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Partimos para a análise dos temas que marcam a atualidade com notas de zero a 20. Começa agora mais um "Ivensouré" das manhãs 360. Carla, hoje juntam-se a nós para darem notas a Filomena Martins e o José Manuel Fernandes. Marco Rúbio a passar ontem por Portugal e orçamento do Estado apresentado. Vamos andar por estes dois temas. Paulo, ao que chamas os agarrados ao orçamento, quem são?
São muitos deputados. Ontem o orçamento foi apresentado oficialmente, agora já temos o documento, e ao longo da tarde eu fui ouvindo os comentários, obviamente, de partidos da oposição, e ouvi muitos deputados dizerem coisas: "É um orçamento vazio, não tem qualquer medida, não há aqui nada para atenuar o impacto dos preços nas famílias, por exemplo". Basicamente, o que criticavam, porque de facto o orçamento tem números, tem tabelas e tem o reflexo daquilo que são as leis em vigor no país, as responsabilidades do Estado e o reflexo das decisões que nos últimos tempos os deputados foram tomando, como é evidente, estão lá. Isto levou-me a pensar que nós podemos ter aqui um problema de saúde pública, que é uma série de deputados que desenvolveram ao longo do tempo uma dependência muito grande de orçamentos de Estado à antiga, orçamentos que faziam reformas fiscais, eram nos orçamentos que se lançavam os concursos públicos para projetos de investimento do Estado, era nos orçamentos de Estado que se regulamentava e regulava tudo e mais alguma coisa, desde os apoios ao mirandês até ao apoio também para salvar o tapete de Arraiolos, e por aí fora. Portanto, o orçamento parecia para esses deputados o único momento legislativo do ano. Eles das duas, uma: ou apresentavam propostas e as metiam no orçamento, ou então nos outros 11 meses do ano não podiam fazer mais nada. E ontem essas pessoas pareceram pessoas, de facto, em situação de adição, em estado de ressaca ou de abstinência. A sofrer, claramente. Saudades daqueles orçamentos, um bom orçamento como 2009, 2010 ou 2011, em que estávamos ali no fio da navalha a pensar: será que nos safamos ou tem que vir a troika? Depois veio a troika, sabemos. Ou como 2022: será que isto passa ou chumba e o governo vai cair? E as saudades de um orçamento simples de implementar. Há quantos anos é que nós não temos esse prazer? Bom, eu acho que os deputados deviam pensar muito bem qual é o caminho certo. Aquilo que se passava até há dois ou três anos era má prática orçamental, do processo orçamental, em que o orçamento servia para meter tudo e mais alguma coisa, e a última coisa em que se reparava era nas contas, naquilo que importa. E também má prática legislativa, porque depois cai-se naquele ridículo de haver 2 mil propostas e os deputados estarem ali a fazer maratonas de dois e três dias a votar essas 2 mil propostas. E eu aposto que muitos deles nem sabem muito bem em que é que estão a votar. E depois as leis saem mal escritas, cheias de dúvidas, a precisar de clarificações, à espera de regulamentações que nunca mais aparecem e por aí fora. Portanto, o meu pensamento neste dia vai para esses deputados, que eu imagino que estejam a sofrer dessa abstinência, mas eu acho que eles passando este período vão se sentir muito bem daqui a algum tempo.
Mais libertos.
Mais libertos, vão se sentir muito bem daqui a algum tempo. Custa muito, mas se haver algum problema, consultem os especialistas em adições que podem ajudar.
Portanto, a tua nota vai para os dependentes do orçamento.
Os dependentes dos orçamentos à antiga. E olha, neste momento difícil, eu dou-lhes um 12, porque eu sei que eles estão a sofrer, mas que vão ficar bem. Tenho a esperança que vão ficar bem.
Fica explicada então a tua nota. Filomena, então vamos olhar para o orçamento naquela parte mais prática, que talvez interesse mais. Isto é bom ou não?
Sim, eu estou com o Paulo, até porque os orçamentos até passaram a ser entregues a horas.
Antes das horas.
Isso, a tempo, sem problema.
Dois dias antes. Eu acho que pro ano até vai em alemão e tudo, se continuamos assim.
Não, mas eu vou falar aquilo que o Paulo se calhar era para falar, que era de números, porque ele podia me ajudar nessas coisas. Porque há uma coisa que devemos reconhecer logo, que é: Portugal tem feito um caminho notável nas contas públicas. E eu quero deixar esse elogio, eu que não sou de grandes elogios, porque num país que há pouco mais de uma década precisou da troika, de ajudas externas, isto não é um pormenor. A dívida pública, que em 2016, se eu não vou falhar, ultrapassava 130% do PIB, vai baixar agora pra 84,5. O governo prevê um crescimento econômico de 2,1, é um pequeno excedente orçamental de 0,1, que está mais otimista que o Conselho de Finanças Públicas e até que a Comissão Europeia e a OCDE, mas é simpático, é uma boa notícia e tem a particularidade que importa salientar que este caminho foi feito porque houveram cores diferentes. Vem de António Costa e dos seus ministros das Finanças e agora é continuado por Luís Montenegro. Estas contas certas não são propriedade de nenhum partido, são patrimônio do país e importa de vez em quando olhar pra elas, porque não era assim. São especialmente importantes num ano em que não faltam guerras, tensões internacionais, dificuldade econômica e às vezes acontecimentos inesperados. Portanto, ter uma pequena margem que seja pra reagir a uma crise tem sido uma vantagem, e é uma vantagem que Portugal não deve perder. Agora vamos às críticas, porque dito isto, há uma conversa que é preciso ter. O governo anunciou novas reduções de impostos, e é sempre bom ouvir esta palavra, redução de impostos E porque quando ouvimos em falar em centenas de milhões de euros de alívio fiscal, a primeira reação é que nós vamos sentir uma diferença significativa no salário no fim do mês. "Agora isto é que vai ser." Só que os números não dão assim. Fazendo as contas e as simulações da PwC, por exemplo, na poupança adicional de IRS para 2027, comparando com as regras que deverão vigorar no final deste ano, caso sejam aprovadas, os resultados são muito descoroçadores. Vou fazer isto pelas simulações. Um trabalhador solteiro sem filhos que ganhe 1.500 € brutos por mês vai poupar mais de 37 € de IRS em todo o ano de 2027. Repito, são 37 € em todo o ano. Isto dividindo pelos 14 salários, são 2,64 € por salário. Nem sei o que posso sugerir que ele compre com isto. E quem ganhe 2.000 € poderá poupar 79 € por ano. São 5,64 € por salário. Acho que já dá pra um gelado. E quem recebe 2.500 € terá uma poupança adicional de cerca de 160 € anuais, pouco mais do que 11 € por salário, porque aqui já dá para ir ao McDonald's. Claro que há aqui situações diferentes. Quem ganha 1.100 € poderá poupar 144 € anuais, graças também às alterações do mínimo de existência, e os valores variam consoante a situação familiar. E claro que estamos a falar apenas da redução adicional prevista para 2027. Se juntarmos as descidas do IRS, a beneficiar quem lá é maior. Para o salário de 1.500 €, por exemplo, a poupança face às regras iniciais deste ano chega aos 110 € anuais. Mas estes exemplos mostram uma realidade que os anúncios políticos não conseguem transmitir, porque uma redução de impostos é sempre positiva, mas nós não devemos confundir uma redução de IRS com um aumento significativo do poder de compra, até porque teríamos de fazer muitas contas, e isso é com o Paulo, não é comigo. E obviamente teria a calculadora, mas é preciso lembrar que famílias continuam as famílias, e nós todos continuamos a enfrentar despesas muito elevadas, quer com a habitação, quer com a alimentação, quer com a energia, quer com os transportes. E estes valores são simulações de poupança anual de imposto, não garantias do recibo mensal do salário. Vai ter mesmo estes aumentos. O orçamento também prevê uma subida do salário mínimo para 970 €, prevê a atualização das pensões, prevê os reforços dos apoios sociais. Estas medidas claro que contam, mas não resolvem por si só aquele problema dos baixos rendimentos portugueses. E há ainda um outro contraste. Não vou resolver tão cedo. Temos esta subida constante. O Estado vai gastar mais de 8 mil milhões de euros em juros da dívida, enquanto o investimento público deverá cair fortemente com o fim do PRR. Portanto, eu acho que talvez a pergunta mais importante não seja agora quantos euros de IRS vamos poupar no próximo ano. É saber quando conseguiremos ter uma economia capaz de pagar salários verdadeiramente melhores. Porque se as contas certas são indispensáveis, a redução de impostos também pode ajudar, mas nenhuma delas vai substituir o crescimento da produtividade, o investimento e a criação de riqueza. Porque uma coisa é mesmo ter melhores contas, a outra, muito diferente, é as pessoas sentirem que vivem um bocadinho melhor. E é nessa diferença que a política económica vai, no futuro, fazer a diferença. E aqui eu ainda tenho muitas dúvidas do que aí vem.
Então, com alguns elogios e com estas dúvidas, a tua nota fica onde?
Com contas certas e euros no bolso, a coisa não é bem a mesma coisa. Mas talvez estejamos a caminho disso e, portanto, eu estou aqui no sete. Sete é um número mítico.
Pois é, então fica esse sete para o orçamento. Bruno, nota para Luís Montenegro?
Sim, para Luís Montenegro, para o governo, esta é mais uma daquelas vitórias, não é bem uma vitória de Pirro, que as vitórias de Pirro são aquelas que custam tanto, perde-se tanto pra conseguir a vitória que se costuma dizer mais uma destas e estamos perdidos. Não é bem uma vitória de Pirro nesse sentido, porque o governo não teve de fazer muitas cedências para conseguir aprovar o orçamento. Por um lado, ainda bem que se retirou algum dramatismo aqui à questão do orçamento, mérito para o PS. Quer dizer, não sei qual o PS, porque parece que o PS também ainda não sabe bem se faz exigências ou não faz exigências, se abstém violentamente ou se vai votar.
Aprova na generalidade e depois vai aguardar pela especialidade.
E depois o que é que vai fazer, e depois se vai entender ou não com o Chega, se vai aprovar medidas ou está disponível para aprovar medidas que aumentam a despesa do Estado, mas se vai propor ou não, depois em contrapartida, outras que aumentem as receitas. Quer dizer, não se sabe ainda bem o que o PS quer fazer, porque tem emitido sinais contraditórios, mas à partida estará disponível para não dramatizar, para garantir a aprovação do orçamento, o que é bom. Aquele dramatismo todo, até cênico, com entregas de pen a meio da noite, à última hora, parecia filmes do James Bond. Perdeu-se só algum espetáculo, é verdade. Em termos televisivos, até perdeu-se aqui, se calhar, um grande espetáculo, mas politicamente, e a bem da nossa sanidade, eu acho que isto é bom. E para o governo ter um orçamento aprovado também é bom, também é um triunfo. A questão é: para quê? Para que serve este triunfo? É basicamente para o governo sobreviver, para o governo se manter à tona. Estamos aqui a falar muito das contas públicas certas. Ótimo, é ótimo ter a casa arrumada. Outra coisa depois é abrir o frigorífico e ver o que é que está lá. Mas não deixa de ser bom ter a casa arrumada, é bom em si. É a mesma conversa com a estabilidade. Se há estabilidade, é ótimo, mas depois põe-se a pergunta: uma estabilidade para quê? Para ir aonde? Para conseguir o quê? Nós podemos avaliar o desempenho de um governo politicamente, se ele se aguenta e se calhar o governo do Luís Montenegro tem ido até mais longe do que aquilo que se esperava, tendo em conta as circunstâncias e o contexto parlamentar em que ele tem de viver. E nesse sentido, cada passo que dá, cada dia, cada mês que sobrevive, cada orçamento que é aprovado é uma vitória e se calhar está a superar as expectativas, mas depois nós olhamos para o outro lado que é: para que serve um governo? O que queremos do desempenho de um governo? Que é melhorar a qualidade de vida das pessoas. E isso está a acontecer? Estamos a ver o país a caminhar para esse crescimento que Miranda Sarmento dizia que era fácil de atingir dos 3%? Não parece. Pode haver uma série de justificações olhando para o contexto internacional, as crises, tempestades, e podemos pensar: outro governo na mesma situação faria melhor? Ok, tudo são questões que nós podemos pôr, mas não retiram a questão central, que é o sucesso do governo parece estar mais ligado à sua própria capacidade de sobreviver do que fazer uma vez garantida essa sobrevivência. Para onde é que vamos? Estamos a caminhar para um crescimento? Estamos a caminhar para uma melhoria das condições de vida das pessoas? Estamos a caminhar para o aumento da produtividade, da competitividade da economia portuguesa? Não parece que estejamos a ir para aí. Mas olhando para os mínimos, que é ter a casa arrumada, sim, temos a casa arrumada, temos as contas equilibradas, o que também acaba por ser um ganho em termos económicos, porque um país mais vulnerável, com as contas desorganizadas em risco, é sempre pior e pode ter efeitos adversos a médio prazo na economia. Mas não se percebe muito bem ainda onde é que isso tudo vai dar, onde é que Luís Montenegro vai levar o governo depois de garantida a sua sobrevivência. Imaginemos que cumpra a legislatura. Ótimo, parabéns, foi muito mais do que estava toda a gente à espera. E depois, estamos a viver ou não melhor? Acho que essa é a grande questão que se põe ao governo. Eu vou dar um 10, quer ao governo, quer à oposição, que não tem dramatizado excessivamente, embora aqui um 10 com reserva, porque vamos ver se o PS desdramatiza mesmo ou ainda aproveita algum momento para dramatizar. Para já, é um 10, que é aquela nota-
É bom ter a casa arrumada.
É bom pelo menos ter a casa arrumada, mas era bom que também tivéssemos o frigorífico cheio.
Um 10 então. Filomena, ias dizer alguma coisa?
Não, estava a rir a pensar no frigorífico cheio. E arrumado.
E arrumado.
Pois é, isso o Bruno está a querer muito. José Manuel, Marco Rubio esteve ontem em Lisboa com vários encontros. Que balanço é que fazes desta passagem por Portugal?
Olha, acho que é uma passagem que correu bem a Marco Rubio, correu bem a Paulo Rangel e correu bem ao governo, se bem que porventura não teve o mesmo impacto que a passagem pela Grécia. E por que eu digo isto? Porque as notícias sobre a passagem por Portugal acabaram por dominar, mas o discurso mais importante feito por Marco Rubio foi feito em Atenas. E é um discurso que eu acho que vale a pena ler, até no quadro não só da evolução da política dos Estados Unidos, mas também daquilo que possa vir a ser a próxima campanha presidencial nos Estados Unidos. Por que eu digo isto? É um discurso que ele fez tendo como cenário a Acrópole, e é um discurso em que procura ligar a tradição grega e a tradição clássica à política contemporânea e aos desafios da Europa e dos Estados Unidos. Ele referiu esse discurso nas declarações que fez nas necessidades ao lado de Paulo Rangel. É demasiado longo e importante para poder aqui resumi-lo. O tópico é este, ele pode ser encontrado no site do Departamento de Estado, mas hoje também há uns extratos mais importantes publicados no Wall Street Journal. Independentemente disto, eu acho que foi um encontro que correu bem a Paulo Rangel. Ficou claro que podia haver polêmicas sobre Lajes, podia haver polêmicas sobre a preferência por Portugal por comparação com Espanha, mas tudo isso foi torneado com alguma habilidade. Até o tema que podia também ser controverso dos F-35, a forma como Marco Rubio disse que acha que é o melhor avião do mundo, mas isso não é uma decisão dele, é uma decisão portuguesa, também foi elegante. E por isso acho que de uma forma genérica correu bem aquele encontro e seguindo o critério de dar uma nota
A parte portuguesa de uma nota para o Rangel, ele já mereceu algumas notas negativas minhas noutras alturas e por outros comportamentos, designadamente a sua preocupação com a eleição para o Conselho de Segurança e os contorcionismos portugueses nesse caminho. Mas neste encontro de ontem acho que as coisas lhe correram bem e por isso dou um 14.
Marco Rubio ou a Paulo Rangel? Desculpa.
A Paulo Rangel. Marco Rubio, acho que talvez um dia precisamos discutir melhor o discurso de Atenas. Acho que se vai falar bastante desse discurso nas próximas semanas ou meses.
Sim, por acaso já li algumas reações a esse discurso de Marco Rubio, algumas críticas em relação ao papel, à forma como os Estados Unidos se veem. Estava ali uma crítica que dizia que a melhor forma de perceber o que é uma grande potência, normalmente não passa por ouvirmos a descrição que ela própria faz de si. Ou seja, quando os Estados Unidos se descrevem e se comparam com Atenas.
Com o Pelé ou Maradona.
Pronto. Muitas vezes não têm exatamente a ideia mais correta do que representa a sua própria potência. E era nesse sentido, e até na comparação com Atenas, que eu estava a ver essas críticas. Mas aquilo que eu queria dizer em relação a esta passagem.
Eu estive a ler o discurso todo e não sei se mais do que comparar com Atenas, até porque há momentos mais gloriosos e momentos menos gloriosos da história de Atenas, toda gente que conhece a história da Guerra do Peloponeso sabe que não acabou bem para Atenas. Mas ali é mais as questões da cultura grega, dos heróis gregos, da vontade de lutar dos gregos que ele chama a atenção, mas procurando projetar isso para a Europa, dizendo que tem que sair da anomia para se tornar mais heroica, digamos assim. Mas é interessante, não estou aqui a criticar nem elogiar, acho que é um discurso mais denso do que é habitual nestas ocasiões e que pode ter mais que uma leitura, como é óbvio. Mas vale a pena, por isso é que eu chamei a atenção para ele.
Claro, e por isso mesmo é que eu também queria falar do tema, porque isto coloca aqui, não só este discurso, mas até a atitude que nós vimos ontem de Marco Rubio. Falavas em elegância, José Manuel, e eu acho que também passa um pouco por aí. A forma como tudo isto pode colocar Marco Rubio na rota da sucessão de Donald Trump. Temos também falado muito do J.D. Vance, que aparentemente seria, até por ser o vice-presidente, o sucessor natural, mas eu não sei se Marco Rubio não está ele próprio a criar as condições para vir a ser um dos possíveis candidatos à sucessão de Donald Trump. Porque o que nós vemos aqui, até numa questão retórica, é alguma diferença em relação ao que tem sido sempre a forma de falar de Donald Trump em relação à Europa, mesmo de J.D. Vance, e que nós temos visto, de facto, algumas diferenças. Não quer dizer que na substância as coisas sejam muito diferentes, mas no tom, e por isso também daí a importância do discurso de Marco Rubio na Grécia, mas também a forma como falou ontem em Lisboa, neste posicionamento, não é mais suave, mas com um outro tato.
A tal elegância que o José Manuel dizia, a diplomacia.
Que é fundamental nas relações diplomáticas entre Estados e na perceção que os Estados têm até das exigências que fazem uns aos outros. Porque uma coisa é vir quase com a chibata na mão a exigir e no fundo a prejudicar e a tratar os aliados europeus, que são aliados, como subalternos. Outra coisa é vir também com falinhas mansas, mas cativar, tentar cativar os europeus para esta necessidade do investimento. Na perceção pública que fazemos do discurso dos líderes políticos, isto faz uma grande diferença. Parece-me que com este périplo de Marco Rubio podemos estar aqui, ou se calhar somos nós que estamos a vê-lo agora com outros olhos, também por esta proximidade, pelo facto de ter passado, mas pode ser que Marco Rubio, neste momento, se esteja a posicionar como um dos mais fortes candidatos à sucessão de Donald Trump, até pelas raízes latinas, também podem fazer aqui a diferença, mas quando pensávamos que J.D. Vance poderia ter aqui o caminho aberto para a sucessão, por ser o sucessor natural, quase dinástico, de Donald Trump, pode haver aqui algumas surpresas e eu acho que Marco Rubio talvez seja um dos nomes com mais capacidade, com mais possibilidades até de vir a suceder ao atual presidente.
Pode estar aqui a trilhar um caminho. Queres dar nota também, Bruno?
Vou dar um 15 a Marco Rubio pelos discursos que fez, pela postura que tem e por, se calhar, também estar a jogar aqui num tabuleiro a pensar mais à frente.
Sim, e aqui diz-se a acompanhar. E o "Vencedor" regressa mais logo na Tarde Política da Rádio Observador.
Numa versão alargada que começa, como sempre, a seguir ao jornal das 18h, é moderada pelo Ricardo Conceição. Esta tarde dão notas a Judite França, o António Costa e o Gonçalo Durteira Seival.