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Está no ar a edição de hoje da "E o Vencedor É?", das manhãs 360, que pode acompanhar em formato vídeo nas nossas redes sociais e também no site do Observador. Carla, esta segunda-feira está conosco o Rui Pedro Antunes, o editor de política do Observador.

E eis que a política pura e dura está de regresso. Rui Pedro, há crise ou a crise já passou?

Bom, há aqui vários níveis da crise. Na verdade, o que vai acontecendo é, mesmo quando eles não são visíveis, vão existindo vários miniciclos políticos, achou-se que este poderia ir confortavelmente até às autárquicas, e apareceu algo no meio do caminho que teve a ver com a vida profissional do primeiro-ministro e a forma como isso poderia ser incompatível com as funções de primeiro-ministro que ele exerce. Eu creio que a situação formal ficará resolvida com a não aprovação da moção de censura do PCP, ou seja, o governo também não vai ele próprio apresentar uma moção de confiança e o Partido Socialista, apesar das pressões todas internas, liderado por Pedro Nuno Santos, também não vai, obviamente, votar a favor da moção de censura do PCP, e o assunto fica formalmente resolvido até ver.

Fica formalmente resolvido esta semana, quando for votada a moção de censura.

O até ver é o mais importante dessa tua frase.

Depois há aqui um outro ponto que me parece importante, que é: é verdade, não há aqui nenhum ilícito criminal a apontar ao primeiro-ministro.

Fica a ser bem claro.

Muitas vezes existe aqui um sentido de que uma forma de olhar pra sua vida profissional que pode não se coordenar completamente com aquilo que é as funções de primeiro-ministro. Ou seja, em determinado momento, Luís Montenegro: "Eu tinha direito a continuar isto." É a visão dele. Naturalmente que as funções de primeiro-ministro, sendo exercidas em exclusividade, exige ao cidadão, que é primeiro-ministro, um tipo de cuidados que outro cidadão não tem e, portanto, não é exatamente igual. Infelizmente, ele fica com os seus direitos coartados, não devia, mas tendo em conta tudo aquilo que a função exige, acaba por acontecer isso de forma natural, por todas as incompatibilidades que o cargo traz. Dito isto, pra já, isto vai apenas ser um remendo do regime e um remendo da continuidade do governo. Veremos se o caso continua a desgastar, e acho que é nisso que o Partido Socialista aposta, que é no contínuo desgaste do primeiro-ministro e do governo. Mas eu creio que Luís Montenegro só voltará de novo a legitimar-se perante os portugueses quando voltar a ir de novo a votos. A questão é se chega a essa fase de votos reforçado pela governação, por aquilo que conseguir chegar até lá, ou completamente desgastado, e seria até melhor pra ele, eventualmente, ter ido já a votos. Há uma razão também técnica, não é bem técnica, se calhar é uma razão de percepção política, pela qual o primeiro-ministro não avançou pra moção de confiança, porque ia ser ele o responsabilizado pela crise política e pelo fato de ir a eleições. Na verdade, o que Luís Montenegro verdadeiramente queria não era que fosse aprovada uma moção de confiança a ele. O que ele verdadeiramente queria era que fosse aprovada uma moção de censura e ir a votos com essa possibilidade de dizer: "Estes senhores deitaram-me abaixo e esta crise política é culpa deles." Ou isso, ou então que o deixem em paz.

Mas há outra coisa, eu acho que isso é um clássico sempre nestes momentos. Neste momento, toda a gente está a apostar por ter uma narrativa, de alguma maneira, que convença o eleitorado. Aliás, a forma como Luís Montenegro tem trazido a família e os filhos pra estas explicações, com aquelas perguntas: "Então, o fato de eu ser primeiro-ministro ia impedir os meus filhos de continuarem a sua vida?" Até que ponto é que isso cola numa parte importante do eleitorado? Até que ponto é que há muitas pessoas que acham esse um argumento legítimo? Porque as pessoas olham e bem, de fato, as pessoas deixam aos filhos aquilo que têm, de alguma maneira, podem ser bens imóveis, negócios, às vezes, pequenos negócios que passam de pais pra filhos. Até que ponto é que isso se colhe? E a oposição, por outro lado, está a tentar, obviamente, a narrativa contrária, que é de alguma forma colocar em causa a legitimidade dele e a falta de transparência que ele teve na gestão desta relação.

Eu acho que ele num primeiro momento até quis proteger os filhos e num segundo momento simplesmente quis dizer: "Eu sou um homem comum que tem a família e que quer seguir." O problema dessa estratégia é porque ele não tem uma mercearia que deixou pro filho.

Aqueles montantes.

Nem tem uma empresa que vem desde sapatos, de uma sapataria como o líder da oposição, o avô sapateiro, nem uma empresa que vem de muitos anos, aquela empresa em específico foi criada na altura. E se fossem valores residuais, o português médio, o eleitor médio. Agora, o fato de terem saído as várias notícias a dizer que houve lucros de centenas de milhares de euros, leva sempre a uma certa, enfim, não devia, o fato de serem valores elevados. Era pior, eventualmente, se o primeiro-ministro tivesse uma empresa falida.

São valores que permitem, pelos vistos, comprar duas casas no valor de € 700 mil. Contribuíram pra isso

Contribuiu para isso, certamente. Prejudicar, não prejudicou.

Não sei. Eu retive isso no parlamento dele, Luís Montenegro, que a empresa nunca distribuiu resultados. Penso ter ouvido isso. Isso é até ser proclamado os lucros. Isso significa que o dinheiro nunca saiu da empresa. É deles na mesma, à atenção.

Já agora, desculpem lá, pelo menos até 2023, parece ser o que está nas contas da empresa.

Certo, isso é um detalhe. Só saber se o dinheiro está na horda da empresa, e não é a mesma coisa. A empresa é dos sócios, não é deles pessoal, e o dinheiro não pode sair da empresa porque eles querem. Têm que distribuir dividendos, têm que pagar imposto sobre os dividendos e passe então para a bola pessoal.

Os filhos compraram uma casa em 2023, o Luís Montenegro e a mulher no final de 2024. Era pior se tivesse sido ao contrário, porque os filhos teriam favorecido da isenção que o grande tinha. E até vou ser sincero, provavelmente o Luís Montenegro até foi ele a comprar a casa e não os filhos, precisamente para evitar esse tipo de leituras. Ou seja, às vezes ele até pode ter um excesso de zelo em algumas coisas, mas de facto a maneira como comunicou isto tudo não foi famosa e naturalmente eu acho que ele próprio deve querer ir a votos, não agora, naturalmente, para se relegitimar.

Mas se não for agora, só depois do verão de 2026. O agora até o verão.

E até lá pode ficar em lumbrando.

Eu acho é que o governo está de alguma forma frito, porque é o seu líder que está em causa, mas também acho que isso se resolve indo a votos. Ou seja, a partir do momento que, de novo, as pessoas foram chamadas a pronunciar, mesmo que seja só em março de 2026, aí o Luís Montenegro diz: "Pronto, os portugueses fizeram a avaliação desta situação". Agora, se até lá não tiver, o desgaste vai ser contínuo, isso parece-me evidente.

José Manuel, sim.

Ó Rui Pedro, eu acho que o problema é que daqui até essa altura, o mais provável é que Luís Montenegro e o PSD tenham duas ou três derrotas eleitorais. A primeira pode acontecer já na Madeira. Enfim, não prevejo que o Partido Socialista possa ganhar as eleições, mas não estou a ver como é que o PSD Madeira, bem sei que não tem seguido a mesma política do PSD nacional, o PSD Madeira consiga sair em condições de governabilidade. E portanto, há aqui um lado de saturação e cansaço com isto tudo. Depois, eu acho que o PSD corre enormes riscos nas eleições autárquicas de setembro. É praticamente impossível conseguir concretar a maioria dos municípios. A vantagem que o Partido Socialista ainda tem nessa frente é uma almofada suficientemente grande, parece-me a mim, para lhe garantir isso. E além de não ter essa possibilidade, há algumas Câmaras importantes que correm sérios riscos de serem perdidas. Não falo só de Lisboa, falo de Lisboa, falo de Coimbra, falo no Porto sofrer novamente uma derrota, falo de não reconquistar Sintra, não reconquistar Vila Nova de Gaia, por exemplo. E por isso tudo antevejo uma noite difícil para Luís Montenegro. Foi uma noite dessas, de pântano, que António Costa foi embora.

A palavra vem daí, aliás.

Aliás, a palavra vem daí, como é óbvio. E depois, o candidato apoiado pelo PSD, tal como as coisas estão hoje, tem poucas possibilidades de ser eleito presidente da República e portanto aí será a terceira derrota eleitoral seguida, o que vai complicar a vida a Luís Montenegro muito seguramente.

Quererá ir a votos até por várias razões. Depois disso tudo.

Totalmente, quererá ir a votos, mas há algo que eu creio que também não joga a favor de Luís Montenegro, mas eu também não estou a ver solução melhor. Isto infelizmente é muito trágico, muito triste e muito difícil de ver, porque nós neste momento temos de estar preocupados com outras coisas. E aquilo que não é favorável é que eu creio sinceramente que o que ele fez, independentemente de eu não ver ainda, há ali sinais do tipo de comportamento, eu não queria usar este termo, o tipo de comportamento que se usa muitas vezes nos advogados fora da grande Lisboa. Mas nada naqueles preços praticados, nada naquelas coisas são fora do comum, pelo menos na aparência. Dito isto, os portugueses não gostam, os portugueses olham para a compra de casas quando as pessoas não conseguem comprar casas e desconfiam. Há um lado com que eles eventualmente se identificam, que é alguém que se preocupa com a família e com os filhos. Acho que isso é uma coisa muito portuguesa e, portanto, acho que ele fez bem, quer dizer, teve a intuição certa desse ponto de vista. Agora, isto é um governo ferido de asa, é um governo que já tinha pouquíssimas condições para fazer o que quer que fosse do ponto de vista político, porque tem o apoio que não tem na Assembleia, digamos assim. Tudo ali é negociado ao milímetro e quase sempre o governo fica em más condições. É um governo que a partir do final do ano passa só por milagre que não vai passar a governar em duodécimos. Portanto, vamos ter o país muito parado, quando isso era a última coisa que nos convinha como país neste momento e como país membro da União Europeia também neste momento. Portanto, eu não sou bem o chamado pessimista irritante, mas neste momento não sei se posso ser outra coisa.

Queres dares a nota, José Manuel?

Eu dou uma nota Dou uma nota ao povo português que apesar de ter aguentado isto tudo, aguentar mais uma eleição não creio que fosse da vontade de ninguém, mas mesmo isso, a incapacidade de romper quando tem a oportunidade de o fazer em eleições, não merece mais do que um 10. E o 10 é a pior nota de nenhuma perspectiva que se pode dar a quem quer que seja.

Esta última parte do José Manuel é o meu ponto, de facto. Estamos com o terceiro governo desde 2019, salvo a eleição de hoje vamos para o quarto.

Este governo não tem um ano.

Este governo não tem um ano. Vai fazê-lo daqui a um mês ou dois, mas não tem um ano. Primeiro tivemos o governo minoritário, na sequência da jangada de António Costa, que caiu com o chumbo do Orçamento de Estado. Depois uma maioria absoluta que também caiu pela razão que sabemos, pela investigação que também envolveu o primeiro-ministro António Costa, e agora voltamos a estar aqui no fio da navalha, sem saber se o governo vai durar mais um mês ou se vai durar mais um ano e meio, basicamente a um ano, se vamos ter orçamento ou não, como o José Manuel disse, e provavelmente neste clima não haverá condições para o PS viabilizar o Orçamento de Estado.

Já tinha dado esses sinais, mesmo antes disto.

E portanto vamos andar aqui mais uns meses num impasse, meses que podem ser um ano, um ano e meio. E este é o país do impasse. Perdido entre jogadas táticas dos governos de turno, da oposição, jogos às lideranças partidárias, no fundo, decisões sobre o que é mais conveniente para cada pessoa em concreto, cada líder partidário, seja ele do governo ou da oposição, do que propriamente aquilo que é mais importante para o país. Isto tudo parte de uma cultura base portuguesa que é nunca há bloco central, nunca há acordos entre o PS e o PSD, ao contrário de outros países, coitados, pobres, como a Alemanha, que é um país tão pobre que se os dois partidos do centro não se entendem, de facto aquilo é ingovernável.

Paulo, e um país que por acaso também tem uma grande vantagem em relação a nós, é que não tem partidos extremistas que valem um terço do eleitorado, como cá em Portugal.

Claro.

Ou melhor, têm partidos extremistas que valem um pouco mais do que um terço do eleitorado.

Têm partidos extremistas como nós. Nós não temos pelo menos com essa intensidade.

Mas pode escrever aí, Paulo, no dia em que o Chega ficar em segundo lugar e for necessário para assegurar.

Achas que sempre é bem.

Ou em primeiro, se isso algum dia acontecer, não haverá maior cimento para um bloco central, isso não deixará.

Mas talvez fosse uma ideia preventiva, haver pontos de entendimento, até porque eu acho que muitas das divergências entre PS e PSD são postiças, são exacerbadas, que é para um dos dois lados dizerem que estão contra o que é impossível.

Mas o medo de desapontamento do outro.

Mas isso é um disparate. A Alemanha faz coligações.

Mas olha o SPD, Paulo, como é que ficou?

Mas agora foi o SPD, a CDU tinha ficado. A alternância na Alemanha não acaba com isso. Ganha o SPD, ganha a CDU. Aquela ideia da falta de alternância, que é sempre o grande argumento, lá não existe. Vão tendo mais ou menos votação, mas isso tem muito a ver com o crescimento dos extremos, sobretudo agora com a extrema-direita. Mas enfim, isso é outra discussão se quisermos.

Também não é neste momento o exemplo que a gente queira.

Claro. Mas a grande coligação na Alemanha já deu jeito em alturas críticas. As grandes reformas foram feitas só quando-

Eu acho que há alturas que a grande coligação na Alemanha não gerou grandes reformas, que curiosamente quem fez as últimas reformas recentes não foi nenhuma grande coligação.

Foi a Schröder, depois a Merkel continuou.

A Merkel apanhou o balanço apenas e curiosamente quando voltou a haver grande coligação, foi para não fazer nada, porque o primeiro governo da Merkel não precisou do SPD.

Aqui, de facto, as contas são outras em Portugal.

Aqui as contas são outras, mas isto para falar de facto do pântano em que estamos mais uma vez mergulhados. Obviamente que um governo nestas condições não vai fazer rigorosamente nada que possa mexer com interesses pontuais, com corporações, o que quer que seja, portanto, não vai tomar decisões difíceis, vamos navegar a bolina. Ainda bem a esse nível que as contas públicas estão equilibradas e não requerem, de facto, medidas mais duras como aconteceu no passado. Isto é ótimo para as franjas do sistema político. Todo este clima que se adensa de suspeitas permanentes, sejam elas éticas ou legais, e vamos para o segundo primeiro-ministro em que isso acontece, consecutivo, António Costa levou a sua saída, um caso nunca esclarecido, e agora Luís Montenegro, uma questão que não é legal, mas é ética. Isto é bom para as franjas do regime, como se está a ver. Junta-se a isto um presidente da República em silêncio, publicamente ainda bem que está em silêncio, talvez não seja a altura de ele falar ainda, ainda é a altura dos partidos, mas quando ele não atende o telefone, como o Rui Pedro noticiou, quando ele não atende o telefone ao primeiro-ministro, enfim, temos perante uma birra.

Ele também se pode queixar que o primeiro-ministro lhe ligou depois de ter comunicado ao país.

Mas o primeiro-ministro liga quando entende, não tem que comunicar previamente ao presidente da República o que é que vai fazer a dizer às 20h00 nas telas de jornais.

Só haver-se o risco de avançar para uma moção de confiança.

Ele podia protestar sobre isso. Parece que estamos aqui entregues a adolescentes, basicamente.

Bruno, como é que avalias esta questão?

E até estamos, se pensarmos nos filhos do primeiro-ministro, são quase adolescentes.

São quase.

Há algo que ainda é, acho, ainda está nos times.

Nos times.

Olha, em termos de sobrevivência política do governo, o pior que eu posso dizer

Para Luís Montenegro é que esta jogada do fim de semana foi digna de António Costa. Não posso dizer pior. António Costa sempre foi elogiado por ser um jogador e por ser um escapista, por conseguir sair das situações mais difíceis. Eu muitas vezes lhe reconheci essa qualidade, que não vejo como uma qualidade absoluta. Nesse aspecto de sobrevivência política correu muitíssimo bem ao governo, porque houve um partido da oposição a avançar com uma moção de censura, que torna assim desnecessária, aparentemente, a moção de confiança. E os outros partidos que dizem que a situação é grave dão a impressão, ao não retirarem todas as consequências da gravidade dessa situação, que querem apenas manter o assunto vivo e assim o governo sobrevive, ainda que diminuído. Só que em política não é só a sobrevivência que conta. É verdade que o PS fica de mãos atadas porque não quer ir para eleições, como é óbvio, preferia que o governo ou se demitisse ou que o Presidente da República o fizesse. Portanto, também por cálculo, não leva tudo até às últimas consequências. Mas tudo isto não apaga a gravidade da situação. Eu, pelo menos, não estava à espera que Luís Montenegro concorresse com António Costa nestes números de escapismo. E ouvir o primeiro-ministro no outro dia perguntar se seria justo privar os filhos da empresa só porque circunstancialmente era líder do PSD e primeiro-ministro, eu acho que é capaz de ter sido uma das piores frases jamais ditas por um primeiro-ministro. Isto é completamente mortal, fatal para a autoridade, para a legitimidade de um primeiro-ministro. A partir deste momento, é um zumbi político, Luís Montenegro. E isto é tanto pior que Luís Montenegro era o maior ativo do governo. Não nos podemos esquecer que em termos de popularidade e de reconhecimento junto dos portugueses, talvez só fosse ultrapassado pelo ministro da Educação. Não sei como é que está o último barómetro, mas Luís Montenegro era esse garante. Aliás, toda a estratégia do governo assentava nessa ideia de que Luís Montenegro dava as boas notícias, acabava por ser ele a escudar até alguns ministros, até as ministras da Saúde e da Administração Interna mais fracas, portanto, ele era o verdadeiro ativo. Quando ele reduz o papel dele, esta coisa de que isto é circunstancial, que era liderança do PSD, que era de primeiro-ministro, isto é completamente fatal. Neste momento, exigia-se a Luís Montenegro que tivesse a coragem de ir religitimar a sua autoridade em eleições.

Com uma moção de confiança.

Com uma moção de confiança, claro. Isso é que seria verdadeiramente um ato de coragem, porque a partir deste momento, a autoridade do primeiro-ministro está diminuída, o seu poder fica diminuído, porque ele próprio diz que ia pedir escusa em certas decisões. Quer dizer, isso não pode acontecer.

Ó Pedro. Desculpa.

Bruno.

Bruno.

Cá o Bruno.

Mas se há uma pessoa que se pensar o mesmo que tu pensas, pode resolver o problema.

É o presidente?

É o presidente.

É o presidente da República.

O presidente já uma vez fez uma coisa parecida. Já houve um outro presidente.

Já houve um outro presidente. Jorge Sampaio.

Que fez uma coisa parecida, não é? Jorge Sampaio com Santana Lopes. Não creio que o vá fazer.

Pois, eu também não creio que o presidente vá fazer.

Não creio que o vá fazer e acho que a birrinha de nem sequer atender o telefone é uma birrinha, mas não creio que o vá fazer. Agora, já se sabe. Para meio mundo é óbvio porque é que Luís Montenegro não ligou antes. Tivesse ligado antes, a notícia aparecia na imprensa, aparecia antes. Pronto, final de parágrafo. É isso que já aconteceu tantas vezes.

E está ligado há 10 minutos antes, que António Costa fazia isso às vezes. E cumpria-se todo o ritual.

Sem dar a hipótese ao Presidente para que adiantasse.

Vamos terminar porque só precisamos das notas.

Jorge Sampaio dissolveu a assembleia. Portanto, a demissão do governo com base no regular funcionamento das instituições é diferente da dissolução da assembleia. Ninguém arriscaria isso. A demissão do governo para colocar outro. E, portanto, eu acho que não é por aí, Marcelo também não quer ir por aí.

Não quer ir por aí.

Eu penso que o presidente não pode demitir o governo motu proprio. Só pode dissolver a assembleia.

Claro.

Portanto, e por isso teria que ser pelo regulo das instituições.

O 195 o que diz é o regular funcionamento das instituições pode demitir o governo. Só que eu acho que mesmo o que o Jorge Sampaio fez foi a dissolução da assembleia, não foi demitir o governo.

Vamos a notas. Rui Pedro, vais dar nota a quem?

Vou dar nota ao regime democrático.

Ao regime.

E vai ser um sete. E outra coisa, onde é que já vai Miguel Arruda? E André Ventura está para faturar.

Bruno, a tua nota vai para quem?

Eu vou dar um três a Luís Montenegro, acho que é o principal responsável por esta situação e era ele que também tinha nas mãos a solução, que não quis utilizar, e assim está a adiar a solução de um problema que se vai agravar, vai se arrastar.

Paulo.

Olha, eu também vou dar aqui ao nosso fado, se quisermos, mas dou um sete, porque isto não é fado que se apresente, basicamente.

Triste sina. E o Vencedor é regresso à tarde para a segunda edição, logo depois das notícias das 17h30.