Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
"E o Resto é História" tem o apoio de Caixa Geral de Depósitos. No mesmo dia, na Caixa, ouvimos:
Gostaria de fazer uma poupança e...
Comprar uma casa.
Porque vou expandir a minha empresa.
E levantar a pensão.
Para abrir uma conta, por isso... Quero fechar um negócio. E pedir um cartão. E às vezes não é no mesmo dia, é na mesma hora. Porque pessoas diferentes precisam de respostas diferentes. A Caixa está a mudar. No atendimento, nas soluções digitais, no apoio às famílias, às empresas e aos negócios. Caixa, para todos e para cada um. E o resto é história.
É a terra fumar! Do encento e palavra, ainda na zona do Chiado. Aqui, ponto de encontro do movimento das forças democráticas. Quer transformar este país numa ditadura. Não, atenção.
Com João Miguel Tavares e Rui Ramos.
Olá, sejam bem-vindos ao episódio número 72 de "E o Resto é História", com a dupla do costume, Rui Ramos, João Miguel Tavares. E neste dia, na primeira vez que este programa está a ser transmitido, celebram-se os 45 anos do 25 de novembro. E tanto pela importância da data para a história da nossa democracia, como pelo fato de certos acontecimentos ocorridos a 25 de novembro de 1975 ainda estarem hoje envolvidos em mistério, nós decidimos dedicar todo o programa de hoje. Portanto, no futuro, se quiser saber tudo o que precisa sobre o 25 de novembro, vem aqui, vai ao podcast e está lá tudo explicadinho. Mas Rui, eu proponho que dividimos o programa da seguinte forma, em três partes. Primeiro, qual era o clima político em Portugal no dia 24 de novembro de 1975. Em segundo, o que é que se passou exatamente no dia 25. E em terceiro, como é que ficou Portugal a partir do dia 26. Portanto, 24, 25 e 26, três dias fundamentais para compreender a nossa história recente. Proponho então que comecemos pelo dia 24 de novembro de 1975, com Portugal acabado de sair daquilo que ficou para sempre conhecido como o Verão Quente. Rui, qual era a temperatura em Portugal no outono de 1975?
Eu acho que podíamos dizer que era alta e não era preciso as alterações climáticas para aquecer. Aliás, o verão tinha sido mesmo quente. Passei esse verão na praia, um verão fantástico. As aulas começaram muito tarde, portanto eu acho que fomos à praia até outubro.
Na praia, Rui? Devias estar na rua a combater pela democracia.
Aos 11 anos, dá mais jeito estar na praia.
A ver as miúdas passar.
As miúdas, mas também a ler jornais. Li muitos jornais na praia nesse verão de 1975.
E o que aprendeste, Rui?
Aprendi a gostar de jornais, aprendi a gostar da imprensa.
Não, eu dizia sobre o 25 de novembro de 1975.
Ia nos preparando para o que estava a acontecer e basicamente é isso que eu gostava de referir aqui. O 25 de novembro foi algo que havia meses que toda a gente estava à espera de um momento de choque em que ficassem esclarecidas quais eram as relações de poder em Portugal, quem é que mandava, basicamente. Era isso que não se percebia bem. Mas perguntavas como é que estava o país. Vamos lembrar, tinha passado ano e meio desde a Revolução de 25 de abril de 1974. Ano e meio, mas parecia que tinha passado dezenas de anos. Muita coisa tinha acontecido. E tinham passado cerca de dois anos desde a grande crise do petróleo de 1973, que é uma coisa que às vezes não se fala quando se fala do 25 de abril, mas que é fundamental, porque a crise do petróleo de 1973 marcou uma viragem histórica no pós-guerra. Isto é, desde o pós-guerra, este é o momento de grande viragem das economias e das sociedades ocidentais. E o 25 de abril aconteceu ao mesmo tempo. E uma parte daquilo que eu vou dizer em relação a Portugal em 1975 tem a ver com a revolução de 25 de abril de 1975, mas tem a ver também com esta crise do petróleo de 1973, sem a qual, aliás, não se percebe bem o que é que se estava a passar em Portugal. Então como é que estava o país? Bem, em primeiro lugar, era um país a passar pela maior crise econômica desde a Segunda Guerra Mundial. Calculou-se depois que a quebra do PIB, do Produto Interno Bruto, em Portugal em 1975 teria sido de cerca de 5,10%. Isto é, se nós pensarmos que antes do ano em que estamos, 2020, antes deste ano, a maior crise que tínhamos tido, a de 2012, aquela crise do euro, com a intervenção da Troika, etc. Tinha levado a uma quebra do PIB de 4,6%. E nós lembramo-nos bem do fim, das dificuldades por que passámos. Então, temos uma ideia do que é que foi esta crise econômica de 1975. O desemprego aumentou. Se eu dissesse os números do desemprego, as pessoas podem ficar um bocado espantadas, aumentou para 5%, alguém diz: "Ah, mas que coisa." Bem, mas aumentou de quase zero para 5%.
E sem os apoios sociais também que existem hoje.
E sem os apoios sociais que existem hoje, e sobretudo uma sociedade que não estava habituada ao desemprego há muito tempo. Nos anos 60 e princípios da década de 70, muita gente tinha emigrado e muita gente, sobretudo homens jovens, estavam a cumprir serviço militar. Portanto, havia falta de mão de obra em Portugal Geralmente havia mais empregos do que pessoas, até mesmo na função pública. O Estado queixava-se de não conseguir arranjar pessoas, sobretudo qualificadas. Portanto, de repente, passar de uma situação em que a mão de obra era rara para uma situação em que há desemprego, é uma novidade e é um choque. Os 320 mil desempregados de 1975 pareceram uma calamidade. Isto tinha, obviamente, uma dimensão internacional.
Com a história da crise do petróleo.
A crise do petróleo, o fim da energia barata, basicamente, o começo de uma grande época de inflação no Ocidente. Isso tinha afetado as exportações. Essa crise tinha sido uma crise dos nossos parceiros comerciais, sobretudo na Europa. As nossas exportações tinham caído 10% em 1974, 15% em 1975. Havia essa causa externa, mas havia depois também uma causa interna, uma dimensão nacional que tinha a ver com a revolução. E a revolução na medida em que tinha tirado garantias, quer à propriedade, quer aos investimentos, sobretudo desde março de 1975, quando 244 empresas, incluindo todos os bancos, seguradoras, empresas de transporte, de energia, cimentos, celulose, tabacos, siderurgia, tudo tinha sido expropriado. Tinha sido nacionalizado, tinha sido apropriado pelo Estado, mas além dessas empresas que eram privadas e que o Estado tinha expropriado, isto é, tinha tirado os donos e tinha ficado com elas, havia ainda um caso de muitas outras empresas, cerca de 261, em que a propriedade continuava a ser privada, mas as direções das empresas tinham sido nomeadas pelo Estado. Portanto, estavam sob uma espécie de gestão pública. Uma parte importante da economia portuguesa neste momento está sob o controle do Estado e está debaixo de uma grande incerteza sobre o que vai acontecer. O que estava, por exemplo, a acontecer no Sul, no Alentejo, que é a ocupação de herdades, mais de 3 mil herdades são ocupadas. 3311 herdades, o equivalente a 19% da superfície cultivada nacional é ocupada por sindicatos do Partido Comunista com o apoio das Forças Armadas. Isso dava a todos aqueles que eram proprietários, a todos aqueles que tinham investimentos, a todos aqueles que tinham poupanças em Portugal, uma grande sensação de insegurança sobre o que iam ser expropriados, iam ficar com as coisas.
Para que depois construem as cooperativas.
Ora bem. E depois tinha havido toda uma série de outras medidas que também tinham afetado bastante a economia, por exemplo, aumentos de salários decretados administrativamente, sem qualquer relação com a produtividade, e acompanhados da fixação dos preços, isto é, de repente, as empresas ficaram a saber que tinham que continuar a vender os produtos e os serviços que produziam ao mesmo preço, e aumentar os salários dos trabalhadores. Portanto, isto para uma grande parte das empresas foi a falência.
Aliás, eu falava nos jornais. Jornais e revistas nessa altura faliram em grande escala.
Faliram em grande escala, editoras.
Muitos deles de esquerda.
De esquerda e de direita, foi à falência. E depois, além disso, para completar este ambiente de grande insegurança em Portugal, o que fez também? Fez com que os imigrantes, que eram uma das grandes fontes de divisas da economia portuguesa, efetuassem muito menos remessas para Portugal, isto é, sobretudo os imigrantes na Europa, em França e na Alemanha, efetuassem muito menos remessas para Portugal neste ano. O turismo já era muito importante para a economia portuguesa. Os turistas não vieram, cerca de metade do fluxo normal de turistas não apareceu, com medo de virem passar férias para um país que de repente estava numa guerra civil ou no meio de um golpe de Estado. Portanto, este ano de 1975 representa, na história econômica portuguesa, uma espécie de inversão de quase 20 anos de crescimento econômico, que tinham sido dos anos 50 até aos anos 60, onde Portugal tinha tido taxas de crescimento fantásticas e de repente cai nesta recessão de 1975, com aquelas dificuldades habituais, com crise da balança de transações correntes, os déficits a aumentar, foram basicamente esgotadas as divisas que tinham sido acumuladas durante o Estado Novo e começou a sair ao ouro mesmo, que estava no Banco de Portugal a vender ouro. E por isso é que, por exemplo, em Espanha, o general Franco, o ditador, nunca esteve preocupado com a revolução portuguesa. Ele achou sempre que isto iria acabar quando as lojas ficassem vazias, como ele explicou a um enviado norte-americano, que lhe disse: "Se calhar temos de fazer uma intervenção." Ele disse: "Não, não vale a pena intervir nada. Um dia destes eles vão às lojas, está tudo vazio e a revolução acaba."
Este é o panorama e em cima disto, tiveste a descolonização e toda a questão.
E em cima disto, de um país que estava a atravessar pelo seu mais grave momento de crise econômica desde a Segunda Guerra Mundial, tiveste um aumento dramático da população com a chegada dos retornados. A população portuguesa tinha diminuído nos anos 60, em cerca de 1 milhão de pessoas que tinham saído para a imigração.
É um número impressionante.
E o que acontece no verão de 1975 é que no espaço de poucos meses, mais de meio milhão de pessoas entram em Portugal. Entram em Portugal, aliás, por exemplo, quem vem de Angola, através de uma ponte aérea, uma das maiores pontes aéreas feitas até então No fim do verão de 1975, quase todas as antigas chamadas províncias ultramarinas já estavam independentes, menos duas: Angola e Timor, onde havia guerras civis. As outras, claro, já eram ditaduras de partidos únicos, com milhares de presos políticos, fuzilamentos em massa, etc., o que provocou a fuga de todos aqueles que eram portugueses ou tinham direito à nacionalidade portuguesa, que tinha, aliás, sido restringida em 1975. Este direito à nacionalidade portuguesa, a retirada da nacionalidade portuguesa, aliás, de uma maneira arbitrária aos cidadãos portugueses das antigas províncias ultramarinas. Portanto, só eram portugueses aqueles que podiam provar que descendiam de pessoas vindas da Europa, vindas do Portugal europeu. E essas pessoas que podiam provar isso, aproveitaram para usar esses direitos para regressar a casa. E regressaram e acabaram por ocupar, muitos deles já não tinham casa em Portugal, eram pessoas que tinham ido para lá há mais tempo. Aquilo que fizeram foi ocupar os hotéis, as pensões que estavam vazios por causa de não haver turistas e de repente são ocupados por esta população dos chamados retornados.
Estavam sentados em cima de um barril de pólvora, basicamente.
Era. Esta era uma terceira dimensão. Tínhamos um país dividido ao meio, literalmente, entre o norte e o sul. As eleições pra Assembleia Constituinte em 25 de abril de 1975 já tinham mostrado que havia uma fronteira no país, que passava mais ou menos pelo Tejo ou pelo sistema montanhoso central, entre um norte que votava em partidos de direita como o PSD e o CDS, e um sul que votava mais à esquerda, sobretudo no Alentejo, o Partido Comunista. O único partido basicamente nacional era o Partido Socialista, os outros eram partidos regionais. Portanto, tínhamos um país da direita a norte, um país da esquerda a sul. E no verão de 1975, com o levantamento anticomunista a norte, isto é, muita população que se revoltou contra a hegemonia do Partido Comunista, com o apoio, aliás, da Igreja Católica, e atacaram sedes do Partido Comunista, destruíram sedes do PCP, do MDP-CDE, que era um partido ligado ao Partido Comunista. Portanto, com esse levantamento anticomunista ao norte, e depois com o movimento de expropriações de herdades no Alentejo, ficamos com dois países. O país do norte, onde as populações estavam a defender as suas propriedades e as suas tradições, e onde o PCP não tinha já sedes e não conseguia fazer qualquer atividade, e um país do sul onde a população organizada e dirigida pelo Partido Comunista estava a ocupar as propriedades e onde os partidos de direita também não tinham sedes e também não tinham propriedades.
Ou seja, temia-se uma guerra civil, não é?
Temia-se uma guerra civil. Havia mesmo quase já uma fronteira entre os dois países, era Rio Maior, que é uma povoação a norte de Lisboa, e onde se fazia quase uma espécie de posto fronteiriço, para passar para cima e para baixo, já havia uma fronteira. Bem, num país destes, a liberdade não podia estar em grande forma. Este era um país onde as estruturas repressivas do Estado Novo tinham sido desmanteladas, mas a liberdade política estava muito limitada. Havia mais de um milhar de presos políticos às ordens das autoridades militares, em Caxias e em outras prisões. Eram quase todos presos pelo COPCON, segundo informações dos partidos de esquerda, do PCP e do MDP-CDE, a dizer: "Aquilo é fascista, aquilo é da direita", etc. E as pessoas iam sendo presas, a maior parte sem culpa formada.
Numa frase, explica só o que é o COPCON. Muita gente lá em casa se calhar não sabe.
O COPCON, eu já vou falar do COPCON muito mais à frente. O COPCON é o Comando Operacional do Continente, e era a principal estrutura militar que existia em Portugal em 1975.
E que se calhar vai ter um papel fundamental no 25 de novembro.
Eu vou voltar a falar do COPCON. Portanto, estava muita gente presa há mais de um ano, sem culpa formada, sem direito à defesa jurídica, isto é, não se tinham encontrado com advogados. Digamos que esta era a situação num país onde, por exemplo, Freitas do Amaral, o líder do CDS, nas suas memórias, diz que nesta altura, o CDS, que era o quarto maior partido da Assembleia Constituinte, Freitas do Amaral, nesta época, diz ele, dormia sempre em casas diferentes, com medo de ser preso. Aliás, um dirigente do CDS, o Rui Pena, tinha sido preso pelo COPCON e tinha estado um mês preso. E depois havia também um grande problema com a informação. Outra falta de liberdade, isto é, a comunicação social estava quase toda nacionalizada, quase todos os diários de Lisboa e do Porto, as rádios, a RTP, tinham se tornado propriedade do Estado e mais propriamente propriedade do Partido Comunista. Eram órgãos de um partido, e o restante comunicação social estava sujeito às multas da Comissão ad hoc para a imprensa, cujo objetivo em 1975 foi nitidamente tentar, através de multas, acabar com a comunicação social independente, inicialmente a imprensa regional. Foram sujeitos a multas cada vez mais pesadas. Portanto, não havia propriamente um Estado de direito e a liberdade não estava garantida em Portugal. E também não se sabia outra coisa. Como eu disse, não se sabia quem é que mandava. Havia muitos centros de poder, isto é, quando olhamos para Portugal, havia um presidente da República, havia um governo, havia uma assembleia, naquela altura uma assembleia constituinte, como temos hoje, mas nada disso correspondia a um Estado como aquilo que nós temos hoje. Havia muitas outras estruturas paralelas, como aquelas que emanavam do movimento das Forças Armadas, portanto, estruturas militares com poderes políticos, o Conselho da Revolução, as assembleias do MFA, as assembleias das várias armas das Forças Armadas, as assembleias dos quartéis, as comissões disto e daquilo, e depois os próprios comandos militares, como o COPCON O COPCON tinha o comando de todas as tropas operacionais no continente e funcionava, na prática, em 1975, quer como uma espécie de poder político, quer como uma polícia. Chamava-se o COPCON, quando havia um grande problema, a polícia não aparecia, chamava-se o COPCON, quer, às vezes, como um tribunal de primeira instância. Isto é, divórcios, conflitos entre senhorios e inquilinos eram resolvidos pelas tropas do COPCON, e chamava-se o COPCON, era a autoridade militar que aparentemente resolvia. Portanto, as Forças Armadas estavam misturadas na política e até na vida quotidiana. Havia esta coisa engraçada, que era quando se queria dar conta do que estava a passar em Portugal, ouviam-se na rádio e na televisão os comunicados oficiais sobre a situação político-militar. Não era a situação política, era a situação político-militar. Portanto, não se sabia quem mandava. E quem mandava, às vezes mandava de modos muito ínvios. Vou dar um exemplo: a Rádio Renascença. A Rádio Renascença, que era a emissora católica da igreja, tinha sido ocupada em maio pelos esquerdistas.
Certo.
Um grupo de esquerdistas. Poucos meses depois, o governo tinha decidido devolver a Rádio Renascença à igreja. Não foi capaz de o fazer, isto é, os esquerdistas continuaram a mandar na Rádio Renascença.
Isso dá uma noção do poder central.
Uma rádio extremamente violenta, radical, a apelar à luta armada e essas coisas todas. Bem, o Conselho da Revolução ordenou a desocupação, não funcionou. Isso levou a que a 7 de novembro de 1975, portanto uns meses antes, aparentemente o Conselho da Revolução, porque essas coisas também não se sabem bem, resolveu então solucionar o problema da Rádio Renascença. E como? Mandou uma série de tropas pôr duas bombas no emissor da Rádio Renascença, na Buraca. E assim se calou a Rádio Renascença.
Portanto, quem mandava, mandava pôr bombas.
Mandava a bomba. Portanto, temos um poder bombista em Portugal em 1975, que não tinha forças para pura e simplesmente devolver a Rádio Renascença aos seus proprietários, então mandou pôr bombas na emissora. Portanto, isto dá uma ideia do que era o país na véspera do 25 de novembro de 1975.
Muito bem. Bom, a nossa primeira parte foi-se assim embora, com todo este enquadramento. Nós voltamos já a seguir para a segunda parte. Estivemos agora dedicados ao dia 24 de novembro de 1975. A seguir, vamos dedicar-nos ao 25 de novembro de 1975 e pelo andar da carruagem, não sei bem se chegaremos ao dia 26, mas logo se vê. Até já. Espera aí que nós regressamos já a seguir a um pequeno intervalo para a segunda parte de "E o Resto é História". Até já.
No mesmo dia, na Caixa, ouvimos:
Gostaria de fazer uma poupança e
comprar uma casa porque vou expandir a minha empresa
e levantar a pensão
para abrir uma conta, por isso
quero fechar um negócio
e pedir um cartão. E às vezes não é no mesmo dia, é na mesma hora. Porque pessoas diferentes precisam de respostas diferentes. A Caixa está a mudar no atendimento, nas soluções digitais, no apoio às famílias, às empresas e aos negócios. Caixa, para todos e para cada um.
Olá, sejam bem-vindos a esta segunda parte de "E o Resto é História". Estamos dedicados ao 25 de novembro, mas estivemos no dia 24 na primeira parte. Esta segunda parte é sobretudo dedicada ao dia 25 de novembro. Chegamos então ao dia dos golpes e dos contragolpes. Temos tido algumas perguntas sobre o 25 de novembro. O ouvinte Gonçalo Botas enviou uma pergunta e o ouvinte Filipe Santiago também enviou há algum tempo a seguinte pergunta: "Nunca consegui perceber como é que se faz um golpe e um contragolpe. Ouve-se falar do controle da base do Raliz, de paraquedistas e outras coisas do gênero, mas nunca percebi como é que efetivamente um evento destes decorre e o que é determinante para ser bem-sucedido." Então consegue explicar-nos exatamente o que aconteceu no dia 25 de novembro de 1975? E para felicidade do Filipe, do Gonçalo e de todos os nossos ouvintes e desconfio de boa parte dos historiadores portugueses que também ainda não sabem exatamente o que aconteceu no dia 25.
Não vai ser fácil. Não é fácil, mas vamos tentar.
Não queres perguntar mais o que consegue observar?
Vou tentar com que as pessoas percebam o quão confuso isto é. Mas perceber já a confusão e não ficarem apenas confundidas, são duas coisas um bocadinho diferentes. Vamos então começar por aquilo que aconteceu. Vou tentar ser factológico, quer dizer, os factos. Os factos é que no dia 25 de novembro, a partir da Base Escola de Tancos, forças de paraquedistas que estavam em Tancos, ocupam as bases aéreas à volta de Lisboa. Monte Real, Montijo, Ota. Quem é que deu a ordem? Não sabemos, não se sabe. Não se sabe na altura e hoje é muito discutido sobre quem é que deu a ordem.
Ou seja, quem disse: "Vamos lá, vamos sair daqui."
Estes paraquedistas, que é um corpo de paraquedistas, não têm oficiais.
Não cantou.
Exato, não têm oficiais e não apareceu ninguém a reivindicar esta ordem.
Quando dizes não têm oficiais, estás a dizer que-
Os oficiais tinham abandonado este corpo de paraquedistas, tinham saído todos. E portanto, havia estas centenas de homens treinados, isto é uma tropa de elite que estava na Base Escola de Tancos e que toma estas iniciativas de ocupar as bases aéreas e ocupar ainda o Estado-Maior da Força Aérea. Ao mesmo tempo, e ao longo dessa tarde Tropas do COPCON.
Tu dizes uma tarde porque começou que horas? O 25 de novembro.
Isto começou de manhã.
Logo de manhã, certo. Depois ao longo do dia, não é?
Ao longo do dia, tropas do COPCON, isto é, do Comando Operacional do Continente, já falamos da principal estrutura militar em Portugal, sob o comando então general graduado Otelo Saraiva de Carvalho. Tropas do COPCON ocupam outros objetivos em Lisboa, nomeadamente o Depósito de Material de Guerra de Oeiras, o acesso à Autoestrada do Norte, o aeroporto, a Emissora Nacional e a RTP. A RTP esteve nas mãos de tropas do COPCON até meio da noite. Portanto, esta é a situação ao fim da tarde do dia 25.
Até que a emissão da RTP nessa altura foi cortada.
Às 21:00. Mas ao fim da tarde do dia 25, o que se passa em Lisboa e na região de Lisboa é que as bases aéreas à volta de Lisboa estão ocupadas por tropas paraquedistas vindas da Base Escola de Tancos e que a RTP, a Emissora Nacional, o Depósito de Material de Guerra, etc., estão ocupados por tropas do COPCON. Agora, quem é que deu ordens aos paraquedistas de Tancos? O que significou o movimento das tropas do COPCON? Quem é que estava por trás disto? Era um golpe de Estado?
Não, e quem é que mandava naquelas pessoas? Quem é que deu a cara por aquilo?
Quem é que deu a cara por aquilo? Não se sabia. Se era um golpe de Estado, repare, era um golpe de Estado que não tinha atingido nenhum objetivo político, nem a Presidência da República, nem o governo, nem a Assembleia Constituinte, nem sedes de partidos, nada disso tinha sido tocado. Agora, esta situação era assim ao fim da tarde e depois aquilo que acontece é que muda muito rapidamente ao longo da noite de 25 para 26 de novembro. Às 21:00, de repente, as emissões da RTP e da Emissora Nacional passam para o Porto, o Rádio Clube Português cala-se, suspende a emissão, e são emitidos comunicados do Presidente da República a anunciar o estado de sítio e o recolher obrigatório na região militar de Lisboa. E mais, outra coisa, a suspensão da publicação de jornais. Todos os jornais são suspensos. Portanto, digamos, Lisboa fica literalmente às escuras em termos noticiosos. Quer dizer, não há televisão a cobrir nada, não há rádios a cobrir nada, não há jornais, nada. É importante perceber que o 25 de novembro não acontece como teria acontecido hoje. Quer dizer, nós vermos coisas por Facebook, ver gente na internet a contar histórias, a pôr filmes, YouTube, as televisões a cobrir, não há nada, há um blackout total. Não sabemos o que está a passar, literalmente. Quem estava a viver em Lisboa nesses dias de estado de sítio e recolher obrigatório, não sabe. Aquilo que depois vamos sabendo é com comunicados oficiais sobre a tal situação político-militar. E esses comunicados, o que nos dizem é, depois, sobretudo no dia 26, a rendição das forças do COPCON, que tinham tomado aquela iniciativa no dia 25, das tropas do COPCON, a rendição um bocado paradoxal a pequenos corpos de tropas, como por exemplo é o caso do Regimento de Polícia Militar, na Ajuda, que é uma força muito grande do COPCON, com cerca de 2000 homens, e que depois de alguns disparos, que fazem uns mortos.
Morrem três pessoas. Isso já no dia 26.
É, no dia 26, mas a verdade é que esses 2000 homens rendem-se a cerca de 300 comandos do Regimento de Comandos da Amadora. Aliás, o Regimento de Comandos da Amadora também eram tropas do COPCON, mas estavam a outro comando. No dia seguinte, a relação de forças muda com uma grande rapidez. Isto é, terá havido uma demonstração de força no dia 25 da parte do COPCON. No dia 26, esse COPCON rende-se e aquilo que depois vemos é, no dia 27 de novembro, o comandante do COPCON é demitido, o Otelo Saraiva de Carvalho, e o COPCON é dissolvido. Isto é, dá-se a dissolução do COPCON. O COPCON deixa de existir, o Comando Operacional do Continente deixa de existir. E depois temos, nas semanas seguintes, 10 de dezembro, o novo chefe do Estado-Maior do Exército, o general Yaños, suspende todas as assembleias e órgãos do Movimento das Forças Armadas, portanto, o MFA desaparece, deixa também de existir, e a 20 de dezembro dá-se a desmobilização de todos os soldados das antigas unidades militares do COPCON. Isto é, toda a gente, todos os soldados que participaram em unidades do COPCON são mandados pra casa. O que acontece em Portugal no fim de dezembro de 1975 é que Portugal passa a ter um exército novo. Isto é, o exército que tinha feito a revolução é mandado pra casa, é desmobilizado e mandado pra casa. Os oficiais que se tinham destacado, digamos, sobretudo no COPCON, na chamada esquerda militar, muitos deles estão presos ou fugidos. Cerca de 100 estão presos, incluindo-se Otelo Saraiva de Carvalho. Portanto, deu-se uma reviravolta enorme, tirando aquele confronto em frente à Polícia Militar na Ajuda. Não há outros confrontos, quer dizer, não se combate. E, portanto, aquilo que nós temos em Portugal é o grande poder militar que existia em Portugal em 1975 e que estava por trás da revolução, que é o COPCON, a chamada esquerda militar, desaparece. Isto é, faz uma demonstração de força num dia e desaparece no dia seguinte. Isto é o mistério do 25 de novembro, digamos assim. E trata-se de perceber isto. Compreender o 25 de novembro é perceber o que se passou.
E a história do PCP, qual foi o partido político por trás do 25 de novembro? Ainda hoje isso também é mais um dos mistérios. Conseguem resolver esse mistério?
Esse é o outro mistério. Ou antes, é outra pergunta que se fazia na altura. Muita gente vem acusar o PCP de estar por detrás do golpe do 25 de novembro, mas a verdade é que o PCP, no dia 26 de novembro, tem a garantia dada por um dos vencedores do 25 de novembro, o major Melo Antunes, de que vai continuar no governo. Portanto, o PCP, que estava no governo antes Do 25 de Novembro, continua no governo depois.
Mas também no dia 25, o PCP nunca chegou à frente a defender o dia 25 de Novembro.
Não, pelo contrário, diz que aquilo foi uma aventura da esquerda militar e que tentou conter. Agora, como é que nós podemos perceber isto? Isto é verdadeiramente complicado, quer dizer, confuso, mas é possível tentar compreender. Aquilo que nós temos aqui, de facto, é um jogo entre fações ou grupos militares. Vamos chamar de grupos militares ou polos político-militares nas Forças Armadas. E é desse jogo de alianças e desalianças entre esses grupos militares que resulta o 25 de Novembro. Nós podemos identificar quatro grupos importantes nas Forças Armadas, isto é, grupos com dimensão política. Um é o que dominou o governo até agosto de 1975, que é representado pelo General Vasco Gonçalves. O General Vasco Gonçalves é o primeiro-ministro do segundo, terceiro, quarto e quinto governos provisórios, desde julho de 1974 até agosto de 1975. E este grupo, que é o chamado gonçalvistas, é talvez aquilo que se aproxima mais de uma fação. De uma fação no sentido em que é dirigido, teleguiado pelo Partido Comunista, embora depois tenha atritos com o Partido Comunista, mas de facto seguem muito uma grande sintonia com o PCP. E são eles a base da força que o PCP tem em 1974, 75, um partido que tem, nas eleições de 25 de abril de 1975, cerca de 12% dos votos e que domina o Estado, a RTP, os jornais. Não é pelos votos, não é pela votação, não é pelo apoio popular, é pelo apoio que lhe dá esta fação das Forças Armadas, esta fação dos chamados gonçalvistas, que estão no governo, que estão nos serviços de informações do Conselho da Revolução, no Estado Maior das Forças Armadas, etc. Isto é, tem um peso grande. Portanto, esse é um polo. Agora, eles não são o único. Há um outro polo político-militar que tem como referência Otelo Saraiva de Carvalho e que domina o COPCON, o Comando Operacional do Continente. No COPCON, que é também o governo militar de Lisboa, aliás, acumula com o governo militar de Lisboa, os principais interlocutores são os partidos da extrema-esquerda, o DP, PRP, etc. Este polo militar é muito incerto e muito errático.
Tal como a personalidade de Otelo.
É muito mais radical do que o PCP, mas está em oposição ao PCP. Portanto, isto quer dizer que o PCP tem muita força através dos gonçalvistas, mas depois tem este bloqueio pelo facto da principal estrutura militar no país não estar sob o controle do PCP, mas desta extrema-esquerda, através do COPCON.
Extrema-esquerda errática e pouco disciplinada.
Muito pouco disciplinada, que são uma quantidade enorme de partidos, toda a gente diz o quê, são muito autônomos e têm uma grande prurídios de autonomia em relação ao PCP, em relação até mesmo aos outros partidos. É o coração do caos está aqui no COPCON.
Já tivemos gonçalvistas.
Gonçalvistas, COPCON e agora um terceiro polo político-militar, que é o do grupo dos nove. São os nove conselheiros da Revolução, o órgão máximo da Revolução, que é o Conselho da Revolução, que em agosto de 1975 se tinham oposto ao governo de Vasco Gonçalves e ficaram conhecidos como os nove, porque depois fazem um comunicado assinado pelos nove, entre eles está Melo Antunes, Vasco Lourenço, Vítor Alves e outros.
Aí estás a caminhar a caminho da moderação daquilo que poderia quase ser. No centro do grama, não sei se pode aplicar a expressão.
Este grupo dos nove é um grupo de esquerda, mas que por um lado não concorda absolutamente nada nem com o PCP, quer o pluralismo, não quer um regime dominado por um partido, e também não tem muito ponto de acordo com o COPCON. Mas, e esse é que é o ponto, para combater o PCP, tenta aliar-se ao COPCON. E o COPCON, às vezes, para resistir à influência do PCP, portanto, a extrema-esquerda, também se alia aos moderados. De repente, temos no verão de 1975, estas estranhas alianças que é o grupo dos nove, que está mais ou menos em sintonia com o Partido Socialista e através do Partido Socialista com o PSD e o CDS, portanto, quer uma democracia pluralista em Portugal, etc., embora também queira o socialismo, mas às vezes está alinhado com a extrema-esquerda contra o Partido Comunista. E outras vezes, a extrema-esquerda está ao lado do Partido Comunista contra o grupo dos nove. Há ali um baile constante de alianças e desalianças. E depois ainda há um quarto polo militar, que é muito importante, aliás, no 25 de Novembro, que é o dos militares spinolistas, daqueles que tinham estado com o general Spinola, que tinha sido o primeiro presidente da Junta de Salvação Nacional e o primeiro presidente da República depois de 1974. Ele tinha saído da presidência da República em setembro de 1974 e tinha, depois de uma tentativa de golpe em março de 1975, ido pro exílio e até formado o movimento clandestino pelo lutar pela democracia em Portugal, que é o MDLP, o Movimento Democrático para a Libertação de Portugal, que aliás tem algum papel nas revoltas anticomunistas do Norte. Estes militares spinolistas que ainda estão nas Forças Armadas, tendem, a partir do verão de 75, a entrar em contato com o grupo dos nove, a estarem com o grupo dos nove. E aliás, são eles que formam o grupo militar que começa a preparar uma provável reação a um hipotético golpe Dos militares alinhados com o Partido Comunista. Começam a preparar-se para um golpe desses militares.
Tu aqui já definiste quatro grupos, mas falta-te um presidente da República que não está aqui definido.
Essa é a figura misteriosa, que é o presidente da República, o general Costa Gomes, que tinha substituído Spinola em setembro de 74, e que ninguém sabe com quem ele está, porque ele já tinha estado com toda a gente. Aliás, repare, isto pode parecer tudo incoerência, não é? Estes grupos militares também já tinham estado, um, todos juntos, spinolistas, gonçalvistas, COPCON, Grupo dos Nove, para fazer o 25 de Abril, tinham sido eles que tinham feito o 25 de Abril, todos juntos.
Convém lembrar.
Eles eram todos do MFA. E depois tinham andado a separar ao longo da revolução, e a principal questão inicial que os separa é a questão do que fazer nas colônias. Isto é, há eleições ou há uma entrega aos partidos armados. Isso separa os spinolistas dos outros três grupos. E a partir de maio de 1975, a questão é outra: qual é o papel do Partido Comunista? O Partido Comunista vai ser a vanguarda, vai ser o partido hegemônico. E aí separa-se o Grupo dos Nove e o COPCON separam-se do grupo dos gonçalvistas. Portanto, é assim que chegamos ao 25 de novembro.
Chegamos ao 25 de novembro com um quatro mais um, não é?
Com este quatro mais um. E aquilo que está em causa no 25 de novembro é o facto de o Partido Comunista, na prática, ter já perdido uma grande parte da influência no mês de setembro. No mês de setembro, uma vez que o COPCON não tinha apoiado Vasco Gonçalves, Vasco Gonçalves tinha caído e o Grupo dos Nove consegue apossar-se outra vez do governo, onde entra o Partido Socialista, onde entra o PSD, o PPD na altura, e onde o PCP fica reduzido a um elemento. Além de que Vasco Gonçalves é afastado e outros gonçalvistas são afastados. E a partir desse momento, o PCP passa a ter um comportamento diferente do que tinha tido até então. Quer dizer, até então tinha sido o poder, tinha estado no governo. Agora tem um pé no governo, tem lá um ministro, mas passa pra oposição. E passa pra oposição como? Tentando acicatar o COPCON contra a situação. Isto é, tentando levar o COPCON a uma insurreição ou ameaçando com uma insurreição.
Estamos aí só pra situar.
Setembro, outubro, novembro de 75. O outono de 1975. O COPCON, Melo Antunes, por exemplo, percebe o jogo. Eles percebem todos o jogo. O Melo Antunes dá uma entrevista ao "Novelo Observatório" em que diz que sim, o PCP quer tomar o poder em Portugal, mas a prazo. Isto é, naquele momento, o que o PCP quer é ter mais ministros, quer o regresso daqueles militares que estavam mais em sintonia com ele a posições de destaque. Portanto, o PCP está a querer fazer isso. E está a querer fazer isso tentando impressionar o Grupo dos Nove, digamos assim, os moderados, o Partido Socialista, o Presidente da República, com a força do COPCON. Isto é, juntando-se ao COPCON, os seus sindicatos, a sua força que tem na rua dos militantes comunistas, juntar-se às tropas do COPCON em Lisboa para fazer pressão para conseguir isso.
Sendo que é 20 de novembro, o Grupo dos Nove propõe a extinção do COPCON.
O Grupo dos Nove sobe também a parada e começa a atacar o COPCON também, isto é, propõe a extinção do COPCON e a substituição do Otelo Saraiva de Carvalho no governo militar de Lisboa por Vasco Lourenço. E portanto, aquilo que temos no dia 25, na prática, é uma demonstração de força do COPCON, apoiada pelo Partido Comunista e talvez até incitada pelo Partido Comunista, para obrigar o Grupo dos Nove, obrigar o presidente da República, obrigar o Partido Socialista a negociar com o PCP e a darem mais coisas ao PCP. E é isso que o Grupo dos Nove não aceita fazer naquelas condições. Isto é, passa para a demolição do COPCON, que desaparece. Portanto, o grande acontecimento do 25 de novembro é o desaparecimento daquilo que o PCP chama a esquerda militar. Isto é, uma parte da esquerda que está nas Forças Armadas, que tem um exército em Lisboa. Desaparece. E desaparece, portanto, esse recurso de pressão que o Partido Comunista e a extrema-esquerda têm na situação, que é o facto de terem os quartéis de Lisboa, forças militares muito importantes em Lisboa do lado deles. Eles perdem isso, mas consegue o PCP, em contrapartida, por não ter apoiado o COPCON até o fim, por na noite do 25 de novembro, depois das conversas entre Álvaro Cunhal e o presidente da República, o PCP ter mandado recolher os seus militantes a casa. Não se vai apoiar mais esta tentativa de demonstração de força militar. Por isso, o PCP consegue manter o seu lugar no Estado e no governo. Portanto, há uma recompensa pro PCP.
De ter tirado a frigideira do fogão na altura certa.
Sim, de ter tirado o tapete, digamos, à extrema-esquerda militar. Havia um interesse também da parte do Grupo dos Nove e do Partido Socialista em fazer isso, que era basicamente, eles tinham uma ideia que se fossem avançar contra o PCP, provavelmente seriam ultrapassados pelos spinolistas nas Forças Armadas e até pela direita civil e partidária, e portanto também não estavam interessados nisso.
Um jogo de xadrez extremamente complexo. Bom, fizemos 24, fizemos 25, não chegamos ainda ao 26, mas fica prometido pra o próximo programa. Acho que vale muito a pena explicar com todos os pormenores possíveis esta data tão importante da nossa história recente. Até lá, não perca o próximo, e "O Resto é História". "E o Resto é História" tem o apoio de Caixa Geral de Depósitos. Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.