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Nuno Melo, líder do CDS, também é Ministro da Defesa. Está agora no meio de um congresso para a reeleição no partido e o mandato no governo ninguém sabe exatamente quanto tempo vai durar, mas serão à partida mais três anos e meio. Precisamente queria lhe perguntar se seria natural, nem sequer era novo, porque isso aconteceu com Paulo Portas e com o líder do PSD, que já não era Durão Barroso, mas se era natural ser cabeça de lista do CDS nas futuras eleições contra Luís Montenegro, já que atualmente é ministro de um governo que é liderado por ele.
O que é normal é preservar a AD como uma fórmula que resulta, tendo em conta que comprovadamente Portugal, em 2026, está em muito melhor situação do que estava em 2024 e todo o meu esforço é colocado no sentido do sucesso desta AD, que sempre foi a votos, nunca perdeu eleições. E isto é relevante, não só o contexto, mas também os resultados. Se se recordarem, em dois anos apenas, tudo mudou em Portugal. Em 2024, o país estava na rua com o Partido Socialista no poder. As substituições de governantes eram uma média superior a uma por mês. Na verdade, se bem me recordo, em nove meses substituíram-se 12 governantes. Enfim, a ideologia estava nas escolas, o Serviço Nacional de Saúde estava em dificílimas situações, as migrações estavam descontroladas, os jovens saíam do país em números recorde. Havia números recorde também de carga fiscal e hoje em dia tudo mudou. Se reparar, o país não está na rua. Nós conquistamos a paz social. Fizemos mais em dois anos do que os socialistas fizeram em oito anos. Aumentamos rendimentos das famílias, dos idosos, dos mais pobres. E conseguimos fazer isso ao mesmo tempo que reduzimos impostos e reduzimos a dívida. O IRS desceu quatro vezes. Quer dizer, atingimos dois superávits. Fomos um de cinco países que em 2025 conseguiram, de facto, esse sucesso, que manifestamente é elogiado dentro e fora. A "The Economy" considera Portugal a economia do ano 2025. Resolvemos problemas prementes como esse, do controle dos fluxos migratórios e portanto, quando decorreram dois anos e o país está assim melhor, todo o nosso esforço há de ser no sentido de permitir que o ciclo continue, que a AD tenha longevidade e que caiam as oposições e este ciclo seja um ciclo crescentemente de sucesso.
É possível depreender daí que se pudesse escolher e se esse sucesso continuar como o Nuno Melo está a dizer, não há razões para essa coligação se quebrar se houver um ciclo eleitoral pelo meio, seja ele quando aparecer. Até porque, deixe-me só introduzir este fator, o próprio Paulo Núncio dizia-nos, e não vai ser só ele, já houve vários dirigentes, quer do PSD, quer do CDS, que é um ciclo para duas legislaturas, para oito anos. Esse ciclo, desejavelmente, continuaria com a AD sólida. Era sinal que esse sucesso continuava.
Não, o problema é, se uma fórmula tem sucesso, não me faz sentido que seja alterada. Não obstante, como é evidente, em cada momento eleitoral há uma reavaliação que tem que ser feita. E o CDS também a fará. Neste momento, não temos nenhuma razão para achar que a AD não é uma realidade política e partidária de enorme sucesso, porque é, isso está comprovado a todos os níveis.
Nuno Melo, enquanto profundo conhecedor não só do CDS, como de todas as movimentações internas do partido, qual considera que é a motivação da Juventude Popular para alinharem esta ideia ou para incentivar esta ideia de ir a votos sozinho, de reafirmar não a independência, mas a voz do partido?
A irreverência é uma das marcas das juventudes partidárias e as dinâmicas tendem a refletir essa irreverência, que se traduz, no caso, em ideias, que não em candidaturas. Podemos concordar ou discordar. Eu discordo absolutamente de grande parte do que esta moção apresenta, mas é uma moção que é legítima, de uma juventude que pensa e que é importante para o CDS.
E não causa incômodo à direção do partido, por um lado, e até à própria coligação com o PSD, não sai fragilizada sempre que aparecem vozes internas, no fundo, a apelar a uma separação?
A democracia não causa incômodo e se fôssemos a ter isso em conta, bastaria ter presente tantos congressos do PSD onde são ditas também as mais variadas coisas em relação ao CDS. E as coisas não caem pereintes na lama por isso. Até nós sabemos o que o CDS é e o que o CDS representa. Nós não vivemos com complexos, nem temos défice de consideração. Sabemos o nosso papel e é através desse papel que estamos a transformar para muito melhor a vida dos portugueses. As dinâmicas de um congresso são as dinâmicas de um congresso. A democracia há funcionado. O que é normal é que diferentes pessoas digam diferentes coisas, mal seria. Importante é aquilo que se vota, o que se delibera e o que resulta para o dia seguinte. E o que resulta para o dia seguinte, espero bem, possa ser a aprovação desta moção, que é tempo de futuro.
O CDS está representado no governo, não só no Ministério da Defesa, também no Ministério da Administração Interna. Telmo Correia é secretário de Estado. Como é que um partido que tem como uma das grandes bandeiras a segurança, coabita com um ministro, um novo ministro, que se pode dizer que ia sendo visto como até mais próximo do Partido Socialista?
Eu considero importante que o CDS esteja presente em áreas de soberania. Tem muito que ver com a nossa marca identitária e genética. E considero que este ministro é um ministro muito competenteQue tem sabido agregar dentro do Governo e no que tem a ver com a defesa nacional, trabalhar em conjunto, até antecipadamente em relação a áreas que são tendencialmente difíceis, caso da prevenção dos fogos florestais, assim ditos, mas que na verdade não são fogos florestais, porque afetam aldeias, vilas, cidades e contextos urbanos. E realmente, deste ministro, desta equipa governativa, como o próprio refere, em relação àqueles com quem trabalha no Ministério da Administração Interna, um relacionamento com a defesa e com outros agentes. Enquanto falamos, estamos articuladamente a trabalhar para tentar minorar. Este cenário pode ser muito difícil, porque as previsões são muito más, em termos de comportamento climatérico próximo. E por isso eu devo lhe dizer, eu tenho a melhor das opiniões e enquanto colega de governo, as coisas têm funcionado muito bem.
Já agora, só para esclarecer, concorda que o Luís Neves poderia, por exemplo, fazer parte de um governo do PS como Ministro da Administração Interna?
Eu concordo é que está muito bem neste governo da AD, na pasta que ocupa. Isso para mim é que conta.
Há pouco, no discurso da apresentação da moção, criticava os que acham que a casa natural dos democratas cristãos é o PS e falou até pessoas que tiveram responsabilidades políticas. Estava só a falar de Basílio Horta ou tinha outro alvo?
Eu acho que é público que há pessoas que tiveram responsabilidades recentes no CDS e que hoje estão próximas do PS e fazem parte de órgãos que são de apoio ao PS e outros, naquilo que verbalizam, numerosos comentários também de apoio ao PS. Ora, minha casa nunca foi outra que não a do CDS. E não tenho dúvidas que a única casa dos democratas cristãos é o CDS. E enfim, eu respeito que haja hoje quem tenha gritado CDS alto, mas caminhe para o socialismo. Eu também tenho muitos que sempre estive.
Mas quer indicar o alvo? Está, por exemplo, a falar do seu antecessor.
Não, não é alvo, é uma constatação de facto, mas não quero persistir muito nisso. Até porque para mim não é importante. Para mim o importante é quem cá está. E quem cá está, felizmente, leva este partido e esta bandeira bem alto todos os dias.
Cá no congresso ou cá como militante?
Neste congresso ou fora de congresso, apoiante. Apoiante há várias pessoas que não estão no congresso e que simplesmente não puderam vir. E a razão é mais do que justificada. E são muitos e relevantes os nomes dos que aqui estão, e acredito até, nomes que amanhã também chegarão.
E também de surpresa como o Manuel Monteiro?
Não sei. Presencialmente, por mensagem, não sei. Sabe, o caminho que nós fizemos no momento mais difícil da nossa história, só foi possível porque independentemente de alguns terem desistido, outros se fazerem de mortos e alguns até dizerem que o CDS tinha acabado, felizmente muitos mais persistiram, estiveram do nosso lado, acreditaram, deram tudo para que as coisas mudassem. Quando nós sabemos que em 2024, realmente, o resultado eleitoral aconteceu, não tem que ver com a vitória da AD, com uma diferença de pouco mais de 30 mil votos, nós percebemos que os votos do CDS foram relevantes e hoje em dia os resultados eleitorais tendencialmente são muito próximos. E quando assim é, os votos do CDS, a presença do CDS, não é favor nem é muleta. Os votos contam. E contam principalmente nesta fórmula da AD, que eu insisto, nunca foi votada, mas que eu acho que soma mais do que os votos dos dois partidos. Eu acredito genuinamente disso, independentemente de a AD só se justificar em circunstâncias que façam sentido. E tem feito sentido.
Sem o CDS, Pedro Nuno Santos, se calhar, era primeiro-ministro, não é?
Eu não tenho nenhuma dúvida disso. Se tiverem em conta que o pior resultado do CDS foram perto de 100 mil votos. Tenha em conta a diferença em 2024 e percebe que os votos do CDS foram relevantes. Os do PSD foram mais, porque são muitos mais, mas os votos do CDS foram relevantes e o somatório dos votos dos dois partidos, maximizados por esta fórmula da AD, então eu acredito, a fórmula que trouxe a vitória e que impediu que depois de oito anos do Partido Socialista, tivéssemos mais alguns para dentro.
Eu não resisto, eu sei que não quis falar sobre isso, mas o adjornamento do seu antecessor, Francisco Rodrigues dos Santos, não está à espera que ele apareça aí, como Manuel Monteiro.
Se aparecer, é bem-vindo.
Mas como é que assistiu à viragem dele à esquerda? Ele criticava precisamente uma deriva anterior a ele, no caso de Assunção Cristas, que tirava o partido do eixo mais conservador.
Eu, do ponto de vista televisivo, não tenho assistido muito, para lhe ser franco.
Já é a segunda vez que o Manuel Monteiro aparece no Congresso.
Na verdade, a terceira.
A terceira, sim. Mas fica um bocadinho aquela ideia que ele não veio para questionar de alguma forma a liderança. É importante também para trazer alguma união ao partido. Eu sei que o adversário único que tem, aparentemente, foi secretário-geral dele, mas vê aqui alguma malícia particular ou vê como um discurso que traz um contributo positivo para o Congresso?
Não, o que eu vejo é alguém que ajuda quando é mais preciso. E eu agradeço-lhe profundamente. O professor Manuel Monteiro é alguém com quem eu tenho falado muitas vezes ao longo destes anos de liderança e é também uma voz livre, que diz aqui aquilo que é um pensamento denso a propósito de temas relevantes e ainda bem, porque os congressos precisam disso. Os congressos não têm que ser monocórdicos, não têm que ser uma caixa de ressonância de uma liderança ou de quem seja. E a presença do professor Manuel Monteiro aqui, eu acho, é algo que acrescenta muito ao CDS.
Amanhã conta ter aqui Paulo Portas, não?
Dificilmente teremos aqui o doutor Paulo Portas, mas pode ter a certeza absoluta que o doutor Paulo Portas tem sido um apoio permanente também neste percurso. É, de resto, talvez das pessoas que eu mais ouçoEm todas as circunstâncias, internas, externas, tenho uma profunda admiração, de resto, isso é público.
Por acaso aproveito, porque o congresso é um momento de balanço dos dois anos que passaram, se perdeu uma oportunidade de ter um presidente da área do CDS em Belém, com o facto de o doutor Paulo Portas não ter avançado. Tendo em conta tudo aquilo que foi a batalha.
É público e sabido que se o doutor Paulo Portas tivesse avançado, seria a nossa primeira e única escolha. Mas eleições presidenciais resultam de um impulso individual, de uma vontade pessoal, que no caso não se concretizou.
Há pouco, o Paulo Núncio também dizia que havia um dever de gratidão. E chegamos a falar numa altura em que o CDS tinha muitas dívidas, e creio que não será uma confidencia que na altura disse: "Mais fácil até seria fechar o partido, mas não vou fazer isso, não me apetece, vou resistir". Acha que o partido não lhe reconhece isso tanto como devia?
Acho exatamente o contrário, olhe para este congresso e olhe para todos os outros. Eu acho que o partido reconhece abundantemente e todos em conjunto no partido gostaríamos que o partido estivesse mais forte, fosse mais representativo, mas como dizia o Ortega y Gasset: "Eu sou eu e as minhas circunstâncias". E as nossas circunstâncias foi de quem partiu em 2023, sem grupo parlamentar, sem subvenção, com uma dívida gigantesca, sem a atenção da comunicação social, que invocava repetidamente o critério parlamentar e por isso, não só não participávamos em debates televisivos, como não tínhamos praticamente comunicação social nas nossas iniciativas, exceção feita, devo dizê-lo também ao Observador, que nos deu sempre a devida e justificada cobertura, tendo em conta o que o CDS é, e que não se pede por uma eleição que é absolutamente circunstancial. Eu diria que nessa medida, o partido está até muito reconhecido, mas há um caminho em relação ao futuro que se tem que fazer com racionalidade, que tem que ser passo a passo, que um dia nos fará maiores, mas que não apaga as circunstâncias recentes. Tanto que a composição na AD decorre dessa nossa realidade. Fosse o partido ao tempo mais representativo, através de eleições legislativas precedentes, a nossa representação no governo seria porventura maior. Mas também por isso, a nossa persistência na fórmula e a certeza de que estamos a crescer, e eu acho que em todas as eleições que disputamos em dois anos, foram sete em dois anos, demos provas disso, para quem dizia que o CDS tinha acabado. Eu considero notável que este partido, que alguns dizem que acabou, esteja nos governos regionais dos Açores, da Madeira e do continente, esteja no Parlamento Europeu e nas eleições autárquicas, quando diziam que desapareceríamos porque não concorremos coligados com o PSD em autarquias que dominávamos, porque tínhamos vencido essas eleições. O facto é que não só mantivemos essas câmaras municipais onde três candidatos eram novos, como conquistamos um outro em AD, como aumentamos em votos e em mandatos e através das AD asseguramos outras vitórias do espaço político de centro-direita, que fizeram com que a Associação Nacional de Municípios transitasse de mãos e daí também a nossa relevância. Um partido assim não morreu, um partido assim existe, é forte, não terá a dimensão de outros tempos, depende do plano. Do ponto de vista autárquico, até temos uma dimensão maior do que noutros tempos. Eu lamento imenso, estamos sempre a desmentir os profetas da desgraça. Eu sou um otimista, sou quase um providencialista e portanto eu acredito sempre que com trabalho e com convicção, desde que as pessoas tenham perceção disso tudo, a nossa realidade melhora e tem melhorado. E o partido, como bem vê, apoia e apoia de forma muito expressiva. Já estive em muitos congressos de CDS e em muito pouco estive, como tem acontecido neste ciclo, o partido tão unido e tão reconhecido àquilo que nós estamos a fazer.
O que pode ser pernicioso para o partido não ir a votos sozinho é ter essa referência ser curta. Partiram do zero para conseguir dois deputados nessa negociação que conseguiu fazer com o Luís Montenegro, porque provavelmente se fossem à eleição anterior, partiam do zero. É possível nessa negociação com o PSD, mesmo sem ir a votos, antes conseguir melhorar a representatividade do CDS? Há essa abertura?
A verdade é que nas últimas eleições, em 2025, por muito pouco, não duplicamos o grupo parlamentar. Porque crescemos no país inteiro e onde não crescemos tanto foi precisamente no Porto e em Lisboa, onde o CDS tinha os seus números-chave respetivos. Foi por muito pouco. Agora, é evidente que eu sinto o partido a crescer e chegará o momento em que nós acharemos que esta fórmula não será suficiente para o CDS se não corresponder à nossa perceção do que o CDS representa. Mas isso são avaliações que a cada momento que não são para agora. E seguramente que, para já, esta AD, tal qual existe, é a realidade político-partidária que melhor serve o país.
Como estava a falar, em particular da governação, aqui está como líder do CDS e não como Ministro da Defesa. Mas como é que alguém que está dentro do governo olha para quando pessoas como Pedro Passos Coelho desafiam a fazer reformas e dizem que o governo está a marcar passo e não está a ser ágil e não está a avançar? Como é que alguém que está dentro do Colégio de Ministros, por assim dizer.
Eu acho que ninguém que esteja na política pode levar a mal que outras pessoas, que neste momento não estão comprometidas com qualquer solução concreta, expressem livremente o seu pensamento, mal seria. Nós temos que ter a tolerância e a grandeza democrática de aceitar o que os outros pensamIndependentemente de concordarmos ou não com o que é dito. Eu fui um daqueles que esteve convictamente do lado desses governos da AD, liderados pelo doutor Pedro Passos Coelho, que também foram governos patrióticos e fundamentais para Portugal. Quer dizer, nós numa sessão sentada libertamos Portugal da troika. Foram tempos também absolutamente notáveis. É a esse nível que eu avalio as declarações e as suas consequências. Eu acho que nós devemos ouvir as vozes críticas. Em alguns casos, podem fazer sentido, noutros casos podem não fazer sentido nenhum. O que não temos é que nos aborrecer ou levar a mal que as pessoas se pronunciem, mal seria.
Deixe-me só insistir aqui numa ideia. Há pouquinho falava num partido mais unido do que nos últimos anos e até pedindo para olhar para este congresso. A essa união não fazem falta os pesos pesados a quem Manuel Monteirro estava há pouco a dar um puxão de orelhas?
Não, o congresso está cheio de pesos pesados e devo ser totalmente justo. Há rostos relevantes do CDS que não estão aqui, mas não estão aqui por razão estritamente pessoal. E eu sei disso. Enfim, o congresso poderá para muitos não acontecer no melhor momento, mas para mim os pesos pesados são, ressalvadas essas faltas justificadas, todos os que aqui estão. Esses é que são os pesos pesados. Quais são os pesos pesados num partido? São os que ajudam esse partido a singrar, a andar para frente, a lutar, a ter melhores resultados. Os pesos pesados não são os que se têm nessa conta por um nome, por um passado, por um momento, relevantes que tenham sido. Para mim, pesos pesados são todos aqueles que me ajudam a levar este barco avante, em cima de todas as dificuldades, com os resultados que temos alcançado. São pesos pesados, do militante mais modesto ao dirigente mais ilustre.
O CDS continua a ser um partido de quadros?
O CDS é garantidamente um partido de renovação permanente de quadros que dá ao país. E esse acho que é um facto reconhecido, até dentro da própria coligação.
Deixe-me também fazer uma pergunta, agora enquanto ministro da Defesa, e para falarmos também numa das polémicas da semana. Marco Rubio, o secretário de Estado dos Estados Unidos, veio dizer que Portugal foi um dos primeiros a aceitar a utilização da Base das Lajes quase que sem fazer perguntas. Não é para levar à letra.
Não é para interpretar pelo teor literal. Ou seja, eu acho que o que o secretário norte-americano quis significar foi que Portugal é um aliado credível, que está do lado dos Estados Unidos, sendo que nós sabemos que sim, fizemos aquilo que se espera dos aliados, mas com condições que foram comunicadas aos norte-americanos. Mas acho até muito importante que os Estados Unidos tenham Portugal nessa conta. Acho mesmo muito importante, porque com o mundo tão instável, tão perigoso, com evoluções tão imprevisíveis, só no tempo da nossa governação, tudo se tem agravado. O conflito na Ucrânia persiste. A situação no Médio Oriente é a que nós vivemos. A centralidade no Indo-Pacífico da atenção norte-americana é cada vez mais relevante. Nós obrigados a investir no pilar europeu de defesa da NATO e por isso é que estamos a fazer investimentos tão significativos. Quando assim sucede, termos o aliado norte-americano, e eu não acredito na NATO sem Estados Unidos da América, a dizer o que diz de Portugal, eu acho particularmente importante e é nosso benefício.
E só para esclarecer, o contacto com os Estados Unidos não aconteceu da maneira como Marco Rubio deu a entender ou, no mínimo, como foi interpretado, é isso?
O que eu lhe digo é que eu não interpreto a declaração pelo seu teor literal, porque eu sei o que realmente aconteceu. Isso para mim é que é relevante. E o que retiro de altamente positivo é esta circunstância da credibilidade, da previsibilidade e da confiança em relação a Portugal, que para além do mais é membro fundador da NATO.
Manuel, é ministro da Defesa, presidente do CDS, também é por isso que aqui estamos. Obrigado pela disponibilidade.
Eu é que agradeço a disponibilidade.