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Estamos este início de manhã, final de madrugada, com Martim Meier, que foi candidato às eleições do Sport Lisboa e Benfica para o quadriênio de 2025, 2029. Ficou-se pela primeira volta, mas fez questão de marcar presença nesta cerimônia de tomada de posse, neste pavilhão número um do Estádio da Luz, que deu novamente esses poderes a Rui Costa por mais quatro anos. Muito bom dia, que análise faz dos resultados nestas eleições?
Muito bom dia. Os resultados falam por si. Dois terços dos votos ao nosso reconduzido presidente Rui Costa é suficiente para compreender o que os sócios querem e, portanto, não faço grandes comentários, simplesmente desejar boa sorte ao Rui Costa.
O que é que lhe disse?
Primeiro de tudo, ouvi o que ele disse. Gostei do discurso que fez, obviamente apelou à união, o clube precisa de união, precisa também de se desenvolver. Esta eleição record é também uma responsabilidade, não é só um feito de que nos devemos orgulhar, é também uma responsabilidade. E por isso, com um clube desta dimensão, com a quantidade de recursos que tem, com a profundidade social e cultural que o Benfica tem, ser presidente do Benfica é uma grande responsabilidade.
E o que é que disse, já agora, a Noronha Lopes?
Desculpe, eu não falei com Noronha Lopes, é muito cedo ainda para isso.
Muito bem. Então pergunto-lhe, neste caso, e falou agora de união e dessa missão, dessa importância de voltar a unir os benfiquistas. Rui Costa pegou numa das suas ideias de candidatura de juntar os seis candidatos na tribuna presidencial para o jogo a seguir ao ato eleitoral, esta noite, às 20h30, frente ao Casa Pia. Mas para além desta medida, acha que Rui Costa vai conseguir unir os benfiquistas?
Eu tenho que dizer que sim, porque isso é o melhor para o Benfica. E cada benfiquista quer o melhor para o Benfica. Por isso, não há outro caminho. Uma coisa é termos espaço para debater ideias, uma coisa é termos espaço para explorar situações que possam ser vantajosas para o clube e também, porque não, porque assim obriga a exigência que gerir o clube acarreta, debater aquilo que não correu bem e apontar responsabilidades e pedir responsabilidades quando há alguma coisa que não corre bem. Tudo isso faz parte da vida do clube. Agora, há que saber fazê-lo do mesmo lado da trincheira e nunca se pode perder a noção disso.
E por falar desse lado singular da trincheira, dessa partilha de ideias, e Martim Meier foi um candidato que apresentou não só muitas ideias no plano desportivo com o André Jonker, mas também no plano de infraestruturas, e falamos do aumento da capacidade do Estádio da Luz e também da cidade do Benfica para as modalidades. Pergunto-lhe que ideia, destas muitas ideias, é que gostaria que Rui Costa aplicasse nestes próximos quatro anos?
Deixe-me dar-lhe nota, se não se importa que eu lhe diga isto. Uma ideia, por si só, tem valor, mas ela quando se concretiza em algo de concreto, passa a ser uma proposta. E aquilo que eu me preocupei em fazer em cada dossiê da importância máxima da vida do clube, foi transferir as ideias para propostas concretas. Algumas delas, efetivamente, têm sido reconhecidas como alguma coisa que interessa para a vida do clube. E, por isso, do meu lado, há toda a abertura para debater a forma de implementação dessas propostas. Não será por mim que isso não vai acontecer, até porque não há dúvida nenhuma que essas propostas são propriedade do Sport Lisboa e Benfica, não são minha propriedade. E, por isso, havendo essa vontade, mas não me cabe a mim falar sobre isso.
Se pudesse sugerir.
Olhe, eu acho que da mesma forma que batemos aqui o recorde de eleição, eu acho muito relevante nestes próximos quatro anos, olhar para aquela que é a nossa proposta Benfica Global, onde sabemos que temos grandes comunidades de benfiquistas pelo mundo, cidades onde temos mais de 100 mil benfiquistas concentrados, e isso pode trazer grande riqueza social e cultural para o clube e também arrecadar receitas com muita relevância. Eu gosto muito dessa perspectiva para o desenvolvimento do clube durante estes próximos quatro anos. É alguém que eu acredito profundamente e, por isso, refiro-me a isso. Relativamente ao futebol, entendo que alguém como André Jonker poderia efetivamente trazer aqui uma coesão a todo o edifício do futebol, que vai muito para lá da boa gestão da equipa A. E isso, a médio prazo, pode resultar em algo muito significativo para a performance do futebol do Benfica e para a identidade do futebol do Benfica. São as duas ideias que eu escolho para responder à sua pergunta.
E há pouco falava desse futuro, não só do Benfica global, mas também de André Jonker, para ter esse desenho para os próximos quatro e, quem sabe, oito anos. Pergunto-lhe então sobre o futuro de Martim Meier. Pretende candidatar-se novamente às eleições do Benfica?
É o último dia onde tenho isso na cabeça. Hoje vim aqui efetivamente dar os parabéns ao Rui Costa, dar os parabéns a todos os membros dos órgãos sociais e apelar.
Não afasta essa ideia?
Desculpe?
Não afasta essa ideia?
Não, vou lhe dizer o seguinte: eu estou na vida do clube, no seu dia a dia, vigilante e a olhar para o desenvolvimento do clube. Quero fazê-lo de uma forma unida e, obviamente, a partir do instante que tenho aquilo que reuni para esta candidatura, que é uma equipa com muita competência a seguir cada um dos dossiês do clube, até pela própria proximidade que estas eleições criou entre mim e a direção do clube, terei mais canais para poder fazer chegar a minha mensagem e também para poder dar a minha opinião aos sócios e ouvir os sócios, assim queiram falar comigo. Portanto, não sairei da vida do dia a dia do clube, pelo contrário, tenho essa disponibilidade, quer familiar, quer profissional, e portanto, é isso em que agora estou concentrado, em dar o meu contributo a partir de hoje para que esta direção seja bem-sucedida.
Falou agora em mensagem. Para terminar esta entrevista, que mensagem deixa aos sócios e adeptos do Benfica?
Não me canso de dizer, a união. Nós precisamos de nos unir e, por isso, podemos debater, podemos criticar, podemos propor, podemos inovar, mas tudo isso tem que ser feito em união. É disso que o Benfica é feito, vem no nosso emblema, estou a ler ali ao fundo, é pluribus unum, e, portanto, temos que todos, cada benfiquista tem que decidir que quer o clube unido, porque isto são decisões individuais e, portanto, 400 mil benfiquistas deverão querer o Benfica unido. É assim que conseguimos união. Começa por ser um desejo, uma vontade, e depois pôr isso em prática. Portanto, a minha mensagem é mesmo essa, é apelar ao coração de cada benfiquista para que nos profilemos atrás do presidente Rui Costa, que hoje iniciou o seu mandato, porque é assim que o Benfica vai ser mais forte.
Martim Meier, minha entrevista à Rádio Observador. Muito obrigado.