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Em linha connosco nesta emissão, que já assumiu caráter especial aqui na Rádio Observador, temos já Pedro Frazão, deputado do Chega. Bem-vindo, Pedro Frazão. Um primeiro comentário a estas linhas orientadoras, como aqui há pouco dizia, ainda não se conhece o detalhe, mas conhecem-se as linhas orientadoras. Que comentário lhe merece, Pedro?

Muito boa tarde a todos. Enquanto deputado e também como vice-presidente do partido, o que eu tenho a dizer é que esta apresentação de programa do governo parecia um programa do governo Chega "wanedi", porque de facto, todas estas bandeiras vêm totalmente a reboque daquilo que o Chega tem defendido nos últimos anos e daquilo que o Chega tem trazido para a praça pública nos últimos anos, nomeadamente na segurança, na mobilidade, na própria reforma do Estado, em que há vários anos nós apontamos que é necessário simplificar a burocracia do Estado e toda a estrutura estatal, cortando gorduras e fazendo com que esse dinheiro esteja disponível para quê? Para baixar os impostos, algo que também nós defendemos há muitos anos e que se viu no último orçamento de Estado. Vimos este governo que vinha também prometendo, desde a última campanha eleitoral, baixar os impostos, mas em vez de vir negociar com o Chega, que queria uma efetiva descida do IRS para as famílias, do IRC para as empresas, para fazer o verdadeiro choque fiscal, o que é que o governo da AD fez? Foi negociar com o PS para ter uma quase inexpressiva descida, que foi apontada por todas as forças vivas da economia nacional como insuficiente. E também na política da imigração, o que nós vemos este governo fazer é tentar-

Pedro Frazão, desculpe interromper. Houve aqui um esclarecimento por parte do ministro da Presidência, António Leitão Amaro, relativamente àquelas informações que vieram a público e que davam conta de que viriam, ao abrigo desta figura do reagrupamento familiar, mais 500 mil imigrantes para Portugal, o que foi desmentido pelo ministro da Presidência.

Relativamente à política de imigração, que era exatamente por aí que eu ia também dizer, que este governo tenta imitar o pedido de controle de entradas no país que vem sendo já falado pelo Chega desde há pelo menos dois anos e meio, até acusando o Chega de notícias falsas, até propriamente aqui no Observador. Eu lembro-me de estar aqui num programa do Observador chamado Comissão de Inquérito, onde disse que existia 1 milhão de imigrantes em Portugal e essa minha resposta foi considerada errada e fui penalizado nesse programa, quando passadas algumas semanas, se veio a confirmar exatamente esse 1 milhão de imigrantes. Estava a ser noticiado também pela própria Rádio Observador. Portanto, quando falam em notícias falsas de que vão entrar mais 500 mil imigrantes, é só fazer as contas. O próprio ministro Leitão Amaro, nesta conferência de imprensa, não nesta, mas na última em que ele falou de imigração, disse que iam legalizar para residência nacional cerca de 250 mil imigrantes de países terceiros e 210 mil com vistos da CPLP. Ora, se estes cerca de 500 mil novos imigrantes com cartão de residência trouxerem pelo menos uma ou duas pessoas, isso até ultrapassa o número dos 500 mil. Portanto, não vale a pena vir o Polígrafo, que nós sabemos muito bem qual é o seu enviesamento político e para que lado é que pendem sempre as suas avaliações, dizer que é falso, quando outros órgãos de comunicação social vieram trazer isso como dado adquirido, porque das palavras do próprio ministro Leitão Amaro, era líquido que isso fosse acontecer. Mas o que é que acontece com este governo, e era aí que eu queria chegar nesta política de imigração. É que prometem mais controle, prometem uma alteração da nacionalidade, prometem alterar o reagrupamento familiar, mas quando o Chega coloca no Parlamento as iniciativas legislativas que seriam mais eficazes para acabar com esta política de portas escancaradas, o PSD o que é que faz? Ou se abstém ou vota contra. Portanto, o que acontece é que o Chega tem trazido estas bandeiras para a praça pública, tem merecido a confiança dos portugueses para nervosismo das forças políticas do sistema e o PSD o que está a tentar fazer é um governo Chega "wanedi", tentando prometer às pessoas aquilo que elas sabem que só conseguirão quando o Chega for poder, nomeadamente também no reforço da segurança.

Pedro Frazão, deixa-me só fazer esta pergunta. Tendo em conta a proximidade das ideias e das propostas definidas por PSD e Chega, eu pergunto se isso é uma via aberta para entendimentos na Assembleia da República, mais entendimentos comparativamente com aquilo que aconteceu na última legislatura.

Os entendimentos com o Chega deviam ser feitos para bem da nação e para respeitar aquilo que foi a vontade soberana dos portugueses nos últimos dois atos eleitorais. Os portugueses demonstraram, através das urnas, que querem uma governação à direita e demonstraram que nesta conformação parlamentar, a verdadeira direita devia influenciar a governação de um partido de centro-esquerda, que é assim que o PSD se identifica, nomeadamente através do seu presidente do Conselho de Jurisdição Nacional, que diz publicamente tratar-se de um partido de centro-esquerda. Portanto, o PSD devia saber ler os resultados eleitorais e trazer para a política nacional aquilo que o Chega defende.

Aparentemente é o que está a fazer, de acordo com o comentário que o Pedro está a fazer. Se há, de facto, aqui uma apropriação, segundo aquilo que o Pedro dizia, das propostas do Chega, então é precisamente isso que está a acontecer.

É verdade, mas é uma apropriação, é um plágio discursivo, mas que depois quando tenta ser vertido em medidas concretas, falha na execução, nomeadamente no reforço da segurança, que era por aí que eu ia continuar também. Repare uma coisa: o Chega e todos os agentes políticos do Chega andam há vários meses a dizer que existe um aumento da insegurança em Portugal, em que é preciso reforçar as nossas forças policiais para poderem, não só do ponto de vista da investigação, mas também do ponto de vista da contenção da criminalidade, conseguirem fazer uma contenção verdadeira deste alastramento da insegurança nacional. E o que é que os vários agentes do PSD têm dito? À exceção de Carlos Moedas na presidência da Câmara de Lisboa. Têm sempre relativizado, têm sempre utilizado os relatórios, nomeadamente o RASI, para tentar demonstrar uma diminuição da criminalidade geral, sem atender a que a criminalidade mais violenta está, de facto, a aumentar. Estão a aumentar as violações de mulheres, nomeadamente as violações em grupo, que era um fenómeno muito raro em Portugal. Estão a aumentar os crimes mais violentos, os assassinatos e portanto, não adianta vir durante a prática política relativizar as questões da criminalidade para depois agora, no anúncio de um programa do governo, vir tentar fazer passar a ideia que vão aumentar o reforço na segurança, porque depois isso não chega a bom porto. Ou seja, se não nos sentarmos à mesa, como não foi feito para este programa do governo. Repare uma coisa, o ministro Rui Rio Amar também vem-

O ministro prometeu conversar com os partidos que elegeram deputados para essa legislatura.

Mas caiu no mesmo erro que cometeram no ano passado e que foram até bastante criticados pelos meios de comunicação social e pelos comentadores políticos, que foi: escolheram ad hoc e arbitrariamente medidas dos programas de outros partidos, sem primeiro perguntar aos partidos quais é que seriam as medidas que eles achariam mais prioritárias. Porque, quer dizer, já agora, se vão escolher medidas do programa eleitoral do Chega, era bom que perguntassem ao presidente do Chega ou à direção nacional do Chega, quais é que seriam as medidas que nós veríamos com prioridade a serem inscritas no programa do governo. Digo eu, se realmente estivessem com o objetivo de haver uma aprovação o mais alargada possível.

A ver vamos se essa é a metodologia. Pedro Frazão, peço desculpa, estamos a chegar ao fim do nosso tempo. A ver vamos se, de facto, será essa a metodologia. Para terminar, Pedro.

Além de não perguntarem quais é que são as medidas prioritárias, não perguntam qual é que é a melhor forma, do nosso entendimento, de as executar. Portanto, ficamos sempre num plágio discursivo de tentada de tomar as bandeiras de outros partidos que singraram eleitoralmente, mas depois vão falhar na execução e vão falhar na entrega da resolução desses problemas aos portugueses.

A ver vamos se a metodologia desta feita será diferente da seguida pelo governo liderado por Luís Montenegro na legislatura anterior.

O programa foi aprovado e não nos perguntaram nada. Não existiram negociações para a elaboração do programa do governo. Portanto, isso é manifestamente o mesmo modus operandi que ocorreu o ano passado.

Fica também esta ideia aqui expressa por Pedro Frazão, deputado e vice-presidente do Chega, de que há uma cópia, uma apropriação das propostas, algumas bandeira do segundo partido mais votado em Portugal