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Fala agora Paulo Rangel. Onde está o Gabriel Lagoa? Vamos escutar, Gabriel, o ministro Paulo Rangel. Desculpa.

E já fala, vamos ouvir.

Mas também como vice-presidente do PSD, dizer que é com enorme pesar que soubemos hoje da morte de Pedro Cruz, um grande jornalista, um homem de uma imensa afabilidade, um profissional por vocação e que é da geração do senhor Primeiro-Ministro e é também da minha geração. Estava, aliás, no meio entre os dois, ainda por cima do Porto, tínhamos um convívio grande com ele e foi com enorme choque que recebemos esta notícia. Em nome do Governo português, eu queria transmitir à família as nossas condolências e também a todos os jornalistas portugueses, porque acho que ele representava bem esta classe profissional e por isso, num momento que é muito triste para todos os que o conheceram muito bem e até muito cedo. Alguém com quem convivemos de perto ao longo de décadas, é realmente uma notícia triste e queria, sem isto prejudicar o resto das respostas, fazer esta declaração em nome do Governo, em nome pessoal, porque conheci muito bem o Pedro Cruz, e também em nome do PSD. Muito obrigado.

Efetivamente, a pergunta que lhe fiz tinha a ver com o discurso de Nuno Melo e a parte da representação do CDS dentro da coligação e da permanência da sua singularidade. Foi esta a palavra...

Se há uma boa notícia sempre para o PSD, é o CDS estar em plena forma. Obviamente que o CDS é diferente do PSD e ainda bem. Isso é uma coisa que saudamos muito. Este foi um congresso, de facto, muito emotivo, porque apesar de o CDS ter uma grande presença autárquica, estar nos governos regionais coligado com o PSD, estar em mais de 20 coligações com o PSD no país e ter seis câmaras suas, ter um eurodeputado, que justamente é o atual ministro da Defesa e presidente, hoje reeleito, do CDS, não estava na Assembleia da República e isso, obviamente, era algo que era mau para o partido. Nós, com a Aliança Democrática, temos agora de novo essa representação parlamentar, que é, obviamente, autónoma, independente, separada, com pensamento próprio, com contributo próprio e também em diálogo permanente com o PSD. Isso é que é bom, é salutar e a afirmação da singularidade do CDS é aquilo que nós esperamos e que desejamos.

Vimos durante a campanha, por exemplo, agora o Primeiro-Ministro Luís Montenegro, tentar fugir àquelas declarações do referendo ao aborto, ditas por Paulo Núncio. Ontem, ouvimos um antigo líder do CDS dizer: "Paulo Núncio não tem que ter medo e não tem que pedir desculpas por ser contra o aborto". O que isto pode representar dentro da coligação?

Isso não representa nada, sinceramente, porque as convicções pessoais todos a podem ter. Só faltava agora que numa sociedade que é a favor da diversidade, fôssemos todos obrigados a pensar da mesma maneira. Isso foi a expressão de uma convicção pessoal, que obviamente, na altura, porque estávamos em campanha eleitoral, tudo tem outra ressonância, teve a ressonância que teve, foi devidamente explicado por quem tinha de ser e não há problema nenhum. Eu nem compreendo por que essa pergunta faz aqui sentido.

Pode ser uma convicção do partido.

Não, mas quer dizer, repare, isso não está em causa, como na altura foi logo explicado. Não está nada em causa isso. Agora, as convicções pessoais, há uma coisa que eu lhe vou dizer, e eu acho que tenho autoridade para o dizer, mais do que outros. As convicções pessoais, todos temos direito a tê-las. E se nós queremos uma sociedade diversa, ela há de ter gente progressista e gente conservadora. Não vale a pena, porque ainda se for uma sociedade em que são todos iguais, no sentido que todos têm o mesmo pensamento e têm um pensamento único, então isso não é uma sociedade plural nem é uma sociedade aberta. Eu prezo a sociedade aberta e tenho o maior gosto em dialogar com pessoas que pensam de forma diferente da minha. E isto é assim para o PSD e é assim para o CDS. No CDS também a propósito das mais variadas questões, há diferenças, como há dentro do PSD, como há entre o PSD e o PS e como há com o Bloco de Esquerda e com o Livre e com a Iniciativa Liberal e com o Chega e com o PAN, com o Partido Comunista, com todos. Com todos os partidos que têm representação, há diferenças e dentro deles também há diferenças. Isso é que faz a democracia.

Um ingresso ao governo pela AD, a coligação, foi dito aqui ao longo do fim de semana que só foi possível por esta coligação. Agora, as próximas eleições são as europeias, cada partido vai à voto. O que isto significa? O que poderá dizer, simplificando, para os portugueses?

Deixe-me só fazer uma correção. Nas eleições europeias, a coligação vai em conjunto. Aí estamos exatamente na mesma situação em que estávamos antes. Há realmente as eleições regionais da Madeira, em que os dois partidos, como têm autonomia regional, e essa nem sequer é uma decisão dos partidos nacionais, é uma decisão dos partidos a nível da região autónoma, decidiram ir separados. Isso, como aliás aqui o presidente Nuno Melo explicou muito bem, é algo também muito salutar. É que os dois partidos, quando entendem que devem convergir, convergem, embora ele tenha chamado a atenção para uma coisa que é verdade, sempre que em eleições legislativas a Aliança Democrática concorreu em coligação do PSD e o CDS, ganhamos sempre as eleições. Portanto, é um facto estatístico que convém recordar, mas é evidente que há autonomia para, por exemplo, no caso das eleições regionais, os partidos, a partir da região autónoma da Madeira, terem decidido ir separados. No caso das europeias, fez parte do acordo de coligação inicial, mesmo para as legislativas, que estes dois atos eleitorais, até porque eram muito próximos e portanto tinham uma proximidade muito grande, levariam os partidos em conjunto. Sabe que no caso das eleições europeias, isso ainda faz mais sentido, porque tanto o PSD como o CDS fazem parte do Partido Popular Europeu, pertencem à mesma família política e portanto, o facto de irem numa lista única é algo que, até mesmo em termos europeus, nos facilita a nossa presença.

Nesse caso, vale a possibilidade da AD avançar com Rui Moreira como candidato?

Olhe, eu sinceramente, e estou lhe a falar com toda a sinceridade, não tenho ideia nenhuma de quem são as pessoas que vão na lista, porque como eu fui cabeça de lista por três vezes, fiz questão de, por uma questão, digamos, até de afastar qualquer conflito de interesses, não estar presente nesse processo.

Não tem nenhuma resistência?

Vou dizer, justamente porque eu tenho este impedimento, fui cabeça de lista três vezes, eu disse ao presidente Luís Montenegro, desde muito cedo, que não queria interferir neste processo e não vou interferir. Com certeza que apoiarei os candidatos que a coligação da Aliança Democrática e o PSD, em particular, venham a apresentar. Penso que já não falta muito, amanhã já devemos saber todos. Portanto, nessa altura, eu, como milhões de portugueses, ficarei a saber a composição da lista.