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Começa agora o "Io venço ré" das manhãs 360, que também pode acompanhar com imagem através das nossas redes sociais ou pelo site do Observador. Carla, esta segunda-feira estão conosco o José Manuel Fernandes e o Luís Rosa. Esta manhã temos rankings, burocracias, lentidões, razões de queixa, mas vamos começar pelo congresso do CDS deste fim de semana. Bruno, esta manhã dizias que isto era uma espécie de prova de vida do partido.
É, o partido que tem feito nos últimos anos, e graças a Nuno Melo, há que lhe reconhecer esse mérito, é um verdadeiro teste de sobrevivência política. E aí, sem dúvida que Nuno Melo, com a sua estratégia, que pode ser e certamente será criticável até dentro do partido, conseguiu trazer o partido à tona, porque o partido tinha desaparecido do Parlamento. Pode-se criticar a solução, pode-se dizer que estando dentro da AD não se conhece, não se consegue perceber bem qual é a força e a autonomia do CDS, mas a verdade é que o CDS está no governo, faz parte da coligação que governa, tem uma capacidade para influenciar políticas que de outra forma não teria, até porque estava fora do Parlamento. E aqui percebeu-se, neste congresso, que a narrativa ensaiada pela liderança de Nuno Melo é de dizer que, no fundo, o que está em causa para a liderança do CDS não é tanto o próprio partido, mas é o interesse do país. Ou seja, dizer que a solução AD, mais do que ser uma forma, uma boia de salvação para o partido, é importante para o país. É essa, no fundo, a narrativa que Nuno Melo e a atual direção do CDS tentaram impor neste congresso. Quase que passando a ideia de que o CDS está a se sacrificar em prol do bem do país, que o melhor para o país é um governo não só do PSD, mas um governo de coligação, um governo da AD. E eu creio que é difícil, olhando para o passado recente do partido, contrariar esta ideia, daí também a votação norte-coreana, a aprovação norte-coreana da atual direção. Nuno Melo tentou passar esta ideia de que a AD vale mais do que os dois partidos sozinhos e que isso não beneficia apenas o CDS, beneficia também o PSD e beneficia, por extensão, o país. A questão que permanece, aquilo que fica sem saber, é quanto é que vale o CDS sozinho. Para Nuno Melo, isso não é o mais importante, é até uma questão um pouco fútil, um pouco bizantina. Não vale a pena estarmos aqui a discutir a ideia de Nuno Melo, quanto é que vale o CDS, porque a verdade é que o CDS está no poder. Mas essa questão, mais cedo ou mais tarde, vai pôr-se ao partido. Numa ou noutra circunstância, isso irá acontecer. Foi um pouco essa a ideia de Manuel Monteiro, que terá sido assim dos antigos líderes, que até fez uma piada, aquele aparecer no congresso. Ele estava a dizer que dizia-se que os pesos pesados não iam aparecer, tinham que aparecer os pesos leves. Eu acho que até Manuel Monteiro é uma boa reserva do partido e a ideia dele é também, não atacando a solução AD de concorrerem em coligação, é importante que o partido, para Manuel Monteiro, mantenha alguma autonomia estratégica para que assim que for necessário ou quando for necessário, ele usou a metáfora das chaves do carro, pegar nas chaves do carro e fazer-se à estrada sozinho. Dentro da direção do CDS, a ideia é que isso não é o mais importante, a afirmação dessa autonomia estratégica, porque em primeiro lugar estão os interesses do país. Olhando para o congresso, para a participação, e não só neste congresso, nos últimos anos, o que vemos realmente é um partido pouco dinâmico, muito pressionado pelos outros partidos que surgiram à direita e que ocuparam o mercado eleitoral existente, que era também o do CDS, e que em alguns momentos históricos cresceu bastante o CDS com esse eleitorado. Um eleitorado que no setor mais populista foi engolido e até cresceu muito mais com o Chega e que ali na ala liberal, por assim dizer, foi ocupado pela iniciativa liberal. Isso representa, de facto, uma questão existencial para o CDS, e que não se vai esclarecer enquanto o CDS não concorrer sozinho.
Ó Bruno, eu confesso que assistindo ao Congresso do CDS e tendo um bocadinho de memória do que aconteceu com outros partidos, às vezes interrogo-me, de facto, não é se o CDS vai ou não em listas próprias. É por que o CDS não faz aquilo que outros partidos fizeram aqui há umas décadas atrás, e que foram partidos que chegaram a ser importantes e com pessoas importantes lá dentro. Por exemplo, no dia 7 de novembro de 1981, houve um partido que resolveu os seus problemas convocando um jantar e autodissolvendo-se. E esse partido deu dois líderes do Partido Socialista e um presidente da República, mas pelo Partido Socialista. Estou a falar do Movimento da Esquerda Socialista, uma coisa chamada MES, de onde saíram o Jorge Sampaio, o João CravinhoFerré Rodrigues e outras figuras. Estas foram aquelas que tiveram mais destaque talvez nos anos, mas Agostinho Roseta, Titão Pereira, José Manuel Gavão Telos e por aí adiante. Augusto Mateus. Toda esta gente reuniu-se um dia e disse: "Olha, não estamos aqui já a fazer nada, já valemos pouco eleitoralmente, o melhor é autodissolver-nos." Aliás, houve várias outras formações em que aconteceu o mesmo, talvez com menos peso institucional do que o MERS. E o CDS, confesso que a AD não tem corpo como a AD, é verdadeiramente o PSD com um brinco, digamos assim, e o CDS cada vez representa menos. E por isso talvez ficasse o PSD mais forte e mais coerente do que ter esta multiplicação de partidos que já hoje representam muito pouco. É a minha sensação. Eu sei que isto para um partido histórico como o CDS, que teve as figuras que o CDS teve ao longo da história, mexe muito com a memória e mexe muito com a identidade.
Claro, porque o exemplo que estavas a dar...
Mas é a realidade.
A realidade é a realidade.
Quem vai dizer se só vive do passado quem é o dono de um museu.
E se de facto os interesses do país devem estar no topo da prioridade do CDS, essa possibilidade da autodissolução do partido tem de estar na mesa de uma forma, eu diria, até sem complexos e sem grandes dramas. Mas eu percebo que não é a mesma coisa um partido que se dissolve no início praticamente da democracia e um partido com a história do CDS optar agora por essa solução. Seria diferente, mas no entanto, acho que devia estar sem dramas, devia estar em cima da mesa. Porque a verdade é esta, até que o CDS vá à luta sozinho, se faça à estrada, para usar a expressão de Manuel Monteiro, não se sabe exatamente o que é que vale neste momento.
Que nota dás para o presidente?
Eu vou dar uma nota a Nuno Melo, porque apesar de tudo, ele conseguiu recuperar o CDS minimamente para ter alguma influência, e terão de ser também outras correntes dentro do partido a mostrar que existem alternativas a esta visão de Nuno Melo. Vou dar um 12.
Um 12 então para o presidente do CDS. Luís, também queres dar nota a uma pessoa? Ao procurador António Leitão. O nome pode não ser assim muito conhecido dos portugueses, mas se dissermos que é o representante do Estado no julgamento de Sócrates, nesta queixa que Sócrates apresentou contra o Estado português, ficamos a perceber. A situar.
Exatamente. O procurador António Bairão descobriu que ninguém tem dúvida de que o autor, o senhor engenheiro, foi objeto de uma campanha que foi um verdadeiro assassinato de caráter. E cremos que em Portugal ninguém foi objeto de uma campanha com esta violência. Bem, eu fiquei estupefacto logo com o ninguém tem dúvida. Eu duvido que muita gente saiba do que o doutor António Bairão está a falar. E por quê? Porque não houve nenhuma campanha. Às vezes a declaração do doutor António Bairão é para a comunicação social, é para visar os mídia. Eu duvido que muita gente perceba o que ele está a querer dizer. Não houve nenhuma campanha, houve notícias. Houve todas notícias, parece-me a mim, com interesse público óbvio. E quando o doutor António Bairão fala de assassinato de caráter, o que me parece é que o doutor António Bairão está a assassinar a credibilidade, na opinião de muita gente, a pouca credibilidade que o Ministério Público ainda tem e que uma parte dela reconquistou com a acusação da Operação Marquês. Fiquei com a sensação de que o procurador-geral adjunto António Bairão é daqueles juristas que entende que era possível isolar o processo Marquês numa espécie de cápsula do tempo. Portanto, o Ministério Público detinha um ex-primeiro-ministro em novembro de 2014, ficava preso durante nove meses e fazíamos todos um fast forward até outubro de 2017 para o Ministério Público deduzir acusação sem nenhuma espécie de notícia sobre essa matéria. E só então é que seria possível noticiar tudo. E nessa altura, depois de noticiarmos tudo o que a acusação diz sobre José Sócrates, nessa altura já não seria assassinato de caráter. É óbvio que isso não é possível em nenhuma democracia avançada e também me parece claro que o doutor António Bairão desconhece a jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, que diz precisamente que se existir interesse público na informação a divulgar, e se a mesma não prejudicar a investigação em curso, como não prejudicou, o interesse público sobrepõe-se ao segredo de justiça. Mas como o doutor António Bairão está enclausurado no mosteiro dos tribunais administrativos, é capaz de não dominar essa matéria. Mas vamos lá ver alguns factos verdadeiros, só para terminar, sobre o que é o alegado assassinato de caráter. Um ex-primeiro-ministro revela pela primeira vez que sempre teve dificuldades financeiras, estou a citá-lo. E que ao contrário do que ele próprio divulgou, por toda a gente, por todo mundo, por todos os jornalistas, por todos os colegas de partido, não vivia de uma fortuna do volfrâmio, que a mãe herdou, e que afinal essa fortuna nunca existiu. Mais, o senhor engenheiro viveu durante anos, inclusive em São Bento, de empréstimos do seu melhor amigo, que ninguém conhecia, refira-se. Pior, afinal o melhor amigo, que também é engenheiro, emprestava-lhe dinheiro numa base semanada, mensalidade, e trabalhava com um grupo de obras públicas e construção civil que tinha contratos anuais com o Estado. E só mais alguns factos. O senhor engenheiro nunca pagou um cêntimo ao seu melhor amigo. O seu melhor amigo comprou-lhe uma casa pra ele viver em Paris, enquanto ajudava a pagar as contas do senhor engenheiro e da sua família. O seu amigo ainda financiou a compra de milhares de cópias do primeiro livro do senhor engenheiro, porque ele tinha o sonho de ver um livro nos tops. Enfim, entre tantos e tantos outros pormenores. E por isso é a pergunta que é de subfacto: é um assassinato de caráter. Então e as inúmeras entrevistas e artigos de opinião que o senhor engenheiro publicou na comunicação social e que nem sequer conseguiram convencer os seus ex-ministros e ex-camaradas do partido, como António Costa, tanto que até o senhor engenheiro teve que renunciar à sua militância do Partido SocialistaPara terminar, eu compreendo bem o raciocínio jurídico do Dr. Beirão. Ele está a tentar dizer ao tribunal: "Senhor Dr. Juiz, se existiu dano, o Estado não teve nada a ver com isso, foram os malandros dos jornalistas." Mas enfim, como é próprio dos juristas que pensam que a justiça devia ser sempre à porta fechada, o Sr. Procurador António Beirão esqueceu-se que a comunicação social estava presente e está a expor o Ministério Público ao ridículo. Eu conto ter o Sr. Dr. António Beirão, em breve, como testemunha abonatória do Sr. Engenheiro, em qualquer julgamento que ele venha a ser alvo.
Portanto, vais dar uma nota negativa ao procurador.
Vou dar uma nota, porque é o novo BFF do Sr. Engenheiro. No altar que o Sr. Engenheiro tem lá na Ericeira, tinha o Dr. Ivo Rosa sozinho. Agora já tem, ao seu lado, um lugar para pôr o Sr. Dr. António Beirão. Vou-lhe dar um 2. Não lhe dou zero porque estou muito bem disposto hoje.
É segunda-feira, é um dia de muito boa disposição. Paulo, também ficaste bem disposto com esta entrevista de Manuel Dias, que é o presidente da Agência para a Reforma Tecnológica do Estado.
Olha, fiquei bem disposto por aquilo que ele disse, mal disposto por aquilo que implica. Mas eu tenho vindo a ficar muito bem disposto nos últimos dias. São duas ou três coisas. Na sexta-feira ficámos a saber que o Estado bateu o novo recorde de funcionários públicos, 767.094. São mais 8 mil e uns picos do que há um ano. Há 10 anos que sucessivamente, trimestre após trimestre, o Estado vai batendo recordes de funcionários públicos. A grande questão é: se nós temos há 10 anos uma degradação visível de tantos serviços públicos, o que é feito desses funcionários? Eu continuo a defender uma tese: há de haver um buraco algures em Portugal por onde vão caindo funcionários públicos e desaparecem, porque eles não se veem. Depois, durante o fim de semana, tivemos notícias constantes sobre mais problemas nos sistemas de controle de passaportes nos aeroportos. Houve casos em que, para as pessoas saírem do país, mais de duas horas no controle de segurança. Por quê? Porque o sistema não funciona, o novo sistema que foi instalado há cerca de um ano. E a única coisa positiva nesta sequência são as declarações de Manuel Dias. Manuel Dias é o chamado CTO do Estado, é um cargo novo criado por este governo. Foi criada a ARTE, a Agência para a Reforma Tecnológica do Estado. Manuel Dias dirige a ARTE e é o responsável tecnológico por esta área. Ele fala ao "Expresso", ao podcast "O Céu é o Limite", se quiserem, e diz duas ou três coisas. Antes de mais, só uma nota: eu fico sempre com alguma admiração por pessoas que têm uma vida confortável e bem-sucedida no setor privado. Manuel Dias esteve na Efacec, esteve na OutSystems, que é uma das tecnológicas mais conceituadas, é um dos unicórnios portugueses, esteve na Microsoft, e que a meio da sua carreira decidem deixar esses lugares e aceitam lugares no Estado, sabendo ao que vão e sabendo também que não só vão ganhar uma percentagem relativamente pequena, certamente, do ordenado que têm no privado, como se vão meter em trabalhos. Mas há aqui um espírito de missão que eu admiro. E o que o Manuel Dias diz, cerca de meio ano, talvez um pouco mais, depois de ter assumido este cargo: diz que o surpreendeu a burocracia do Estado e ele, perante problemas que vai encontrando, diz: "Eu já pensei algumas vezes que isto no privado resolvia-se em semanas." E ele sabe do que fala, porque ele esteve no privado durante décadas a resolver questões tecnológicas, de processos e de gestão de empresas, de organizações e por aí fora. E portanto, ele sabe bem do que fala quando diz que isso se resolvia em semanas. E ele diz que os maiores bloqueios continuam a ser a contratação pública, isto é, a forma como o Estado faz as suas compras, gere os seus contratos ou os contratos que pede a privados, e a qualificação das pessoas. A tecnologia, enfim. Nós estamos a ver nos aeroportos que só a tecnologia não resolve nada, porque se não houver pessoas depois capazes para operar aquilo ou para olhar para o sistema com rapidez, a coisa não funciona. O que eu gostava de saber é se estas pessoas que têm entrado aos milhares, desde há 10 anos para cá no Estado, se têm a tal qualificação que é necessária. Eu arrisco dizer que não, que nada está a mudar a esse nível. Portanto, temos aqui um grande nó, porque o diagnóstico está mais que feito. Há pessoas capazes a dirigir estas entidades do Estado, mas depois também não podem fazer milagres, porque abaixo delas há procedimentos que são absolutamente kafkianos e há 1001 leis e regulamentos que impedem que as coisas sejam feitas de determinada maneira ou com alguma rapidez. E depois há sistemas de contratação para o Estado, de pessoas para o Estado, que continuam basicamente no século passado. E em relação a estas coisas, não há milagres. Portanto, é um misto de agridoce entre aquilo que se vai passando e os diagnósticos que estão feitos e a lucidez de algumas pessoas no Estado. Queres uma nota para isso?
O que é que fazes com esse misto?
Vou dar aqui uma nota a Manuel Dias, um 14, pela coragem, não só da mudança e daquilo que ele está a fazer, mas também pela lucidez de ir dizendo estas coisas. Era bom que, feitos estes diagnósticos agora, e o governo que o nomeou está em funções, era bom que se começassem a mudar procedimentos de contratação pública e pelo menos que estas pessoas novas que vão entrando para a função pública significassem, de facto, uma mudança de perfil.
Um acrescento e o passo seguinte. Ora isto, João Manuel, até se liga muito com o tema que queres trazer aqui, que tem a ver com o muito respeitado ranking do Financial Times para as escolas de negócios portuguesas, que estão muito bem nesse ranking.
É verdade. Tem sido um progresso iniciado há anos atrás. É um progresso onde a liderança começou por ser de duas escolas, que continuam a ser as duas que estão melhor no ranking, a Nova SBE e a Católica Business School. Duas escolas que cometem aquele pecado
Sei lá como é de chamar, aquele pecado de terem nomes em inglês. Elas concorrem no mercado global, são classificadas no mercado global, mas há quem entenda que não podem ter um nome que as identifique facilmente no mercado global. Seja lá como for, a verdade é que nós temos já a Nova School of Business na formação de executivos no top 10 e temos a Católica com o seu melhor resultado de sempre. E depois temos um conjunto de outras escolas que também têm feito progressos. A escola do ISCTE, a escola do ISEG, entrou este ano a escola da Católica do Porto. Temos também o Porto Business School, portanto são muitas escolas que estão no top 100 e no top 50, de acordo com vários critérios. Alguns deles até estão muito perto do topo, como por exemplo, a Nova SBE, no que diz respeito à capacidade de acolhimento, é praticamente uma das melhores do mundo.
Tem uma bela paisagem, não é? Claro, está ali em frente.
Isto corresponde a algo que levou tempo a fazer, um projeto de muita ambição, que felizmente teve bons protagonistas, quer do lado de pessoas que arriscaram, do lado da Nova SBE, e também uma câmara municipal que teve papel importante nisso, a Câmara de Cascais, na altura.
Houve problemas até na justiça com os terrenos.
Exatamente, isto é aquela coisa tradicional, não se pode mexer em nada. Not in my backyard, não no meu quintal, não perto de mim. Portanto, tem que sempre fazer qualquer coisa. Mas aquilo passou, venceu, triunfou. Hoje, quem acompanhou aquilo desde o princípio, eu ainda fui lá quando aquilo estava em obras, ver como é que aquilo ia ser, e verificar que, por exemplo, apesar de aquilo ter sido projetado com muita ambição, zonas que eram espaços de circulação, hoje em dia são utilizados para aulas, porque são tantos à procura e tantos alunos, e que vêm de todo o mundo, não são só portugueses. E no meio disto tudo, com aquela guerra bizantina, com a reitoria da Nova, numa interpretação de uma lei qualquer e do Ministério Público e aquelas coisas à portuguesa.
Uma lei dos anos 80.
Sim, uma coisa qualquer, uma coisa inacreditável que um reitor foi desencantar não sei onde, depois tudo em guerra nos tribunais, aquilo continua, mais ou menos. Enfim, mesmo assim, nós temos estas escolas que às vezes com avanços e recuos, são triunfos, são bons sinais, são sinais que se podem fazer coisas boas em Portugal, muitas vezes contra aqueles que são sempre eternamente velhos do Restelo, mesmo neste caso, sejam velhos de Carcavelos. Ali na parte de estar sozinhos.
Só uma nota sobre isso, Manuel, até porque acabei de criticar a administração pública. A Nova SBE é uma instituição pública.
É uma instituição pública que tirou partido da flexibilidade que existe, apesar de tudo, na administração pública.
Certo, e da criação de uma fundação, para se libertar tudo aquilo que tem a ver com a burocracia, para poder contratar professores lá fora, pagar-lhes para eles também poderem e por aí fora, teve que criar uma série de mecanismos para sair do jugo. Olha, ela está na dependência da escola, não é?
E é uma escola que para se conseguir materializar, conseguiu fazer várias coisas, como ter muitos contratos com empresas privadas, ter muito mecenato privado.
Que horror!
Portanto, é uma mistura de muitas coisas. E, por exemplo, ainda agora vi uma coisa, semana passada, que dizia: "Mas isto somos todos bebés, precisamos todos de uma mama seca", que foi alguém que protestava porque em escolas secundárias se permitia que entrassem empresas privadas a dar cursos e que esses cursos, crime dos crimes, tinham um custo, pagavam-se, tinha que se pagar por eles e que os pais coitadinhos não sabiam distinguir, ficavam baralhados. E já havia a necessidade de ir para o ministro, de escalar para o ministro, muita excitação. Os pais, os cidadãos têm que ser cidadãos crescidos. Eu quando ouço essas coisas, lembro-me por sempre do argumento de Salazar, que dizia que não se podia dar o voto livre a toda a gente, porque as pessoas não sabiam votar. Eu às vezes não gosto do voto da maior parte das pessoas e depois digo: "Para a próxima tente mudá-lo." Mas não é assim que as coisas funcionam, acho eu, não é assim que os países avançam. E vou dar uma nota boa, não só à Nova SBE, não só à Católica Business School, mas a todas essas escolas de negócios que fizeram um caminho e que perceberam que havia uma oportunidade e que se nós temos, em alguns casos, boas gestões e bom clima e boa capacidade de acolhimento, vamos tirar partido disso e subir nos rankings. Não estamos ainda no pódio, mas estamos a caminho do pódio, o que é muito positivo. Portanto, para este esforço coletivo destas escolas todas, vai um 16. Uma boa maneira de começar a semana, não é?
É excelente.
Excelente. A semana vai ter calor lá para o fim.
Para o meio, a partir de quarta.
Para o meio, fim, exatamente.
Eu estou a ver que fui uma exceção à regra neste otimismo de segunda-feira, caramba.
Já vi.
Não, a segunda-feira foi tudo muito sombrio. Não, também houve notas positivas, apesar de tudo.
Ainda bem que terminamos com esta nota positiva e o "Vencedora" regressa mais logo na tarde política, já com os termômetros a subir. Exatamente, e numa versão alargada. Começa a seguir ao jornal das 18h, esta segunda-feira dão notas a Judite França, o António Costa e o Alexandre Borges.