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É hora para falar à Rosenda Machado, também do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, sobre a evolução da efetividade das vacinas contra a Covid-19.

Múltiplos fatores, nomeadamente fatores individuais, como a idade, a presença ou não de doenças crônicas, as vacinas que estão a ser administradas, os vírus que estão em circulação e a capacidade da vacina conferir proteção contra variantes específicas. E aqui um outro fator extremamente importante, que é o tempo desde a toma da vacina. Os objetivos dos estudos de efetividade são, considerando as diferentes populações que foram alvo do plano de vacinação ao longo do tempo, e olhando para diversos espectros de novidade da doença, pretendemos estimar qual é a efetividade, qual é a proteção que foi conferida pela vacina contra a Covid-19. E também prestar atenção ao que é o potencial decaimento desta efetividade ao longo do tempo após a vacinação completa. Contextualizando, os resultados que passarei a apresentar estão focados na população residente na comunidade e com idade superior a 30 anos. E o que nós fizemos foi ir olhando e fomos acompanhando as várias coortes à medida que elas foram elegíveis para a vacinação. Portanto, está aqui representado o que foram os momentos-chave da vacinação de alguns destes grupos populacionais, nomeadamente em fevereiro, com a vacinação da população com 80 e mais anos, o início da vacinação desta população, e depois numa segunda fase do plano, em que passamos a vacinar os indivíduos de acordo com a idade dos mesmos, por ordem decrescente. Em março, estaríamos a vacinar a população com idade entre 65 e 79. Em abril, a população com idade entre os 50 e 64 e, em maio, a população com idade entre os 30 e os 49 anos. Passo então a apresentar o que são os resultados e estimativas da efetividade das vacinas. Estou aqui a considerar todas as vacinas que foram administradas, ou seja, as que estiveram a ser administradas durante o plano de vacinação e, neste momento, a olhar para o que é vacinação completa. O outcome aqui é o da infecção sintomática, ou seja, o indivíduo teria que ter um resultado positivo e também pelo menos um sintoma. E o que conseguimos observar neste gráfico, temos os quatro grupos etários que estão aqui em análise e as estimativas de efetividade contra infecção. E vemos que, de uma forma geral, elas são acima de 50% para os vários grupos etários aqui em consideração, sendo mais elevado na população mais nova, ou seja, com idade entre os 30 e os 49 anos, comparativamente à população com idade superior a 80 anos. Olhando para formas mais graves da doença, mais uma vez, repetir, estamos a olhar para todas as vacinas que estiveram a ser administradas e olhando aqui para o outcome da hospitalização ou então óbito. E o que percebemos, mais uma vez, temos aqui os quatro grupos etários, e percebemos que estas efetividades são bastante elevadas, ou seja, superior a 80% de uma forma geral, sendo, mais uma vez, mais baixas quando olhamos para a população com 80 e mais anos, mas ainda assim, estimativas bastante elevadas de efetividade. Este gráfico é só o seu sumula, ou seja, é a composição das várias estimativas que eu estive a apresentar, só para mostrar aqui um padrão que se observa nos vários grupos etários, nomeadamente, em que há uma maior efetividade quando olhamos para as formas mais graves da doença, nomeadamente hospitalização ou óbito, comparativamente à efetividade contra infecção. Outra dinâmica ou outra dimensão que é importante e que desde muito cedo referimos que era importante irmos acompanhando, é esta monitorização do que é a efetividade após a vacinação completa. Isto porque podem ocorrer e podem surgir novas variantes do vírus, que podem, de alguma forma, ter um potencial escape à imunidade que é conferida pela vacinação, e há também um potencial decaimento da proteção conferida pela vacina, algo que já observamos em outras vacinas e que poderia ser observado com estas vacinas. O resultado, quer da ocorrência de uma nova variante, quer deste decaimento, é, no fundo, uma redução da proteção que é conferida pelas vacinas. Para esta análise, olhamos essencialmente para a população que foi vacinada nas primeiras fases, ou seja, para a população com 80 e mais anos, e depois tenho gráficos que apresentam esta avaliação, esta evolução ao longo do tempo para a população com idade entre os 65 e os 79 anos. E mais uma vez, o outcome aqui de interesse e que estou a apresentar é a infecção sintomática. De notar apenas que, neste momento, a vacina que está a ser avaliada são as vacinas do tipo mRNA. E o que percebemos para esta população e para este outcome, é que atinge-se o máximo 14 a 41 dias após a toma da vacina e que depois observamos um decaimento desta idade ao longo do tempo, sendo que 124 a 149 dias após a toma da vacina, ou seja, do esquema completo, esta efetividade ronda os 47%. De se chamar a atenção que esta estimativa que está aqui apresentada e que diz respeito a aproximadamente cinco meses após a toma da vacina e a vacinação completa, é uma estimativa que tem uma baixa precisão e que será obviamente atualizada com mais informação e que usualmente a cauda desta avaliação tende a estar subestimada. Quando olhamos para o outcome mais grave, nomeadamente para a hospitalização, vemos mais uma vez que há aqui um pico, ou seja, um ponto máximo de efetividade nos dias mais próximos à vacinação completa. Percebemos que há também algum decaimento desta efetividade com o tempo. Contudo, este decaimento, este decréscimo é muito mais lento comparativamente quando observamos a efetividade contra a infecção. Mais uma vez, cinco meses após a vacinação completa, a efetividade ainda está com valores bastante elevados, na ordem dos 70%. Olhando para a população com idade entre os 65 e 79 anos, esta análise tem em linha de conta as duas vacinas, ou melhor, as três vacinas que estiveram essencialmente a ser administradas neste grupo populacional. E tendo em conta o esquema diferente que foi utilizado para a administração destas vacinas, temos aqui então duas séries, apresentamos isto em duas séries. Sendo que, mais uma vez, aqui o outcome de interesse é a infecção sintomática. E o que percebemos é que 14 a 41 dias após a vacinação completa, é o momento em que se atinge o valor máximo desta efetividade e percebemos então um decaimento bastante acelerado, também, aliás, como foi observado na população com 80 e mais anos. O cenário é diferente quando olhamos para a doença mais grave, nomeadamente a hospitalização, em que ainda que se observe algum decaimento, este decaimento, mais uma vez, é muito mais lento e muito mais suave. E as diferenças entre as duas vacinas não é tão evidente. Estes resultados vão muito em linha de conta com outros resultados, com a literatura internacional, que tem vindo a ser publicada. E trago só aqui, a título de exemplo, um estudo realizado nos Estados Unidos. A vacina aqui que estava em análise era as vacinas do tipo de mRNA e que os autores também verificaram que havia um decaimento para os vários grupos etários. E aqui estiveram a olhar para a população com idade superior aos 16 anos. Portanto, cada uma destas linhas corresponde a um grupo etário, e o que se percebe é que há aqui um decaimento da efetividade da vacina mRNA contra a infecção, e isto é transversal para os vários grupos etários. Quando olhamos para outro outcome, como a hospitalização, este decaimento não se verifica e esta análise foi realizada até seis meses após a vacinação completa. O resultado, quer desta evidência e compondo com outros resultados que foram sendo observados, conduziu a que vários países optassem por haver um reforço da vacinação e, portanto, administrando uma terceira dose aos indivíduos que tinham sido inicialmente imunizados com vacinas do tipo mRNA ou ainda da vacina da AstraZeneca. E mais uma vez, trago aqui só a evidência de um estudo realizado em Inglaterra, ainda está em pré-print este artigo. Só para definir, estamos aqui a olhar para infecção sintomática. Portanto, quando comparativamente à efetividade da vacina duas doses, este gráfico mais à esquerda diz respeito às vacinas da AstraZeneca, comparativamente à efetividade com duas doses, quando é feito então o reforço, ou seja, é administrada esta dose de reforço com vacinas do tipo mRNA, verifica-se aqui um aumento da efetividade e, portanto, repondo quase que a efetividade inicial que tinha sido observada. À direita, temos o gráfico que diz respeito à vacinação homóloga, ou seja, vacina da Pfizer e depois com o reforço da vacina da Pfizer. E mais uma vez, vemos também aqui, no fundo, um aumento da efetividade para valores bastante elevados. Fomos analisar em Portugal esta vacinação, esta estratégia de reforçar a vacinação da população iniciou-se há menos tempo, comparativamente, por exemplo, a Inglaterra, e, portanto, ainda não temos informação suficiente para poder fazer um estudo similar. Mas o que fomos tentar perceber era se já poderíamos observar algum tipo de efeito, ainda que preliminar, desta estratégia na população com 80 e mais anos, comparativamente à população com idade compreendida entre os 70 e os 79, em que esta cobertura da terceira dose, desta dose de reforço, está a acontecer posteriormente. E o que nós observamos é que após a introdução desta medida e o início deste reforço, percebemos que parece haver um alterar do que era a tendência de crescimento da incidência na população com 80 e mais anos, aqui em vermelho. Isto seria o que estaríamos à espera de encontrar se não tivesse ocorrido esta estratégia de reforço, comparativamente à população com 70 a 79 anos, em que a esta data ainda não tinha iniciado, na sua grande maioria, este reforço da vacinação. Estou já a concluir e chegar aos comentários finais. Portanto, os resultados da efetividade nos indicam é que as vacinas são efetivas na redução da doença, mas em particular quando olhamos para a doença grave ou muito grave. Contra a infecção, a efetividade das vacinas é superior a 53% e quanto à hospitalização, esta efetividade é superior a 80%. Percebemos também que a efetividade varia com a idade, aliás, algo que já estávamos à espera e que já se observa em outras vacinas. E, portanto, os valores mais elevados encontram-se na população com 30 a 49 anos, população que foi alvo desta análise. Na população com idade superior a 65 anos, começamos a perceber que há um decaimento desta proteção conferida após a vacinação completa, sendo que este decaimento é mais significativo quando olhamos para o outcome infecção sintomática, o que vem de alguma forma reforçar a importância, isto a par de outros resultados que também já foram mostrados anteriormente, a importância da vacina de reforço. A informação preliminar ou esta análise preliminar da introdução desta estratégia de reforçar a vacinação na população com 80 e mais anos, parece mostrar um decréscimo de incidência neste grupo etário após a introdução desta medida. Muito obrigada a todos pela vossa atenção.

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