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Este é o Som do Iuvenso, da Rádio Observador. Carla, hoje além do José Manuel Fernandes, estão conosco a Alexandra Machado e também o Miguel Santos Carrapatozo.

E esta manhã há muito espírito olímpico por aqui. Há também escadas rolantes, mas vamos começar com a entrevista de ontem à noite ao canal NOW de António Costa. Miguel, vamos começar por ti. Queres pontuar o presidente do Conselho Europeu ou o ex-primeiro-ministro?

O ex-primeiro-ministro. António Costa é de fato um político superlativo e a forma como conseguiu controlar a entrevista é excepcional.

Estás rendido .

Acho que vamos ter todos algumas saudades do político António Costa.

Mas ele está aí.

Sim, mas agora está no seu exílio dourado.

Aquilo foi um pouco de passeio no parque, não foi?

Foi.

Mas também um bocado pela forma.

Um bocadinho mais a sério, António Costa, de facto, tem esta capacidade de ser quase aquele flautista que nos deixa a todos colados à televisão. Mas o que me faz alguma impressão é como a verdade de António Costa foi evoluindo ao longo dos tempos e hoje é quase uma verdade oficial. António Costa voltou na entrevista de ontem a sugerir que foi demitido por causa de um parágrafo, de um simples parágrafo, ou que se demitiu por causa de um simples parágrafo. Não é a primeira vez que António Costa o faz. Aliás, essa tese foi se tornando oficial, mas nós não nos devemos esquecer de um pormenor que muitas vezes tem sido esquecido: foi encontrado dinheiro vivo no gabinete do primeiro-ministro em São Bento. E António Costa não raras vezes tem nos feito esquecer desse fato, sugerindo que a sua saída se deveu a um plano ou a uma irresponsabilidade da Procuradora-Geral da República. Que o António Costa de hoje nos queira convencer disso é perfeitamente razoável e normal, porque é a sua verdade. Mas também não nos podemos esquecer que o mesmo António Costa deu uma entrevista à CNN pouco tempo depois da sua demissão, em que disse que muito provavelmente também se teria demitido sem aquele parágrafo. Portanto, António Costa, ao longo dos tempos, foi mudando de opinião e construindo esta tese de que só saiu por causa daquele parágrafo da Procuradora-Geral da República. E depois o mesmo António Costa, que na entrevista fez referência ao fato de Marcelo Rebelo de Sousa desde o início ter dito que a sua saída, no caso, a sua saída para a Europa, significaria um cenário de eleições. António Costa reconheceu isso mesmo na entrevista ao NOW. Depois insiste e vai insistindo que era perfeitamente razoável sair e deixar Mário Centeno no cargo de primeiro-ministro. Também aqui é incoerente, e não é só incoerente com o que António Costa disse na mesma entrevista, mas é incoerente com a história do próprio Partido Socialista. Sabemos que quando foi a saída de Durão Barroso para a Europa e a sua substituição por Pedro Santana Lopes, o Partido Socialista entrou em convulsão. Eduardo Ferro Rodrigues até deixou o cargo de secretário-geral do PS e, portanto, que agora António Costa ache muito razoável ser substituído por Mário Centeno, que, aqui um pormenor importante, é governador do Banco de Portugal, portanto, à partida, e só à partida, deveria ser uma figura independente. Portanto, imaginar que um governador do Banco de Portugal poderia fazer as vezes de primeiro-ministro apoiado por um partido, por maioria absoluta de um único partido, é um pouquinho surreal que ainda exista essa tese e que ela seja defendida por António Costa. Mas não deixa de ser curioso como, depois de tantos meses, esta versão oficiosa dos fatos ainda seja alimentada por muita gente do Partido Socialista, a começar por António Costa. António Costa diz que saiu por causa de um parágrafo. Não saiu por causa de um parágrafo, saiu porque foram descobertos €75 mil, creio, no gabinete do Palácio de São Bento, e a ideia de que um governador do Banco de Portugal poderia substituir um primeiro-ministro não tem adesão. Nem segundo António Costa, o primeiro-ministro que tomou posse sabendo que Marcelo Rebelo de Sousa convocaria eleições se o próprio António Costa saísse, nem é defensável à luz dos critérios que o Partido Socialista sempre aplicou, que é quando um primeiro-ministro sai, não pode haver uma sucessão dinástica. Portanto, mais uma vez, António Costa mostrou naquela entrevista que é, de facto, um político superlativo, que vai deixar saudades, mas estas versões oficiosas que se vão instalando são mesmo isso, são versões oficiosas, porque a história não é assim como António Costa nos quer contar, nem é como o Partido Socialista durante muito tempo tentou contar.

Alexandra, dizias que esta entrevista foi um passeio no parque.

Foi. Se calhar vou ser crucificada. Não sei se se pode usar ainda esta expressão, mas se calhar vou ser crucificada. Eu acho que foi, de facto, um passeio no parque. Houve muitas questões que ficaram por fazer. E já agora, aquela musiquinha ali em cima, em tom de fundo, também não sei se ajuda muito, mas acho que houve muitas perguntas que ficaram por fazer, nomeadamente em relação à Operação Influencer e ao caso de António Costa António Costa fez claramente ontem uma mea-culpa da escolha de Lucília Gago. Lucília Gago efetivamente foi uma má escolha. Penso que António Costa agora deve estar a pensar que foi uma má escolha, não pelas mesmas razões que eu estou a pensar, mas ontem assumiu, acho que fez um pouco essa mea-culpa de que falhou no nome de Lucília Gago. Mas António Costa também assumiu ontem que o seu processo era passado, tinha ficado para trás e não foi questionado e confrontado com a entrevista de Lucília Gago, em que a procuradora, ainda procuradora, deixou entender que o processo continua a ser investigado normalmente, ainda não foi arquivado, portanto, não foi confrontado com isso.

Gostava que isso tivesse sido recordado a António Costa.

Obviamente, é que ficou bastante pela rama nessa parte da entrevista, e em particular também sobre o papel do Ministério Público e sobre o papel que a Procuradoria tem tido e acho que faltou perceber porque é que António Costa diz claramente que é uma página que está virada, quando nós ouvimos Lucília Gago admitir que ainda está e para quem não comenta casos de justiça, é bizarro, como ontem comentou o processo de Medina. Em relação à entrevista, ainda dou nota sobre a questão do Orçamento do Estado. Eu ouvi várias leituras de que tinha havido recados ao governo ou ao PS. Eu vi mais recados a Pedro Nuno Santos e às oposições do que para Montenegro. Montenegro acaba também de apoiar a candidatura de António Costa, se calhar também o político António Costa não quis o confronto tão direto com Montenegro, mas em relação a essa política interna, eu vi António Costa a pôr mais a tónica em Pedro Nuno Santos para que viabilize o Orçamento do Estado.

Percebi mais essa questão.

Exato. Sendo certo que, obviamente, concordamos que o Orçamento do Estado não deve ser um instrumento de moção de censura ao governo, mas também não pode ser um instrumento de moção de confiança e o PSD não pode ver a eventual viabilização do orçamento por parte do PS ou das oposições como uma moção de confiança. Mas acho que colocou mais o ponto em cima de Pedro Nuno Santos do que propriamente Luís Montenegro, por causa da aprovação do Orçamento do Estado e da estabilidade política do país.

Miguel, isso para Pedro Nuno Santos ter a sombra de António Costa vai ser positivo ou vai ser uma pressão acrescida para o líder socialista?

Só uma nota sobre o que a Alexandra dizia, porque até aí António Costa conseguiu surpreender quando estava a fazer uma preleção sobre como uma coisa é o chumbo do Orçamento do Estado, outra coisa é a moção de censura. Estava dá para mim ouvir António Costa e lembrar: mas este foi o primeiro-ministro que foi a votos depois de um Orçamento do Estado chumbado, e que teve maioria absoluta com isso.

Mas ele disse que nem queria.

Nem queria.

Pois, não queria. Foi Marcelo, obviamente. Sabemos todos que foi Marcelo e que António Costa não queria ir a votos.

Foi a sua forma de criticar o Marcelo também, aquela entrevista.

E sabemos todos como António Costa fez um drama enorme quando, na altura, as oposições do PSD e à esquerda, o PSD liderado por Rui Rio e o Bloco e PCP, ameaçaram aprovar o reconhecimento do tempo de serviço dos professores e como até aí António Costa ameaçou atirar-se para o chão e gritar "pênalti". Quer dizer, vermos António Costa fazer de conta que não fez o que fez no verão passado, não deixa de ser curioso. Agora, claro que isto cria dificuldades a Pedro Nuno Santos, porque o que António Costa disse está em linha com o que Pedro Nuno Santos tem dito. Ou seja, uma crise política não é desejável, o governo tem a obrigação de governar, de negociar. Tudo isso é verdade, mas nas entrelinhas António Costa disse claramente que seria um suicídio político provocar uma crise política. E, portanto, Pedro Nuno Santos, se já está condicionado, ouvir António Costa dizer isto mesmo torna o caminho mais estreito, é evidente.

Aí já falou como presidente do Conselho Europeu.

Pois, em nome da estabilidade. Que nota dás a este político superlativo, Miguel?

É difícil.

É difícil.

Agora é ser superlativo, tem de vir aí uma.

O Miguel usou pelo menos duas vezes essa designação.

É difícil, porque de facto é fascinante vê-lo em ação, mas depois descascando, percebemos que há uma dose de hipocrisia muito grande.

Ou maquiavelismo.

Sim, eu aprecio o maquiavelismo e já passou algum tempo, portanto, vou dar um 15 a António Costa.

E tu, Alexandra?

Olha, eu tinha aqui uma nota um pouco mais baixa, porque eu também gosto destas manobras políticas de algum flavor político.

Há limites.

Há limites. E só faltou a Judite de Sousa às tantas perguntar o que diziam os seus olhos. Aquilo foi mesmo... Portanto, eu dou um 13. Desculpa.

Um 13. Se calhar a música levava.

Em relação ainda às razões da demissão de António Costa, que voltam sempre à discussão Além do parágrafo mortal e do dinheiro vivo, eu acho que o que pesou mais foi a vontade do António Costa. O António Costa é daquelas pessoas que está num casamento, quer sair, mas não quer ficar com as culpas da decisão. Não quer ficar o responsável pelo fim do casamento. E então, ao primeiro pretexto, sai. E foi o que aconteceu. Se não fosse o dinheiro vivo, se não fosse o parágrafo, haveria de ser outra coisa qualquer, mais cedo ou mais tarde. Aliás, isso tinha sido falado nas eleições, o aviso de Marcelo Rebelo de Sousa tinha a ver com isso. Toda a gente percebia que António Costa quase que tinha ficado desagradado ou pelo menos surpreendido com a maioria absoluta que o amarrava à governação, quando ele tinha outros objetivos, como se vai comprovar.

Portanto, António Costa foi comprar tabaco.

Foi.

Bruno, as escadas rolantes do metro de Lisboa não funcionam.

The rolling stairs. Pois é, em Portugal não é só o elevador social que não funciona. Os elevadores e as escadas rolantes do metro, que já é um clássico da mobilidade ou da falta de mobilidade, também não funcionam. Isto não surpreende ninguém que ande regularmente no metro, mas a verdade é que no ano passado a empresa anunciou um grande investimento para resolver o problema, que já está no folclore, e esperava-se que houvesse uma melhoria. Ora, o jornal Público investigou e chegou à conclusão que não só não melhorou, como a situação piorou de um ano para o outro. E se há consciência do problema, se há investimento, e consciência há certamente, porque imagino que não faltem queixas dos utentes. Se há investimento e se a situação piora, então só podemos classificar este caso como de flagrante incompetência. Eu já não vou falar do metro em si, dos comboios, que em hora de ponta chegam a ter intervalos de 10 minutos, o que é absolutamente inaceitável numa capital, numa cidade europeia. Eu acho que não funciona assim em lado nenhum, oito, 10 minutos de espera às 18h e tal, 19h, não faz sentido nenhum. Agora, esta situação da mobilidade dos acessos é crítica para pessoas com mobilidade reduzida, para pessoas que transportam volumes pesados.

Carrinhos de bebé.

Para os turistas. E parece que a situação ainda é pior na linha vermelha, que serve o aeroporto, nestas questões da mobilidade. E de um total de 117 elevadores que existem na rede de metro, há 22 parados e escadas rolantes imobilizadas, isso é uma contradição, escadas rolantes estão paradas, são 39 num total de 244. Podemos ver o copo meio cheio, podemos olhar e dizer que a maioria funciona. Agora, como é que a empresa justifica isto? Avarias e vandalismo, por um lado, e a dificuldade das empresas contratadas em assegurar a reparação. Eu costumo aceitar, sobretudo, esta justificação de dificuldade das empresas contratadas para fazer a reparação, que depois não fazem ou se fazem, voltam passado pouco tempo a não funcionar. Não estamos aqui a falar de catástrofes naturais, de atrasos nas obras, de problemas inesperados. As escadas estão ali, os elevadores estão ali, só não andam, que é aquilo que se espera de escadas rolantes e de elevadores. E isto ou é um incentivo ao exercício físico e para reduzir a pegada carbónica, ecológica do metro, ou então é mesmo só incompetência e é inadmissível, é inaceitável que com tanto investimento, com consciência deste problema, o problema não se resolva.

A nota vai para o copo meio cheio ou para o copo meio vazio?

Vai para o copo muito vazio, porque é inaceitável que não se resolva este problema, que a empresa, o Metropolitano de Lisboa, continue com justificações que não são aceitáveis e por isso uma nota negativa. Vou dar um 2.

Um 2 para o metro de Lisboa. José Manuel Fernandes, aposto que vem uma nota muito alta, porque queres falar de Simone Biles, do regresso de Simone Biles.

Quero. Ele deu 2, eu dou 20.

Dás um 20?

Não dou 20, porque não estou a dar uma nota artística, não estou a classificar as prestações, até porque pelo que li dos críticos, eu não sou especialista em ginástica, gosto muito de ver, mas não sou especialista em ginástica. As prestações dela de ontem em alguns dos aparelhos não foram tão espetaculares, sobretudo penso que no salto, do que as do primeiro dia. Mas ainda faltam mais prestações. Mas eu acho que aquilo essencial nem sequer é a genialidade de Simone Biles, que essa já conhecíamos há muitos anos. Portanto, desde que ela apareceu de forma absolutamente surpreendente pela primeira vez, mas pelo seu regresso. Há quatro anos, em Tóquio, ficámos todos chocados quando de repente ela disse: "Não consigo. Estou com problema, não estou a conseguir concentrar-me, não estou a conseguir fazer as provas como deve, isto é muito perigoso, se isto correr mal, eu posso escangalhar-me toda". E nós vendo aquelas prestações percebemos que se pode, de facto, escangalhar toda, literalmente qualquer pessoa se pudesse correr toda.

Aliás, é incrível que isso não aconteça mais vezes.

Com toda essa atleta.

Exatamente. E ela agora regressa, ela está sempre a sorrir. É uma alegria olhar para ela, para a forma como ela faz tudo, uma forma extraordinariamente leve e alegre E por essa lição que ela nos deu. Há um documentário sobre estes últimos anos na Netflix que é muito interessante. Eu recomendo que seja visto, até porque esta capacidade de superação é algo que, no caso dos grandes atletas, faz a diferença. Há atletas que têm uma capacidade física extraordinária, mas essa capacidade física, sem capacidade de superação, sem capacidade de sacrifício, sem capacidade mental, no fundo, não chega. Nós já tivemos casos desses em Portugal, de alguns atletas que até eram fisicamente superiores a outros, mas depois claudicavam pelas questões mentais. E muitas vezes dificuldade em assumir este lado. Acha-se que o físico é só correr muito ou saltar muito ou driblar muito. Não é. É também persistência, capacidade de continuar, capacidade de fazer sacrifícios, a capacidade de estar concentrado, a capacidade de não desistir. E desse ponto de vista, Simone Biles. Nós, portugueses, estamos a olhar para os jogos com aquele espírito habitual. "Epá, mais uma vez eliminado. Olha outro eliminado. Olha, não passou. É azar, correu mal, não estive bem." Enfim, talvez lá mais para diante voltemos a falar deste assunto. É um assunto que discutimos de quatro em quatro anos.

É verdade.

Quase sempre darão o mesmo. E já se percebeu que houve países que estavam em situações como a nossa e deram a volta. E dar a volta tem a ver, naturalmente, com talentos e atletas. Reparem, Simone Biles aparece de vez em quando, como Ronaldos aparecem de vez em quando. Para dar um exemplo português. Mas, por exemplo, se nós voltarmos para trás, se formos para o nosso Ronaldo, que agora está muito nas bocas do mundo, nem sempre pelas melhores razões. A verdade é que em grande parte da sua carreira, a sua capacidade de superação, de sacrifício, de passar estes anos todos que são décadas, fazendo inúmeros sacrifícios para estar sempre em forma, é algo que implica abdicar de muitas outras coisas. E a vida é a fama, é o dinheiro, mas também às vezes é outras coisas e há pessoas que fazem isso de forma quase natural e outras que nunca são capazes de o fazer.

Ouve, Manuel, deixa-me só acrescentar que eu acho que capacidade de superação e de sacrifício, quase todos os atletas têm para chegarem a este nível, para chegarem ao nível dos Jogos Olímpicos.

Claro.

O que Simone Biles nos mostrou, com o que aconteceu em 2021, é que existem lesões psicológicas, ou seja, existem mazelas invisíveis e que essas também pesam no desempenho dos atletas e que são tão importantes como as mazelas físicas. Ontem houve uma ginasta brasileira, a Flávia Saraiva, que se lesionou, abriu o sobrolho no aquecimento para a prova e toda gente percebeu que ela estava aleijada. Toda gente percebeu que ela estava diminuída. E por vezes há problemas psicológicos, dificuldades que não se veem e que também afetam o desempenho dos atletas. E isso não significa falta de capacidade de superação, porque estamos a falar de atletas que durante quatro anos sacrificam imenso e põem tudo o que eles são para uma prova que às vezes é ingrata, é verdade, e que às vezes, claro, não se conseguem superar, mas acontece com todos, acontece aos melhores. Simone Biles mostrou foi isso. Acontece aos melhores.

Sim. Também pode errar.

Isso é verdade. Isso que tu estás a dizer é verdade. Mas nós não podemos explicar, por exemplo, os insucessos portugueses apenas por falta de talento. Há mais coisas. E nós já vimos muitas vezes atletas portugueses que se sacrificaram muito, depois encontrarem desculpas. Portugueses e de outros países.

Sim. Nós às vezes temos essa tendência de dizer: "Isto só em Portugal", mas não é verdade. Noutros países acontece a mesma coisa.

Acontece a mesma coisa. E já vimos nestes Jogos Olímpicos também algumas situações bastante bizarras, digamos assim. Mas pronto, era isto. Esta questão não apenas da superação, mas de existirem questões que têm a ver com a nossa cabeça, que a nossa cabeça é parte do nosso corpo, o nosso corpo não é só músculos, mesmo quando estamos nos Jogos Olímpicos. Eu acho que é importante as pessoas terem noção disso e às vezes não há noção disso. Quer dizer, Simone Biles no primeiro dia de prova, não foi ontem, teve um problema que foi num tornozelo e passou a atuar ligada. Não sei se se recordam disso. E percebia-se que ela estava com dores. E foi capaz, mesmo assim, de continuar e de o fazer. E não arranjou desculpas para nada no fim. E isto é algo que nós temos que continuar a achar que vale a pena. Que vale a pena olhar para estes exemplos, não apenas pelo deslumbramento que eles nos permitem, mas também por aquilo que eles revelam da capacidade de fazer o que outros nunca foram capazes de fazer antes.

Então que nota vais dar a Simone Biles? É o teu vinte.

Eu já dei um 20.

Já deste o 20.

10 vezes a nota que deu o Bruno. Quer dizer, se fosse nota artística, ela ontem parece que não teve nada para 20. Mas aqui não estou a dar nota artística, estou a dar a quem vai nas suas terceiras Olimpíadas a ganhar medalhas.

É incrível, é incrível mesmo. Fica este vinte.

E amanhã, dia um, vamos voltar a ver.

No all-around.

Ainda faltam as provas individuais.

Exatamente. Sim, e portanto, quem sabe, ainda vai rebentar a escala. Mas para já é mesmo pelo exemplo e pela história de Simone Biles, que terminamos este "E o Vencedor É?" com um 20. Estamos de regresso amanhã. Até lá.