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Eu, entretanto, ouvi a declaração da porta-voz do CDS e devo lhe dizer que não poderia ficar mais negativamente surpreendido, porque esta declaração traduz uma grande falta de noção em relação ao dano que está a ser causado ao meu partido. Vamos cá ver se há nota que fica clara em relação a esta data.

Já agora, só para recordar as declarações de Cecília Meireles de forma geral, dizia que apesar do mandato de Francisco Rodrigues dos Santos à frente do partido terminar a 26 de janeiro e mesmo com as eleições a 30, existe aqui uma legitimidade por parte do atual líder do CDS para ser ele próprio a liderar uma candidatura do CDS nessas eleições. E é desse ponto de vista que o Nuno Melo discorda.

Discordo, vamos cá ver, porque não existe nada disso. O que existe é uma ambição pessoal que vai para além de qualquer lógica democrática de quem, fora de mandato e alterando aquilo que já estava decidido, se mantém agarrado ao poder, dizendo que é por interesse nacional, quando o interesse nacional é a última coisa que aqui perspetiva. O partido estava muito pacificado quando o congresso foi adiado. Havia um congresso que estava marcado e havia dois candidatos. Eu estou aqui por causa disso. E o que foi feito foi um desses candidatos dizer: "Olha, afinal já não quero fazer as eleições." E fecha-se a porta ao congresso a 24 horas de os delegados serem eleitos. O que fica provado com esta data é que com o congresso a 27 e 28 de novembro, havia tempo para discutir e votar uma moção de estratégia global, legitimar a liderança que os militantes entendessem melhor combateria a esquerda e o Partido Socialista, apresentar listas, fazer uma campanha eleitoral, como seria normal. O que acontece? No momento em que se adia um congresso para depois das legislativas, o que se traz para o partido é o tumulto. O CDS está em estado de sítio. Portanto, aquela conversa de que as eleições no CDS trariam um fim de discussões e agravaria diferenças, não. Agora é que estão agravadas num estado de sítio que é provocado pelo facto de os militantes não se poderem pronunciar. Isso é que é profundamente grave. Para se manter no poder e ir a votos a qualquer preço, o presidente do partido permite-se deixar o CDS arder. Isso é de uma falta de consciência sobre aquilo que deve ser o papel de um líder, um líder que tem medo de ir a votos dentro.

Nuno Melo, deixa eu perguntar-lhe como é que fica a sua candidatura, neste momento, à liderança do CDS e se acredita que ainda haverá algum tipo de apelo da sua parte ou de qualquer outra personalidade também do CDS que leve a liderança do partido, a direção de Francisco Rodrigues dos Santos, a mudar alguma coisa que possa pacificar o CDS, de forma que o CDS também se possa apresentar na máxima força, seja qual for a liderança nas próximas eleições.

Muito bem. O CDS não se pacifica sem congresso, porque os militantes querem ter uma palavra a dizer. Ponto. Nós tínhamos listas apresentadas em todo o país, dos delegados ao Congresso, e o partido não aceita outra coisa que não seja o Congresso para efeitos dessa pacificação. E isso cabe ao Francisco Rodrigues dos Santos. Quanto àquilo que eu devo fazer, eu tenho neste momento uma outra impugnação apresentada junto do tribunal do partido, que pode decidir da nulidade de todas as deliberações, que eu espero. É evidente, não tenho uma profunda esperança de que isso leve depois à convocação do Congresso.

Todas as deliberações, isso tem que ver também com deliberações passadas de Conselhos Nacionais do partido passados, incluindo aquele último em que se discutiu também a questão da marcação do Congresso e a questão das eleições antecipadas, e o outro anterior também, em que se falou também dessa data de 27 e 28 de novembro para o Congresso?

Não me consta que esse tenha sido impugnado. Entende? Este foi. O outro não foi. E de resto, eu entendo que aquilo que se aplica é o artigo 24 do Código de Processo Administrativo, o que implica um prazo de 48 horas e o outro congresso foi convocado com prazo muito maior. Pronto. Mas independentemente disso, o fato é que se a decisão jurisdicional for no sentido de anular as deliberações, temos aqui duas possibilidades: ou o presidente cai em si e realiza o Congresso, coisa que eu lhe devo dizer duvido, porque a ambição é demasiado grande neste momento e prevalece sobre tudo, ou hipótese segunda, persiste com expedientes que podem ser a convocação de outro Conselho Nacional, pode ser outra coisa qualquer. Infelizmente, as coisas estão como estão e eu lutarei até o fim.

Deixe-me só perguntar-lhe para quem está de fora também dessas dinâmicas internas, neste caso do CDS. Com o fim do mandato de Francisco Rodrigues dos Santos a 26 de janeiro e a convocação das eleições legislativas antecipadas para o dia 30 por parte do Presidente da República, o que é que acontece nesse hiato? Obviamente que quando termina um mandato, não é no minuto seguinte que terminam as funções de um presidente, pelo menos de forma mais genérica. Admito que do ponto de vista jurídico haja aqui outros trâmites, mas no entendimento do Nuno Melo, o que se passará com o partido após o dia 26 de janeiro e tendo em conta que há essas eleições a 30, e também agora com esta necessidade de fazer as listas, de entregar as listas para deputados, que tendo em conta as datas que foram anunciadas pelo Presidente da República, as listas terão de ser entregues até ao dia 20 de dezembro, pelo menos ali até meados dessa data.

Com o Congresso a 27 e 28 de novembro, não havia nenhum problema em relação a tudo isso, como é óbvio. Agora, sobre aquilo que terá que ser feito. Sobre a questão do mandato, como é evidente, independentemente do termo do mandato no final de janeiro, neste momento não há nenhuma estratégia aprovada quanto às legislativas Porque há dois anos atrás, a moção que o presidente do partido apresentou não só era no sentido das listas próprias, que nós devíamos ir a tudo e mais alguma coisa, como na perspectiva haver eleições legislativas. O que é facto é que, neste momento, não temos uma moção aprovada relativamente às legislativas, pelo que independentemente do fim do mandato em janeiro, só isso já justificava-se realizar o congresso. Independentemente disso, a partir do termo do mandato, podem vir com a conversa que quiserem sobre poderes de gestão ou o que seja. O que temos é a pura vontade arbitrária de um presidente que transformou o CDS numa espécie de quinta e decide a seu bel-prazer sobre tudo, instrumentalizando órgãos, instrumentalizando o que se vê, para se manter no poder. Aliás, se o presidente do partido não tivesse medo de ir a votos, o que faria era, como dizia antes, esmagaria toda a oposição e iria a esse congresso para esmagar qualquer alternativa e depois ia fortalecido legitimar tudo o que quisesse. Não foi a votos por uma única razão: sabe que perdia. E esta é a triste imagem e o principal tributo que ficará neste presidente, dentro do partido e no país. De um líder que não tem coragem e que, recusando votos dentro, acha que vai conseguir conquistá-los fora. Eu sei que está a pôr todas as fichas no amparo do doutor Rui Rio e no que a direção do PSD já confessou, a caridade do PSD. Mas isso pode lhe garantir no final quatro ou cinco deputados. Mas é trágico para um partido que é fundador da democracia, um partido que sempre valeu por si muito mais do que podia valer com os outros e principalmente, um partido que hoje está confrontado com alternativas de centro-direita, que quando o CDS, por desistência, não está lá, se reforçam e ocupam o nosso espaço político. E, portanto, não só pelo estado de sítio em que deixou o CDS, mas pela fraqueza em que deixará o nosso universo eleitoral, o que este presidente representa é o pior momento da história do meu partido.

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