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10 da manhã na região mais afetada pela pandemia em Portugal. Grande aparato nos corredores deste hospital que tem liderado a luta contra a Covid-19. Perante o olhar atento da imprensa, António Sarmento, médico infectologista e diretor do serviço de infectiologia no Hospital de São João, foi a primeira pessoa a receber a vacina desenvolvida pela Pfizer, pela BioNTech.

Gostaria de dizer que estou absolutamente tranquilo com a vacina, não tão tranquilo com todo este aparato, que isto é uma coisa que nos faz sofrer um bocado, a vacina não, nem pensar. Estou absolutamente confiante, otimista, com esperança. Não fugirei nunca da vacina, também não correrei atrás dela. Quando chegasse a minha vez, fazia e chegou.

E é mais fácil receber a vacina do que falar com os jornalistas. Mensagem clara por António Sarmento, o primeiro português a ser vacinado contra a Covid-19. Ana Isabel Ribeiro teve a tarefa de administrar este fármaco.

Sentimos uma proteção para os nossos colegas, que tem sido talvez o ano mais difícil das nossas carreiras e agora, sim, acho que é uma esperança para continuarmos o nosso trabalho neste combate à Covid-19.

Momento simbólico aqui descrito por esta enfermeira que administrou a primeira vacina. A Ministra da Saúde acompanhou de perto este momento. Marta Temido destacou a união das autoridades de saúde em Portugal e também das várias instituições internacionais que permitiram que a vacina chegasse a Portugal. Minutos mais tarde, também no Porto, começou a vacinação no Hospital Santo António, mas a administração preferiu não revelar detalhes. Descemos, por isso, no mapa e chegamos a Coimbra. Por volta das 10h30, Letícia Ribeiro foi a primeira a ser vacinada no Centro Hospitalar Universitário.

Foi um ano em que houve uma enorme entreajuda entre os profissionais, uma enorme solidariedade e em que eu acho que crescemos também um pouco como pessoas. E isso é um ponto muito importante. Portanto, dá-nos também mais esperança para o futuro.

Mais ao sul, na capital portuguesa, as primeiras vacinas também foram administradas às 10h30, no Hospital Curry Cabral, Fernando Nolasco, de 68 anos e especialista em nefrologia, teve o privilégio e aproveitou para citar Winston Churchill.

Isto não é o fim, não é sequer o princípio do fim. É o fim do princípio, a propósito da guerra e da guerra no Saara. Ou seja, o que isto quer dizer? Quer dizer que isto é apenas um dos pequenos passos que nós temos que dar.

Fernando Nolasco, o primeiro profissional de saúde a receber a vacina contra a Covid-19 no Hospital Curry Cabral, em Lisboa. À mesma hora, 10h30, no Santa Maria, Sandra Brás também recebia a vacina e pouco depois recordou à reportagem do Observador, no imediato, ainda nada mudou e vão demorar vários meses até que seja atingida a imunidade de grupo.

Não mudou ainda, mas é o início da mudança. Ainda vamos demorar muitos meses a ter uma cobertura vacinal, a termos imunidade de grupo e, portanto, a vida não muda de repente. Irei ter uma vida ou iremos ter todos uma vida mais próxima do normal, mas só daqui a vários meses.

É o início do combate à pandemia, mas ainda com muito trabalho pela frente.

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