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Todos os dias, de manhã e à tarde, analisamos e avaliamos alguns dos temas e protagonistas que estão no topo da atualidade. As escolhas são da Judite França, a que se junta os nossos convidados desta quinta-feira, a jornalista da secção de política do "Observador", a Inês André Figueiredo, e o escritor e argumentista, companheiro da tarde política, Alexandre Borges. Sejam todos bem-vindos. Alexandre Borges, vamos começar desse lado. Hoje assinas um artigo de opinião publicado no "Observador" com o título "Nação valente fora de serviço". O texto é escrito com sentido de humor, podemos dizê-lo, é sobre a utilização da Base das Lajes pelos aviões de reabastecimento dos Estados Unidos da América, que terão servido para o ataque norte-americano ao Irão, e ainda sobre o fato da esquerda ter pedido esclarecimentos ao governo. Achas que foi esse alerta que levantou a lebre para que o Irão não pedisse também esclarecimentos?
Exato. Boa tarde, antes de mais e obrigado, como sempre, pela oportunidade. Sim, eu acho que quem levantou a lebre, pelos vistos, foi a Rádio Renascença a fazer o seu trabalho. Mas o que eu acho mais caricato na história é que a notícia foi partilhada e depois serviu de facto de pretexto à esquerda, aos partidos com assento parlamentar à esquerda na Assembleia para pedir satisfações ao governo e a notícia foi partilhada mais ou menos com este título: "Irão vai pedir explicações ao governo português sobre o uso da Base das Lajes." E aparentemente começámos todos a achar que nos tínhamos metido numa alhada bonita. Uns com medo, outros a achar: "Estão a ver? É nestas coisas que o governo nos mete ou que esta amizade com os Estados Unidos nos metem." Depois quando víamos a notícia, é particularmente engraçado perceber que o embaixador do Irão não sabia de nada e ficou a saber quando a Renascença lhe ligou a pedir um comentário. E a dizer: "Doze aviões de reabastecimento, em princípio, o governo português terá autorizado que passassem na Base das Lajes." E ele não sabia de nada. Mas ia ver e averiguar, e caso encontrassem algum assunto grave, pediria explicações ao governo português. E terminava dizendo esta coisa engraçada, que era dizendo que: "Nós normalmente não temos problema nenhum com Portugal. A última vez que tivemos chatices foi há 500 anos, quando Portugal andou lá pela zona do Golfo Pérsico." O que revela uma grande memória e um bom conhecimento histórico, mas de facto ou alguma desatenção à atualidade ou afinal não estávamos aqui a meter-nos num sarilho tão grande quanto isso. Parece que o Irão não estava assim tão incomodado quanto os partidos à esquerda talvez tenham querido fazer crer.
A dada altura do teu texto, Alexandre, insinuas que ao fazer este pedido de explicações ao governo, a esquerda não sabe, não conhece a relação de 80 anos entre Portugal e os Estados Unidos e que a essa ligação subjaz um acordo para a utilização da Base das Lajes. É por ironia ou consideras mesmo que há uma ignorância em torno dos trâmites deste acordo?
Exato. Não, é ironia, naturalmente. É claro que a oposição sabe disso e em particular o PS, que tantos anos tem passado no poder. São perguntas ou pedidos de satisfações que se pedem para respostas óbvias. Não há nenhuma notícia no facto de os Estados Unidos poderem utilizar a Base das Lajes para apoio a uma operação militar, porque lá está, para já é uma base militar, portanto, é como eu digo na crônica, não serve para organizar bailes dos bombeiros, serve para apoiar missões militares. O acordo contempla a necessidade de que esse uso, ou pelo menos nos seus termos atuais, de que esse uso não seja feito digamos indiscriminadamente em cada momento. Os Estados Unidos têm que pedir autorização a Portugal e pronto. Enfim, ao abrigo desse acordo, há esta formalidade, o que é esperado, naturalmente, é que Portugal concorde, autorize. O que seria notícia aqui seria se Portugal não tivesse autorizado. Essa é que seria a notícia. Portanto, quando se quer fazer um caso disto, está-se de facto a querer criar um caso assim um bocado no vazio, criar por criá-lo, porque particularmente um partido como o PS não tem muito a dizer sobre esta matéria. Sendo perfeitamente evidente que se estivessem na função governativa, teriam autorizado na mesma. Acho que ninguém duvida do contrário. E particularmente eu acho que quer qualquer partido, quer qualquer cidadão em geral pode colocar em questão esta operação, porque é feita perfeitamente à revelia do direito internacional. Em princípio, é feita à revelia da própria lei americana, porque o presidente americano não terá sequer pedido autorização ao Congresso como teria de o fazer. Portanto, isso é perfeitamente legítimo. O que já é mais discutível, ou se quiseres censurável neste tipo de posição é, por um lado, como digo, de um partido de esquerda se poder, como o PS, saber que está a fazer uma pergunta para uma resposta óbvia. Enfim, é hipócrita, não há outra hipótese. Por outro lado, estamos a fingir que de algum modo não percebemos como é que funcionam as relações internacionais. Isto é, Portugal é obviamente membro da NATO, Portugal tem um conjunto de alianças com conjuntos de países e as relações internacionais acontecem de forma naturalmente recíproca. Isto é, ninguém se move por achar que qualquer coisa é melhor pro mundo ou pro bem comum, porque não haveria noção mais discutível. Todos os países se movimentam naturalmente em favor dos seus interesses e trocam interesses. Portugal tem uma relação antiquíssima com a NATO e outra com os Estados Unidos e com os seus parceiros em geral, que tem a ver com este conjunto de acordos que protegem interesses mútuos. Não é como se pudesse tomar decisões perfeitamente isoladas, no vazio. E neste momento o que nós temos no mundo é uma coisa muito evidente. Nós, quer queiramos, quer não, temos que escolher de que lado é que estamos. E neste caso, acho que há três hipóteses, de fato, num momento de guerra como aquele em que estamos. Ou nós estamos com os aliados que temos até agora, Estados Unidos, NATO, União Europeia, ou aceitamos o apoio de um outro bloco perfeitamente diferente que se encontra do outro lado, onde está a Rússia, onde está o próprio Irã, onde está a China, onde está a Coreia do Norte, podemos escolher ter estas companhias, ou então vamos escolher uma espécie de orgulhosamente sós do século XXI e de feição mais esquerdista, em que decidimos então tratar nós próprios da nossa defesa. Mas aparentemente, e estamos num momento em que se não está quase a falar de outra coisa senão o crescimento do investimento em defesa, parece-me que estes partidos também não estão disponíveis para isso, para aumentar o investimento em defesa. Portanto, eu não percebo muito bem qual é a opção, qual é a alternativa que eles estão a propor para o país.
Achas que este acordo que envolve a base das Lajes nos permite dormir sossegados, sabendo que teremos a ajuda dos Estados Unidos em caso de ataque?
Não nos permite dormir sossegados só por si, não é? Agora, digamos que o facto de sermos parte da NATO, sim. E dormir sossegados é uma força de expressão, porque naturalmente acho que dormir sossegados foi o que fizemos durante todos estes anos. Acho que não deve haver ninguém, a menos o mais fervoroso nacionalista com uma distorção da percepção da realidade, que acredite que nas últimas décadas Portugal tinha por si só uma imensa capacidade de defesa, que caso tivesse algum problema sério fosse capaz de se defender. Portugal estava integrado num contexto maior, como muitos outros países, que em si mesmo tem o poder mais extraordinário que as Forças Armadas têm, que é o de serem dissuasoras de qualquer vontade de que se comece uma guerra. Se bem me lembro da guerra do Sun Tzu, acho que no fim a grande conclusão era mais ou menos esta: a melhor maneira de se ganhar uma guerra era nem sequer chegar a ter de a disputar. Não é o acordo da Base das Lajes por si só que nos permite isso, mas é esse acordo que nos tem permitido ao longo dos anos um conjunto de apoios e de negócios militares com os Estados Unidos, e é um contexto maior de sermos parte da Aliança Atlântica, que faz com que nos pudéssemos ter dado ao luxo também até aqui, nomeadamente tendo um mar gigantesco, de não termos tido nenhuma necessidade especial de grande investimento militar. Perante o qual nos confrontamos agora, toda a Europa se confronta, porque de fato, para usar a tua expressão, se calhar toda ela esteve a dormir sossegadamente ao luz dessa ideia de que haveria sempre um guarda-chuva americano sobre tudo isto.
Acabou. É também nossa convidada desta edição a Inês André Figueiredo, é jornalista da seção de política do Observador. Assina o artigo que está a esta hora em manchete e que dá conta de uma possível candidatura à Presidência da República do Major General Isidro Morais Pereira. Inês, boa tarde, bem-vinda a este espaço de liberdade que tão bem conheces.
Olá, boa tarde.
Sobre o eventual apoio dos diferentes partidos, o militar na reserva afirma que não descarta o apoio de ninguém, incluindo o apoio do Chega. Ora, tu acompanhas de forma próxima a vida do partido liderado por André Ventura. É de fato uma possibilidade? O Chega pode vir a apoiar uma eventual candidatura de Isidro Morais Pereira?
Já lá vamos, quero mesmo pegar nesse assunto. Só destacar aqui uma parte da entrevista, onde o major-general disse: "Se os portugueses querem um militar e se reveem no perfil de um militar, por que não dar-lhes outra possibilidade?" Parece-me que esta frase responde aqui um bocadinho a estas intenções, porque com certeza que o almirante Gouveia e Melo não recolherá 100% das boas opiniões nas Forças Armadas, sejam elas quais forem, na própria Marinha. Portanto, a opção de entrar aqui outro militar em jogo é relevante.
Ou seja, se temos várias figuras políticas, por que não várias figuras militares?
Por que não vários militares, quando já percebemos que os portugueses querem um militar, pelo menos assim as sondagens o indicam. Mas para chegar à questão do Chega, o nome de Gouveia e Melo sempre foi pouco consensual dentro do partido. O próprio André Ventura chegou a dizer que não era absolutamente unânime, para ser meiguinho. E se é verdade que-
Até porque Gouveia e Melo torceu desde cedo o nariz a um eventual apoio do Chega.
Era isso que eu ia dizer. Ou seja, em primeiro lugar, já não era unânime. E depois, começou a afastar-se de tal forma que isso foi um gatilho suficiente para que André Ventura e o Chega, a direção do Chega na altura reuniu-se para falar sobre este tema, tomassem a decisão de que o Chega tinha de ir com um candidato próprio e que esse candidato próprio seria o próprio André Ventura. A realidade mudou aqui um bocadinho os planos, parece que já passaram anos, mas foram poucos meses, caiu o governo, eleições, e o fato de André Ventura ter chegado a líder da oposição colocou-lhe aqui um embaraço, porque será Coloca-se como candidato a primeiro-ministro, é lá que quer chegar, é esse o objetivo. Portanto, teve de admitir que poderia não ser uma boa solução ser candidato a Belém. Estando aqui a hipótese em cima da mesa de André Ventura decidir mesmo não ser candidato, temos de perceber que é uma eleição muito importante e tão importante para o Chega que André Ventura era o candidato. Portanto, têm de arranjar alguém que seja mediático o suficiente para voltar a abanar o palco eleitoral, como aconteceu nas últimas eleições, mas também como aconteceu nas últimas presidenciais. André Ventura ficou a poucos votos de Ana Gomes e obviamente o incumbente aqui não teve problemas nenhuns em vencer, mas era Marcelo Rebelo de Sousa. De facto, agora podemos ter algo parecido com Gouveia e Melo. Mas isto para dizer que a opção de apoiar um militar é, sem dúvida, positiva para o eleitorado do Chega, e nós percebemos isso pelo que as pessoas vão dizendo e pelo próprio partido. Por outro lado, tem alguma notoriedade, que é algo que o Chega tem vindo a procurar em todas as eleições que vai fazendo, é comentador televisivo, é bastante regular, neste caso, na CNN, mas não terá uma notoriedade nem de perto nem de longe como Gouveia e Melo tinha. E resolvia o problema de o Chega não ter candidato, fazia com que pudesse apoiar alguém, o que é fundamental neste momento para um partido com a dimensão do Chega, mas também o contrário, que é, neste momento, qualquer que seja o candidato apoiado pelo Chega, vai com muito mais força para uma corrida do que não ser. E obviamente que Morais Pereira tem isso em conta.
Mas tem uma vantagem também, que não é um militante do Chega, não é alguém de dentro do Chega.
Ele na entrevista fala disso, ele diz: "Eu não sou militante de nenhum partido, nunca me filiei a nenhum partido", mas depois também refere: "Se tivesse, por exemplo, o apoio do Chega, não significa que 1.200.000 pessoas fossem votar em mim diretamente, mas muitos poderiam."
Até porque sabemos que, até pelo próprio eleitorado do Chega, que a única pessoa dentro do partido que poderá recolher 1,4 milhões de eleitores será, obviamente, André Ventura. E também percebemos que, por exemplo, dentro do próprio eleitorado do Chega, muita gente diz que Gouveia e Melo é o candidato perfeito. Portanto, algum desse eleitorado já estará, entre aspas, convencido de que vai votar em Gouveia e Melo. Obviamente que chegar aqui outro militar à corrida poderá ajudar a desviar um pouquinho essas atenções.
Significa que também há aí um risco, Isidro Morais Pereira, de facto, avançar, o Chega apoiar essa candidatura, Isidro Morais Pereira não ter um bom resultado nas urnas.
O Chega ficaria aqui numa posição difícil.
Mais ou menos, porque não é o mesmo que ter um candidato próprio, é alguém que apoia, mas que não faz parte do Chega. Tem essa vantagem.
Eu acho que a mossa seria maior se fosse um candidato do Chega que tivesse um muito mau resultado. Acho que nisso seria pior. Mas deixe-me só dizer que, de facto, com Gouveia e Melo tão destacado nas sondagens e havendo essa cota militar já preenchida pelo almirante, apostar noutro militar pode ser visto quase como um segundo. Ou seja, essa ideia pode não agradar muito ao Chega, quase como se à partida já houvesse um, vamos lhe chamar, cavalo vencedor da corrida e que o Chega vai apostar num que à partida será perdedor. Tanto que o major general Isidro Morais Pereira dizia: "Não quer dizer que eu ganhe estas eleições". Obviamente que não quer dizer, e com um Gouveia e Melo tão bem colocado, será difícil abanar tudo isto. E depois, também tentarmos ver aqui que se todas as pessoas que ponderam votar no militar têm o seu voto quase na sua cabeça atribuído para Gouveia e Melo, o que fará mudarem de voto? O Chega aí pode ter, de facto, uma grande força e como sabemos, um partido com a dimensão do Chega, neste momento, pode fazer uma campanha eleitoral enorme, que é uma coisa que pelo país será difícil. Por exemplo, temos outros candidatos, mesmo o próprio Luís Marques Mendes, o facto de ter o PSDA atrás, será muito mais fácil fazer uma campanha da dimensão nacional. A máquina montada do Chega é muito forte e o próprio major general diz isso.
Inês, muito rapidamente, só para passarmos a palavra à Judite, quando é que o Chega deve decidir sim, se sopas?
Nós não temos essa certeza, mas tudo que nos têm dito entre os dirigentes do Chega é que esta decisão não deve ser tomada antes das autárquicas. Portanto, também aí estão alinhados com o major general Morais Pereira.
Muito bem. Judite, tu queres analisar uma parte da entrevista do procurador-geral da República, Amadeu Guerra, entrevista ao Observador. Que momento é que queres analisar?
Deixa-me só dizer, antes disso, que foi uma entrevista muito interessante feita pelo Luís Rosa e pelo João Paulo Gudinho. E foi a primeira entrevista que Amadeu Guerra, como procurador-geral da República, deu, digamos, uma grande entrevista. E ficamos a saber, e essa é a parte que eu achei interessante, que a PGR vai deixar de comunicar os resultados das análises das chamadas denúncias anônimas, seja em averiguações preventivas, que é uma coisa que entrou no léxico muito recentemente, seja na sequência das averiguações preventivas ou nos inquéritos que são abertos com denúncias anônimas. Nada disto será comunicado aos jornalistas. Quando o processo de averiguação preventiva a Pedro Nuno Santos foi arquivado, Amadeu Guerra anunciou na altura que iria fazer alterações na comunicação do Ministério Público. Ora, aparentemente, vai mesmo. Recordo que Pedro Nuno Santos estava em plena campanha quando surge esta averiguação preventiva Que provinha de uma denúncia anônima. Portanto, aquilo que diz Amadeu Guerra é que não pode ficar indiferente ao que se tem passado. Nomeadamente, que tenha existido esta suspeição durante a campanha eleitoral, como também existe sobre Luís Montenegro, sobre a qual ainda decorre a chamada averiguação preventiva. Mas para voltar ao tema, diz Amadeu Guerra que não se pode dar azo a que um minuto depois de ser feita uma denúncia anônima, esteja um órgão de comunicação social a ligar, a perguntar o que é que aconteceu à denúncia que acabou de ser feita. Atenção que há muitas razões atendíveis para haver denúncias anônimas e também há denúncias que não são anônimas. Há denúncias que têm uma cara e que as pessoas assumem a denúncia que fizeram. Mas, de facto, mal há uma denúncia, nem sequer há um processo a decorrer, os jornais publicam a informação que vai claramente prejudicar a pessoa em causa. Somos jornalistas, todos, mas sabemos que vai prejudicar a pessoa em causa. E Amadeu Guerra sublinha que nesta entrevista, e eu vou citar: "Quer defender os cidadãos que são atacados", porque por vezes a denúncia anônima é mesmo isso, é um ataque gratuito que vai manchar aquela pessoa. Eu acho que isto é um bom princípio. Há denúncias que não passam disso, não passam de ataques políticos. Todos sabemos que o nome nos jornais é o suficiente para manchar a reputação daquela pessoa. É muito difícil depois voltar a tirar essa nódoa.
Sendo que, se bem interpretei, Amadeu Guerra não restringiu isto às investigações abertas na sequência de denúncias anônimas. E estou a pensar, por exemplo, no inquérito que foi aberto a António Costa e que esteve na origem da queda do governo. Haverá ali alguma crítica implícita, Lucília Gago, à plataforma?
Vamos falar do parágrafo, do famoso parágrafo. Não me parece que seja isso que esteja em causa, confesso-te. Eu acho que nós encontramos agora esta formatação, que já existia, da averiguação preventiva e que leva a que, mesmo sem haver grande espaço para andar, o Ministério Público avisasse os jornalistas: "Ok, está a decorrer uma averiguação preventiva." E isso era suficiente para levantar uma lebre. Se está a decorrer uma averiguação preventiva, então é uma denúncia anônima que merece ser tida em conta. E eu acho que a notícia depois que exista a dizer que nada pende sobre aquela pessoa, nós também sabemos que não vai ter o mesmo destaque, como é evidente, e portanto isso também me parece óbvio. Eu contra mim falo que sou jornalista, jornalistas querem dar notícias. Mas há muitas vezes especulação na comunicação social sobre denúncias que não foram de todo investigadas, quando a investigação está mesmo no início, em que não é possível determinar sequer se a denúncia merece a investigação. E portanto, é nessa altura é bom que as denúncias não se transformem rapidamente em sentenças. É que é fácil denunciar, difícil é retirar aquele anátema sobre o denunciado. E portanto, eu percebo esta alteração do modus operandi de Amadeu Guerra. Vamos ver se funciona.
Vamos a notas? Que nota para tudo isto?
Eu para a entrevista de Amadeu Guerra vou dar um 15. Acho que foi uma boa entrevista.
Muito bem. E nessa entrevista não chegamos a falar de notas. Não queres responder?
Não faço questão de dar nota, mas já agora falávamos há pouco da decisão ser só depois das autárquicas. Acho que faz todo sentido, porque fez pouco sentido Gouveia e Melo entrar ali de rompante no meio da campanha das legislativas.
Contrariamente àquilo que tinha prometido fazer. Alexandre Borges, alguma nota para todo este tema em torno da Base das Lajes ou de outros temas que falámos aqui?
Sim, já agora agradeço. Gostava de dar a nota ao embaixador do Irão, que se chama Majid Tafreshi. Perdoem o meu farsi, que não é o mais excelente. 12, porque não está muito atento à atualidade, mas pelo menos conhece a história, tem conhecimento histórico, o que já é muito útil e dizer mais do que a maioria. Sobre a questão dos candidatos presidenciáveis militares, não tenho uma nota para dar, mas gostava de vos dizer que de certeza que deve estar alguma inquietação na Força Aérea, porque é o ramo que agora está a faltar na corrida.
Sim, se o João Moura Esquerra é do Exército e Ricardo Gouveia e Melo da Armada, então e a Força Aérea?
Exatamente. Vai aparecer alguém.
Pode ser que caia para quedas ainda.
Isso é verdade. Quem disse para há quedas na política, sem dúvida. E sobre Amadeu Guerra, realmente tudo isto anda com guerra. Sobre Amadeu Guerra, gostava de dar um 16, porque é como diz o Jorge, vamos ver como é que isto corre, mas de repente, eu já escrevi sobre isto e já tivemos a ocasião de falar aqui um bocadinho uma vez. Há uma certa obsessão com a transparência, às vezes com a ideia de que ser transparente é tudo muito bom, mas não é, porque de facto o que acontecia com a questão das averiguações preventivas é que neste momento era notícia dizer: "Vamos ver se há alguma coisa para haver notícia." Neste momento era notícia: "Vamos ver se existe aqui alguma coisa a investigar." Quando já temos a fase do inquérito, que é tão grande em Portugal e que não tem bem uma correspondência com outras legislações antes da acusação, portanto a dos arguidos que ainda não são acusados, ainda se criou esta outra antecâmara em que vamos ver se há aqui alguma razão para sequer investigar, para sequer chegar à arguição. Portanto, a notícia não pode ser telefonar a alguém. Ainda bem. Acho que vamos ver se se consegue, se não continua a haver fugas de informação, mas parece-me um bom princípio.
Muito bem. Está feita esta edição de E o Vencedor É.