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Começa agora o E o Vencedor É das manhãs 360. A Carla, o Paulo e o Júlio, que está no Porto, juntam-se para a análise aos protagonistas do dia. Para além do José Manuel Fernandes, o Pedro Jorge Castro e também a Alexandra Machado. Carla Jorge Carvalho.

Bom dia. Este fim de semana prolongado foi cheio de casos, desfiliações e críticas, quer no PSD, quer no CDS. O tema é, por isso, incontornável esta manhã. Alexandra Machado, queres começar? Encontraste um vencedor no meio disso tudo?

Pois, bom dia a todos. Antes de mais, espero que tenham tido um fim de semana animado, pelo menos com essas notícias todas. Eu até duvidei escolher o tema CDS ou direitas, como quiser, para hoje, tendo em conta que o programa se chama O Vencedor É. É que aqui não há mesmo nenhum vencedor. Nem Francisco Rodrigues dos Santos, nem Nuno Melo, nem todos aqueles que saíram. Tudo está mal neste filme. O argumento é mau, o realizador é mau.

Posso arriscar um, Alexandra? António Costa.

Exato, era justamente isso que eu ia dizer.

Desculpe, então, antecipo.

Não, não está mal. Acho que estamos todos de acordo nisso, porque o que se está a passar no CDS e no PSD, acho que estão a estender uma passadeira vermelha ao PS, que até neste momento, basta fingir-se de morto para poder ganhar alguma coisa. Durante o fim de semana, assistimos à entrada, voltando aqui ao tema do CDS, eu diria que na Idade das Trevas, já não andava propriamente nos melhores dias, mas o Francisco Rodrigues dos Santos está a enterrar ainda mais o partido. Ironicamente, é tratado por Chicão. Eu acho que neste caso, nem Chiquinho pra tentar ser espertinho. Ele não quer eleições internas, não quer sujeitar-se a eleições internas, o que provocou uma debandada do partido, que inclui alguns dos seus melhores quadros, o que também não ajuda o partido. Isto é uma pescadinha de rabo na boca. E Nuno Melo candidato à liderança.

É por isso, Alexandra, que Nuno Melo pede para que ninguém mais saia do partido.

Exatamente. E Nuno Melo, candidato à liderança, acaba também por perder ao ficar cada vez mais isolado. E sem se perceber se ainda conseguiria disputar a liderança a tempo das legislativas. Não há aqui nenhum vencedor, de facto, em toda a linha. É muito mau exemplo de democracia o que se está a passar no CDS e que se espera que não vá pelo mesmo caminho o PSD.

Certo.

Como no fim de semana também se ficou a perceber que o PSD pode ir pelo mesmo caminho.

Rui Rio está com essa tentação, não é? Pelo que percebemos da carta enviada aos militantes.

E é muito mau. É muito mau pra democracia, é muito mau pras eleições. E era como dizia há bocado, e o Paulo também se antecipou, que é uma passadeira vermelha pro PS. É grave. Eu dou uma nota três pro Chicão, só porque ainda há tempo pra tentar reverter a situação. Acho eu.

Será, Júlio Magalhães, que há tempo para pelo menos Nuno Melo conseguir reter algumas tropas?

Pois é, vamos seguindo a tendência. Eu concentro as minhas negativas nos militantes que saíram, Pires Lima e Adolfo Mesquita Nunes. São dois quadros importantes do CDS, são dois nomes com história, com lastro, que são importantes no partido. E este abandono não fica nada bem nem a um, nem a outro. Afinal de contas, estão contra quem? Contra a direção do partido, não se reveem na direção do partido ou acham que o partido vai mesmo acabar. Por outro lado, se abandonam, também acham que Nuno Melo não é uma boa solução e que também está a contribuir para este circo que estamos a assistir no CDS-PP. Portanto, podiam ser claros sobre isso também. Mas como disse a Alexandra, o Nuno Melo vai ficar mais isolado, porque se estes dois militantes não estão a gostar da forma como o partido está a ser liderado, nem do líder do partido, era uma boa oportunidade para se empenharem na mudança de liderança do CDS-PP, mas não, preferiram sair do CDS-PP. As pessoas comuns com quem falo este fim de semana, o que me diziam é que ambos estão preparados, um dia destes, para se filiarem no PSD, ou se não se filiarem, pelo menos serem candidatos a qualquer coisa dentro do PSD, porque pode vir aí um ciclo novo. Isso também era importante, embora Adolfo Mesquita Nunes tenha dito que não está a contar filiar-se no PSD, mas reforça o para já, e o para já pode não ser já, mas ser daqui a pouco tempo. Ora, não foi um bom movimento destes dois militantes, que são nomes, como disse, muito importantes, que têm percurso político também referenciado e notado, e um bom percurso político. São pessoas com competência e agora um bocadinho mais afastados da política, mas sempre presentes na política. Abandonar o CDS numa altura destas não parece ser a melhor forma de o fazer, porque como disse a Alexandra, deixa o Nuno Melo isolado, mas se também o Nuno Melo não é a solução para eles, e não é Francisco Rodrigues dos Santos, e acham que o CDS-PP vai mesmo acabar, têm essa legitimidade e provavelmente vão abandonar a política, mas não parece que é isso que vai acontecer. Portanto, nota oito para os dois, porque são duas pessoas importantes, não só no CDS, mas também na política em Portugal.

E agora a questão, o Pedro Jorge Castro, é se de facto este efeito CDS vai alastrando a outros partidos, como ao PSD.

Pois, bom dia.

Bom dia.

De facto, não augura nada bom esta carta enviada aos militantes pela Comissão Permanente do PSD E indicia que não estão a ver o filme que está a acontecer no partido ao lado. Eu queria voltar só um pouquinho a Francisco Rodrigues dos Santos, porque a Alexandra já fez essa graça do Chiquinho é Chiquinho, e de facto parece uma espécie de Benjamin Button à portuguesa, que vai ficando cada vez mais pequenino à medida que-

Que o tempo passa

...a cada dia que passa como líder do CDS. Ao ponto até de Paulo Portas ter dito que isto parece uma associação de estudantes com más práticas e portanto será o presidente desta associação de estudantes. Não é nada bom pra ele. Eu tenho aquilo que poderia ser uma boa notícia pra Rui Rio e Francisco Rodrigues dos Santos e aliás, pra generalidade dos líderes políticos. E a boa notícia é esta: que a Rádio Observador nunca foi tão ouvida como nos últimos dias. Isto deve-se obviamente a todos vocês, mas também e muito, escusam de pôr a música do "Tempo de Antena", isto não é propaganda, é apenas um sinal de que as pessoas estão super atentas e interessadas em todos os desenvolvimentos desta crise. Ou seja, as pessoas estão a ver e estariam interessadas e desejosas de ver o que é que pode sair daqui de novo. Claro que isto se pode transformar numa má notícia se virmos esta sucessão de cenas lamentáveis. Não são só os militantes, os eleitores em geral, às vezes há a ideia de que há uma fronteira entre a política interna dos partidos e a política pra o país. Isso não é de todo verdade. As pessoas não são parvas e topam a milhas um apego ao poder, mesmo que seja usada a desculpa de evitar divisões internas em vésperas de eleições. Isto é ainda mais espantoso no caso do CDS, do Francisco Rodrigues dos Santos, que tem 33 anos. Ele foi muito atacado por Pires de Lima no congresso em que foi eleito pela sua idade, mas a verdade é que não mostrou em nada uma forma diferente de estar na política. Estes taticismos, estas manobras, isto mais parecem obra de caciques políticos da velha guarda, desesperados por se manterem no poder. E de um jovem, que chegou a ser considerado pela revista Forbes um dos 30 mais brilhantes da Europa, esperava-se qualquer coisa diferente, mais fresco ou mais aberto e com mais fair play. Não temos visto nada disso. É verdade que não há inocentes nestas guerras do CDS. Ele nunca teve uma vida fácil, a oposição interna nunca lhe facilitou a vida, mas ele também não mostrou golpe de asa pra pacificar o partido. Ele parece que viveu sempre cercado e em conflito, e ali a somar inimigos internos, ao ponto agora até Lobo Xavier, que o apoiou no congresso, ter vindo admitir que não se vê a recomendar o voto no CDS. A pior coisa que podia acontecer a Francisco Rodrigues dos Santos não era ir a votos contra Nuno Melo e perder, ao contrário do que ele parece achar. Se ele soubesse bater-se com elegância e em caso de derrota, soubesse sair com elevação... Bem, ele é muito novo, tem 40 e tal anos de vida ativa pela frente, seria tempo mais do que suficiente pra dar a volta e regressar mais maduro. A pior coisa que lhe pode acontecer é isto, é fugir a duas eleições, como parece que se prepara pra fazer. As internas no partido, adiando-as, e as legislativas, colando-se ao PSD, numa péssima proporção de sete deputados do PSD pra cada um do CDS, em vez de ir a votos sozinho e mostrar o que vale. A culpa também, em certa medida, parece que é da Dina. A Dina cantava o hino do CDS e que começava com: "Pra voz de Portugal ser maior, junta a tua voz à minha voz e vamos cantando." E Francisco Rodrigues dos Santos deve ter ouvido isto demasiadas vezes e acha que é assim que se resolvem as coisas. E se calhar não é. Nesta altura, era hora de ele mostrar o que vale sozinho.

Fixe. Portanto, preparas-te para dar uma nota muito negativa ao presidente do CDS. E a questão é: não há aqui nenhum sinal de pontes. O partido está absolutamente dividido e não há qualquer sinal ou sequer uma tentativa destas duas posições se aproximarem.

Vamos ver, eu acho que temos de ver. Paulo Portas fez um apelo pra ele ligar a Nuno Melo. Não acredito que isso venha a acontecer, mas eu acho que ainda haveria tempo. Eu acho que ele deve estar a ver tudo aquilo que se está a passar à sua volta e deve estar a pensar que isto assim não vai correr bem. Ainda haveria tempo pra ter aqui um golpe de asa e algum recuo, mas não parece que seja isso que venha a acontecer. Portanto, sim, muito má nota pra Francisco Rodrigues dos Santos. Vou dar um dois. E uma nota muito alta para António Costa, muito alta também, calma, pra aí 10, pra António Costa. Não é por mais nada, porque cada cena lamentável destas no PSD e no CDS fica mais longínqua nos eleitores. A memória das trapalhadas que levaram à morte a Gingonça, desde a arrogância de Costa na campanha das autárquicas, até à teimosia do Bloco e do PC no chumbo do orçamento, que era o mais à esquerda dos últimos anos. Mas, portanto, isto significa que quando as pessoas tiverem que escolher onde votar e que quando tiverem a escolher um primeiro-ministro, se não virem uma alternativa razoável, há mais hipóteses de António Costa voltar a vencer as eleições.

Claro. E por isso esse 10, o que para o que tem sido a escala do "E o Vencedor?" é realmente uma nota forte. José Manuel Fernandes, é mesmo isto que está a acontecer? António Costa vai ganhando por cada declaração mais quente e mais incendiária por parte do PSD e do CDS, de militantes do PSD e do CDS?

Eu penso que sim. E neste caso do CDS, com toda a franqueza, não consigo entender o porquê desta jogada de Francisco Rodrigues dos Santos, a não ser por uma questão de sobrevivência, e que eu penso que lhe vai correr mal. Francisco Rodrigues dos Santos já percebeu que não pode ir sozinho em eleições, porque se for sozinho em eleições, tem um resultado pior do que teve Assunção Cristas e toda a sua narrativa, e a narrativa da sua direção, que é que eles estão lá porque A ação que esteve um péssimo resultado cai como um castelo de cartas. O CDS hoje não vale eleitoralmente praticamente nada. Nas próximas eleições, tudo indica que seria trucidado e o CDS está a tentar agarrar-se como um náufrago ao PSD. O Pedro disse que uma proporção de sete para um é má, não, é ótimo. Se o PSD eleger, vamos supor, 90 deputados, isso dá ao CDS 12 deputados. Doze deputados é o dobro. Acho que é quase o dobro do que tem hoje. É muito bom, é maravilhoso, porque se não for assim, arrisca-se a ter dois ou três. Se for sozinho, se calhar nem o partido do táxi é. Para Rodrigues dos Santos, isto é a única hipótese que ele tem de se salvar, mas não tem nada que tenha a ver com política, espinha vertebral, nada. É apenas salvação da pele.

E compaixão pela política, que é aquilo que devia mover estas pessoas.

Não tem nada. Isto tem a ver com um partido onde sucessivamente, gerações atrás de gerações, há uma autofagia constante. Recordemos que isto foi um partido de onde saiu o fundador, Freitas do Amaral. Foi um partido de onde o segundo líder, Lucas Pires, também saiu. Foi um partido que teve um líder, Ribeiro e Castro, que durante uns anos também esteve fora do partido.

E podemos ir por aí, Manuel Monteiro, Basílio Horta.

Basílio Horta não chegou a ser líder. Manuel Monteiro também saiu e voltou a entrar. É um partido onde as relações pessoais ganham uma intensidade tal que não permite uma convivência normal, sã, entre as pessoas. Nós olhamos para as pessoas que rodeiam quer Nuno Melo, quer Francisco Rodrigues dos Santos, e vou ser franco, eu não encontro sequer coerência ideológica entre elas. Talvez encontre até mais entre aquelas que rodeiam Francisco Rodrigues dos Santos do que aquelas que rodeiam Nuno Melo. Aquilo é uma sogranhada. Aquilo é apenas ódios pessoais. E nem sequer se percebe por quê. E há um responsável, que é preciso dizer quem é esse responsável. Esse responsável chama-se Paulo Portas. Paulo Portas tinha um talento especial. Entrou e saiu para líder do partido várias vezes, entrou com Manuel Monteiro, depois deu cabo de Manuel Monteiro, depois saiu, depois tinha um sucessor, falhou no congresso, veio Ribeiro e Castro, fez a vida negra a Ribeiro e Castro, voltou a ir lá outra vez, também com umas culpadas, toda uma história triste. E durante a liderança de Paulo Portas, o CDS teve que orientação? Dependia das eleições, dependia da sua inspiração do momento, dependia do lado para onde ele estava virado, daquilo que sentia que era melhor. Aquilo perdeu também espinha vertebral. E agora, o que une os que estão contra Chicão são, sobretudo, as pessoas que estiveram com o Paulo Portas. Basicamente, a grande diferença entre um e outro são aqueles que estiveram com o Paulo Portas, onde há pessoas que são mais conservadoras, pessoas que são liberais, pessoas que são mais radicais, pessoas que são mais moderadas, há ali um pouquinho de tudo. Entre as que estão com o Francisco Rodrigues dos Santos, talvez haja mais coerência, mas ao mesmo tempo há um modo e uma incapacidade de coser o partido que eu não vejo, com toda a franqueza, grande futuro para isto. E aquilo que poderia ter acontecido, que era ao menos ir até ao congresso. Só não foram até ao congresso porque Francisco Rodrigues dos Santos tem medo de não conseguir fazer o acordo que ele quer fazer com o PSD se fosse até ao congresso, porque ia ter que esperar até o congresso para poder fazer os acordos que quer fazer já. E por isso é que ele também quer eleições a 16 de janeiro, que é para não dar hipóteses para o Rangel e tentar fazer um negócio de náufragos com Rui Rio. Porque aquilo é um negócio de náufragos, basicamente. Isto é uma tristeza imensa, porque, de facto, como se vê, só dá oportunidades a quem pôs o país na situação em que estamos, que foi o Partido Socialista e os partidos da antiga Geringonça nos trouxeram para esta crise e que agora estão na bancada a assistir a este espetáculo e a rir, provavelmente. A minha nota tem que ir, neste caso, para Francisco Rodrigues dos Santos e é um chumbo direto. E desta vez é um chumbo direto, não é com quatro, é mesmo com dois.

É um dois, tal como o Pedro Jorge Castro também já tinha dado. Paulo Ferreira, o que está a acontecer? Há poucas perguntas para fazer como é que esta oportunidade de haver uma mudança de ciclo político pode ser desperdiçada com estas guerras internas.

Isto é tudo surrealista. A esquerda desentendeu-se depois de seis anos e foi um entendimento que tirou a direita de poder. A esquerda desentende-se daquela forma e vai agora começar, já começaram, aliás, a atribuição de culpas à esquerda para saber quem é o responsável pelo chumbo do orçamento e pelo fim da legislatura. E a direita, o que é que faz logo a seguir? Os dois partidos da direita, o PSD e o CDS, desatam aos tiros nos pés, desatam à estalada dentro de portas, naquele processo autofágico que não se entende. Isto é, não há racionalidade, não se consegue entender isto. Eu acho que isto é caso para psicólogos, de alguma maneira. Isto é sede de poder, isto é incapacidade de entendimento Não se entendem, de facto. O chumbo do orçamento veio cair praticamente em cima dos calendários que os dois partidos já tinham decidido para o congresso. Mas quem se quisesse entender dentro do CDS e dentro do PSD sentava-se a uma mesa e pensavam o que fazer aos calendários e tudo era compatível. Eu não consigo sequer olhar para um caso e para o outro e encontrar só vencedores e só perdedores, ou então assumir que a culpa é mais de um do que de outro. Enfim, talvez Rui Rio, no PSD, e Francisco Rodrigues dos Santos tenham aqui o maior peso da culpa, porque são eles que querem mudar calendários. Eu acho que Rui Rio fez bem quando o problema ainda não existia, mas já se percebia que poderia acontecer, em suscitar a discussão dentro do PSD, e fez bem na altura, mas o assunto morreu no momento em que o partido decidiu que não, continuou tudo na mesma. Agora repare-se, como é que os eleitores dos partidos, ou os eleitores cujo voto pode ser captado pelos dois partidos, olham para isto? Se estes senhores não se entendem sequer dentro do partido, daqueles de quem são mais próximos, e se se desentendem desta forma feia, agressiva, às vezes malcriada, muitas vezes ultrapassando aquilo que são as boas regras, no caso do CDS, as boas regras de funcionamento das instituições, se eles não se entendem com os seus, vão entender-se amanhã na governação do país quando forem necessários entendimentos? Não. E isto é impossível, de facto. Eu acho que há aqui uma sede de poder.

Desculpa, pá. É que o ponto não é não se entenderem. Não se entenderem não tem mal nenhum. O ponto é precisamente a forma como estão a tentar resolver as coisas. Isso é que eu acho que as pessoas não perdoam e não querem ver replicado na liderança do país.

Sem dúvida.

E fazem contas a isso.

Eles podem partir de posições diferentes e manter posições diferentes, mas depois as próprias instituições têm que ter mecanismos para encontrar um caminho, de alguma maneira, que não dê este espetáculo lá para fora. Nós falamos muito da qualidade das instituições, que é um dos nossos problemas do país, porque ela, no fundo, é fraca e puxa-nos para baixo. Essa fraca qualidade começa logo nos partidos. Os partidos não têm regras. Nós vemos como é que as diretas muitas vezes são feitas, nós vemos como é que as quotas são pagas por atacado em militantes que têm a mesma morada para que se garanta que esse conjunto de votos vá para o candidato A ou para o candidato B. E quando surgem estas fricções, percebe-se que os partidos não estão preparados, não funcionam os órgãos internos de uma forma célere e tranquila para resolver as divergências que sempre ocorrem. Que é isto entre conselhos nacionais, comissões permanentes, comissões políticas, conselhos de jurisdição, não funciona porque aquilo está tomado por dentro. E isto é um péssimo sinal para o país e uma péssima notícia para o país, porque se nós tivermos em conta, e é verdade, que os partidos são o pilar da democracia, e são eles que alteram no governo e são eles que governam o país, eles partem logo contaminados por umas péssimas práticas internas. Portanto, isto é absolutamente inqualificável. Indo agora um pouco ao PSD, acho que o CDS então já passou os limites todos. Esperemos que o PSD, que anda ali uma semana ou duas atrás, que o PSD aprenda com os erros do partido do lado e não os cometa desta forma. E então depois há um detalhe no PSD em relação aos prazos para fazer as listas. Vamos imaginando então que o presidente da República marca eleições para, se não me engano, 16 de janeiro.

É a data que a maioria dos partidos pediu ou defendeu nas audiências com o presidente.

O que obrigará os partidos todos a apresentar as listas de candidatos, no caso do PSD, dois dias depois das diretas, portanto, diretas a 4 de dezembro, entrega das listas a 6 de dezembro. Desculpem, qual é o problema aqui que há para resolver? Rangel ou Rio queixam-se de não ter tempo. Desculpem, mas eles não podem ter as listas preparadas amanhã, já, para depois as entregar no dia 5? Eles têm que começar a pensar nas listas no dia 4?

Mas ninguém acredita que vão pensar só depois de vencerem.

Mas criam-se estes problemas absolutamente artificiais. Quem quiser resolver isto, resolve isto desta forma. Tem as listas preparadas e cada candidato tem as suas listas e aquele que vencer no dia 4 entrega as listas no dia 5. Nem precisa de esperar pelo dia 6, entrega as listas no dia 5. Criam-se artificialmente problemas onde eles não existem, porque são motivos de fricção e motivos de guerra interna. Podem citar 50 frases daquelas históricas, desde o Churchill que disse que os adversários estão na bancada oposta, os inimigos estão na nossa. Isto é claramente isso. Ou, neste caso, até pegando na deixa de Alexandra, António Costa é o grande vencedor, neste momento, disto tudo. Parece que foi Napoleão que disse também: "Quando teu inimigo está a cometer erros, não o interrompas." Aliás, António Costa desapareceu de cena já há alguns dias.

Desapareceu, exatamente.

Nem foi à COP26.

E está-lhe a correr bem, para que ele há de aparecer.

Obviamente.

É a velha história. Ele ia ter nos debates uma pergunta muito difícil de responder, o António Costa, que era: se ganhar sem maioria, como é que vai confiar outra vez nos antigos parceiros da geringonça? Que solução governativa é que tem para apresentar ao país? A dificuldade dessa pergunta vai ser obnubilada, no caso do PSD e do CDS, por esta questão da legitimidade interna. Como é que você não foi sequer a eleições do seu partido e está agora aqui a pedir o voto aos portugueses?

Como é que não se entende sequer com os do seu partido? António Costa pode responder dessa forma a quem quer que seja. E isso é um péssimo sinal. Há aqui uma oportunidade que a direita tinha, eventualmente, de poder chegar ao poder, não se sabe. As campanhas eleitorais às vezes...

Pode ser a alternativa, pelo menos é mostrar-se a alternativa.

E de facto há aqui uma incompetência grande. Eu não consigo destacar aqui protagonistas, eu acho que é o coletivo. O PSD tinha que se entender dentro de casa, o CDS tinha que se entender dentro de casa. Acho que apesar de tudo, o CDS já foi longe demais, leva um cinco e o PSD leva sete.

Um cinco e um sete muito poucos generosos neste "E o vencedor é...". Está feito então o "E o vencedor é..." desta terça-feira. Amanhã voltamos à atualidade. Até amanhã.