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É natural de Coimbra, mas veio para Lisboa estudar Musicologia. No entanto, foram os pais que o empurraram para a música. Por ele, teria ido estudar gestão e ganhar dinheiro. Estreou-se em 2015, participou no Festival da Canção, subiu a vários palcos de norte a sul do país e acaba de editar mais um disco. Músico, compositor e supostamente amante de poesia. Hoje recebemos Janosh na Rádio Observador. Bem-vindo.

Bem-vindo, Janosh.

Obrigado, Filipa. Obrigado, André.

Obrigada por estares aqui conosco. Vamos começar por uma coisa que eu disse aqui na introdução. Vamos ter tempo pra falar do teu percurso na música, mas gostava de começar pela poesia. Numa entrevista, disseste que gostas muito de poesia. É verdade?

É verdade.

De onde é que vem esta paixão?

Acho que vem do meu pai.

Era poeta ou gostava de ler?

Ele gosta muito de ler, mais prosa, mas eu entrei mais na poesia. Quando começo a estudar música, eu tenho uma cadeira que se chama Estudos Pessoanos e começo também a estudar mais o Fernando Pessoa e entro muito na cena do Fernando Pessoa.

Nunca pensaste em fazer uns heterónimos também?

Já pensei. Aliás, tenho aqui umas coisas feitas, porque eu acho isso muito curioso, que podemos falar também mais à frente. Acho isso muito curioso, essa cena de me desdobrar em vários gêneros. Mas começo a entrar em Fernando Pessoa e começo a entrar no Mário de Sá-Carneiro. Curiosamente, o Mário de Sá-Carneiro é uma influência para este disco, eu me influencio num poema dele que é o "Quasi", porque este disco fala muito desse sentimento de ficar aquém. E esse poema do Mário de Sá-Carneiro diz: "Um pouco mais de sol eu era brasa, um pouco mais de luz eu era além. Pra atingir falta-me um golpe de asa, se ao menos eu permanecesse aquém". E o disco fala muito deste sentimento de fugacidade interna, que eu acho que está muito presente em todos nós, principalmente na nossa geração. Acho que nós somos todos de uma geração, 30, não é?

Calma, eu também, quer dizer.

Calma, ainda não chegámos.

Eu assim: "uhum".

Eu ainda fiquei calado uns segundos, mas depois senti a necessidade de: "Quer dizer, também não vamos..."

Mas pronto, mesma geração. Estou com 25 aos 30.

Quem já não tem desconto pra pagar o passe, pra mim já é mais velho.

E no fundo, vem um bocadinho daí. Este disco surge um bocado dessa síntese de sentimentos mais dark, que eu acho que a cidade puxa, e que se encontra em muita poesia, especialmente nossa. Estava a falar de Mário de Sá-Carneiro, na Florbela Espanca também.

Gosto muito.

Que eu também adoro. Aliás, eu musiquei um poema dela que se chama "Fanatismo".

Sim. Vi aqui na pesquisa que fizemos.

Mas pegaste aqui num ponto que é essa questão do ficar aquém. Obviamente que todos nós, em algum ponto da nossa vida, já nos sentimos ou vamos sentir aquém. Tu sentes-te aquém também? A minha questão é: por que esta escolha do tema? É porque tu nos últimos tempos tens te sentido aquém?

Sim, não só nos últimos tempos. Eu acho que é um reflexo do imediatismo da nossa sociedade. Esse sentimento de I'm not enough. Eu não sou suficiente. Eu não chego. Eu não chego pra toda a informação que tenho que abarcar. Eu não chego para todas as coisas que queriam que eu soubesse. Eu não chego para tudo isso. No fundo, eu tô só a ser vulnerável e a ser frágil com os outros e a expor um sentimento que eu acho que toda a gente tem. E no final dos meus concertos, muita malta da nossa geração vem me dizer isto, vem me dizer: "Pá, tu consegues descrever uma coisa que eu sinto internamente e que eu não consigo pôr em palavras".

Isso é um elogio tremendo.

Exato, é isso mesmo.

No fundo, é isso, é como é que eu tento sintetizar o que nós sentimos. Porque a nossa geração é tão complexa, por causa da globalização, por causa desse imediatismo que estávamos a falar, por causa da facilidade de informação. Antes de entrar pra aqui, estávamos os três a falar sobre o Spotify, e o quão louco é termos toda a informação do mundo ao mesmo tempo e quanto é que isso nos dispersa ao mesmo tempo.

É do gênero, é ótimo termos acesso a tanta informação, mas por outro lado, tem uma vertente muito negra.

Tem.

É isso. Mas olha, Janosh, vamos aqui até Coimbra. Tu nasceste e cresceste por lá. E dizes que cresceste com muita música, ou seja, no carro, e que em casa vocês tinham uma aparelhagem, não era? Que o teu pai meio que te obrigava, entre aspas, a ouvir as coisas que estavam a dar.

Sim.

O que é que ouvias e que memórias é que guardas desses tempos?

Olha, eu lembro-me de ouvir muito rock. A cena de, por exemplo, ouvir Beatles, ouvir Lou Reed, isto mais do lado do meu pai, esse rock e às vezes também coisas psicadélicas. E depois do lado da minha mãe, mais a cena da bossa, mais a cena da MPB, que eu também levo e que também tá presente na minha música. Se calhar o Caetano, o Milton, muita coisa da Gal Costa também. Essa vertente mais MPB. Mais música popular brasileira. No fundo era isso. Eu lembro-me de estar em frente a essa aparelhagem, no colo do meu pai, e ele a meter som e eu a ficar com aquilo tudo de alguma forma. É engraçado tu teres começado a entrevista com essa ideia, já não sei onde é que disse isso, essa cena de por mim ia para Gestão fazer dinheiro, porque isto aconteceu mesmo. Só para dizer que estás mesmo certa.

Estamos bem.

Completamente. Eu falava mesmo nesta ideia de que claramente um artista não vai conseguir fazer dinheiro, especialmente num país, num mercado tão pequeno como Portugal, o que é que eu vou fazer? Mas de repente eles apoiaram-me no sentido de me darem esse salto. Ou seja, não foi um apoio financeiro, nem nada, foi um apoio moral.

Claro.

De dizer: "Vai para a frente com esse sonho". E isso foi determinante.

Isso é incrível.

Isso foi determinante mesmo, porque eu aí disse: "Ok, então se calhar vou tentar".

Mas isto desde muito pequenininho, não é?

Não tão pequeno. Na altura de entrada na faculdade.

Ok.

Nessa altura superconfusa também, superdispersa, em que nós estamos a decidir todo o nosso futuro em três anos. No Multim ia dizer fazer testes psicotécnicos.

Certo. Mas nesta altura chegaste ainda a concorrer a uma vaga para o curso de Gestão?

Não.

Portanto, abandonaste mesmo a ideia por completo.

Sim, mas estudei Economia, ou seja, no secundário estudei Economia e depois a ideia era mesmo ir para Gestão ou Economia.

Mas quais eram as tuas ambições? Eras daqueles miúdos que dizia: "Eu quero é ser rico e quero ser empreendedor"?

Não. Empreendedor se calhar sim. Nunca ambicionei essa coisa de ter muita coisa. Essa coisa materialista de vou ser rico, ou vou deter muitos bens. Até porque eu tenho um lado um bocado comunista, que não é a minha vertente ideológica política.

Uma costela.

Sim, tenho ali uma costela que, por exemplo, na propriedade privada, que a mim não me faz sentido estar a comprar uma casa ou um carro. Para mim isso não me faz sentido. Eu gostava é de ter a possibilidade de ter acesso a, mas não de ter o bem.

Portanto, para ti isso do dinheiro nunca foi um goal.

Não. Respondendo à Ana.

Foi mais a cena de se calhar ser mais empreendedor, mas depois a música apareceu.

Exatamente. E eu estou cá por fazer a mesma coisa um bocado, porque o projeto Janeiro tem que ser gerido por mim e tem montes de vertentes. Quem é que vai mixar a minha música, quem vão ser os músicos que estão na minha banda, como é que eu vou chegar às pessoas, qual é a estética. Então, de repente, também estou a fazer isso um bocadinho e a fazer essa gestão.

E há pouco tu disseste-nos que até és tu que geres as tuas próprias redes sociais, não é?

Exatamente.

És tu que normalmente fazes toda essa gestão. Claro que a tua equipa obviamente também te ajuda.

Sim.

Mas és tu que tens a gestão da marca Janeiro.

A decisão final, sim.

As ideias e a decisão final também.

Olha, indo aqui ainda para a parte da tua infância, estavas a dizer que os teus pais tiveram um papel muito importante. Foram eles também que te deram esse empurrãozinho, de certa forma. Esse incentivo começou também com as aulas de piano que começaste a ter aos oito anos.

Como é que vocês descobriram isso?

Nós parecemos uns stalkers.

Vocês são diggers mesmo.

Mas tu detestavas essas aulas na altura.

Eu detestava essas aulas porque eu não percebia porque é que estava ali. Eu acho que os pais põem os filhos em coisas para divertir os filhos, para tirarem os miúdos.

Era tortura.

Tipo, agora tens que ir para a música, tens que ir para o futebol, tens que ir para não sei o quê. Vais fazer qualquer coisa para passar tempo. E eu fui fazer isso. E curiosamente estava com um professor que era pianista da Quinta do Bill. Vocês sabem a Quinta do Bill?

Sim.

Cantava estas .

Fixe.

Pronto, e eu estava com o pianista, nada contra ele, achava-o um ser humano incrível.

Sim, e deve ser um pianista fantástico também.

Deve ser um pianista fixe, mas eu é que estava completamente desligado daquilo e estava fora. Então não percebia porque é que estava a aprender melodias, nem porque é que estava a aprender a tocar numa cena com teclas.

Mas depois uns anos depois, aos 13, foste para as aulas de guitarra. Aí já foi um bocadinho diferente, não é?

Sim, eu já estava interessado.

Já foi para uma cena mais positiva.

Exato. Foi para aí 13, 14, exatamente, e eu já estava interessado em. É a única forma para eu fazer alguma coisa, porque se eu não estiver interessado na coisa, estou completamente desligado daquela coisa, não consigo fazer. E aí é que eu acho que começa mesmo o meu processo na música, porque eu aí começo a fazer canções em inglês. Tinha uma banda, que eu tenho um bocadinho de vergonha de falar.

Tens? Diz, vem aí.

Não, por favor, conta.

Conta-me tudo que for cringe sobre ti.

Eram os The Carpets, com amigos de Coimbra. Não vão pesquisar, por favor.

Era isso que eu estava a fazer neste preciso momento.

Não, eu apaguei tudo o que houvesse de The Carpets para não haver essa cena.

Já ia perguntar: "Há no YouTube, no Spotify, alguma coisa do género?"

É assim, por acaso aparece uma banda chamada The Carpets, mas não me parece que não.

Acho que o Janeiro encarregou-se de apagar mesmo tudo.

Mas são portugueses. From Portugal, based in Paris. Portanto, um abraço para os The Carpets.

Se os estiverem a ouvir. 200%.

Pronto, e eram amigos meus, que também estudavam Economia no secundário e que também estavam comigo, que estavam a sonhar comigo, mas depois eu é que fui o único que segui essa ostentação.

Entretanto, também aprendeste a tocar piano.

As bases de piano.

Sim, exato, com o pianista aqui do lado. Eu normalmente digo que não sou pianista, mas às vezes apareço ao vivo a tocar. Mas é uma coisa mais para suportar a canção, para suportar a voz ou para levar uma canção, isso consigo, mas não consigo improvisar no piano.

Certo.

Percebo. Olha, voltando aqui ainda àquele bocadinho àquela tal frase do querias estudar Gestão e ganhar dinheiro, tu hoje consegues imaginar-te a fazer outra coisa? Se não fosses músico, o que é que estarias a fazer?

Não sei o que era, mas consigo imaginar-me a fazer imensas coisas. Um bocado de tudo.

É que por norma há aquela malta que é do tipo: "Não, eu não me consigo imaginar a fazer outra coisa".

Não, mas isso não retira que eu não viva parte. Porque às vezes as pessoas ficam naquela coisa: "Eu só sei cantar ou só sei tocar, e por isso eu não vou mesmo fazer mais nada da vida. Não esperem mais nada de mim". Não é isso. Imagino-me na boa a fazer outras coisas, mas por acaso nem sei o quê.

Mas era como me dizias há pouco, o Fernando Pessoa, os vários Janeiros, vamos dizer assim.

Exatamente.

Que num deles, se calhar gostava de fazer outra coisa. Multiplicar.

Sim. Olha, por exemplo, essa parte da gestão das coisas, eu acho piada. Ou, por exemplo, a parte criativa das coisas, sentar-me numa agência de publicidade a discutir ideias, acho isso incrível.

Algum dia se fartares da música, esperemos que não aconteça, mas se acontecer.

Não, e até acontecer em paralelo. Eu acho que um artista hoje em dia faz tanta coisa ao mesmo tempo. Nós estamos a pensar em manobras de marketing, como estamos a pensar em fotografia, como estamos a pensar em vídeos, em comunicação, em chegar às pessoas, portanto, é um bocadinho de tudo.

Mais tarde, aos 17, 18 anos, deixaste Coimbra, não foi? Vieste aqui para Lisboa.

Exatamente.

Vieste estudar. Estiveste no Hot Club de Portugal, estudaste jazz, estudaste Musicologia na FCSH, depois ainda tiraste um mestrado em Comunicação e Artes. Na altura dizias que eras um performer, mas não sabias nada sobre artes performativas. Tu sentes que hoje em dia, depois de toda esta formação, já te sentes um performer?

Um artista mais.

Sinto que ganhei essa liberdade em palco. Sinto é que, disseste super bem, estava preocupado com ter as bases. E perceber o que estava a fazer em palco e de levar algum conteúdo para cima do palco, para não ser só forma. Eu sinto que o mundo é um bocadinho só forma.

E qual é que é a diferença entre ser um cantor/músico e ser um performer? Essas bases que tu querias ir buscar.

Lá está, tu estás um bocadinho a fazer as duas coisas em simbiose quando estás a fazê-lo. Mas perceberes o que estás ali a fazer e qual é o teu papel e o que estás a transformar nas pessoas e o que é que queres trazer, muda a intenção com que o estás a fazer. E isso para mim acho que é o mais importante, a intenção com a qual estou no palco. Para não estar só a divertir ou só a fazer pensar. E eu acho que o curso de Performance e Artes também me trouxe isso, mas só para te retificar, eu não acabei, ou seja, eu tenho a pós-graduação. Por quê? Porque o Salvador Sobral convida-me para o Festival da Canção.

Pois foi.

E então eu não acabo o mestrado.

O pé de Salvador Sobral.

Exato. Sal, se estiveres a ouvir, faz-me ir acabar o mestrado. Não, e eu acabo por ter que ir abraçar tudo aquilo. Exatamente, esse desafio, porque eu depois já tinha um disco preparado, que é o "Fragmentos", que é o meu primeiro LP, e de repente aquilo começa tudo a acontecer em avalanche.

Pois é isso, foi ali o desbloquear, depois do nada veio tudo. Mas olha, aqui destes tempos de estudo, que amizade é que levas desses tempos, dessas alturas?

Muitas.

Muitas.

Olha, por exemplo, eu estudava com o Manuel Palha dos Capitão Fausto, uma amizade que levo desde aí, com o Ricardo Andrade também, que levo desde aí, o Adriano Nogueira, que é um pianista incrível, e outras pessoas que ainda me encontro para tocar e para trocar ideias. A outra pessoa que era o Eduardo Pereira, é o Eduardo Pereira, que é o bandolinista, e que me ajudou imenso a aprender harmonia. Eu sinto que aprendi mais harmonia a beber copos com o Edu do que nas aulas de harmonia.

É muito complicado. Harmonias é uma desgraça.

E também foi um amigo, que estamos aqui a falar de amigos, foi um amigo pelo que percebemos também do teu curso que te incentivou, deu mais esse empurrãozinho, a gravar umas canções que tinhas na gaveta. E foi a partir daí que depois gravas o EP de estreia.

É verdade.

"Janeiro". Por que a escolha deste nome Janeiro? Qual é que foi o porquê?

Não, olha, primeiro falo sobre esse amigo, Samuel Martins, que ainda há poucos dias estive com ele e ele esteve na apresentação do meu álbum e é uma pessoa que está sempre comigo e eu com ele. Pessoa que levo mesmo para a vida e que me deu esse empurrão no início, em que eu não fazia ideia do que ia fazer e depois descobri que ele também não sabia.

Isso ajuda.

Sim, e lá está, no fundo é isto.

Deu-te aqui um bom empurrãozinho e correu bem.

Sim, total. Foi um bocadinho aquela pessoa que me disse: "Olha, estou a ver de fora e tu tens aqui canções que fazem sentido gravar, quero ver gravar". E de repente estamos em casa dele, no quarto, com um Windows, ele a abrir o Ableton, meio sem saber como é que aquilo se grava e meio a tentar comigo e os dois a descobrir o programa. E foi um bocado esse processo.

Que bom. E este EP de estreia depois levou-te logo a vários palcos. Tu passaste pelo Nossa Live, Bons Sons, o Vodafone Mex Fest. Como é que foi a reação do público à tua música?

Foi muito boa.

É que tu lançaste, depois foste logo dar concertos, como é que a malta te recebeu?

Foi incrível. E eu guardo também um amigo na memória, que é o António Avelar Pinho, que foi a pessoa que me apresentou ao Henrique Amaro e por isso é que eu depois também entrei no Novos Talentos Fnac. E tudo isso também aconteceu de uma forma super bonita. Foi um processo super inesperado, porque eu não sabia como é que o público ia reagir às canções. Ainda por cima o EP já se desdobrava nos dois lados que eu tenho e que vocês devem sentir quando ouvem a minha música, que é um lado mais da canção e um lado mais eletrónico.

Sem dúvida. Que é uma boa mistura.

Sim. E então eu desde o início que falo disso e que trago isso às pessoas, essa coisa de eu gosto muito de canções, mas eu estou sempre a ouvir house, estou sempre a ouvir techno. E as pessoas: "Mas como assim? Tu ouves o João Gilberto e o Kaytranada?" É isto.

E misturas os dois.

Exato. Desculpem, estamos no pós-modernismo. Estamos a ver, é um bocadinho isto.

É vamos buscar um bocadinho de tudo. Olha, Janeir, se calhar vamos ter de fazer aqui uma pequenina pausa para atualizar as notícias. Já voltamos à conversa com o Janeir. A segunda parte vem em 40 minutos. Até já.

Até já.

Segunda parte do Em 40 Minutos na Rádio Observador. Esta semana estamos à conversa com o Janeiro. Bem-vindo mais uma vez.

É verdade. Obrigado.

Janeiro, antes e depois do teu EP de estreia, que foi em 2015, depois em 2017 criaste Janeiro Sessions. Cantavas, tocavas, conversavas com os teus amigos em tua casa. Recebeste Salvador Sobral, Ana Bacalhau, Tiago Nacarato.

Grandes amigos.

Grandes amigos. Não tem um mau grupo de amigos.

São uns amigos especial.

Numa dessas conversas com o Salvador, percebemos que és uma pessoa que parece levar a vida com leveza. Isso comprova-se. Isso transparece na tua música.

Sem dúvida. Eu tento.

Tentas fazer isso.

Transpareça e tento levar a vida com a máxima leveza possível. E há um dos refrães deste novo, que foi Cidade, que diz: "Olha pra vida com leveza, é pura, não há razão pra ela ser tão dura. A decisão de bom e mau é tua, olha pra vida como olhas pra lua".

Uau!

E eu acho que já vem desse tempo em que nós falávamos muito disso, dessa decisão de tu levares a vida um bocadinho interna.

Claro.

E então sim, tento ao máximo levá-la com o máximo de leveza e passar essa leveza para os outros.

Não és uma pessoa que faça muitos dramas sobre as coisas. Levas as coisas com-

Depende das coisas também.

Com tranquilidade.

Depende das coisas.

Às vezes a vida também precisa de um bocadinho de drama.

Sim, precisa de drama e nós não gostamos de traumas, mas também precisamos de traumas para crescer e para ganhar maturidade, eu acho. Acho que é importante.

Mas depois convém tratar esses traumas.

Sim. E levá-los com leveza também.

Exatamente.

Exato.

Aqui em 2018, houve participação no Festival da Canção, falámos disto na primeira parte. Foi a convite do Salvador, Salvador Sobral, não foi?

Exatamente.

Gostaste de participar? Foi uma boa experiência?

Gostei muito de participar e acho que deu para fazer refletir o que eu era. Foi uma luta para fazer aquele cenário tão minimalista, que não sei se vocês se lembram, eu fiz um cenário assim só com um foco.

Desde o título da música, sem título.

Exatamente. Só para explicar, isso veio um bocadinho da ideia de que o Sal já tinha feito tudo. Ou seja, eu não achava realmente que eu fosse à Eurovisão e que fôssemos tentar ganhar outra vez, porque foi tão impactante o que ele fez, foi tão bonito e trouxe tanto às pessoas e foi num momento tão específico da vida dele, que eu pude acompanhar também. Que eu pensei: o que eu posso trazer é o mais minimalista possível. E foi desde o título até eu tentar cantar à capela, que depois não deu, teve que ser com a guitarra, mas eu queria cantar aquela canção à capela, sem nenhum acompanhamento.

É complicado.

Sim.

É um challenge um bocadinho maior.

Ya. Mas acabou por sair exatamente como eu queria. E depois essa canção também integrou o Fragmentos, o primeiro LP. E então foi um reflexo mesmo do início da minha carreira.

Eu lembro perfeitamente de estarmos a ver em casa o festival e lembro-me de começarmos a rir porque tu começaste a comer uma banana durante a entrevista.

Sim, houve esse momento também. Eu tive um momento um bocado Andy Warhol, meio performativo.

Performativo, em que sentido? Já tinhas a banana preparada pra comer.

Ela estava preparada pra eu comer. Eu não sabia que eu ia comer em direto. Por isso é que é performativo, porque de repente aquelas perguntas, a Inês Lopes Gonçalves, já agora um beijinho pra Inês, começa a fazer aquelas perguntas e tudo mais e eu: "Epa, fogo, não vou ser aquele cara do 'então muito obrigado ao júri, foi espetacular estar aqui a participar' e comi uma banana". E foi assim um momento meio Andy Warhol.

Eu gostava de te perguntar, obviamente que toda gente que participa no Festival da Canção quer ganhar, mas acredito que não seja o objetivo principal. Mas o facto de teres chegado ao Festival da Canção a convite do Salvador Sobral, que é o Salvador Sobral, é o, acho que podemos dizer, o senhor Eurovisão, tendo em conta que ele ganhou, isso deixou-te alguma pressão na altura? Ou seja, notavas que as pessoas estavam se quer a olhar de forma mais concreta pra ti, tendo em conta que tinhas o selo de aprovação?

A segunda parte do que disseste, sim, estavam a olhar e por isso trouxe-me essa responsabilidade, mas não por causa de ganhar ou perder. A responsabilidade não vinha dessa de: tenho que ir lá ganhar, ou tenho que ser visto. Não, ou seja, vinha de uma pessoa que é muito importante pra mim me ter apontado para ir. No fundo, é isso.

Mas notaste que as pessoas estavam mais, se calhar, atentas a ti?

Sim, totalmente. E daí é que vem aquela coisa marada da banana. De saber que as pessoas estão a olhar e de querer fazer uma coisa desconstruída e deixar que isso ia falar mais alto sobre a minha arte e depois aquilo ter tido uma repercussão, de repente aquilo teve três semanas trending no Twitter, memes e não sei o quê. E muitas pessoas a achar aquilo péssimo, como se fosse uma falta de respeito, e outras pessoas a achar inacreditável, porque falava sobre a minha arte.

Teve este impacto.

Sim. E, no fundo, foi uma coisa que eu depois fiquei um bocado: " epa, fogo", mas é que eu levo tão a sério a minha arte, que não queria que a performance estragasse isso. Mas acho que isso também já não é relevante.

Águas passadas.

Exato.

É isso. Aqui nesta mesma altura, saiu o primeiro disco, Fragmentos, mas em 2020, depois, também decides editar outro disco, Sem Tempo, e é um disco que vem cá pra fora numa altura de pandemia.

É verdade.

Muito complicado.

Difícil.

Por exemplo, não podias dar concertos de apresentação do disco.

Já.

Como é que foi?

E mesmo falar sobre o disco foi tudo online.

Todas as entrevistas, tudo online. Como é que foi?

Eu lembro-me de montar o estúdio e arranjar uma solução pra poder tocar através de meu estúdio em casa e mostrar as canções através do estúdio em casa, que foi um misto entre depressivo e estranho. Eu faço uma metáfora com um chef. Imaginem um chef que faz uma refeição pra 30 pessoas e de repente toda mundo come online. Imaginem. Ele não vê as pessoas a comerem e não recebe o feedback. Cada um come na sua casa, está sentado e no final aparece um streaming. Percebem? Então é um pouco insaciante, no fundo, de alguma forma. Foi estranha essa parte, mas ao mesmo tempo o feedback foi bom. Quando nós começamos a poder sair e as pessoas vinham ter comigo a agradecer, muita gente me disse: "Obrigado, salvaste-me na pandemia".

Isso é incrível.

E ouvir isso é missão cumprida.

Mas tu nem sequer pensaste duas vezes do gênero: "Ok, tenho este disco aqui, vou guardar pra depois mais tarde, quando já não estivermos em lockdown", ou que seja.

Não.

Fazia sentido lançar na altura?

Sim, porque eu não lanço discos por causa do hype ou pra ficar famoso ou pra ficar conhecido. Eu lanço discos porque estou a sentir uma coisa naquela altura.

Até era mais pela proximidade que poderias depois criar com o público.

Exatamente, e pela proximidade que eu iria criar, porque o disco também falava daquilo que estava a acontecer. Há uma canção, que é o "Rir pra Não Chorar", em que eu digo: "Deixar de ver o mar pra trocar por um ecrã, ficar em casa à noite, perder a lua pra ser fã de algo que não gosto, mas que não me dá trabalho". No fundo, era o que nós estávamos todos a fazer.

E era o que estávamos a falar há pouco também, antes de entrarmos. Estávamos muito a falar, pros nossos ouvintes perceberem, toda esta geração que olha muito pro ecrã e pouco pro que está à volta.

E de nós falamos, não é? Porque nós olhamos os três imenso pro ecrã.

Sim. Contra nós próprios falamos.

É isso mesmo. E este "Sem Tempo" também contou com várias participações. Carolina Deslandes, Paulo Vaz, Tiago Nacarato, entre outros. Tu encontras inspiração nas pessoas com quem trabalhas?

Totalmente. E aliás, eu gostava que nós fôssemos mais como o Brasil, em que se percebe a comunhão artística.

Mais colaborativo.

Colaborativo, exatamente, essa é a palavra. E gostava de trazer isso. Tu falaste da January Sessions há bocado, e eu ao convidar o Zambujo, o Araújo, o Salvador e as pessoas que vieram pra cantar comigo, o objetivo era mesmo esse, era de vamos colaborar. Por que não sai daqui uma canção? Por que não sai daqui uma ideia?

Claro.

Não precisa de ser uma canção, mas um projeto, uma coisa nova. Eu também sou uma pessoa que está sempre a fervilhar em ideias e que está sempre a tentar passar isso aos outros e por isso, de alguma forma, gostava que nós colaborássemos mais enquanto país, artisticamente.

Isso aconteceu além-fronteiras, no "Protocolar Volume 2", com o Paulo Vaz.

Exatamente.

Como é que surgiu esta ideia? Ou seja, estamos aqui a falar num disco feito a dois. Já disseste há pouco que gostas muito de música popular brasileira. Como é que surgiu também esta ideia de fazer a ponte pro outro lado, pro Brasil?

Eu e o Paulo nos conhecemos, eu acho que foi tipo 2018 ou 2019. E nós criamos logo uma simbiose exatamente por causa disso, porque nós percebemos. A história de Portugal e do Brasil é tão complexa, é tão trágica, de alguma forma. E depois toda aquela ideia dos descobrimentos que nos venderam, que nós não descobrimos nada.

Roubaram-nos de nós.

Todo esse contexto histórico é tão pesado que como é que nós podemos tentar pôr um layer de cura por cima disso?

Claro.

E vem um pouco disso que eu estava a falar também, dessa simbiose artística e dessa vontade de comunhão. E depois ter essa comunhão com alguém do Brasil e fazer um projeto que fosse Portugal, Brasil e que unisse Portugal ao Brasil, parecia-nos uma ideia espetacular. Então fizemos esse primeiro EP, o volume um, e depois um LP, que é o "Protocolar Volume 2".

Mas como é que isto foi gravado? Foi cá, foi lá? Tu mandavas coisas pro Paulo?

Não, ele veio cá e eu fui lá.

Metade, metade.

Ele veio cá e nós gravamos na minha terra natal, em Coimbra.

Que giro!

E eu fui lá e gravei na terra natal dele, em São Paulo.

Isso é incrível.

Num estúdio chamado Gargolândia. Aqui foi mais home studio e lá foi um estúdio grande, que se chama Gargolândia, um estúdio incrível no meio da floresta.

Gargolândia é um grande nome.

Sim, é um estúdio inacreditável, com equipamento brutal. E que também nos deu outra experiência. De repente, estávamos numa sala grande, a mexer nas recs e foi minha primeira vez enquanto técnico. Porque eu na pandemia estive a estudar isso, arranjei esse tempo, nós tínhamos todos demasiado tempo, e eu arranjei ali um gap pra poder estudar um pouco mais isso, tipo posicionar microfones, perceber como é que funciona a produção, tentar produzir. Então foi isso, surgiram esses dois discos e é um bocado essa simbiose Portugal-Brasil.

É uma ótima simbiose. Nós temos a música do "Tem Vida Lá Fora", passa aqui na rádio. Cada vez que dá, eu vou ali ao estúdio levantar um bocadinho, gosto muito daquela música. É uma boa simbiose.

Continuando a falar de discos, portanto, há música nova. Há duas semaninhas, mais coisa menos coisa, editaste e apresentaste o álbum "Fugacidades". Isto é difícil, se calhar. Consegues descrevê-lo em três palavras? O que é que queres passar com o disco?

Em três palavras, assim soltas?

Ou relacionadas? Escolhe tu.

Fugacidade é uma bela palavra. Depressão, que também é o nome de outro single. E se calhar, cura.

Cura?

Talvez cura.

Uma escolha interessante. Cura para quê?

Para essa fugacidade, porque o próprio nome do disco é um jogo de palavras entre a fuga da cidade e a fugacidade interna.

Fugacidade interna, sim.

Exatamente, que se calhar nós chamamos FOMO. Essa coisa de fear of missing out.

Medo de não estar a apanhar tudo, de perder as coisas.

O aquém que eu te falei logo no início, quando falámos de poesia e quando falámos do Mário de Sá-Carneiro, e em que eu comecei logo a entrevista a falar desse sentimento de estarmos aquém. Eu acho que é isso. E esse processo artístico, esse álbum trouxe-me essa cura, por isso é que também trouxe essa palavra.

Deixa-me fazer-te uma pergunta. Todos nós, principalmente a nossa geração, como estamos a falar, temos muito essa sensação de estarmos a perder as coisas, o FOMO, fear of missing out. Tu sendo artista e tendo uma concorrência grande, pública. Há muitos artistas a lançar muitas coisas, a fazer muitos conteúdos em muitas plataformas. Como é que tu lidas com isso também? Porque deve ser assustador, complicado, ver tanta gente a fazer tantas coisas aqui na música, em vídeo, em tudo e mais alguma coisa.

Eu acho que a melhor forma de te responder é que eu confio no trabalho, em continuar a trabalhar e fazer melhor e trazer melhores álbuns. E eu acho que este álbum é o melhor álbum que eu fiz até agora. Isto parece o maior clichê, porque todos os artistas dizem isto. Tipo, agora lancei esta LP e é a melhor coisa que eu fiz até agora. Mas é mesmo, no sentido em que junta uma banda e tu falaste-me do Janeiro, do homônimo, do primeiro EP, em que eu já trazia o acústico e o eletrónico, e agora eu junto a banda ao eletrónico.

Pois.

E trago um bocadinho essa organicidade, mas ao mesmo tempo a juntar com os beats, portanto, a fazer um bocado esta busca pela minha essência.

E é precisamente porque aqui, desculpa, na banda, este disco foi gravado com uma banda, o Gui Salgueiro, Delgroove, o João Hasselberg, Zé Maria, Diogo Duque.

Exatamente.

Ou seja, tu tens todas as tuas ideias, mas depois quando chega uma banda para pegar nestas tuas ideias que estão na tua cabeça, dá-lhe uma nova vida.

Completamente.

Uma nova roupa.

Completamente. E é nesse descobrir dessa nova roupagem que surge o disco. E depois, eu acho que o processo de gravação, pelo menos para mim, é muito rápido. O processo de pré-produção e de pós-produção é que é o que leva os anos.

Certo.

Porque gravar é uma coisa cada vez mais simples pela democratização de tudo. Dos meios de gravação, até de informação que nós temos e a possibilidade de gravar em todo lado. Mas o que vais gravar, como é que vais gravar e depois como é que vais entregar aquilo às pessoas é onde eu perco mais tempo. Perco ou ganho.

Este álbum, há pouco estávamos a falar da pandemia, também foi produzido na pandemia. E foi nessa altura, pelo que também sabemos, que fugiste, entre aspas, para Melides.

Exatamente.

Fugiste da cidade, lá está, a fuga, cidade, para começar a criar este disco. Ou foste de propósito para lá para isso? Ou quando lá chegaste é que pensaste: "Olha, isto pode ser aqui um bom cenário para começar a pensar".

Sentiste-te inspirado.

Foi uma inspiração brutal, porque foi a primeira vez que eu saí da cidade, porque como vocês estavam a dizer, sou de Coimbra e desde o início da minha vida que eu sempre vivi em ambiente urbano, sempre vivi nessa azafa, nessa tensão constante. E de repente, esse acalmar, esse amainar de tudo, ainda por cima numa planície como é Melides, trouxe-me essa possibilidade de pensar, se calhar de uma forma que eu nunca tinha tido ou nunca tinha experienciado. E então, para te responder, não fui com esse objetivo, fui com o objetivo de me defender desse isolamento. Eu gosto muito disto que estamos a fazer, de trocar ideias. Por acaso estamos a falar do disco, mas se estivéssemos a falar de outra coisa qualquer, nós chegamos aqui e começamos logo a falar de outros assuntos. E eu alimento-me muito disso, de estar à conversa e de perceber melhor as coisas, de tudo um pouco. Então, fui para lá um bocadinho em busca de me defender do que ia acontecer, de nós ficarmos todos bloqueados em casa. E lá dava-me um bocadinho mais margem para poder sair um bocadinho e fazer exercício lá fora, sem estar numa estrada de betão e poder ver o mar e poder apreciar o céu.

Na altura eram pequenos luxos.

Sim, completamente.

E vamos poder encontrar-te em algum palco para apresentar este Fugacidade em breve?

Sim, em breve.

Que possa já revelar. Em primeira mão.

Posso-te já revelar que vamos estar dia 19 de outubro vamos estar no Capitólio, convido toda a gente que estiver a ouvir e convido-vos a vocês também, para virem ouvir. Vou estar com a banda que falaste. Embora quem esteja nos teclados não vai ser o Gui Salgueiro, vai ser o Daniel Lima, dos HMB. E vou estar dia 28 de setembro no Porto, no Moko, e vou estar ainda mais perto.

Nós passamos a girar o Moko.

É muito fixe.

É muito fixe.

E vou estar ainda mais perto no dia 21 de setembro no Chefs on Fire, no Estoril. Portanto, convido toda a gente que quiser vir ouvir com a banda. Vou estar com a banda, finalmente, porque estes últimos anos foram mais concertos a solo e agora tocar com a banda vai saber bem. Vai saber muito bem.

Janeiro, a fechar, gostávamos só de saber um bocadinho mais como é que é o, não o Janeiro, o Henrique Janeiro. Como é que é o Henrique Janeiro nos tempos livres, fora do palco e dos estúdios? O que é que tu costumas fazer? O que é que tens feito, por exemplo, nos últimos tempos?

Eu tenho estado nessa busca de curar o meu déficit de atenção, que eu acho que não é só meu, acho que é de toda a gente. Então, podes me encontrar a fazer exercício. Muito exercício, estou a fazer isso muito agora.

Então basicamente é todos os dias.

Pelo menos dois em dois dias estou a tentar voltar-me a mexer. Esse foco. E podes me encontrar no estúdio a fazer música. Estou a fazer música sempre, a produzir, a compor. Tenho tido alguns desafios agora que ainda não posso falar, mas estão-me a desafiar para fazer músicas para ou uma série, ou um talk show, ou uma publicidade. Portanto, isso também pode aparecer daqui a pouquinho tempo, assim não revelando o que é.

Exato.

Certo.

Isso interessa-me também, poder fazer música para outras coisas. E a contemplar a natureza, acho que isso é uma coisa que eu passo imenso tempo.

Que é muito bom.

É.

É isso mesmo. Ótimo.

Olha, adorei falar convosco, muito obrigado.

Nós é que adorámos.

Igualmente. Obrigada por teres passado aqui na Rádio Observador. Em 40 minutos com o Janeiro, nós voltamos para a semana. Obrigada mais uma vez. Foi muito bom. Obrigada.