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Na sede do CDS, já está também a falar a esta hora, vamos acompanhar à boleia da RTP3, a porta-voz dos centristas, Cecília Meireles.

Nessa mudança, e ela virá mais cedo do que tarde, o que são obviamente boas notícias para Portugal. As próximas eleições legislativas não vão ser em 2023, vão ser no dia 30 de janeiro e por isso o CDS depara-se com o desafio da preparação de uma campanha eleitoral que o PS já iniciou no dia do chumbo do Orçamento de Estado. Por isso, o adiamento do nosso congresso, que a própria direção tinha proposto antecipar, resulta deste facto consumado, porque eleições no dia 30 de janeiro significa que teremos de apresentar as nossas listas fechadas no dia 20 de dezembro, em meados de dezembro, e por isso todos os nossos esforços, toda a nossa força anímica, todos os nossos recursos têm de estar absolutamente centrados na preparação de uma alternativa para oferecermos ao país e uma alternativa de programa político, de equipas, que permita recuperar a confiança de todos os eleitores que nos abandonaram nas últimas eleições legislativas.

Mas o adiamento do Congresso tinha em conta o cenário de eleições no início de janeiro. Eleições a 30 de janeiro não retira argumento para esse adiamento do Congresso e de eleições internas no CDS?

De maneira nenhuma. Nós não pudemos nunca antecipar qual seria a decisão do senhor Presidente da República e o facto de as eleições serem a 30 de janeiro significa que nós temos apenas seis semanas para preparar todo um processo de campanha eleitoral, que é uma campanha particularmente importante para o nosso partido. E, portanto, nós temos realmente que nos concentrar e desenvolver esforços que não podem ser menores do que aqueles que empreendemos na preparação das eleições autárquicas, para que de norte a sul do país consigamos chegar aos portugueses e consigamos recuperar a confiança de tantos eleitores que em 2019 optaram por não confiar o seu voto ao CDS.

O CDS pode então garantir que será Francisco Rodrigues dos Santos o cabeça de lista dia 30 de janeiro?

Francisco Rodrigues dos Santos é o líder do CDS, tem mandato no CDS até ao dia da entrega das listas, até ao dia das eleições e permanecerá evidentemente legitimado para exercer o seu mandato até ao dia em que for substituído. É assim em qualquer partido democrático. Foi assim no passado, em que outras lideranças prolongaram os seus mandatos vários meses depois da data formal e, de facto, neste caso, as eleições ocorrem três dias depois apenas do fim do seu mandato.

Mas o mandato do presidente termina, salvo erro, a 26 de janeiro. Portanto, quando houver eleições, já terminou o mandato do atual presidente.

Formalmente, o mandato mantém-se até 26 de janeiro, mas mantém-se obviamente, é assim em qualquer partido, até ser substituído. E como lhe estava a dizer, no passado, Paulo Portas, por exemplo, teve vários mandatos que ultrapassaram largamente os 24 meses, que se estenderam até 27 meses, e obviamente que um partido não fica órfão de líder por causa da realização de umas eleições. E em todo o caso, todo o processo de preparação deste processo eleitoral, designadamente a escolha e apresentação de listas, ocorrerá claramente antes do dia 26, como lhe digo, até finais de dezembro.

Mas reconhece que fica criado vazio legal de quatro dias.

Não fica criado vazio legal, porque juridicamente o mandato mantém-se até ser substituído em novo congresso. E uma coisa podemos garantir aos portugueses, é que haverá um novo congresso a seguir às eleições, que haverá o novo congresso eletivo e o partido terá todo o tempo e todas as condições para, em ambiente de calma, de harmonia, de estabilidade, discutir a liderança. Neste momento, a prioridade para o país são de facto estas eleições e é nisso que nos vamos concentrar.

Formalmente reconhece que não há nenhum impedimento para que o Congresso pudesse realizar-se nas datas que estavam inicialmente já previstas.

Eu não sei como é que não há impedimento. Eu creio que há um impedimento, de facto, prático, na possibilidade de em seis semanas nós podermos mobilizar o partido internamente para formarmos listas, aprovar. Isso implica uma série de trâmites internos, deliberações dos órgãos do partido, seja de aprovação de listas, seja eventualmente de aprovação de coligações, o que pressupõe também processos negociais com a nova liderança do PSD, o que pressupõe também trabalharmos em financiamento, trabalharmos na parte política da elaboração de um programa político, trabalharmos em percorrer o país de norte a sul do país e ilhas para levar a nossa mensagem às pessoas. E isto não se faz seguramente em seis semanas. Não se faz seguramente com um partido como o CDS, que está a precisar urgentemente de chegar ao coração dos portugueses e é esse o nosso foco, porque o país merece, de facto, que contribuamos para uma alternativa à esquerda e porque estas eleições autárquicas que tivemos, de facto comprovaram que o país e que o CDS foi determinante para conquistar poder à esquerda. E, por isso, é esse o nosso objetivo.

Eu queria perguntar da notícia de que há um comunicado por parte de Nuno Melo, que seria alegadamente candidato se houvesse nesta altura congresso eletivo no CDS, a fazer um último apelo para que seja convocado esse congresso, para que as listas dos delegados ao congresso possam ser eleitas no próximo fim de semana. Quer responder?

Olhe, eu não conheço o comunicado do Nuno Melo, tenho imensa pena, mas por isso não vou comentar.

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