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Este debate tem o seu quê de surreal. Vem aqui o Deputado André Ventura, com o dedo espetado, a insinuar que o Sr. Primeiro-Ministro cometeu irregularidades ou que está numa situação de conflito de interesse. Mas o espantoso é que não há um português que esteja a assistir a este debate que não perceba efetivamente o que se está a passar. O Deputado André Ventura vem com o dedo espetado, quando devia era chegar a este debate com uma corda ao pescoço, como Egas Moniz, para se retratar perante os portugueses e para pedir desculpa aos portugueses, por tudo o que de grave tem acontecido no Chega nos últimos tempos. É muito descaramento que o partido que propõe esta moção de censura seja o mesmo que precisamente merecia uma moção de censura contra si próprio pelas irregularidades cometidas e pelas graves acusações conhecidas. Deputado André Ventura, a demagogia vira-se sempre contra os demagogos e o dedo espetado contra os outros acaba sempre por se virar contra si próprio, porque os demagogos provam sempre o seu próprio remédio. Sr. Primeiro-Ministro, continue a governar bem, porque é isso que o país espera de si. E a apresentação desta moção de censura tem precisamente a ver com o facto de o Governo, por si liderado, estar a governar e a governar bem o país. E quanto a esta moção de censura, Sr. Primeiro-Ministro, pergunto-lhe como a qualifica. Como uma irresponsabilidade? Pois não há qualquer alternativa a este Governo. Como uma imaturidade? Porque insinua e ofende, mas não prova nem demonstra coisa absolutamente nenhuma, ou como uma fuga para a frente do Chega para tentar desviar as atenções dos graves problemas internos desse partido. Muito obrigado!