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Este é o som do "E o Vencedor É..." das manhãs 360. Já sabe que para além de nos ouvir na rádio, também nos pode ver. É só acompanhar-nos em direto através das nossas redes sociais ou do site do Observador. E Carla, esta segunda-feira está conosco Miguel Pinheiro.

E esta manhã vamos às propostas e contrapropostas do Orçamento do Estado, ainda ao rescaldo dos discursos do 5 de outubro e da manifestação de ontem no Porto. Miguel Pinheiro, uma manifestação pró-Palestina, debaixo de chuva, em contraste vencedores?

Não.

Não.

Só a chuva, na realidade, por acaso, agora que penso bem nisso. Mas esta manifestação aconteceu no Porto, gritou-se, segundo as notícias, "Palestina Vencerá", e aconteceu ontem, e eu começo por aí. Ontem foi dia 6 de outubro, 6 de outubro é véspera de 7 de outubro. E dito assim parece que estou só aqui a ler um calendário, mas não.

O guarda-água, não.

Exato. Não, porque a 7 de outubro, como se saberá, assinala-se o primeiro aniversário do ataque terrorista do Hamas. E por isso, marcar uma manifestação para 6 de outubro é a prova provada de que não se faz ideia, ou melhor, nem sequer se quer saber o que aconteceu a 7 de outubro. Já nem é só falta de sensatez, porque é uma posição política. É querer dizer que aquilo que aconteceu a 7 de outubro é irrelevante, o ataque terrorista que aconteceu a 7 de outubro contra Israel é irrelevante, porque Israel é sempre o culpado histórico de tudo o que acontece no Médio Oriente. Depois, além disso, eu achei interessante porque esta manifestação foi organizada por uma organização chamada Conselho Português para a Paz e Cooperação, que é e sempre foi uma organização fantoche do PCP e, aliás, a presidente da Direção Nacional é a Hilda Figueiredo, que é a grande cara do PCP no Porto há muito tempo. E além disso, também estive a ver a lista de entidades organizadoras e está lá a CGTP também. Eu pergunto-me: que raio está a CGTP a fazer no comitê organizador de uma manifestação sobre a Palestina? Não consigo entender o que a CGTP tem a ver com aquilo. A única ligação que eu vejo é, de facto, o PCP. Tanto a CGTP como o CPPC, que é o Conselho Português para a Paz e Cooperação, estão ali para fazer o que der jeito ao PCP. Portanto, temos a data, temos os organizadores e depois também temos a própria manifestação. Um dos manifestantes disse isto à Agência Lusa: "Nós temos de mostrar aos nossos representantes que o povo português não está de acordo com as políticas nacionais em relação ao Médio Oriente". Ora, segundo a Agência Lusa, nesta manifestação estavam centenas, eu não sei o que quer dizer centenas. Centenas é 101 pessoas, 101 pessoas, 201 pessoas, não sei. Mas seguramente, isto não é o povo português. O povo português, que eu saiba, é muito mais do que 100 ou 200 pessoas, e por isso aquela manifestação decididamente não representa o povo português. Ela não quer dizer que o povo português não está de acordo seja com o que for. O texto da Lusa começa por dizer, de facto, que centenas de pessoas desafiaram este domingo a chuva para gritar, portanto, tiveram uma enorme coragem e foram desafiar a chuva. E de facto desafiaram a chuva, mas pelos vistos perderam, porque segundo a mesma notícia, a manifestação acabou por ser encurtada precisamente por causa da chuva. Portanto, a coragem só durou uns metros, porque parece que a chuva fez muito dói-dói e tiveram que parar a manifestação. E já agora, convém, já que estamos a falar em manifestações, a culpar Israel por tudo o que acontece no Médio Oriente e manifestações na véspera do 7 de outubro, convém também lembrar que já no 7 de outubro, já hoje, o Hamas lançou quatro rockets logo que começou o 7 de outubro, lançaram quatro rockets contra Israel. E mais importante do que isso, convém lembrar que o Hamas ainda tem reféns israelitas. Por isso, o Hamas não está propriamente parado a exigir um cessar-fogo. Não, se quer um cessar-fogo, se calhar parar de atirar rockets contra Israel e já agora libertar os reféns, eram capazes de ser duas medidas que poderiam talvez levar ao cessar-fogo. E o mesmo em relação ao Líbano e ao Hezbollah. O Hezbollah diz que está a ser muito atacado, coitadinho, e o Líbano também diz que o Hezbollah está a ser muito atacado, coitadinho. A verdade é que foram lançados rockets contra Haifa, que é a terceira maior cidade israelita, que vieram precisamente do Líbano. Portanto, se querem também que o conflito termine a norte, então parem de lançar rockets contra Israel, é capaz de ser um bom primeiro passo. Portanto, olha, o meu vencedor é a chuva, leva um 16, porque pelos vistos, olha, conseguiu em pouco tempo desafiar as convicções destas pessoas que foram pra rua no Porto gritar.

Portanto, um 16 para a chuva do dia 6 de outubro. Na véspera, no dia 5 de outubro, houve os discursos das celebrações oficiais. José Manuel, não vais aos discursos oficiais, mas sim às reações ao discurso oficial de Carlos Moedas.

Sim, claro. Aliás, o Miguel Pinheiro já falou um pouco delas no bom, mau e vilão, mas basicamente Carlos Moedas tem tido nos vários ciclos de autos do bem que já participou, eu creio que este é o terceiro, não sei se é o segundo ou se é o terceiro, julgo que é o terceiro, tem tido a capacidade de fazer bons discursos. Eu não sei quem é que o ajuda ou se sequer ajuda para fazer aquilo que habitualmente nos Estados Unidos nós chamamos por speech writing, a redação de discursos, que é uma arte muito particular, mas permite usar bem a retórica e neste caso concreto, o discurso de Carlos Moedas voltou a ser retoricamente bom. Tocou vários pontos, naturalmente, a República e sobretudo a democracia. Depois recordou os dois grandes aniversários, República e Democracia, e depois também o aniversário de Camões e foi usando Camões para vários pontos da sua reflexão, onde falou de vários problemas da cidade e do país também. Fez referências a um ambiente político onde às vezes não sabemos se se está a discutir substância ou se estão a discutir vaidades, coisa que provavelmente muitos portugueses são capazes de subscrever. E depois fez referências à necessidade de termos uma imigração programada, que é uma coisa que ele faz há vários anos, não começou hoje, não começou depois do sucesso do Chega, é um tema antigo de Carlos Moedas. Referiu o tema dos sem-abrigo, até porque a Câmara de Lisboa conseguiu dar um alojamento em pensões, naturalmente, será transitório aos sem-abrigo que estavam designadamente em torno da Igreja dos Anjos e que era uma vergonha. Além disso, falou também de segurança e dos polícias municipais que também quer a mais. Claro que isto irritou muito a extrema-esquerda. O Bloco de Esquerda veio falar em Napoleão, instintos de Napoleão, não consegui bem perceber porquê. O Livre veio confundir, como já o Miguel referiu, o escravo Jau com um imigrante solidário, que é uma coisa um bocadinho bizarra, sobretudo se pensarmos que Rui Tavares é um historiador. E o PCP, apesar de tudo, teve a reação mais sensata, porque não veio tanto falar disto, mas relativamente à questão dos Anjos, veio pedir alguns esclarecimentos sobre a possibilidade de alguns bens daqueles sem-abrigo terem ficado ou perdidos ou estragados naquela operação de desenganamento que parece uma bicicleta.

Deixa-me só acrescentar uma coisa, só a propósito do PCP, porque o PCP também falou sobre Camões e eu ao ouvir João Ferreira falar sobre Camões, fiquei convencido que Camões tinha sido um dos fundadores do PCP, porque ele falava do progressismo de Camões, mas de uma maneira... eu sei que há um debate sobre se Camões de facto era um progressista ou se era um imperialista.

São coisas um pouco bizarras desse debate à distância.

Claro, já nem vou aí. Mas eu fiquei a achar que Camões teria morrido ao lado do seu cuidador imigrante Jau e com o cartão do PCP no bolso, fiquei convencido disso. Peço desculpa.

Já agora, se me permitem também a coçada, eu também consegui ver protestos ao facto de terem tirado os sem-abrigo ali do Largo da Igreja dos Anjos. Mas para onde é que levaram os sem-abrigo? Portanto, o sem-abrigo útil é o sem-abrigo que continua sem abrigo.

Ó Paulo, mas esse ponto é importante. É importante perceber porque é que esse ponto é importante. Porque em redor da Igreja dos Anjos havia uma organização que colocava tendas vazias para fazer-

Para fazer sem-abrigos.

Quer dizer, por um lado para as fotografias e por outro lado para dar a ideia que estava ali muita gente, já estava demasiada gente, mas a ideia é que estava mais gente ainda. E depois para eventualmente acolher mais sem-abrigos. E é uma daquelas ONGs que às vezes aparecem como sendo aquela gente muito humanitária e muito sensata.

Isso remete até para a entrevista de Carlos Moedas ao Público, não é? Em que acusou algumas organizações de se aproveitarem desse problema.

Infelizmente, isso é verdade. Portanto, para estas reações vai uma nota bastante negativa

Vai um três, porque foram três reações. PCP, Bloco e Livre.

Um para cada.

Vai um para cada.

Um para cada. Entretanto, Bruno, temos o orçamento.

Isso é uma generosidade, não fica toda a três e não um.

Acumulaste. O orçamento.

Deixa-me fazer, em primeiro lugar, uma correção a algo que eu disse no outro dia a propósito da Entidade Reguladora de Saúde. Não foi em relação ao aviso da Entidade Reguladora de Saúde para que os utentes que são acompanhados no privado sejam também acompanhados, se quiserem, no público. Essa recomendação é válida, mas eu acrescentei a questão das análises, dos exames e, de facto, os médicos não só não são obrigados, os médicos do SNS, a passar exames que tenham sido passados pelos privados, como são proibidos de o fazer. É ilegal fazerem-no. Eu dei essa informação, que está de facto incorreta. Fui alertado por isso por um ouvinte e peço desculpa. Portanto, a primeira nota negativa é para mim por ter dado essa informação, ter dito isso no programa de sexta-feira. Em relação ao orçamento, nós continuamos aqui com esta onda de propostas e contrapropostas. Eu acho que chegamos a um limite, de facto, depois da proposta do governo em relação a cedências que poderia fazer do IRS jovem e do IRC, eu creio que o governo já não pode ir mais longe. Poderá haver um ou outro pormenor, mas na essência, o governo não pode aceitar comprometer-se a não baixar em 2026 o IRC, se essa é a sua intenção. O PS não pode esperar isso da parte do governo. Luís Montenegro, eu acho que já cedeu aquilo que poderia ceder sem perder a autoridade e sem ser humilhado politicamente. Não nos podemos esquecer que esta legislatura começou com uma humilhação política para o governo. Quando se pode falar em humilhação política, a eleição do presidente da Assembleia da República, nos termos e nas condições em que foi feita, foi uma vitória para o PS e uma humilhação para o PSD, por culpa do PSD. Culpa do PSD, do governo em primeiro lugar, e culpa também do Chega em segundo lugar. E Luís Montenegro percebeu uma coisa muito clara: não se pode pôr nas mãos do Chega. E por isso é que aceitou fazer estas cedências ao PS, porque a última coisa que ele quer é voltar a ficar nas mãos do Chega para sofrer a humilhação que sofreu. Ele prefere fazer cedências políticas que de alguma forma até podem comprometer o programa político do governo, as bases desse programa político, desde que não volte a estar nas mãos do Chega. É essa a última coisa que ele quer. E isso não tem a ver apenas com políticas, não tem a ver apenas com princípios políticos, tem a ver com questões de personalidade. Luís Montenegro, depois daquilo que aconteceu logo com a eleição do Presidente da Assembleia da República, percebeu claramente que não pode voltar a estar naquela situação sob risco de ser uma vez mais desautorizado e humilhado politicamente. Isso para ele é impossível. Não é só a questão de respeitar o não é não junto do eleitorado. Eu creio que se houvesse uma maior fiabilidade por parte do Chega, se houvesse indícios de uma maior fiabilidade por parte do Chega, nestas circunstâncias, Luís Montenegro até poderia negociar alguma coisa com o Chega, sem perder a face e sem pôr em causa o seu não é não. Mas depois de tudo o que aconteceu ao longo destes meses de legislatura, Luís Montenegro simplesmente não quer voltar a estar numa situação em que dependa do Chega, porque sabe que corre o risco de ser desautorizado e ser humilhado politicamente. Daí ter feito estas cedências, que eu acho que são bastante significativas, mas não pode também ir além disso. Caso contrário, está a abdicar tudo, não sofre uma humilhação, mas perde qualquer capacidade que tenha de mostrar a sua autoridade enquanto primeiro-ministro e também de assumir o compromisso que tem com o seu eleitorado, que é de cumprir um programa. Portanto, neste momento, eu acho que o PSD, o governo AD, não pode ir mais longe nas cedências. Já não está em causa a questão da humilhação. A humilhação já sofreu uma, essa sim, uma verdadeira humilhação política. Agora fez uma cedência para evitar mais humilhações, mas a partir daqui não pode ceder mais.

Sob pena até de perder a confiança do eleitorado.

Que o elegeu com aquele programa, que goste-se ou não, foi o programa apresentado pelo governo nestas questões essenciais. Por isso eu acho que Luís Montenegro, se recusar esta contraproposta, mais uma do PS, acho que não está só a fazer bem. É o único caminho que tem, não tem grande alternativa, a não ser que queira abdicar de governar.

Nota positiva para o primeiro-ministro.

Uma nota positiva, eu dou um 14 a Luís Montenegro.

Um 14 para já. Paulo, continuas a olhar para os efeitos colaterais das negociações do orçamento.

É o fogo amigo, não é? Como se às vezes diz e o efeito disso. Sim, queria aqui olhar para uma decisão do presidente da República, porque tinha para esta semana, precisamente de segunda a sexta-feira, marcadas duas visitas oficiais, visitas de Estado, atenção. Uma à Estónia, que devia ter começado hoje e prolongava-se até quinta-feira, isto aceitando um convite do homólogo, Alar Karis, e depois Marcelo Rebelo de Sousa deveria ir para Cracóvia, na Polónia, onde entre quinta e sexta-feira se realiza o 19º encontro informal do Grupo de Arraiolos. O que é que é isto do Grupo de Arraiolos? Foi um grupo criado no início do século por Jorge Sampaio e que no fundo é um grupo de discussão informal que junta os presidentes da República, se quisermos, dos países da União Europeia, portanto não entram aqui monarcas, presidentes eleitos, obviamente, que não têm assento, não têm lugar nas cimeiras europeias, porque aí só têm lugar os chefes de governo ou então os presidentes que têm funções executivas, como é o caso do presidente francês, por exemplo. E portanto, para não serem deixados completamente à margem, não são deixados completamente à margem, vão sendo informados pelos governos, mas é um grupo, um fórum próprio. Até pelo nome do Grupo de Arraiolos e pela fundação Jorge Sampaio, eu não sei o que é que leva o presidente da República, qual é o alarmismo e qual é a justificação para este adiamento. É que diz a nota da presidência: "Terminando no próximo dia 10 de outubro o prazo para a entrega na Assembleia da República da proposta de Estado e continuando a haver negociações, o presidente da República considerou mais avisado adiar a deslocação prevista à Estónia e à Polónia na próxima semana e mantém-se no país." Mas por quê? O que eu pergunto é: estamos quê? Vem aí um estado de emergência? E se não chegarem a acordo no dia 10, primeiro, ainda há muitas semanas pela frente de debate parlamentar do orçamento. Portanto, as coisas não têm que ser fechadas no dia 10 no documento, e só lá pro final de novembro. Mas depois, mesmo que não se chegue a acordo, o que a presença ou não do Presidente da República na era do telemóvel e da internet pode ou não significar? Será que Marcelo Rebelo de Sousa quer mesmo intervir fisicamente no problema? Ele pega no telefone e fala com quem quer, como evidente.

Será que quer convocar alguém para a Póvoa de Varzim?

E depois, como é que se justifica isto a poucos dias, adiar uma visita oficial, como é que se justifica perante estes países todos, que não é só a Polónia e a Estónia, é todo o grupo de Reus, como é que se justifica a não ida do presidente? Vai dar uma ideia, de facto, que o país por cá está à beira de se tornar ingovernável ou à beira de uma crise política, só porque está a acontecer uma coisa absolutamente banal, que é um governo que não tem maioria no Parlamento, está a negociar um orçamento para tentar aprová-lo, coisa que já aconteceu, como nós sabemos, uma mão cheia de vezes nas últimas décadas. Nem estou a contar com os das negonças, estou a falar dos anos 90, aquele que o próprio Marcelo Rebelo de Sousa aprovou, mais os do António Guterres depois, mais o de 2010, 2011 e por aí fora. E portanto, eu acho isto de um alarmismo. Uma coisa é olhar para o processo negocial e perceber que está a dar-se muita atenção a detalhes e foi um processo não planeado, uma negociação não planeada, portanto, não havia um planeamento e a coisa vai no nosso tradicional improviso. Outra coisa é achar que isto é de uma anormalidade e que significa uma crise política tremenda, e eu não olho para isto desta maneira.

A nota vai para o presidente.

Para o tremendismo, não só do presidente, como para o tremendismo sobre aquilo que se está a pensar. Sobre isso, leva um seis. Temos que nos habituar a esta normalidade democrática com estas coisas.

Um seis para o tremendismo. Amanhã voltamos para o "E o Vencedor É". Até amanhã.