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E a seis minutos da uma da tarde, seguimos já em direto para Ovar, Aníbal.

Nesta altura está já a falar Marcelo Rebelo de Sousa, ele que tem no programa hoje a visita a este concelho.

Dos primeiros e dos mais testados e sacrificados heróis diante dos autarcas portugueses, os autarcas no continente, como na Madeira e nos Açores. Eu acompanhei pari passu, como tenho a certeza que também o presidente Rui Rio, pari passu, dia a dia, às vezes até hora a hora, a sua aventura. E nunca desistiu, nunca se resignou. Não teve um momento de desânimo. Foi de uma coragem ilimitada. Houve várias fases, nós conhecemos as fases, falaremos disso mais tarde, e em todas as fases esteve presente. E com ele todos os autarcas. Há que reconhecer e há que salvaguardar isso, quando se fala no apuramento do que se passou naqueles dias, naqueles meses. E se quer examinar isso como se fosse uma realidade laboratorial, como se fosse um período de normalidade institucional, eles tiveram que descobrir testes onde não existiam. Eles tiveram que descobrir máscaras onde elas não existiam. Eles tiveram que ir buscar proteção sanitária sabe-se lá onde. Eles tiveram que telefonar para o presidente da República, para o primeiro-ministro, para o líder da oposição, para os ministros, para os secretários de Estado, enfim, para todo mundo. Todos os dias. Tiveram aqui e ali tomar decisões muito controvertidas sobre a empresa, abrir, fechar, facilitar, condicionar, em cima da hora. Portanto, eu nem sei como é que mais tarde, seis meses depois, um ano depois, se vai fazer uma avaliação dessa atuação de emergência, que se não tivesse existido, teria havido muito mais mortes e muito mais feridos, e muito mais doentes, e muito mais pacientes, e muito mais internados, e muito mais internados em cuidados intensivos do que houve. A minha terceira palavra para saudar o presidente Rui Rio, líder da oposição e candidato a primeiro-ministro. A sua atuação durante este período crítico, que ainda não terminou, nós teremos a facilitar, mas lá está o R a lembrar-nos que de vez em quando sobe, depois desce, depois volta a subir, e depois a descer. Foi exemplar. Tão exemplar que isso foi reconhecido cá dentro e lá fora. Não foi num país, foi em inúmeros países. Eu recebo os telegramas diplomáticos dos embaixadores que nos representam em todo o mundo. Não foi da Espanha, não foi da França, não foi da Itália, não foi da Holanda. Foi de países europeus e países não europeus que veio o reconhecimento de um facto singular, até transcrevendo discursos do presidente Rui Rio, como ele tinha colocado o interesse nacional acima do interesse partidário num período crítico, que foi o período que antecedeu e coincidiu com o estado de emergência e que prosseguiu para além do estado de emergência. E fê-lo dizendo abertamente, e isto é muito importante, porque quem é oposição não deixa de ser oposição e ser alternativa de governo, mas num período crítico em que os portugueses estavam unidos, precisavam de ver os seus responsáveis unidos, olharem para o líder da oposição e dizerem que ele tinha o sentido de Estado, que o levava a realmente estar ali onde tinha de estar, ao lado dos portugueses e ao lado de outros responsáveis políticos. Isso deu uma força ao país que não se imagina. É verdade que o governo e o prime ministro foram muito louvados, mas o líder da oposição não foi menos louvado cá dentro e lá fora. E foi um exemplo. Eu devo reconhecer que fui líder da oposição, não há nada mais difícil do que ser líder da oposição, é mais difícil do que ser primeiro-ministro, mas não conseguiria ter feito aquilo que eu fiz. Por muito que tentasse, e com o Euro também tentei, para convergirmos na concretização do Euro, porque esta situação foi muito mais complicada. Uma coisa é fazer um caminho para se atingir certos objetivos económicos e sociais, outra coisa é todos os dias ter de enfrentar uma situação nova e inesperada, com facetas novas e inesperadas, que não se sabe se vai piorar ou melhorar no dia seguinte. Ninguém sabe! Com foco que aparece ali, depois aparece acolá. E eu queria, portanto, testemunhar ao presidente Rui Rio este agradecimento nacional, abstraindo daquilo que nos une. O presidente é a todos os portugueses. Eu sou muito conservador, portanto, há coisas em que eu não mudo. Não mudo na família, não mudo na religião, não mudo no partido, não mudo sequer no clube futebol. Acho que isso não se muda. É como é. Mas o presidente é a todos os portugueses, e aqui em nome de todos os portugueses, que está a dizer, como disse em relação às Forças Armadas e como disse em relação ao presidente da Câmara do Ovar, em relação ao líder da oposição, e por natureza candidato a primeiro-ministro, de que os portugueses não esquecerão, porque também não se esquecerão deste caso único nas suas vidas. Nunca houve uma pandemia assim. Esperemos que não volte a existir e que esta Não tenha muitos surtos e não nos acompanhe por muitos mais meses. É tudo o que eu queria dizer. Muito obrigado.

Sobre o Presidente da República.

Quer fazer uma perguntinha? Faz favor.

Temos agora um decreto para que os portugueses possam—

Vamos ouvir Marcelo Rebelo de Sousa, nesta altura ele que está em Ovar, onde vai almoçar hoje com o líder da oposição, Rui Rio. Aqui Marcelo Rebelo de Sousa também nesta altura a ser questionado. Ovar, ele bem lembrou, o Presidente da República, foi um dos concelhos mais afetados pela Covid-19. Vamos tentar perceber qual é a pergunta que estão agora a fazer.

Deste almoço com o líder do seu partido, mas também o líder do maior partido da oposição e com o Presidente da Câmara de Ovar, se é que durante a tarde está-

Não está fácil de conseguirmos perceber.

É muito simples. Ovar não foi só a primeira cerca sanitária, e aquela mais duradoura e aquela mais penalizada em termos de população, como também foi a mais resistente, como constituiu, e nós acompanhámos isso dia a dia, um exemplo particularmente doloroso por um lado, mas ao mesmo tempo inspirador por outro, daquilo que foi a luta dos portugueses durante estes meses que ainda não terminaram. Nós acompanhámos a saga de Ovar. Foi uma saga, desde o momento em que houve que criar a cerca sanitária, houve que declarar aqui pela primeira vez o estado de calamidade e em que se viveu o que se viveu. Eu lembro-me que recebia telefonemas de gente de Ovar, a Daniela, por exemplo, que eu incomodei por causa dela, com a família praticamente toda infetada. Uma a uma, um a um, iam comunicando e pegavam no telefone e descobriam o telemóvel do Presidente da República, iam permanentemente contando o que foi a sua aventura. Vir aqui, não podendo fazer isso em todo o país, escolher um exemplo simbólico fortíssimo. Fortíssimo da intervenção das Forças Armadas, fortíssimo do papel do presidente da Câmara e dos autarcas, fortíssimo no exemplo da população, que também não desanimou. E fortíssimo no exemplo do líder da oposição. Porque muitas vezes se olha para aqueles que estão em funções, para o governo, para o primeiro-ministro, para os responsáveis políticos, mais distantemente para o Presidente da República, para os deputados, para o Parlamento, e não se olha para a importância do papel do líder da oposição.

Também gostaria que dissessem que combina harmoniosamente com Rui Rio, o líder da oposição, como disseram que combinava com o primeiro-ministro.

Sim, mas nós combinamos tão harmoniosamente que nós colaboramos há já não sei quantas décadas, há 20 e tal anos, e já colaborávamos antes, mas aí colaboramos todos os dias nos anos 90, portanto, os anos 90 já lá vão muito longe. É evidente que sim. É evidente que, por razões óbvias, não só colaboramos harmoniosamente, como até pertencemos à mesma área. Isso não é um problema de colaboração, é um problema de origem. Somos assim.

Senhor Presidente, e este almoço com Rui Rio, a quem chamou líder da oposição, mas também candidato a primeiro-ministro.

Continua a ser questionado Marcelo Rebelo de Sousa, em Ovar.

Também vão falar do candidato a Presidente da República.

Fala agora desta situação em relação às presidenciais, vamos tentar perceber.

Não sei o que é que o Presidente Rui Rio pensa, mas eu acho que não, seria um desperdício, porque hoje vamos falar do que é urgente, do que é prioritário, e prioritário ainda é aquilo que estamos a viver. Os portugueses. Eu às vezes tenho a sensação de que não se percebe o que é que está no pensamento dos portugueses. Os portugueses têm um número muito pequeno de preocupações. Uma chama-se vida, outra chama-se saúde, outra chama-se emprego, outra chama-se salários ou rendimentos. São estes quatro. Por esta ordem. Vida, está garantida? Há risco? Vai agora piorar o surto? Não vai. Haverá um novo surto no fim do ano? Não haverá. Ninguém sabe. Saúde. E depois, obviamente, já começou nos últimos meses e vai continuar, infelizmente, durante uns meses e uns anos, que é emprego, sim ou não? Rendimentos, salários, sim ou não? Isto preocupa. O resto, com o devido respeito, tem o seu momento. Não é este o momento. Há prioridades e os portugueses instintivamente têm prioridades na sua cabeça. Aquilo que os preocupa mais hoje, quer dizer, maio de 2020, é isto. Em novembro, dezembro, janeiro de 2020, 2021, poderá, no quadro destas preocupações, falar-se de outras coisas. Neste momento, isto é o que preocupa os portugueses.

Marcelo Rebelo de Sousa aqui a deitar um pouco para o lado a possibilidade de falar sobre o apoio do PSD a uma eventual candidatura a Belém. Diz Marcelo Rebelo de Sousa, reforça outra vez a ideia de que o que está nesta altura a preocupar mais os portugueses é o atual momento desta Covid-19 e também a crise económica que se está a viver nesta altura.

Estão a saber sair com bom senso, mas com cuidado, com cautela. E foi a convergência dos responsáveis políticos. Olhe para os países vizinhos. Não houve. Não houve e penalizou a evolução da resposta ao surto nesses países. Porque eram mensagens dispersas, uma mensagem para um lado, uma mensagem para o outro lado, em vez de haver o esforço de convergência nesta matéria durante um período crítico. Foi uma força de Portugal. É uma força de Portugal, foi uma força de Portugal. Quer dizer que as pessoas não têm ideias diferentes? Têm. Não têm visões diferentes do país? Têm. É um país plural, uma democracia plural. Agora, na emergência, pela própria definição da emergência, foi fundamental a convergência.

E acredita nessa convergência agora na necessidade de uma reforma?

Marcelo Rebelo de Sousa continua a ser questionado pelos jornalistas. Vamos continuar a ouvir.

Estamos a falar de um período muito longo em que há visões diferentes sobre como retomar a economia e como fazer a recuperação do país. Há visões diferentes, é natural. É mais fácil haver visões conjuntas em matérias que são muito claras, muito científicas e muito técnicas, como são as da saúde pública, do que no domínio da economia e da sociedade. Na economia e sociedade há, obviamente, o mesmo objetivo, que é recuperar o mais rápido possível, defender os interesses de Portugal o melhor possível na Europa. Aí há convergência. Agora, as soluções de governo, as soluções políticas, económicas, sociais são diferentes, mas isso é próprio da democracia. Sabe que a emergência não matou a democracia nem suspendeu a democracia. Isso foi outra das originalidades portuguesas. Continuou a existir democracia, porque a emergência estava prevista na construção democrática. Bom, e agora vou deixar o doutor Rui falar.

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