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E quem já viveu a experiência de estar em competições desportivas no Qatar foi Mário Silva, o atual treinador principal do Rio Ave. Esteve no Qatar já em 2014 com os escalões de formação do Futebol Clube do Porto, também como jogador da seleção portuguesa no Mundial sub 20, em 1995.
E era na altura Mário Silva o jogador mais novo da seleção portuguesa, com 18 anos. É pelo menos essa a indicação que foi dada também nalgumas entrevistas. Boa tarde, Mário Silva. Começo por lhe agradecer a disponibilidade de estar conosco aqui nesta emissão em que vamos acompanhar este sorteio para a fase de qualificação. O Mário Silva, como disse a Ana Filipa Rosa, já esteve no Qatar pelo menos por duas vezes, uma enquanto jogador, outra enquanto treinador. Que recordações é que trouxe do Qatar, pelo menos dessas duas viagens?
As melhores. Se no Mundial de 95 fizemos um terceiro lugar, conquistamos a medalha de bronze, já enquanto treinador de formação do Futebol Clube do Porto, tivemos uma presença muito positiva no Torneio Al Kasr. Um torneio muito bem organizado pela Aspire. E o que eu guardo do Qatar é um país maravilhoso, com excelentes condições para a prática do futebol, excelentes estádios, excelentes relvados e que com certeza absoluta vai tudo proporcionar um excelente mundial e com certeza absoluta as melhores condições para as seleções poderem trabalhar e poderem dar bons espetáculos de futebol.
Tem-se falado muito sobre as condições climatéricas, o muito calor que se faz sentir durante grandes períodos do ano no Qatar. De que é que se lembra também desse ponto de vista? Lembra-se que fazia muito calor dessas vezes que lá esteve? Era um calor que não permitia também melhor desempenho por parte dos jogadores?
Sim, nós no Mundial 95 fomos, e eu recordo-me porque fiz os meus 18 anos, faço anos em abril e fiz os meus 18 anos lá no Qatar, e as temperaturas já estavam muito altas. Normalmente quando jogávamos à noite era mais fácil. Lembro-me que, por exemplo, o terceiro e quarto lugar que disputámos contra a Espanha na altura de Raúl, Morientes, Iván de la Peña, uma seleção fortíssima que nós conseguimos vencer e por isso mesmo ficar em terceiro lugar, foi durante a tarde e já nessa altura, e eu joguei nesse jogo, o calor era muito forte. Por isso as datas serem entre novembro e dezembro é a melhor forma de colmatar isso mesmo, porque são as temperaturas mais amenas no país. Agora, de certeza absoluta que com jogos à noite e nessas datas não se irá notar esse mesmo problema do calor. Agora, que faz muito calor, é verdade, faz e isso normalmente é desagradável, faz desidratar muito mais rápido e faz com que o cansaço se apoder mais rápido também dos jogadores, o que acho que pelas datas em si vai ser favorável nesse sentido.
O facto de haver aqui também alguns jogos em horários pouco típicos, jogos a começarem por volta das 10:00 p.m., é pelo menos essa a previsão. O facto de hoje em dia já termos jogos até da Liga Portuguesa e da Taça de Portugal, por exemplo, ou da Taça da Liga, que já começam a horários que também já não são propriamente horários de tarde como era antigamente, isso leva a que haja também uma maior habituação por parte dos jogadores. Ou seja, hoje em dia um jogador profissional de futebol já está também preparado para ter de lidar com estas contingências.
Sim, nós em Portugal já temos jogos às 8:00 p.m., às 9:00 p.m. Acho que mais hora, menos hora, acho que não é por aí que faz grande diferença. Acho que cada vez mais o jogador de futebol se adapta às circunstâncias e às condições que tem e nesse sentido acho que não irá ser um problema e provavelmente a grande vantagem é que irão estar sempre temperaturas frescas, o que é mais fácil para a prática do futebol e para o rendimento dos jogadores.
Mário Silva, temos falado aqui destas questões relacionadas com o clima, as condições para a prática desportiva, mas o Mário Silva também me estava a dizer há pouco que quando esteve no Qatar, o que sentiu foi também um país que estava preparado para receber estes grandes eventos desportivos. Mas como é que é vivido o futebol do ponto de vista do adepto? Conseguiu de alguma forma perceber também isso? Ou seja, se é um país que adere e que tem também adeptos que têm grande adesão a este tipo de eventos desportivos, neste caso ao futebol. Perspetiva que haja um país inteiro a acompanhar de perto e a viver este mundial de futebol como noutros mundiais?
Acredito que sim, não sendo como nós na Europa, ou seja, adeptos tão fervorosos e tão entusiasmados com o futebol, acredito que face a tudo o que o Qatar tem feito para promover o futebol, eu acredito que na altura do mundial irão estar estádios cheios. Esperemos que sim, esperemos que esta pandemia passe o mais rápido possível e que possamos voltar à normalidade e que de certeza absoluta iremos ter grandes espetáculos com estádios cheios, porque o futebol naquele país, pelo menos, começa a ser mais apaixonante, as pessoas começam a gostar mais. É normal que face ao que o país tem feito a atrair jogadores, a atrair treinadores, a atrair bons executantes para a prática do futebol, tenha feito com que as pessoas se apaixonem ainda mais por este desporto e por isso acredito que quando as melhores seleções do mundo estiverem presentes, de certeza absoluta que vão ser espetáculos recheados de emoção pelo público, de certeza que vai estar presente em massa.
E considera, Mário Silva, só mesmo para terminar aqui a nossa conversa de enquadramento, no fundo, também deste mundial, que a seleção portuguesa, independentemente daquilo que pode vir a ditar este sorteio, pode ter aqui um bom mundial. Em 2018, a seleção portuguesa acabou por cair nos oitavos de final frente à seleção do Uruguai. Era detentora do título de campeão europeu. Neste momento, a seleção portuguesa, no seu entender, tem aqui margem para conseguir fazer um bom mundial, para conseguir uma classificação melhor do que aquela que conseguiu, por exemplo, em 2018?
Acredito que sim. Temos um excelente treinador, um excelente selecionador, que tem dado provas e tem sido o orgulho de todos nós portugueses. Tem jogadores de enorme qualidade, como tem vindo a demonstrar e têm demonstrado a nível de seleções mais jovens que outros valores começam a aparecer e por isso acredito que vamos estar na máxima força e esperamos que com os nossos melhores jogadores possamos fazer melhor do que fizemos no último mundial e possamos continuar a estar todos orgulhosos da nossa seleção e do nosso país.
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