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E o vencedor é na Rádio Observador, hoje com a Judite França, Helena Garrido e Pedro Benevides. Hoje vamos regressar à Casa Branca, onde Cristiano Ronaldo foi convidado para um jantar de Estado, passeou em amena cavaqueira com Donald Trump e até tirou fotografias na Sala Oval. Também vamos falar da saúde, porque há uma sucessão de casos a somar-se àqueles que já tínhamos conhecido esta manhã, por exemplo, dos dermatologistas de Santa Maria, que foram detetados e ganharam mais de €200 mil em dois anos. Ainda temos a Operação Obelix, o caso de uma médica detida por alegado abuso a passar receitas de Ozempic, um medicamento para a diabetes que também ajuda a emagrecer. Ainda temos de falar, e vamos já falar na primeira parte, dos debates presidenciais. Temos de ir ao frente a frente de ontem entre Marques Mendes e António Filipe. E Helena Garrido, foi preciso esperar até o fim para a coisa animar ou estiveste animada?
Não estive animada, mas sabes que nos tempos que correm, talvez o melhor é não nos animarmos. É termos pessoas chatas para nós ouvirmos, não é? Porque a agitação já é tal, a incerteza é tal, a instabilidade, a volatilidade, como se diz na linguagem económica, é tal que neste momento já desejamos que alguém debata os assuntos de forma civilizada, aborrecida até, para termos alguma calma e concordarmos em discordar, que isso é muito importante. Eu sei que não é tão giro como a gritaria que vimos no dia anterior com António José Seguro e André Ventura, mas é um tipo de debate que é mais civilizado e que nós devíamos valorizar. Sei que é muito difícil, sobretudo nas televisões, valorizar e com o modelo que todos em todo o mundo, na prática, corresponde à comunicação televisiva, é muito difícil considerar que é um bom debate. Eu, em termos gerais, daria a este debate um 18. Ao debate em si.
Ao conteúdo e à forma.
Sobretudo por causa da forma. No conteúdo soubemos que houve aqui alguns erros mútuos. Marques Mendes não foi muito rigoroso quando falou das greves gerais e António Filipe também manteve aquela atitude de não condenar inequivocamente. Não é capaz, o PCP não consegue, não está no ADN dele condenar inequivocamente a invasão da Ucrânia.
Daí eu ter dito que o final animou um bocadinho, porque esse momento foi mais picadinho.
Foi mais no final. Mas diria que o facto de concordarem em discordar é para mim o mais importante. Fazerem um debate civilizado. Houve alguns toques com o Marques Mendes a provocar António Filipe a dizer que ele era um candidato de fação, mas em termos gerais foi um debate daqueles que nós preferíamos que animassem as pessoas, não animam, é apenas um desejo. Agora, nenhum deles me pareceu que tivesse alargado a sua base eleitoral e do ponto de vista da eficácia.
Portanto, ninguém ganhou votos ali, é isso?
Exatamente.
Ganhou votos a quem está indeciso, obviamente.
Claro. A ideia, em princípio, é essa, não é alargarem a sua base eleitoral, é ganharem mais eleitores naqueles debates. Foi mais um debate em que nem perderam, nem ganharam, cada um manteve basicamente a sua base eleitoral.
Pedro, que avaliação fazes do debate de ontem?
Sabes que eu comecei a ouvir a Helena a elogiar os debates aborrecidos e pensei: "A Helena precisa mesmo de um café." Nós estávamos a falar isso antes de começarmos o programa, mas depois continuei a ouvi-la e de facto concordo. De facto, é exatamente isso. Aquilo que eu pensava, com outra formulação, é no fundo a mesma coisa, que foi um gosto podermos ver um debate entre duas pessoas que têm divergências profundas sobre temas essenciais para a nossa vida, ou pelo menos para aquilo que está a acontecer hoje em dia, e que é curioso ouvir a visão de um candidato a presidente da República. Divergências profundas e, no entanto, foi um debate muito civilizado. Foi um gosto ouvir aquele debate. Eu se calhar pertenço àqueles que também já gosta das coisas um bocadinho mais aborrecidas, não sei, mas de facto nos tempos que correm, aquilo foi uma lufada de ar fresco. O velho modelo de debate a que estávamos habituados pareceu uma lufada de ar fresco face à gritaria com que estamos habituados a lidar com tudo hoje em dia. Não é só debates, é a forma como as intervenções dos políticos, como falam uns com os outros, como o próprio Parlamento hoje em dia está a um nível muito aceso e muito brega. E achei que aquele debate foi um debate muito civilizado em que permitiu perceber onde é que cada candidato estava. Não é que nós ficássemos propriamente surpreendidos.
E a maior parte das pessoas.
Exatamente. Mas eu só não concordo quando a Helena diz que não aqueceu nem arrefeceu do ponto de vista dos eleitores. Eu acho que para Marques Mendes este debate correu-lhe particularmente bem, porque eu acho que ele claramente saiu vencedor do debate. Conseguiu, tirando aquela gafe que ele teve lá da CGTP Foi uma coisa um bocadinho absurda, mas que ele também fingiu que não tinha acontecido, que eu achei que a estratégia não foi má.
Que disse que nunca tinha assinado.
Nunca tinha assinado um acordo e depois, de repente, quer a Clara de Sousa, quer o António Filipe fizeram ver que não é verdade. E ele continuou sem se incomodar e continuou por aí fora. Foi uma boa estratégia, foi do género: "Vá, faz de conta que isso não aconteceu." Mas achei que ele, que acabou de ter uma sondagem que é favorável, que o coloca como o mais provável vencedor agora de uma primeira volta e sobretudo de uma segunda volta com os outros adversários, acho que ele conseguiu passar ali uma mistura interessante entre aquilo que é a pose de Estado de um presidente da República e aquilo que é o comentador Marques Mendes, que era um comentador diferente de Marcelo Rebelo de Sousa, e ele não quer ser colado à imagem de Marcelo Rebelo de Sousa e nós todos percebemos porquê. E acho que o debate foi muito eficaz. Para primeiro debate, acho que lhe correu muito bem.
Presidente França.
Correu bem, sobretudo ao único que é candidato à Presidência da República, efetivamente. Porque o outro tem que fazer os mínimos olímpicos para não envergonhar o PCP. E acho que conseguiu fazer isso. E acho que junto dos seus indefectíveis, não trouxe ali nenhum amargo de boca. Claro que quanto às questões que dizem respeito às alterações laborais, ambos defenderam os seus lados da barricada, mas Marques Mendes criticou o governo por pôr de parte a UGT e eu acho que isso lhe correu bem. Correu-lhe bem isso e correu-lhe bem o facto de no 25 de novembro ter dito que a data não era tão importante como o 25 de abril. E acho que isso alarga um bocadinho mais a sua área. Acho que é capaz de calhar bem a alguns do centro-esquerda que não querem António José Seguro.
E pode ser útil para os eleitores, para ganhar votos junto dos eleitores que estão a fazer contas num voto útil ou não?
Eu acho que também há a questão do voto útil.
Logo na primeira volta.
Logo na primeira volta, sim, claro. O voto útil é logo na primeira volta. E isso pode ser muito interessante, porque nós temos uma dispersão de votos tão grande, uma dispersão de candidatos tão grande, que Marques Mendes agora é, de facto, um dos poucos que tem a hipótese de lá chegar. E, portanto, pode haver esse voto útil logo na primeira volta, que será interessante de analisar. Deixa-me só concluir que no final, esta história da guerra na Ucrânia, acabar um debate mal para António Filipe foi, de facto, eu acho que foi fatal, porque quando se diz: "Não era capaz sequer de fazer um apelo a Vladimir Putin", ele responde que isso era simplificar o que não é simplificável.
É uma posição muito difícil para um candidato do PCP, tendo em conta a posição do PCP, que é, como dizem os ingleses, non-apologetic relativamente à guerra da Ucrânia, mas é difícil para um candidato, cada vez que vai para um palco destes, sabendo que a opinião que vai ter que veicular não é popular.
Marques Mendes esteve bem quando foi lá no final.
Desse ponto de vista, esteve bem. Foi uma das coisas que deu gosto ver naquele debate. Foi uma tirada certeira, que não foi exagerada, não foi espalhafato.
E previsível. O tema é previsível.
Exatamente, mas foi bem feito e no momento certo para aquilo acabar exatamente assim. Deixa-me só dizer que houve uma coisa de António Filipe que eu acho que, apesar de tudo, também é de valorizar, precisamente nestes tempos em que vivemos, em que parece que a democracia é uma coisa que em vez de ser uma coisa que está cosida ao nosso peito, é um crachá ou um autocolante que se pode descolar. Foi bom ouvir António Filipe divergir, dizer: "Não concordo". E depois chega o momento em que diz: "Mas a Constituição diz isto e, portanto, eu não tenho outra coisa a não fazer senão..."
Isso foi muito importante.
E eu acho que isto foi mais uma das coisas que tornou este debate, para o qual eu parti com muito baixas expectativas, num debate verdadeiramente interessante.
Isso foi sobre a questão laboral, não é?
Não foi a única, ele disse várias vezes.
Foi sobre a questão também da tomada de posse, se bem me lembro, da tomada de posse de um governo mais à direita.
Exatamente, sim. Ele falou que usava os seus poderes dentro do limite do que podia fazer, porque não concordava, porque achava, porque não sei o quê. E depois, chegando uma altura, se o Parlamento confirmava, ele não tinha alternativa.
Se houvesse uma solução autoritária. A questão até foi colocada nesses termos.
Exatamente.
Sim, esse ponto foi muito interessante e até um bocadinho inesperado. Uma vez que a esquerda, em geral, diz não dava posse.
Exatamente, como se a Constituição, os poderes do presidente só funcionassem-
Só mostra que o PCP é um bocado diferente.
Exatamente. Eu achei isso relevante do debate de ontem.
O PCP é sempre muito institucional na forma de estar. E Helena, deixa só eu recuperar aqui esta ideia do voto útil, porque há muitos eleitores a fazer esta pergunta nesta altura. Eu preferia o candidato A ou B, mas se eu votar no B, a segunda volta pode ser o C e o D, e eu não quero ter de escolher um destes dois na segunda volta. Haverá muita gente a fazer estas?
Não tenho a certeza. Para já, não estou a ver os candidatos ainda. Eles poderão fazer, porque a questão que a Judite colocou é bastante pertinente. Eles poderão fazê-lo ainda, mas até agora não os vi fazer esse tipo de cuidado, vejam lá quem é que vai à segunda volta.
Eu acho que isso é mais para a reta final.
Exatamente. Pode ser para a reta final. Agora, neste momento, as sondagens aparentemente dizem que teremos André Ventura e mais alguém. Isso é o máximo que nós poderemos ter.
Não sei se a última sondagem não diz isso. Há uma sondagem que foi feita para a Folha Nacional que põe André Ventura à frente. Mas é a única. Eu acho que André Ventura não sei se tem condições de chegar à segunda volta sequer.
Eu não sei se, olhando para os debates, agora agarrando, por exemplo, no debate do António José Seguro com o André Ventura Eu não sei se André Ventura vai ser eficaz fazendo todos os debates naquele registo. É muito cansativo para os eleitores, mas é difícil perceber. Aliás, nós temos sido muito surpreendidos no caso do Chega e do André Ventura. Eu, pelo menos, manifesto aqui a minha incapacidade de antecipar aquele sucesso, porque não conseguimos compreender bem o que mobiliza os eleitores. Obviamente, para votar em André Ventura e no Chega. Obviamente que vemos que é um voto pela negativa, é um voto de: "Estou farto desta malta toda".
Do descontentamento.
E que André Ventura, de alguma forma, explora quando ele, por exemplo, diz a António José Seguro: "É mais do mesmo, é pactos, pactos, papéis." Ele está a explorar muito esse tipo de atitude. Estão sempre a falar do mesmo, estão sempre com as mesmas soluções.
O problema é que ele não tem nenhuma alternativa.
O ponto é esse. E no caso António José Seguro, na minha perspectiva, o registro é aquele, mas ele não foi suficientemente disciplinado para manter aquele registro de serenidade nas respostas. Não foi capaz de ser. Aquilo é difícil. Imagino que seja.
Tu ainda não deste nota ao debate, Pedro.
Não, eu vou dar. Vou acompanhar a Helena e vou dar um 18.
Judite?
Eu dou a Marcos Mendes um 15 e à Antónia Filipa um 12.
Estão dadas as notas. Já vamos voltar para a segunda parte de "E o Vencedor É". Ainda temos de falar sobre o que está a passar no setor da saúde e, claro, do Ronaldo na Casa Branca. Este "E o Vencedor É" também tem vídeo, também se pode ver o que se passa na rádio, no YouTube e nas redes sociais d'O Observador. Arranca agora a segunda parte de "E o Vencedor É", hoje com a Judite de França, Helena Garrido e o Pedro Benevides. Hoje também em vídeo no YouTube. Agora já é possível ver o que se passa na rádio. Nós estamos aqui às vezes um pouco distraídos na rádio a fazer gestos e olhar uns para os outros, mas agora também é possível ver os bastidores da rádio.
Estás a olhar pra câmera.
Estou a olhar pra câmera.
Qual é a minha? É aquela ali?
Penso que é aquela. Sim, exatamente.
Estás fixamente a olhar pra lá.
A tua é a dois.
Entrar em contacto com os espetadores que estão a ver aqui.
A tua é a dois ou a um. Exatamente. Portanto, façam este exercício, quem nos está a ouvir também nos pode ver a partir de agora. E vamos falar dos casos na saúde. Hoje temos vários casos, uma sucessão de casos, desde mais dois dermatologistas do Hospital de Santa Maria que terão ganho cerca de €200 mil em dois anos. Temos também o caso de duas funcionárias com inscrição ilegal de imigrantes no Serviço Nacional de Saúde. Helena, ainda temos o caso Obelix também e o Ozempic. Helena Garrido, queres começar por onde?
Puxa.
É escolheres.
É escolher.
Hoje é um daqueles dias em que é preciso um guia para acompanhar todos esses casos.
Todos os casos da saúde.
A Vanessa Cruz está com algumas dificuldades no jornal em organizar as ideias, porque são mesmo muitos casos.
Em descrever os casos. É lamentável o que está a acontecer, mas simultaneamente tem a virtude de pôr a descoberto aquilo que pode ser exatamente os interesses pendurados, e não só os grandes interesses, como por vezes só falamos dos grandes interesses, a indústria farmacêutica, os grupos de saúde privados. Mas nós aquilo que começamos a ver é que há pequenos interesses pendurados no Serviço Nacional de Saúde e que o prejudicam muito significativamente e que usam e abusam. O caso dos dermatologistas é um deles, em que nós estamos perante um abuso do sistema, sem que o sistema tenha qualquer mecanismo para prevenir esse abuso. O caso da médica que passava receitas fraudulentas para pessoas que não tinham diabetes, mas queriam apenas o medicamento para emagrecer, é um caso de fraude, é um pouquinho diferente destes.
Que ascende a milhões de euros.
Três milhões.
Três milhões de euros.
Mas é uma fraude. Os outros também são fraudes. Mas este, apesar de tudo, nós podemos admitir que pudesse ser mais difícil de identificar. O caso dos dermatologistas, eu continuo perplexa.
Outra vez no Santa Maria.
Como é que aquele gestor, aquele presidente do Santa Maria, ainda considera que tem condições para se manter à frente do Hospital Santa Maria quando não deteta uma fraude desta dimensão, ou uma alegada fraude, é melhor dizer assim, desta dimensão.
Mas também o orçamento anual, ainda no outro dia falavas nisso, é gigantesco. €200 mil em dois anos.
Sim, mas se tu reparares que €200 mil em dois anos.
Eu acho barato.
Eu sei.
Eu acho barato, vocês também estão a exagerar. Qualquer dia as pessoas não podem ganhar dinheiro. €200 mil em dois anos.
Dá 100 mil por ano.
Dá 100 mil por ano. Então não houve um médico que foi 400 mil em 10 sábados.
É verdade.
Calma aí. Não há condições para se viver neste país.
Onde é que esses médicos erraram?
Estes dois? Pois é isso. Eles deviam era estar a pensar no serviço.
Conversa séria.
Deixa-me só dizer que neste caso concreto, agarrando nos números que tu foste buscar, o orçamento anda à volta dos 700, 800 milhões de euros, mas os serviços de dermatologia gastaram, números hoje divulgados também pelo Observador, 1.460.000 €. Mais de 1 milhão de euros, quando o hospital, por exemplo, de Coimbra, tem valores mais baixos. Eu não consegui encontrar, de memória, não sei se tu conseguiste, Judite.
São 300 e tal.
O próprio hospital de Coimbra, que se pode comparar com o Santa Maria, também é um hospital universitário. Tem uma despesa.
Mas o Santa Maria é o maior hospital do país.
Mas não podemos esquecer o tamanho.
Mas estás a comparar em termos de dimensão.
É brutal a diferença. Como é que ninguém reparou nisso? Há aqui mecanismos de controlo que é preciso desenvolver. O terceiro ponto é a unidade local de saúde que estava a inscrever imigrantes em quantidades alucinantes, com números de saúde falsos. Qual é o contributo disto? Para terminar, qual é o contributo? Isto é muito importante que esteja a ser descoberto, para nós percebermos que há pequenos interesses que estão, de facto, a usar e a abusar do Serviço Nacional de Saúde. Tal como os famosos tarefeiros, que também tiveram de recuar na sequência de todos termos percebido que também eles não estão a contribuir para um Serviço Nacional de Saúde de qualidade. É muito importante que o governo aproveite esta oportunidade para tentar combater alguns pequenos interesses que têm prejudicado o Serviço Nacional de Saúde e valia a pena também que a Ordem dos Advogados pensasse um bocadinho melhor no papel que pode desempenhar.
Dos médicos.
A Ordem dos Médicos, peço desculpa, pensasse um bocadinho melhor no papel que pode desempenhar neste domínio.
Pedro Benevides, o sistema está a funcionar?
Eu acho que o sistema não está a funcionar. A solução, aparentemente, olhando para estes casos, para esta sucessão de casos, e admito que nós estejamos agora cada vez mais atentos, a ideia que dá é que, mais uma vez, a solução para os problemas do SNS foi despejar dinheiro sobre os problemas. E isto é claramente o reflexo de despejar dinheiro sobre os problemas, que é os incentivos, etc. E depois houve alguém que conseguiu descobrir nas lacunas destas soluções, que são na verdade pensos rápidos, porque não se está a olhar seriamente para a reforma urgente que é preciso fazer aqui, olhar de cima a baixo para perceber o que se está a passar. E o que acontece é que alguém percebeu onde é que há fendas e foi lá. E aquilo que nós estamos a descobrir agora, que é imoral... eu tento pôr-me na pele de um médico que ganha aquele dinheiro todo e olha para as notícias, que são diárias, sobre o caos em que está o Serviço Nacional de Saúde. O que essas pessoas pensam? Não é que seja fraude no sentido em que é ilegal, porque provavelmente não é ilegal, mas é exatamente isto, é aproveitar os buracos do sistema para se aproveitar. É no mínimo um aproveitamento imoral.
A IGAS recomenda que o dinheiro seja devolvido.
Certo, mas a questão é: estes são os casos que nós descobrimos.
Certo.
Que nós sabemos que existem.
Agora, com estes casos, é isso, Judite de França.
É puxar o fio.
Não é?
Eu acho que isto é puxar o fio.
Portanto haverá mais, é essa a suspeita.
A IGAS deve descobrir mais, porque ela está a fazer auditorias em vários hospitais. Curiosamente aparecem sempre nos mesmos. Mas enfim, espero que tenha mais atenção ao Santa Maria.
É mais fácil de acontecer quando tens um orçamento maior, é mais fácil tu tentares passar pelos pingos da chuva.
É verdade. E aquilo que estes médicos faziam era codificar o que não podem ser eles próprios a codificar. Existe aqui uma espécie de papel fiscalizador, um codifica e o outro faz a intervenção, e aqui, sendo a mesma pessoa, pode escrever aquilo que quiser. Eu acho bem que a IGAS diga que se devolvam os valores que foram pagos indevidamente. Sinceramente, acho muito útil. Agora, nós já sabíamos o caso daquele médico que ficou conhecido, Miguel Apalhão, cujo nome ficou conhecido. Agora temos outros nomes que podem começar a ficar conhecidos, porque objetivamente isto vai continuar a ser investigado. Agora, se o Ministério Público, que está a investigar o Miguel Apalhão, também decidir investigar estes médicos, aquilo que nós podemos ver são casos destes a minar o Serviço Nacional de Saúde. Andávamos todos muito preocupados com a justiça e se calhar temos que nos preocupar mais com a saúde, porque na saúde, como há muito dinheiro, é possível fazer um bocado de tudo.
É engraçado que nós, na sondagem que divulgamos esta semana na TV e na CNN Portugal, uma das coisas que perguntamos é qual é a prioridade para o novo presidente da República. Nós estamos a fazer aquilo mensalmente e agora subiu de uma forma estrondosa saúde, mas claramente lá em cima no topo, 36% Das respostas apontam saúde. Depois, a seguir, acho que é políticas de imigração, está em 9%. Portanto, é a segunda coisa que preocupa, mas a diferença é colossal. E depois olhamos para aquilo que o Presidente da República disse hoje sobre isto. Não sei se acompanha as nossas declarações. Atenção que eu ainda não as li com profundidade, porque eu penso que de vez em quando o Presidente da República mete aquele motor do pensamento profundo e a pessoa não sabe exatamente o que ele se está a referir. E ele pede, originalidade, um pacto de regime para a saúde, coisa que se calhar pode ler o de António José Seguro que está a distribuir.
Pode pedir emprestado.
Pode pedir emprestado para ler. E depois diz que é preciso clarificar o que é público, o que é privado, o que é social.
O problema não é esse.
O que aconteceu foi: uma parte foi no público, outra parte foi no privado. O que é a fluidez das coisas que não estão as fronteiras definidas, o que isto resolve deste problema? Eu não consigo perceber, mas gostava que o Presidente da República, precisamente num caso como este, sabendo que os portugueses identificam isso como uma das grandes prioridades e olham para aquilo que se está a passar, que o Presidente da República tivesse um tipo de pensamento que nós conseguíssemos entender como solução para este problema.
Helena, só para fecharmos.
Uma das ações de formação, por exemplo, a Ordem dos Médicos podia dar era ética, deontologia e humanismo a alguns destes médicos.
Era uma boa ideia.
E responsabilização. Eu a estes médicos que se comportam desta maneira e que mancham toda uma classe, não mancham, porque apesar de tudo, a esmagadora maioria são profissionais responsáveis, mas a estes especificamente dou um quatro.
Quatro. Judite?
Eu vou acompanhar a nota da Helena.
Estou aqui com uma grande ansiedade. Como é que eu vou dar aqui uma nota alta? Eu vou dar.
O Pedro só dá notas positivas e altas.
Só dou notas positivas, porque este programa chama-se "E o Vencedor?". A minha câmera é ali. Este programa chama-se "E o Vencedor?". E, portanto, o vencedor para mim são os jornalistas, e é agora a IGAS, e são todas as pessoas que têm estado envolvidas nas investigações, têm trazido estes casos ao de cima para ver se conseguimos resolver isto. As pessoas dizem que não se pode legislar nos casos concretos. Eu acho que temos que começar a legislar nos casos concretos, porque se nós legislarmos no abstrato, há sempre casos concretos que se vão safar e, portanto, se calhar temos que começar a repensar isto.
Provocaste um ataque cardíaco aos juristas.
Temos só dois minutos para ir à Casa Branca, Helena.
Ai, a Casa Branca e começas por mim, que é a parte menos simpática.
Não, tu não estiveste cá ontem no Vencedor. O Pedro é a única pessoa nesta sala, penso eu, que esteve não só na Casa Branca como no Andorinhas, que foi o clube onde o Ronaldo começou.
Eu sou especialista nas duas matérias, mas não te sintas pressionada.
Não.
Podes partir ao teu pensamento.
Eu ia começar por citar um texto do Financial Times, dizer como é que ele começa: uma salva de 21 tiros, a banda do Corpo de Fuzileiros Navais, caças a sobrevoar e ameaças contra jornalistas americanos que possam ofender o convidado do presidente dos Estados Unidos. E assim começa o texto do Financial Times a descrever o que se passou na Casa Branca nesta visita do príncipe da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman. Enquanto trata mal os seus aliados históricos, como nós vimos, como temos visto vastamente, Donald Trump trata muito bem a Arábia Saudita, trata muito bem Putin, e trata bem por quê? O que esteve ali em causa foi um negócio de um bilhão de dólares. Um bilhão de dólares é mais de três vezes o PIB português, é um com 12 zeros à frente. E isto é para Donald Trump o que é importante, independentemente de todos os outros valores. E quando um jornalista, que foi corajoso e fez perguntas sobre Jamal Khashoggi, o jornalista que foi morto em Istambul, no consulado da Arábia Saudita, e que a CIA disse que foi com o aval do príncipe, o Donald Trump disse que as coisas acontecem, o príncipe não sabe nada disso, e acusou o jornalista de estar a embaraçar o seu convidado.
Acusou de ser péssima pessoa.
Exatamente.
Temos de fechar, Helena.
E só para terminar, eu diria: é preciso dar também notoriedade a isto. Obviamente que todos gostamos muito de Cristiano Ronaldo, mas é preciso também dar notoriedade a esta parte da história e eu dou ao jornalista que colocou estas questões um 18.
Não há tempo para mais. Vamos fazer como na televisão do Pedro Benavides e vamos todos olhar cada um para a sua câmera.
Estou muito boas para dizer.
Porque no YouTube estamos aqui com o ecrã dividido em quatro.
Estou a sentir censura. Ontem falávamos em liberdade, hoje estou a sentir censura.
E o Vencedor regressa amanhã de manhã, nas manhãs 360, depois das 08h30 e amanhã há chance depois do jornal das 18h, aqui na tarde política.