Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Em primeiro lugar, o Partido Socialista está aqui naturalmente para saudar democraticamente este 31º Congresso do CDS. É um partido que comemora, tal como a Revolução de Abril, 50 anos este ano e reconhecemos ao CDS um papel também fundamental, no fundo, ao longo destes 50 anos, na nossa democracia. Nos últimos anos esteve afastado da Assembleia da República. Reconhecemos a importância também da diversidade nessa própria Assembleia da República, portanto o aparecimento ou reaparecimento do CDS é algo que também saudamos. O CDS foi durante vários anos, como sabemos, um partido que de alguma forma foi tampão ao surgimento de forças mais extremadas, mais à direita, mais populistas. Infelizmente, foi um papel que nos últimos anos não conseguiu cumprir. Desejamos, naturalmente, porque reconhecemos ao CDS uma força política democrática e que tenham melhores sucessos justamente nesse combate às forças mais extremistas à sua direita. Quanto ao discurso, concretamente do presidente, agora reeleito Nuno Melo, não nos podemos dizer muito entusiasmados. Foi um discurso que numa primeira parte fez um conjunto de proclamações algo vagas, que também julgo que qualquer democrata conseguiria subscrever, pois com certeza que estamos todos na procura de um país melhor, com uma melhor qualidade de vida para os nossos concidadãos, mas na verdade, depois também não elencou propriamente o caminho para o fazer. E nós, da parte do Partido Socialista, todos os portugueses sabem, até porque o crescimento económico ainda registado o ano passado foi como sabemos 2,3% do nosso país, quatro vezes superior à média europeia. Portanto, aqui em contraponto ao CDS, o Partido Socialista tem já naturalmente resultados. Depois, basicamente fez uma intervenção que acho que foi clara para todos também, um bocadinho de prova de vida, se nós quisermos, enquanto ministro da defesa que é deste governo de coligação.

O que espera do apelo de Nuno Melo ao pedir que todos os partidos se concertem no que diz respeito às Forças Armadas e à dignificação destes militares?

Antes mesmo disso, falou também das questões europeias. Vamos ter eleições europeias em breve também. Eu diria que nessas áreas, quer da defesa, quer também dos assuntos europeus, são áreas onde mais facilmente encontramos convergências entre o Partido Socialista e o CDS-PP. Somos obviamente europeístas. O PS tem um papel fundamental, como sabemos, no que diz respeito à participação de Portugal na Europa também. Nas matérias de soberania tão ligadas à defesa nacional, diria que não é difícil encontrarmos algum caminho, algum chão comum, mas como disse, não foi um discurso particularmente entusiasmante.

Ficou surpreendido com estas críticas ouvidas hoje neste discurso, mas que ouvimos durante todo o fim de semana aqui em Viseu?

Não, naturalmente não ficamos surpreendidos. Estamos sim, como sabem, o secretário-geral do Partido Socialista tem sido bem claro nessa matéria. Portanto, seremos oposição, seremos uma oposição atenta, seremos uma oposição naturalmente construtiva também e cá estaremos para também acompanhar o que é o contributo que o CDS vai dar a este governo de coligação da Aliança Democrática. Registámos também no fundo o que parece ter sido a novidade neste seu discurso de propor umas comemorações do 25 de Novembro para o próximo ano. E portanto, voltamos a dizer, não foi um discurso, de facto, muito entusiasmante para o Partido Socialista e estamos em crer que para a generalidade dos portugueses também não trouxe nada de particularmente entusiasmante.

Mas concorda com esta comissão que vai ser criada para as comemorações de 25 de Novembro?

O Partido Socialista tem posições muito claras também sobre isso. Assumimos toda a nossa história e reconhecemos naturalmente também um papel importante ao 25 de Novembro. Não deixamos de evidenciar que não tem comparação com as comemorações do dia, de facto, que nos trouxe a liberdade, que nos trouxe a fundação do nosso regime democrático, que assim é o 25 de Abril e que vamos comemorar já dentro de poucos dias e muito entusiasticamente.

Como é que o Partido Socialista ouviu as críticas de que a coligação quando regressa ao governo, encontrou a Troika e agora encontra desfalcado um serviço de saúde, uma ação social, agricultura e tudo mais?

Mais uma vez não surpreendeu, porque veio na linha do que ouvimos dizer ao CDS, à AD durante a campanha eleitoral. Não achamos, evidentemente, que seja um discurso que tenha colagem à realidade, porque a verdade é que o PS não só demonstrou que consegue ser um partido que no governo respeita as contas públicas e as contas certas, como tantas vezes dissemos, sem nunca descurar o investimento nos serviços públicos. Aliás, basta olhar para o investimento que foi feito no, por exemplo, Serviço Nacional de Saúde e sucessivamente, ao longo dos últimos anos em que o PS governou, o Ministério da Saúde viu sempre reforçado o orçamento de Estado e, portanto, não tem para nós sentido. De facto, foi uma espécie de mantra que se criou, como sabemos, no nosso país, dizer mal dos serviços públicos, falar sobre um caos. Já agora, deixem-me dizer que acho que no Partido Socialista temos vindo a verificar que nas últimas semanas, tudo o que parecia que funcionava assim tão mal, parece que de repente, quase que milagrosamente, passou a já não estar a funcionar assim tão mal, o que no fundo reforça essa nossa ideia que temos de um discurso algo panfletário e propagandista relativamente a esse caos nos serviços públicos, que manifestamente os portugueses reconhecerão que não existem.

Não ficou surpreendido com o discurso, ficou mais surpreendido com o pedido de audição ao ex-ministro das Finanças, Fernando Medina?

Não, justamente não trouxe, volto a sublinhar, não trouxe grande surpresa. Mesmo isso também não é assim muito surpreendente. Faz parte do jogo político tentarem os partidos afirmar-se com algumas ideias. Também não achamos que tenha qualquer problema o senhor ex-ministro das Finanças em responder, seja sobre o que for das matérias, naturalmente, que tutelou, seja a quem for. Temos muito orgulho e o senhor ex-ministro das Finanças tem seguramente também muito orgulho em todo o trabalho que fez ao longo destes últimos anos.