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Este é mais um E o Vencedor É da Rádio Observador. Lembro que também nos pode acompanhar com imagem através das nossas redes sociais ou do site do Observador. E Carla, esta terça-feira estão conosco para dar notas a Helena Matos, Ana Sanlis e José Manuel Fernandes. Esta manhã seguimos de autocarro com paragens na educação e em Luís Neves também. Ana, por onde começar quando se fala de Luís Neves?

Por onde começar, por onde acabar. Não acaba. E tanto não acaba que eu sinto que até já estou a repetir-me um bocado, porque acho que é a terceira semana seguida que trago Luís Neves ao programa, o que por si só diz muito. Que é praticamente um dos únicos temas desta silly season. E por outro, é um sinal de que o tema não morre, que é sério o suficiente e grave para se continuar a falar dele. O que para o Luís Neves não é bom, para o governo não é bom, para Montenegro não é bom.

O que significa que aquela conferência de imprensa não esgotou o tema.

Não esgotou o tema, como vimos nos dias seguintes e nas semanas que se seguiram. E isso passa a ser um problema para o governo, porque cada vez que um destes governantes sai à rua, por estes dias, é para responder sobre este caso. E nós sabemos que este governo é muito de apregoar as coisas que está a fazer e as reformas, e gosta de estar sempre nas notícias a apregoar qualquer coisa, mesmo que seja do mês passado, e está completamente bloqueado e encurralado pelo caso Luís Neves. Ontem viu-se um bocadinho isso. Esta semana há a festa do Pontal. Eu imagino que Luís Montenegro esteja mortinho e ansioso por subir àquele palco para dizer qualquer coisa que soe positiva para o governo, para falar sobre os números da economia.

Já ensaiou ontem.

Que ele ontem bem tentou, mas não teve grande eco. Quem sabe fazer um anúncio. Há dois anos o Montenegro anunciou no Pontal o bónus para os pensionistas, como bem nos lembramos. Eu estou a imaginar o primeiro-ministro a obrigar Miranda Sarmento a inventar dinheiro numa cartola qualquer.

Pois, está em aberto para este ano ainda. Nós sabemos ainda que o governo costuma decidir sempre em função da execução orçamental.

O governo tem atirado muito pra frente e até tem baixado as expectativas em relação à atribuição de bónus este ano.

Primeiro, a margem orçamental já não é a que era. Nós sabemos isso. Depois deste ano, para todos os efeitos, houve despesas extraordinárias que não estavam previstas por causa da tempestade, por exemplo.

Tempestade, crise, exatamente.

E portanto, isso pesa nas contas.

Mas estás a apostar que sexta-feira há grandes notícias.

Não vou apostar nisso, mas a verdade é que o governo tem estado muito condicionado com o caso Luís Neves. Quanto às declarações de ontem, houve quase que uma concertação. O primeiro-ministro, a ministra da Justiça e o próprio Luís Neves. Eu acho que ninguém disse nada de muito surpreendente. A preocupação é desvalorizar e naturalizar o caso. Acho que querem passar a ideia de que não há nenhuma guerra, nenhum desconforto dentro do governo. Isso já tinha sido passado cá para fora, que a auditoria foi articulada.

Que o Ministério da Justiça pediu à PJ.

Foi tudo articulado com o governo. Ontem isso foi dito de viva voz pelo primeiro-ministro, que a decisão foi do governo, essa concertação no governo, porque é isso, é claro que a imagem que se quer passar é de tranquilidade, de que isto é um dossiê como outro qualquer. Percebemos que não é, mas não se esperava que nenhum governante dissesse outra coisa. E eu não acho que quando Montenegro diz que estas auditorias são boas para tirar a limpo este caso, que o primeiro-ministro tenha dúvidas em relação ao seu ministro. Acho que é o contrário, que quer mostrar que há transparência, que ele é o rosto da transparência e que dali não sairá nada de comprometedor. Ele mesmo fala em comprovar que não houve irregularidades nas decisões de Luís Neves. Ora, comprovar é corroborar alguma coisa que se pensa. E neste caso, a convicção do primeiro-ministro de que não houve essas irregularidades. Mas pronto, por muito que transparente que o governo e o Montenegro queiram parecer, que a ministra diga que não está em causa uma investigação de um ministro a outro, a um colega do governo, e que isto é uma auditoria administrativa e normal no âmbito da Polícia Judiciária, que é para defender a Polícia Judiciária, quer dizer, a personagem central desta auditoria normal é Luís Neves. As ações que motivaram esta auditoria foram praticadas durante o mandato de Luís Neves, será sempre Luís Neves que estará em xeque e como membro do governo, acaba por ser o executivo, acaba por contaminar o governo também. E a sombra da comissão de inquérito pedida pelo Chega também pesa. Interessa ir esvaziando isto nas próximas semanas o mais possível. Portanto, acho que esta operação quase de charme e de relações públicas é um bocadinho nessa tentativa de ir desvalorizando e esvaziando o caso.

Vamos imaginar que esta auditoria do Ministério da Justiça Tem resultados algures quando a comissão parlamentar de inquérito estiver para arrancar. Esvazia, de alguma forma. Vamos lá, essa tentativa do governo, se vai conseguir esvaziar de fato ou não, eu acho que a partir do momento em que a comissão parlamentar de inquérito está decidida, nada a vai travar. Mas obviamente que o caráter de novidade ou de tentar perceber o que se passou pode ficar comprometido perante esta auditoria. E portanto, acho que há esse objetivo do governo. Nem estou a ver aqui, nos últimos dias vimos o paralelo que foi feito, por exemplo, em relação à investigação que Nuno Crato, ministro da Educação, fez a Miguel Relvas e à forma como Miguel Relvas tinha ou não obtido o curso, a licenciatura e por aí fora. Eu acho que são coisas completamente diferentes. Neste caso, o Ministério da Justiça está a investigar uma entidade da sua tutela e não um comportamento pessoal de um membro do governo no seu trajeto acadêmico, que era o caso de Miguel Relvas. E portanto, há aqui uma confluência para aquilo que é o objetivo do governo e do próprio Luís Neves, que é tentar esclarecer aquilo que se passou, confiando, obviamente, e confiando o próprio, que aquilo que ele fez e mesmo os atos que ele praticou à frente da PJ, que possam ter violado as regras administrativas, que foram com um bom propósito de responder com rapidez àquilo que eram as necessidades da PJ. Portanto, acho que não há aqui uma guerra dentro do Conselho de Ministros.

Sim, também não me parece que haja, até porque se for concluir que a Polícia Judiciária tem de vez em quando que contornar alguma burocracia para fazer o tal combate ao banditismo de que o Luís Neves gosta de se gabar, acho que ninguém vai dizer que é por aqui que houve grandes irregularidades.

Com tudo isto, acabas a nota.

Sim, este trabalho de relações públicas do governo, da defesa de um membro do governo, vou dar um 12, mas acho que este caso não se vai eclipsar tão rapidamente. Desculpe, eu tinha que introduzir.

Tinhas que dizer.

A palavrinha.

Até amanhã é muito válido. Paulo, vamos aos números dos professores que se reformaram e dos que adiaram esse momento com os incentivos do governo. É a notícia do Público hoje.

Está no Público hoje, de fato, o Público faz aqui umas contas e diz-nos que 3300 professores entraram na reforma, portanto reformaram-se neste ano letivo, chegaram à idade e decidiram isso, e cerca de 2000 adiaram a saída para a reforma. Por quê? Porque o governo criou uma medida precisamente para incentivar os professores que o quisessem, no fundo, a prolongarem a sua manutenção em atividades letivas para além da idade da reforma. Isto é um acréscimo de 750 € mensais brutos aos professores que adiem a reforma. E isso então teve este resultado, cerca de 2000 professores decidiram então prolongar a carreira neste ano letivo. Gostava antes de mais de referir aqui que o prêmio é robusto e está a ter resultados por causa disso. Nós muitas vezes vemos, ao longo de muitos anos e vários governos, criarem alguns incentivos para tentar fixar funcionários públicos no interior ou médicos para zonas onde eles são mais necessários. Às vezes, incentivos no IRS para que os jovens não saiam do país e por aí fora. Só que depois são incentivos, quando se supreende tudo, tão pequeninos, tão vergonhosamente pequenos, se quisermos, que aquilo não leva ninguém a alterar a sua vida. E é preciso perceber que quando se criam esse tipo de incentivos, ou é robusto para as pessoas pensarem duas vezes, e eu acho que neste caso é, estamos a falar de 750 € mensais. Um professor em topo de carreira, em final de carreira, ganhará mais de 3000 a 3500 € brutos. Estamos aqui a falar de cerca de 20% do ordenado, de acréscimo. Portanto, é substancial e tem que ser assim para as coisas fazerem efeito. Caso contrário, não se alteram comportamentos quando o incentivo é pequeno. E portanto, isto é positivo e há aqui uma medida que está a ter resultados que já são visíveis. Outra questão, isto resolve o problema? Não resolve o problema, porque vão continuar a sair. A educação é daquelas áreas onde é muito fácil prever a procura para as próximas décadas. Basta ver as crianças que estão a nascer agora. As crianças que estão a nascer agora, daqui a cinco ou seis anos, vão começar os seus estudos letivos, daqui a 18 anos estarão a acabar o secundário e por aí fora.

Tens o fantasma da imigração que é mais evidente.

Mas mesmo assim consegues fazer cálculos.

Se tudo for mais regulado, claro.

Exatamente. E consegues fazer cálculos com alguma precisão. Do lado da procura, é muito fácil perceber qual vai ser a comunidade estudantil ao longo dos próximos anos. E do lado dos meios do Estado também, qualquer pessoa consegue prever com uma simples folha de Excel, ou nem isso, quantos professores é que vão estar no ativo, se todos se reformarem, daqui a 10, 15, 20 anos. Portanto, as contas não são fáceis de fazer. E essas contas são feitas e vamos continuar a precisar até 2035, estamos aqui a falar de um horizonte de quase 10 anos, 38 mil docentes, ou seja, vão ter que entrar cerca de 3800 novos professores por ano. E sabemos também que não estamos a formar professores a este ritmo. E portanto, urge fazer aqui qualquer coisa, passa-se aqui um pouquinho aquilo que se passou com os médicos, ou que se passa com os médicos, que é não formarmos médicos suficientes para aquilo que é a procura, sendo que a procura na saúde é muito mais difícil de prever do que na educação. E portanto, há aqui medidas ainda para tomar. Agora, esta medida é positiva. O governo também prevê que agora este bônus de 750 € passe a ser aplicado apenas nas chamadas zonas mais carenciadas. Talvez fosse bom rever se faz sentido, no fundo, reduzir o âmbito da medida. É uma medida que está a ter resultado.

Mas foi essa parte da notícia que me chamou a atenção, porque acho que a notícia do Público, e sobretudo o título de primeira página, a notícia está correta. O título de primeira página é enganador. Eu achei estranho que, havendo um desnível tão grande entre reformados e aqueles que ficam, uma medida que aparentemente estava a ter sucesso passasse a ser aplicada apenas numa parte nas zonas carenciadas. Depois, vi bem os números com mais cuidado, que aliás são números do mês passado, são números divulgados pelo Ministério da Educação o mês passado, traçam um retrato um bocadinho diferente, sobretudo do título de primeira página, que é: "Perderam 3500 professores". Não, as escolas no ano passado ganharam 2543 professores.

São aqueles que deviam ter saído por automatismo de idade e não saíram.

Não, não é isso. Eu vou explicar. No ano passado, balanço do Ministério da Educação, foram contratados 5535 professores. Regressaram ao sistema 1008 professores, foram contratados docentes do ensino superior e investigadores para o ensino secundário, 227, o que dá um total de 6543. Isto são números oficiais. E depois, a estimativa do ministério é que se reformassem 4 mil. Na altura, não estavam os números fechados. Afinal, reformaram-se só 3300. E, portanto, os que prolongaram a carreira são os tais 2200 que fala a notícia do Público. Eu disse que o balanço era um 2500. Não, o balanço deve ficar acima dos 3 mil positivos. E talvez isso explique porque é que o ministério abrandou, de alguma forma, a política dos 750 € para todos os que prolongassem e passou a aplicar isso nas zonas onde há, de fato, falta de professores, porque senão não se percebia por que, havendo tantos professores, o sistema a perder tantos professores, isso acontecesse. Portanto, eu diria que, aparentemente, pelo menos por agora, porque isto é assim, como tu disseste também, Paulo, isto é um déficit que se vai prolongar até 2034. É evidente que nós, aqui há uns anos já, percebemos que havia déficit de professores e, portanto, a percepção que eu tenho, não consegui encontrar números sobre isso, é que os cursos de formação de professores, que durante bastante tempo praticamente não tiveram procura, voltaram a ter alguma procura, porque o mercado reage assim. As pessoas desistiram de ir para os cursos de formação de professores naquela altura, para aí há 20 anos, onde de repente os professores não eram colocados e as pessoas ficavam desempregados. Agora, de repente, todos os professores são colocados, portanto, é um curso considerado profissional, é natural que haja mais procura novamente. Portanto, daqui até 2034, não sei fazer o balanço. Provavelmente, isto não é igual em todas as disciplinas. Há disciplinas em que é mais difícil. Informática costuma ser mais difícil, Matemática costuma ser mais difícil. Há outras em que, porventura, é mais fácil.

Português também.

Pois, Português também. Nem tudo é igual nas diferentes disciplinas. Mas eu diria que eu tenho aqui uma nota positiva, se quiseres, porque apesar de tudo, é positivo ter-se invertido um déficit de professores, que recordo quando este ministro chegou lá, o problema era quantos alunos havia sem aulas porque não havia professores.

E mais ainda, nem se sabia com rigor essas falhas.

Nem se sabia com rigor. Agora, de alguma forma, esse problema não desapareceu completamente, porque basta um professor de repente ficar doente e é necessário colocar outro, e as escolas têm, às vezes, pouca elasticidade para conseguir isso rapidamente. Mas a conversa já não é a mesma, porque além destes professores todos que foram colocados, ainda é preciso somar os 700 que vieram das direções gerais onde não estavam colocados e que voltaram às escolas. Portanto, é evidente que ainda há mais problemas, por exemplo, não é só os professores que saem porque se reformam, é os professores que chegam a uma determinada idade e, portanto, a carga letiva fica mais leve. Pelo menos é as regras que estão em vigor neste momento. E, portanto, isso também faz com que sejam necessários mais professores. Os problemas não estão resolvidos, mas a crise que se falava aqui há uns anos está melhor. Portanto, eu acho que as coisas, apesar de tudo, estão melhores e aparentemente houve políticas com, 750 € é dinheiro, como se costuma dizer.

Sim.

E portanto, não é apenas um bônus.

É um incentivo, verdadeiro.

É um incentivo real, até porque supostamente tem impacto na reforma. Quer dizer, é dinheiro e custa dinheiro a nós todos, porque o dinheiro não nasce do céu. Mas é por uma boa causa.

Então vais dar uma nota positiva.

Eu a isto dou uma nota positiva. Ao título do Público, à manchete do Público, é a primeira página, o título lá dentro está correto. À manchete dou uma nota negativa, porque é apostar no medo das pessoas quando não é isso que está a acontecer. As escolas não perderam 3300 professores, reformaram-se até menos do que aqueles que estava previsto reformarem-se. Estavam previstos reformarem-se 4 mil, reformaram-se 3300. Portanto, é um título um pouquinho feito ao contrário, como se só fosse bom dar más notícias e assustar as pessoas. Enfim, vai um 7 para o título do Público e vai um 14 para isto estar a correr, apesar de tudo. Vai um 13, vá lá, vai um 13 porque ainda falta muito pelo referente.

Ainda precisa mais. Paulo.

Ainda precisa mais.

Eu sou para 14. Não é normal termos medidas com este impacto positivo e a conseguirem chegar ao objetivo que se propunha. Eu acho que a questão dos 750 € para adiar a reforma, mais as outras medidas que o José Manuel Alfonso falou também, nomeadamente tirar professores de medidas administrativas e colocá-los novamente a dar aulas, que era uma coisa que se falava há décadas, nunca ninguém tinha tido coragem para fazer, tudo isso é positivo e vai um 14.

Vai um 14. Helena, traz aqui um outro assunto que tem a ver com os percursos dos autocarros e das paragens ou não. Explica-me.

Completamente diferente, mas também é uma questão de oferta e procura. É um bocadinho no domínio do quotidiano. Mas acho que o quotidiano também faz parte. E nós, a propósito daquela menina que ficou esquecida numa estação de serviço, ela viajava de autocarro Sozinha, tinha 11 anos, viajava de autocarro e acabamos a ser confrontados com o mundo de papelão que nos rodeia, cheio de documentos, questões administrativas, mas depois a realidade é completamente diferente. Em primeiro lugar, e acho que é importante dizê-lo e fazer aqui uma declaração de interesses, como mãe e avó, sou uma grande utilizadora deste tipo de viagens. E todos os pais divorciados, não divorciados, os avós, todos sabem que as crianças, sobretudo quando chega o verão, precisam de viajar. E o recurso ao autocarro facilita muito por uma razão. Em primeiro lugar, porque Portugal tem uma muito razoável distribuição de serviços de autocarro para todas as localidades, boa parte delas. Por outro lado, a quem tem responsabilidade das crianças, as viagens de autocarro aparecem como muito mais seguras que as viagens de comboio, embora estas últimas sejam mais confortáveis, agradáveis, tudo isso, mas há muitas paragens, as portas abrem. Portanto, quando se compra um bilhete de autocarro e sobretudo quando se escolhe, como fazem muitos pais, avós, tios, o que se vai é à procura da viagem, como diziam aqueles pais daquela menina que ficou esquecida na estação de serviço de Almodôvar, é uma viagem que uma pessoa olha para aquilo e é uma cápsula. Escolhe a viagem direta, o percurso direto, e na nossa santa ingenuidade, imagina que sendo direto, ele começa aqui e só para no destino. E é isto, em geral, quem vai aos terminais rodoviários percebe que há sempre vários adultos a deixar ficar estas crianças, estes adolescentes, porque também há aqui uma idade mínima para que isso possa acontecer. E depois, é claro que estão outros com ar muito ansioso no terminal, à espera. Pronto, isto é assim. E é isto que as pessoas acreditam ou que acontece, portanto, que é uma viagem de um ponto a outro, sem paragem. Vai-se percebendo, quando se fala com as crianças e elas chegam, se correu tudo bem, que sim, houve uma paragem. Está lá escrito, muitas vezes, que a viagem é direta. Então por que para? Aqui chegamos à outra parte. Falhou isto. É direta, mas não é completamente direta. Portanto, temos de instruir, particularmente as crianças, que eles não saem da camioneta, haja o que houver. Mas aí chegamos ao outro problema.

Ou se saem, ficam atentos à partida da camioneta.

Claro. Pois, agora fala o Paulo, que certo não sei já como é isto. Ora, o que nós temos? Que oficialmente, muitos destes autocarros, nas duas redes principais, Rede Expressa ou Flixbus, têm casa de banho, têm um WC funcional mínimo, mas eles ter, têm. Muitos deles têm, só que não funcionam. E daí a paragem na estação de serviço. Ou seja, a paragem na estação de serviço acontece, também pode acontecer por outras razões, que é o número de horas que o motorista já está ao serviço. Mas frequentemente acontece, ou sobretudo acontece, para que as pessoas vão à casa de banho, porque as dos autocarros não estão a funcionar, na maior parte dos casos. É como aquele anúncio nas montras: montra em execução. Está lá, até quando se compra o bilhete online, consegue ver-se o ícone dos autocarros que têm casa de banho a funcionar, mas a verdade é que não está, na maior parte dos casos, a funcionar, e daí a paragem na estação de serviço. Por outro lado, e por exemplo, no caso da rede Flixbus, os pais até preenchem uma declaração de consentimento no momento da reserva do bilhete, quando vão viajar as crianças ou adolescentes. Ficam absolutamente convictos que alguém se responsabiliza pelos seus filhos. Ora, também não é isso que acontece. Portanto, nós temos aqui um universo de faz de conta. Os pais que acreditam que a viagem é direta, que acreditam que a casa de banho está a funcionar e que acreditam, no caso da Flixbus, que por preencherem uma declaração de consentimento, isto também já aconteceu na Rede Expressa e depois desapareceu, que de facto há ali uma responsabilização. Não é assim. Pode dizer-se, os motoristas trabalham várias horas. Os motoristas, na verdade, pelo menos na Flixbus, eu estive a tentar perceber isto, têm uma responsabilidade de entregar o autocarro em condições e aquilo que alguns dizem em relação às casas de banho, é que depois ficariam absolutamente infr frequentáveis e a causar mau cheiro dentro do autocarro e por isso elas estão fechadas. Portanto, há aqui uma questão, Paulo, de oferta e procura. Os pais, os avós, os tios precisam que as crianças e adolescentes viajem sós, sobretudo nos períodos das férias, mas não há aqui resposta por parte, muitas vezes, de quem opera estas redes e, sobretudo, faz parte dos terrores de qualquer um, ouvir aquilo que ouviram aqueles pais daquele motorista, que foi: "Eu não sou ama."

Da parte do condutor.

Da parte do condutor do autocarro, para explicar o fato de a menina ter ficado sozinha naquela estação de serviço, onde, é claro, foi muito bem tratada, muito bem acolhida, deram-lhe de comer e tudo isso.

Acabou tudo bem, o pai teve que, presumo, ir de Lisboa a Almodôvar para depois completar a viagem até ao Algarve Eu acho que foi daqueles equívocos. O autocarro para, as pessoas têm 10, 15 minutos, o tempo dado, não sei quanto foi para a casa de banho, para a pausa, tomar o café, e depois vão regressando. Eu já fiz estas viagens há muito tempo, nos meus tempos de faculdade.

Mochila, palco mochila.

Mochila também, entre Lisboa e Viseu. Sei como é que a coisa funciona, as pessoas vão entrando e das duas, uma: ou há uma contagem de cabeças e uma lista, e se faz uma chamada, também não estamos organizados a esse nível, para perceber se está toda a gente lá.

Não conhecemos qual era o tipo de passageiros. Há muitas vezes um cuidado quando se percebe que há um menor sozinho.

E perceber que a pessoa ao nosso lado não está. É dizer: "Olhem, estava aqui uma menina que não está". Pronto, claro.

Aquela coisa humilhante que todas as crianças odeiam, mas que todas as avós fazem, que é pedir à pessoa do lado: "Olha, ele vai aqui ou ela vai aqui".

Exato.

E normalmente a pessoa do lado adora.

Adora e garante que vai tomar bem conta. Mas há, de facto, aqui uma questão de oferta, procura ou uma procura que ainda não tem uma oferta, mas seja como for, também temos de olhar aqui um pouco o que está por trás, seja em relação às condições dos motoristas. Alguém fez por mim uma pequena sondagem naqueles grupos de pais, mães, para perceber o que está a acontecer com estas viagens das crianças no verão, nos autocarros, e houve sobretudo respostas por parte das más condições de trabalho dos motoristas. Portanto, se calhar, convém perceber também o que está por trás daquela menina que ficou sozinha na estação de Almodôvar.

Muito rapidamente, só a tua nota, Helena.

A minha nota, os pais e todos os familiares precisam de férias, as crianças também. Portanto, eu vou dar-lhes um 15. E também porque precisam de acreditar que as crianças têm de viajar e quem nunca viajou sozinho num autocarro para fazer férias com a outra parte da família, desconhece.

Não sabe o que perde.

Não sabe o que perde.

E o "Evoe Citaré" regressa mais logo na tarde política. Numa versão alargada, que começa a seguir ao jornal das 18h, esta terça-feira dão notas Helena Garrido, Ricardo Ferreira Reis e o Gonçalo Duarte Sevada. Assim que acabar, chega o Alberto Gonçalves com o "Ideias Feitas", que começa às 18h50, na tarde política.