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Registam-se 32895 casos confirmados de Covid-19 em Portugal, o que representa mais 195 que no dia de ontem, ou seja, mais 0,6%. Por outro lado, verificam-se 432 casos em internamento, dos quais 58 em cuidados intensivos, menos seis casos que ontem em cuidados intensivos. Verificam-se 19869 casos de recuperação, mais 317 casos que ontem. E neste momento, a taxa de recuperados é de 60,4%. Registam-se ainda 1436 óbitos, que muito lamentamos. A taxa de letalidade global é de 4,4%. A taxa de letalidade acima dos 70 anos é de 17,3%. 33,9% dos casos encontram-se a recuperar no domicílio, enquanto 1,3% estão internados, sendo que 0,2% em unidade de cuidados intensivos e 1,1% em enfermaria. A grande maioria dos casos novos é na região de saúde de Lisboa e Vale do Tejo, que concentra, como sabemos, as nossas atenções e as nossas maiores preocupações. Assim, seguimos a estratégia de identificar, testar e isolar muito rapidamente. O INEM tem um plano de testagem em curso em várias dezenas de empresas situadas na Grande Lisboa, a maioria na zona da Azambuja, tendo sido colhidas amostras em algumas dessas empresas, outras estão a acontecer durante o dia de hoje e as restantes com agendamento nos próximos dias. Prevê-se estender estes rastreios a outras empresas, sob a orientação das autoridades de saúde e da ACT, até ao final desta semana, altura em que faremos então um ponto da situação. Cabe, depois, ao Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge processar essas amostras em articulação com outros hospitais da região. Quero dizer também que durante o dia de ontem foram colhidas 945 amostras provenientes de rastreios em empresas, estando o seu processamento em curso. Até ontem foram colhidas cerca de duas mil amostras desde sábado. Sábado, domingo e segunda. Por isso temos hoje conosco o senhor presidente do INEM, Dr. Luís Meira, que depois poderá dar mais esclarecimentos sobre este trabalho. Não nos podemos esquecer que muitas das medidas tomadas agora para conter estes surtos só terão impacto dentro de duas semanas. Temos, portanto, de ser resilientes e manter o foco. E a responsabilidade individual é tão ou mais determinante que na fase do confinamento. Queria ainda dar uma nota que, no que toca aos lares do universo de estruturas residenciais para idosos, onde há 293 lares com casos ativos de Covid-19, são menos quatro do que ontem, que representam 11,6% do universo de estruturas residenciais para idosos, o que são, com certeza, notícias que nos dão esperança para continuarmos este caminho. Dou agora a palavra ao senhor presidente do INEM, Dr. Luís Meira. Muito obrigado.
Obrigado, Sr. Secretário de Estado. Relativamente ao processo em que o INEM está envolvido e que visa tentar garantir o máximo de testagem na área metropolitana de Lisboa e também na região da Azambuja. Nós, obviamente, e em estreita articulação com o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge e também com a ARS de Lisboa e Vale do Tejo e outras entidades que participam neste processo, é importante referir a ACT e também o Instituto da Segurança Social, estamos a fazer um esforço grande para tentar garantir o máximo de testes que for possível, dentro das orientações que foram emanadas do Governo para testar, sobretudo, empresas de construção civil ou trabalhadores destas empresas e também trabalhadores de empresas de trabalho temporário. E portanto, temos feito um grande esforço. É um processo que obviamente, do ponto de vista de organização e de logística, é muito complexo, envolve várias entidades e há aqui um esforço que nós estamos a tentar fazer para também interferir o menos possível com a atividade destas empresas, que é algo que interessa a todos. E portanto, há aqui que conciliar um conjunto grande de variáveis, que à medida que este processo se tem vindo a desenrolar, têm sido ultrapassados os principais constrangimentos e têm permitido que, em números crescentes, esta capacidade de colheitas para posterior testagem, quer pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, quer por hospitais que também têm essa capacidade de testagem, possa ser efetuada. Eu queria dar aqui duas notas. A primeira tem a ver, obviamente, com o agradecimento que deve ser feito às próprias empresas, que têm, de um modo geral, manifestado grande disponibilidade para colaborar com este processo, mas não podia deixar de prestar aqui um agradecimento muito particular a todos os operacionais que estão envolvidos neste esforço significativo, que significa, para além do planeamento e da organização dos processos de colheitas, que como compreendem, têm alguma complexidade, mas estão disponíveis e eu posso dizer que este processo começa logo de manhã e prolonga-se às vezes até bem depois da meia-noite. E, portanto, dar aqui uma nota para a grande disponibilidade dos operacionais que estão envolvidos neste processo e um agradecimento, porque efetivamente, eles têm tido um esforço que é de louvar para se conseguirem estes números. Obrigado
Francisca Genésio, CMTV, representação também da SIC e da TVI. Uma pergunta em relação à Liga Profissional de Futebol, que volta já amanhã com jogo no Algarve. São permitidos ajuntamentos de 20 pessoas, à exceção da zona de Lisboa, onde se mantém as 10. Sabemos que junto aos hotéis há os centros de estágio, onde estão as equipas, por exemplo, é muito comum os adeptos concentrarem-se na linha da frente. E a pergunta que eu faço é: que distância é que tem de existir entre estes grupos diferentes, uma vez que falamos de 20 pessoas e não de 10, como até então? E como é que vai ser feito o controle desta distância de segurança? Vai haver polícia à porta de cada café, por exemplo? Como é que se vai processar? Depois, em relação também à zona de Lisboa, abriram as salas de espetáculo, restaurantes e cafés. Há praias cheias, mas as lojas de cidadão mantêm-se fechadas e os centros comerciais também. Olhando hoje para o número de novos casos, há uma redução. O que eu pergunto é se há aqui uma boa perspectiva para o dia 4, dia em que vai ser tomada a decisão de voltar a reabrir as coisas em Lisboa. Obrigada.
Relativamente aos jogos de futebol e conjugando esses jogos com a legislação em vigor que permite ajuntamentos, como disse, fora da área de Lisboa até 20 pessoas, eu recordo aqui que voltamos a fazer um apelo a que as pessoas cumpram regras. As regras de distanciamento, o ideal são, de facto, os dois metros. Um metro e meio a dois, o ideal são dois metros. Se estiverem a assistir a estes jogos pela televisão, em espaços fechados, como cafés ou restaurantes, não se esquecerem de cumprir essas regras, incluindo a utilização de máscaras, se for caso disso. E muito importante, a questão da partilha de objetos. Portanto, tentar não partilhar objetos. Eu já tinha referido isso, sobretudo se se tratar de garrafas de bebida ou de copos. Não fazer isso de todo. Há aqui um grande apelo aos adeptos para que se se juntarem para assistir ao jogo, mantenham, apesar de tudo, regras de distanciamento físico, regras de proteção barreira, se for caso disso, usando máscara e não partilharem objetos. É muito importante. Fazia um apelo especial. Eu sei que a altura da comemoração dos gols é uma altura em que as pessoas perdem muito a noção do que estão a fazer e a tendência vai ser para comemorar como antes e para haver contacto físico. Tentar comemorar com distância, sendo exuberante, mas longe dos outros. A menos que, há aqui uma exceção, eu quero dizer isso, que às vezes nós vemos pessoas juntas, seja onde for, e podemos tender a estranhar. Obviamente, isto não se aplica a coabitantes, a pessoas que vivem na mesma casa, que vivem juntos, que são familiares, mas de qualquer maneira, a todos os outros, manter o distanciamento físico, mesmo na altura da comemoração. Muito apelo ao sentido cívico. Eu ontem disse isto e volto a dizer: foi uma dura conquista existir futebol no nosso país. A retoma do campeonato e a tentativa de chegarmos ao fim será boa para todos. Será boa para o tecido social, será boa para o tecido económico. Agora temos que garantir os adeptos, as equipas, as equipas técnicas, os apoiantes, as direções dos clubes, que o que foi conquistado não pode retroceder por um comportamento menos prudente, porque, de facto, a prudência indica que temos que manter as regras.
Então, à região de Lisboa e Vale do Tejo.
As perspetivas, como já aqui foi dito pelo senhor Secretário de Estado e pelo presidente do INEM, existe neste momento uma maior concentração de casos em Lisboa e Vale do Tejo, que apesar de tudo tem estado estabilizada, com as flutuações que nós sabemos que há ao fim de semana, segunda-feira não é sempre igual, porque reflete o domingo, depois os dias a seguir são um pouquinho diferentes. De qualquer maneira, o número de casos não aumentou, apesar de estarmos a fazer testes e portanto, apesar de estarmos à procura ativamente, cerca de 4% destes testes feitos em locais específicos deram positivo. Portanto, também é um número que de certa forma nos tranquiliza. Já sabem que atinge, sobretudo aqui em Lisboa, a população jovem, adulta, trabalhadora e, portanto, não temos tido, felizmente, reflexo nem nos internamentos, nem nos internamentos intensivos, nem nos óbitos. E a situação não só está a ser muito bem acompanhada do ponto de vista epidemiológico, como está a ser muito bem acompanhada do ponto de vista da atuação. E portanto, esta questão de ir logo aos focos onde existem casos identificados, fazer o teste para retirar os positivos e isolar, fazer anéis de contenção à volta dos focos que existam, mesmo que sejam só focos familiares. Como sabem, essa tem sido a estratégia do governo, das autoridades de saúde e de todos os outros parceiros. Portanto, conter estes focos na cidade de Lisboa, no Conselho de Lisboa e na região de Lisboa e Vale do Tejo em geral. E esta é a estratégia que está a ser seguida: monitorizar, conter, testar, isolar, tratar, retirar os positivos, evitar novas cadeias de transmissão, quebrar as cadeias de transmissão que estão em curso. Portanto, é uma estratégia, diria, muito agressiva, se me permite a palavra, senhor Secretário de Estado, e que esperamos ter resultados dentro de dias. Também já todos sabemos que o que nós estamos a fazer hoje, não se vê amanhã. Temos que contar que houve já gente infetada no passado e que ainda está a incubar a doença. Há pessoas que aparecem agora como novos casos e depois ainda vamos ter as pessoas ativas na sua doença durante 14 dias. E portanto, tudo isto requer acompanhamento e medidas que só vamos ver daqui a uns dias.
Filipe Simas, RTP. A minha questão tem a ver também com a região de Lisboa e Vale do Tejo. O doutor Fernando Medina ontem, em entrevista ao Telejornal da RTP, disse que o aumento de casos tinha a ver com o aumento da testagem na região de Lisboa. Eu queria saber se é efetivamente isso, que os surtos estão realmente bem identificados e que a situação está controlada e completamente localizada. Queria saber se é realmente isto que existe ou se não se está a testar o resto do país, se é esta a explicação.
Se me permite, senhor secretário de Estado, muito rapidamente. A estratégia de testagem não tem sido simétrica e igual em todo o país, como sabem. Houve regiões, por exemplo, a região Norte, há umas semanas testou muita gente ao mesmo tempo e portanto estavam pessoas positivas e vocês sabem que a dinâmica da região Norte foi diferente. A infeção, a curva da região Norte foi mais precoce, foi intensa e depois iniciaram uma descida. Aqui na região de Lisboa e Vale do Tejo, obviamente, também há o fator testagem. Se nós testamos mais pessoas, encontramos mais pessoas positivas. Uma pessoa positiva, mesmo que não tenha sintomas, conta como um caso, obviamente, de infecção por Covid. Essa será uma das razões. Também sabem que há concelhos mais afetados que outros. A região de Lisboa e Vale do Tejo não é simétrica, também nos seus concelhos, na sua distribuição, e também há alguns padrões que nos permitem ver focos de doenças localizados em determinados contextos e alguns casos, também já vos dissemos, dispersos entre a população, em que de fato é a habitação o meio, a forma em que as pessoas se infectam. O senhor secretário de Estado terá provavelmente informações mais vastas, mas a situação está a ser identificada, está a ser bem conduzida, o plano de ataque, digamos assim, para conter os casos que já foram identificados, evitar novos casos, isolar e separar as populações que têm ou não têm casos e quebrar as cadeias de transmissão, que é o nosso objetivo.
Senhora diretora, eu pouco mais tenho a acrescentar, somente dizer e reforçar um pouco esta mensagem. De fato, estamos a testar mais, como dizia ontem o senhor presidente da Câmara, e portanto, é natural que haja este aumento proporcional à nossa capacidade de testagem. Temos uma capacidade de testagem de cerca de 7 mil testes por dia. É esta a nossa capacidade de testagem em Lisboa, na região LVT. Cerca de 7 mil testes por dia, aliás, como foi dito ontem durante a conferência de imprensa, cerca de 49 mil por semana. Ainda não estamos próximos dessa capacidade de testagem. Temos testados, como foi dito também, cerca de 2 mil durante este fim de semana e durante o dia de ontem e portanto ainda estamos com algum espaço de conforto para poder testar mais. E só robustecer esta estratégia que tem sido utilizada em Lisboa, do rastreio da infecção, de fato, nomeadamente entre trabalhadores de empresas e entre trabalhadores de estaleiros e portanto, em zonas perfeitamente circunscritas, em zonas identificadas. Os testes também que são feitos em coabitantes e que são feitos em contactos próximos e depois o respetivo confinamento e a testagem dos contactos próximos, bem como reforçar aqui as visitas que vão sendo feitas aos domicílios, quer pelas autoridades de saúde pública, quer pela saúde familiar. E também, a propósito, e foi essa a pergunta que fez, a importante articulação que tem havido com as autarquias, nomeadamente em relação a esta capacidade de retaguarda e de rede social que as autarquias têm, de fato, em conjunto com o Ministério da Saúde e em conjunto com outras entidades, têm sido um suporte muito importante nesta nossa luta, nesta nossa frente. Primeiras questões por videoconferência, Agência Lusa.
Senhor secretário de Estado, relativamente a esta matéria, penso que eu também posso ajudar a complementar aquilo que foi dito, relativamente àquilo que têm sido as ocorrências 112, que estão relacionadas com a Covid-19, que têm chegado aos CODU, aos Centros de Orientação de Doentes Urgentes, nomeadamente na região metropolitana de Lisboa. Nós não temos tido um aumento do número de casos, antes pelo contrário, o que vem em linha com aquilo que tem acontecido relativamente aos internamentos, nomeadamente aos internamentos em cuidados intensivos, embora também saibamos que estas questões têm sempre algum tempo para se refletirem depois desta matéria, mas revela efetivamente que, neste momento, estamos atentos, estamos obviamente a monitorizar estes aspetos e este também é um indicador que nos deixa tão tranquilos quanto possível relativamente a esta matéria.
Agora sim, primeiras questões por videoconferência. Agência Lusa.
Bom dia, Ana Cristina Gomes, da Agência Lusa. Eu gostava de saber se estão a equacionar voltar a colocar a GNR a fazer os procedimentos de limpeza nas viaturas do INEM, uma vez que houve queixas relativamente ao fato de serem os técnicos a ter que o fazer e pelo fato de ser um processo mais demorado por ser feito desta forma. Gostava de ouvir o vosso comentário e saber se estão a pensar voltar atrás neste passo.
Penso que a pergunta se destina, obviamente, para a minha resposta. Eu lembro que o INEM tem mais de 100 ambulâncias dispersas pelo país. Em cada uma delas há profissionais de saúde competentes e que têm todos os equipamentos e todas as possibilidades necessárias para garantir a higienização, limpeza e desinfecção das ambulâncias de forma adequada. Eu lembro que no início deste processo
Um conjunto de razões que importa trazer agora e relembrar. Nós criamos algumas ambulâncias dedicadas exclusivamente ao transporte de doentes suspeitos de Covid ou até doentes efetivamente confirmados de terem Covid-19 e isso implicou ter uma capacidade diferente de tratamento dessas ambulâncias para garantir o máximo de operacionalidade e o máximo de segurança relativamente aos profissionais que estavam envolvidos nesta área mais específica da atividade do instituto. Com a colaboração da GNR e, numa fase posterior, do exército, foi possível implementar essas linhas de descontaminação que, desde o início, estava articulado com essas entidades que se iriam manter enquanto estivéssemos em fase de contenção, sendo que até foi possível prolongá-las durante mais algum tempo. Mas a verdade é esta: embora eu perceba que para os nossos profissionais, obviamente, é mais tranquilo terem alguém que, de uma maneira provavelmente mais rápida, garante a limpeza e a desinfecção das ambulâncias. Mas, como disse, esta é uma das suas funções, é uma das suas competências, e estas linhas funcionavam em locais bem determinados, onde foram criadas as tais ambulâncias para fazer este tipo de transporte e, como disse, nós temos mais de 100 ambulâncias dispersas pelo país e em todas elas os profissionais têm condições para garantir a higienização das ambulâncias, que passa, obviamente, pela desinfecção e utilizando produtos adequados para esta necessidade. Portanto, os procedimentos estão definidos. Nós obviamente estamos preocupados, que uma das principais prioridades do instituto, neste momento, é garantir a segurança dos doentes que assistimos, transportamos e, obviamente, dos profissionais que assistem essas vítimas. E portanto, temos que criar as melhores condições possíveis, mas em contextos muito concretos e com as justificações técnicas, científicas, para os procedimentos que estão devidamente implementados.
Jornal i.
Boa tarde, Marta Reis, do Jornal i, do semanário Sol. Gostaria de perguntar acerca da situação na região de Lisboa. Têm sido referidos os surtos em alguns setores, mas gostaríamos de saber se existe transmissão comunitária e em que concelhos, portanto, casos em que não é possível estabelecer um elo de ligação com outros doentes. Depois gostaria de perguntar sobre a taxa de letalidade acima dos 70 anos. Tem havido um agravamento ao longo das últimas semanas e passa agora aos 17%. É de 21% acima dos 80 anos e 10% entre os 70 e os 79. Gostaria de perceber se isto está dentro daquilo que é expectável e que balanço, que análise fazem. E, por fim, só uma pergunta sobre a questão em Itália, que houve médicos que referiram que o vírus estaria a perder potência e que isso se via nas análises. Por acaso foi detetada alguma situação dessas cá em Portugal? Obrigada.
Vou começar então por lhe dizer os últimos dados que nós colhemos relativamente à transmissão em todo o país, sendo que, como sabem, há formas mistas de transmissão. A região Norte, apesar de ter uma pequena intensidade de casos, uma pequena incidência, referiu que ainda tem, sim, transmissão comunitária. A região Centro refere apenas pequenos, muito pequenos focos localizados. A região de Lisboa e Vale do Tejo considera também que ainda tem transmissão comunitária, porque nós temos estes padrões localizados em empresas, em lares, em obras, mas também temos ainda disseminação comunitária. O Alentejo e o Algarve já só têm muito pequenos focos. Como sabem, até há dias em que não têm nenhum. E a Madeira e os Açores consideraram que têm apenas transmissão esporádica e, de facto, esse tem sido o padrão. Portanto, a última atualização nacional dá este mosaico, o que também confirma o que foi sempre a nossa epidemia e noutros países, que é uma assimetria regional que reflete a dinâmica do vírus e também a constituição e a densidade da população. Portanto, relativamente a esta questão, parece-me que respondi. Relativamente à taxa da letalidade, obviamente, ela varia, e varia de acordo com duas coisas, que são o denominador, o número e a composição das pessoas que está de facto doente, e o numerador. E portanto, ao longo da epidemia há flutuações, mas estes valores para Portugal estão dentro do que nós ainda consideramos normal e esperado. Portanto, não nos parece que exista uma letalidade mais aumentada do que seria de esperar para um país com as nossas características. Finalmente, a última questão foi sobre-
Itália
Sobre a questão de Itália, se o vírus estará ou não a perder, de facto, força. Nós temos sido muito cautelosos e vamos continuar a ser em relação aos muitos estudos que vão sendo publicados de diversos países. Nós já dissemos que a maior parte desses estudos são descritivos e observacionais. Descrevem uma situação. Não procuram, muitas vezes, associação causal ou explicativa para o estudo. E, portanto, vamos ter que esperar para ver mais estudos, mais estudos sobre o vírus, mais estudos sobre as alterações pequenas, mas muitas alterações genéticas que este vírus teve. O Instituto Ricardo Jorge, como sabem, está também a participar em projetos do estudo do genoma e, portanto, também teremos resultados nossos. Mas temos que, mais uma vez, olhar para os estudos com a cautela que eles nos devem, porque são, muitas vezes, com uma metodologia não tão robusta como nós gostaríamos.
Últimas questões. Revista Visão.
Boa tarde. Sara Rodrigues para a revista Visão. Gostaria de perguntar sobre as creches e o pré-escolar. Ou seja, as creches e o pré-escolar abriram, mas há poucas crianças nestes espaços. O que falta dizer ou fazer para os pais sentirem que é seguro deixar ali os filhos? A segunda questão tem a ver com a recuperação das consultas, exames e cirurgias que ficaram por fazer devido à pandemia. Gostaria de saber como é que está a ser feita, se já é possível fazer uma análise sobre esta recuperação e se têm conhecimento de situações em que as pessoas não se deslocam aos hospitais por medo.
Sobre esta questão da retoma, eu posso dizer que estava dentro daquilo que era previsível. Neste momento, conseguimos já reagendar cerca de 35% ao nível das consultas e também de exames. Estamos a fazer um esforço, obviamente, grande nesse sentido. Os profissionais estão a fazer também um esforço grande nesse sentido. Pode haver, como foi dito no passado fim de semana, alguma situação mais lenta, nomeadamente ao nível da região de LVT, por razões que são óbvias também, mas mantém-se o agendamento de consultas e também de exames e de cirurgias. Relativamente ao medo, notamos que há uma maior afluência das pessoas, o que significa que há menos medo e o nosso apelo continua a ser o mesmo. Continua a ser o de que não tenham medo. Os circuitos estão muito bem divididos, muito bem direcionados. Existem equipamentos de segurança, os procedimentos estão a ser feitos com toda a segurança e, portanto, neste momento, não há razão para ter medo. Penso que o maior afluxo que tem surgido ao nível dos diferentes serviços revelam que, de facto, esse medo está a desaparecer e é essa palavra de confiança que queremos aqui deixar, de que se mantenham nesta senda. Portanto, sem medo, que possamos retomar e possamos atingir os nossos objetivos o mais rapidamente possível.
Muito obrigado.
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