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Está no ar mais um "E o Campeão É..." na Rádio Observador, hoje com destaque para a Taça de Portugal. O Benfica goleou o Tirsense por cinco bolas a zero, uma eliminatória que está praticamente fechada, um jogo com muita rotação e alguns regressos nos encarnados. Vamos também olhar para uma guerra que continua a escalar no futebol português e também lembrar aqui a memória de Aurélio Pereira, ele que tem a despedida marcada esta manhã, o funeral de uma enorme figura do desporto português. O cortejo vai passar pelo Estádio de Alvalade, antes do corpo ser cremado numa cerimônia privada. Mas vamos então começar a olhar para o futebol português. Temos já conosco o Gabriel Alves e o Pedro Henriques. Bem-vindos.
Boa tarde.
Bom dia.
E também o Agustinácio.
Bom dia.
Bom dia, eu sou o Vasco Renato Correia. Vamos então começar por olhar para a Taça de Portugal. Ainda falta a segunda mão, mas com uma desvantagem de cinco gols acaba praticamente o sonho do Tirsense, um autogol de João Pedro, gols de João Rêgo, Prestianni, Arthur Cabral e Scheldrup. Gabriel Alves, começo por ti. Antes de olharmos para estes jogadores menos utilizados que tiveram uma oportunidade, foi um jogo sem espinhas. Qual é o teu principal destaque?
Olha, é um bom treino em competição para Bruno Lage observar o guarda-fato, os jogadores que tem à sua disposição, que ele conhece através dos treinos, como qualquer treinador, obviamente, mas em competição é outra situação também. Com dois bons recados do Prestianni e do Leonardo, que marcam dois belos gols. Entram e faturam. É normal tudo o que aconteceu. Aqui no "Campeão" ontem tínhamos antevisto que poderia suceder. Sucedeu. A eliminatória está conferida. Para o Estádio da Luz, para a segunda mão, é mais um treino em competição. É sempre bom para os treinadores, é bom para os futebolistas, para se fazerem análises diferentes daquelas que se fazem em treino, porque a competir, mesmo que o adversário seja mais fácil ou muito fácil, há sempre detalhes, há sempre menores, há sempre pequenas situações, pequenas cirurgias que os treinadores atentos, todos eles, tiram para o seu bloco de notas.
Agustinácio, apesar das alterações e do adversário de escalão inferior, pareceu que Bruno Lage levou a eliminatória a sério, quis fechar já as contas.
Bom dia a todos mais uma vez. Deixa-me dizer que isto é realmente uma diferença muito grande. É um feito histórico para o Tirsense chegar às semifinais da Taça de Portugal. Ainda mais jogando em campo que não é o seu, que é no campo do Gil Vicente. O Benfica e o Bruno Lage aproveitaram isto para rodar aqueles jogadores que normalmente não têm oportunidades no campeonato. E nesse aspecto destacou-se bem o Prestianni e o Scheldrup. São dois jovens que o Benfica tem ali para o futuro. O Prestianni já não jogava desde setembro, entrou agora e jogou poucos minutos e mesmo assim fez um gol, fez uma assistência. É realmente um jogador, na minha opinião, extraordinário, dois jovens que o Benfica pode contar no futuro. E o Benfica aproveitou para dar moral àqueles que não têm jogado e para aqueles que têm tido poucas oportunidades. Isso faz com que os jogadores se sintam motivados, os jogadores quiseram dizer ao treinador: "Ó treinador, olha pra mim que eu também estou aqui para jogar o campeonato". E quiseram dar o máximo de si e fizeram o melhor, o Benfica acabou fazendo um jogo, não um grande jogo, mas um jogo normal, um jogo sério, um jogo competente, e ganhou como tinha que ganhar e naturalmente vai estar na final da Taça.
E Pedro Henriques, fechando contigo, como é que viste esta partida? E já agora, olhando também pra exibição do Tirsense, que merece uma nota pela etapa que conseguiu alcançar nesta competição.
Eu começo por aí, é exatamente isso. Acho que o Tirsense tem muito mérito na maneira como consegue chegar a esta meia final. E isso, inclusivamente, foi o discurso que o seu treinador acabou por fazer, segundo consta em tempo de comunicação social, em relação também aos seus treinadores e também passou para o exterior. Deu tudo, com certeza, o que tinha a dar, mas estamos na tal circunstância. O campo não era propriamente do Tirsense, que lhe poderia conferir, pelo menos animicamente e não só, em termos fisicamente, não no sentido físico, mas do espaço físico, poderia conferir um pouquinho de vantagem. Agora, a eliminatória é completamente equilibrada. Estamos a falar de uma diferença do escalão mais alto para o último escalão do nível nacional. Estamos a falar do Tirsense apanhar o Benfica em qualquer momento e qualquer fase do campeonato era sempre difícil. Ainda por cima apanhou o Benfica no momento mais alto, no meu ponto de vista, da sua época, vindo de uma vitória extremamente moralizadora. E isto vem do Dragão e passando para a liderança e com fortes probabilidades neste momento, no meu ponto de vista, está mais próximo do título do que o Sporting. E acaba por o Benfica fazer aqui uma coisa importante, como também já foi destacado, rodar, descansar os seus principais ativos pras etapas que se avizinham no campeonato. A segunda mão vai ser mais do mesmo e, portanto, enquanto que o Sporting vai ter que ir com algumas cautelas jogar o jogo com o Rio Ave Porque o 2x0 não significa que esteja na final e, portanto, de grau de dificuldade mais elevada. O Benfica pode também fazer uma rotação e para aquilo que é a sua, neste momento, perspetiva das seis jornadas que faltam, dos jogos que têm a tal saída, a Braga no fim, daqui a 15 dias em Guimarães, depois receber o Sporting, aqueles jogos de grau de dificuldade maior, entre aspas. Entre aspas, tem aspas que são casas de artista. Não há aqui grande novidade. Parabéns ao Tirsense, parabéns ao público. O estádio estava cheio. Obviamente, o Benfica compôs aquilo tudo. A bancada principal estava também com muita gente a apoiar o Tirsense. Penso que são 30, 40 minutinhos de distância. Era uma quarta-feira, o jogo foi a um quarto para as 21h, que é uma hora porreira para quem trabalha no dia a seguir e tem que viajar. Portanto, dito isto, acho que o Tirsense fez o que pôde, vai conseguir desfrutar do jogo depois no Estádio da Luz, ir a um estádio que muitos jogadores, se calhar, nunca pisaram e provavelmente poderão nunca mais vir a pisar em termos desportivos, no sentido de jogo jogado, oficial. E por isso só têm é que desfrutar deste momento, mesmo com resultado negativo. Aliás, nunca esteve em questão, mas ontem foi a confirmação e o Benfica realmente está também num grande momento. Dez segundos só para dizer isto: quando uma equipa está bem, mesmo que depois metas os suplentes e a terceira equipa, toda a gente bebe daquele espírito. Quando uma equipa não está bem, podes meter o do banco e o outro. Ou seja, a parte mental é muito importante e o momento que se vive num clube é muito importante. Isso passa transversalmente para todos, em termos de uns aspetos anímicos e psicológicos, e ontem viu-se claramente que quem entrou, quem jogou, estava imbuído do mesmo espírito que vinha do jogo do Benfica em 2 x 0.
E vamos falar precisamente dessas opções. Gabriel Alves, é incontornável falarmos de um nome em específico, Prestianni não jogava há vários meses. Relembro os mais esquecidos que começou a época como a grande aposta de Roger Schmidt a jogar a segundo avançado. Entretanto, com a entrada do Bruno Lage, acabou por cair das opções. Ainda tem hipótese de voltar a ser aposta no Benfica?
O Prestianni quando chegou, como outros jogadores que chegam, são sempre os maiores. Quais Maradonas, quais Messis, quais CR7. Depois, obviamente, que há um trabalho de adaptação ao trabalho dos treinadores, à visão tática dos treinadores em relação ao futebolista e à qualidade, portanto, à cultura de formação do futebolista, a sua técnica. Um treinador pensa sobre os jogadores X, o outro naturalmente pensará Z. Há jogadores num determinado clube com um determinado treinador que não rendem, não produzem, depois mudam de clube, vão para o outro lado e tornam-se grandes estrelas. Portanto, faz parte, é universal, no futebol, no basquete. As suas qualidades estão lá dentro dele, não as perde por se Prestianni vai poder ser útil ou não em termos futuros. Por isso eu disse, isto foi um treino bom em competição, onde Bruno Lage, que conhece naturalmente os seus jogadores a partir do treino, aquilo que é o trabalho diário na academia, depois tem, nestes jogos, a possibilidade de, em competição, perceber melhor aquilo que de fato o jogador é. Porque por muito fácil que seja o jogo, é competição. E na competição há sempre detalhes, pormenores, pequenas coisitas que, óbvio, o treinador retira para o seu bloco de notas. Portanto, vamos aguardar, ver se Prestianni naturalmente é ou não. Olha, qualidade tem. Agora vamos ver o resto da partida aqui.
Sem dúvida. Augusto Inácio, tu que foste treinador, como é que classificas a gestão de Prestianni por parte de Bruno Lage? Ele que é um treinador que tem uma identidade muito marcada na rentabilização de jogadores jovens, mas muitas vezes Prestianni nem sequer joga na equipa B. Tem sido o plano mais acertado para o jogador?
Cada treinador tem um plantel à sua disposição, normalmente 25, 26 jogadores, 27, agora que os plantéis estão mais alargados. E depois tem a sua visão e tem a sua estratégia e escolhe aqueles que para ele são os melhores. Nós estamos de fora e somos comentadores. Nós olhamos para os jogadores, neste caso, estamos a falar do Benfica e é só do Benfica que vamos falar. Eu, pelo menos, vejo, e acho que também é unânime aqui, dizer que o Prestianni é um excelente jogador e que o Sheldon Lua também é um excelente jogador. Mas a FIFA não alterou ainda os regulamentos, só jogam 11 cada vez. E esses 11, para mim, por exemplo, podia ser que o Prestianni tivesse mais oportunidades, Sheldon Lua tivesse mais continuidade, mas para o treinador do Benfica, que é ele que sabe quem é que deve colocar a jogar, tem outras prioridades. Isto faz parte da vida do jogador, da vida do treinador. Os resultados são bons, o treinador é muito bom.
Augusto, eu perguntava-te pela questão do plano, precisamente porque Bruno Lage já fez questão de dizer que existe um plano para Prestianni. Perguntava-te então se esse plano se nota.
Mas deixa-me dizer. Estamos a falar de planos, mas o melhor plano que pode ter para um jogador é pô-lo a jogar. Esse é que é o melhor plano. Agora dizer que o plano, espera aí, ficas a treinar, olha bem os teus colegas como é que eles jogam, olha taticamente como é que nós estamos. Eu não sei o que é o plano. O plano, estou a contar com este jogador no futuro? Pois, mas o futuro do jogador, pode também o jogador não querer esse futuro no clube onde está. Tudo depende também daquilo que o jogador quiser. Claro que ele tem contrato com o Benfica, tem que cumprir contrato com o Benfica, mas depois há aquelas coisas de eu quero ter mais oportunidades, eu quero jogar mais. Isso faz parte, é o dia a dia dos jogadores.
Inácio, foi o que fez o Sheldon Drupe. Sheldon Drupe disse: "Olha, quero ir embora", e passou a jogar.
E depois começou a jogar, mas depois no melhor momento dele, saiu da equipa.
Acabou por sair.
É verdade.
Pronto, é isto. Os treinadores dizerem assim: "Tenho um plano para este jogador, tenho não sei o quê para este jogador, tenho uma ideia para este jogador." Isto é muito subjetivo, porque a melhor ideia e o melhor plano que pode ser para um jogador, não estou a dizer que ele seja titular, mas ter a oportunidade, ter mais oportunidades para jogar no nível superior a este jogo de ontem. Jogar no campeonato, jogar na Liga dos Campeões, isso é que é o melhor plano para o jogador. O jogador não joga
Que plano é esse? É que no futuro, mas no futuro é quê? Para o ano, daqui a dois anos, daqui a três anos? Portanto, o miúdo já tem 27, 28, 29 anos e ainda está com o plano. É subjetivo.
Pedro Henriques, eu termino contigo este tema, também para um comentário a Pestyani, mas também, por exemplo, sobre Artur Cabral, foi afastado ou tem estado fora das opções com a chegada de Belotti. Ontem marcou o sétimo gol na época, pode dar dor de cabeça a Bruno Lage.
Eu acho que são dois casos diferentes, até pela questão da idade e do passado que um tem, que o outro ainda não tem. Portanto, Pestyani é um jovem ainda. Em relação ao Artur Cabral, já vinha com referências de outros campeonatos, e campeonatos mais competitivos, e até com algum sucesso. A questão que se põe é esta: continuo a achar que a qualidade e a competência, acima de tudo, não têm idade, portanto, podes ser mais novo ou mais velho e se tens qualidade, tens é que jogar. Não considero que nestes jogos seja dar oportunidade. Eu acho que o que o Bruno Lage fez foi dar oportunidade àqueles que são titulares para terem menos uma carga de jogo e descansar. Até que ele deu. Eu não diria que foi dar oportunidade nenhuma, mas dar oportunidade a um jogador não é quando tu tiras 10 e metes outros 10. Isso não é dar oportunidade. Oportunidade a um jogador é tu teres um plantel com uns jogadores que são mais ou menos aquilo e depois, de repente, agarras em alguém que se calhar até não tem essas tantas oportunidades e mete a jogar com esses jogadores e num jogo da competição de nível um. Ponto final, parágrafo. Isso é que é dar oportunidade. Estamos aqui num jogo, é com o Boavista, é com o Braga, e eu aposto em ti. Se o Bruno Lage agarrar no Pestyani e no jogo pôr o Oka, ou depois quando for a Vitória, está no banco, entrou, aí então estamos a dar a oportunidade, porque garantidamente é um jogo que é para ganhar e estás a colocar um jogador. Portanto, eu tenho muitas dúvidas sempre em relação a essas questões das oportunidades. Em relação ao Artur Cabral, eu acho que, de forma clara, uma vez mais, o Artur Cabral tem que cumprir o contrato, tem que entrar e se ele andar triste e chateado por estes jogos, é mau para ele, só fica mau para ele. Só tem é que entrar, marcar gols e ser feliz. Agora, claramente que não é dor de cabeça, porque eu acho que ele não conta com ele. Eu acho que neste momento, quando estivermos num jogo, como daqui a 15 dias o Benfica até no Vitória, independentemente das coisas que acontecerem, quando tiveres que ir ao banco buscar alguém, que ele não é titular, o Pavlo 维 迪 亚 什 também é titular, para ir resolver qualquer coisa, não acredito que ele vá buscar o Artur Cabral. Acho que não será essa a primeira opção para apresentar a volta a um jogo. E por isso eu acho que são dois jogadores em pontos diferentes, mas que claramente, no meu ponto de vista, pelo menos para esta época, não contam verdadeiramente para o Bruno Lage.
Vamos então avançar, olhar para uma situação de choque, de posições no futebol português. Pedro Proença vai reunir hoje com o Ministro dos Assuntos Parlamentares, Pedro Duarte, e com o Secretário de Estado, que tem a pasta do desporto, numa reunião de urgência pedida pelo novo presidente da Federação Portuguesa de Futebol, que acusa Fernando Gomes, o antigo líder da federação, de comprometer a eleição de Pedro Proença para o comitê executivo da UEFA e assim prejudicar o futebol português. Gabriel Alves, vamos ter que ser rápidos, mas pergunto-te quem é que sai beneficiado desta guerra?
Dessa guerra, o futebol português sai prejudicado, eu diria muito prejudicado. O próprio desporto português sai prejudicado, a imagem de Portugal lá fora sai prejudicada. Há um campeonato do mundo em que Portugal concorreu com a Espanha e com o Marrocos, sai prejudicada essa imagem, sai tudo mal. Portanto, há aqui uma guerra que não é só esta da UEFA, é a guerra dos dinheiros agora que está aí, que é essa iminente entre Fernando Gomes e Pedro Proença. Portanto, haja alguém que arbitre isto e ponha os dois senhores na ordem.
Agostinho Inácio, alguém sai bem disto tudo?
O Gabriel já disse que quem sai prejudicado é o futebol português. Mas a gente andou tantos anos à procura de um lugar nesses lugares importantes da UEFA e da FIFA, e andámos aí a lutar para colocar alguém, e depois temos lá alguém. Fizemos tudo para tirar essa pessoa, para não termos a representação. Portugal realmente é único, é um país único, porque consegue derrubar aquilo que são os seus, os que são do país, os que são portugueses. Em vez de derrubar os outros dos outros países para colocarmos lá os nossos, nós tiramos os nossos que estão lá já naqueles lugares. É inacreditável o que está a acontecer e realmente isto, eu diria que é uma má imagem para o futebol português e os de lá de fora estão a dizer assim: "Não vale a pena a gente lutar para tirar lá os portugueses, porque os próprios tiram de lá os nos seus lugares." É muito mau mesmo.
Quando ainda inclusivamente se quer pôr a Supertaça, a Liga a ser jogada no estrangeiro, quem é que compra?
É isso. Claro.
Deixa-me rir. Como diz o cantor, deixa-me rir.
Pedro Henriques, é uma página negra para o futebol português?
Sim, mas o que o Pedro Proença agora vai fazer, e conhecendo-o bem como eu conheço, é uma coisa, entre aspas, vou dizer simples, as coisas não são simples, que é capitalizar este momento, que é negativo e má imagem em termos de projeção, vai se reunir com o poder político e é só perceber o que é que ele disse logo no primeiro discurso que fez quando tomado de posse. Ele tem um conjunto de medidas que quer, até coisas relacionadas com os impostos, etc. Portanto, ele vai tentar, perante um momento que é mau para o futebol português, que perde representatividade no seio da UEFA, tentar capitalizar internamente aqueles apoios que ele precisa para dar a volta ao futebol, como a redução de taxas de impostos, etc. Portanto, eu acho que ele vai fazer exatamente isso. É um bocadinho aquele papel de "epá, agora estamos num momento mau, isto realmente está a correr mal, nós temos que dar a volta, temos que pôr o futebol português, temos que projetar e precisamos de dar a volta internamente para conseguirmos projetar externamente." E ele vai capitalizar isso e vai tornar ainda mais fácil aquilo que são as promessas de campanha, que eu acho que ele vai concretizar.
A ver vamos o que sai dessa reunião que está marcada para hoje. Antes de irmos às notas e aos campeões, falamos também de Aurélio Pereira, o senhor formação nos últimos dias. Hoje é o funeral desta enorme figura do desporto português. Vamos muito rápido. Peço uma intervenção de apenas alguns segundos antes de irmos às notas. Gabriel Alves, é aqui uma oportunidade de deixar uma última homenagem a Aurélio Pereira.
O senhor Aurélio Pereira deixou uma obra. Um homem simples, um homem humilde Que deixou também a obra ao futebol português, exatamente na antípoda que na guerra Pedro Proença, Fernando Gomes. Para o senhor Aurélio Pereira, que descanse em paz. Os sentimentos à família sportinguista e aos seus familiares próximos.
Augusto Inácio, que legado é que deixa Aurélio Pereira?
Eu conheço Aurélio Pereira de há muitos anos, quando eu era jogador do Sporting e por acaso estive lá ontem no velório, porque hoje de manhã não podia ir. De qualquer das maneiras, o que Aurélio deixa é realmente um grande legado, uma grande figura, como o Gabriel Alves disse e muito bem. Um homem simples, mas um homem bom, de coração bom, trato bom. Era aquela pessoa que realmente valia a pena conhecer. Por isso acho que o futebol português fica a dever muito. Acho que o Sporting deve fazer alguma coisa para perpetuar o nome de Aurélio Pereira. Já sei que tem o nome do campo na academia, mas acho que devia muito mais e também a Federação Portuguesa de Futebol devia fazer realmente uma homenagem a sério para este grande senhor do futebol.
Pedro Henriques, que memória guardas de Aurélio Pereira?
Eu acho que figuras como Aurélio Pereira acabam por, embora esteja ligado ao universo sportinguista, por razões óbvias, e claro que Cristiano Ronaldo e outros talentos, eu acho que é uma figura que passa muito para além de qualquer clube e portanto tem uma dimensão nacional e aquilo que deve ser feito neste momento, além de respeitar o momento, de dar os sentimentos à família, é perpetuar o seu nome e sobretudo perpetuar aquilo que foi a obra que ele fez, de uma forma muito dele, própria, empírica, se calhar ainda sem a parte técnica que hoje nós temos no desporto, que é perceber que as apostas nas academias, nas formações, a perspecção de mercado, ver quem são os jogadores que têm talento, etc. E desde pequeninos é fundamental e é esse o grande legado que ele deixa, sendo que depois podes ser o melhor técnico do mundo, teres as melhores ferramentas, mas depois há coisas que têm a ver com algo que nasce dentro de ti, como a gente costuma dizer: "Tu nasceste para..." É exatamente isso. Por isso eu vou já à minha nota de campeão, se me permites, porque esta é realmente a minha nota de campeão no momento de despedida, vamos dizer física, terrena, a perpetuar exatamente a memória, a imagem, a pessoa e o grande ser humano e sobretudo um bem-haja, um abraço muito apertado ao senhor Aurélio Pereira, onde quer que ele esteja, o senhor Formação.
E que nota é que dás?
A nota 20, obviamente.
Claro. E então passamos para o Augusto Inácio. O Pedro Henriques já abriu aqui as hostes, já estamos a dar nota e campeão. Augusto Inácio, quem é o teu campeão?
Eu ontem já tinha dado nota 20 a Aurélio Pereira, mas se não se importam eu vou repetir nota 20 para Aurélio Pereira, porque realmente vai ser o funeral hoje e isto é uma tristeza para todos, como é evidente, mas para enaltecer ainda mais a obra e a pessoa, o ser humano que foi, queria repetir hoje outra vez aqui no "Campeão É", na Observador, nota 20 para Aurélio Pereira.
Terminamos com o Gabriel Alves. Nota e campeão.
Nota 20 também para o senhor Aurélio Pereira, por tudo o que já foi dito e que também manifestei, mas eu quero deixar aqui nota muito alta para os dois jogos da Champions de ontem, essencialmente para o PSG frente ao Nottingham. Acho que foi um grande jogo.
Aston Villa.
Aston Villa, peço desculpa. E uma nota para o Nuno Mendes. Começou ruim, acabou em ouro. Para o Vitinha, a arte de bem jogar futebol. E Fernando Neves, o espaço para ele não tem limites. Portanto, um grande jogo. E quanto ao outro, ao Barcelona, é só dizer, Lewandowski tem 36 anos, dois anos de Barça, 99 gols. No meio de gaiatos. Mas eu tenho aqui uma nota muito forte e a 20, uma vez mais para o senhor Jorge Valdano e passo a citar. Ele escreveu e começou por escrever para ele próprio, e eu ponho também para mim próprio esta crítica que ele faz a ele próprio também. Contar o futebol. Isto quando há muito futebol. A nós, comentadores, dá medo ficarmos fora do nosso tempo e fazemos esforços para sermos modernos. No empenho para encontrar novos recursos no jogo, descobrimos detalhes insignificantes que têm o defeito de esconder questões essenciais. Ou contamos coisas velhas com palavras novas. O que antes era pressão baixa, média ou alta, agora é bloco alto, médio e baixo. Tudo é bloco, como se uma equipa fosse um amontoado de cimento. Assim, acabamos por falar para treinadores, esquecemos que a audiência é constituída por pessoas mais comuns. A nossa missão é encontrar a chave do jogo, falar da gama de talentos que o decidem, muito mais do que dispositivos táticos ou reparar nos movimentos telúricos que precedem os estados de alma. Buscar a epicidade que atrai a emoção, humanizar o futebol e, em resumo, aceitar as suas contradições. Não o convertamos numa questão científica para acompanhar a tendência. Esta crítica a ele, a mim também me cabe, cabe a todos nós. 20 para o senhor Valdano, está atento. E escreveu isto, atenção, em 2020, a 29 de fevereiro.
Fiquemos com essa citação de Jorge Valdano então a pedir a simplificação da linguagem no futebol português e também com as três notas máximas dos nossos campeões para Aurélio Pereira, que aproveito também para lembrar. O cortejo de Aurélio Pereira deve passar pelo Estádio de Alvalade por volta das 14h. O antigo responsável pelo departamento de formação do Sporting morreu nesta terça-feira aos 77 anos. Fica por aqui mais uma edição de "E o Campeão É." Estamos de volta amanhã. Obrigado aos três.