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Para falar nos próximos minutos de tecnologia, porque também há tecnologia em Idanha-a-Nova e também há pessoas interessadas em promover a tecnologia que vai nascendo e que vai brotando aqui neste território, junto à fronteira espanhola. O próximo convidado é o Gonçalo Amorim, é o CEO da BGI, uma aceleradora de base tecnológica. Gonçalo, bem-vindo à emissão especial da Rádio Observador aqui da Feira Terrana.
Muito obrigado pelo convite.
Que negócios têm acelerado nos últimos anos aqui em Idanha-a-Nova, de base tecnológica? No fundo, o que é que está aqui a nascer?
Muito bem. A BGI, de facto, começou a desenvolver há uns seis, sete anos uma iniciativa chamada Idanha Foodlab, que é uma aceleradora de base tecnológica. Nós procuramos trazer empreendedores de fora para a região, mas também promover as iniciativas já dentro da região, através de novos modelos de negócio mais escaláveis para internacionalizar estes modelos de negócio. Apoiamos cerca de 30 projetos nos últimos anos, depois interrompemos a iniciativa durante a pandemia, mas iniciamos nesse período uma consubstanciação e uma consolidação do projeto. Através de quê? De um lançamento de um laboratório colaborativo chamado Food for Sustainability, abreviado F4S, que tem a sede aqui em Idanha-a-Nova, no Centro Empresarial Municipal.
E o que fazem lá?
Temos cerca de 30 investigadores, que estão dedicados à intensificação sustentável da agricultura. Este é um grande chavão, mas na prática o que quero dizer é que olhamos para as práticas atuais agronômicas, que utilizam muitos químicos de síntese, muitos inseticidas, agroquímicos, pesticidas, etc., e tentamos introduzir práticas mais sustentáveis. O que isto quer dizer? Quer dizer que estamos a trabalhar muitas vezes com micro-organismos, que muitas vezes não estão já presentes no solo, porque o solo é um elemento vivo, de muitos bilhões de organismos, e que as culturas muito intensivas foram depauperando, foram matando, foram eliminando, reduzindo muito esta flora e fauna.
Quando procuram a sustentabilidade, é a sustentabilidade alimentar, mas também a sustentabilidade económica, porque há este problema, o biológico é mais caro.
Este tema é um pouco controverso. Nós temos uma perspetiva que o biológico não deve ser mais caro. No fundo, o que estamos a tentar fazer é substituir os químicos de síntese, ou seja, tudo que são fatores de produção que nós vemos que podemos eliminar, com o conhecimento. Na prática, se olharmos para uma cultura clássica, um olival intensivo que utiliza fertilizantes na sua cultura, que utiliza um conjunto chamado a conta de cultura anualmente, água, fertirrigação, fertilizantes, tratamentos químicos, etc., o que nós estamos a procurar trabalhar é, através do solo, aumentar a resiliência da cultura e conseguindo fazer isto, conseguimos baixar a despesa da farmácia. E conseguimos pôr, neste caso, a cultura mais forte para resistir, sobreviver a estresse hídrico, portanto, ter necessidade de menos água, portanto, mais uma vez, menos energia, porque a água numa cultura irrigada representa bombas, ou seja, furos, poços, representa energia, e a energia disparou. Os fertilizantes químicos também dispararam, porque muitos deles são produzidos por sistemas eletrólises e outros sistemas altamente energívoros e desde o início, mais no final da pandemia e agora com a guerra, todos estes fatores, que nós chamamos fatores de produção, dispararam as contas de cultura.
Gonçalo, o que é que já saiu daqui deste conjunto de iniciativas em torno da pesquisa tecnológica, em torno da agricultura biológica?
Estamos a apoiar-
O que é que já têm de palpável para mostrar ao mundo?
Temos já várias experiências de campo, ou seja, três dezenas de produtores com quem estamos a trabalhar, que já estão a implementar estas práticas de regeneração, ou seja, do que se trata, no nosso caso, é muito olhar para, como digo, o solo como o sistema imunitário de todos estes fatores de produção, em que os outros produtores que também estão interessados em perceber o que estamos a fazer, possam ver. Não queremos convencer ninguém de que a nossa abordagem é a mais correta ou menos.
Não fazem proselitismo nenhum.
Não. Aliás, o Food for Sustainability é uma organização sem fins lucrativos, ou seja, é um laboratório colaborativo reconhecido pela FCT e pela NIA, ou seja, por entidades idôneas. Somos auditados por entidades externas e não temos nada para vender nesse sentido, não temos produtos químicos. No fundo, o que temos é a investigação colocada ao serviço dos produtores. Respondendo à sua questão, temos concretamente ensaios de campo, portanto, diversas culturas, desde a vinha, pomares de maçã, olival, amendoal, entre outras culturas, em que conseguimos demonstrar que efetivamente determinado tipo de patologias e doenças que estão instituídas nos pomares podem ser tratadas, aumentando a resiliência dessa mesma cultura através de trabalhar os solos, onde a planta vai buscar a maior parte dos seus nutrientes e da sua força, seu vigor.
Há razões para acreditar no futuro desta terra.
Há, mas não é só desta terra. Estamos a trabalhar com 300 produtores.
A pergunta era metafórica.
Sim. Mas devo dizer que, também respondendo à pergunta que me colocou de impacto, estes 30 e poucos investigadores estão, de facto, a trabalhar a nível europeu, ou seja, na charneira, na curva da crista da onda, como se diz. Porque efetivamente estamos envolvidos em projetos europeus onde estamos a demonstrar, na prática, não só em Portugal e na região, mas também a nível nacional e internacional, todas estas práticas agronômicas que são novas.