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Começa agora o "Iuvenstoret" das manhãs 360. À Carla, ao Paulo e ao Júlio, juntam-se para análise aos protagonistas do dia, além do José Manuel Fernandes, a Alexandra Machado e o Miguel Santos Carrapatoso, que estão aqui em estúdio conosco. Muito bem, Carla, continuamos a analisar os debates televisivos, mas vamos também olhar para o voto dos isolados e para a testagem nas escolas.

Pandemia e política voltam assim a juntar-se mais uma vez. E antes de olharmos então para os debates, Alexandra, estás preocupada com a questão dos 400 mil infectados que poderão não votar no dia 30?

Bom dia, eu continuo preocupada.

Continuas.

Porque este é um tema que eu já tinha falado na semana passada e vocês continuam a falar muitas vezes.

Porque ainda não há nenhuma resposta.

E continuamos sem respostas. Estamos a 20 dias. Eu vou contando todos os dias. Estamos a 20 dias das eleições. Como ainda falta muito tempo, a ministra da Administração Interna resolveu encontrar-se com os partidos para discutir a questão do voto dos isolados. Se ao menos a assembleia não tivesse sido dissolvida, já se sabendo que ia haver eleições e que a Ômicron estava aí a fazer mossa, podia justificar estes encontros. Mas estamos muito em cima e não se percebe este atraso e este protelar de soluções que não existem. Imagine, só ontem, segundo os relatos dos jornais, houve consensos entre os partidos e o governo, e continua a não haver soluções. Ainda se aguarda um tal parecer da Procuradoria-Geral da República, que não se sabe o que vai trazer. E se o parecer vai ser de alguma forma decisivo, acho que tem que se estar a trabalhar já no assunto e a solução tarda em chegar. Parece que a solução é tentar antecipar o voto ao máximo. A ministra, que ontem falava como ministra da Administração Interna e não como ministra da Justiça.

Sim, não faça as confusões.

Há que fazer a separação. Mas esta coisa do voto por antecipação em mobilidade também me causa alguma perplexidade, porque está marcado para dia 23. São sete dias em relação ao dia 30. Portanto, pode haver o distinto azar de alguém ficar isolado dia 23.

A questão é essa. E que se toda a gente antecipar o voto para 23, no dia 23 obviamente não há estrutura para aguentar.

Não há estrutura para aguentar isto. E são 400 mil confinados. Ontem a ministra também fez a comparação com as presidenciais. A comparação é legítima, mas não diz tudo. É que nestas eleições em particular, 400 mil votos podem ser bastante decisivos e podem mudar sentidos de resultados em alguns círculos.

E já agora, também o toquezinho de hipocrisia nas presidenciais, esses 380 e tal mil, quase 400 mil que ficaram sem votar, ninguém se preocupou. Não houve uma palavra.

Claro, porque já se sabia antecipadamente que Marcelo ia despachar a votação. Mas o ano passado, creio que foi a Iniciativa Liberal que propôs no Parlamento uma alteração, entregou um projeto de lei para haver o desdobramento da votação em dois dias e acabar-se com o dia de reflexão. A proposta foi chumbada, mas foi chumbada e sem debate. E estaríamos muito a tempo, nessa altura, de se fazer um debate construtivo e de se apresentar as soluções. Isto foi há um ano. Vou continuar a trazer e a contar os dias até às eleições.

E vai já dar aqui uma nota a quem?

Negativíssima.

A quem?

À ministra da Administração Interna.

Não, à ministra da Justiça.

Não, à ministra da Justiça não, que não cometeu nada de mal. Isto deve ser uma pasta amaldiçoada também. O melhor é ninguém ir mais para o Ministério da Administração Interna. Eu vou dar uma nota muito negativa, três.

Vais dar um três. Francisca Van Dunen.

Francisca Van Dunen.

Por ainda não haver nenhuma resposta, e estamos a 20 dias das eleições. Bom, vamos então olhar para os debates. Miguel Santos Carrapatoso, bom dia. Este é o teu pelouro. Vamos começar por qual debate, por qual preferes?

Bom dia, Carla. Bom dia a todos. Falamos então primeiro do debate Catarina Martins com Inês Sousa Real.

Muito bem. Quem venceu?

Eu acho que foi um empate, as duas marcaram um pouquinho o passo, porque as duas têm dificuldades óbvias e fragilidades óbvias. Catarina Martins continua sem explicar por que chumbou o orçamento. Isso vai ser um tema até o final da maratona de debates e até o dia 30 de janeiro. Inês Sousa Real entrou numa armadilha que foi dizer que era equidistante e, portanto, até o fim da maratona de debates, toda a gente vai perguntar e toda a gente vai querer saber com quem a Inês Sousa Real se vai ou não coligar. Ficar a meio da ponte não me parece uma posição muito inteligente. Inês Sousa Real já veio dizer que talvez o programa do PSD tenha algumas coisinhas que nós não gostamos muito, mas a questão é que ainda não esclareceu com quem é que se quer aliar. Portanto, foi um debate onde mais uma vez houve elevação, onde se trocaram argumentos Mas admito e arrisco dizer que as duas dispensavam bem aqueles 25 minutos.

Então vai um empate, Miguel?

Vou dar um empate por 9-9.

Um 9-9. Paulo Ferreira, viste este debate?

Vi. Concordo com esta avaliação que é aqui feita e eu acho que houve a tal tendência de Catarina Martins tentou durante todo o debate encostar Inês Sousa Real à direita, mas um pouco naquela lógica de como é possível tu seres amiga daqueles senhores lá o fundo, da direita.

Só que ao mesmo tempo parecia que estava a tentar cativá-la, não é?

Exato.

Ela estava ali com uma postura de Estado, que ela é que estava a fazer as negociações com o poder.

Inês Sousa Real tinha uma resposta engraçada que é: "Mas tu és tão amiga de António Costa, por que que o deixaste cair?"

Exato. Aliás, começou aí. Com essa acusação de Inês Sousa Real a Catarina Martins, co-responsabilizando-a ou Bloco de Esquerda, obviamente, por estarmos em eleições, por ter havido o chumbo do Orçamento de Estado e por aí fora.

Portanto, cada uma à procura das contradições da outra.

Sem dúvida, e cada uma, mais Catarina Martins, a tentar no fundo colocar ali a tal linha vermelha com a direita, muito indignada pela possibilidade, pelo facto de o PAN colocar como possibilidade de participar numa solução governativa à direita. O resto convergem muito, os dois partidos, convergiram muito naquilo. Achei que estiveram bem dentro deste registo. Acho que também é um empate. O Miguel aponta para um negativo, mas eu dou três a ambas.

Um três para cada uma. Alexandra?

Eu acho que a Catarina Martins esteve ligeiramente melhor que a Inês Sousa Real, que continua a não conseguir explicar muito bem a taxa de carbono para a pecuária e o rendimento básico incondicional, que são duas das propostas que o PAN faz nestas eleições. Ela atrapalha-se bastante quando se fala do rendimento básico incondicional e se tem na proposta que leva para as eleições, tem que o saber explicar. Concorde-se ou não, eu não estou a avaliar programas, estou a avaliar o desempenho que elas tiveram no debate. E Inês Sousa Real não tem conseguido explicar estas duas bandeiras do seu programa. Por isso, eu acho que Catarina Martins esteve ligeiramente melhor, até porque Inês Sousa Real começou ao ataque com o discurso de responsabilização por Catarina Martins ter chumbado o orçamento e Catarina Martins deu-lhe logo a volta por Inês Sousa Real ter admitido até fazer parcerias com a direita para viabilizar um governo. Portanto, eu acho que Catarina esteve ligeiramente melhor e gosto muito dos soundbites destes debates e acho que o soundbite vencedor foi o de Catarina Martins, embora tivesse escolhido mal a fruta. Que a Catarina Martins diz: "Não podemos prometer laranjas e dar limões." E eu acho que ela devia ter dito qualquer coisa como: "Não podemos prometer mirtilos e dar framboesas", que se calhar Inês Sousa Real estaria mais a par do que é que ela estava a falar.

Se calhar não o utilizaria tanto.

Portanto, eu dou um 11 à Catarina e um 10 a Inês Sousa Real.

E um 10 a Inês Sousa Real, por causa da fruta. Bom, o outro debate, e vamos deixar para o fim do PSD e Iniciativa Liberal, se concordarem. CDS Livre, Paulo Ferreira, acompanhaste também este frente a frente?

Acompanhei. Aqui um debate um pouco mais duro entre Francisco Rodrigues dos Santos e Rui Tavares, com as divergências óbvias. Obviamente, ninguém vai ali para tentar fazer a cabeça de ninguém. E este então, Alexandra, deves ter deliciado com a quantidade de soundbites.

Foi o debate do soundbite. Eu acho que eles só iam preparados para o soundbite.

Exato. Mas eu acho que foi Francisco Rodrigues dos Santos quem trouxe o debate para a parte do soundbite.

Rui Tavares correu-lhe mal o soundbite, que foi aquela da pornografia fiscal e não sei o quê. Aquele foi metido um bocadinho até.

Parece já foi buscar lá à memória como resposta ao abuso de soundbite que Francisco Rodrigues dos Santos estava a fazer. Joacine, Masarnald Matos, fábrica de impostos e por aí fora. Isto só para dar uma pequena amostra.

Tens um preferido, Paulo, de soundbites?

Eu acho que Arnaldo Matos bate sempre o limite. Até vem à nossa cabeça certas frases atribuídas ao Arnaldo Matos que são muito descritivas de algumas situações.

Não são para a rádio.

Mas que não são para as 8h46 da manhã, quando há crianças que podem estar no banco de trás dos carros. Mas tirando isso, acho que foi um debate dentro daquilo que é expectável também, muito centrado nos impostos e sobre as propostas fiscais, e muito centrado também nestas alfinetadas. Não vi aqui grande vencedor também, não acho que um deles esmagou o outro. Ainda assim, queria penalizar, se quiserem, Francisco Rodrigues dos Santos por ter usado e abusado destas pequenas frases de efeito, não sei se bom, se mau. E então a ele leva um 10 e Rui Tavares 11. Cumpriu e há aqui uma distinçãozinha por ter sido mais comedido nisto.

Nos soundbites. Miguel, como é que viste este debate? Há um vencedor?

Acho que Francisco Rodrigues dos Santos acabou com uma ligeira vantagem. Ainda assim, foi o pior debate de Rui Tavares até ao momento, porque acho que já se acabou aquele estado de graça em que surpreendeu bastante e agora quer adversários, quer os próprios moderadores, já estão a começar a olhar para o programa eleitoral do Livre, que de fato tem ali algumas questões que o próprio Rui Tavares tem dificuldades em explicar. E quando se acaba o estado de graça e se pede a Rui Tavares para explicar, não só a ideia do rendimento básico incondicional, que é uma discussão que existe e que é uma discussão séria, mas, por exemplo, o subsídio de desemprego para quem se quer despedir, e Rui Tavares não consegue explicar isso, é natural que os adversários aproveitem para se galvanizarem um bocadinho. Francisco Rodrigues dos Santos teve uma prestação positiva, a meu ver

Cometeu um erro quando começou a entrar na questão da ideologia de gênero. Nós aqui na bolha sabemos, e no Twitter e no Facebook, e uma certa direita saberá o que é ideologia de gênero. Eu admito que quem esteja a ver o debate lá em casa vá imediatamente ao Google perceber o que é que se está a falar. Mas Francisco Rodrigues dos Santos quer levar essa discussão pra aí. É natural que o faça. Eu acho que não lhe rende um único voto e, portanto, depois emaranhou-se ali numa discussão sobre sexualização das crianças. Mas ainda assim, na contabilidade global, acho que Francisco Rodrigues dos Santos esteve ligeiramente melhor que Rui Tavares.

E leva um...

Leva um 12 e Rui Tavares um 10.

E um 10 para Rui Tavares.

Que generoso.

Vais ser mais dura na tua avaliação.

Vou ser mais dura.

Não há enxovalhos, pronto.

O que é que vem aí?

Vou ser mais dura por dois motivos. Rui Tavares desiludiu. Tinha sido o melhor até agora, a meu ver, obviamente. Tinha sido até agora o melhor nos debates e, de facto, este foi o pior debate, como o Miguel estava a dizer, foi o pior debate de Rui Tavares. Pelo contrário, Rodrigues dos Santos está a melhorar. Começou muito mal, Rodrigues dos Santos, começou mesmo muito mal estes debates e agora está ali ligeiramente melhor e se calhar por isso é que sai um bocadinho por cima deste debate que, como já referimos, viveu muito dos soundbites. Apesar de achar que Rodrigues dos Santos esteve ligeiramente melhor que Tavares, mas porque Tavares desiludiu, Tavares saiu por cima, eu acho que em duas situações: no confronto sobre a extinção da proposta do CDS pra a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género e quando recordou que tinha sido vítima, digamos assim, da telescola, das palavras de Nuno Melo por causa da telescola.

Tentativa de cancelamento, exato.

Tentativa de cancelamento de uma aula de história, porque Rui Tavares participava nela e acho que isso capitaliza um bocadinho pro lado de Rui Tavares, mas mesmo assim, mesmo nessa defesa, ele não se saiu bem. Eu acho que Tavares, deve ser já o desgaste dos últimos debates, não esteve bem. Rui Tavares canta, mas não encanta depois nos votos. Ele faz, de facto, bons debates, mas depois na votação sai sempre a perder. E portanto, dou um oito a Tavares e um nove, quase oito e meio pra Chicão.

Resvés. Vamos ao último debate de ontem entre Rui Rio e João Cotrim Figueiredo. José Manuel Fernandes, quem venceu este debate?

Olha, eu acho que este debate foi um dos melhores debates a que eu assisti. Eu só consegui assistir ontem a um dos debates. Sempre cá à margem destes dois que vieram a ser discutidos. Mas dos que eu assisti até agora, e farei alguns, este foi um dos melhores. E por quê? Porque foi esclarecedor. Os dois contendores deixaram-se falar, puderam expor os seus pontos de vista, puderam expor as suas divergências sem se atropelarem um ao outro e portanto permitiu que quem estivesse com vontade de perceber o que estava em causa, tivesse sido ali mais esclarecido, o que eu acho que é positivo. No balanço, eu vou dar nota positiva aos dois, mas acho que uma vantagem vai pra João Cotrim Figueiredo, basicamente por dois motivos. Primeiro, porque a maior parte da discussão acabou por se travar nos pontos do programa de Cotrim Figueiredo, o que é vantajoso. Para um partido como a Iniciativa Liberal, o que interessa é discutir o seu programa, que é pouco conhecido. Portanto, desse ponto de vista, ele voltou a estar no seu terreno favorito, que é falar do seu programa, e esteve até melhor do que é habitual nalguns aspetos, porque conseguiu ir a mais detalhe na explicação de alguns pontos mais difíceis, eventualmente de perceber pelo público em geral, do seu programa, como a taxa única para o IRS, por exemplo, onde ele foi bastante mais claro e detalhado. E até a certa altura quase que teve a ajuda da moderadora quando ela disse: "Mas esses países já nos ultrapassaram", dando exemplo de outros países que têm um regime fiscal parecido com aquele sugerido por Cotrim Figueiredo. Mesmo assim, eu acho que o registo de Rui Rio, que foi semelhante ao que ele já tinha tido com o Rodrigues dos Santos, é um registo que o favorece e, portanto, eu vou dar 13 a Rui Rio e vou dar 15, que é uma nota bastante folgada, generosa, a Cotrim Figueiredo.

Ora. Paulo Ferreira, quem venceu este debate?

Eu acho que eles tiveram ao mesmo nível, mantiveram a sua. Agora, eu acho que nós assistimos ontem àquilo que, dependendo obviamente do resultado das eleições, mas se vier a formar-se um governo à direita, foi a primeira ronda negocial de uma eventual geringonça de direita. Os programas não são iguais, são convergentes, há ali diferenças de grau, sobretudo, em muitas medidas. Isto é, a tendência de muitas propostas é a mesma, mas a iniciativa liberal quer ir muito mais longe numa série de questões, na questão do IRS, da baixa do IRS, se quisermos, na retirada da progressividade do IRS, nas privatizações, obviamente, tem uma agenda muito mais vasta, TAP, RTP, Caixa Geral de Depósitos. Destes todos, o PSD fica-se pela TAP e depois, obviamente, o saneamento da empresa. A liberdade de escolha na educação e na saúde também há aqui questões de grau. O PSD é muito mais conservador em relação ao modelo que temos, muito mais ao centro. E acho que Rui Rio esteve bem a tentar segurar, obviamente, e a ir dizendo que não. E, portanto, esta diferença de grau foi óbvia para ambos e ambos a reconheceram sem quebrar pontes para futuros entendimentos. Nesse sentido, aquilo pareceu-me um pouco a rábula antiga

Do senhor contente e do senhor feliz, de convergentes e com vontade de falar. Eu não notei que houvesse aqui um vencedor, acho que estiveram muito bem. Concordo com o José Manuel Fernandes que este foi, se não foi o melhor, foi segundamente um dos dois ou três melhores debates desta ronda. Claramente muito esclarecedor, muito honesto e muito frontal de ambas as partes. Estiveram ali com coisas quando tinham que discordar, apesar de haver ali uma base de entendimento, eu dou 15 a ambos.

15 para cada um. Alexandra, ias confirmando que este debate foi interessante e importante.

Foi. Para mim, se não foi o melhor, está lá muito perto. Estava a tentar lembrar-me de todos os que vi, e acho que vi quase todos, e acho que foi de facto o melhor. Tiveram tempo e disponibilidade para explicarem e claramente mostrou bem que os dois partidos podem estar condenados a trabalhar juntos. Embora tenhamos visto Rui Rio ali a defender o Estado como em muitos debates António Costa, por exemplo, não defendeu. Teve que haver quase essa moderação ao liberalismo de Cotrim. Mas eu acho que genericamente estiveram os dois bem e eu também vou por um empate.

A quanto?

A 13.

13 para cada um. Miguel Santos Carrapato, desempatas?

Desempato. Vou dar uma ligeira vantagem a Rui Rio, mas sim, concordo, foi um dos melhores debates desta maratona de duelos. E acaba por confirmar uma certeza que eu fui consolidando ao longo destes debates de Rui Rio e que às vezes nos escapa a nós, que estamos habituados, ou queremos, ou que vibramos quando um adversário esmaga o outro, ou quando embaraça o outro. Rui Rio, eu estive a fazer esse exercício, não houve um único debate. Desde Catarina Martins que Rui Rio não diz uma única coisa que choque o eleitorado do adversário. Rui Rio tem levado para os debates uma estratégia muito clara, difícil, mas clara, que é à medida que vai debatendo e dependendo do oponente que tem pela frente, vai tentando não hostilizar o eleitorado desse mesmo oponente. Vimos isso com Catarina Martins, vimos isso com Francisco Rodrigues dos Santos, vimos isso agora também com João Cotrim Figueiredo. Apesar de discordarem, e houve divergências, Rui Rio nunca caricaturizou as ideias da Iniciativa Liberal, reconheceu o mérito de algumas delas, disse que havia uma diferença de grau e de capacidade de pôr em marcha, mas ainda assim não afugentou um eleitorado que tradicionalmente também foi do PSD. Também era do CDS, mas também foi do PSD. E portanto não se esvaziou, não permitiu que João Cotrim Figueiredo crescesse a partir do Rui Rio. E portanto acho que foi muito competente nesse aspecto. João Cotrim Figueiredo também mostrou que, de facto, a grande diferença para o PSD é que há uma urgência na iniciativa liberal de aplicar determinadas medidas que acreditam ser as melhores para o país e conseguiu também marcar isso. Mas creio que a estratégia que o Rui Rio levou, de não hostilizar a iniciativa liberal, de reconhecer o mérito de algumas propostas, mas dizer que nem tudo é possível tão rápido.

Pode valer para dia 31 de janeiro.

Pelo menos parece uma estratégia inteligente.

Quais são as tuas notas então, Miguel?

Ainda assim darei um 15 a Rui Rio e um 14 a João Cotrim Figueiredo.

Muito bem. Nós estamos com muito pouco tempo, mas Júlio Magalhães, telegraficamente, o que é que vai ser abordado no debate que a Rádio Observador vai passar esta tarde com os cabeças de lista do Porto?

Trouxe isso porque ontem tive o prazer de moderar esse debate com o Ricardo Conceição, nosso diretor aqui da rádio no Porto. Nove candidatos a deputados pelo Porto.

Em 25 minutos.

Não, foi hora e meia. E quero dar um 12 porque o Porto tem um lote de candidatos a deputados de grande qualidade. Ontem tive a oportunidade de ver isso. Todos bastante bons. O Alexandre Quintanilha é um histórico do PS do Porto, é uma figura do Porto, não é do Porto, mas escolheu o Porto para viver. Há uma Sofia Matos do PSD, que é uma jovem muito agressiva e com ideias claras também. O José Soeiro, que embora sendo novo, já é um histórico do Bloco de Esquerda e também de muita qualidade. Há a Bibiana Cunha do PAN, também já com provas dadas. Ainda uma Filipa Correia Pinto do CDS, também muito boa na forma como expõe as suas ideias. O Carlos Guimarães Pinto, que é o ideólogo da Iniciativa Liberal, muito bom também. Há o Jorge Pinto, um jovem do LIVRE, também com ideias muito claras e muito assertivas, cada um defendendo a sua estratégia. E ainda o Rui Afonso do Chega, que não faz parte daquele lote de algumas das figuras que vimos nas autárquicas deste partido e que foram de alguma maneira até ridicularizadas e que também esteve neste debate. A centralização de Lisboa, todos concordam nisso, a regionalização é um tema, a TAP, a forma como trata o Porto. Enfim, estão quase todos de acordo, a pobreza no distrito, porque há assimetrias entre o Porto e, por exemplo, o interior, como Baião, etc. Todos reconhecem que é uma das regiões mais pobres da Europa, que não tem sido bem tratada. E eu só não dou mais que um 12 pela qualidade deles, não dou mais, porque fico ainda com a dúvida do que é que os deputados podem fazer por um distrito, porque de facto, o distrito do Porto e outros distritos do interior têm perdido muito. Têm lá deputados, mas a verdade é que estão sujeitos à disciplina partidária, àquilo que são as linhas gerais e ficamos na dúvida de que força é que tem um deputado que representa um distrito e por isso não dou mais que 12. Se daqui a quatro anos as coisas melhorarem no distrito do Porto, estarei cá para lhes dar um 18.

E estarás cá para dar isso. José Manuel Fernandes, em cima da hora mesmo, ainda queres falar?

O Ricardo vai até às 14 horas.

É às 14h, exatamente. Muito bem. Muito telegraficamente, mas já não há mais nada.

Muito telegraficamente, queria só falar do que está a passar nas escolas, em que era suposto as crianças estarem a ser testadas e afinal só estão a ser testados os professores e os funcionários. O princípio de um regresso tranquilo às aulas, sem interrupções, sem mais complicações, era testar e funcionar. E era isso que devia ter sido montado e afinal de contas, não foi isso que foi montado. O Ministério da Educação nem sequer paga os testes, nem sequer montou a máquina, nem sequer está virado para aí. E diz que as crianças que vão usar os quatro testes que estão disponíveis nas farmácias gratuitos por mês. Eu acho isto absolutamente impensável. É mais uma vez a mesma lógica de não olhar para o problema, tudo o que a pandemia fez às escolas e à nossa educação, a todas as crianças, de volta de borra como se não se tivesse passado nada. Vamos voltar a interrupções, crianças mandadas para casa desnecessariamente, porque não se tomaram os cuidados que deviam ter sido tomados.

Que nota dás?

Vou dar um chumbo direto ao Ministério da Educação, mais uma vez, não podia ser de outra forma. Portanto, vai um quatro para Tiago Brandão Rodrigues.

Um quatro então a fechar este "E o vencedor é...". Amanhã há uma nova análise. Até amanhã. Obrigada.