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Vamos à análise dos temas que marcam a atualidade com notas de zero a 20. Começa agora o "Iuven Soure", das manhãs 360. Hoje juntam-se a nós para darem notas a Helena Matos, Ana São Liz e o Rui Pedro Antunes.
Hoje continuamos a fazer o rescaldo do estudo da Segurança Social. Há um novo episódio numa novela que parecia já estar fechada, outra que ainda está por fechar, mas vamos começar, Ana, pela REN. Ontem o governo falou de viva voz sobre o tema, pelo António Leitão Amaro, no Conselho de Ministros. Ficaste esclarecida com o que ouviste ou ficaste ainda com mais dúvidas?
Não lhe chamaria uma novela, mas também não está fechada.
Exato.
Sim, Leitão Amaro falou bastante, em número de palavras, pelo menos. Não contei, mas foram muitas.
Foram 47 minutos, Ana.
Pois, 47 minutos no total.
Sobre os temas justificadamente.
Ele até falou bastante, mas mais uma vez exerceu aquela arte que eu lhe reconheço e que confesso que tenho alguma inveja, que é de dizer muita coisa sem dizer nada de especial, ou pelo menos nada que se exprimisse tenha ali algum-
Que tenha novidade.
Mas o ministro tem realmente aquela arte de falar durante muito tempo. Mas afinal, o que ele disse? Respondendo à tua pergunta, não, na verdade, não estou muito esclarecida e hoje, sexta-feira, 21 de agosto, uma semana depois de termos sabido pelo acionista espanhol da REN, num comunicado enviado ao mercado, que tinha feito o negócio com a Parpública, e uma semana depois de o governo ter anunciado esse negócio numa festa partidária, continuamos sem saber as reais motivações deste regresso do Estado ao capital da REN. E eu senti que Leitão Amaro no início fez aquela introdução sobre a Segurança Social, porque já sabia que ia haver perguntas sobre isso e também sabia que ia haver perguntas sobre a REN. Não fez uma introdução, mas levava ali uma lista de compras, de argumentos e de justificações, mas que se forem unidas não formam um puzzle completo. Formam um puzzle daqueles bastante tortos, que parece faltar ali qualquer coisa. Primeiro começou por dizer que isto não é novidade. O primeiro-ministro já tinha admitido esta possibilidade até antes de ser eleito em 2024. Portanto, ok, então isto é uma convicção pessoal de Luís Montenegro, é isso que retiramos dali. Depois diz que não há nenhum país da Europa que esteja fora do capital da sua rede elétrica. Eu não fui fazer o fact check, se alguém quiser. Mas é outro argumento. Depois, para mim, o mais bizarro daquelas explicações foi que Leitão Amaro pareceu dar a entender que o governo está pouco confortável com o facto de uma empresa estatal chinesa, a State Grid, ser a principal acionista da REN, que aliás, o ministro nem sequer nomeia, não diz a nacionalidade, não diz que é chinesa, diz que é um acionista estatal estrangeiro, não é português, portanto, não sei, parece que agora há um tabu por Portugal ter vendido o controle das suas empresas ao estado chinês. Porque Leitão Amaro agarrou-se muito a isto e depois disse que a REN passa a ter um acionista estatal que já agora é do país da rede elétrica. Achei uma explicação estranhíssima e ainda nesta parte foi feita uma questão, por acaso pelo observador, bastante pertinente, que se tentaram comprar essa participação da State Grid, que tem mais de 20%, 25%.
Que é o tal operador estrangeiro.
O estrangeiro, exato.
Cuja localização é China, não podemos dizer.
E a resposta intrigou-me, porque Leitão Amaro disse que não ia dar detalhes sobre passos dados relativamente a operações que não se realizaram, e depois faz assim um sorriso, o que deixa no ar que realmente o governo se calhar queria a participação dos chineses. Não sei, estou a especular, porque esta opacidade acaba por dar azo a isso.
E não é justificável. Eu não consigo conceber nenhuma situação em que o negócio do Estado não tenha valores públicos. O negócio é este nível. Não estamos a falar da compra de um equipamento especial para as secretas, para os serviços de informação. Estamos a falar de um negócio de uma empresa cotada, ainda por cima. E portanto, eu não consigo entender porque o governo vai ter que dizer, e já devia ter dito no dia em que foi conhecida a operação: "Compramos 13,7, se não erro, e custou X milhões". Ponto. Pagaram a mais do preço de mercado? Justifica-se, provavelmente, pagar um pouco a mais.
É a única coisa que ele responde.
Sim.
Que diz que-
Tem que haver um prémio
...um prémio em circunstâncias, uma vez que é uma posição relevante.
É normal que é uma posição relevante, é normal pagar-se algum prémio. Mas que prémio é?
Que prémio é esse?
Não me interessa.
São duas lojas da Zara na Baixa de Lisboa.
Por aí.
Temos a maior Zara da Europa na Baixa de Lisboa.
Não entendo o secretismo. Eu percebo a intenção de um governo ter uma posição numa empresa dessas. Percebo a ideia, a lógica, empresa estratégica e por aí fora. Duvido é que estes 13,7% deem ao Estado português as possibilidades de atuação que o governo dá a entender que vão dar.
É isso. E é isso que eu também acho que não está a ser devidamente explicado. O que foi negociado com os outros acionistas no que diz respeito a isso?
Aparafusagem, eventualmente. O que o Estado vai mandar de facto lá. Vai ter o quê? Um administrador, dois administradores? Não se sabe. Vão ter poderes especiais ou não? Porque se os 13,7% são normais, sem nenhum caráter aditivado, se quisermos, então aí a função do regulador é muito mais importante, no caso da REN, do que uma posição de 13,7%.
Basicamente é isso, não se sabe nada. E Leitão Amaro remeteu mais explicações a seu tempo para o Ministério das Finanças depois da avaliação do Tribunal de Contas, mas nós vamos por aqui continuar a fazer perguntas até que sejam dadas respostas. Queres a minha nota?
Quero, imagino que seja uma nota que se pensa quase não.
Sim, vai um sete para o governo, não só para Leitão Amaro, porque é só o porta-voz.
Claro. Neste caso do negócio da REN. Outro tema, Rui, a marcar a semana é a Segurança Social, também marcou essa conferência de imprensa.
Marcou o início, exatamente.
E hoje já também-- diz.
Não, era isso.
Só para contextualizar, já também esta entrevista de Jorge Bravo aos pressa a desaconselhar o governo a distribuir bónus recorrentes nas pensões. Achas que o governo vai acatar este conselho ou vai aproveitá-lo para não distribuir ou antes, pelo contrário, para distribuir alguma coisa?
Não, na verdade, há um grande esforço por parte do ministro, ontem logo no início da conferência, faz um ponto prévio de um assunto que não foi discutido, que não vai ser, que é precisamente da Segurança Social. E esta entrevista, o que vem é mostrar um bocadinho que se calhar o governo foi um bocadinho ingênuo quando pediu o estudo. Eu sei que foi pedido em 2024, mas não mediu bem o tipo de problemas que lhe podia trazer, porque, na verdade, o governo não tem maioria agora, mas também não tinha quando pediu o estudo. Estamos a ter uma legislatura diferente, é um governo diferente, mas toda a gente vê isto numa lógica de continuidade. E qual é que é o problema? É que Jorge Bravo, sem ser surpresa para ninguém, uma vez que ele fazia parte dos economistas que serviam de contrafogo aos economistas liderados por Centeno. Isto era um grupo que na altura era liderado pelo Pedro Reis em 2015, para aí em maio, antes das eleições que foram em setembro, creio outubro, desse ano, em que tinha uma perspectiva muito mais liberal e a esquerda ter usado isso, não é isso que está aqui em causa. Mas Jorge Bravo claramente está alinhado com uma perspectiva sobre a economia que não interessa a este PSD que está no governo, que é verdade que Luís Montenegro sempre foi associado no passado, agora menos, a uma ala, que não sendo uma ala ultraconservadora do partido, era mais conservadora do que outras alas, como por exemplo, as mais próximas de Rui Rio. E o que se passa aqui é que em matéria de economia, o que Jorge Bravo defende é exatamente aquilo que Pedro Passos Coelho defende. Em maio deste ano, não sei se se lembram de uma das intervenções, aquela em que Pedro Passos Coelho dizia que o governo tem que se deixar de histórias da Carochinha e resolver as coisas. Essa é uma das intervenções em que Pedro Passos Coelho utiliza expressões como: "Sinto-me sempre completamente gozado, sempre que há um aumento extraordinário das pensões", o chamado bónus nas pensões anual. Ora, o que Jorge Bravo vem dizer é exatamente o mesmo. Vem dizer que não faz sentido nenhum o governo continuar a dar esses aumentos extraordinários das pensões mínimas. Qual é que é o problema? É que no Festa do Pontal, Luís Montenegro e António Leitão Amaro também já o fez, prometeu que assim que houver disponibilidade financeira, e ele acredita que vai existir, porque acredita que o país vai crescer e vai dar a volta, vai continuar a aumentar essas pensões mínimas. Ora, a pessoa que acabou de apresentar o estudo pedido pelo governo, tem uma opinião completamente contrária à do governo nesta questão fundamental. E mais do que isso, sugere que quando esses aumentos são feitos, a motivação não é a que diz Luís Montenegro, que é as pessoas ganham muito pouco, é preciso ajudar, já não têm outros meios de financiamento, mas é uma inspiração eleitoralista. Diz assim, diz o Jorge Bravo: "Agora, de forma recorrente, estes aumentos para fins eleitoralistas não é a forma correta para gerir o sistema." Portanto, o coordenador do estudo não só é contra estes aumentos, que são uma espécie de desígnio condicionado do PSD e do governo, como ainda sugere que estes aumentos que Luís Montenegro promete continuar a fazer se houver condições para isso, são profundamente eleitoralistas. Portanto, naturalmente que era o pior que poderia acontecer era, na semana em que é lançado um estudo, ter o coordenador desse estudo a criticar aquilo que é uma opção do governo e que continua muito empenhado, como se viu por essa intervenção inicial do António Leitão Amaro no briefing, em mostrar aos pensionistas que está do lado deles e que vai continuar a tentar melhorar as condições desse grupo, que naturalmente é um grupo com maior fragilidade na economia, na sociedade portuguesa.
E a tua nota vai para quem?
Olha, a minha nota vai, portanto, para o governo. Eu ontem já tinha falado da Segurança Social e da renda da perspectiva do Conselho de Ministros à tarde, porque o vencedor da manhã ainda foi antes do Conselho de Ministros, e até tinha equilibrado dizendo que Leitão Amaro tinha defendido bem a parte da Segurança Social e mal a parte da renda, ou pelo menos tinha deixado várias dúvidas sobre a renda, na mesma linha do que a Ana e o Paulo aqui disseram. E agora na área da Segurança Social também volto a ter uma nota má para o governo, porque apesar de Jorge Bravo e do governo destacar para se proteger que é independente e que o grupo é independente, isto acaba por criar ruído, é uma cacofonia que era dispensável e, portanto, eu vou dar um oito ao governo precisamente por ser atacado pelo coordenador do estudo nesta área da Segurança Social.
Salvas ali um bocadinho a nota da Ana. Helena, hoje há um novo episódio na novela Luís Neves. Neste caso, como também no caso da Segurança Social, Helena, o governo aparentemente parece que não consegue arrumar os assuntos, não é?
Olha, eu nestas coisas gosto imenso de bandas sonoras e eu acho que nós estamos a viver entre o Caso Arrumado, que se ouve na Guerra das Rosas, que é interpretada pelo Camané, e depois há um grupo sertanejo, Ranem e Rei, que tem mesmo uma canção chamada Caso Encerrado. Eu adoro estas coisas. E é um pouco isso. Ou seja, seja em relação a Luís Neves, seja em relação à Segurança Social, a ideia de que se pode acabar um assunto, dá-lo por terminado, por se declarar que isso aconteceu. O único momento, não é o único, mas é dos momentos em que isso acontece, é quando nós nos casamos e dizemos sim, em que as palavras têm este valor, ou quando em tribunal declaramos aquelas coisas, que estamos a falar verdade e tudo isso. Tirando esses momentos mais ou menos dramáticos, no bom e no mau sentido da nossa vida, as outras coisas não decorrem das nossas palavras. As ações não decorrem das palavras. É assim, não funciona. E portanto, aquilo que nós temos aqui em relação à Segurança Social, eu acho que temos que ser absolutamente capazes de distinguir em relações de grupo de trabalho, uma coisa que é o diagnóstico, é porque neste momento nem se pode sequer já falar do diagnóstico. É como se fosse um absurdo ter pedido um diagnóstico. Não, o diagnóstico tem que ser feito, porque se não houver diagnóstico, não se conseguem tomar decisões ou, pelo contrário, assumir o ônus de não as ter tomado, que também vai existir. Portanto, eu não consigo corroborar de modo algum as críticas ao facto de se ter pedido um estudo. Percebo, entendo e compreendo, e faz parte da democracia, que as pessoas não estejam de acordo com as recomendações que são feitas nesse estudo, até porque poderá haver outras, e há outras opções. Agora, em relação ao estudo, quer dizer, qualquer dia, é a mesma coisa que se não quiséssemos ter um diagnóstico para não termos de ser confrontados com a pergunta: quer tratar-se? Se não se quer tratar, como é que se quer tratar?
Mas Helena, um dos sentidos do estudo, por exemplo, é poder dizer ao CHEGA: a sustentabilidade está em causa, e portanto, a proposta de baixar a idade da reforma não faz sentido nenhum e este estudo mostra que não faz sentido. E ao mesmo tempo, é o próprio procurador do estudo dizer: a proposta do bónus aos pensionistas também não faz sentido porque também não ajuda à sustentabilidade.
Mas é que também não faz.
Sobre a idade da reforma, não é preciso nenhum estudo.
Exatamente. Basta o bom senso. Mas sobre os bónus também, são coisas altamente politizadas.
Deixa-me só dizer uma coisa. A questão dos bónus, a diferença entre bónus anuais decididos ano a ano e um aumento, pegar no mesmo dinheiro naquele ano e aumentar as pensões para utilizar aqueles, imagina 200 milhões, é que o aumento é permanente e vai ficar para todos os anos.
E cumulativo.
E cumulativo. E o bónus, decide-se ano a ano, em função da disponibilidade orçamental, sendo que o princípio eleitoralista está lá, isso é evidente.
Claro. Em tudo isto são opções que se têm que tomar. Ou tomar a opção de não tomar a opção. Agora, em nenhuma das circunstâncias serve dizer, como o governo tem esta lógica, que é que o caso está arrumado ou que o caso está encerrado. No caso da Segurança Social, nem arrumado, nem encerrado, eu percebo o adiar. Há aqui parece que uma espécie de compromisso de adiar este assunto para eleições, o que quer dizer que poderíamos ter uma campanha eleitoral a discutir a Segurança Social, porque se ela, para poder ser sufragada em eleições ou legitimado o governo que toma essas opções ou que toma a opção de não tomar opção alguma, isso terá de ir a eleições, mas fico sentada à espera para ver como é que isto depois vai ser tratado na campanha eleitoral. Mas esta ideia do caso encerrado e do caso arrumado prossegue também para Luís Neves. Ou seja, a ideia de que, aí talvez seja mais caso esvaziado. De que nós já dissemos, já acabou, está tudo tratado, está tudo percebido, está tudo explicado, não perceberam, se não perceberam é porque são burrinhos ou estão de má fé. Ora, aquilo que nós temos hoje neste novo capítulo da investigação TVI, CNN, jornal Nascer do Sol, eu percebo que vocês como são pessoas que sabem imenso de automóveis, imenso, estão fascinados com aquilo do carro que é não sei o quê, GT-R.
GTD.
Ou GTD ou lá o que seja. Eu como vocês sabem, sou expert no assunto.
Mas olha que deste lado também o conhecimento não é maior.
Fiquei pasmada. Mas eu acho que até essa questão de pedir o carro não fará muito sentido. Quer dizer, realmente, o ministro da Defesa não sai de casa de manhã num carro militar para ir para não sei onde, nem a ministra da Saúde numa ambulância. Mas há aqui uma questão que desde o princípio tem sido levantada e que é o valor dos orçamentos, porque toda aquela coisa rocambolesca da galera a ir para Barcelos, passava por causa do orçamento que teria sido apresentado, um orçamento de 150 mil euros, para destruir aquele material que tinha sido apreendido. Ora, aquilo que nós temos agora aqui é a indicação de que os 150 mil euros não era só para aquele material, era para uma boa parte ou a totalidade do material apreendido pela PJ, que estava naquele armazém, claro que era muito mais que aquele desta operação. E depois, temos também aqui a questão dos próprios orçamentos apresentados pelas empresas para a destruição deste material e que nos devia levar a uma outra coisa, que é nem todas as empresas podem trabalhar com a PJ e, portanto, têm de estar certificadas. Em que medida é que os orçamentos apresentados pelas empresas certificadas não acabam a gozar, muitas vezes, de um acréscimo significativo decorrente desse estatuto de se estar certificado para trabalhar com a PJ.
Helena, preciso da tua nota porque temos ainda que passar a Paulo.
Exatamente. E portanto, temos aqui caso encerrado, caso arrumado, nem uma coisa nem outra. Estes casos vieram para ficar. E portanto, eu dou um sete ao governo por esta crença no caso encerrado, que os casos se encerram e arrumam, simplesmente porque eles o dizem, e ficamos assim. Fico com o sete porque eles têm mesmo de ir ao Aráujo.
Exatamente
Paulo, dois minutinhos para falar de uma outra novela da qual não se sabe nada há três semanas.
Cá está um caso que parece encerrado e nunca poderia estar encerrado, que é a questão do alegado assalto ao gabinete de André Ventura no Parlamento. Passaram três semanas desde que o assunto aconteceu e desde então, um silêncio absoluto.
Nada! Parece que nunca aconteceu.
Num país a sério, uma coisa destas no Parlamento, a PJ ou a PSP tinham vindo já dar vários briefings. Nos briefings não têm que revelar o que é que estão a investigar, nem as linhas de investigação. Aprendam com os ingleses, aprendam com os norte-americanos como é que se fazem briefings, se for preciso diários, sobre casos complicados, sobre crimes em investigação, sem comprometer as investigações. Mas tem que se dizer alguma coisa ao país. Vamos lá ver. Ou achamos que aquilo não tem importância nenhuma e é tipo um carteirista que levou uma carteira no elétrico 28 em Lisboa. Portanto, uma coisa que acontece todos os dias, infelizmente, mas que é a vida, não morre ninguém por aquilo. Ou se então o caso tem a gravidade, e tem, que foi dita no início. O presidente da Assembleia da República não diz nada. O próprio Chega não diz nada e provavelmente devia todos os dias recordar que o assunto é grave e merece uma explicação. Eu não digo que as investigações vão ser conclusivas. Não se sabe, obviamente. Pode haver crimes bem feitos, por vezes há crimes bem feitos e não se descobre os autores. Pode ser esse o caso, seja qual for a motivação. Mas este silêncio de três semanas só significa uma coisa: está toda a gente nas tintas, perdoem-me a expressão, para o assunto e para as instituições e para a vida das instituições, porque é isso que significa. Um assalto a um gabinete parlamentar que ficou naquele estado, não pode ser visto com esta normalidade com que está a ser visto. Alguém tem que falar, alguém tem que ir dando explicações aos cidadãos e está toda a gente a encolher os ombros. Acho isto, de facto, uma falta de autorrespeito muito preocupante.
E a tua nota então é negativa?
Dou um 4 a este silêncio. José Pedro Aguiar Branco está de férias, ok, não diz nada. O presidente da Assembleia não tem nada a dizer sobre isto? Ele não tem que revelar as linhas de investigação. Esta ideia de que o assunto está em investigação, tem que haver um manto de silêncio, não é aceitável num caso destes.
Vai de férias com uma nota muito baixa.
Vou de férias com uma nota muito baixa, é verdade.
O "E o Resto Era?" não vai de férias, regressa mais logo na Tarde Política da Rádio Observador. Numa versão alargada que começa, como sempre, a seguir ao Jornal das 6, esta tarde dão notas a Judite França, a Eunice Lourenço e o Alexandre Borges.