bocadinho, se calhar, mais abaixo do valor que estava pensado. Se as coisas estiverem a correr mal, se já tiverem, por exemplo, perdido praticamente todas as competições, aí sim, se calhar aproveitam e vendem já e começam a preparar já a questão da próxima época, é um bocadito também em função dos resultados desportivos.

João Pinto, seria bom para Gonçalo Inácio dar um salto para uma liga top five, até na perspectiva da seleção nacional?

Faz lembrar um bocado aquela questão do António Silva. Também era um bocado a mesma coisa e mesmo o rendimento do Sporting e com este treinador. Quando o Rui Borges esteve tremido aqui há umas semanas, se o Rui Borges sai e vem um treinador que precisa de jogar com três centrais, aí o Gonçalo Inácio ia de novo exponenciar tudo aquilo que tem para entregar. Eu lembro sempre o Augusto Inácio, que diz sempre que o Gonçalo Inácio é um excelente central num esquema de três centrais. A dois centrais mostra muito mais lacunas do que noutros esquemas e por isso também na seleção, provavelmente não joga tanto. Para o jogador, sim, seria sempre outro contrato, outros ares, outra coisa e eventualmente vai acontecer. Não vejo o Gonçalo Inácio a ficar no Sporting a carreira toda. Agora, vai ser sempre à medida daquilo que ele estiver a render na altura. Se for titular indiscutível do Sporting, titular da seleção, pode almejar a um clube grande, uma liga grande. Se não, se estiver mais ou menos como está agora, eu diria que qualquer coisa ali nos lugares europeus dos top five já seria uma coisa à sua dimensão.

Vamos então às notas dos nossos campeões, as notas deste domingo. Luís Pinto Coelho, começo por ti.

Vou dar ao Pedro Neto. É importante os jogadores da seleção estarem bem, estarem a produzir um bom futebol, a terem destaque. E o Pedro Neto ontem bisou e até elogiou o Jorge Jesus das conversas que teve com ele. E isso é importante porque é um jogador que tem peso na seleção. Foi titular em três dos quatro jogos nesta última paragem. Por isso percebe-se que é um jogador que já contava muito para Roberto Martínez, continua a contar muito para Jorge Jesus e é importante ter os jogadores portugueses, que ainda por cima estão em campeonatos supercompetitivos, em alto nível. E o Pedro Neto, que é até um jogador que eu gosto bastante, está muito bem.

Nota positiva para Pedro Neto. Pedro Henriques?

Hoje só tenho uma nota, que é para o Iúri Leitão. Voltou a ser campeão do mundo de ómnium em ciclismo de pista, isto em Xangai, o segundo título mundial. Ele já era campeão europeu, já tinha medalha olímpica no ómnium e, portanto, as suas lágrimas deitado na pista é realmente extraordinário. Quem anda nestas andanças sabe.

Pedro, deixa-me só dizer que ele hoje já ganhou outra medalha de prata.

Pois, exatamente. Obrigado pela informação, porque eu hoje fui ganhar uma medalha, mas a minha não tem nada de prata nem de ouro, fui também para uma corrida e portanto estou fora das medalhas.

Mas também tens mérito, Pedro.

Tenho. Aos 61 anos, chegar ao fim já é sempre mérito. Mas isto para dizer que realmente é um orgulho e não saber esta da medalha de prata ainda mais. Para juntar, realmente é um campeoníssimo e estamos todos também já a esfregar as mãos para aquilo que possa ser também aquilo que é sempre um evento muito importante, ainda falta um tempinho, que é os próximos Jogos Olímpicos. De qualquer maneira, as lágrimas dele são as nossas lágrimas. Ficamos sempre felizes quando vemos alguém enrolado numa bandeira nacional a vibrar como vibrou e sobretudo a obter títulos como ele obtém.

João Pinto, muito rapidamente.

Nota 20 para o Iúri Leitão e para a seleção portuguesa dos Mundiais, não só o Iúri, mas também a Maria Martins e o Miguel Salgueiro. Nota 18 para o volei do Sporting, com esta supertaça. Nota 8 para o volei do Benfica, que perdeu muito desde há dois anos. E nota 15 para a Sanjoanense, que bateu o Nacional da Madeira na taça.

Fechamos assim esta semana de "E o Campeão É". Vamos ter uma próxima semana muito europeia, com os jogos da Liga dos Campeões, da Liga Europa e também da Liga Conferência. Amanhã, jornada em atraso entre Sporting Braga e Gil Vicente. O "E o Campeão É" está de regresso amanhã.