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O discurso foi um pouco diferente do que eu estava à espera. Isto foi um discurso de um candidato a ministro da defesa, não foi bem de um presidente do CDS. Mas deixe-me começar pelo princípio, agradecer o fato de estar aqui, o convite que nos foi dirigido, ao Chega, de ser a força política neste preciso momento. É com muito gosto que aqui estamos e desejamos que o CDS realmente cresça, como parece ser o seu desígnio, mas que cresça indo a jogo por si próprio, com os seus próprios pés. Não vindo às cavalitas de um outro partido, como aconteceu agora. Isto foi um jogo mais jogado na secretaria do que propriamente no terreno. Faz-me lembrar aquele outro partido que era sempre eleito, mas ninguém votava nele, que era o partido Ecologistas Os Verdes, que era sempre eleito nas ordens do PCP. Espero que o CDS saia desse registo e que vá sozinho a eleições para vermos realmente o que vale, porque é um partido histórico, que faz muita falta à direita portuguesa, à verdadeira direita portuguesa, e mais ainda a Portugal. Faz muito mais falta do que aqueles quatro micropartidos que temos da extrema-esquerda, os partidos do táxi, que esses é que não fazem falta nenhuma, são completamente anacrônicos, nós não precisamos de extrema-esquerda para nada. Precisamos é de uma direita forte e coesa para convergirmos com toda a Europa, que é de direita, não há nenhuma Europa de esquerda.
Nuno Melo diz que no próximo dia 9 de junho está em causa a escolha entre os extremismos e a tolerância. Acha que isto foi diretamente para o Chega?
O extremismo, se calhar, estava a referir-se ao Bloco de Esquerda, ou ao Livre, não faço ideia. Nós não somos um partido extremista. À nossa direita, temos dois partidos. Eu fico muito admirado como é que os jornalistas não veem que à nossa direita no espectro político, são eles próprios que o dizem, há dois partidos. Um é o ADN, que por acaso foi a quarta força política em Viseu, a quarta força política está à nossa direita. E depois ainda há o outro, que é o PNR, antigo PNR, agora chama-se ERG. Se há extremistas, temos ERG e ADN. Só depois é que temos o Chega. Como é que o Chega é um partido extremista quando tem dois partidos à sua direita?
Mas está a dizer o Chega como um partido extremista, colocando-o em terceiro lugar dessa lista.
Não, então somos todos extremistas. Vamos chegar a um ponto em que não há nenhum partido que não seja extremista, só o PS e o PSD é que não são. Não, nada disso. Nós não somos um partido extremista, porque os extremos estão à direita e à esquerda e nós estamos não à direita e muito menos à esquerda, mas à nossa direita temos dois. É preciso que passe esta informação para os portugueses. Há dois partidos à nossa direita. Como é que nós somos um partido radical extremista quando há dois à nossa direita? Não percebo isso.
Nuno Melo disse ontem que dois deputados valeriam por 50. Mais uma referência que poderia ser atribuída aqui ao Chega.
Podia ter dito por 78 ou por 80, não é?
É uma coincidência.
Uma coincidência, eu penso que é um número como outro qualquer.
Como é que o Chega viu a proposta de Nuno Melo para a comissão para comemorar o 25 de Novembro? Suponho que concorde.
Com muito bons olhos. Nós já andamos a pugnar por essa celebração, para essa data ser realmente notável, e porque foi. Foi o complemento do 25 de Abril, nós estamos fartos de dizer isso. Essa informação também não tem passado. Espero que a partir de agora, com a ajuda também do CDS, que sirva ao menos para isso, para que os portugueses percebam que não houve só o 25 de Abril. Houve um 25 de Abril e um 25 de Novembro. Se não houvesse o 25 de Novembro, a esta hora estávamos todos a fazer parte de um comitê central numa república socialista não sei eu onde. Felizmente, houve o 25 de Novembro e nós aplaudimos essa iniciativa, porque já a tivemos. Eu há dois anos que faço palestras no dia 25 de Novembro, em Ansião, a convite da distrital. E não é nada de novo para nós. Nós aplaudimos isso e fomos os pioneiros nesse desígnio.