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O "Venceré das Manhãs 360", que também pode acompanhar com imagem através das nossas redes sociais ou pelo site do Observador. Luís, esta segunda-feira estão conosco a Helena Matos, o Miguel Pinheiro e é também nossa convidada a Susana Peralta.

E dou desde já as boas-vindas à Susana, que hoje vai ter notas para dar e não naipes, ao contrário do fora do baralho. Bem-vinda, Susana. Hoje temos elevadores avariados no metro de Lisboa e não só, mas ainda temos também o rescaldo de mais um caso envolvendo Luís Neves. E será que, Miguel Pinheiro, esta polêmica do Luís Neves vai ensombrar a Universidade de Verão do PSD, que hoje arranca?

Eu suspeito que sim, porque de facto hoje começa a Universidade de Verão do PSD. É um grande acontecimento para o partido, tenta chamar pessoas de fora da esfera do PSD. Este ano vamos ter Paulo Portas à direita, João Soares à esquerda, que servem para o PSD mostrar que é muito abrangente. Mas o PSD, neste momento, e por causa de Luís Neves, faz-me lembrar um bocadinho aquelas pessoas que depois de almoço têm um pedaço de alface nos dentes. E andam ali a tarde toda a dizer coisas incríveis, coisas interessantíssimas, estão a revolucionar o mundo, a explicar às pessoas como é que se cura o cancro, mas as pessoas olham pra eles e não ouvem nada do que eles estão a dizer, só veem a alface no meio dos dentes. E a alface no meio dos dentes do PSD, neste momento, é Luís Neves. O PSD pode dar o pino que entender, pode fazer o que quiser, mas as pessoas veem alguém do governo na televisão e só se lembram de Luís Neves. E aliás, o partido já anda a fazer uma grande ginástica pra esconder Luís Neves. Luís Neves chegou a ir discursar no último congresso do PSD. Não foi só ele, foram vários outros ministros, mas ele lá estava a discursar. E este ano, na Festa do Pontal, não foi convocado, não apareceu. Nesta Universidade de Verão, com certeza, nem vê-lo. Aliás, o número de ministros este ano está reduzido a dois, Paulo Rangel e Margarida Balseiro Lopes, que são duas presenças muito habituais na Universidade de Verão. No ano passado houve cinco ministros, além de Rangel e de Margarida Balseiro Lopes, foram Castro Almeida, Fernando Alexandre e Gonçalo Matias. Enfim, Fernando Alexandre também imagino que não fosse a melhor pessoa pra pôr à frente de jovens neste momento, mas passamos de cinco ministros pra dois. Eu suspeito que é pra ver se ninguém nota que falta ali Luís Neves. Enfim, há teorias que dizem que Luís Montenegro está à espera que passe a época de fogos pra poder substituir o ministro responsável pelo combate, caso haja algum problema. Se bem que isso não o impediu no ano passado de aceitar o pedido de demissão da então ministra da Administração Interna e assumir o lugar. Bem sei que no ano passado foi colocado perante uma situação da qual não havia fuga, porque a ministra queria mesmo sair, enquanto aqui Luís Neves já percebemos que fará tudo pra ficar agarrado ao lugar. Mas enfim, o meu ponto é: é possível, apesar de tudo, na época de verão, substituir um ministro da Administração Interna. Mas enfim, se calhar Luís Montenegro está à espera do momento em que passe o período mais complicado de fogos, apesar de este ano estarmos a ter, graças a Deus, muita sorte. Ou então simplesmente Luís Montenegro faz como muitos outros primeiros-ministros e não quer dar aquilo que acha que seria dar uma vitória às oposições, e aos jornalistas, e aos comentadores, essa classe horrível. E então quer insistir em manter o ministro só pra ser do contra, não sei, não estou dentro da cabeça de Luís Montenegro. Agora, há uma coisa de que ele pode ter a certeza: enquanto ele não tratar do problema Luís Neves, vai andar a vida toda com um bocado de alface no meio dos dentes. E como eu me preocupo muito com o sudouro de toda a gente, vou dar um oito ao PSD por não estar a resolver este problema.

Nem um cheque dentista, Miguel?

Pois, acho que não funciona muito bem. Acho que não.

Fica então o oito do Miguel Pinheiro e pegando neste tema também, Helena, o que é que estes episódios desta novela Luís Neves e desta alface no dente nos contam sobre o ministro da Administração Interna?

Olha, eu na fase em que estou, já só olho pra meteorologia, porque isto é assim: tem nos sido dito que Montenegro não pode tomar decisões em relação a Luís Neves, explicando ou invocando a questão de Portugal ser um país que nesta época do ano sofre habitualmente e recorrentemente com o problema dos incêndios. Este ano, por razões que a meteorologia explica, não tem sido esse o caso, para bem de todos nós e do país. E, portanto, como tudo indica que estamos com uma depressão, estamos até com um aviso do IPMA para vários dias. Segundo o IPMA, esta situação irá arrastar-se pelo menos, e agora já estou a citar o próprio site do Observador: "O instituto prevê que o estado do tempo se mantenha instável durante o resto da semana, com precipitação nas regiões Norte e Centro." Portanto, dificilmente Nós poderemos ter incêndios de dimensão preocupante nos próximos dias, talvez assim se possa equacionar o problema do ministro da Administração Interna.

Mas podemos ter cheias, Helena.

Mas então teríamos de viver num sítio muito particular. E a tua questão faz sentido. Tendo em conta que a Administração Interna acaba por estar presente nestes momentos inesperados da nossa vida, nesse caso, Luís Neves terá o seu lugar seguro por causa das intempéries e de aquilo que o céu nos manda, seja o que for. Ainda temos o problema dos sismos, como sabe, em 1755, e pode sempre acontecer, e vai vir o big one. E a Terra tem andado a tremer pelo mundo. O problema é que com isto tudo nós não temos ministro da Administração Interna. Se repararmos, nós estamos a ter notícias complicadas, suscetíveis de, em alguns casos, gerarem alarme social. Pensemos o que aconteceu em Rabo de Peixe, pensemos que todas as manhãs acordamos com a notícia de um tiroteio na periferia urbana de Lisboa ou um esfaqueamento. É uma pessoa, duas pessoas, e depois é sempre aquela coisa, não é uma coisa que aconteça no nosso mundo, é lá naquelas periferias, naqueles bairros, naqueles cafés que ficam não sei onde. Mas como é óbvio, e é dos livros, estas coisas, pra já, são graves por afetarem quem afetam. Depois, porque, na verdade, não vão ficar circunscritas. E depois porque em outros casos, pensemos o acontecido no centro de Lisboa e no centro do Porto, com uma bala perdida, depois com os esfaqueamentos, depois com os espancamentos, acabam a ter uma visibilidade e uma proporção, sobretudo em termos internacionais, que comprometem muito aquilo que é a imagem de Portugal como um país seguro. Nós precisamos de ministro da Administração Interna, por estas razões e por outras, porque o Ministério da Administração Interna é um ministério de soberania e eu acho, muito sinceramente, que Luís Neves precisa de tempo, precisa de espaço para, de alguma forma, se libertar das circunstâncias mais ou menos informais da sua atuação como diretor da Polícia Judiciária. E sublinho, não vejo nada do foro criminal nessa atuação. Vejo, sim, uma cultura de informalidade que acho que temos também que tirar conclusões de tudo isto, pensarmos como é que a Polícia Judiciária é inspecionada, quais são as entidades que asseguram a vigilância sobre a forma de atuar e proceder da Polícia Judiciária. Na prática, é muito mais uma fiscalização interna do que uma fiscalização externa. Com tudo isto, eu estou mesmo a olhar pro site do IPMA e tendo em conta que vamos viver sob estado de depressão, estamos a falar meteorológica, se agora Luís Montenegro considera que pode começar a olhar para o MAI, para Luís Neves, e não termos um homem no cargo unicamente porque pode haver incêndios, ou como tu também lembraste, porque pode haver cheias, que não faz sentido algum.

E a tua nota vai para o Luís Neves?

Não. Eu vou ser o ser mais odiado de Portugal hoje, porque eu vou dar uma nota muito positiva ao estado do tempo, mas é uma nota política. Eu dou um 15 a este estado do tempo, porque ele pode permitir uma aberta política a Luís Montenegro pra pensar sobre o nosso ministro Luís Neves.

Quem está de férias não deverá gostar muito desse 15, mas é uma nota política, fica essa ressalva. Susana, bem-vinda uma vez mais. Hoje temos aqui vários elevadores avariados, mas vamos primeiro ao elevador social. Os dados do acesso ao ensino superior, que foram conhecidos este fim de semana. Consegues retirar algumas conclusões daquilo que foi conhecido?

Olá, bom dia. Isto é uma notícia que têm várias notícias circulado acerca do acesso ao ensino superior, e o que se verifica é que apenas 3% dos alunos colocados fazem parte dos alunos mais pobres. Isso quer dizer que de facto as classes mais baixas têm muita dificuldade em colocar os seus filhos, esses jovens têm muita dificuldade em chegar ao patamar do ensino superior. E de facto, esta questão do elevador social, eu estou a citar uma notícia que vinha no Público e que citava o coordenador Luís Loures, presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos. A questão aqui é que eu acho que é errado olhar para o ensino superior como elevador social. É evidente que o ensino superior é uma das escadas do elevador social e que idealmente nós gostaríamos de ter mais jovens de classes sociais mais baixas, de famílias com rendimentos mais baixos, a conseguirem atingir este patamar. Agora o problema é que não há elevador social sem começar, nem sequer é pelo ensino secundário, porque depois nestas declarações fala-se da qualidade do ensino secundário. O ensino secundário é obviamente importante, mas a verdade é que todos os estudos, tudo o que nós sabemos acerca do desenvolvimento do cérebro, e são estudos que são comprovados tanto pelas disciplinas das neurociências como depois pela disciplina da economia da educação e da estatística da educação. O que nós sabemos, dizia eu, é que este elevador social começa desde a mais tenra idade, e desde a mais tenra idade é desde a creche Nem sequer é desde o pré-escolar. É evidente que todas estas medidas de que aqui se fala, de ter bolsas mais generosas, maiores incentivos para as pessoas que vêm de estratos sociais mais baixos, inclusivamente, obviamente, a ideia desta tutela de ter revertido a exigência de dois exames nacionais e de voltar à exigência de apenas um exame nacional, tudo isso ajuda a que as pessoas de rendimentos mais baixos cheguem ao ensino superior. Desse ponto de vista, são boas medidas, são medidas que promovem a equidade no acesso ao ensino superior, mas não haverá nunca equidade de acesso ao ensino superior enquanto não houver uma garantia da formação do capital humano, das competências destes indivíduos desde a mais tenra idade. Porque o que nós sabemos é que quando as pessoas chegam, por exemplo, ao ensino básico, ou seja, quando têm seis anos, já vêm com grandes discrepâncias do ponto de vista das suas capacidades, porque as suas competências cognitivas e não cognitivas, que são formadas nos anos mais jovens, desde bebês, e que há diferenças familiares muito grandes, que têm a ver com o nível de educação das famílias, com o tempo de qualidade, com as atividades que estimulam esse tipo de crescimento nos jovens, etc. E que a escola, a creche e o pré-escolar têm um trabalho muito difícil e que exige imensos recursos, que é reverter esta desigualdade base da família. Reverter não no sentido de fazer com que as pessoas que vêm de famílias mais desfavorecidas sejam melhores, mas fazer com que o investimento nestas crianças seja o suficiente para as colocar em efetivo pé de igualdade e para não ser a tal pista de atletismo, a corrida de 100 metros, em que uns correm 50 metros à frente. É uma nota negativa, no fundo, não para o ensino superior, que eu acho que não é o ensino superior que consegue fazer esse trabalho, mas uma nota negativa, e devo dizer que isto é comum a todos os países, está muito longe de ser uma especificidade portuguesa, embora em Portugal nós tenhamos um grande atraso, até no debate político, relativamente à importância do pré-escolar e dos anos iniciais da creche. Hoje em dia isso já está bastante estabelecido, mas há 10, 15 anos, certamente há 20, em Portugal era como se a vida começasse aos seis anos e nunca se falava destas questões do pré-escolar e da creche. Hoje em dia houve o programa Creche Feliz, creches gratuitas, mas nós sabemos que ainda nem sequer temos cobertura universal do pré-escolar. E sabemos também que houve crianças que tiveram acesso à Creche Feliz e depois não conseguiram dar o salto para o pré-escolar por falta de vagas. E isto é absolutamente aberrante no contexto da União Europeia, um país que ainda não consegue garantir uma escolaridade gratuita e universal a partir dos três anos e uma cobertura de qualidade creche. E já agora, também têm vindo a público várias notícias de creches ilegais fechadas aqui e ali. Portanto, é uma nota que eu vou dar aqui. Nota negativa, vou dar um oito, porque apesar de tudo, eu acho que estamos num caminho, pelo menos, de termos uma consciência disto. Eu repito, não para o ensino superior, mas para o tal elevador social que está avariado e que nós não podemos assacar ao ensino superior essa responsabilidade. Isso tem de vir de muito mais cedo.

Susana, ficas com a via aberta, porque sei que também queres falar de outros elevadores que também estão avariados.

Também queria falar um bocadinho dos crimes da Helena. Ainda posso adding mais um pouco?

Sim, um momentinho.

Só se sei.

Desculpa, Helena, claro, dos teus crimes. Não, é óbvio, quanto ao Luís Neves, nada a acrescentar. Eu já te estou a ter em deborar há muito tempo, não vou dar para esse peditório. A questão é: estas notícias que realmente têm sido diárias, dos esfaqueamentos, nós não sabemos se isto corresponde a um efetivo aumento do crime. Há também o efeito da silícia nisto. Isto não é desvalorizar a gravidade desses crimes.

Não.

Eu vivo ao pé da Baixa, eu imaginar que pode haver uma bala perdida quando eu estou a ir tomar o meu café de manhã, fico completamente alarmada com isso. Agora, até saírem as estatísticas no final do ano, nós não sabemos se houve ou não houve um aumento.

Mas até por isso, o mais seria importante.

E eu não tenho a certeza que isto já esteja a ser visível lá fora. Não, claro.

Turista, sim. Mas até por isso o mais seria importante para dizer isso que acabaste de dizer. Estes casos têm uma grande visibilidade, mas temos de perceber que não está a aumentar ou que estamos a acompanhar com preocupação. Até por isso, o mais seria importante.

Claro, não ia contra. É isso. Obrigada.

Fica essa ideia. E eu sei que também ainda querem falar dos elevadores do Metrô de Lisboa, até porque são do ponto de vista também do utilizador, mas Bruno, o que te fica de todo este grande trabalho que está no Sétimo Observador hoje sobre as escadas rolantes e os elevadores do Metrô de Lisboa?

Luís, o que fica é que o Metropolitano de Lisboa tem 234 escadas, 10 tapetes e 133 elevadores distribuídos pelas 46 estações. São usados todos estes equipamentos À volta de 18 horas por dia. E é normal que haja problemas, que haja avarias. O que não é normal é que haja estas taxas de indisponibilidade destes equipamentos, cerca de 13% em 2024 e 2025 para as escadas mecânicas, nos elevadores já chegou aos 25% e 30% em alguns casos, e isto é verdadeiramente inadmissível. É um problema que já tem sido falado muitas vezes, agora há dados mais concretos sobre estas taxas de indisponibilidade, sobre também os contratos existentes entre o Metro de Lisboa e as empresas fornecedoras, nomeadamente o contrato que foi feito com um único fornecedor a partir de 2021, acho que vigorou entre 2021 e 2025, e que veio agravar os problemas. Agora vai-se reverter essa solução e vai-se optar por diversificar os fornecedores para minimizar a dependência de um só fornecedor para o caso de as coisas não correrem bem. Vai-se também optar por uma vigilância diária nas estações para haver um report dos problemas que existem, das avarias existentes. Mas com todas estas medidas, com todos os contratos que venham a ser feitos de manutenção e que possam prever penalizações mais eficazes para os fornecedores, não se compreende como é que estamos no estado atual com avarias que se arrastam durante meses, nalguns casos até durante anos. Não há nenhuma desculpa para que isto aconteça. É verdade que são muitos equipamentos. Sem dúvida que todos os dias pode haver uma avaria. Nós sabemos que quem vive num prédio com um elevador sabe que existem avarias, e estes têm um uso bastante intensivo, com muita gente a passar por aqui todos os dias e é normal que existam avarias. Mas não é normal que tenhamos equipamentos durante tanto tempo sem estar a funcionar, com tudo o que isso implica, sobretudo para as pessoas com mobilidade reduzida. Estamos a falar de equipamentos que são essenciais para garantir o acesso de todas as pessoas, mas em particular daquelas que têm mobilidade reduzida. Não há nenhuma explicação, seja a natureza dos contratos, seja a dimensão do número de equipamentos que existe, que explique o mau funcionamento dos elevadores e dos equipamentos mecânicos, das escadas rolantes, dos tapetes rolantes do Metro de Lisboa. Era um problema que já deveria estar resolvido. Parece que há até num caso, creio que é na estação do Cais do Sodré, uma dúvida sobre se a responsabilidade é do Metro ou da Infraestruturas de Portugal e por isso é que ainda não se resolveu, mas isso de facto não é admissível. Não se compreende como é que este problema se arrasta há tanto tempo. Vamos ver se estas medidas acabam por surtir algum efeito, mas quando nós chegamos a uma estação de metro e não vemos umas escadas avariadas ou um elevador avariado, aí é que nós estranhamos. Isto dá uma ideia da gravidade e do facto de se ter tornado um problema sistemático e de não ser uma situação pontual.

Deixa-me ver, Susana, do ponto de vista da utilizadora, imagino que esta notícia não te tenha surpreendido de todo.

Não, eu realmente sou utente do Metro de Lisboa e partilho completamente estas preocupações. É inacreditável. Eu acho só muita graça, porque recuperei aqui um texto meu no Público de outubro de 2023, ou seja, há três anos, em que o metro tinha desenvolvido uma nova funcionalidade, que eles diziam que era do seu departamento que se dedica a projetos de inovação e desenvolvimento, e essa funcionalidade chamava-se SIC, Estado dos Elevadores. E o objetivo desta funcionalidade era que o metro ia ter um mapeamento dos elevadores que estavam a funcionar e não estavam a funcionar. E segundo o Metro de Lisboa, isto permitia facilitar a mobilidade e colmatar os constrangimentos da acessibilidade causados pela avaria dos elevadores. Portanto, isto foi há três anos. Era uma espécie de um reconhecimento do metro que de facto havia um problema. Eles imaginarem lá no Metro de Lisboa, naquelas cabecinhas, que para uma pessoa de mobilidade reduzida, ver que o elevador do metro do Rato, para dar um exemplo, que é uma colina, está avariado, então o que é que a pessoa faz? Sai no Marquês e vai a pé ou sai na Avenida e vai a pé. Quer dizer, é de uma falta de noção. Portanto, isto mostra que eles já sabem disto há imenso tempo, que têm andado a tapar isto com pensos rápidos, e isto é um escândalo internacional, porque quando nós comparamos a infraestrutura de transportes desta cidade, desta metrópole, com a de outras europeias, valham-nos os santos que nos ajudam a subir escadas como a do metro da Baixa-Chiado a pé.

Helena, em 30 segundos, também a tua opinião sobre este tema.

Olha, além de que este texto é muito importante, há uma questão que a Ana Suspiro referiu na história do dia que é também importante, e que é sobre o metro ainda há informação, e há informação. Sobre a CP, é tudo muito mais opaco. E aquilo que acontece em estações, por exemplo, como a Gare do Oriente, com as escadas rolantes, ou aquilo que acontece com o tapete rolante na estação Roma-Areeiro, ou aquilo que acontece nas estações suburbanas, não se sabe rigorosamente nada, porque se trata de uma empresa muito menos aberta e muito menos a disponibilizar informação. E só queria acrescentar aqui uma coisa: esta não é apenas uma questão que afeta as pessoas com pior mobilidade, seja pela idade ou por determinadas patologias. Pensar que alguém vem com um saco de compras do supermercado, que vem com carrinho de bebê, que vem com uma mala maior ou que pura e simplesmente está cansado. Há aqui um efeito de desistência face à opção pelo transporte público. Não adianta nada andarmos com campanhas verdinhas, verdocas, a promover isto e a promover aquilo, quando depois as pessoas chegam ao transporte público e encontram um ambiente, seja pelas infraestruturas, seja às vezes até pela própria arquitetura das estações, vejam a largura dos degraus nas novas estações, e não funciona. Portanto, eu dou, sim, um 16 ao artigo hoje d'O Observador, porque aos elevadores e às escadas, como eles não funcionam, não posso dar.

Bruno, a tua nota muito rapidamente.

É um zero. Para não dar um menos um, que às vezes era o merecido.

Susana, obrigado por teres vindo. Este é o "Vencedor é", que está de regresso mais logo na Tarde Política.

Começa a seguir ao jornal das 18h, esta segunda-feira dou a nota a Judite França, Gonçalo M. Crespo e Luís Aguiar Conraria.