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Está dado o apito inicial para a edição desta sexta-feira de "You Champion É", como o João aqui referia, com Augusto Inácio, com João Castro e com Pedro Henriques. Boa tarde. Bem-vindos, caros campeões. Pedro Henriques, ontem sugerias que não temos falado suficientemente de Portugal e da caminhada de Portugal rumo ao Mundial deste mês de junho. Sugeria que começássemos precisamente por aqui. Portugal joga amanhã frente ao Chile, é o primeiro jogo de preparação antes dessa partida do Campeonato do Mundo agendada para o próximo dia 17, jogo frente ao Chile, amanhã no Estádio do Jamor. Pedro Henriques, que resistência pode oferecer este Chile? E pergunto também se, tendo em conta que Portugal vai fazer um número reduzido de jogos de preparação, este é o adversário ideal nesta caminhada rumo ao arranque oficial do Campeonato do Mundo.

Bom dia. Para mim, sim, começando pelo fim, a questão do adversário, porque é importante que nestes dois jogos, a preparação com jogos era muito reduzida, eram os tais calendários que a FIFA dispõe e as seleções estão todas agora a afinar os últimos apontamentos. E acho que era importante Portugal, até pelo grupo que tem, mais do que estar a defrontar seleções europeias com as quais estamos mais habituados a jogar, fôssemos jogar com seleções diferentes, que façam parte daquele eixo ali da América e também do eixo africano, até porque temos o Congo e vamos ter a Colômbia como adversários a doer. E dentro dessa perspectiva, o Chile, por exemplo, para já, faria todo o sentido poder-se defrontar. Sabemos que são seleções distintas, diferentes, não há seleções iguais, mas que têm muitas vezes características idênticas naquilo que é o seu futebol. Mas mais importante do que o tipo de adversário, que também é importante, atenção, é sobretudo o jogarmos, afinarmos estratégias e percebermos que não há campeões antecipados e que a dinâmica da vitória é muito importante. Isto a propósito de um resultado que quase que é escandaloso, que é quando a Costa do Marfim vai à França e ganha os franceses 2 x 1. E se perguntarmos a qualquer um de nós: "Diz aí três ou quatro seleções que no teu ponto de vista serão claramente candidatas a ganhar, a serem campeãs do mundo", nós colocamos, acho eu, a França nesse lugar.

E a Espanha também, Pedro.

Não, e a Espanha também, mas pronto. Sim, agora dei o exemplo da França. Também aqui perdeste a razão. Mas é exatamente isso, e tu vais dar continuidade a esta conversa que estamos a ter, porque realmente é extremamente importante criar esta impunidade também de vitória. Não é com a derrota da França ou com o empate da Espanha que eles não sejam possivelmente candidatos, se calhar algum deles até vai ganhar, mas é importante que os jogadores percebam que já não há jogos fáceis, que todas as seleções têm as melhores condições possíveis, que têm jogadores, porque depois quem são os jogadores que estão nessas seleções? São jogadores que jogam, muitos deles já não jogam nos próprios países, jogam onde? Jogam nos principais campeonatos. E portanto, eu acho que é relevante e importante criar-se esse espírito, começar-se a beber um pouquinho aquela coisa, no caso concreto de Portugal, um banho de multidão, o estádio vai estar cheio, as pessoas vão apoiar e é importante tentar fazer aquilo que não foi feito, usando a expressão que é do Pedro Abrunhosa, mas também que é do nosso selecionador, que usou essa expressão, e que possamos começar a beber um pouco desse espírito para aquilo que é o presente e o futuro. Portanto, amanhã é um jogo muito relevante e importante, e com o qual eu acho que também o resultado é relevante e importante, que Portugal comece a encarar isto como sendo já um jogo a doer.

Augusto Inácio, boa tarde também, bem-vindo. Pego nestas palavras do Pedro Henriques para lhe perguntar se sim, se o resultado da partida de amanhã frente ao Chile é importante.

Boa tarde a todos. Claramente que é sempre importante o resultado, porque ninguém faz jogos, seja a brincar, no sentido de ser amigável, seja em competição, que queira estar a perder. E o Pedro Henriques tem razão, a dinâmica de vitória tem que estar sempre instalada. Encarar os jogos, sejam particulares ou não, sempre com o sentido de ganhar e de constituir uma boa ou uma grande equipa. Mas este jogo de Portugal com o Chile, Portugal não vai ter os jogadores do Paris Saint-Germain, não vai ter o Nuno Mendes, o Vitinha, o João Neves e o Gonçalo Ramos, mas dá para aproveitar outras ideias que o treinador possa ter para este jogo com o Chile. O Chile é uma equipa sul-americana, já foi uma grande seleção. Agora anda à procura outra vez de reencontrar uma equipa, mas não deixa de ser uma equipa sul-americana e que tem um espírito combativo bastante grande e que vai dificultar as ações da equipa portuguesa. Agora, claramente que o selecionador, sem estes quatro elementos da equipa do PSG, que ainda não estão no estágio, tirando o Gonçalo Ramos, que para mim não é titular, todos os outros três são titulares da seleção nacional, pode ver aqui uma visão, uma ideia daquilo que pode fazer sem esses jogadores estarem em campo. Por isso, acho que é importante, sim, afinar estratégias, sim, ganhar o jogo, sim, que é importante, para que Portugal possa sair de um jogo uma vitória, no outro jogo particular outra vitória e vai para os Estados Unidos com aquela dinâmica de vitória que é sempre importante.

João Castro, boa tarde também, bem-vindo. Esperas ver amanhã, já escolhida por Roberto Martínez, a seleção, o grupo de jogadores que à partida serão titulares da seleção portuguesa?

Boa tarde. O Inácio tocou aqui num ponto fundamental. Dos quatro do Paris Saint-Germain, para mim três são titulares de cara. Portanto, logo aí ficas desfalcado 30% dos jogadores de campo, não contando com o guarda-rede. É difícil criar essas dinâmicas sem três e, sobretudo, dois do meio-campo, que é uma zona nevrálgica do jogo. Vai experimentar realmente outras situações, vai ver outros jogadores, outras dinâmicas, o que eu acho que também é importante para a seleção. Por exemplo, a mesma coisa aconteceu com a França, o Doué e o Dembélé não jogaram. Acho que só entrou o Barcola. Posso estar enganado. Isso também tem logo um impacto, pese embora a França tenha, de longe, o plantel com mais qualidade de todas as seleções que vão estar presentes no mundial, em termos de profundidade e qualidade.

E em sua opinião, quem são os substitutos naturais destes três indiscutíveis e magníficos da seleção portuguesa de futebol, Vitinha, João Neves e Nuno Mendes?

É difícil. Eu acho que o Cancelo pode jogar o lado esquerdo e seria, se calhar, o substituto claro do Nuno Mendes. E depois no meio-campo é mais difícil. O Bruno Fernandes pega a destaca, pode jogar ali o Bernardo Silva e depois vai ter o Samu Costa, provavelmente a ter a oportunidade, ou o Rúben Neves. Vai andar muito por aí, mas eu já disse isso aqui e volto a frisar: todo o meio-campo que seja da seleção, sem o Bruno Fernandes, Vitinha e João Neves, já é um meio-campo mal escalado. A não ser que seja um jogo muito particular, em que se opte por um médio muito mais defensivo. Mas realmente, se há sítio, ou se há setor, melhor dizendo, de Portugal extremamente forte, é realmente o meio-campo.

Pedro Henriques, tu que costumas aqui antecipar os 11 de Portugal e dos clubes, via os jogos que aqui fazemos, quem é que esperas ver naquele meio-campo em substituição destes dois magníficos, Vitinha e João Neves?

Não sei qual vai ser a ideia, porque o Roberto Martínez, perante titulares, que também são para ele, de certeza, se calhar aqui até não vai fazer substituição direta, se calhar até vai experimentar outra coisa qualquer. E por isso não tenho tanta certeza hoje. Amanhã prometo que no "Campeão", a esta hora, estarei a dar o meu 11. A certeza que eu tenho, no meu ponto de vista, é que é a oportunidade também, não só para o selecionador, mas também para os jogadores. Um pouco o que aconteceu com o Samu Costa, porque depois vamos para uma competição, que é relativamente curta, e o que vai acontecer é que muitas vezes aqueles jogadores, isso acontece nas seleções, que nós temos grandes expectativas, não saem bem em um jogo, depois já não saem bem no segundo ou terceiro, e se calhar aparece alguém que nós não estamos à espera e que agarra o lugar. Isto acontece às vezes até quando os seus colegas são advertidos ou têm uma expulsão. E o importante para mim é mesmo a questão de criar esta dinâmica desta cultura de vitória. Eu acho que é muito relevante e importante para Portugal, não é um jogo menos. Eu, pelo menos, tenho sempre essa sensação. Está bem que fomos campeões europeus com empates e com jogos menos bem conseguidos, e foi um pouco na adversidade que tudo correu bem. Mas eu acho que é relevante e importante porque a história, no meu ponto de vista, diz-me que nós, se começarmos bem, se entrarmos bem, se criarmos esta dinâmica logo inicial, eu acho que isso vai ser fundamental para aquilo que é o sucesso. E nesse aspecto, eu acho que a dinâmica começa exatamente nesses jogos. Eu recordo-me que antes de irmos para a França, para sermos campeões europeus, o último jogo que Portugal fez, se não estou em erro, não quero estar a mentir, acho que foi no Estádio da Luz, e ganhamos por 7 a 0. Já não me recordo qual foi a seleção adversária. Demos uma grande tareia. E isso criou um espírito entre os adeptos, a própria seleção. Eu na altura estava a trabalhar em televisão e estava lá com a televisão a fazer o respectivo trabalho e percebia-se isso. Percebia-se isso até pelos jogadores. E nós vimos, temos muitos exemplos, não comparando seleções com clubes, de como essa parte emocional e psicológica é importante. Vimos agora qual foi a final da Taça de Portugal com o Sporting. E é por isso que eu acho que estes dois jogos são relevantes e importantes, mais que os aspectos técnico-táticos, até porque não temos lá os nossos quatro campeões e como já foi aqui dito, e bem, três deles são titulares indiscutíveis. É exatamente a criação dessa dinâmica e do começar a acreditar que vamos ganhar, porque mesmo que agora a França também esteja desfalcada, já não me recordo qual foi o jogador que disse, até acho que foi exagerado o que ele disse, "nós não vamos ganhar, vamos devorar todos os adversários." Isso é bonito de se dizer, mas o importante não é dizer, é fazer. E acho que a França, mesmo desfalcada ontem, tinha a obrigação, lá está, porque é o plantel com maior profundidade, em que todos dizemos claramente candidato a ser campeão do mundo, tinha que fazer mais. E eu quando vejo essas coisas assim, posso estar enganado, mas começo a dizer: "Não sei se a França está com esse cabedal para ser campeã do mundo."

Veremos o que ditam os próximos jogos da seleção gaulesa. Falávamos aqui de Vitinha e João Neves. Florentino Pérez deu ontem uma entrevista ao Canal 4, em Espanha, onde falou sobre a contratação do José Mourinho, caso venha a ser reeleito presidente do Real Madrid. Mas anunciou também um investimento a rondar os 150 milhões de euros por um jogador que não é da Premier League. Em Espanha, antecipam a possibilidade do Real Madrid querer contratar Vitinha ou João Neves. Augusto Inácio, parece-te provável que Florentino Pérez esteja de olho num destes dois jogadores?

Quando há eleições presidenciais, como são estas do Real Madrid, aparecem os jogadores, treinadores, milhões, contratações

O Riquelme também. O Haaland disse que se vencer as eleições e for para o Real Madrid como presidente e o Haaland não vier, paga as quotas todas de um ano aos sócios do Real Madrid, se não cumprir a palavra. Está aqui a haver uma mescla de coisas, de promessas e se calhar, provavelmente, algumas possam ser cumpridas. Neste caso, Florentino Pérez, 150 milhões. Não é novidade nenhuma o Florentino Pérez contratar um jogador por esse valor. E quando se fala nesses valores, fala-se em grandes jogadores. Quando se fala em grandes jogadores, estás a falar de Vitinha e João Neves, que realmente se fosse ao Florentino Pérez, eu em vez de pôr 150 milhões, punha 300 milhões e levava os dois para o Real Madrid. E o Real Madrid ficava realmente com um grande meio-campo. Mas claramente que fica agora a ideia: 150 milhões, quem é o jogador? Será, não será? Eu não sou de certeza quando o João não joga a bola, mas com certeza que vai ser uma das trutas que anda aí no futebol europeu e uma das trutas que anda aí à boca cheia e falada e com toda a legitimidade, é o Vitinha. Por isso, vamos ver se se concretiza ou não e que não sejam só promessas. Vamos aguardar.

João Castro, com 150 milhões de euros no bolso e a presidir ao teu Sporting, empregavas esse dinheiro na contratação de um destes dois centrocampistas do Paris Saint-Germain?

Eles dizem que não querem mais galácticos, mas vão continuar a apostar o mesmo. Com 150 milhões, se calhar contratava outro tipo de jogadores e reformulava o plantel com muita qualidade. Sendo o Real Madrid, é normal. Acho engraçada esta incoerência do presidente do Real Madrid. Ainda há umas semanas falou que é impossível competir com os milhões do Manchester City e do Paris Saint-Germain e agora vai contratar um jogador por 150 milhões. O que é realmente uma incoerência.

Perdemos aqui o contacto com o João Castro na altura em que assinalava esta incoerência de Florentino Pérez.

Estás a ouvir?

Agora sim, João.

Sim, consegues me ouvir?

Sim, João.

Sim?

Sim, estamos a ouvir-te, agora.

Consegues me ouvir? Era o Florentino Pérez, não gostou das minhas palavras e cortou-me. E portanto, acho que é muita incoerência e acho que isto das eleições, já se fala do Suárez, também do Sporting, com as eleições do Fenerbahçe. Isto quando há eleições, há sempre muitas promessas, mas depois vamos ver o que eles conseguem cumprir.

Vamos lá então para os vossos campeões nesta reta final de "E o Campeão É". Quem é ou quem são os teus, João? Não, Florentino Pérez outra vez.

O meu campeão vai claramente para o jogo da seleção. Acho que é importante aqui, estádio cheio, já sei que os bilhetes estão esgotados para os dois confrontos e portanto é preciso criar esta onda da seleção nacional e concordo com o Pedro Henriques, cultura de vitória desde o princípio da preparação até ao final do Mundial, portanto vai claramente para o jogo da seleção que aí vem, porque eu acho que é importante esta criação de onda e voltar o público e o povo a unir-se em torno da seleção, portanto nota 18.

Augusto Inácio, o teu campeão.

O meu campeão vai precisamente para aquilo que são ou podem vir a ser as surpresas neste mundial. E isto já é um mote. A Costa do Marfim vai ganhar a França, o Iraque vai empatar a Espanha. Será que alguma destas seleções, e eu estou apostado a mais na Costa do Marfim, vai ser a grande surpresa do mundial? Fico na expectativa. Nota 18 para as surpresas.

E só falta escutarmos os campeões ou o campeão do Pedro Henriques.

Sim, em modo seleção, eu acabei de sair agora da Cidade do Futebol, lançamento do livro dos Magris, com a presença de três Magris, o que é muito bom. Estamos a falar de pessoas que jogaram em 66, Zé Augusto, o senhor Hilário e também o senhor António Simões. O livro está espetacular, ainda por cima feito em modo banda desenhada, o que está muito acessível. E como foi dito pelo senhor António Simões, um país que tem história e que quer honrar a sua história, tem que ter memória. E é sempre importante a memória. No momento em que temos que exaltar todos os valores e tudo aquilo que é cultura desportiva e de vitória, penso que a inspiração em 66 é fantástica, do tempo do senhor Eusébio e não só, e por isso este livro vem de forma muito oportuna e sobretudo respeitar a memória e aqueles que também fazem parte da história. E se calhar, muito do que hoje temos da Federação Portuguesa de Futebol, daquilo que é a própria seleção nacional, passa garantidamente por jogadores que compuseram e fizeram parte da seleção nacional. E nós também temos aqui a honra e o prazer de ter alguém, o Augusto Inácio, que também fez parte dessa seleção e que muito nos honra, porque estamos todos neste momento em modo seleção e esperemos que esta inspiração seja fantástica para aquilo que todos nós queremos, que é fazer o que não foi feito ainda.

Nota elevada do Pedro Henriques para o lançamento deste livro sobre os Magris, a equipa da seleção nacional portuguesa que participou no Campeonato do Mundo de 1966, trouxe um terceiro lugar de Inglaterra, de má memória, aquele encontro precisamente frente à Inglaterra nas meias-finais de acesso à final da competição. Fica por aqui a edição de hoje de "E o Campeão É", com esse Portugal-Chile no horizonte, o primeiro jogo de preparação é amanhã no Estádio do Jamor.