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Começa agora uma nova edição do "Youven Sorê". Carla, esta terça-feira estão conosco e com o José Manuel Fernandes, a Ana São Leis e o Pedro Jorge Castro. Por que razão faltam os professores? Por que queimamos cartazes? Para quando o aeroporto de Lisboa? As perguntas não ficam por aqui esta manhã, até porque se formos à Madeira, elas não acabam. Vamos começar, Ana São Leis, por Miguel Albuquerque. Calculo que tenhas as perguntas: em que condições e até quando vai continuar a liderar o governo regional, Ana?

Muitas perguntas.

Muitas perguntas.

Muitas perguntas. Eu nem vou fazer uma grande análise, porque na Madeira estão sempre a acontecer coisas novas. E uma coisa que é verdade agora, se calhar para alguém que vai ouvir o programa em podcast, daqui a umas horas já vai estar completamente desatualizado. No fundo, espero só que alguém já tenha acordado Miguel Albuquerque do estado de negação em que se encontra, porque apesar de tantas dúvidas, uma das que não existe é que não há milagre que vá manter Miguel Albuquerque na liderança do governo regional durante muito tempo, nem sequer até março. Há muita coisa mesmo por clarificar, por decidir, e todos os dias há novas achas para esta fogueira. Mas diria que depois da posição do CDS, nem a vontade do PAN de aprovar o orçamento vai fazer com que Albuquerque se aguente. Não há condições, simplesmente. Não parece haver condições para isso. Diria que o mais provável é não chegar a ver sequer orçamento para aprovar, ser nomeado outro líder, outro presidente do governo regional, e a 24 de março Marcelo sair da sua concha e mais uma vez exercer o poder de dissolução, que ao que parece também segundo as fontes bem informadas de Belém, é a sua vontade. E mesmo que não fosse a sua vontade, está quase obrigado a fazê-lo. Marcelo ganhou aqui há algum tempo, nem teria de ser essa a solução obrigatória, mas há um precedente demasiado fresco que trama aqui um bocadinho qualquer que pudesse ser outra intenção do presidente da República, que se não quiser ser acusado de ter dois pesos e duas medidas, nem sequer tem que pensar, pode reservar já a agenda para o dia 24 de março, escrever o discurso e tratar do assunto. A pressão é de fato fortíssima. Eu não sei se lamentar é a palavra certa, acho que o tempo é que dirá, mas quero sublinhar o efeito todo que isto vai ter nas eleições e a 10 de março, nas eleições legislativas, porque são muitas este ano. E vai ser interessante ver como é que todos estes casos de justiça vão contaminar a campanha e as próprias eleições. Ir para eleições neste clima, com as instituições completamente descredibilizadas, o poder político ultrafragilizado, as pessoas fartas de políticos e a achar que são todos corruptos. E vamos ter uma campanha completamente dominada, para não dizer minada, pelo tema da corrupção. Acho mesmo que este ano que ainda agora começou e que já nos está a dar tanto que fazer, este ano e estas legislativas vão ser objeto de estudo daqui a uns anos. Basta ver o que está a acontecer. Os partidos já começaram a apresentar os seus programas, as suas propostas, já toda a gente tem ideias em cima da mesa. Isso já habitualmente, com raras exceções, há pouca atenção ao detalhe dos programas. Desta vez não há atenção praticamente nenhuma. Isso é uma carga extra de trabalho e de responsabilidade para quem está a gerir as campanhas também, e é preciso que as propostas sejam ainda mais concretas, ainda mais diretas ao ponto e ainda mais razoáveis. Acho que as pessoas também já não caem nas promessas fáceis. Não pode bastar dizer-se que se vão aumentar as pensões com dinheiro da corrupção. Mas é muito difícil mobilizar o eleitorado com um clima destes, com tudo o que nos vem caindo em cima desde há uns meses, desde novembro, com a influencer. E infelizmente, acho que a abstenção deverá acabar por ganhar novamente. Eu não vou abster-me de dar uma nota, vou voltar aqui um bocadinho ao início do tema e vou dar uma nota negativa a Miguel Albuquerque, vai um sete.

Um sete. Disseste que está em estado de negação, vai essa negativa. É a primeira nota desta manhã. Pedro Jorge Castro dizia que aquilo que é verdade hoje, amanhã pode ser mentira. Relativamente a Alberto João Jardim, esta regra também se aplica?

Alberto João Jardim. Olha, para começar, deixa-me chamar a atenção que temos um espaço de comentário semanal a rivalizar com Marques Mendes e Paulo Portas. A partir de agora, pelo menos, acho que todos vamos dar mais atenção à Madeira. Então, à segunda-feira, parece que às vezes Alberto João Jardim tem este espaço na RTP. Nós andávamos atrás dele já para o tentar ouvir há alguns dias, desde que isso começou. E se há vantagem dos espaços de comentário semanal é esta. Os políticos já têm este compromisso.

Estão na hora certa.

Lá estão. Não é que ele tenha estado propriamente a responder a perguntas. Começou por fazer uma declaração inicial e aquilo é um longo monólogo, vai 20 e tal minutos, 30. O jornalista tentou, não desfazendo, mas Alberto João Jardim transforma aquilo num espaço seu. Queria só sublinhar aqui duas ou três coisas. Eu estive a ver tudo com muita atenção e fiquei fascinado, mas vou só trazer duas ou três coisas muito rápidas para não tomar muito tempo das pessoas. Primeiro, o caminho para a santidade é ser amigo de Alberto João Jardim, porque ele diz A amizade é sagrada e leva-me a que não acredite em nada do que se passou, a não ser quando houver caso julgado, esgotadas todas as hipóteses de recurso, incluindo para tribunais europeus. Enquanto não acontecer isso, toda esta gente é inocente. Ele disse que não trai amizades, apesar das facas que levou nas costas. A vida inteira de outras pessoas. Das facadas, presumo eu que fosse o que ele quisesse dizer, mas facadas com facas. Depois, a solução dele para resolver isto tudo. Álvaro João Jardim continua a dividir o mundo entre quem defende uma maior autonomia ou quem defende a autonomia e quem é contra a autonomia ou quem quer travões à autonomia. Portanto, a solução para ele é: temos de fazer uma grande frente entre todas as forças que defendem mais autonomia. Não é acordos parlamentares, isto quando se está num acordo, estão todos no governo. E então, para ele, quem é que faz parte da frente? Os Juntos pelo Povo, o PAN, o CDS, o Chega. Eu cá não tenho preconceitos contra o Chega, portanto até o Chega está. E quem é que tem ficado de fora do baralho? São as forças comunistas. Pronto, é isto.

Tudo no mesmo saco de comunistas.

É quase um governo de união não nacional, portanto um governo de união madeirense contra os comunistas, que são a grande ameaça na Madeira. Não sei qual é a percentagem que os comunistas têm na Madeira, deve ser como o resto do país, portanto já deve ser coisa pouca.

Mas nem elegeram.

Ainda são a grande ameaça. Eu admito que isto é uma coisa muito ousada, mas gosto de pensar 10, 15 anos para frente. Ele disse logo desde 66, quando leu a Constituição, que disse: "Isto vai dar para o torto." E em certa medida acaba por dar agora só, ao fim de muito tempo de um partido único na Madeira, a controlar tudo na Madeira. Chega agora um bocadinho de escrutínio judicial, vamos ver o que isso vai dar. Só chamar a atenção, o jornalista insistiu muito com ele sobre se recebia almoços dos empresários. Hoje começa-se a saber algumas coisas sobre as suspeitas. Uma das coisas que está em causa é uma estadia de quatro dias de Miguel Albuquerque no Savoy, com a família, com tudo pago. Parece-me também uma coisa pouca para isso condicionar seja o que for, mas vamos ver o que está em causa. Mesmo que tenha valor pecuniário, mas na Madeira toda a gente tem acesso àquelas com vista para o mar. Vamos ver o que vai sair daí. Obviamente, há muitas outras coisas mais graves a serem investigadas, mas diz Álvaro João Jardim que não tinha problema nenhum em convidar e ser convidado para almoçar e para jantar com empresários. Ele dizia assim: "Toda a festa é farra, mais um pinho aqui e eu ouvia coisas que a classe política não me contava." Portanto, esta coisa dos copos era uma maneira dele.

Sondar o terreno, a vida real.

Basta só recordar que Álvaro João Jardim ficou muito conhecido de toda a gente por ter aparecido em cuecas.

Num carnaval.

Na capa de um jornal enquanto se preparava para um carnaval. Eu não sei se isto é o fim do mundo em cuecas, se é o fim da Madeira em cuecas, mas vamos ver o que vai sair daqui. A minha nota, que presumo que tenhas interesse nisso, vai para o representante da República, Irineu Barreto, que ontem apareceu nas televisões ao lado de Miguel Albuquerque, que foi pedir admissão, a dizer: "Vamos chegar a um acordo sobre qual é que é a melhor maneira, quando é que aceita a admissão, quando é que não aceita." Parece-me que o papel do representante não é este.

Eu achei estranhíssimo aquela coreografia.

Não é chegar a um acordo. Ele tem que tomar uma decisão sobre isto. Não é chegar a um consenso com Miguel Albuquerque.

Eu acho que aqueles poucos minutos ontem daquela coreografia mostram-nos muito o que é a Madeira.

Mostram o poder de Miguel Albuquerque.

São dois órgãos de soberania que são ali representados, que nem sempre têm interesses ou têm funções coincidentes, portanto, há um que fiscaliza o outro de alguma maneira. O representante da República é o representante do presidente da República lá. E a forma como eles, ali lado a lado, em que Miguel Albuquerque falou primeiro, deu a palavra ao representante da República, voltou a falar a seguir, e aquilo funciona assim num alegre convívio, e vamos aqui combinar as coisas.

Numa coreografia.

Combinar como é que chova.

E eu acho que só aquilo é revelador da forma como as coisas funcionam.

É sobretudo a preocupação do representante da República de: calma, vamos decidir isto tudo em conjunto. Vamos ficar todos amigos antes, durante e depois. Que ninguém prime o botão e se assuste.

Eu não sei bem o que é que vou decidir, disse ele. Ele ainda está muito preocupado.

A humildade de não saber, eu dou de barato. Mas a preocupação de garantir que toda a gente vai ficar amiga depois disto.

Então a nota qual é, Pedro?

A nota para esse papel do representante da República é um zero, porque não mereceu mais do que isto. Vamos ver o que é que sai daqui.

Entretanto, em Lisboa continuam detidos três pessoas, três suspeitos. Em princípio, serão hoje ouvidos, Paulo, e isto sugere até aqui algumas dúvidas também.

Não, em princípio serão hoje ouvidos, mas em princípio já seriam ouvidos na quinta-feira passada e depois na sexta-feira passada, e por aí fora. Hoje é o sétimo dia em que Pedro Calado, Custódio Correia e Avelino Farinhas estão detidos. Pedro Calado, ex-presidente da Câmara do Funchal, os outros dois, dois empresários que estão envolvidos nisto, Constituo e Torquites, detidos para interrogatório, o que denota logo que as autoridades, pelo menos o Ministério Público, atribui às suspeitas gravidade, como é evidente, para deter logo para interrogatório. Vieram para Lisboa no dia seguinte para serem ouvidos cá. Também se questiona por que isto. Será que na Madeira não podiam ser ouvidos? Não há sistema judicial na Madeira? Eu até percebo o aparato e os meios que foram do continente para a Madeira para as buscas e por aí fora. Foi muita gente Muita gente foram meios e às vezes é preciso virem pessoas de fora que não estão dentro daquele círculo, como se viu com aquela coreografia entre o presidente da República e o ainda presidente do governo regional, é melhor virem pessoas de fora. Neste caso, eu não percebo porque eles vão, mas enfim, vamos tirar a questão logística de lado. Eu não sou jurista, mas as leis portuguesas dizem que no máximo em 48 horas qualquer detido deve ser ouvido por um juiz, para que a partir daí o juiz decida quais são as medidas de coação, e em função das medidas de coação, se são aplicadas ou fica em prisão preventiva, ou domiciliar, ou vai embora com termo de identidade e residência. E aqui, neste caso, em vez de dois dias, já passaram sete. Eu sei que estes atropelos são comuns. Aliás, estes casos midiáticos são importantes também para nós tentarmos perceber o que se passa nos casos não midiáticos, porque o tratamento dado a estas pessoas não há de ser muito diferente, em média, daquilo que é dado ao cidadão comum, que está sob suspeita, que é constituído arguido e ouvido por um juiz. Eu acho isto absolutamente indecente. Um Estado de direito não se pode comportar desta maneira, mas estamos aqui perante aqueles casos em que o Estado se permite a si próprio violar tudo e mais alguma coisa das regras que ele próprio define, e com uma absoluta impunidade, porque nunca ninguém. Eu não sei de quem são os responsáveis aqui. Eu sei é que Paulo Sá e Cunha, advogado de Pedro Calado, disse no sábado, e portanto isto já foi no sábado, que nesse dia ainda iam ser complementados determinados elementos da prova que ainda não estavam disponíveis no processo.

Aparentemente só hoje, esta manhã, que os advogados vão ter acesso a esses dados.

Mas então para que é que estiveram naquela altura? Não deviam ter feito o trabalho de casa? Eu imagino que o trabalho do Ministério Público e dos agentes é difícil e não tenho a mínima dúvida disso, mas isto não pode acontecer. O que é que acontece? Atenção, eu não tenho especial simpatia pelos arguidos. Se for comprovado aquilo que lhes é imputado, espero que as penas sejam pesadas e por aí fora. Agora, isto não pode acontecer. Isto não é um Estado de direito. Dou um quatro a esta falha de Estado de direito e era importante que os políticos, já agora, que são eles que fazem as leis que definem estas coisas, começassem a olhar para isto, porque os responsáveis por estes atropelos aos direitos humanos, basicamente, têm que ser responsabilizados por isso também. Não pode haver outra maneira.

É por aí que dás o quatro. Júlio, também acompanhas esta estranheza relativamente ao tempo dos detidos?

Sim, e não só, e também a logística. Até era mais nisso que queria acrescentar ao Paulo, porque toda a gente vai à Madeira, isso faz parte. O que é estranho é os arguidos terem que vir para Lisboa. Não é estranho. O Luís Rosa explicou bem isso na semana passada aqui no Observador, e que diz também muito do que é o retrato do país. Por que é que eles vieram todos para Lisboa, estão deslocados da Madeira, estão aqui há seis dias detidos? Porque aqui há mais meios, mais infraestruturas e inclusivamente, outra das frases que usou Luís Rosa: "São mais competentes, pois têm melhores meios, mais infraestruturas, melhor forma de investigar, logo são mais competentes, têm maior capacidade que os outros que não têm ao seu dispor todos estes meios", que é um retrato bem daquilo que é o país, que, na verdade, não está descentralizado. Era mais essa nota que eu queria dar no que dizia respeito aqui ao Paulo. O que eu queria falar mesmo para dar nota, e é um oito, é à questão do aeroporto de Lisboa. Ontem estava a ver, os ambientalistas vieram agora dizer que Vendas Novas é que é, Alcochete não pode ser. A VINCI, que gere aeroportos em vários países, diz também que Alcochete seria um desastre. Mas isso não é o que me impressiona, porque isso já sabemos que vai haver várias opiniões. O que me impressionou mesmo foi saber que a comissão técnica independente está a projetar um aeroporto para 60, no mínimo, a 108 milhões de passageiros em 2050. A VINCI, que faz estudos internacionais de aeroportos, diz que não será mais de 40 a 50 milhões em 2050. Não se percebe esta disparidade de números. Isto faz lembrar os estádios de futebol, ou seja, construir um aeroporto a projetar 60 a 108 milhões de passageiros em 2050, quando há uma empresa que gere aeroportos a nível internacional, tem estudos internacionais, vai 40 a 50 milhões, quer dizer que a comissão técnica pode decidir por um aeroporto para este número, como decidimos aqui há uns anos os estádios de futebol, que construímos estádios com capacidades imensas para tanta gente em Aveiro, Leiria e Algarve, que agora não servem para nada. Não sei quem é que tem razão, porque não sou especialista. A única coisa que a mim me faz confusão é que Madrid representa 15% do tráfego aéreo em Espanha. Lisboa representa muito mais. Portanto, a perspectiva é manter tudo como está, ou seja, Lisboa continuar a absorver tudo o que é aviões, e por isso esta perspectiva de ter tanta gente aqui. Se daqui em 2050 já tivermos TGV, já não seria necessário, provavelmente, Lisboa absorver tanto, ia haver capacidade no Algarve, no Porto, das pessoas chegarem ao Porto, chegarem ao Algarve e apanharem o TGV para Lisboa, como toda a gente que vem do resto do país também tem que vir a Lisboa.

Leiria em 40 minutos.

Como é?

Leiria em 40 minutos.

Leiria em 40 minutos e Santarém em 40 minutos.

São projeções, são previsões. Deixa-me só ler-te uma notícia de 3 de fevereiro de 2007 do Público: "O aeroporto de Beja poderá atingir 1,8 milhões de passageiros em 2020." Isto, 2020, foi há três anos.

Foi há três anos.

Há quatro.

Foi com base em previsões destas que se construiu o aeroporto em Beja. 1,8 milhões de passageiros.

Se calhar nem 18 mil.

Nem 18 mil.

O que é estranho é que parece que, como disse há pouco, não andam a ler os mesmos livros, não andam a fazer os mesmos estudos. Não sei quem é que tem razão, se é a comissão técnica, se é a VINCI, não interessa. Esta disparidade de números quando se está a discutir um aeroporto não faz sentido. É um oito.

É um oito, que aqui fica claro. José Manuel Fernandes, vamos a um outro estudo, e também este já contestado, relativamente ao número de professores que faltam nas escolas, não os que estão em falta, mas os que faltam, e as reações. O que queres acrescentar sobre isto, José Manuel?

Ontem tivemos o desprazer, digamos assim, de ouvir Mário Nogueira desvalorizar um estudo sobre o estado da classe docente e o absentismo na classe docente. Não que isto seja particularmente chocante em termos de porcentagens, mas é particularmente chocante se pensarmos que cada vez que um professor falta e não é substituído, há alunos que ficam sem aulas. E uma das coisas que percebemos pelo estudo não é apenas o número de faltas e que há uns professores que faltam mais que outros, porque isso em todas as profissões é um pouco assim, é a dificuldade que as escolas têm para substituir os professores rapidamente. Portanto, há buracos, abre-se situações de crise. E a percepção, porque o estudo não tem só isso, de que estamos com números que são um pouquinho surpreendentes. A maior parte das pessoas não tem noção, mas a EDLog faz estudos de dois em dois anos, portanto, este é o terceiro estudo, quer dizer que fez um para o ano letivo 2016-2017, este é para o ano letivo 2020-2021. Nesse intervalo de tempo, o número de professores contratados no sistema aumentou 6 mil. Ouviu-se bem, aumentou. A ideia de que eles desapareceram. Agora, qual é o problema? É que em 2016 havia 9% com mais de 60 anos, em 2020-21 são 19%, isto é, mais do que duplicou. A idade média aumentou em quatro anos, aumentou dois anos, o que quer dizer que apesar de tudo, os professores estão a ficar mais anos na profissão e não estão a entrar muito poucas pessoas por baixo. Temos aqui problemas que são claramente estruturais, porque depois os professores com mais de 50 anos têm menos componente letiva, etc. E estes problemas que deviam ser discutidos em função desse relatório, provavelmente não estão a ser discutidos. Há Pedro Nuno Santos, que este fim de semana veio dizer naquele encontro do Porto, que havia falado de professores porque o PSD tinha entrado no governo há oito anos, ou há nove anos, ou há 10 anos. E não por causa de durante estes últimos oito anos, ninguém ter ligado a isso e os ministros da Educação terem achado que o que estava a acontecer, enfim, passaram oito anos. A este ritmo, a classe docente está há quatro anos mais velha, em média. E isso é estatística, é demografia, não tem nada que saber, não é preciso fazer grandes estudos. E a FENPROF veio desvalorizar tudo isto, veio dizer que talvez haja aqui umas boas ideias, mas isto não, os professores até faltam pouco, os problemas não são esses. Em vez de facto, de debater o problema. Eu acho que é uma coisa triste. Por um lado, temos organizações da sociedade civil, e de logo uma fundação da sociedade civil, neste caso concreto é uma fundação, foi criada pela Fundação Belmiro de Azevedo, portanto não é paga pelo Estado, e uma reação de muitos dos dependentes do Estado para dizer não quero ouvir, não quero falar, não quero discutir essas coisas. Para essa reação vai uma nota muito negativa, vai o meu quatro.

O teu quatro habitual.

O meu quatro habitual, porque de facto, assim não vamos lá.

Não se consegue sequer perceber a realidade. José Manuel, em 30 segundos queres dar ainda nota àquele episódio de ontem da queima de um cartaz do Chega?

Acho que esse episódio é muito complicado, muito delicado. Não se pode pensar que se resolvem problemas, quer dizer, divergências de opinião, com violência. Aquilo é um ato violento, é vandalismo, não é nada diferente disso. Aquilo não ajuda a combater o Chega, para quem ache que isso é um objetivo de vida. Aquilo promove o Chega. Da mesma forma que eu não acho, apesar de achar horríveis aqueles cartazes da manifestação, a dizer que as rendas estão altas porque os senhores são judeus, coisas antissemitas. Da mesma forma que eu não acho que a gente devesse ir lá a polícia tirá-los da rua, também não acho que seja possível resolver divergências de opinião de forma violenta e de forma brutal. E não é assim que as coisas se tratam. E muito rapidamente, os argumentos estão todos num artigo que o António Barreto escreveu este fim de semana no "Público", podem lê-los lá, porque às vezes as divergências existem, são para ser discutidas, não são para ser reprimidas ou atacadas de forma vândala, por assim dizer. Para aquele grupo, que eu não percebi nem que grupo é que é, e para aqueles que aparentemente ficaram contentes com aquilo que aconteceu, neste caso, não vai um quatro, vai mesmo um zero.

Além de condenável, é estúpido, porque conhecia o Chega.

Claro, evidentemente. O Chega até teve a oportunidade de fazer uma campanha de fundos para substituir o cartaz.

Fica um zero. Fechamos com um zero e este o vencedor é. Até amanhã.