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Uma vitória dos trabalhadores, da juventude, dos democratas, uma vitória dos capitães de Abril. Apesar das manobras até à última hora para a evitar, a Constituição foi aprovada por uma ampla maioria da assembleia, que tinha sido ela mesma eleita por 92% dos eleitores e foi promulgada aqui mesmo, no seguimento da sua votação pelo Presidente da República, então General Costa Gomes. Uma Constituição sobre a qual Álvaro Cunhal afirmou ser o fiel retrato da revolução libertadora de 74 e consagrou valores e conquistas bem vivos na consciência coletiva do povo e objetivos de luta da sociedade e da juventude. Apesar dos golpes, das suas sete revisões, a Constituição continua a apontar o rumo de progresso para o país. Um projeto de sociedade com o qual alguns não se conformam, não cumprem e afrontam no evidente ajuste de contas com Abril. Um processo contrarrevolucionário que aí está e se acentua, com alguns a pensar que é desta que vão conseguir finalizar esse processo. Um objetivo declarado perante o qual nenhum democrata pode deixar de agir e de intervir. O texto da Constituição está certo. O que esteve mal e está mal é a desastrosa política que a confronta e que sujeita o país aos interesses de uma minoria que concentra cada vez mais a riqueza, uma política levada agora a cabo pelo governo de turno do PSD e do CDS, com o apoio entusiasmado do Chega, da Iniciativa Liberal e com a anuência do Partido Socialista. Pobreza, injustiça, desigualdade, exploração, discriminação, discurso do ódio, racismo, xenofobia, desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde, privatizações, casas e rendas impossíveis de alcançar, ataque à Justiça, à escola pública, à cultura e à Segurança Social, falta de creches e falta de lares, baixos salários e pensões, crescente poder dos grupos económicos sobre o poder político e a corrupção, precariedade, desregulação dos horários de trabalho, pacote laboral, perda de soberania e submissão externa, apoio à guerra e o brutal aumento do custo de vida, é toda esta realidade anticonstitucional que a maioria enfrenta e que alguns querem agora inscrever na lei fundamental. Querem andar para trás quando o povo precisa é de uma rutura e de uma mudança no sentido de uma Constituição que não é neutra e que faz opções. Opta, e bem, por quem trabalha e pelos seus direitos. Opta, e bem, quando proíbe os despedimentos de justa causa, quando garante a liberdade sindical e o direito à greve, quando aponta aos princípios de trabalho igual, salário igual e a uma mais justa distribuição da riqueza criada. Uma Constituição que determina o direito à saúde, à habitação, à educação, à cultura e ao ambiente ecologicamente equilibrado. É preciso cumprir o que a Constituição consagra no que diz respeito aos direitos dos jovens, das crianças, das pessoas com deficiência, aos idosos e das mulheres. O que se impõe é fazer frente, tal como a Constituição inscreve, a todas as formas de discriminação e subordinar o poder económico ao poder político, tal e qual como está inscrito. O que é preciso, e como define a Constituição, sem margem para dúvidas, nem possibilidade de duas leituras possíveis, é afirmar a soberania, lutar contra a guerra e consagrar os princípios da independência nacional e da paz. A Constituição não é uma coisa marcada no tempo. É, isso sim, um programa político de esperança, uma convocatória e o chão comum da luta dos que querem e têm direito a uma vida melhor. Não prescindir de nenhum direito da lei fundamental e exigir a concretização na vida de todos os dias é o desafio que está colocado a todos e de forma particular à juventude e às novas gerações. E daqui fica esse desafio à juventude: tomem nas mãos a vossa lei fundamental. A Constituição está do vosso lado e está ao serviço das vossas vidas. Façam dela o vosso guia da ação política e Portugal será um país melhor. A Constituição é filha da Revolução de Abril, desse Abril que se afirma todos os dias e que no próximo dia 25 voltará a sair à rua também para exigir que a Constituição dos trabalhadores, do povo e da juventude se cumpra todos os dias e na vida de todos e todos os dias. Que viva Abril e a sua Constituição!