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Só eu e minha família é que temos noção daquilo que eu tive que abdicar para estar aqui. Muito se falou, mas nunca ninguém ouviu da minha boca o que vou dizer neste momento. A verdade é que houve momentos difíceis de tomar uma decisão nesta fase, porque envolvia muita coisa, mas o lado familiar, acima de tudo, juntamente com a força que eu referi há pouco da estrutura ter me presente, foram os principais pontos na minha tomada de decisão em voltar ao meu país. Se me pergunta se era aquilo que eu talvez pensasse há uns meses atrás, diria que não, muito sinceramente. Mas a verdade é que as circunstâncias, tudo aquilo à minha volta, questões familiares, nomeadamente a minha parte dos meus filhos, e toda a força que a estrutura fez, quer o Marco, quer o presidente, fizeram-me repensar os meus objetivos de carreira.

São as primeiras declarações do sócio 47645 do Benfica, que é agora oficialmente jogador do clube até 2030. Uma oficialização que aconteceu há pouco e com a confirmação de muitos dos números já avançados pela imprensa, 14 milhões de euros, mais cinco por objetivos. Então, um contrato até 2030 com uma cláusula de 50 milhões de euros. Seja bem-vindo ao "E o Campeão É". Eu sou o Nelson Ferreira. Vamos analisar a atualidade desportiva com o Gabriel Alves, a Mariana Fernandes, o João Castro e o Pedro Henriques. Mariana Fernandes, de todos estes números que tinham já sido avançados nos últimos dias, talvez a cláusula de 50 milhões seja a grande surpresa?

Por acaso, deixa-me só fintar-te aqui um pouquinho, que eu acho que houve aqui um número mais engraçado. É que por baixo desse sócio efetivo 47645, diz desde 2005.

Sócio efetivo desde 2005. Quer dizer que ele é sócio desde os 10 anos.

O que significa que João Palhinha é sócio do Benfica desde os 10 anos. O que, obviamente, faz parte da sua liberdade individual, mas acrescenta muita graça a toda esta história. Ou seja, quando tanto se falou sobre o facto de João Palhinha ser do Sporting desde pequenino, porque era formado no Sporting, ser uma traição ao Sporting, ao que parece, a traição, afinal, já foi há uns anos e foi quando Palhinha foi campeão pelo Sporting, tendo em conta que era sócio do Benfica. Mas questões e brincadeiras à parte, eu acho que apesar de tudo, o Benfica, em valores gerais, digamos assim, acaba por fazer um bom negócio. Ou seja, eu sempre me mostrei um bocadinho chocada com os valores que iam sendo veiculados, ou que se ia falando desde o início do verão, ou seja, quando ainda se falava na questão dos 25 milhões, dos 23, 22 milhões, porque achava sempre muito dinheiro, acrescentando-se esse muito dinheiro aos salários elevadíssimos que João Palhinha vinha ganhar pra realidade portuguesa, para um jogador de 31 anos, ou seja, que dificilmente vai conseguir fazer com que o Benfica acabe por ter algum dividendo de uma transferência no futuro. Acho que nesta altura, tendo em conta que estamos já próximos do final do mercado, 14 milhões de euros, mais os tais cinco por cláusulas, sabendo sempre que João Palhinha obviamente baixou e provavelmente muito aquilo que ganhava no Bayern de Munique pra vir pro Benfica, eu acho que acaba por ser um bom negócio em termos financeiros pro Benfica, sendo que em termos desportivos, o rendimento é praticamente assegurado. Ou seja, o Benfica contrata um jogador, que não só é um jogador português, que jogou em Portugal assim há não tão pouco tempo, João Palhinha não saiu de Portugal assim há tanto tempo, que acaba por encaixar muito rapidamente na equipa e que já foi até treinado por este treinador e por esta equipa técnica. Ou seja, há aqui um encaixe muito fácil por parte de João Palhinha nesta equipa do Benfica. O que eu também acho que está a haver? Não vou dizer demasiado entusiasmo, mas a ideia de João Palhinha vai chegar ao Benfica para revolucionar a equipa do Benfica e para a tornar muito melhor do que aquilo que é. É óbvio que a equipa do Benfica torna-se melhor a partir do momento em que João Palhinha lá está. Mas é preciso recordar que João Palhinha é o médio defensivo e é um médio muito mais destrutivo do que construtivo. E é um jogador que por si só, embora sim, assuma tarefas que permitem que outros jogadores tenham outras tarefas, principalmente o meio-campo pra frente, e aqui estou a falar essencialmente do Richard Rios, que fica aqui sem tanta preocupação defensiva por ter João Palhinha nas costas, não acho que seja um jogador que vá, por si só, tornar o Benfica três, quatro, cinco níveis muito melhor ou muito acima do que aquilo que está a jogar nesta altura. Que é uma boa contratação? É, obviamente. Que João Palhinha regressa a Portugal e coloca-se também, eu acredito, mais perto da seleção nacional? Também. Há aqui um conjunto e um encontro de útil e agradável. Agora, não acho que João Palhinha, por si só, vá tornar o Benfica brutalmente melhor do que o Benfica é nesta altura.

João Castro, és um adepto do Sporting pacificado com esta mudança de Palhinha para a Luz?

Olha, bom dia a todos. Claro que sim, isto é futebol. Não há problema nenhum. O Sporting não quis avançar por João Palhinha pelos números, porque apesar do valor de transferência não ser elevado, é verdade que os ordenados são proibitivos em Alvalade. E, portanto, num contrato todo, num jogador de 31 anos, um contrato todo vai custar 40 milhões. Acho que é uma aposta claramente desportiva, mas financeira, com muitas aspas, se acabará por ser bom para o Benfica ou não. Desportivamente, sim, vai permitir liberdade realmente de outros jogadores, vai dar aqui uma coesão defensiva muito grande, porque o João Palhinha varre toda a zona intermédia. Pese embora, obviamente, o Benfica agora até estar a melhorar, se calhar até irá vender um dos seus médios. E, portanto, normal. Normal também ser sócio do Benfica desde 2005, e aqui respondendo à Mariana, ele tinha 10 anos e toda gente sabe que o pai do Palhinha e o irmão são benfiquistas e portanto não tem nada a ver com o João Palhinha. Ele aqui até pode ser sportinguista, eu não sei, mas foi o pai que lhe fez sócio e agora se calhar recuperou o número de sócio. O meu filho é sócio do Porto e do Sporting, por questões parentais, portanto, não vejo nada de extraordinário aí. Acho que é uma oportunidade Que o Benfica fez para dar uma bicada, mas isso pouco interessa também no futebol profissional. E, portanto, normal o regresso. O Sporting não quis, foi buscar um jogador que eu acho que dá mais ao Sporting, que se chama Sérgio Altimira. E, portanto, obviamente não desejo as melhores felicidades ao Palhinha. Espero que não cumpra aqueles cinco milhões de bónus, porque aí seria mau sinal, seria sinal que o Benfica teve sucesso. É só mais um jogador que retorna. E realmente, voltar ao Benfica e dizer que está mais perto da seleção, acho que é um contrassenso, infelizmente. Porque estar num Bayern e não ser chamado à seleção é que é estranho. Estar no Benfica e ser chamado à seleção devia ser o normal. Mas estar no Bayern é que devia ser normal.

Não, mas acho que a questão de no Benfica ele vai jogar seguramente mais do que jogou no Bayern e aí estará mais perto.

Mas o Éver Banega também, que depois deixou de ser chamado. Acho que é um contrassenso às vezes.

O Pedro Henriques discorda de ti porque acha que esta vinda para o Benfica coloca-o definitivamente na equipa de Jorge Jesus. É isso, Pedro?

Sem dúvidas.

Não, isso aí é mudança de selecionador, não é por ter ido para o Benfica.

Exatamente.

Aí é que é a diferença.

Pedro, há alguma novidade nesta apresentação que te tenha surpreendido? Talvez o valor da cláusula seja a grande novidade que ainda não era conhecida. Tudo o resto já sabíamos mais ou menos, mas também sabemos que esta cláusula de 50 milhões dificilmente será exercida.

Sim, eu acho que aqui é uma situação excepcional daquilo que é o objetivo com o Palhinha. Normalmente, eu diria que os clubes quando contratam, contratam obviamente com a vertente desportiva, tentar ter sucesso, mas sempre na perspectiva de mais à frente poderem fazer um bom negócio. Para isso é preciso ter menos idade, naturalmente. O Palhinha vem num contexto completamente diferente, não é esse o objetivo. O objetivo é claramente ires buscar o dinheiro, não porque vais pensar em vendê-lo, mas porque vais ter sucesso desportivo e com esse sucesso desportivo, ou és campeão, ou vais à Liga dos Campeões, ou o que quer que seja. E é um bocadinho por aí que eu acho que o Benfica fica claramente mais forte quando tem um jogador como o Palhinha, até para o plantel que o Benfica tem, embora a gente ainda não saiba se o Rio Chai não sai ou se haverá aqui mais alguma coisa. Por isso é que nós estamos aqui, cada um tem a sua opinião e respeitando sempre as opiniões que as pessoas têm. Eu não gosto dessa linguagem, até porque no " curso de treinadores" nós não usamos essa linguagem. Não é uma questão de ter um médio destrutivo. Eu acho que aí é que está o equívoco das pessoas. Nós vamos ter é um médio de equilíbrio, porque os que estão lá à frente, e são muitos, desequilibram. E o que o Palhinha vem dar, que é aquilo que ele também pode vir dar à seleção, porque não é com João Neves, Vitinha, Bruno Fernandes, com os outros jogadores que lá estão, que estão no Paris Saint-Germain, que nós conseguimos ganhar o Mundial, porque nós não tínhamos ninguém que equilibrasse. Temos é muita gente que desequilibra. E para ganhar competições, é preciso que se equilibre. Por isso é que eu não gosto muito da expressão, nem se usa, obviamente, não se usa em termos de terminologia de futebol, depois de dizer que é destrutivo ou construtivo. São jogadores que desequilibram, e o Benfica tem N, e o Palhinha vem dar equilíbrio. Na perspectiva que fica cá atrás, que é mais defensiva, etc. E isso vai fazer toda a diferença. Por isso é que eu acho que vai melhorar significativamente o plantel. Do princípio que estou a olhar para o Palhinha, que me lembro do Palhinha que jogou no Sporting, por exemplo, olhando assim, dessa perspectiva. E depois, só para terminar, esta questão que foi aflorada aqui pelo João e também bem, obviamente, que há aqui uma mudança na seleção de paradigma daquele que é o selecionador. Exatamente. E é por isso é que eu digo, com o Jorge Jesus, posso estar enganado, ele vai querer ter sempre um jogador com aquelas características. Recuando a 2016, um Danilo da vida, um William Carvalho da vida, alguma coisa assim desse género, para dar uma vez mais o tal equilíbrio. Sobretudo porque nós na seleção não temos o Pepe, nem o Pepe Carvalho, nem o Bruno Alves. E portanto, como não temos esses, temos que ter ali alguém que faça aquilo que a seleção nunca conseguia fazer. E por isso é que eu acho que ele vai mesmo pegar destaque no Benfica e na seleção.

Gabriel Alves, muito rapidamente, esta vinda de Palhinha para o Benfica parece-me que tem muito dedo de Marco Silva. A relação que já tinham dos anos no Fulham parece ter sido talvez, a par da questão familiar que o próprio Palhinha abordou nestas declarações, os dois grandes fatores para assinar pelo Benfica.

Olha, boa tarde. Depois de tudo o que eu vi, e também tenho estado a ler, ouvi aqui, é natural, o Palhinha é uma estrela. É uma estrela, é grande estrela. É um grande jogador, é de facto, é um jogador de enormes recursos, de enorme qualidade, está feito estrela e, portanto, é o sócio 47 642 do Benfica desde os 10 anos. Só gostaria de dar aqui uma nota antes de te responder. Em Milão, aqui há uns 20 e tal, 30 anos, fiz uma reportagem com o Rui Costa quando ele estava no auge da carreira no Milan e fomos fazer uma conversa ao tapete verde do San Siro, do Giuseppe Meazza. E ele contou-me uma história extremamente interessante, está nos arquivos, em que ele explicava: "Nós jogamos aqui uma semana em casa, o Inter joga na outra semana. Às vezes nós estamos de vermelho vestidos, portanto, o Rosso Nero, mas pode acontecer estarmos de azul ou nero no ano seguinte e vice-versa. E somos aplaudidos na mesma, não somos assobiados". Portanto, acho que há uma mentalidade que tem que se começar a perceber, porque tudo o que ouvimos de Palhinha, e muito bem que tu puseste a abrir o nosso programa É de um profissional. Tem que se respeitar as pessoas e naturalmente não fez nada que não seja de profissional. É o Benfica que é o clube que naturalmente lhe proporciona aquilo que ele pretende e é ali que ele vai dar o melhor de si e toda a qualidade. Quanto à questão de Marco Silva, sim, Marco Silva precisa de um líder dentro das quatro linhas. Para mim, acima de tudo, independentemente, tudo já foi dito e estou completamente de acordo, é um líder que ele precisa dentro das quatro linhas. Alguém que obviamente lhe dê continuidade dentro do terreno àquilo que ele trabalha à semana. E a questão do equilíbrio, sim, a questão da defesa, sim, porque um campeonato não se ganha, e já dissemos isso, isso está mais que dito e mais que feito, já está gasto. Ganha-se defendendo bem. E o Benfica não tem uma dupla de centrais à altura. Vai ter Palhinha, que vai organizar aquilo tudo de primeiro terço para diante.

Estamos a ficar sem tempo e tantos temas na atualidade desportiva ainda para discutir. Gabriel Alves, ficaria já contigo para saber quem é o teu campeão desta quarta-feira.

O meu campeão eu vou dar ao Mourinho. Mourinho 13 anos depois volta a Chamartín, volta ao Santiago Bernabéu. Nota da imprensa, mas não julques que é com gáudio, é com segurança e expectativa. Tal como o Valdano disse aqui há um mês e tal, dois meses, que ele ia aparecer, o Mourinho, muito educado, muito simpático e depois logo se via. A verdade é esta, é que na imprensa lê-se: "Merece uma chance". Ora bem, merece uma chance, Mourinho. Portanto, vamos lá ver, ele tem que mostrar serviço, não é chegar e dizer: "Sou o maior, sou o herói". E não esquecer que o último jogo que fez perdeu com o Sassuolo há 13 anos e depois não voltou lá mais. Só que também para lembrar, porque é a imprensa que lembra, em 13 anos, sete treinadores no Real Madrid, dezenas de futbolistas, muitos títulos e destaco nada mais, nada menos que seis Champions. O Mourinho lá ganhou uma La Liga, ganhou uma Taça do Rei, uma Supertaça de Espanha. Eu só desejo ao Mourinho felicidades e ao Real Madrid também.

Pedro Henriques, o teu campeão de hoje?

Claramente para aquilo que é naturalmente a chegada, fosse para o Porto ou para o Benfica era a mesma coisa. Gosto sempre de ver jogadores com grande potencial e claramente jogadores de seleção a regressarem a Portugal, independentemente, e aqui há um motivo familiar naturalmente que está por trás, como foi bem reforçado pelo próprio Palhinha. Mas fico feliz, porque acho que quem ganha é sempre o nosso campeonato quando os jogadores, sejam eles portugueses ou estrangeiros, mas quando são portugueses e de seleção, regressam aos nossos campeonatos e regressam em bem e em bom, não é já para a questão da reforma. Portanto, nota de 18 para este regresso e sobretudo que seja feliz em termos pessoais e familiares, porque ele pôs esses tonos e secalhar o mais importante que nós temos na vida é isso mesmo.

João Castro, vamos ao teu campeão.

Nota 18 para o Askellins, que fez aquela reviravolta fantástica e nota negativa para a André Villas-Boas, de lufada de ar fresco não tem nada, com a newsletter do Futebol do Porto, as críticas a tudo e a todos. Ou seja, mantêm-se as velhas políticas do futebol português, mudam-se as caras, mas mantêm-se as mesmas coisas.

Mariana Fernandes, o teu campeão desta quarta-feira. Estava com algumas dificuldades em escutar-te. Vamos lá agora, Mariana.

Já cá estou.

É que já cá estás, desculpa.

Já cá estou. Estava a dizer que o US Open propriamente dito ainda não começou, só começa no domingo, mas entretanto, e à boa maneira americana, já há muito espetáculo para ver. Eles fizeram aquela coisa de deixar de haver pares femininos ou pares masculinos. Agora há pares mistos e são pares mistos com wild cards. Portanto, tivemos Serena Williams ao lado de Carlos Alcaraz, ao que se me dissessem, e acho que se dissessem ao próprio Alcaraz que ia acabar a partilhar o corte com a Serena Williams, era um bocado surreal. E tivemos um jogo de exibição do Federer contra o Agassi, contra o Andy Roddick.

Fez umas pancadas mágicas ainda, não é?

Fez umas pancadas de quem parece que deixou de jogar ontem, o que não deixa de ser extraordinário. Portanto, gostando-se ou não do que o US Open faz ao ténis, que é torná-lo um espetáculo como os Estados Unidos fazem com tudo o que é desporto, a verdade é que nos vai dando aqui estes bocadinhos e isso vale obviamente uma nota 18.

Aproveitava também a tua nota para Gastão Elias. Anunciou ontem o fim da carreira em outubro, creio, no Blaine Open, um tenista português que também vai abandonar pelo menos as competições mais a sério. Está feita a edição de hoje de "E o Campeão É".