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Este é o You Vencedor das manhãs 360, que também pode acompanhar com imagem através das nossas redes sociais ou pelo nosso site. Luís, esta quarta-feira estão conosco a Helena Matos e a Ana São Lés.
E voltamos à novela da Ren, mas antes disso, Luís Neves tem ou não condições para continuar ministro? André Ventura avança ou não com uma moção de censura? São nesta altura, Bruno, mais as dúvidas do que as certezas ou temos já aqui algumas certezas?
Eu lamento ser um pouco repetitivo em relação ao que tenho dito e acho que todos temos dito nos últimos tempos e ontem aqui também no Vencedor acabamos por falar disso, mas é a realidade que é repetitiva.
Claro, o assunto é repetitivo.
É repetitivo. Ontem falávamos aqui das declarações que Luís Neves iria fazer. Eu disse que o governo Luís Montenegro, neste momento tem a obrigação de controlar, pôr um travão no ministro. E ontem vimos o porquê. Por que Luís Montenegro pôr um travão a Luís Neves é importante não só para preservar ainda o que é possível preservar das condições políticas de Luís Neves, mas também da própria dignidade do governo e da autoridade política de Luís Montenegro, porque as declarações de Luís Neves não esclareceram nada, não sei se seria possível esclarecer, e houve um aspecto das declarações que foi francamente atroz para Luís Neves, para o governo, para toda esta novela, que foi este duelo com André Ventura e com o Chega, que para o Chega está ótimo. Ainda bem que é assim, ainda bem que Luís Neves riposta desta maneira em relação aos ataques continuados do Chega, mas o Chega tem toda a legitimidade enquanto partido da oposição e principal partido da oposição em fazer esses ataques e se essa é a estratégia do Chega, aquilo que o governo deveria fazer, Luís Montenegro deveria fazer, é não comprar esta guerra com o Chega e não o fazer através do ministro da Administração Interna. Porque ontem nós ouvimos aquelas imagens numa cerimônia da PSP e de vermos o ministro entrar numa guerra política como se os dois grandes adversários políticos neste momento na política portuguesa fossem, de um lado Luís Neves e do outro André Ventura, é algo que diminui ainda mais as condições ou retira ainda mais condições políticas a Luís Neves. Neste momento eu só vejo uma forma de Luís Neves poder continuar como ministro da Administração Interna. Luís Montenegro afastá-lo dos holofotes, tirá-lo, dizer que não vale a pena entrar em explicações e muito menos entrar numa guerra aberta com André Ventura, com o líder da oposição. E não só, estava a ouvir o Miguel Pinheiro, não só pelo fato de ser necessário ao governo manter pontes abertas, estradas limpas com o Chega para eventuais negociações. Eu nem poria as coisas tanto nesses termos, mas mais no fato de estas declarações, esta atitude e a postura de Luís Neves, no fundo, constituir quase uma afronta à autoridade do primeiro-ministro. Quando Luís Neves se arvora aqui o grande combatente contra o populismo, não é essa a função do ministro da Administração Interna. Não é isso que se espera do ministro da Administração Interna, ainda que nós percebamos claramente que desde o início a escolha de Luís Neves foi recebida quase como um ataque pelo Chega. O Chega encarou essa nomeação como um ataque ao próprio partido, pelas posições públicas e as declarações públicas que Luís Neves tinha feito enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária. Mas essa questão, esse rufo entre o Chega e Luís Neves, não podia levar e encaminhar todo o governo para esta situação, quase como se o líder do governo fosse Luís Neves. E aqui eu lamento, mas só há a maior responsabilidade, não vou dizer que é a única responsabilidade, mas a maior responsabilidade, de facto, de Luís Montenegro. Se há alguém que podia pôr um travão nesta situação, nesta sucessão de declarações que acabam por não esclarecer nada e põem o governo em dificuldades, é o próprio primeiro-ministro. Não vou tão longe quanto Adalberto Campos Fernandes, que dizia que estará em causa o regular funcionamento das instituições. Não sei se essa será a opinião de António José Seguro, presidente da República, Adalberto Campos Fernandes é conselheiro do presidente da República, mas é claramente estranho vermos o ministro da Administração Interna ter aquele tipo de declarações, entrar naquele tipo de confronto direto e aberto com o líder da oposição. Portanto, aqui há um custo bastante elevado para o governo e que poderia ser evitado de uma forma muito simples: calar Luís Neves. Fazê-lo perceber que ele é ministro da Administração Interna, deve concentrar-se tanto quanto possível nas suas funções, no desempenho das suas funções, e não entrar em guerras que são prejudiciais para as instituições e muito em particular para o governo.
Ana, ouvimos ontem Luís Neves atirar em várias direções. Aquilo que te pergunto é se esses tiros fizeram ricochete Ou podem fazer.
Sim, está um clima estranho. Antigamente, ao sábado à tarde, na televisão, havia o Walker, o Ranger do Texas. Agora, semanalmente, e às vezes mais que uma vez por semana, temos novos episódios do Neves, o Ranger do Odemira. A descrição da série também é engraçada, se procurarem: é um ex-marine especialista em artes marciais que vive a sua vida pelo código do velho Oeste. Alguma semelhança com a realidade é aqui pura coincidência.
Também é o Sudoeste.
O próprio Luís Neves disse ontem que será sempre polícia, portanto, só lhe falta o chapéu para ser o Ranger. Eu nem soube muito bem como reagir depois daquelas declarações que vimos ontem, que me pareceram completamente despropositadas, em tudo, na forma e no conteúdo. O local foi absolutamente despropositado e nós tínhamos falado aqui, Luís Neves tinha prometido falar sobre todos os assuntos. É certo que não tinha dito onde ia falar, em que circunstâncias, mas o ministro já tinha dado uma conferência de imprensa sobre o assunto e esperava-se uma coisa com o nível semelhante de formalidade, ou pelo menos de informação, ou de adequação às declarações que tinha para fazer. Esperávamos, pelo menos, que houvesse respostas aos jornalistas, a disponibilidade para fazer. Mas Luís Neves escolheu trocar aquilo que devia ser um momento solene do cumprimento de funções de um ministro, que era o discurso no aniversário do comando da PSP na Madeira, numa sala cheia de polícias, que foi para isso que ele foi à Madeira, para cumprir as suas funções enquanto ministro. Mas escolheu então fazer esse momento de Ranger do Texas e de defesa da honra. Reduziu isto tudo que se está a passar nas últimas semanas e já nos últimos meses, a uma luta do bem contra o mal e até elegeu o vilão. Há os maus, que são os bandidos, que o Luís Neves combate, e depois há o grande vilão desta história, André Ventura. E tudo aquilo foi errado. E eu já defendi aqui Luís Neves e continuo a achar que o ministro tem qualidades, acho que somos cada vez menos. Mas a forma como o Luís Neves está a reagir a tudo isto é completamente espanta-fúria. Não é assim que se comporta um ministro, este já não é um ministro, até porque eu não vejo como é que Luís Neves esteja a ganhar com isto, ao colar-se ao estilo trauliteiro e populista que critica no Chega e depois ele próprio não foi outra coisa que não populista e trauliteiro. E ele não vai ganhar essa batalha. Ventura está a anos-luz à frente do que Luís Neves possa querer fazer nesse campo. Luís Neves não ganha, o governo não ganha em ter um governante numa cruzada interna contra o maior partido e o líder da oposição. Pelo contrário, só se fragiliza. E tendo um duelo com dia e hora marcada para a próxima semana, realmente não sei entender muito bem aquela aparição de ontem. Como dizia o Bruno, alguém devia dizer a Luís Neves nos próximos dias para fazer como dizia a sua antecessora, que dizia que há muito trabalho que se faz em contexto de invisibilidade. Se calhar, Luís Neves devia pôr o manto da invisibilidade durante algum tempo. Dar explicações, sim, porque elas são devidas, mas poupar-se a estes espetáculos muito pouco dignificantes. E o ministro ontem criticava os populistas que criam um caos que dá jeito, mas a verdade é que ele está a ajudar esse caos e que o caos dê jeito a quem o quer criar. E portanto, se queres a minha nota, só não dou um zero, porque eu gostava do Ranger do Texas e vou lhe dar um 2.
Um 2. Bruno, queres dar a tua nota já também?
Eu dou um 20 ao Chuck Norris. Não, mas eu tenho de reforçar a nota negativa para Luís Montenegro, por falar em invisibilidade. Luís Montenegro disse que não ia de férias, mas neste tema parece que foi ele que vestiu o manto, a capa da invisibilidade, e isto chegou a um ponto em que já não é admissível o primeiro-ministro não se chegar à frente, despir, tirar o manto da invisibilidade e mostrar quem é que ainda tem, se é que tem, a autoridade dentro do governo. Portanto, vou dar um 2 a Luís Montenegro.
Partilhas o 2 da Ana. Helena, vais ter este tema em debate no Contracorrente, mas queres aqui abordar o impacto disto no restante governo, que é perceber se tudo isto acaba por ofuscar a atuação dos outros ministros, para o bem e para o mal.
Olha, exatamente. Quando é que foi a última vez que ouvimos falar de José Manuel Fernandes, não o nosso que está de férias, mas sim o ministro da Agricultura e Mar? Ou quando é que ouvimos falar, por exemplo, de Nuno Melo, Miguel Pinto Luz? Nuno Melo ainda ouvimos por causa das fragatas, mas tudo aquilo passou muito rapidamente. Miguel Pinto Luz, Carlos Abreu Amorim, ministro dos Assuntos Parlamentares, Gonçalo Matias, ministro da Reforma do Estado, até ministros como António Leitão Amaro, Paulo Rangel, até o próprio Joaquim Miranda Sarmento, que já anda às voltas com o orçamento. Quer dizer, há aqui quem se possa queixar? Manuel Castro Almeida, que veio apresentar os resultados de execução do PRR, e que não teve mais do que uns breves minutos de atenção, porque estamos todos focados no Em Luís Neves. Na prática, até da própria Ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, só ouvimos falar por causa de Luís Neves. Não ouvimos falar de mais nada. Há aqui todo um lado de captura do próprio executivo, para melhor e para pior. Podemos pensar que, se calhar, Ana Paula Martins, Ministra da Saúde, não se sentirá muito mal com isto tudo, porque ainda hoje nos noticiários vocês estavam a dar conta daquelas habituais, creio que já foram mais graves, mas de toda maneira ainda é uma situação complicada, porque há urgências que estão a demorar 11 horas a conseguir atender. Isso de modo algum é aceitável, mas Ana Paula Martins este ano talvez tenha ido de férias no verão. Temos o próprio Ministro da Educação. Foi passada a fase pior, mas porventura até viria agora o maior escrutínio para perceber o que está a acontecer, como é que não? Não vamos. A própria Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, saiu aquele estudo sobre a Segurança Social, a sua sustentabilidade e a sua possível reforma. Talvez tivesse havido uma maior pressão sobre esta ministra, porque o estudo, na verdade, foi encomendado por ela, para perceber o que ela pensava do estudo, o que ela não pensava do estudo. É claro que de Margarida Balseiro Lopes ouvimos pouco. É uma pasta, a Cultura, a Juventude e o Desporto. Ela fez aquelas declarações na Universidade de Verão sobre as mulheres conservadoras versus feministas. Fiz essas declarações, mas mesmo só isso. Também houve uma questão com os artistas, como nós sabemos, os artistas mais velhos têm, não lhe vou chamar pensões, uns apoios. E há sempre aquele problema com os que têm apoio, com os que deixam de ter apoio. Também nada, porque estamos todos pendentes do extraordinário caso do nosso ministro, dizem que era da Administração Interna, mas na verdade, ele parece ser cada vez mais um ministro de si mesmo, para resolver os problemas de si mesmo quando ainda não era ministro, e que pela sua própria forma de ser, de estar, de comunicar e de agir, acaba a gerar ruído quanto baste para que esteja constantemente a ser notícia. Eu vou dar uma nota. Hoje dá as notas? Hoje dou, e vou dar uma nota boa. Eu vou agradecer. Vou dar uma nota a Paulo Rangel, Joaquim Miranda Sarmento, António Leitão Amaro, Manuel Castro Almeida, Gonçalo Matias, Carlos Abreu Amorim, Nuno Melo, Miguel Pinto Luz, Rita Alarcão Júdice, Luís Neves, Fernando Alexandre, Ana Paula Martins, Maria do Rosário Palma Ramalho, Maria da Graça Carvalho. Não, essa deixa para depois, mas vá, continua. Está bem. Margarida Balseiro Lopes e José Manuel Fernandes. O ministro, sim. Sim, Maria da Graça Carvalho até veio a dizer que em termos europeus tinham achado muito bem a nossa entrada. Essa lá vamos, claro. Pronto, mas vais tu. Vou eu. Mais ninguém. É mesmo isso. Por este estado de bonança em que têm estado, e que certamente vários deles agradecerão, porque há pequeníssima que só o Paulo Ferreira é que liga. Claro. Vou avançar para um 14 para este estado de invisibilidade em relação ao senhor que devia mandar neles todos, mas não manda, Luís Montenegro. Só lhe posso dar zero por falta de comparência. Sei que está em faltou a exame. Mas dava jeito que fizesse alguma intervenção em São Bento. E pronto, agora vou deixar ficar o Paulo a tratar desses assuntos aos quais ninguém liga, que são os assuntos da governação. Claro, vamos a isso então, Paulo, nem digo mais nada.
Não, energia, mas o que é que é esta coisa do conhecimento de energia e a REN, essas coisas todas.
Claro, isso interessa lá ao alguém.
Não interessa nada. Interessou a Bruxelas, pelos vistos. Não, isto tudo a propósito. Já agora, faço aqui um disclaimer, eu só não estou a falar do caso Luís Neves, porque a seguir temos explicador sobre ele, senão certamente seria também falado. Isto para dar razão à Helena. A Ministra do Ambiente e da Energia foi ontem a Bruxelas explicar o regresso do Estado português ao capital da REN, e diz que a decisão foi muito bem aceita e muito bem compreendida. Antes de mais, em Bruxelas já sabem mais do que nós sobre a operação, pelos vistos. Espero que a ministra tenha dado mais detalhes sobre a operação e sobre como é que através desta operação de compra de 13,7% do capital da REN, ela vai conseguir os objetivos todos que quer em termos de política de energia. Bruxelas já está à nossa frente a este nível. Ora bem, e a ministra, nesta operação um bocadinho incompreendida ainda, diz que, e cito: "Do ponto de vista da segurança do abastecimento, da segurança do Estado, da nossa política ter cada vez mais energia acessível, limpa e segura", diz ela, "que a participação do Estado na rede faz todo sentido." Eu acho que em relação aos objetivos de política energética, toda mundo concorda, toda mundo quer energia acessível, limpa e segura, e quer uma autonomia energética do Estado de fornecedores externos maior possível. Mas isso é como dizer que eu tenho aqui uma sopa que é cremosa, que é saudável, que é cheia de fibra, que só tem boas gorduras e que ainda por cima tem pouco sal, portanto, tudo aquilo que se pode esperar de uma refeição equilibrada, e depois logo a seguir dizer: "E para comer esta magnífica sopa, eu tenho aqui este magnífico garfo." Ou seja, há aqui uma diferença entre o instrumento e o objetivo. E o que a ministra e o governo ainda não explicaram é como é que a compra de 13,7% do capital da REN a um preço que é secreto e que não pode, não deve ser secreto. O Estado não pode ter negócios secretos, a não ser a marcar viagens de avião para os espiões. Ainda não explicou, talvez o tenha feito à porta fechada em Bruxelas, como é que estes 13,7% da REN vão permitir ao Estado isto tudo, sem se saber ainda que lugares é que vai ter ou que o Estado quer na administração, nos órgãos sociais e no órgão de gestão da REN. Por quê? Porque depois Maria da Graça Carvalho diz outra coisa. Diz que em países, e cito mais uma vez, com os quais nós gostamos de nos comparar, como a Dinamarca, a Suécia e a Noruega, as suas empresas, aqui acrescento eu, de transporte de energia, como a REN, são 100% públicas. Ora, cá está a grande diferença. Uma coisa é ter o monopólio natural, uma empresa que se domina 100%, e aí o Estado, bem ou mal, de acordo com as políticas de regulação, tem um poder, de facto, de gestão da empresa, outra coisa é ter 13,7%. E numa empresa em que o Estado tem 13,7%, das duas, uma: ou vai para lá torcer as boas regras de governance, de governação, de equilíbrio de poderes, para conseguir alguns destes objetivos, e mesmo assim vamos ver como é que isso articula com a política de regulação da ERSE, ou então, se a coisa for transparente, o Estado não vai mandar nada. Traga gasto o quê? O Económico fala em 380 milhões, não é? Que não está confirmado o valor. Antes de mais, era muito importante que o governo, sobre esta operação, além de ir a Bruxelas explicá-la, a explicasse cá com detalhe e que dissesse quanto é que paga, quanto é que nós contribuintes fomos colocados a pagar por esta parcela da REN. E depois perceber como é que estes objetivos todos, que são bondosos, que toda a gente concorda, são atingidos através deste instrumento, porque eu acho que há aqui, de facto, uma incongruência, uma incompatibilidade entre os objetivos pretendidos e o instrumento que se está, no fundo, a utilizar para alcançar.
Pelo menos não terá ido para Bruxelas dizer que é para baixar os preços da eletricidade.
Já não é mau. A energia acessível. Bom, o acessível aqui pode ser em termos de acessibilidade de fornecimento. E não de preço. O facto de não se pôr as coisas dessa forma tão escandalosamente demagógica, já é um avanço, mas aguardamos então que Maria da Graça Carvalho ou o governo, não é ela a única, obviamente, depois há o ministro das Finanças, há o primeiro-ministro, nos explique essas coisas todas direitinhas.
Então a tua nota vai para quem?
Olha, nem sei que te diga. Vai para Bruxelas, que já sabe mais do que nós, e levam 14 aqui, que é quase a percentagem de capital que o Estado vai ter na REN. Em Bruxelas sabem sempre mais do que nós.
É isso que eu ia dizer, já têm mais informação. E o Venceré, que está de regresso também mais logo na tarde política.
Às 18h10, numa versão alargada esta quarta-feira, as notas vão ser dadas pelo Judite França, pela Raquel Bacis e pela Helena Garrido.