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E o Campeão é na Rádio Observador. Vamos olhar para as contas do campeonato, fecho de sexta jornada. Ontem o Sporting venceu o Rio Ave, mantém a liderança da Liga Portuguesa. Para os comentários contamos hoje com Pedro Henriques, Augusto Inácio e Gabriel Alves. Vamos lá fazer a análise dessa vitória do Sporting. Augusto Inácio, gostaste do que viste e gostaste também deste aparecimento final do número 10 do Sporting, que conseguiu marcar o segundo gol e garantir essa vitória frente ao Rio Ave. Já antes tinha marcado o Paulinho, depois Marcos Edwards selar o resultado.
Boa tarde a todos. Deixa-me dizer que o Sporting fez uma excelente primeira parte. Realmente sem Gyökeres, é verdade, mas com um sistema que já tinha trabalhado durante tantos anos e que voltou ao mesmo com Pedro Gonçalves de um lado, Marcus Edwards do outro, Paulinho na ponta de lança. Vi um Paulinho já não a desgastar-se tanto a ir aos corredores buscar a bola, não vi nada disso, o que é sinal de que o Paulinho já joga mais na zona frontal e está mais fresco para poder finalizar. Diria que o Sporting foi um Sporting pressionante, não deixou o Rio Ave jogar. Deixa-me dizer também que o Rio Ave, juntamente com o Boavista, foi das equipas que não pode fazer nenhuma contratação por causa dos problemas que tem. E sinceramente, se em dezembro não for buscar alguns jogadores com qualidade, não é o Luís Ferreira, que é um excelente treinador, que pode fazer milagres, porque este Rio Ave realmente é muito pouco para aquilo que se exige de uma equipa que tenha objetivos. Mas deixa-me dizer que o Rio Ave na segunda parte, é verdade que entrou mais forte, fez um gol, foi anulado e bem, e que poderia ter entrado no jogo outra vez. O Sporting na segunda parte foi um Sporting a tentar controlar, tentar dominar, mas não com aquela intensidade, não com aquela raça, aquela vivacidade que fez na primeira parte. Mas a primeira parte é excelente, o Sporting marcou dois gols, podia ter marcado mais. Gostei muito do Morita. O Morita é um box to box muito bom, foi sim que deu o primeiro gol, foi o jogador, na minha opinião, mais regular ao longo dos 90 minutos. E claro, Edwards aparece, tem uns lampejos de genialidade, depois desaparece. É aquilo que já sabemos do Edwards, o Rui Moreira disse isso ontem: se quiser ser mais consistente e mais jogador para um nível superior, tem que trabalhar mais, tem que dar ao canelo, como se costuma dizer, para chegar a esses patamares. Agora, é claro que o Sporting, como equipa, realmente jogou muito bem e está no primeiro lugar com todo o mérito.
Gabriel Alves, gostaste deste Sporting?
Boa tarde. O Sporting tem uma equipa. É uma equipa. E vai ser uma excelente equipa no dia em que conseguir manter o nível, portanto, todo o tempo. E então contem com este Sporting. Eu não estou a dizer que isto das equipas é mecânico, que são robôs. Aos 90. Não, é manter a intensidade com as diversas nuances que o próprio jogo tem dentro do seu tempo regulamentar. Mas é uma equipa, toda ela muito bem orientada, quer sob o ponto de vista defensivo, meio-campo, toda a estratégia, a dimensão, aquilo que se pensa, quer com Gyökeres, quer sem Gyökeres. O que aqui vem demonstrar que há trabalho, portanto, ao nível do treino, ao nível de trabalho de casa, que é muito importante, trabalho específico, e obviamente que estudando as equipas com quem tem de se defrontar, o Sporting está a mostrar-se capaz. É uma equipa muito interessante, não tem muitas unidades, não tem uma grande variabilidade, mas contratou aquilo que o seu treinador pediu. E o seu treinador está a exprimentar aquilo que pediu, e bem. Só uma nota, e posso deixar já a minha nota de campeão. É para o Rúben Amorim. A conferência de imprensa dele ontem foi uma lição de futebol, uma lição de comunicação e uma grande lição de futebol. A forma como ele referiu aquilo que lhe foi perguntado, aquilo que ele esclareceu, tranquilo, sereno, objetivo. Eu acho que isto é muito bom, não só para os adeptos do Sporting, naturalmente, que são os principais interessados, porque é o clube onde Rúben Amorim está inserido, mas eu acho que isso também é importante pro mundo do futebol. O mundo do futebol ouvir um treinador desses explicar e dar toda aquela identidade que ele deu daquilo que faz e como faz. Não tem que explicar tudo. Mas dar o objetivo, mostrar aquilo que ele quer, como quer e como não quer. Foi, de facto, muito interessante, muito tranquilo, muito sereno e portanto, a minha nota para o Rúben Amorim, e também para o treinador do Rio Ave, que também esteve muito bem. Mas ao Rúben Amorim vou desde já deixar ficar uma nota de 17. E como eu gostava de ouvir os treinadores assim, sempre, falar de futebol e ouvi-los em português, e não ouvir um a falar inglês que parece uma missa, mas é uma missa monótona.
Mas Gabriel, nesta questão da comunicação, e temos falado disso aqui um pouquinho. Quando se ganha, é sempre mais fácil.
Eu sei que é mais fácil, mas repara, o Rúben Amorim tem dado. Quando foi, por exemplo, a questão do gol ao Casapía, o Amorim assumiu que foi fora de jogo e que foi beneficiado. Eu achei bonito, também. É verdade, quando se ganha, é sempre mais fácil. Quando não se ganha, é sempre mais difícil dar a cara. Mas a verdade é que explicar o futebol como ele explicou é muito interessante. Eu gostei de ouvir aquilo que ele mostrou, quer jogando com Gyökeres, quer não jogando com Gyökeres, como é que queria fazer e como é que dava a dimensão, como é que era a largura, como é que o Pote entrava. Muito interessante. O próprio Coates, tudo aquilo. Eu gostei muito. Gostei muito de ouvir o Rúben Amorim. Eu fiquei ali preso a escutá-lo E também, pela parte que me toca, obrigado Rúben, também aprendi.
Pedro Henriques, o que tiras desta exibição do Sporting, que continua a vencer? Tem esse empate frente ao Sporting Braga, mas de resto é uma equipa que praticamente só sabe vencer.
Boa tarde. Para não cair naquilo que os meus colegas aqui do painel já disseram, vou olhar para o outro lado, que é as preocupações. Que é a preocupação do Diomande, da lesão, a preocupação do eixo central do Sporting com o Sanjust, que não se sabe bem ao certo com quem é que se pode contar, e está um bocadinho no limite. É lógico que o Neto está lá para entrar e pode-se solucionar pontualmente, como foi o caso de ontem, quando de repente o Diomande se aleija. Mas há aqui uma preocupação em termos de futuro imediato, que é Acana, a lesão agora do Diomande, sim ou não. Portanto, há aqui alguma preocupação que o Sporting vai ter que olhar, quanto mais não seja no mercado de janeiro, para o eixo central, porque neste momento o Diomande não é só a qualidade que tem, não é só o defender bem, é até marca gols e, portanto, de repente, e nós sabemos que numa equipa como a do Sporting, a falha de um ou dois jogadores que depois possam não ser substituídos enquanto nos outros setores há, pelo menos aparentemente, várias soluções. E ontem o Sporting mostrou também ter soluções sem o Gyokeres. Mas é lógico que se eu estou a dizer isto, o Sporting saberá muito melhor do que eu, por causa desta questão. De resto, foi uma vitória em dois atos. Um primeiro ato em que o Sporting entrou dominador e podia ter inclusivamente ampliado o resultado. E depois é aquela questão que, quando nós falamos aqui de intensidade, e bem, que é fundamental manter, eu acho que há ali uma parte também emocional e psicológica de quem está lá dentro, que sabe que tem o jogo controlado, que sabe que vem agora uma semana de descanso, mas depois vem outra vez a carga. Há esta coisa do Benfica-Porto e depois a seguir o Sporting também vai a Faro, que não é um jogo fácil. É um dia de cada vez, a gente sabe. Portanto, até Acana ainda falta algum tempo. Vamos ver o que é que resulta desta lesão também e a questão do retorno do Sanjust, mas é um problema de certeza que o Sporting vai ter que perceber, porque para estar nas frentes todas que está e para ser campeão, que é o seu objetivo, se há setor que não pode falhar é exatamente ali na tal consciência do eixo central.
Chegamos à sexta. Sim, certo.
Aliás, ontem o Rúben Amorim falou disso. A defesa não sofrer gols. Foi um dos aspetos muito importantes que ele disse aos adeptos e aos adeptos do futebol em geral, aos adeptos do clube, é que o não sofrer gols é fundamental para qualquer equipa e para o Sporting, naturalmente, num caso particular também de quem é o treinador. Portanto, a questão da condição defensiva nas equipas, eu sei que os adeptos gostam é de golos, estou de acordo também, mas é nas áreas que se ganham os jogos, quer na ofensiva, quer na defensiva.
E é uma das melhores defesas do campeonato do Sporting atualmente, que Augusto Inácio entra para a próxima jornada muito confortável, porque Porto e Benfica, Benfica-Porto é um jogo de sexta-feira, vão estar frente a frente, clássico importante para a liderança, mas com o Sporting sabendo que se vencer acaba sempre por beneficiar deste clássico, desta jornada de clássico.
Pois, tocaste num ponto, se vencer. E atenção que o jogo em Faro vai ser nada fácil para o Sporting vencer. Às vezes a gente encontra-se os dois grandes, neste caso Benfica-Porto, claramente que ou os dois perdem pontos ou um deles perde os três pontos e o Sporting, no caso de ganhar Faro, fica realmente numa situação muito boa. Mas eu diria que se o Porto também ganhar na Luz e se o Sporting não ganhar em Faro, o Porto também fica numa situação muito confortável. Por isso, esta jornada vai ser muito importante e vai ser muito emotiva, porque eu não estou tão certo, nem tão seguro, embora seja sportingista e que acredito que o Sporting vai ganhar, que o Sporting está a jogar muito bem, que é a melhor referência. Eu não dou como garantida já a vitória do Sporting. O Sporting tem que lutar muito, tem que trabalhar muito para ganhar e depois deixar desenvolver o jogo dos rivais e aí advém aquilo que pode ser o benefício para o Sporting. Mas primeiro, e em primeiro lugar, não é pensar naquele jogo que vai acontecer na Luz, é pensar no jogo em Faro, que na minha opinião, vai ser extremamente complicado.
O Sporting tem a vantagem de jogar depois desse clássico, joga apenas no sábado. Vamos às nossas notas de campeão. Gabriel Alves já deixou aqui uma nota para Rúben Amorim. Gabriel, tens mais alguém a quem queiras dar nota?
Olha, zero para Ten Hag. Mais uma, mais um zero. Continua. Eu lamento é com o que está a acontecer no Manchester United, porque tudo aquilo que sucede é só mal para o clube e não percebo por que Ten Hag não está já na Holanda ou noutro sítio qualquer, onde ele quiser estar, mas não em Manchester. E muito menos no United.
Pedro Henriques, o teu campeão do dia.
Sim, eu tinha um, passei a dois agora de repente, porque o um eu ia subscrever aquilo que o Gabriel Alves até também já tinha falado no nosso grupo de WhatsApp, porque realmente acho que ontem a conferência de imprensa do Rúben Amorim é muito interessante sob o ponto de vista daquilo que é o futebol no seu estado mais puro e, portanto, tenho que subscrever o 17 do Gabriel Alves. E agora, depois desta interrupção 17 para a Rádio Observador, nós estamos em todo lado, não importa. Epá, o invicta caído do Pinhaço e nós já lá estamos a ver antes de ele cair. Portanto, isto para dizer que realmente é uma rádio em todas as frentes e acho que esta amplitude que nós temos é fantástica em todas as áreas e também, obviamente, naquela que nos diz mais respeito, que é o desporto. 17 aqui para a Rádio Observador, aconteça o que acontecer, estamos lá sempre.
Muito bem, Augusto Inácio, para fechar.
Olha, para fechar, a nota negativa, para já, a nota zero. É uma nota que eu não posso dar mais, mais que zero, só se for menos cinco, menos 10, menos 100. Pronto, nota zero para aquilo que são as ideias que esta direção do Sporting quer numa próxima assembleia geral por causa do voto universal. Não é mais, nada mais, nada menos que igual ao iVoting. E isso já foi uma tentativa que foi feita em 2019 e que não foi para frente, porque perceberam e apalparam o pulso aos sócios que aquilo não ia para frente e agora como a equipa está bem, a equipa está no primeiro lugar, vão voltar outra vez a tentar utilizar isso, que é sistema que não beneficia nada aquilo que é a verdade do voto do sócio, mas isto já para depois mais tarde a gente poder explicar melhor o que é tudo isso que eu estou aqui a dizer. E nota 20, mais que 20, 100, 500, mil para o nosso grande amigo Toni, que felizmente está a recuperar bem. Estive a falar com ele, já está felizmente dentro daquilo que podia ser os perigos, está fora disso tudo e que está num momento agora bem melhor e mais tranquilo. Por isso, Toni, grande abraço de todos nós da Rádio Observador e continues aí com muita saúde.
É isso mesmo. Um grande abraço para Toni, que hoje, depois de sair do hospital, disse que levou um cartão amarelo do médico. Está feita a edição de hoje de "E o Campeão É", com comentários de Augusto Inácio, Gabriel Alves e Pedro Henriques.