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Seja ela anedota, seja ela em stand-up, seja ela criada, eu vejo, aquilo aconteceu comigo, mas o que eu vou dizer em palco é mais exagerado. Tem mentiras com o objetivo de fazer rir. Os humoristas são todos mentirosos. Tudo que eles dizem é mentira. Por isso é que não vale a pena levar um humorista a tribunal, é tudo mentira! O objetivo é fazer rir. Está aqui o segredo. Claro que o que eu vou dizer é baseado numa história real, com argumentos reais que só por si já são engraçados, mas claro que tem um trabalho da comédia, tem as punchs, tem as callbacks. Tudo isto é uma estrutura que é feita com profissionalismo, portanto, com pessoas que têm algum jeito para escrever.

Aprendeu cedo que o riso é uma forma de sobreviver, que fazer rir é muitas vezes uma maneira de não deixar que o silêncio diga tudo. Descobriu que a gargalhada podia abrir portas, mas também esconder fragilidades, que o palco podia ser abrigo e exposição ao mesmo tempo. Construiu uma carreira onde milhões o reconhecem pela voz, pelo riso fácil e pela proximidade quase familiar. Por trás da figura pública, um homem que sente, que cansa, que protege os seus e que nunca deixou de respeitar quem o acompanha desde o primeiro aplauso. É um artista popular, num país que raramente perdoa a popularidade, um humorista num tempo em que rir exige coragem, um homem que nunca se escondeu do público. Estamos a falar de Fernando Rocha, que está aqui conosco em "40 Minutos". Bem-vindo aqui à Rádio Observador.

Muito obrigado. Que boa entrada. Foi uma bela homenagem. Muito obrigado. Um grande abraço a todo o auditório que nos está a ouvir.

E é, no fundo, um regresso, porque estávamos a falar sobre isso. Tu já estiveste cá numa altura na Rádio Observador a fazer uma radionovela.

Muito me orgulho daquilo.

Com a Luciana Abreu.

Muito bom.

Divertiste-te nessa altura?

Muito. E é uma experiência que vai me ficar na memória para sempre.

O que recordas disso? Já foi há três, quatro anos.

Por aí. O tempo passa muito rápido, penso que é três, quatro anos.

Sim. O que recordas dessa experiência e dessa passagem aqui pela Rádio Observador?

Notei que fazer uma radionovela é uma coisa muito íntima, ou seja, tudo que vai para os microfones e as pessoas estão a ouvir é uma história, mas como a gente se ri nos bastidores ao fazer aquilo e depois corta, é outro universo, é outro ambiente.

Muitos bloopers.

Eu nunca tinha experimentado. Fomos muito bem dirigidos. Foi fantástico, aprendi muito também. Obrigado pela oportunidade.

Nada, hora essa. Nós aqui na introdução já te pudemos conhecer um bocadinho melhor. Esta introdução é a forma como nós te vemos. No fundo, eu gosto de fazer introduções que respeitem isso mesmo e acho que tu és uma pessoa muito consensual. És visto muitas vezes como um homem forte. É essa a imagem que se calhar as pessoas têm de ti, mas também és um homem muito sensível, que se posiciona muito contra as injustiças, que se inquieta. Tu escondes muitas vezes essa sensibilidade para te protegeres ou nesta fase da tua vida, já aos 50 anos, já é uma coisa que também relativizas?

Há coisas que é um bocadinho como o estoicismo, que é eu olho e observo, sei que está errado, mas nada posso fazer. Então tento me pôr naquela parte do: "Pronto, OK, não podes resolver, nada podes fazer. Também não ponhas isso na lista de preocupações da tua vida, senão não vais conseguir viver em condições". Mas depois há outras coisas que a gente olha, que incomoda e diz: "Não, mas espera aí, mas se ninguém fizer nada, então isto será sempre". Alguém tem que começar a fazer alguma coisa, nem que seja só o início, só a pólvora. E aí eu acho que nós, figuras públicas, seja ele cantor, ator, humorista, o que for, temos uma voz que muitas pessoas ouvem e então acho que temos que ter muito cuidado com aquilo que fazemos e que dizemos. E aproveitar muito a força que as pessoas nos ouvem para meter o dedo na ferida naquilo que nós achamos que está errado.

Neste momento, nós estamos a passar uma fase bastante difícil enquanto país. Ainda em off te dizia que ontem, aquando da gravação desta entrevista, estamos a gravar no dia 9 de fevereiro, vocês no Domingão tiveram uma ótima iniciativa de arrecadar materiais de construção, que neste momento se calhar é o que mais faz falta à região do centro do país, além da mão de obra, porque também já tivemos muitos apelos nesse sentido. Neste momento, é aquilo que mais te inquieta também enquanto cidadão e aquilo que te faz posicionar e ser uma voz mais ativa?

Olha, eu vou te dizer o que eu fiz perante esta situação. Veio a tempestade e reparei que no dia seguinte as primeiras pessoas a chegar ao local foram civis, que foram lá com pás e baldes, etc. De repente começa a chegar a construção civil, começa a chegar o material de construção que está toda a gente a mandar para lá neste momento. E eu pensei: depois de isto tudo estar feito, vai haver uma dificuldade enorme das pessoas voltarem a ter os móveis que tinham. Eu tenho uma relação muito estreita com uma empresa que vende móveis, não vou estar a dizer o nome para não fazer a publicidade, mas eu tenho uma relação muito estreita com uma empresa a nível nacional. E eu, neste momento, estou-me a juntar a ele, estamos a elaborar um projeto em que queremos fazer o seguinte: os artistas que quiserem fazer parte dos cartazes, só têm que dizer: "Esta é a minha disponibilidade, esta data, nesta área, não posso ir para mais longe que isto". E depois fazer um calendário em que se fazia vários espetáculos e o dinheiro revertia a favor das instituições que estão a tentar ajudar humanitariamente esta gente toda, seja com dinheiro, seja com utensílios, comida, roupa, o que for. E essa empresa que eu estou a dizer quer ajudar com mobiliário, naturalmente.

É uma situação muito difícil nesta que se vive.

Portanto, acho que todos nós temos que pensar no seguinte: nós vivemos numa sociedade Aconteceu esta situação que atingiu a zona de Leiria.

A zona centro.

A zona centro. O resto do país, que não foi afetado, tem que se unir, e isto orgulha-me, porque o lusitano é assim. Nós falamos todos mal uns dos outros. "Ai, aquele tem um sotaque não sei o quê, o outro é de baixo, o outro é de cima", mas se alguma coisa vem de fora e nos fustiga, seja ela vinda de alguém ou da natureza, nós unimo-nos, está escrito na história.

E somos os primeiros a estar lá.

O Napoleão tentou vir, levou no focinho, a padeira de Aljubarrota pegou numa pá e deu no focinho a outros. Nós unimo-nos. Nestas alturas, eu tenho muito orgulho deste ADN lusitano que é: alerta vermelho, vamo-nos unir. E acho muito bem que toda a gente se una, mas pra isso a burocracia da parte estatal em ajudar tem que ser rápida, não pode ser tão lenta. E isso é uma das coisas que me chateia e que faz-me pensar: eu consigo fazer alguma coisa contra isto? Não. Então, não vale a pena.

Sim, é uma situação bastante complicada.

Assim como eu baixo um bocado a guarda, muita gente também.

Mas a preocupação está sempre lá.

Claro.

E quem te conhece sabe disso.

E dentro da parte que se pode fazer, que não necessita da burocracia, a gente vai fazendo.

Sim.

Assim como fazer os espetáculos de beneficência, assim como as pessoas metem-se no autocarro e foram pra Leiria ajudar a limpar aquele entulho todo, por aí fora.

Estamos solidários, acima de tudo, e isso é bom. É esta corrente de positividade.

Nós temos boa solidariedade.

Vamos falar sobre ti, até porque este ano, 2026, traz desafios, e tu tens um espetáculo a começar muito brevemente. A primeira data é em Guimarães, é já dia 21 de fevereiro.

21 de fevereiro, isso.

E é um espetáculo, são vários, mas é especial em si, porque as pessoas quando falam e quando associam ao Fernando Rocha, associam muito ao Fernando Rocha das nós estávamos aqui ainda quando tu chegaste e tu já estavas a contar anedotas, não é?

Sim, é verdade.

Mas agora vem o espetáculo de stand-up comedy, que é uma realidade diferente, não é?

No fundo, é a primeira vez que eu faço um espetáculo sem contar uma única anedota, sem usar o Tibúrcio e a Matumbina e os meus personagens, todo aquele universo que eu criei ao longo destes anos, que faz parte da minha história.

Claro.

Com muito orgulho, tenho muito orgulho, mas na realidade, eu apanho coisas e histórias do dia a dia e vou canalizando-as para os meus personagens. Desta vez eu decidi: bom, eu tenho 50 anos, tenho histórias incríveis. Elas só por si já têm um enredo incrível e engraçado. Na infância, na juventude ou na pré-adolescência, neste caso, juventude, adulto, casado, eletricista. Portanto, eu fiz tipo uma linha da vida sobre as partes mais engraçadas que eu poderia contar e ao mesmo tempo explicar quem eu sou ou quem foi esta criança, como é que cresceu, que mundo viveu, mas ao mesmo tempo estou a fazer rir as pessoas, a contar as histórias daquela altura.

Mas é difícil desviares de um caminho que já acontece há muitos anos e é quase tão natural em ti, tu quereres contar uma anedota e fazer alguém rir num determinado momento?

Não, João, na realidade, eu sou um contador de história.

E isso faz a diferença.

Seja ela anedota, seja ela em stand-up, seja ela criada, seja ela, eu vejo, aquilo aconteceu comigo, mas o que eu vou dizer em palco é mais exagerado. Tem mentiras, com o objetivo de fazer rir. Os humoristas são todos mentirosos. Tudo que eles dizem é mentira. Por isso é que não vale a pena levar um humorista ao tribunal. É tudo mentira. O objetivo é fazer rir. Portanto, está aqui o segredo. Claro que o que eu vou dizer é baseado numa história real, com argumentos reais que só por si já são engraçados, mas claro que tem um trabalho da comédia, tem as punchs, tem as callbacks. Tudo isto é uma estrutura que é feita com profissionalismo, portanto, com pessoas que têm algum jeito pra escrever.

E os 50 anos deram-te esta necessidade de tu te quereres reinventar e também apostar aqui numa coisa nova. No fundo, é isto que tu estás a dizer. Ou seja, tu no fundo és um contador de histórias, isto é só mais uma vertente que tu vais explorar, porque tu no fundo já a fazias também. Mas não em conceito de espetáculo, ou não?

Isto é só mais um formato na minha vida. Eu sou um gajo que vim da cassete, depois passei pro CD, do CD passei pro DVD, depois acabou aquilo, passou tudo a ser digital, e eu fui pro YouTube e não sei o quê. E agora a natureza do meu negócio diz que é por aqui que temos que ir e a gente vai embora. Eu só não quero é estagnar, eu quero sentir-me vivo, quero fazer coisas que me dizem: "Olha, bom desafio, vou saltar um bocadinho para fora de pé", que isto é um bocado clichê, mas é o que é. E é isso que me faz. A aventura de dar um salto pro desconhecido é que me faz sentir vivo e quero fazer coisas diferentes. Este ano tenho projetos pra fazer que são completamente fora daquilo que eu fiz durante os meus 50 anos.

Isso é bom.

Muito bom.

Sentes aquele nervosinho miudinho como nos primeiros dias ou nem por isso?

Eu nunca tive o nervoso miudinho quando subo a um palco, mas tenho o nervoso miudinho quando vou gravar.

É?

É. Quando é ficção, porque já não vou ser eu. Eu vou ter que interpretar uma persona que se calhar nem tem nada a ver comigo.

Mas mesmo assim.

Aí já fico mais tenso.

Tu, por exemplo, no teu primeiro-

Se quiseres me ver calmo, mete-me num palco com um microfone. Aí estou calmo, muito calmo.

Mas tu falaste aqui da ficção. Tu no teu primeiro projeto, o "Amor, amor", eu soube, depois de ter visto entrevistas tuas, que tu muitas vezes estavas em personagem, claro, mas havia ali muitas frases e muitas tiradas que vinham da tua cabeça e que nem sequer estavam no texto.

Sim, claro. Sabes o que isso significa? Que eu sou um mau ator ou que ainda estou a aprender. E essa é a parte que me dá a tal força e pica para continuar. Por quê? Porque eu no stand up, eu tenho 26 anos disto. Não há muito mais que eu possa fazer para sentir que estou a fazer algo diferente.

E as pessoas já te conhecem nesse registro.

Mas na parte da representação e de ser ator, eu sou um rookie, sou um puto de 20 anos e sentires isto aos 50 é fantástico, João. Quando chegares aos 50, vai tirar um curso de costura.

Sabes lá pra onde a vida me vai levar.

Claro, amigo, mas o que interessa é ter novos desafios, nem que seja fora da tua área. Mas ir buscar coisas diferentes é o que nos faz sentir vivos, eu acho.

Tu falas desse fascínio pela representação que começou com o "Amor Amor" na SIC, foi o teu primeiro papel. Tu te sentias pequenino ao lado daquelas pessoas todas ou nem chegavas a sentir porque era uma adrenalina tão grande que nem dava para processar tudo ao mesmo tempo?

Se queres saber qual é o sentimento que eu tinha quando estava no meio daquelas pessoas, sentia-me privilegiado. Eu cruzei com pessoas incríveis, que já deram provas a este país que são grandes atores e que sabem fazer isto. E eu tive esse prazer. Isto é para muito poucos dos mortais. Não te esqueças que eu antes de ser quem sou na comédia, também sou fã de muitas pessoas que hoje em dia se cruzam comigo. Então há pessoas que eu trato como colegas e até os trato por tu, que são ídolos. Para mim são ídolos, não deixaram de ser. Não é por eu o conhecer pessoalmente e ele se tornar meu amigo, que vai deixar de ser meu ídolo. Eu tenho muitos amigos meus, colegas de trabalho, que me cruzei com eles, que são ídolos para mim.

Alguém que te tenha impactado mais na forma como te recebeu?

Renato Godinho.

O que é que tem de especial?

Foi incrível. No primeiro dia, apesar de eu ter aquela mania de mostrar que está tudo bem, ele sentiu que eu não estava muito fixe. Passado um dia ou dois, veio à minha casa, pegou nos textos e ajudou-me a construir o meu primeiro personagem. Obrigado, Renato.

São coisas que não-

Não vou esquecer nunca

...que não se pagam.

Claro.

E a amizade continua.

Claro que sim, o Renato, o que precisar de mim.

E é um ator extraordinário também.

Sou um soldado dele. É bater palma e: "É para fazer o quê? Vamos embora." Eu estou com o Renato no que ele quiser. Há coisas que a gente não pode esquecer. A ingratidão é uma coisa que eu não valorizo muito.

Tu vens da comédia e agora estás no stand up, mas estiveste muitos anos ligado a esse formato e as pessoas conheciam-te, até de programas. Começaste no "Hit Hit" na altura e também há relatos disso. Sentes uma enorme gratidão pelo Nuno Graciano, que também já não está entre nós. Aliás, na altura tu fizeste um post até emotivo, porque o Nuno Graciano teve aqui uma pequena travessia no deserto de afastamento da televisão e foi se calhar um bocadinho esquecido e tu na tua publicação fizeste questão de falar disso mesmo.

Ele foi vítima da tal ingratidão que a gente está aqui a falar.

Daí eu estar a pegar nisto.

Muita gente, não estamos a falar de uma pessoa ou duas ingratas, não. Ele ajudou muita gente que depois, nos finais da vida dele, que longe de todos nós pensávamos que ele ia morrer, aquilo foi uma surpresa para todos, mas ele estava a passar uma situação em que muita gente que foi ajudada por ele, assobiou para o ar e fez de conta que não estava a ver. Acredito que também não sabiam que o homem estava mal de saúde, mas é o que é.

Sim. A ingratidão é o sentimento que tu menos sabes processar?

Repugno. É a ingratidão e a arrogância. À arrogância eu reajo também com alguma repugnância. Não gosto de ver pessoas arrogantes com a mania que são mais que os outros só porque isto ou só porque aquilo. Porque no final vamos todos para o mesmo sítio, irmão. Sabes qual é a diferença entre seres uma placa num campo ou uma placa numa rua? É aquilo que tu deixas de ti para os outros. Não interessa qual é o nome da rua. Se aquele nome está ali, eu posso nunca saber quem é o homem, mas se ele tem uma rua com o nome dele, de certeza que ele fez alguma coisa pelos outros, senão não estava ali.

Ter esta perspectiva também é interessante pensar na forma de que há pessoas que estão cá e que passam por cá e que deixam um legado para nós, da mesma forma que tu estás a deixar o teu, à tua forma e à tua maneira.

E depois há pessoas que estão cá neste mundo, mas só querem sacar. Não querem dar nada, mas só querem é ter de retorno aquilo que não semeiam. Por isso é que o mundo está como está.

Só fechando aqui o capítulo dos teus espetáculos, "Rocha and Roll". Por que este nome?

Por que esse nome?

Leva-nos para o rock and roll.

Claro.

Aliás, a forma como tu estás vestido é de uma superstar.

Lógico. Mas é uma das coisas que eu começo logo no texto a dizer, e posso fazer aqui esse spoiler, que é: começo por dizer "Atenção, não confundam rock com rock and roll. Rock é música, rock and roll é um estilo de vida". E todas estas histórias que eu vos vou contar ao longo do espetáculo, foi muito ao estilo rock and roll, porque nós fomos influenciados pelo rock and roll. Estes miúdos hoje em dia se calhar já são influenciados pelo rap, trap e pop, já é outra cultura, é outra mensagem. Tanto é que a nossa mensagem do rock só tinhas duas mensagens. Sobres as letras, ramificam-se em duas: a parte romântica, que a gente queria o nosso slow e tal, chegava àquela parte da noite e vinham os slows lá e a gente ia, temos que arranjar uma namorada. E depois tinhas a parte mais irreverente, mas a maior parte da mensagem das músicas rock era de superação, de vamos conseguir. Hoje em dia tu vês as letras do rap, trap, pop e mesmo os videoclipes, o que é que tu vês? Uns gajos a cuspir notas, umas miúdas de biquíni numas piscinas, uns grandes carros O que transmites à geração é: parece que isto é fácil. Eu quis fazer um espectáculo a contar como é que nós vivíamos com essa mentalidade rock'n'roll. A mentalidade é muito diferente.

E vai estar patente.

Eu vejo isso nas atitudes do meu filho. O meu filho tem atitudes que eu, se tivesse a idade dele no meu tempo, era completamente diferente, porque os ambientes são diferentes e o que valorizávamos antigamente não é o mesmo que se valoriza agora. As mentalidades são muito diferentes.

E tu vais ter público muito diferente no teu espectáculo também. Desde mais novos a graúdos.

Neste momento, o meu record é juntar três gerações. Para já. Mas já vi um artista em Gondomar com quatro.

É esse o objectivo.

O Roberto Carlos. Quando foi a Gondomar e eu fui lá, a minha vizinha estava a avisar a avó, a mãe e a filha.

Já viste. Tu vais andar por Guimarães, a primeira data dia 21 de fevereiro e depois segues Almada, Viseu, Leiria, Braga, Covilhã, Porto e Lisboa. Tudo isto entre fevereiro e julho e os bilhetes já estão à venda em ticketline.pt. Portanto, é comprar, porque vale a pena.

Vale a pena. E vocês vão se rir e vão perceber melhor como é que eu era quando era miúdo. É verdade.

Já é um ótimo spoiler daquilo que aí vem. Vamos só fazer aqui uma curta pausa e já voltamos. Temos ainda muito para conversar contigo. Até já. De regresso para a segunda parte do "Em 40 Minutos", esta semana estamos com Fernando Rocha, um nome bem conhecido do humor, agora da ficção também, que já dás lá várias perninhas. Eu acho que já te podemos assumir como actor. Tu já gostas de te ver como actor?

Não, eu gosto de me ver como um aspirante a actor.

Ainda?

E quero pensar que ainda não sei nada. É assim que eu quero pensar. Ainda tenho muito para aprender e tenho.

Mas para te protegeres também?

Não é só para me proteger, porque quando uma pessoa pensa que já sabe tudo, para além de estar errado, vai cair numa situação de relaxamento, de: "Pronto, ok, já não tenho mais nada a fazer". E estagna. Portanto, nunca quero achar que já cheguei. Compreendes? Tenho sempre que achar que estou a caminho, está quase. Então isto, na minha cabeça motiva-me para achar que estou onde estou, mas se calhar ainda há mais para fazer, porque senão perde a piada. Parece que chegámos ao fim da linha e agora, o que é que eu vou fazer?

Mas consegues ver coisas tuas?

Não, não vejo. Faço por trabalho. Ler comédia, ver comédia, seja cinema, seja solos de stand up. Se estou a ver é porque estou a trabalhar. Eu não consigo estar a fazer aquilo e estar a relaxar como qualquer pessoa que está a ver um solo de stand up. Eu estou ali a ver a métrica, a ver os tempos, as pausas. Não consigo descolar.

Exato. Já não consegues ver isso como um escape.

Já não é um escape. Para mim não é um escape.

E não tens pena por isso?

Não, porque eu tenho outros escapes.

E que são?

História. Eu consumo muito YouTube e consumo muito vídeos de história. Sou um curioso. Não é para nada, não vou precisar disso para a minha vida, mas sou um curioso e gosto de saber o porquê que as coisas aconteceram, qual foi a origem e o que é que originou determinada coisa em tal parte do tempo. Porque me ajuda depois até politicamente começar a perceber o que é que o passado nos pode informar sobre o que vem pelo futuro. Isto tem sido sempre cíclico ao longo dos tempos. Se é cíclico, quer dizer que é repetitivo. Se é repetitivo, vamos evitar o que se repete, o que é bom, e repetir outra vez o que é bom e evitar o que é mau. E eu gosto de história por causa disso. Posso ver a história de uma empresa.

Sim.

Às vezes os erros que aquela empresa cometeu, cabe direitinho na tua. Em uma escala inferior, porque a minha empresa é pequenininha. Mas percebes o que eu estou a dizer? É estudar várias histórias de várias coisas.

A história do passado ajuda-nos a entender a do presente, está mais do que provado. A política, história mundial, tudo o que aconteceu.

Tive a ver um vídeo inteiro sobre Che Guevara, depois estive a ver do Al Capone, portanto coisas distintas, mas fico curioso, quero saber o que é que originou.

E depois também não esticas o teu algoritmo a só dar-te esse tipo de conteúdos.

Claro.

E depois passamos mais e mais. Quando falamos com um humorista, e este tema é muito recorrente, aliás, tu falaste sobre isso o ano passado e vou tocar aqui num caso mediático que aconteceu o ano passado a propósito de um processo levado a cabo pelos anjos contra a humorista Joana Marques. Na altura, e acho que ainda hoje, se fala muito dos limites do humor. E eu sei que esta questão é muito difícil de fazer a um humorista, porque cada um tem a sua perspectiva, cada um tem o seu modo de olhar para a comédia, para a vida, para aquilo que ela implica ou não. Mas quando se fala deste tema, há algo que te deixe mais em alerta, tendo em conta que estamos aqui a falar da tua profissão, porque ouvimos muitos testemunhos de fora, de pessoas que são consumidoras, mas para ti, enquanto humorista, o que é que te deixa mais alerta neste questionamento dos limites do humor?

Na minha empresa, eu tenho lá na entrada uma data de fotografias na parede. Uma delas eu pedi para pôr é o fotograma de um trecho de vídeo que podes encontrar no YouTube, que é o Will Smith a dar um estalo no Chris Rock. Ou seja, aquilo representa os limites da comédia. Um humorista A dar um estalo a outro humorista por causa de uma piada. Portanto, quais são os limites? Cada pessoa tem o seu limite. Isto é um bocado como o bom senso. O que eu faço é: eu tenho os meus limites como humorista, eu como produtor de conteúdo cômico, eu tenho os meus limites. Se me perguntares, eu digo-te quais são os meus, mas os dos meus colegas são outros. O dos meus colegas são outros e eu respeito. Agora, o que eu acho que não está certo é, por exemplo, o Léo Lins apanhou oito anos de cadeia por causa de uma piada. Vou dar um exemplo, não agarrem que seja este o caso, mas imagina, sobre pedofilia. E se for preciso, o pedófilo ainda anda solto ou se calhar apanhou menos anos de cadeia do que o gajo que só fez a piada. É só uma piada. Acho que está se a carregar demais numa coisa em que é só uma piada. E eu lembro-me que aqui em Portugal aconteceu casos desses, de haver um crime, um humorista mandou uma piada desse crime e as pessoas vieram cair em cima do humorista e foi numa coisa qualquer de um jogador de futebol, já não me lembro. Mas aconteceu isso, quer dizer, o humorista é estraçalhado por mandar a piada. E eu no fundo pergunto: contavas algumas que são lá contadas? Se calhar não, porque não é o meu estilo, não é a minha forma de fazer, mas eu tenho que respeitar. Os humoristas são como as bebidas. Tu chegas a um bar, imagina, só gostas de uísque, certo? Mas tu não queres chegar a um bar e ver na prateleira só uísque. Queres lá beber vodka, Pisang Ambon e não sei o quê, outras bebidas, porque se calhar a pessoa que está ao teu lado é livre pra escolher outra bebida qualquer. E qual é o problema? É só isso que se tem que fazer. Quem gosta consome, quem não gosta, não consome. Ponto. Eu não gosto de muita coisa e não vou pra porta dessas lojas fazer barulho e dizer: "Ei, vocês deviam de ir embora que eu não gosto de nada disto".

Não, mas é isso. O exemplo é mesmo esse. Aliás, se todos os humoristas fossem iguais, não havia tantos, se calhar.

Claro, portanto, nem sequer vou discutir qual é o melhor ou o pior. Eu acho que cada um tem o seu, cada pessoa tem os seus limites. Agora, eu não gosto, por exemplo, de filmes de terror. Detesto filmes de terror. Não vejo. E não vou andar na internet a ver as páginas de terror e começar ali a mandar vir pessoas. Senão sou vatolinho.

Falaste aí da questão dos limites. Para ti, há algum assunto que tu não gostes mesmo de falar?

Pedofilia não gosto de falar. Não me sinto confortável, está muito longe da área de riso que eu tenho. Eu tenho uma área onde manobro bem o riso, faço bem rir as pessoas. A palavra pedofilia tira-me daquele registo e estou ali a tentar à procura qualquer coisa que faça rir com aquela área. Não gosto. Pedofilia é uma coisa que paro ali. Depois, tudo pra mim serve para fazer comédia. O que eu respeito é, como é que eu te explico? É o que eu digo, é os meus limites, é a minha cabeça. É uma relação entre espaço e tempo. Imagina isto: houve uma catástrofe, fazes uma piada desta catástrofe. E eu pergunto: onde é que foi? "Ai, foi na Conchichina, foi muito longe." Ok, se calhar até podemos fazer uma piada. Há uma catástrofe. Onde foi? Foi em Portugal. Fazes uma piada? Não. Agora, não. Deixa passar um ano ou dois anos. Eu agora se calhar podia fazer uma piada sobre a ponte entre rios ou uma coisa qualquer. Já passou o tempo, já demos aquele período de nojo, como se costuma dizer. Isto é a minha sensibilidade a falar.

Claro, e é a tua sensibilidade.

É a minha. Agora, assim como eu tenho o direito de o fazer, todos os meus colegas também o têm de fazer. Então, mas os limites deles já são outros. E a gente tem que respeitar e o público tem que pensar: eu não gosto dos limites da comédia daquela pessoa, não vou ao espetáculo dele e ponto final. É simples.

Tu que já andas nisto há 26 anos, sente-se uma diferença, agora também se calhar muito pela força das redes sociais, mas sente-se um questionamento diferente, ou seja, o público está mais exigente, menos tolerante? O que tu sentes nesse sentido?

Eu acho que-

Nem pergunto tanto, se calhar, em questão de espetáculo, mas em questão do humor no geral.

Mas estás a falar do humor ou das redes sociais? Estava a pensar que estavas a falar das redes sociais.

Podemos ir aos dois pontos, no fundo.

Eu acho que as redes sociais, neste momento, o combustível é o ódio. O grande combustível das redes sociais tem sido o ódio. E isso não é fixe, isso não é bom. Tem usado muito isso a rede social e as pessoas, tu vês isso pelos comentários, toda a gente destila ódio. E depois toda a gente faz uma coisa que é: as pessoas que se sentem frustradas por as suas vidas não estar a correr bem, não interessa qual a origem, se é culpa delas ou do acaso ou da vida, como se sentem frustradas, então tendem sempre a nunca se culpabilizarem da posição onde estão e a culpa é sempre dos outros. E então alimentam aquele ódio dentro delas e depois quando vão pras redes sociais, tudo é um alvo a abater. Eu conheço muitas pessoas assim e isso está a tornar a nossa sociedade tocada ao ódio. Compreendes o que eu estou querendo dizer?

Sim. E que há uns cinco, eu acho que não é assim tão grande essa distância temporal, mas há uns cinco anos era bem diferente, ou não? Ou foi quando começou?

Não, eu acho que as redes, no início, o Ilídio até dizia, o Ilídio é o meu manager. O Ilídio dizia o seguinte: "Sabes de uma coisa? Se as pessoas tivessem que pagar um cêntimo por cada comentário que falam, tu ias ver que só ias ler coisas em condições, que valiam a pena". Eu acho que ele não deixa de ter a razão dele, porque dar um comentário nas redes sociais é de graça. E as pessoas dizem cada barbaridade, é só conteúdo a mais ali.

E há muito aquele sentimento de aindaPorque não há uma legislação ainda, ainda que se fale muito nisso. Um sentimento de impunidade, quase.

Sim, eu posso dizer o que me apetece e nada me acontece. É verdade. Apesar de que agora algumas frases de ataque e ódio são censuradas, e muito bem. Agora está a haver alguma legislação na internet, mas não era assim. Aquilo era um poço de ódio a céu aberto.

Como é que tu olhas para a questão das redes sociais? É algo que tu vês como algo necessário por conta do teu trabalho ou era algo que também, se fosse possível, e se não vivêssemos neste mundo em que é muito preciso agora ter uma presença digital, tu facilmente dispensavas?

Eu olho para a internet e redes sociais como olho para a cassete, para o CD. É só mais um formato para eu fazer chegar ao público o meu trabalho. É um pacote, para mim é um pacote. É por aqui que eu vou vender o meu trabalho. É só isso, é uma forma nova de fazer comédia, mas só mudou a carcaça. A carcaça é que vai mudando, mas não deixa de ser como uma cassete, como um CD, como um DVD, é a minha forma de chegar ao público o meu trabalho, com uma vantagem muito grande. Antigamente, para teres uma promoção a nível nacional, tu imaginas que neste país com 10 ou 12 milhões de habitantes, há pessoas com muito talento para muita coisa.

Claro.

E que não têm palco, porque não dá. Rádios e televisões deste país não chegavam para mostrar todos os talentos que há neste país.

Ainda que todas agora tenham um formato humorístico muito presente.

Mas a internet já deu isso. Cada pessoa pode ter seu canal do YouTube e alguns rasgaram. Provaram que sem a televisão e sem a rádio conseguem ter milhares de seguidores e as empresas vão a correr atrás deles como influencers e pagam-lhes, e muito bem, porque eles realmente conseguem chegar àquele número de pessoas. Hoje em dia, até mais do que as audiências. Eu tenho vídeos na internet com 3 milhões, 4 milhões, e para atingir esses números em televisão, já não me lembro que isso aconteceu. Está a baixar muito.

Sim, hoje em dia-

A televisão está a perder muita força.

Está a perder e o streaming a subir. Nem tanto a questão do YouTube, há vídeos, claramente, e tu és o exemplo disso, que têm ótimas audiências, mas a televisão tem vindo a perder alguma atração, porque neste momento há essa facilidade de nós podermos ver o que queremos, quando queremos.

À hora que queremos.

À hora que queremos. Portanto, existe muito essa tendência de, se calhar, banalizar o consumo televisivo. A menos que falemos de formatos que, por exemplo, tu estás no "Domingão". Se calhar, é um conceito um bocadinho diferente, porque é um programa mais de nicho e é um programa também muito de companhia. Mas olhando para outros formatos, já podemos fazer uma avaliação diferente.

É, eu estou a trabalhar no "Domingão", mas tenho noção que é para uma geração que não se adaptou ao digital. Quando esta geração não estiver cá, não faço ideia quanto tempo Deus queira que seja, séculos, porque eu adoro. Tu já tens a geração que nasceu com o telemóvel na mão. E aí a televisão vai viver de quê? Eles já sabem ir à Netflix, HBO, Amazon, e desculpe a publicidade, mas olha, foi como saiu.

Estás à vontade.

Mas percebes o que eu estou a querer dizer? A televisão tem que se reinventar o mais rápido possível e adaptar-se. Aconteceu há uns anos atrás, quando aparece a televisão, até houve uma banda dos anos 80 ou 90, que tinha uma música que era "Video Killed the Radio Star".

Sim.

Portanto, a malta pensava que as estrelas da rádio iam acabar. Olha, a rádio reinventou-se, parabéns. Hoje em dia há mais número de pessoas no pico de audiências na rádio do que na televisão.

É verdade.

Ponto final. Portanto, a televisão tem que olhar para o lado e ver o que está a acontecer e mexer-se.

Sim, é um exercício, no fundo, mas também é um meio que se calhar implica mais custos. Isso por si só também é um grande desafio para quem gere televisão.

Mas não sei se é por mais custos, porque hoje em dia a produção de conteúdos torna-se mais barata com a inteligência artificial. Tu antigamente para explodires aquele vidro que está aqui à nossa frente, tínhamos que mandar vir o vidraceiro, pôr um vidro não sei o quê, e eu atirar, aquilo partia, depois vinha a mulher da limpeza varrer. Hoje em dia aquele vidro parte-se com um clique. Compreendes o que eu estou a dizer? Se calhar, às vezes, não sei se é a falta de dinheiro que passa por a tal modificação que a televisão tem que surgir. Tem que ter. Não sei.

Sim, mas às vezes falta mesmo investimento. Eu quando falava nesta questão é porque a televisão implica muito mais meios, muito mais pessoas para fazer e também, falando das novelas, por exemplo, o meio artístico é muito maior para sustentar. Ou seja, era mais nesse sentido, na questão do investimento ser maior. Não tanto falando das oportunidades, porque a inteligência artificial claro que é uma oportunidade, mas também ainda é preciso saber domesticá-la, entre aspas.

É verdade, mas isto está tudo a acontecer agora. A televisão, que tu estás a dizer, e bem, que é uma coisa que precisa de muitas pessoas, maquinaria, é tudo muito caro, é a realidade da televisão e por isso é que está a cair, porque é extremamente pesado e caro. Mas tu cada vez mais vês. Por exemplo, antigamente querias este estúdio que nós temos aqui e pensavas: "Nunca na minha vida, isto é muito caro". Hoje em dia vês um puto, põe uma mesa, dois microfones, mandou vir não sei de onde e consegue fazer. Hoje as coisas estão mais baratas, vem tudo muito mais barato e tu consegues produzir na mesma com menos quantidade de dinheiro. Portanto, não está nos conteúdos e no investimento no conteúdo, está na reforma de como se gasta esses conteúdos.

Olha, nós falávamos aqui há bocadinho do "Domingão". A Débora Monteiro, que também já esteve aqui no "Em 40 Minutos" há muito pouco tempo, deu uma entrevista e falou sobre o "Domingão" e revelou um certo tipo de De preconceito com o programa, que muitos pares veem se calhar com olhos diferentes e que já lhe disseram muitas vezes pra ela deixar de o fazer, que é algo que não a beneficia. Tu és um artista e a imagem que nós temos de ti é de alguém muito do povo e essa imagem dura há mais de 26 anos. Tu sentiste esse preconceito no Domingão perante as pessoas ou perante os teus pares ou foi algo que não aconteceu contigo?

Eu sinto preconceito de ser popular. Desde o início até agora, cada vez menos, porque ao longo do tempo as pessoas começam a me ver com outros olhos, afinal, esse gajo anda aqui há mais de 20 anos. Começam a ter esse respeito, que é quase obrigatório, se eu ando aqui vais fazer o quê? Vais me atirar um calhau à cabeça? Não vais. Tens que aceitar que eu ando aqui. É isso. Mas sempre senti esse preconceito, e sinto. Não no Domingão. O que eu imagino que a Débora disse é: os nossos colegas-

Sim

...como nós fazemos o Domingão, já somos os popularos.

Sim.

Lógico. Alguns colegas pensam assim. Outros não, mas há muitos que a fina nata é capaz de pensar assim.

Isso te chateia de alguma forma?

Não, meu amigo, isso é pra lá em que eu durmo melhor. Não, não me chateia nada. Eu vou te dizer, sabes o que é que me chateia? Chateia-me isto. Por exemplo, todos nós pagamos impostos, certo? Parte desses impostos vão pra cultura. Quando vai pra cultura, é distribuído pelas autarquias. Certo? Vou te falar, por exemplo, da cidade do Porto. Quando um artista popular atinge um patamar de mainstream, tem que ir pra salas com mais de mil pessoas. Certo?

Claro.

Dá-me uma sala na cidade do Porto com mais de mil pessoas que aceite um Fernando Rocha. Uma do Estado. Atenção, não estou a falar do Sá da Bandeira, que isso é privado. Não estou a falar do Super Bock Arena, que isso é privado. Não estou a falar do Coliseu do Porto, que isso é privado ou semiprivado. Estou a falar uma que seja do Estado, seja o Porto, seja o que for. E eu digo: "Eu sei que se eu quiser uma sardinha assada, eu não vou ao McDonald's". Agora, não me ponham só McDonald's na cidade. Deixem-me comer uma sardinha assada com um bocado de broa. Eu tenho que ir pra salas privadas porque o Estado não me dá isso. Mas peraí, mas o povo que paga impostos, gosta dos artistas dele e não pode ir às salas do Estado, porque aí é popular, isto não, porque tá lá um diretor que é engravatadinho e que depois vai pro bar do CCB e tal. "Ai, que eu trouxe não sei quem, não sei quem mais, eu não aceito aquele". Pagamos todos. Só deem-nos uma por cidade, não peço mais.

Tu falavas aí do conceito de ser alguém popular, e é inegável, és. Aflige-te que algumas pessoas te ainda associem muito ao estilo: "O Fernando Rocha é aquele que diz umas asneiras e é até um tipo engraçado".

Não, isso não me aflige, isso é o meu ADN.

E não negas de nenhuma forma.

Não, eu sou aquele gajo que as pessoas tenham a opinião que tiverem, por mim, tá tudo bem. Agora, a pessoa que diz que eu só ando aqui porque só digo uns palavrões, eu respeito, mas depois penso: "Se ela parar um bocado pra pensar, então qualquer gajo fazia esta vida, porque eu não vivo mal, graças a Deus". Olha, é bem melhor que ser eletricista, ó João.

Sim, foi como tu começaste.

Foi como eu comecei, orgulhosamente, mas prefiro muito mais ser humorista do que eletricista. E levo menos choques. Já viste? É só vantagens. Ou seja, se isso fosse só dizer palavrão, isso é uma pessoa que está a tentar reduzir um trabalho de 26 anos com provas dadas, que enchi casas de norte a sul, e orgulho-me muito disso, de ter um grupo de pessoas neste país, de várias gerações, que isso também me orgulha muito. E agradeço essas novas gerações muito ao Domingão, porque ao domingo, normalmente, os pais vão até os avós, deixam os meninos, vão ao futebol ou vão ali, não sei o quê, os putos ficam com os avós e os putos ficam a ver o quê? O que os avós querem. Estão ali olhando a TV.

Não é sempre o comando.

Ficam no telemóvel, mas tá ali o Domingão, pimba, pimba. Graças ao Domingão, eu ainda fui buscar uma fatia porreira, que de vez em quando eu sou abordado na rua por miúdos de 10, 12 anos, que isso é ótimo pra mim. Muitos chamam-me Jacinto, que é o personagem da novela.

Da Herança.

Da Herança. Depois eu começo a ter dificuldade, mas esse miúdo conhece-me das piadas, eu posso falar com ele de uma determinada forma. Se for da Herança, já é outra. Às vezes fico assim meio confuso, mas a verdade é que se eu ao fim de X anos consegui manter-me aqui, uma pessoa que diz que: "Ok, conseguiste só dizer palavrões", eu digo: "Então eu sou o melhor orador de palavrões deste planeta".

Falaste aqui da Herança, é um projeto que está a ter enorme sucesso na SIC e é uma personagem muito diferente daquela que tu fizeste no Amor Amor.

Muito. O personagem do Amor Amor, o Toquinho, poderia ser muito bem meu melhor amigo. Muito perfeitamente. O Jacinto, eu se o conhecesse pessoalmente, eu batia-lhe.

Pois.

Batia. Não sabe dar educação à filha. Mau colega, ele faz queixa dos colegas, que é uma coisa que eu abomino.

E tudo pra benefício próprio.

Tudo pra benefício próprio. Ele é tudo o contrário daquilo que eu defendo. Mas, por outro lado, não é um personagem cômico.

Sim.

Quando o Toquinho já era um bocado mais cômico.

Tem ali, às vezes, alguns traços, não é?

Sim, é uma coisa muito subtil. E para os diretores e atores, foi uma luta, porque eu tenho sempre a cena da comédia. É o meu ADN, e eles vinham: "Atenção, este personagem não é um personagem cômico. Atenção, ó Rocha". E eu lá tinha que me concentrar. E agradeço muito a A todos os diretores de atores que se cruzaram comigo nestas jornadas das novelas, seja no "Amor Amor", seja nesta da "Herança", porque se eu aprendi e cresci alguma coisa, foi à conta dos diretores de atores que tive na SP e de alguns colegas, como o Renato Godinho, que me ajudou muito. Margarida Carpinteiro, também tive conversas com a Margarida fantásticas, em que aprendi muito e isso é uma benesse. Portanto, eu sou um privilegiado de poder usufruir de conselhos desta gente com tanta experiência e com tanta sabedoria.

Houve aqui uma altura, não sei precisar há quanto tempo, agora vou fazer de ti um jogador de futebol, quase.

Queres que eu fale na terceira pessoa?

De uma possível transferência do Fernando Rocha da SIC para a TVI. E falava-se na altura de valores altos e tu preferiste continuar na SIC com os teus projetos, com aquilo que tens vindo a fazer ao longo dos anos. Falávamos há bocadinho da ingratidão. Essa gratidão que tu sentes pela SIC é um sentimento que também mostra muito do homem que és e que está patente muito também na tua ligação familiar com os teus filhos, com a tua mulher. Já lá vamos também à questão da família, que também é muito importante na tua vida, mas é de facto o valor mais importante e que tu prezas na tua vida.

A única coisa que eu levo comigo pra minha cova quando eu morrer, e nem sequer dá pra deixar de herança para os meus filhos, é a minha honra, a minha palavra, a minha dignidade. É a única coisa que eu tenho que proteger até o fim da minha vida. E aquilo que eu pensei foi simples, não tem nada a ver com estratégia, nem com dinheiros, nem nada. Eu pensei: "Veio-me uma proposta". Disseram: "Vamos", eu disse: "Não, vamos apresentar à SIC a proposta que eu tenho e vamos ver se se consegue igualar". Não se conseguiu. Disseram esta frase só: "Isto pra ti é uma maratona ou é uma corrida de 100 metros?" Eu disse: "É uma maratona". Se tivesse 60 e tal anos, ou 70, se calhar, aproveitava aquela guita. Olha, faço esta coisa três anos, já reformo-me e pego na minha mulher e vou correr mundo, que é o que eu quero fazer. Quero pegar na minha mulher, meter-me aí num barco e andar a curtir. Olha o conselho do Velhote: cada viagem que tu fazes é a mesma coisa que leres uma página de um livro chamado mundo. Eu sei que não vou ler todas as páginas, mas o máximo que puder ler, eu vou lê-lo.

Metes-te aí num cruzeiro e vais.

É isso que eu queria. E estou a lutar pra isso. Quero pôr a minha vida estável, deixar os meus filhos. Já estão todos bem. Mulher, vamos embora.

Não sei se queres terminar este tema, mas ia te perguntar se pensas no conceito da reforma, que foi agora um tema que introduziste.

Sim, o meu sentido de reforma não é o não querer fazer.

Não é parar completamente. Exato.

Não. É só selecionar aquilo que me faz sentir mais novo. Qualquer proposta que me venham pôr à frente, que me faça sentir mais novo, de: "Ei, vamos começar um projeto novo", eu aí vou aceitar. Porque depois eu quero estar financeiramente bem pra dizer assim: "Epá, não me apetece, não quero ir, não vou". E depois pegar nesse tempo de sobra, pegar na minha mulher e conhecer o mundo.

Ganhar mundo, não é?

Ganhar mundo. Mas eu estava a falar de outra coisa.

Estava a falar da tal proposta e da questão da maratona, da corrida de 100 metros.

O que acontece aqui? Eu pensei: a SIC é uma casa que pôs comida na minha mesa, que alimentou a mim, a meus filhos e a minha mulher durante 20 e tal anos. Isto não pesa?

Foi simples.

Tem que pesar. Não tenho isto pra dizer daquela família. Pra mim é uma família. Tem que pesar. E eu não posso estar por uma cenoura à frente do burro que vou comer aquela cenoura. Ok, e agora a cenoura acabou. Passaram os três anos de contrato, e agora? A tua palavra, a tua dignidade, a tua honra, cuspiste no prato em que comeste. Pior do que cuspir no prato em que comeste, é teres que comer no prato em que cuspiste. É bem pior. O problema é esse, que as pessoas só pensam no agora. "Eu agora ponho já e ponto". E depois? Onde é que está a tua honra, a tua palavra, o teu reconhecimento, a tua gratidão, aquilo que faz com que as pessoas realmente te admirem como pessoa e não como artista, mas dizer assim: "Eu com este gajo vou à vontade de trabalhar, porque eu sei que este gajo defende uns valores, uns princípios, que jamais vai fazer qualquer coisa de errado". É simples.

Falavas aqui de família. Família SIC. Agora, da tua família. O que a tua família vê no Fernando Rocha ou no Fernando, que o público não vê?

Vê uma criança meia chanfrada da cabeça com poderes pra fazer coisas e ficam todos: "Olha, lá vai o maluco, já se meteu-se noutra coisa". Quando chego à beira da minha mulher e digo assim: "Amor, tive uma ideia", ela começa logo: "Ah, vai sobrar pra todos". Porque às vezes eu meto-me em projetos que depois isso respinga pra toda a gente, dá trabalho pra toda a gente, graças a Deus. E eu tenho essa cena, que é, eu se não tenho trabalho, eu crio, eu invento os meus trabalhos. Eu organizo uma convenção de tatuagens. Isto não cabe na cabeça de ninguém, mas há 10 anos que a gente organiza e estou orgulhoso. Na semana passada fui à de Paris só pra ver, porque era a última edição que o Tintim ia fazer. Fui lá só pra ver como é que era, sentir. Meto-me em várias coisas. Eu gosto de coisas que me deem pica, de coisas novas, que me deem vontade, que façam-me sentir que estou a começar algo de novo.

Se há coisa que tu mostras muito orgulho é na questão da tua família e nas estruturas familiares que tens. Acreditas que se não a tivesses tão forte, tão coesa como tu também a construíste com a tua mulher e com os teus filhos, a tua carreira teria sobrevivido também a todas estas transformações que teve e todas as oportunidades que surgiram?

Não sei. Eu acho que não. Eu acho que eu iria me perder, porque eu sou um Peter Pan, eu sou uma criança. Tu deves estar a falar com o gajo mais cabeça no ar do mundo. Tu combinás comigo uma coisa e eu daqui a 10 minutos já não me lembro. Tem tudo que ser falado com a Sónia. Tudo que for agenda é com a Sónia. Se forem programas, reuniões, etc, ir a alguns sítios, tem que ser com o Ilídio. Então há uma equipe aí entre o Ilídio e a Sónia que não falha nada, aquilo é um filtro, não escapa nada. É raro.

Estás bem rodeado.

Estou bem rodeado. Essa é a minha safa. Agora imagina que tu tiras-me este apoio. Não me peçam pra ser um gajo responsável. Ponham pessoas responsáveis ao meu lado e deixem-me ser só criativo, ter ideias e fazer coisa. Depois o resto: "É preciso as licenças", é tudo com o Ilídio. Ele é que é o homem da burocracia e ele faz acontecer. Eu acho que toda a gente devia ter um Ilídio na vida, até o Ilídio. O Ilídio devia ter um Ilídio.

Estamos a chegar aqui ao final do nosso tempo. Voltamos à sensibilidade. Tu és um homem sensível. Aliás, é patente ao longo desta conversa essa sensibilidade em muitos temas que falamos. Alguém que tu sintas mais saudades num percurso de 26 anos em que tanta coisa aconteceu, muita coisa boa, com tantos projetos, agora estes últimos, que acho que te fazem sentir também um homem muito realizado. Alguém que sintas mais saudades neste momento?

É o meu pai. O meu pai, sem dúvida nenhuma. Mas tenho a sorte do meu pai ter assistido ao arranque da minha carreira até chegar ao mainstream. Ele ainda cá estava e assistiu a isso tudo. Depois disso, ele morreu em 2013, fiz projetos maravilhosos, ele não assistiu aos meus 20 anos de carreira, não assistiu a muita coisa. Agora tudo que eu fizer daqui pra frente vou ficar com pena, lógico, dele não estar cá. E muitas vezes eu precisava tanto de lhe dar um abraço, de lhe pedir um conselho, porque ele era mesmo, realmente, meu mestre de vida. Estes valores e princípios que eu defendo, não foi numa raspadinha que eu encontrei.

Se hoje pudesses sentar-te com ele, o que achas que ele te diria? Afinal, foi em 2013, passaram agora 13 anos, ou vai fazer agora, daqui a pouco, 13 anos, o que achas que ele te diria?

Punha-me a mão no ombro e dizia: "Não digas tantos palavrões". Era o que ele dizia. Ele adorava, mas dizia: "Não é preciso tanto".

Essa saudade.

Era o que ele me diria. Com aquele bigodezinho todo arrebitado a sorrir, e ele era muito fixe. Temos pena.

Mas ficam as memórias, acima de tudo, e tenho certeza que te lembras muitas vezes dele, até mesmo quando sobes ao palco. Certeza que está sempre lá essa imagem.

E agora nestas histórias que eu vou contar do meu solo.

Claro.

Deste meu solo que vai haver agora no dia 21 de fevereiro. O primeiro dia em Guimarães, eu prometi àquela gente que ia a Guimarães.

Que é o berço de tudo.

Que é o berço de tudo. Às vezes eu entendo o que vai na cabeça de um vimaranense por eles serem assim tão: "Aqui não há casas do Porto, nem do Benfica, nem do Sporting". Porque eu penso assim: onde é que nasceu o país? O berço da nação. Foi Guimarães. Ok, devia ser a capital de Portugal. Não, é Lisboa. Ok, então somos a capital do Norte. Não, é Porto. Ok, vamos ser a capital do distrito. Não, é Braga. Eu no lugar deles também ia ficar com mázia do caraças. Não tiveram direito a nada, coitados.

Vamos só recapitular as datas desses espetáculos que aí vêm. 21 de fevereiro é o primeiro em Guimarães, depois segue Almada, Viseu, Leiria, Braga, ainda voltas novamente ali perto de Guimarães, a Braga, Covilhã, Porto e Lisboa. A última data é dia 4 de julho em Lisboa. Portanto, ainda têm tempo pra comprar bilhetes, mas se fosse a si tratava já. Não é?

Sim, é melhor. Em algumas já estão quase esgotados.

É perceptível. Só mesmo pra terminar, o que ainda há do homem do Porto e que nasceu no Porto, que se formou no Porto, em ti? Há bocadinho falávamos do hipócrita, mas o que ainda há da cidade do Porto em ti?

Uma coisa que não desgruda de mim, tipo lapa agarrada a uma rocha: o sotaque. Nunca consigo. E isto é mau pra mim, pra fazer novelas. Não é novelas, é novela.

Novelas.

Não consigo, amigo. E depois digo: "Nunca consigo", é não consigo, mas não sei, se eu falar à vontade, vai sair assim. E isso é uma coisa que ficou. Depois, há uma coisa que eu noto muito diferença do Norte pro Sul, que é: tu no Norte tens uma coisa que é se, por exemplo, a minha mãe não for à pastelaria dois ou três dias seguidos, ao quarto dia alguém vai bater à porta saber se está tudo bem. E aqui em Lisboa não é bem assim, às vezes as pessoas vivem ao lado uns dos outros e ninguém se conhece, ninguém sabe quem são.

E no Porto chamas as pessoas pra casa, não é?

Sim, e eu aqui em Lisboa, que eu tive uma casa, aluguei casa aqui na altura das novelas, eu alugo casa porque vou gravar de segunda a sexta, não vale a pena estar a fazer piscinas. E eu convido muita gente pra vir na minha casa, porque é uma cena que eu já trago lá do Norte. Portanto, é uma coisa que também ficou comigo do Norte. O sotaque, esses hábitos de chamar amigos lá pra casa, que é uma coisa muito comum, e valores e princípios.

E o homem que és hoje também se deve muito a-

A cultura, sim

...a essa cidade.

Sim, muito.

Que te viu nascer.

Que me viu nascer, sim.

Fernando Rocha, muito obrigado por teres vindo aqui ao "Em 40 Minutos".

Obrigado eu, João. Muito obrigado e um abraço pra todos.

Seguir-te nas redes sociais para acompanhar todas as datas, porque se calhar ainda vamos adicionar aqui mais datas extra. Vamos ver. É possível, o Ilídio que está aqui conosco está a acenar que sim. Portanto, é bem possível.

É só irem a Rocha Comedy no Instagram e nós vamos pôr todas as datas, está tudo explicado e a malta se quiser assistir. Ainda vai haver mais datas que nós estamos a querer fechar. Eu queria ir a Portugal todo Incluindo ilhas.

Isto também.

Queria ver se conseguia. Também. Mas pelo menos Portugal todo eu gostava de fazê-lo. Ilhas, ir à Madeira, ir aos Açores, não sei se conseguir ir a todas as ilhas não vai ser fácil, mas tentar fazer o território todo e depois se sobrar ainda tempo, porque queria fazer isto durante o ano de 2026, se no meio arranjar umas datas que seja possível a algum dos meus empresários do estrangeiro querer fazer isso ou nos Estados Unidos ou no Canadá, a gente vai.

Tu há bocadinho falavas da questão do sotaque e nós em rádio temos muita tendência de, uma vez que estamos numa conversa, a cada pergunta, dizer o nome da pessoa. E as pessoas às vezes acham-nos um bocadinho tolinhos, porque parece que estamos a dizer: "Estamos a falar com o Fernando Rocha". Mas eu tenho a certeza que qualquer pessoa que tenha entrado ou esteja agora a ouvir-nos no carro, ou que nos tenha apanhado agora na rádio e não saiba que era o Fernando Rocha, percebeu logo que eras tu. Isso também diz muito.

Eu vou te confessar uma coisa que já me aconteceu. Numa destas viagens que a gente faz Porto-Lisboa, Lisboa-Porto, a gente parou numa estação de serviço e eu fui à casa de banho. Fechei a porta, mas o trinco não estava lá.

Sim.

Estava partido e eu só fiquei a segurar com a mão. De repente, alguém tenta empurrar a porta e eu estou a segurar. E a pessoa volta a tentar empurrar. E eu pensei: "Então, já viu que está gente, por que está a tentar empurrar?" E só disse: "Está gente!"

E percebeu que eras tu.

E o cara disse: "Ei, olha o Fernando Rocha está na casa de banho". Eu só disse: "Está gente". Fui apanhado por duas palavras.

Isso diz muito. Muito obrigado, Fernando Rocha. Um grande abraço. Muito sucesso. E que faças Portugal inteiro e ilhas incluído. Vai acontecer.

Muito obrigado, João. E eu num desses espetáculos faria muito gosto de te ver a ti e à equipa da Rádio Observador.

Estarei lá.

É só dizeres quantos bilhetes necessitas, fala aqui com o Ilídio que ele trata disso. Eu prometo que ele trata disso.

Obrigado, um grande abraço.

Obrigado.