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Está no ar mais um "E o Campeão É?", o programa em que damos notas à atualidade desportiva. Hoje com os campeões Gabriel Alves, Augusto Inácio e também o Pedro Henriques. Muito boa tarde a todos, sejam bem-vindos. Vamos falar da Taça de Portugal, das vitórias de Sporting e de Futebol Clube do Porto. Seguem em frente na prova rainha. Os Leões venceram o Santa Clara por 3 x 2, num jogo em que foi preciso um prolongamento. Já o Futebol Clube do Porto levou a melhor sobre o Famalicão, vitória por 4 x 1. Vamos começar por falar do encontro do Sporting. A equipa do Rui Borges teve mais dificuldades e um lance acabou por dominar a parte final do encontro. Pedro Henriques, hoje vou começar por ti. Quero a tua análise ao encontro do Sporting.

Não sei por quê.

Não sabes por quê? Acredito que saibas, tu és uma pessoa bastante inteligente. Vou começar por ti. Quero a tua análise ao encontro do Sporting, esta é a parte institucional, digamos assim. E também perceber por que demora tanto tempo a decidir um lance de VAR, foram mais de 10 minutos.

Bem, bom dia a todos. Em primeiro lugar, em relação ao jogo e depois em relação ao VAR, e toda a circunstância que ocorreu, como já falaste. Em relação ao jogo propriamente dito, realmente estas questões das mudanças do Sporting têm-se andado a dar bem de uma maneira geral, quando muda um conjunto de jogadores, mas agora isto com as lesões e depois com clubes que têm vontade de jogar e que jogam bem, como é o caso do Santa Clara, que estavam no jogo legitimamente e estavam mais próximos até de passar à próxima eliminatória. Percebemos que estas mudanças, como aconteceu com o Porto, com a vitória do Porto Club à Taça da Liga, nem sempre trazem os resultados que se pretende. Ou seja, se calhar, qualquer coisa também na própria construção e também mérito dos plantéis e também mérito das outras equipas. Eu diria que o Yonís acaba por ser relevante e importante. Destaque, naturalmente, para o João Simões, porque realmente é um jogador que quando aparece, aparece em grande e em bom, mas também no Santa Clara, o cérebro, o Serginho, mas também podia ser um Lucas Soares ou Gabriel Silva, que são jogadores realmente de grande nível. E depois, aquilo que neste momento não é só o que dominou o jogo, mas vou estar a dominar nestas horas seguintes, portanto, tudo o que é comunicação social. Descobri que nas televisões, nas rádios e por aí fora, tenho vários ex-colegas árbitros que nunca os vi a tirar o curso, nem nunca os vi arbitrar, mas que realmente falam de cátedra, não é se é pênalti ou não é pênalti, falam de regulamentos do VAR. Eu queria só relembrar que não há regulamentos do VAR, há protocolo, e falam de coisas que eles próprios nunca leram, nem ouviram, mas falam. Isto também é a minha crítica, porque só para dizer uma coisa, eu quando tenho dor de dentes, vou ao dentista e quando hoje, curiosamente, se me avariou o portão elétrico em casa, chamei um eletricista. E portanto, é só para relembrar estes aspetos. Uma coisa é darmos a opinião sobre os lances, todos nós temos, e bem, com as diversas experiências, mas depois coisas que são muito técnicas não deviam fazer. Doze minutos não é aceitável, não está nada escrito em relação ao tempo, portanto, não está escrito no protocolo do VAR que é 1 minuto, 1 minuto e 30 ou 3 minutos, mas há coisas que estão escritas como quando há um erro que é claro e óbvio, o VAR chama o árbitro ao monitor dentro do protocolo. Ser claro e óbvio significa que tu com uma, duas imagens, consegues ter essa mesma imagem para mostrar ao árbitro, para dizer ao árbitro de forma clara: "Olha, está aqui a imagem que no meu ponto de vista como VAR, vai fazer com que tu eventualmente mudes a opinião, porque a minha opinião é diferente da tua". Isto é para as pessoas perceberem a lógica. E portanto, se estás 12 minutos, aquilo ao minuto 90:20 foi o lance que ocorreu, ao minuto 90:14 foi quando o árbitro já foi ao monitor, tomou a decisão do pênalti. E portanto, se estás tanto tempo para verificar, mesmo estando aqui envolvido dois momentos, que é a questão do fora de jogo posicional do Sporting, se havia ou não, com impacto, e também o lance de pênalti, é demasiado tempo. E por aí, cairia logo esta questão. Depois, aquilo que eu já disse aqui no Sem Falta e ontem no direto, para mim não há motivo para pontapé de pênalti e há um erro, e obviamente, todos nós percebemos que isso, somado à expulsão dois minutos antes, ao minuto 88, acabou por ter muito impacto no jogo e se calhar, até por isso decidiu a eliminatória. Não sabemos se sim ou não, mas de qualquer maneira, é um erro que não devia ter acontecido e sobretudo toda a circunstância que não abona nada em favor, neste caso, da arbitragem, do árbitro, ainda por cima do João Pinheiro, que vai estar presente no mundial de seleções. E, portanto, não abona nada a favor dele, nem da arbitragem. Era muito escusada esta polêmica. Não era a decisão de ser pênalti ou não, porque aí estaríamos a discutir pênalti sim, pênalti não. É toda a maneira como foi estruturada e montada até se chegar à decisão do pênalti. Não havia necessidade, e é um erro, e eu fico triste pela arbitragem, quando neste momento o Conselho de Arbitragem, o próprio Duarte Gomes, que é diretor técnico nacional, está a fazer um esforço imenso para mudar as coisas e estão a fazer coisas bem feitas, mas depois no campo, não estão a dar continuidade a isso.

E para mais esclarecimentos, basta escutar o Sem Falta, a edição de ontem do Pedro Henriques, para entender tudo o que aconteceu neste lance. Augusto Inácio, estamos a falar de um jogo em que há demérito do Sporting ou um Santa Clara que conseguiu surpreender a equipa do Rui Borges?

Boa tarde a todos. É as duas coisas. Há sempre mérito de um lado e demérito do outro. Nesse caso, acho que o Santa Clara jogou aquilo que tinha para jogar para ganhar o jogo. Simplesmente o Sporting fez uma exibição muito abaixo daquilo que era expectável. Um Sporting lento, um Sporting confuso, um Sporting que do lado esquerdo estava só o Alisson, mas a aqueles gajos praticamente não se via, muito jogo mais para o lado direito, que o Trincão também assim que estava aquele lado para ter também ali algum espaço para poder jogar. Um Luís Soares que nunca apareceu no jogo, a não ser no ano outro lance e na caso a grande penalidade que acabou por marcar. Foi um Sporting que sai feliz dos Açores, mas sai feliz através daquilo que ninguém pode esconder. É que foi através de uma grande penalidade nunca existiu e que o Sporting aproveitou para empatar, depois para ir a prolongamento. Esse é o grande caso do jogo, essa é a polêmica que existe e eu não gosto de ver nem Sportings, nem qualquer outro clube a empatar ou a ganhar, neste caso, uma eliminatória, da forma como foi. Nenhum sportinguista deve se ver nisso e eu também não. Como é evidente, eu sou só o comentarista de observador. Aqui não está o comentarista adepto, está o só comentarista

E nesse aspecto, eu não posso deixar passar em claro que realmente o Sporting foi, neste jogo, não vamos falar de outros jogos, mas neste jogo, o Sporting foi realmente muito beneficiado e foi empurrado para que o Santa Clara não fosse apurado para a fase seguinte.

E é precisamente essa tua visão de comentador que gostamos de contar aqui, Augusto Inácio. Gabriel Alves, quero também escutar-te sobre este encontro do Sporting. Foi uma equipa leonina que confiou demasiado em alguns facilitismos?

Mais do que isso, eu acho que tudo que envolveu este jogo é o assassinar da festa da taça. É grave, muito grave, porque isto está a suceder em determinado tipo de circunstâncias que não é só ontem, vai sucedendo. E a memória vai sendo curta de um dia para o outro, porque vai sucedendo com várias cores, com vários emblemas, mas os emblemas são sempre emblemas ou mais fracos, aqueles que são mais prejudicados, ou mais fortes, aqueles que são mais beneficiados. E isso tem vindo a acontecer ao longo de décadas. E se não quisermos ir muito para trás, porque fica muito para trás, para a idade da pedra lascada, fiquemos então mais na contemporaneidade. E isso não beneficia o futebol. Eu falo aqui às vezes e digo que com alguma ligeireza, sim, mas com algum objetivo, que as grandes marcas poderiam patrocinar as arbitragens, porque se fala mais das arbitragens hoje em dia do que aquilo que é um bom futebolista, um bom talento a aparecer, uma boa jogada, um bom futebol, uma equipa bem organizada. Não, o que se fala hoje é do erro do árbitro, o quarto devia ter feito assim, beneficiou este, desbeneficiou aquele, o que o treinador disse no final do jogo, o dirigente, o comunicado. Portanto, é tudo isto que de fato envolve o futebol. E quando há um jogador miúdo novo, não, vai dar dinheiro, vai dar negócio. Não é o talento que vai desenvolver a prática do futebol e que nos vai dar, portanto, a alegria de ver jogar bem. Não, tudo aquilo que nos dá hoje para grande informação e que, obviamente, o povo consome é isto. É isto que estamos a ver. E, portanto, na minha opinião, é pouco interessante hoje se o Sporting foi capaz ou não, se o Santa Clara era mais capaz ou não. Agora, aquilo que ficamos a pensar todos é que de fato este negócio, a continuar assim, porque futebol é um negócio, está a descredibilizar. E atenção, eu não estou a falar só de Portugal. Estou a falar do Sul da Europa, porque para a Itália, veja, olha ali para a Espanha, então, não temos tempo para desenvolver isso, mas isto começa a ser um lugar comum no Sul da Europa. Portanto, os adeptos, em vez de ir ao futebol para verem um bom jogo de futebol, verem bons talentos, bons jogadores, não, vão ao futebol para ver os árbitros, as discussões, etc. e tal, menos aquilo que é o conteúdo, o recheio, aquilo que é a verdade da competição. Portanto, para a minha parte, para já, uma nota zero para isto tudo.

As notas daqui a pouco, já voltaremos a elas. Para já vamos avançar. Temos ainda alguns minutos para falar do encontro do Futebol Clube do Porto, um triunfo por 4x1 sobre o Famalicão. Augusto Inácio esteve a acompanhar o jogo na nossa emissão. Que notas é que há a retirar do que fez a equipa de Francesco Farioli?

Olha, eu realmente acompanhei o Santa Clara com o Sporting e depois fui ver ontem, quando cheguei a casa, é que fui ver o jogo todo do Porto. Eu gosto sempre de ver em direto, mas não deu, mas eu sabia que podia comentar isto aqui hoje para o Observador e tive o cuidado de ver o jogo na sua totalidade. Eu diria que foi um bom jogo de futebol. Foi um bom jogo, o Famalicão também tentou discutir o resultado. O Porto sempre agressivo, sempre naquela combatividade, com jogadas de envolvência diferentes e melhores. Um escorregão de um atleta do Famalicão deu o primeiro gol ao Willyan Gomes. O Famalicão respondeu através de um pontapé de canto, 1x1. Teve um jogo, como dizia o meu Miquinho, um jogo entretido. E o Porto, depois, ainda antes do intervalo, faz o 2x1 e claramente que depois o Famalicão teve que adiantar as suas linhas e ir à procura do empate. O Porto faz o 3x1 e depois acabou por fazer o 4x1. Bom jogo de futebol, boa vitória do Futebol Clube do Porto, com um homem que vai ser a minha nota de campeão. Digo já, vou dar nota 18, se não te importas, digo já essa nota, para o Evanilson que realmente é um jogador que enche o campo todo. Ver aquele rapaz jogar, já tinha demonstrado isso nos primeiros jogos da época. Depois teve ali um abaixamento físico também, que acontece aos melhores. Eu diria que está a voltar outra vez o Evanilson e o Evanilson quando está em grande, acho que arrasta todos os seus colegas também para ficarem ainda melhores. Por isso, boa vitória do Porto, grande jogo do Evanilson e dou já a nota 18 para ele.

Gabriel Alves, dois minutinhos, não temos muito mais tempo para depois também ficarmos a conhecer as notas e os campeões de todo o painel. São traços de futebol champagne neste bloco do Porto ou fato de macaco total?

Acho que junta as duas coisas e quero dizer que também gosto de ver as equipas mais pequenas, as ditas mais pequenas, serem equipas de competitividade, de equipas de agressividade competitiva, de intensidade e que naturalmente ponham em sentido os grandes clubes, cá ou lá fora, onde quer que seja, porque isto é que é de fato competição, não é porque tens o emblema Y ou Z ou T, opa, e depois é um cargo e trindade, opa, não conseguiu ganhar. Não, quem ganhou merece mérito, merece palmas, merece tudo, desde que seja pequenino. E, portanto, para a minha parte, um bom jogo. Olha, como disse o Inácio, evocando o Guinote, entretido.

Pedro Henriques, quero também escutar-te sobre este tema.

Em relação ao Futebol Clube do Porto é muito simples. Mais do mesmo, Frán Walker. O homem está em todo lado, já lhe chamei o povo, que realmente o rapaz é injogável. Mas o Samu também está com uma veia goleadora. E depois o Pepe, como diz o meu amigo Costa, está mesmo soltinho. E o Mora é o verdadeiro espalha-brasas. Ou seja, é um Futebol Clube do Porto mais, mas também realço o Famalicão para algumas figuras que podemos destacar, o Dahas, que é grande defesa central, o homem também no jogo aéreo é um espetáculo. E portanto, foi uma vitória justíssima do Futebol Clube do Porto que, como costumo dizer, está ligado à corrente e a 15 ou 16 de janeiro vamos ter um Porto-Benfica para a Taça de Portugal.

É verdade, Pedro. Exatamente, são as contas bem feitas da tua parte. Meus caros, estamos a chegar ao final do programa. Tenho ainda um minuto para cada um de vós para irmos às notas de campeão, ou melhor, às notas do dia e aos campeões. Vou começar por ti, Gabriel Alves. Há pouco já deste uma nota zero, há alguma que queiras acrescentar?

Sim, vou acrescentar duas. Para o Frán Walker e para o Samu. Samu porque eu acompanho esse menino desde há três, quatro anos e gosto de o ver crescer e gosto de o ver matador, mordedor. Eu gosto de ver futebol. Ainda ontem vi um grande ponta de lança do Nápoles, um dinamarquês também fantástico. Eu gosto de ver é futebol. Portanto, 18 para ele, para o Frán Walker, que de facto são jogadores, e para o Mora. Ainda há dias disse que era "show Mora". Mas eu quero dar aqui uma nota, até porque vai começar no próximo domingo, 135 futebolistas das principais super-europeias equipas estarão na prova 25-26 do CAN, o Campeonato de África. 15 de dezembro foi a data definitiva para a entrega dos jogadores, para a libertação dos jogadores pelos clubes europeus. Olha, vai tudo começar em Marrocos no próximo domingo. Eu espero que seja um grande campeonato, acima de tudo, com aquele perfume de África, aquele futebol com perfume de África, um campeonato de talentos.

Augusto Inácio, também já deixaste uma nota neste campeão. Há alguma que queiras acrescentar?

Queria dar nota zero, embora seja um tema para o Pedro Henriques, mas queria dar nota zero para aquilo que assistimos ontem, tanto da parte do VAR como da parte do árbitro. Foi realmente muito mau para aquilo que se esperava de um árbitro tão credenciado como é o João Pinheiro. E realmente isto foi uma coisa inacreditável. Mas também ao mesmo tempo, hoje fala-se de tudo isto, mas há uma equipa que está triste e que ficou fora, e não tem culpa disto, que é o Santa Clara. Eu queria dar nota 20 ao Santa Clara para ter força, porque ninguém merece sair da taça da forma como o Santa Clara saiu.

Pedro Henriques, vamos já com as tuas notas e os teus campeões. Temos 40 segundos.

Não, é rápido. A minha nota vai exatamente para toda a situação. Não é se a decisão do pênalti, para mim, foi mal assinalado, mas não é a decisão de ser ou não ser pênalti, é tudo envolvente. Como se chegou ali, o processo não pode acontecer e ao nível do futebol profissional, isto não pode acontecer. E portanto, estou triste pelos árbitros, pela arbitragem. Estou solidário, naturalmente, com quem esteve lá no terreno a tentar decidir bem, o João Pinheiro, o VAR, etc. Também já passei por lá, mas de qualquer maneira, também aqui um ato da minha parte de solidariedade, mas não há que esconder. Foi um momento mau da arbitragem. Esperemos que pelo menos isso sirva de aprendizagem. Portanto, vou dar uma nota zero porque não gostei do processo, acima de tudo.

Ora bem, ficam aqui as notas e os campeões. Muito obrigado aos três. Fica por aqui a edição de hoje de "E o Campeão É". Está de regresso amanhã à antena da Rádio Observador.