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Para analisar este ataque do Irão com drones a Israel, está em directo nesta edição informativa da Rádio Observador, o major-general João Vieira Borges. Major-general, muito boa noite. Obrigado por ter aceitado o nosso convite. Que significado tem este ataque e que repercussões pode ter nas próximas horas?
Muito boa noite. O significado foi aquilo que foi anunciado pelos dirigentes iranianos. É uma resposta ao ataque à embaixada em Damasco. É uma resposta que, no entanto, é diferente de todas as outras. Ou seja, é a primeira vez que o Irão desenvolve um ataque sobre território israelita. E, portanto, isto é uma situação diferente. É evidente que para o Irão também foi ataque sobre território iraniano, a partir do momento em que era uma embaixada. A embaixada é território, mas foi em Damasco. Isto é uma situação diferente e, portanto, é no fundo o argumento do Irão que depois do ataque lançado, e nós estamos a ver os efeitos do ataque agora em direto, diz já que inclusivamente termina por aqui, não deve haver qualquer outra resposta e os Estados Unidos devem afastar-se. Que o assunto se pode dar por concluído. É evidente que, pelas palavras que nós vimos de Netanyahu, "vamos atingir quem nos atinge", naturalmente que vai ser muito difícil os Estados Unidos controlarem Israel para uma resposta que certamente já estava preparada. Também temos que ver aquilo que tem a ver com as repercussões do ataque. O ataque teve uma ação de guerra de informação numa fase inicial, obviamente para tentar controlar os radares de Israel, dos Estados Unidos, certamente, e do Reino Unido, radares que são importantíssimos para a defesa aérea. E a seguir é desenvolvido o ataque em duas fases. Um primeiro foi com drones. Os drones foram no sentido de haver detecção de onde é que se encontram as antiaéreas e simultaneamente para saturar o espaço aéreo da parte em termos de antiaéreo, e depois vêm os mísseis a seguir, por aquilo que eu tenho agora indicações, e estamos a falar em direto, certamente terão que passar pelo Iraque, Síria, Líbano ou Jordânia, mas havia bases no Iraque e na Jordânia, bases americanas, e também havia navios no Mediterrâneo que poderão ter, pelos vistos, como dizem agora aqui, os israelitas terão interceptado os drones. Mas, no entanto, há aqui explosões neste momento. Estamos a ver aqui das informações, explosões em Jerusalém, no sul de Israel, que indicia que são mísseis, obviamente não drones.
Que estão a ser interceptados.
Estão a ser interceptados. E, portanto, a melhor defesa antiaérea do mundo é a defesa norte-americana, seguida da israelita, que obviamente é uma capacidade que mais nenhum país tem aos vários níveis, baixa, média, alta altitude, juntamente com as aeronaves, desde F-15, F-35. Portanto, eles têm mísseis de todo o tipo ar-terra e ar-ar. E, portanto, eles têm capacidade para destruir. No entanto, não sei, os efeitos colaterais, poderá haver alguns efeitos colaterais, designadamente nas cidades. Vamos ver, porque não temos ainda todos os dados.
Major-general, são informações que vão chegando quase minuto a minuto. O Reino Unido também terá interceptado drones iranianos dirigidos a Israel, de acordo com o canal 12 de Israel, caças norte-americanos e britânicos abateram drones iranianos dirigidos a Israel perto da fronteira Síria-Iraque. Os jatos do Reino Unido usados para o apoio a Israel terão saído do Chipre. O Ministério Britânico da Defesa foi contactado pelo jornal Telegraph e não terá comentado esta informação. Informações que vão chegando quase minuto a minuto. Israel vai interceptando, ao que sabemos, estes ataques, esta ofensiva. Quando é que podemos esperar uma resposta de Israel e que tipo de resposta é que podemos ter? Depois desta defesa do território.
Depois desta defesa, estamos a ver a parte do Irão, que as duas vagas, primeiro de drones, depois de mísseis, terá terminado ou terminarão em breve. Eles entendem que o assunto deve dar-se por concluído, mas certamente que agora fica o ônus do contra-ataque em Israel, que eu tenho a certeza que vai responder. Por muita pressão que haja da comunidade internacional, por muita pressão que haja dos Estados Unidos, Israel, daquilo que é a história, responderá certamente a este ataque. E normalmente Israel, quando responde, é exatamente com uma dimensão ainda maior, sobre alvos estratégicos ainda de maior dimensão. Certamente que a comunidade não avaliou bem a situação, na minha perspetiva, quando dia um devia ter condenado o ataque no Conselho de Segurança. Não houve uma condenação e inclusivamente o próprio Irão, na altura, chamou a atenção que havia uma carta só para alguns, porque efetivamente devia ter sido condenado. O ataque de Israel foi sobre uma embaixada, que é território do Irão. E, portanto, se obviamente houvesse uma resposta a nível político ou diplomático, certamente que não teríamos a situação que temos hoje. E, portanto, a escalada tem que ser controlada em determinado momento. Eu espero que os governos, quer norte-americano, quer o próprio governo chinês, que tem influência sobre o Irão, como vimos na relação do acordo que havia antes do 7 de outubro, entre o próprio Irão e a Arábia Saudita, que era quase impossível, entre xiitas e sunitas E sunitas há muito tempo em conflito, têm alguma autoridade e alguma legitimidade para fazer essa intervenção junto do Irão, da parte dos Estados Unidos junto de Israel, mas também da própria União Europeia, que neste aspecto não tem nada a ver relativamente à guerra na Ucrânia, neste aspecto tanto condena os terroristas no 7 de outubro, como a seguir condenou e sistematicamente Israel por ter feito o que fez e o que vem fazendo em Gaza. E, portanto, também tem alguma autoridade e alguma legitimidade. Eu espero que a diplomacia vença e o assunto fique por aqui, mas duvido muito, porque o que está em causa em Israel é a sua sobrevivência como Estado soberano. Israel está rodeado de Estados árabes, mas também, por outro lado, tem que saber trabalhar a diplomacia, o que não tem sabido desde 7 de outubro, no sentido de ter alguns desses mesmos Estados, nomeadamente os Estados sunitas, reconhecendo o próprio Estado de Israel, e que não seja só o Egito, que não seja só a Arábia Saudita, que não seja só a Jordânia, que haja outros países que caminhem nesse sentido para que tenhamos paz ali na região. Este é um momento muito complicado em termos não só na dimensão militar, mas sobretudo na dimensão política, diplomática e até estratégica. Esperemos que o caminho, por pressão das grandes potências, seja outro e que termine aqui. Apesar de eu não acreditar neste caso, apesar de ser muito positivo, neste caso, julgo que haverá uma resposta da parte de Israel. Esperemos que a pressão internacional acabe por resultar.
Senhor general, há minutos o primeiro-ministro português Luís Montenegro fez uma publicação na rede social X: "O governo português condena veementemente o ataque do Irão a Israel, apela à contenção em ordem a evitar uma escalada da violência". Também a reação de Luís Montenegro, primeiro-ministro português, sendo que ao longo da noite vários primeiros-ministros e presidentes de vários países têm reagido a este ataque. Uma última questão, senhor general. Também ao longo desta noite, a missão do Irão nas Nações Unidas confirmou que o ataque é uma retaliação ao outro ataque à embaixada em Damasco, a que fazia referência, e declarou que agora o assunto pode dar-se por concluído. Pode ler-se na publicação da missão do Irão nas Nações Unidas. Mas não é a missão do Irão que decide isto, não é?
Naturalmente, é Israel que decide e Israel na situação em que está, isto não é uma situação pontual. O próprio Irão condenou o facto de o Conselho de Segurança não ter aprovado uma resolução que condenasse o ataque de Israel a Damasco, mas também, e está tudo interligado, condenou o facto de o Conselho de Segurança não ter conseguido uma resolução no sentido de apoiar a criação do Estado da Palestina. Portanto, está tudo interligado e o interligado favorece, neste caso, o Irão, na medida em que depois tem o apoio da maior parte daqueles países árabes em torno de Israel, o que isola ainda mais Israel e que leva depois a uma pressão grande dos Estados Unidos para apoiar o Estado de Israel, independentemente da pressão que havia no sentido de acabar com a guerra em Gaza. E não havia vantagem nenhuma para os Estados Unidos que houvesse ali uma frente, já bastava na Europa a Ucrânia e já bastava as questões do Indo-Pacífico, que são prioritárias para os Estados Unidos. Portanto, isto é um puzzle muito complexo e que, obviamente, se houver a tal retaliação, em vez de o dar por concluído, como disse agora, a situação no Médio Oriente vai-se complicar ainda mais e com repercussões no mundo inteiro. E as repercussões vão começar já certamente com o preço do petróleo, porque tudo isto está relacionado, inclusivamente aquilo que foi o ataque esta manhã a um navio de bandeira portuguesa. Tudo isto vai ter consequências e quem vai ser mais prejudicado, certamente, são os países mais pobres, como sempre acontece neste tipo de conflitos, com a consequência do preço do petróleo e a consequência de não passarem no Estreito de Ormuz determinado tipo de navios, é onde passam 20% dos navios do mundo, onde passa 40% do petróleo do mundo. E o Irão está disposto, se houver um ataque ou um contra-ataque agora de Israel, a fechar o Estreito de Ormuz, com consequências enormes para o mundo inteiro. Talvez só beneficie depois a Rússia, que não estando diretamente envolvida, obviamente vê o preço do petróleo aumentar e vê certamente benefícios na sua guerra contra a Ucrânia.