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E o vencedor é das manhãs 360, que também pode acompanhar com imagem através das nossas redes sociais ou pelo site do Observador. Carla, esta segunda-feira estão conosco o José Manuel Fernandes e o Miguel Pinheiro. Hoje não vamos ser surpreendentes, lamentamos, mas vamos mesmo debruçarmo-nos nas eleições autárquicas, até porque, Bruno, há um vencedor claro aqui neste caso, que é o PSD.
Sim, eu acho que não há nenhuma dúvida sobre essa vitória. Caso não tivesse vencido uma das duas grandes Câmaras, Porto e Lisboa, essa vitória existiria à mesma.
Podia haver um mas qualquer.
Sim, seria um pouco agridoce. Eu pensei que Manuel Pizarro tinha uma ligeira vantagem sobre Pedro Duarte, portanto, surpreendeu-me a vitória de Pedro Duarte, mas honestamente em Lisboa eu estava a contar com uma vitória de Carlos Moedas, não tanto pela força da candidatura de Carlos Moedas, mas porque de facto acho que a candidatura de Alexandra Leitão, a coligação de esquerda, estava um pouco debilitada. E um certo desespero da candidatura da coligação notou-se na forma como foi reagindo e foi atacando a candidatura de João Ferreira. Eu acho que esteve aí a chave também da derrota da coligação, que é uma derrota muito pesada, porque uma vitória em Lisboa poderia servir para alterar um pouco a narrativa sobre o resultado das eleições. Mas sendo esta uma vitória do PSD, que me parece clara, isso não se deve confundir com uma vitória do governo ou de Luís Montenegro. Claro que ganha aqui alguma margem para respirar. Nós sabemos que noutras ocasiões no passado, os resultados nas autárquicas dão para haver uma alteração, pelo menos da dinâmica, e neste caso, isso não acontece. Se há, aqui é um reforço da dinâmica de vitória do PSD. Mas não é uma vitória do governo, não deve ser interpretada, quanto a mim, como uma vitória do governo, porque também dissemos aqui em várias ocasiões, são de facto eleições muito diferentes do local para local, cidade para cidade. Entram aqui em jogo questões de trabalho, de sapa feito ao longo de muitos anos e que é praticamente invisível. As figuras nacionais dos partidos não têm assim tanto peso quando se trata depois das autárquicas. Um bom exemplo disso foi uma das vitórias mais importantes que o PSD teve em Sintra. Marco Almeida é uma figura, talvez dos três candidatos a nível nacional seria aquele que teria menos notoriedade a nível nacional.
A nível nacional, sem qualquer dúvida.
Ana Mendes Godinho e Rita Matias tinham e têm, por diversos motivos, uma presença e uma notoriedade muito maior. E Marco Almeida ganhou por isso mesmo, por fazer um trabalho junto dos eleitores, dos sintrenses, ao longo de anos, ser conhecido localmente, e isso valeu-lhe a vitória. Portanto, eu acho que é possível reconhecer aqui uma vitória do PSD. Também reconhecer que, não exagerando na leitura nacional, é um resultado que não é muito penalizador para a liderança do PS, de José Luís Carneiro. Poderia ser pior. Eu acho que não é um resultado que põe em xeque a liderança de José Luís Carneiro, mas alguns resultados apontam claramente ou dão sinais para o PS. E o resultado que mais sinais dá quanto a mim, nem é tanto o de Lisboa, é o de Loures. É uma grande vitória de Ricardo Leão, é talvez das vitórias, senão a vitória mais importante do PS, porque mostra também que há uma maneira de gerir localmente e de olhar para o poder local e olhar para as questões que afetam os cidadãos, que está muito desligada, está muito longe de certas discussões ideológicas que se têm a nível nacional. E Ricardo Leão mostrou que aquela era a estratégia correta. Ele, aliás, ontem fez questão de sublinhar isso, não se coligou com ninguém, apresentou-se sozinho, foi muito atacado ao longo destes meses dentro do PS e mostrou que aquele era o caminho certo para vencer uma câmara. Eu acho que é das vitórias mais significativas desta noite, portanto, não pode ser uma derrota, não acho que seja uma noite de derrota para o PS, tem algumas vitórias importantes, mas há alguns sinais e há sempre uma leitura nacional que se pode fazer.
Sim. E Miguel, que sinais é que dá o resultado em Lisboa?
Olha, dá alguns sinais precisamente para o PS, quando começamos a olhar com mais detalhe para a votação. A sensação com que estava toda a gente na parte final da campanha e mesmo no início da noite eleitoral era a sensação de que as coisas estavam taco a taco, era isso que diziam as sondagens. Uma das sondagens dava até exatamente o mesmo intervalo de resultados para Carlos Moedas e para Alexandra Leitão. Mas quando vamos olhar para os números, há até um número muito esclarecedor. João Ferreira chamou a atenção para ele, é o número de que a soma dos votos de todos os partidos desta coligação liderada por Alexandra Leitão é menor Do que o número de votos que cada um dos partidos que a integra teve há quatro anos. Portanto, há quatro anos, sozinhos, o PS, o LIVRE, o Bloco e o PAN tiveram mais votos do que agora juntos. Por isso, às vezes as pessoas pensam que somar dá sempre um número maior. Não, neste caso, somar deu um número mais curto. E a Alexandra Leitão devia ponderar sobre isto, porque a verdade é que ela diz que a aliança de esquerda em Lisboa foi ótima, que não se arrepende de nada disso. Bem, não se arrepende? Acha mesmo que foi ótima? Acha que é um exemplo para aquilo que deve ser feito no resto do país? Para quê? Para ter menos votos do que nas eleições anteriores? Acho que o PS tem aqui uma lição sobre o futuro. Eu suspeito que continuará dentro do partido um debate sobre se o PS deve ir mais para o centro ou mais para a esquerda. Suspeito que agora, com a viabilização que o PS vai fazer do orçamento do Estado, que isso volte novamente. Teremos muita gente no PS a dizer que o que é preciso é estar à esquerda e estar numa oposição feroz ao PSD, à AD. Bom, eu recomendaria alguma prudência. Isto no PS. Em relação ao PCP, as coisas à última hora também se complicaram. João Ferreira conseguiu mais votos, mas perdeu porcentagem e por 11 votos perdeu o segundo mandato. E por isso, aquilo que parecia ser um grande resultado do PCP-
Com sorte, a recontagem ainda lhe recupera esse mandato. Pode acontecer, não faço ideia. Às vezes acontece. Já aconteceu
Mas se as coisas ficarem assim, o PCP também tem um problema, porque João Oliveira também sofreu uma catástrofe em Évora. E por isso, quando o PCP olha para o futuro, e nomeadamente para uma eventual liderança pós-Paulo Raimundo, vai para onde? Também não tenho-
Sérgio Miguel, João Oliveira, faça um bom resultado em Lisboa.
João Ferreira. Desculpem, João Ferreira. Sim, vamos lá ver.
Vamos lá ver. Tem pouco mais-
Perde mandato, perde porcentagem.
Perde porcentagem, sim, mas sobe aqui 1000 votos.
1200 votos.
1200 votos.
Está bem, mas toda a gente sobe.
Mas se compararmos, exceto se nós tivermos um pouco o barômetro do que foi a votação da CDU em Lisboa agora há meia dúzia de meses nas legislativas, as pessoas importam de alguma maneira. E o que eu digo é que João Ferreira acrescenta àquilo que parece ser o eleitorado do PCP em Lisboa.
Àquilo que vale a CDU.
Claro, a CDU em Lisboa.
Certo, sem dúvida.
Se eu estava a falar no futuro e a olhar para estes dois nomes, no caso concreto para João Ferreira.
Vamos trazer também o Bloco aqui à avaliação.
Já agora, só acrescentar uma onda de Lisboa. Há uma onda em Lisboa muito curiosa, eu gostava de saber quem é este senhor, porque na Assembleia de Freguesia de Carnide, o PCP tem 14% na eleição pra Câmara Municipal e quase 42% na eleição pra Junta de Freguesia e aparentemente o seu presidente de junta é reeleito. Perde a maioria que tinha, já era presidente de junta, mas é reeleito. Quem será? É curioso porque é na capital, é em Lisboa, e uma figura diferente na mesma votação permite que o PCP passe de 14 para 41.
O que no fundo também nos mostra a importância das pessoas e a sofisticação do eleitorado. Estamos a falar de um bairro popular.
Carnide hoje em dia tem tudo.
Sim, é verdade. Já tem muito.
Carnide hoje em dia já tem tudo.
Consultando é Susana Cruz, o nome da candidata da CDU.
É claramente uma estrela local.
E do Bloco, o que o Bloco deve pensar depois dos resultados desta noite, desta madrugada, José Manuel?
Os resultados para o Bloco foram no limite do catastrófico e eu creio que o Bloco tem realmente que tirar algumas ilações disto. O Bloco foi junto com o PS em Lisboa, mas não fez assim tantas coligações como isso. Quem andou mais coladinho ao Partido Socialista foi o LIVRE. E o resultado do Bloco, quando olhamos para os números nacionais, é de um partido que tinha 137 mil votos e desce para 30 mil. É irrelevante, fica nos 0,56%. Mesmo que somemos aqui uns 5 a 10 mil votos em Lisboa, que ele não teve porque foi junto com o PS, isto é um resultado absolutamente catastrófico e é um sinal de que parece um partido em fim de vida. Já aconteceu a outros, mas é um partido, de facto, com votação muito residual. Eu devo dizer que também a votação no CDS. O CDS consegue manter o número de Câmaras, mas com muito poucos votos também. Olhando para o CDS sozinho, o CDS tem apenas 60 mil votos a nível nacional, 1%.
Mesmo assim, José Manuel, o dobro do Bloco de Esquerda. Não deixa de ser significativo.
Mesmo assim, o dobro do Bloco de Esquerda.
Sozinho.
Sozinho, mas tem seis Câmaras, que é o que conta neste caso.
Claro.
E o que é importante. Mas eu acho que o Bloco Foi penalizado por aquilo que tem sido a sua orientação nos últimos tempos. A gestão de Mariana Mortágua tem se revelado catastrófica. Ainda ontem tivemos também a revelação de uma sondagem de intenções de voto para as presidenciais, depois veremos o que acontece, mas Catarina Martins ainda parece ser um valor eleitoral, ao contrário de Mariana Mortágua, e não creio que tenha sido apenas pela questão da flotilha e de ela ter estado ausente. Ela acabou por aparecer no palco de Alexandre Leitão, pendurando-se num resultado que para o Bloco até não foi tão catastrófico como isso, mas o que conta é o retrato a nível nacional. O Bloco dos eleitorados que lhe permitiram ter se tornado, a certa altura chegou a ser o terceiro partido nacional. Esse eleitorado desertou, por um lado, para a Iniciativa Liberal e, por outro lado, para o LIVRE, porque era um eleitorado que não era ideologicamente radical no sentido marxista-leninista, guerrilheiro do Bloco, mas era um eleitorado liberal em termos de costumes. E quando essa agenda se esgotou, esgotou-se o Bloco. Portanto, não sei bem o que será o futuro, mas há uma coisa que eu estou certo: vamos continuar a ver por aí muitos ativistas do Bloco a fingir que representam o país, seja em ações climáticas, seja em ações com lenço sobre o pescoço, seja em coisas desse gênero, eles vão andar por aí. Não creio é que isso tenha-
Pois, impacto e tradução
Provavelmente até faz parte do problema.
Não são só eles que vão andar por aí, o PCP não vai desaparecer, porque tem uma força sindical e de organização que vai manter-se e como toda a gente sabe, consegue ter imensas comissões de utentes e coisas desse gênero, portanto, que lhe permitem ter uma presença na vida social, na vida cívica e no espaço mediático muito superior àquilo que o partido vale em termos eleitorais. Eu não estou contra que isso aconteça desta forma, queria apenas chamar a atenção que muitas vezes nós não medimos bem essa diferença.
O que é certo é que, olhando até para estes resultados, Paulo, e os resultados que tivemos ainda este ano noutras eleições, os eleitores sabem distinguir quando votam para o poder local ou para o poder legislativo.
Absolutamente. E parece que às vezes estamos a falar de dois países diferentes e aqui ainda por cima temos a vantagem de ter tido eleições legislativas e autárquicas com intervalo de poucos meses, quatro, cinco meses. E se recuarmos um bocadinho mais, ainda tivemos as europeias também, que também mostram uma grande flutuação de voto. Aliás, o exemplo de Carnide, freguesia lisboeta que o José Manuel há pouco referiu, onde a CDU passa de 14% na votação para a Câmara Municipal.
A Helena Matos, que é uma lisboeta, nós já não vivemos em Lisboa, quer dizer-me que o PCP organizou a resistência aos paquímetros em Carnide e quem sei que é capaz de ajudar a explicar .
Lá está. É verdade, tem sido um tema em Carnide. Ou foi, não sei quem é que venceu o braço de ferro, se a IMEL acabou por ganhar o braço de ferro ao colocar paquímetros. Mas isso mostra bem, a CDU passa de 14% para a Câmara Municipal para os tais 40 e poucos por cento na votação para a Junta de Freguesia. Significa que as pessoas com três boletins de voto-
Mas perdeu votos em relação ao ano passado, não é?
Estás a falar da Junta de Freguesia.
Sim.
Na votação para a Junta de Freguesia.
Sim.
Mas isso mostra que as pessoas-
Perdeu 14 votos, não é?
Ah, então.
Está bem, homem. Por um se ganha, por um se perde.
Uma derrota.
Só estou a dizer, se o Bruno Mascarenhas, se o Chega ganhou o segundo mandato por 11 votos.
Por 11, é verdade. Não, as pessoas não se atrapalham com três boletins de voto para colocar três cruzes com cores diferentes. E também não se atrapalham quando estão a votar para umas legislativas e depois para umas autárquicas. Se nós olharmos, por exemplo, a votação do Chega, isso é claríssimo. O Chega tem no cemitério nacional metade dos votos que teve em maio. A CDU tem o dobro, se quisermos. Só o exemplo de Lisboa, teve 11 mil votos nas legislativas e ontem teve 27 mil, duas vezes e meia mais. A resistência do CDS com seis municípios, que era uma coisa que basicamente a diluição do partido na AD não faria supor. O PS tem mais 300 mil votos também do que teve nas legislativas. Ou seja, por vezes há umas tentativas de infantilização do eleitorado. O dia de reflexão, a insistência no dia de reflexão é só mais um sinal disso, de que as pessoas, coitadas, precisam de ser ajudadas quase pela mão para votar, porque se baralham muito com a informação e com os debates, e se há debates a dois, e se há debates a 12.
Com as redes sociais que vão ser manipuladas.
E a informação que não pode haver no sábado, e esse tipo de coisas. Mas as pessoas mostram com estes sinais que sabem muito bem o que estão a fazer, de acordo com o jogamento político delas, como é evidente. Sabem o que lhes interessa numas autárquicas, sabem o que lhes interessa numas legislativas e não se importam nada de mudar voto, e fazem isso. Portanto, a personalização das eleições autárquicas mostra também que é superior e supera fidelizações ou simpatias partidárias.
Mas e apesar disso, e que eu concordo completamente, que de facto as pessoas têm essa capacidade de distinguir claramente umas eleições das outras, eu acho que mesmo assim, as notícias da pesada derrota do Chega têm sido manifestamente exageradas. O Chega cresce muitíssimo. Agora, poderia ter bolsa de fresquia, claro.
O problema do Chega foi um problema de gestão de expectativas.
Mas o Chega passa das últimas autárquicas de cerca de 200 mil votos para 654 mil votos.
Sem dúvida, isso é evidente.
Ou seja, tem muito mais-
E provavelmente, se houvesse eleições daqui a meio de 12 meses, eleições legislativas, voltava o resultado das legislativas.
Voltava nas legislativas, exatamente.
Mais uma vez, as pessoas sabem o que é que estão a votar.
Paulo, que nota vais dar?
Vou dar um 14 ao eleitorado, se quisermos.
Miguel, a tua nota vai para quem?
Olha, eu falei de Lisboa, vou dar um 15 a Carlos Moedas, porque quando olhamos para os resultados finalíssimos dos adversários, vemos que Carlos Moedas conseguiu surpreender mais uma vez.
Um 15 por isso. José Manuel?
Enfim, a noite daria para dezenas de resultados. Eu prefiro dar resultado apenas a Mariana Mortágua e dou-lhe um quatro. Ela chumbou no exame e eu até estou a ser generoso por dar um quatro.
E mais falarás no Contracorrente, Bruno, falta a tua nota.
Exatamente. Muitos temas.
Muitos temas.
Eu vou respeitar o espírito das autárquicas e vou personalizar a nota, vou dar a Ricardo Leão, que acho que é um dos grandes vencedores da noite, vou dar um 16.
Um 16 para o reeleito presidente da Câmara de Loures e o Vencedor regressa mais logo na tarde política.
Numa versão alargada, começa a seguir ao jornal das 18h e esta segunda-feira dão notas a Judite França, o António Costa e o Alexandre Borges.