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Pedro Proença não foi eleito para o Comitê Executivo da UEFA. Onze candidatos a lutar por sete vagas a mandatos de quatro anos. Proença foi o menos votado. Foram eleitos representantes dos Países Baixos, Itália, Alemanha, Croácia, Finlândia, Estônia, Armênia, e ainda foi eleita uma oitava vaga para Lise Klaveness, da Noruega, eleita por ser a única mulher nesta votação. Na Sérvia, no Congresso da UEFA, houve outra votação, também para membros do comitê, mas neste caso, candidatos a dois anos de mandato, cinco candidatos a duas vagas. Espanha venceu essa eleição com Israel em segundo. Voltemos a Proença, porque mais de uma década depois, Portugal deixou de estar representado através do presidente da Federação Portuguesa de Futebol no Comitê Executivo da UEFA. Desde 2007, Portugal só não teve um membro do Comitê Executivo durante dois anos, entre 2011 e 2013. Portugal fica agora de fora e Proença já reagiu. Em comunicado, escreve: "Hoje o futebol português foi derrotado. Perderam os jogadores, perderam os treinadores, os árbitros, os dirigentes, os clubes, perderam as associações distritais, perderam as associações de classe, perdeu a liga. Hoje perdemos todos". Mais à frente, Proença escreve: "Deixo uma garantia: em 2027, num contexto mais favorável e com todos imbuídos do mesmo sentimento e unidos pelo mesmo objetivo, iremos colocar o futebol português no lugar que é nosso por direito próprio, porque o futebol português tem de estar representado nas mais altas instâncias do futebol internacional e esse será, daqui pra frente, estou seguro disso, um desígnio nacional". Acabei de citar, claro, o comunicado de Proença partilhado no site da Federação Portuguesa de Futebol. Este é o tema em destaque na edição de hoje de "E o Campeão É". Sim, vamos falar também de Benfica e de Sporting, que joga hoje, mas na nossa equipa, Gabriela Alves, Augusto Inácio, Mariana Fernandes e Pedro Henriques, temos claramente de falar desta eleição falhada de Proença. Mariana Fernandes, qual é o real impacto deste falhanço nesta eleição e se, de facto, havia alguma condição de Proença ter um resultado diferente dada esta votação? Foi o menos votado, teve apenas sete votos. A título de exemplo, o vencedor teve 49 votos.
Foi o menos votado de sempre. É o candidato menos votado de sempre numa eleição pro Comitê Executivo da UEFA. Há essa nuance também. O impacto prático é sempre muito complicado de apurar, ou seja, não acontece aqui nada prático, direto, a Portugal e ao futebol português. Claro que o impacto é um bocadinho mais empírico e conjectural, digamos assim, do que propriamente prático. A ideia, para explicar um bocadinho, esta ausência de representação de Portugal no Comitê Executivo da UEFA quer dizer que Portugal não é propriamente tido nem achado, pelo menos no que diz respeito a decisões, no sítio onde se tomam essas decisões. Claro que depois, no fim do dia, Portugal continua a fazer parte da UEFA e tem a sua voz. Mas Portugal, e obviamente tendo a sua representação em Pedro Proença, na Federação Portuguesa de Futebol, não é tido nem achado e não tem uma palavra a dizer sobre as decisões que vão sendo tomadas na UEFA. E é óbvio que isso é preocupante. Tu fazias aí esse resumo. É fácil perceber quão poucos anos existem de Portugal sem representação no Comitê Executivo da UEFA desde 2007. Portanto, é fácil perceber também o quão importante essa presença de Portugal tem sido na UEFA e o quão importante tem sido a voz de Portugal. Numa altura em que o futebol português está a cair no ranking em termos de futebol jogado, não marcar presença no futebol discutido, no futebol debatido, no futebol falado, faz obviamente diferença e faz ainda mais diferença se nos recordarmos que Portugal vai organizar um Campeonato do Mundo em 2030. É certo que Pedro Proença deixou esta garantia de que em 2027 as coisas serão diferentes. Eu acho que não devia deixar uma garantia. Eu acho que é arriscado. Certo que demonstra confiança, mas acho que é arriscado deixar quase esta certeza absoluta de que em 2027 Portugal volta a ter esta representação.
Mas ele diz isto quase de forma de recado. A expressão utilizada: "contexto mais favorável, todos imbuídos do mesmo sentimento, unidos pelo mesmo objetivo". É desta forma que ele diz que em 2027 teremos condições.
Sim.
É com recurso a isto.
Esse é o discurso de Pedro Proença desde o momento em que é candidato à presidência da Federação Portuguesa de Futebol. Portanto, a ideia da união, unir o futebol português, de fazer as pazes entre a Federação e a liga, de onde ele acabou de sair, de unir os clubes também à sua volta, de criar uma paz universal no futebol português e que é isso que nos vai então garantir chegar a outros sítios. O que Pedro Proença fez nas primeiras semanas em que foi presidente da Federação Portuguesa de Futebol? O que está a passar? É certo que nada foi sua culpa ou sua responsabilidade direta. É certo que estas buscas aconteceram. É certo que tudo a partir daí se foi desmoronando um bocadinho. Mas o que é que aconteceu nas primeiras semanas de Pedro Proença enquanto presidente da Federação Portuguesa de Futebol? De repente, temos uma luta entre o atual presidente e o seu antecessor. De repente, temos uma discussão de palavras, de repente temos uma discussão de comunicados que nós não sabemos bem como é que começou ou o que é que aconteceu. Ou seja, Pedro Proença tem que começar a dar o exemplo também. Se é essa união que quer, então tem que começar a fazer por isso também. Agora, ainda que não seja totalmente culpa ou responsabilidade de Pedro Proença, esta não eleição terá obviamente impacto e consequências em termos de contexto, em termos conjecturais pro futebol português.
Mas quanto disto, quanto deste resultado, é culpa de Fernando Gomes?
É sempre complicado avaliar. Fernando Gomes esteve lá até há muito pouco tempo e Fernando Gomes esteve-
Esteve lá hoje.
Esteve lá hoje e esteve durante muito tempo também à frente da Federação e No comitê executivo da UEFA. Claro que Fernando Gomes dizer que não apoia uma candidatura do seu sucessor, ainda por cima tão pouco tempo depois da tomada de posse, tão pouco tempo depois das eleições.
E tão em cima da votação.
Sim, obviamente não terá nada a favor de Pedro Proença. Portanto, estamos mesmo aqui a atingir níveis de luta fratricida, eu diria que é isto, e entrando nesta ideia de Pedro Proença de que somos todos irmãos e temos todos nos unir pelo bem comum, quem está a sair verdadeiramente prejudicado é o futebol português, e aí Pedro Proença tem sempre toda a razão.
Gabriel Alves, a opinião sobre todo este caso que culmina na falha de Portugal, de Proença, em conseguir esse lugar no comitê executivo da UEFA.
Olha, Portugal não conseguiu conquistar uma cadeira de deputado na UEFA. Esta é que é a verdade. Temos que olhar para isto e ver qual é a realidade, de fato, do futebol português. A Mariana já explanou bem. A realidade daquilo cai nos rankings. E o que nós estamos a assistir? Atenção, o mundo midiático hoje, não é de hoje, é já da semana passada. Isto já não é como era há décadas. É que isto hoje é tudo muito rápido. Nós, em vez do desporto em Portugal, o que é que temos? Temos uma guerra Norte-Sul, neste momento. Uma guerra Norte-Sul, só para aquilo que vai ser a presidência da Liga. Mas há 40 anos era assim. 40 anos depois continua a ser assim. Pois é, é que continua a ser assim. Temos uma guerra entre presidentes de organismos de desporto, COP e Federação Portuguesa de Futebol. E onde é que está o desporto? E onde é que está, no caso aqui vertente que estamos agora a conversar, o futebol? Qual é a posição, no meio disto tudo, que ainda não apareceram as federações que deram o mandato a Fernando Gomes no Comitê Olímpico de Portugal? Qual é a posição dessas federações? Ficaram só pelas promessas monetárias, de valor, portanto, de dinheiro para os seus objetivos? É preciso olhar tudo isto. Lá fora sabem disto. A verdade é que na Espanha, por exemplo, que é aqui ao lado, o senhor Lozano, que também foi eleito de uma forma quase que obrigatória, porque foi a própria FIFA que disse à Espanha: "Ou elegem um presidente da Real Federação Espanhola, ou então não há Mundial 30". A verdade é que isso depois, enfim, tudo se despletou, não vamos agora estar aqui com pormenores, não temos tempo para isso. A verdade é que a UEFA já tinha achado fundamental, já tinha dado essa nota do peso do futebol espanhol e a entrada da federação nesses lugares, dado o Mundial de 2030. Eu espero que nós não sejamos a província. Nós somos um país, é preciso ter nota disto, mas temos que ser nós a começar por dizer que somos, de fato, um país. Aquilo que nós temos são guerras neste momento. Não temos nem desporto, nem futebol. Temos medalhas muito bem conquistadas por grandes atletas que lutam por isso e federações que trabalham, e autarquias, inclusivamente, nos seus apoios. Temos o futebol, o trabalho de clubes, mas tudo independente e tudo autónomo. Quanto ao mais, estamos aqui nos rankings todos.
Agostinho Inácio, a tua opinião sobre este desfecho deste conflito Fernando Gomes-Proença, mas, na verdade, há muito mais do que isso, e o resultado é Portugal ficar sem essa vaga de deputado na UEFA, como dizia aqui o Gabriel Alves.
Bom dia a todos. É verdade, a Mariana explicou bem e o Gabriel Alves também. A mim resta-me dizer que a sensação com que eu fico é que teve uma influência enorme a carta que o Fernando Gomes enviou aos 55 presidentes. Acho que teve uma influência muito grande. Portugal perde realmente um lugar representativo e naturalmente que isto foi mais uma luta pessoal e de egos individuais do que propriamente daquilo que se pretende, que é lutarmos todos juntos, vamos melhorar isto, vamos melhorar aquilo. O que é certo é que as coisas, depois, quando tocam a outros níveis, esquecem-se disso e a sensação que fica é eu não quero, eu saio, mas eu não quero que faças melhor do que eu. E estas guerras, sai sempre um prejudicado, já estamos fartos de dizer isso, é o futebol português, é aquilo que nós adoramos, que nós gostamos, que queremos ver melhorado. E sinceramente, lembrei-me hoje, outra vez, aquelas declarações do André Villas-Boas. A paz podre que existe no futebol português existe há muitos anos. Isto continua a se evidenciar nos dias de hoje. Por isso, temos o resultado que tivemos e acho que, sinceramente, não merecemos mais do que isto pelas pessoas que temos. E acima de tudo, mais uma vez vou relembrar Villas-Boas, se calhar Portugal merece estar mais na Conference League do que em altos patamares como a Liga dos Campeões.
Pedro Henriques.
Se andam a enganar uns aos outros. Pois é.
Pedro Henriques, como é que vês todo este desfecho desta eleição em que Proença falha por completo essa vaga e como é que fica também Portugal para estes anos que se seguem, sendo que em 2027 há novamente uma eleição, neste caso para mandatos de dois anos?
Muito bom dia. Eu vou prescindir de todo o resto do tempo que me possam dar, porque somos muitos hoje, em todos os outros assuntos, para dedicar aqui 90 segundos precisos para falar sobre isso, porque eu acho que as pessoas ainda não perceberam, nem têm conhecimento do que é o comitê executivo da UEFA. É liderado pelo senhor Ceferin, é composto por 19 membros eleitos. Tem, entre outras coisas, o poder de criar regulamentação, decidir sobre qualquer assunto fora da jurisdição do Congresso, de outro órgão. Além disso, vai supervisionar a administração, define a estrutura organizacional da instituição e aprova o plano anual de negócios. Ceferin é coadjuvado por seis vices, 10 membros ordinários e oito representantes do Conselho da FIFA. Não é apenas um cargo político, é uma posição estratégica no seio do organismo que gere o futebol europeu. E agora reparem
Onde é que nós vamos perder? Defesa dos interesses do futebol português, nomeadamente aquilo que é as necessidades e desafios do futebol de Portugal para as decisões da UEFA. Influência nas decisões estratégicas, porque vamos deixar de participar naquilo que são competições europeias, em termos de opinião, regulamentos, arbitragem, direitos televisivos e outros aspetos fundamentais para o futebol, naturalmente europeu e nacional. Depois, a questão da maior visibilidade e prestígio para Portugal, porque vamos deixar de reforçar a nossa presença em termos de futebol internacional, até para futuras oportunidades, treinadores, jogadores, inclusivamente árbitros. E a questão fundamental também, apoio ao desenvolvimento do futebol nacional, porque aqui, através desta presença, nós poderíamos garantir a captação de mais investimento e incentivos para o futebol português, nomeadamente a nível de infraestruturas e uma coisa que é muito importante, que é a questão da formação. Depois, a questão das relações institucionais, porque quando estamos lá, vai facilitar a cooperação e a comunicação entre a Federação Portuguesa, neste caso, e a própria UEFA. E depois a questão da influência nas reformas do futebol europeu. Portanto, nós deixamos de ter voz nas estruturas do futebol europeu, nomeadamente organizações das competições e regras do fair play. E depois, uma coisa muito importante, que é a possibilidade de atrair competições para Portugal. Nós não estarmos lá, perdemos a probabilidade do país ser escolhido para sediar eventos como finais de competições europeias ou campeonatos da Europa, que tínhamos vindo a conseguir ir muito bem. Portanto, não é só uma questão administrativa, não é só uma influencinha. Não, é muito, é isto tudo e muito mais. Hoje perdeu Portugal, hoje perdeu claramente o futebol português, mas neste caso, estou completamente de acordo e ele fez muito bem em afirmar que em 2027 vamos lá estar. É que vamos mesmo lá estar. As pessoas é que não sabem nem conhecem quem é Pedro Proença e a maneira como ele trabalha. Não foi por acaso que ele no espaço, também que trabalhou na Liga, rapidamente se tornou o presidente de todas as ligas e eleito pelas ligas estrangeiras. 2027 vamos lá estar e é bom que as pessoas percebam que quando se perde aqui algum cargo em nível internacional, não é o Benfica, não é o Porto, não é o Sporting, não é o Fernando, não é o Pedro. É o futebol português. E hoje, claramente, o futebol português perdeu. E a responsabilidade tem um nome muito claro e evidente, chama-se Fernando Gomes.
Olha, deixa-me só dar aqui uma nota naquilo que muito bem tocou o Pedro, em relação a isso do futebol europeu. É que neste congresso, também há uma pressão para que Ceferin renove o seu mandato. Porque depois daquilo que aconteceu na alteração dos estatutos, a verdade é que, e muito bem por Boban, a sucessão de Ceferin ficou como que manchada por essa alteração estatutária. Ora bem, a verdade é esta: é que há um apelo de 20 das 25 federações que estão neste momento. Há 20 que apoiam, que Ceferin, que desistiu, que disse que depois já não queria, mas há 20 a pressionar. O que isto quer dizer? E para dar aqui um pano de fundo, é que estes apelos não são ficção, isto é realidade. Reparem, quando se hoje fala muito que os políticos aprendem com o futebol, a tal chamada futebolização da política, o futebol também aprende com os políticos, com a politização. Pois é, é isto mesmo. Precisam do seu Ceferin, querem o seu Ceferin, porque o seu Ceferin estando lá, e isso está no seu currículo, naquilo que é a sua história, a sua biografia e bibliografia, é um lobista. E ser lobista não tem mal nenhum, mas ele sabe fazer esse lobby e foi quando ele chegou à UEFA que tornou esse lobby político muito mais intenso. Portanto, estar lá na UEFA é muito importante.
Vamos falar do jogo jogado. Ontem o Benfica venceu o Farense por 3x2, campeonato 27ª jornada. Agora sim, está tudo igualado em número de jogos no campeonato e há uma liderança partilhada entre Sporting e Benfica nesta altura. Marina Fernandes, o Benfica venceu, sim, houve tempo para susto no Estádio da Luz, mas a verdade é que, feitas as contas, consegue esse objetivo de colar-se ao Sporting na liderança.
Sim, a missão foi alcançada com uma ótima exibição do Artur Koglo, que faz dois gols e faz uma assistência, foi um bocadinho o motor de todo o futebol do Benfica. Agora, não foi um jogo tão fácil como até se adivinhava ali aos 23 minutos quando o Pavlídis faz o 2x0. A verdade é essa. Parecia que as coisas estavam completamente controladas e até encaminhadas para a goleada. Por mérito do Farense, e é preciso referir isso. Muito mérito do Farense, uma boa abordagem, então dizer uma reca ao jogo de nunca achar que mesmo a perder por 2x0, não tinha qualquer coisa para retirar do jogo. Uma boa exibição, principalmente do Deric Poloni do lado esquerdo, a dar muito trabalho ao Samuel Dalot e a obrigar o Bruno Lage a dada altura na segunda parte a trocar o Dalot pelo Ochsnes para fechar aquele lado, porque estava a ser uma autoestrada completamente para o Poloni abrir ali. Mas também por demérito do Benfica, na forma como a partir do momento em que chega ao 2x0, perde um bocadinho de intensidade, perde reação à perda da bola, acha mesmo que o jogo está resolvido, portanto baixa um bocadinho as linhas e entra um bocadinho naquela ideia do jogo está feito, vamos já pensar em domingo e tentar gerir aqui um bocadinho. O jogo tornou-se muito complicado e a verdade é que poderia ter sido ainda mais complicado para o Benfica. Ainda assim, e Bruno Lage também abordou isso na conferência de imprensa depois do jogo Boa reação do Benfica a tudo o que foi acontecendo. Ou seja, não só aos dois gols sofridos, como mesmo depois dos dois gols sofridos, à ideia de que o Farense continuava a estar dentro de jogo. Mesmo com o 3x2, o Benfica nunca ficou com o jogo completamente controlado até o apito final. Um jogo sempre muito partido, com vários espaços.
Perder tempo no fim?
Sim, naqueles últimos 20 minutos, o jogo muito partido, muitos espaços, muitas transições rápidas e aí o Farense estava a causar perigo. E aí o Benfica não perdeu o norte, quando poderia perfeitamente ter se desconcentrado e ter entrado ali um pouquinho em pânico nessa ideia de poder empatar e poder perder dois pontos antes de ir ao Dragão jogar com o Foco do Porto. Não perdeu, conseguiu manter o controle, conseguiu manter claramente o discernimento e levar aqueles três pontos. Ainda assim, jogo complicado, onde o melhor que se tira, diria eu, é a ideia de que Renato Sanches, estando bem, e voltou a sair com queixas, mas estando bem, é obviamente uma solução e é um jogador que conta. O problema é quando não está bem, nas muitas vezes em que não está bem, e Bruma e Florentino foram poupados. Portanto, são 90 minutos em que dois jogadores importantes, em sentidos diferentes, em contextos diferentes, e dois jogadores que eu acredito que vão ser titulares no jogo contra o Foco do Porto, foram poupados. E isso, nessa altura, é muito importante também.
E Tomás Araújo também ficou de fora. Vamos ver se conta ou não conta para o clássico.
Acho que Tomás Araújo fica de fora precisamente para ser titular no domingo.
Pedro Henriques, muito rapidamente, só falar aqui de Hélder Carvalho e de Catarina Campos. Catarina Campos estreou-se no VAR, Hélder Carvalho teve aqui também um jogo a envolver um grande e é um árbitro que não tem ainda muita experiência, sendo que o quarto árbitro era também um árbitro com pouca experiência. O que dizer desta arbitragem, sendo que há queixas do Benfica relativamente a um lance? Até mostraram as imagens de como ficou o pé de António Silva num lance que se pedia grande penalidade.
Sim, mais do que o pé, que realmente estão lá as marcas. Já vi graves lesões em toques pequenos e toques imensos não terem grandes lesões. O facto é que, como disse no direto e também disse no "Sem Falta", ficou um penal também de 61 por assinalar. Realmente o pastor é imprudente na maneira como aborda, pisa com o pé direito, calcanhar e parte lateral do pé esquerdo e quase na zona do tornozelo do António Silva. E eu relembro que as pessoas esquecem-se que tecnicamente a questão do cérebro, do propósito intencional, é só para avaliar a parte disciplinar. Tecnicamente, é sempre punido, vais vos ver muito claro nisso, com o direto, neste caso, dentro da área, pontapé de penal. Ficou um penal por assinalar. Mais difícil para o árbitro, honestamente, porque a bola vem no ar e comparamos a imagem do pisão, a bola está uns dois metros acima da cabeça de António Silva, quer dizer que a bola está no ar. Lógico que os árbitros mais experientes não focam na bola, focam-se no local onde ela vai cair, mas o Hélder Carvalho não tem essa experiência ainda. E mais do que isso, aqui precisava da ajuda da videoarbitragem e nesse aspeto falhou o VAR, enfim, era a estreia também da Catarina Campos no auxílio, que era de um penal que eu acho que é muito claro e óbvio, quer dizer, é daqueles que não deixa dúvidas relativamente não só à causa e efeito, aquilo que é consequência, que ficou um penal por assinalar. Em relação ao quarto árbitro, eu saúdo sempre tudo o que é futebol feminino, neste caso, a aparecer no futebol masculino, porque como disse o Piti muito bem, a competência não tem género, é isso que importa, só que correu-se aqui um risco muito grande. A Inês Andrade nunca fez um jogo de futebol no mais alto nível profissional, está em quarto árbitro. Se o Hélder Carvalho se lesiona, ela é que ia substituir exatamente. Dêem jogos menos mediáticos numa fase inicial e depois ganhar dois ou três jogos com essa carimba, então passar para estes jogos de grande exposição, que é o caso do Benfica, Porto e Sporting.
Antes de irmos às notas de campeão, muito rapidamente. Augusto Inácio, hoje o Sporting joga com o Rio Ave, Taça de Portugal. É uma eliminatória a duas mãos, mas o que esperas para hoje? Alguma rotação na equipa?
Olha, falaste bem, uma eliminatória é duas mãos, o que na minha opinião não deveria de acontecer, porque isso já não é Taça de Portugal, já é negócio da Taça de Portugal, porque querem os grandes sempre nas finais, não querem os mais pequenos. E a Taça de Portugal era bonita, era quando era sorteio puro e duro, e depois quem chegasse à final, chegava à final. Sendo em duas mãos, acho que o Sporting tem todo o favoritismo para chegar à final. É jogo em casa, é verdade que é jogo em casa, o Rio Ave é uma equipa que não vai desistir, de certeza absoluta, também já esteve numa final da Taça e depois o segundo jogo vai ser a Salgueiro em Paço de Ferreira, já que o Estádio do Rio Ave está em obras por causa da tempéria que se abateu no estádio. Eu diria que o Sporting vai tentar fazer o resultado hoje que lhe permita na segunda mão estar mais descansado, mas atenção, tal e qual como o Farense ontem, em que eram favas contadas para o Benfica e o Benfica até ao fim ganhou, é verdade, mas suspirou quando o árbitro apitou para o final da partida. O Sporting vai ter que fazer pela vida se quiser estar na final, porque o Rio Ave não vai desistir do melhor resultado para si.
Vamos às nossas notas de campeão. O Sporting-Rio Ave é hoje, é a Taça de Portugal, é jogo para acompanhar com relato em direto aqui na Rádio Observador, logo à noite, às 20h15. Notas de campeão, Gabriel Alves, começa desse lado.
Olha, a minha nota de campeão vem positiva para Hansi Flick. De facto, é um treinador fantástico. Eu acho que aqui uma expressão, passe. Flick flica mesmo uma grande equipa, porque este Barcelona dá gosto vê-lo jogar, em todas as razões, pela projeção de jogo, pelas substituições, pela forma como lê, ainda ontem mostrou no jogo com o Atlético de Madrid. Portanto, está em 21 jogos sem perder, está muito longe daquilo que o Luís Enrique conseguiu em 15/16 com 39 jogos. Mas a verdade é que, como disse Piqué ainda há poucos dias, estes meninos, esta equipa, a maioria deles eram aspirantes àquela formação. Portanto, ainda mais valor para Flick com os meninos.
Perdemos aqui a ligação, Gabriel. Estávamos a ouvir a nota para Hansi Flick. Creio que ficou percetível o destaque também para os meninos do Barcelona. Vamos seguir aqui com as nossas notas de campeão. Pedro Henriques, quem é o campeão do dia para ti?
Olha, claramente o que aconteceu hoje no plano internacional, Portugal levou grande murro no estômago, mas não é nada que com gelo, voltaren e ralz a coisa não se resolva. 2027 será nosso e voltaremos ao lugar que nos pertence. E sem dar nota, apenas uma nota. Rui Silva, Eduardo Quaresma, Diomande Gonçalves Inácio, Hugo Mande Báste, Frexneta, Márcio Araújo, Trincão, Gyökeres, é minha única dúvida, mas vou lá pôr o Kenda em vez do génio. E este vai ser o 11. E hoje vou acertar, garantidamente.
Muito bem, ficamos também com o 11 para logo à noite no jogo do Sporting. Augusto Inácio.
Olha, nota zero para aquilo que aconteceu hoje, com a não eleição de Pedro Proença. Eu diria que neste momento, como isto é uma guerra pessoal, neste momento Fernando Gomes 1, Pedro Proença 0, mas em 2027 Pedro Proença vai empatar o jogo outra vez.
Mariana Fernandes.
Olha, nota negativa para o Sporting, ou pelo menos para o futebol feminino do Sporting, que foi o primeiro grande clube em Portugal a apostar no futebol feminino, mas pelos vistos parou no tempo e isso nota-se não só nos resultados, como na entrevista que a Mariana Cabral dá hoje à Sic Notícias, saiu no final do ano, está agora nos Estados Unidos, é treinadora adjunta dos Utah Royals, e explica o porquê de ter saído, o porquê de já estar cansada e farta de todos os dias lutar por algo, e lutar por algo inclui pedir para treinar no relvado e não no sintético, pedir bolas iguais no treino. E eu achava mesmo que já estávamos muito longe disto.
Fica assim essa nota a terminar esta edição de "E o Campeão É". Não esquecer que logo à noite há relato do Sporting-Rio Ave, Taça de Portugal. O "O Campeão É" está de regresso amanhã depois de 12h30.